História Não há nenhum lugar como nosso lar. - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 1.197
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - Capítulo 1 - Amuse-bouche


Ding, dong.

A campainha do apartamento de Ryan tocou três longas vezes. O medo tomou conta completamente de seu corpo, e ele que estava escondido por debaixo da cama e dos cobertores não ousou mexer um centímetro dos seus membros para atender a porta.

Aquela longa e esticada mão com dedos macabros e afiados... Não pertencia a nenhuma garota, muito menos àquela garota tão delicada. Mas, parando para pensar melhor, aquela mão não pertencia a nenhum ser humano. Ryan se recordou do que tinha visto pela janela, sobre aquele homem ser morto e ter seu corpo arrastado pra longe.

Ryan já tinha pensado sobre suicídio antes, mas ele era covarde. Ele não queria morrer daquela maneira, nem ali naquela circunstância. Será que ele deveria se defender? Pegar uma faca e esperar o melhor? Ou, talvez, se ele ficasse bem quieto, aquele monstro não o perceberia debaixo da cama. Tantas possibilidades, tantos resultados, tantos receios.

O menino levantou brevemente a coberta que tampava sua vista, olhando de relance para a porta. Seus olhos cruzaram o olho mágico no exato momento que uma aguda e inocente voz se manifestou.

— P-Por favor... Tem alguém aí? Me ajude! — A voz tomou um tom de sussurro, como se não quisesse ser escutada. Era a mesma voz da vizinha, da garota ao lado. Ela poderia estar bem, apenas querendo ser socorrida por um bravo herói.

Imediatamente, Ryan se levantou e foi em direção a porta, se esgueirando pelo olho mágico. Era realmente a menina, com um rosto manchado de sangue e ranho. Ela estava chorando, tremendo, olhando para os dois lados rapidamente. Ela estava com medo.

— O-Oi... — Ryan disse, fazendo com que a menina acendesse seu rosto em alívio e se virasse para a porta.

— Me ajude! Tem um monstro aqui e... Ele está atrás de mim... Abre a porta, por favor!

Ryan pôs a mão na chave que jazia na fechadura, prestes a girá-la. Mas, algo em sua consciência o parou. Ele não se lembrava de ter visto a menina ali perto, e para ela aparecer tão de repente, só poderia estar ali. Ou, talvez...

— Me mostra o seu braço. — Ryan, firmemente, ordenou.

— U-Uh? — A garota ergueu as sobrancelhas, chocada e ainda chorosa, olhando para o lado esquerdo. — E-Ele está vindo! Abre a porta!

— Então me mostra o seu braço.

— Por favor!

A menina suplicou, mas foi em vão. Ryan permaneceu estático, esperando que a menina lhe mostrasse o pedido. Mas ela não o fez. Na verdade, ela se aproximou cada vez mais do olho mágico. Sua expressão antes de choro se desfez em um mix de desprezo e raiva. Seus olhos pareciam mortos, pois não focavam em nenhum ponto, mas Ryan sentia como se eles encarassem sua alma.

— Você se acha esperto, seu merdinha? — A menina disse, abrindo um sorriso macabro de orelha a orelha. Seus dentes estavam tortos, diferentes do normal. Sangue parecia escorrer do canto dos seus olhos e do seu nariz. Ryan se aproximou do vidro para tentar perceber melhor as diferenças no rosto da menina, mas se assustou quando ela socou a porta.

— ᕮᑌ ᕮᔕƬ〇ᑌ ᑕ〇ᗰ ₣〇ᗰᕮ. — A mesma voz de antes, grave e sinistra, parecia mais poderosa, mais firme.

Outro soco na porta, mas dessa vez deixou uma grande marca nela, como se o punho da garota tivesse afundado no material. Era uma força que ele nunca tinha antes visto. Ele imediatamente recuou, se escondendo no lugar de antes.

Um terceiro soco descolou a maçaneta, fazendo a cair no chão junto dos parafusos. A porta cedeu e se desprendeu, entortando para o lado enquanto a figura da menina, agora com as mãos longas e esticadas que chegavam ao solo, a empurrava. O mesmo sorriso macabro de antes tinha se fixado nela.

— ᕮᑌ ᕮᔕƬ〇ᑌ ᑕ〇ᗰ ₣〇ᗰᕮ. — Ela repetia, se aproximando lentamente do centro do quarto. Ela parecia analisar com cuidado o lugar para achar onde Ryan estava, e este só conseguia enxergar borrões do que deviam ser os pés da garota por além do cobertor. Seus pés estavam tão distorcidos quanto as mãos.

Ryan pedia por algum milagre, para que sua vida fosse poupada. Suas orações, porém, foram interrompidas quando um barulho de guitarra o quase deixou surdo. Era sua vizinha do décimo terceiro andar, apartamento nº 1303, uma garota que gravava covers de rock no quarto, que deveria ser um estúdio a prova de som, mas não era.

A “menina”, que antes estava vasculhando o lugar, parou por um momento.

— ᑕ〇ᗰƗÐᗩ.

Ryan subiu a coberta só o suficiente para os pés da garota saírem em disparada pela porta. Os passos eram pesados, desesperados, que se estendiam até as escadas. Ryan, suspirou aliviado, saindo debaixo da cama quando se certificou de que aquele monstro tinha realmente saído do seu andar.

Ele suava frio e tremia. Suas mãos estavam meladas de tanto suor, mas ele tentou, de qualquer maneira, pegar uma faca de cozinha que ele usava para cortar as embalagens de miojo. Ele precisava avisar a algum outro vizinho daquilo, para tomarem cuidado.

Ele pôs os pés para fora do seu apartamento, vendo a bagunça que estava ali. A faca balançava inconscientemente pelos seus dedos, pois segurá-la era um esforço tremendo. Ele tentou checar se havia mais outra coisa no apartamento ao lado, talvez a menina verdadeira estivesse ali e aquele monstro só estivesse a copiando, ou o gato ainda poderia estar a salvo. Por um momento, acabara notando que seu nariz estava sangrando. Ele pôs a mão vazia nele para limpar, mas nem terminou de o fazer pois foi interrompido novamente.

— O que caralhos tá acontecendo aqui? — Uma voz firme e irritada ressoou atrás do garoto, que ergueu a coluna assustado.

Era Paul, do 714. Ele tinha seguido os barulhos de pisadas fortes dali, e se guiando pela bagunça, veio a trombar com o garoto. A primeira coisa que o homem viu foi a mancha de sangue logo na entrada do apartamento, com mais manchas do lado de dentro, mesmo que estivesse bem escuro para distinguir muito.

Quando o garoto Ryan se virou, com a faca em suas mãos, gemendo com medo e apontando para as escadas inutilmente, Paul estremeceu de raiva. Ele não teve tempo nem mesmo de perceber que a faca estava limpa e seu punho já estava no ar, prestes a socar o menino.

Talvez o choque da situação fosse muito grande para Ryan aguentar, porque ao ver que seria socado, ele deu uma última tremida e caiu no chão, se estralando no meio dos pacotes de miojo.

— Uh? Mas eu nem te... — Paul se aproximou do garoto, que estava com os olhos virados para dentro. — Bati.

Paul deu um chute de leve no menino, tentando ver se ele acordava, mas ele não mexia nem um pouco.

— Ei, moleque... — Ele insistiu, colocando a mão no nariz sangrento do mesmo para ver se não tinha o matado de susto. Não, ele ainda estava respirando.

O homem suspirou, aliviado, e pegou o garoto no colo. Aquilo estava muito confuso para o seu gosto, e aquele sangue não deveria estar ali no chão. O que quer que tenha acontecido, ele só saberia assim que Ryan acordasse. Mas Paul não queria ser babá. Pelo menos não agora.



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