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História (Não) me toque. - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Carta


As coisas estavam esquisitas desde o dia em que Eddie apareceu na porta de sua casa. Ele tinha parado de reclamar tanto de suas aproximações, parecia não ligar para sua euforia e interrupções, piadas bestas com nomes esquisitos ou algo de cunho sexual. Como por exemplo, essa vez ditou elementos e pediu pada que Eddie escrevesse suas fórmulas. Protactínio (Pa), urânio (U), nitrogênio (N), oxigênio (O), enxofre (S), európio (Eu) e cobre (Cu). Não era uma mensagem muito difícil de ser revelada, na verdade era até imatura e um tanto quanto infantil.

Pau no seu cu.

E Eddie riu. Ele riu. Baixo, mas riu. Foi esquisito. Porque tinha certeza que ele não riria disso normalmente. Sem falar que ele parecia mais besta, não como se estivesse o chamando de burro ou algo do tipo, é que ele estava bobo. Sorrindo sem um motivo aparente, ficando vermelho facilmente, murmurando letras de músicas extremamente melosas, se não estava louco, escutou ele cantar uma música dos Beatles. Eddie. Cantando I wanna hold your hand. Sabia disso porque Beverly absolutamente amava eles e o fazia escutar essa música toda vez que estava com uma fita apenas da banda. Além de que as pupilas dele expandiam e sua letra estava mais redonda. Foi bem esquisito mesmo.

Richie se sentiu o próprio cupido. Eddie estava extremamente apaixonado e iria descobrir por quem, quem sabe mesmo ajudar. Só que ele não parecia querer que soubesse, quando o questionou ele desviou o olhar e tentou mudar de assunto. Um péssimo mentiroso e um péssimo ator.

E que dia melhor para fazer isso se não o dia dos namorados? 14 de fevereiro, numa quinta-feira.

Onde Ben estava participando de um correio elegante. Iria sugerir que Eddie escrevesse uma carta e pediria para Ben o dizer quem era a tal pessoa, aí então juntaria os dois. O plano perfeito. Tudo estava indo bem, Kaspbrak disse que era uma ideia imbecil, mas o viu escrevendo. Claro, teria conseguido se Ben não tivesse se recusado a participar disso. Mas tudo bem, iria dar seu jeito. Iria pedir para entregar o bilhete de Eddie e descobrir o destinatário.

Só que ele não deixou. Ficou mais na defensiva do que um dia já foi. E Richie não teria desistido tão facilmente, se não tivesse ficado tão distraído quando uma garota do correio o chamou e entregou um cartão.

Apenas leu quando chegou em casa, algo desnecessário, já que ele foi extremamente pequeno. Mesmo assim, ficou a cada segundo procurando qualquer indício de que quem tivesse lhe mandado fosse um garoto. Porém a pessoa não usou pronomes e no fim de tudo ficou sem saber. Meia hora depois de ter desistido de analisar aquilo, recebeu uma ligação de Beverly, dizendo que todos os outros decidiram sair por aí vagando pelo Barrens, apenas porque eram solteiros e não havia nada para fazerem no dia dos namorados, mas ela não iria porquê seu pai havia proibido de sair, achando que se encontraria com um "namorado secreto" e pediu para que inventasse alguma mentira para contar aos outros para justificar só conseguir sair por volta das três, que era quando ele ia trabalhar. Porque segundo ela, era mil vezes um melhor mentiroso do que Stan e ela eram, além de que sabia improvisar. Disse a ela que queria lhe mostrar algo, se arrumou, pegou a carta e a escondeu, sabendo que sua mãe não entraria no seu quarto e a pegaria.

Estava nervoso, ansioso que saísse na rua e trombasse com a tal pessoa, ou que ela a conhecesse. Por isso demorou mais que o normal no banho, tomou cuidado para que seu cabelo não ficassem bagunçado — o que era bem comum, apesar de o pentear constantemente, tomava liberdade para ir para que lado quisesse, um sinal de que precisava comprar gel — e tentou se vestir de forma mais casual possível, com medo que seus amigos perguntassem o porquê de tanta arrumação. Só que ainda sim espirrou basicamente o frasco inteiro de perfume, agora estando receoso de sair na rua, trombar com o remetente e a pessoa desmaiar. Foi para debaixo do chuveiro mais uma vez.

[...]

— 'Tá atrasado. Cadê a Beverly? Ela falou que viria com você.

— Ela precisou pegar algo em casa e mandou eu ir na frente, daqui a pouco ela chega. Sabem como é né, emergências femininas. – Falou apontando para baixo, simulando ter um útero. Os únicos que sabiam de anatomia feminina básica ali eram Stan e Ben, então os outros não entenderam muito bem o que queria dizer logo de primeira.

— Não precisávamos saber dessa última parte. – Stan se aproximou sorridente. Acenou para os outros quatro que olhavam para a cena e puxou sua mão. – Nós dois precisamos conversar, voltamos daqui a pouco.

Alguns minutos depois, já não conseguiam mais ver eles, Stan continuava correndo com a sua mão, então ele olhou ao redor, pareceu satisfeito com o lugar e então desviou o olhar e soltou uma risada, realmente estava muito feliz.

— O Mike passou lá em casa mais cedo. Ele me um buquê com três girassóis. Eu tenho alergia a pólen só que foi tão fofo. Acho que estou começando a gostar dele. E tipo... Eu escrevi uma carta pro' Bill, sabe? Ele... – O sorriso dele se alargou de forma exagerada. – Ele não falou se retribuía, disse estar ainda muito confuso com isso tudo e que talvez sentisse o mesmo, mas ele disse que iria pensar seriamente nisso e que poderíamos tentar ter algo futuramente. Porque atualmente ele gosta do Mike.

Ele lhe entregou um bilhete, com a entrada rasgada, como se tivesse sido puxada a força.

— Estava no buquê.

“Quando te vi descobri o que era amor a primeira vista. Sempre achei que isso fosse surreal, que as novelas não passavam de mentiras e livros de definições escandalosas, mas tenho certeza que ouço anjos cantarem toda vez que você aparece.

Adoro seu sorriso, por mais raro que ele seja. Gosto do jeito que seus cabelos se curvam e seu jeito suave de se mover. Acho que o brilho em seus olhos quando fala de seus interesses é uma das coisas mais bonitas que um dia vou ter a oportunidade de ver. Sei que não namoramos e nem mesmo sei o que sou ainda, nem ao menos se quero ter algum tipo de relacionamento romântico. Sequer consigo falar se me aplico aos padrões e normas que impõem em um relacionamento ou se quero segui-los, mas por favor, gostaria que tentássemos, não precisa ser ao pé da letra, não precisa me chamar de "namorado" e dizer para todos que está em um relacionamento, ou seguir as "regras" de um. Podemos fazer nossas próprias, você gosta disso, não é? Nunca quis insinuar que quero algo limitado, que se sinta preso a isso, ou até pressionado a me responder de forma positiva, mas gostaria de ouvir o que pensa a respeito disso.

Com carinho, você-sabe-quem.”

— Uau. Você vai fazer o quê?

— O Mike escreveu que não queria algo limitado, certo? Então... Podemos tentar nós três, talvez. Se o Bill estiver disposto ou se o Mike quiser algo com ele. – Richie riu alto e apenas parou quando percebeu que Stan tinha começado a ficar irritado.

— Ou seja, uma orgia.

— Puta merda ein Richard. Não é uma orgia! É um relacionamento a três. Fazer a mesma coisa que namorados fazem, ver filmes juntos, sair, fazer cafuné... – Interrompeu.

— Para, para, para! Eu não sabia que você via eu e a Bev como namorados. – E recebeu um tapa por conta disso.

— Cala a boca, você entendeu.

— É, e estou feliz por vocês. – Eles fizeram um toque.

— Mas e aí, ouvi dizer que recebeu uma carta, hã?

Entregou ela a ele, abrindo um sorriso tão grande quanto o de Stan.

— É bem pequena na verdade. Acho que não pode ser considerada uma carta.

“Quando nós dois estamos juntos sinto como se o mundo ao nosso redor se dissipasse. É mágico estar ao seu lado, faz com que eu sinta milhares de coisas malucas, me confunde completamente. Você realmente estoura o meu interior.”

— Nossa que detalhado. – Aquilo foi dito com total ironia, sabia disso. E por um momento se sentiu ofendido, porque gostou daquilo, mas riu com a fala. – Quem foi o graaaande escritor?

— Eu não sei.

Ouviram um chamado, viraram para trás e viram Bill acenando, Beverly havia chegado. Trocaram os seus bilhetes e saíram.

[...]

Começou a chover absurdamente, enquanto Eddie e Richie caminhavam atrás dos outros, ainda atrasados, Bill estava na frente de todos, seguido por Mike, Ben, Stan e Beverly que conversavam logo atrás. Mas muito na frente. Então quando começaram a correr, ficaram muito a frente dos dois. Não sabiam o que fazer, pareciam baratas tontas e confusas, Eddie desesperado e com medo de pegar uma virose, enquanto Richie estava preocupado em o fazer ficar menos nervoso, enquanto seus óculos estavam molhados e impossíveis de se enxergar, tropeçou e caiu numa poça de lama. Eddie se desesperou ainda mais. Eles ficaram para trás de vez.

— Eu adorava essa camisa... – Ele parou de andar em círculos, agora parado o olhando levantar, claramente irritado.

— Você tem algum problema?!

— Vários...

E então saíram correndo o mais rápido que conseguiam, virando nas ruas automaticamente e acabando parar na casa de Richie. Mais uma vez. A mãe do garoto não gostou nada de os ver ensopados e os sapatos melados de lama pela casa.

No fim, Richie estava certo, Eddie era o tipo de pessoa esquecida, que esquece a toalha e coloca a cabeça para fora do banheiro, mesmo vestido, para pedir. Ele também esqueceu que não tinha roupas na sua casa, no final ficou com uma calça larga e uma camisa que incrivelmente lhe serviu muito bem. Os dois se jogaram na cama e ficaram jogando videogames.

Aí Richie entrou em pânico e lembrou da carta, pausou e correu para o meio do banheiro enquanto Eddie se levantou até a porta, confuso. Ele puxou a o papel, se desfez em sua mão.

— Merda.

Quando se virou para a porta do banheiro, viu Eddie extremamente vermelho e cabisbaixo. Ele voltou para a cama, os dois perderam todas as vezes que tentaram depois daquilo, e já estavam cansados de tanto passarem o controle, desligaram a TV e se deitaram.

— Acha que deveríamos avisar eles que estamos bem?

— Acho.

Viraram um para o outro, aquilo já tinha acontecido antes.

— E nós vamos?

— Não.

Eles seguraram suas mãos e se aproximaram, quase se abraçando. Richie estava curioso, queria passar dos limites, mas sabia que ele prezava por espaço pessoal, mas não havia dado nenhum indício de estar se importando, então arriscou se aproximar ainda mais, encostou suas pernas e as enrolou umas na outra.

— Eddie?

— Que foi? – Soltou suas mãos.

— Eu quero um abraço. – Ele abriu os braços, foi até lá.

Para ambos era extremamente confortável ficar alí. Mas Richie estava decidido, talvez apenas por curiosidade de ver uma possível reação, talvez por uma parte muito pequena de si estar querendo algo, ou melhor, tendo saudade de algo. Tinha um problema grande de dependência.

— Sabe o Connor?

— Sei. – E ele não parecia nada confortável ao o ouvir falar esse nome.

— Meio que ele chegou me beijando, eu não sabia se era algo que eu queria logo de início e não acho que isso é algo muito legal. – Ele murmurou um "uhum", sem muito interesse no assunto. – Então... Eu posso te beijar?

Eddie sabia que era carência. Que ele não sentia o mesmo que sentia e se sentia não era na mesma intensidade. Que provavelmente ainda pensava muito em Connor, talvez tanto quanto pensasse nele. Mesmo assim isso não impediu seu coração de parar momentaneamente. De agradecer estarem deitados, porque não tinha mais força em nenhum membro do seu corpo, de se sentir atordoado e perder parcialmente a visão. Estava certo de que tudo ao seu redor estava com um filtro de cores. Isso não impediu sua voz de sair em um fio.

— Pode.


Notas Finais


to com sono, escrevi com sono e sinto q isso ta horrível

eh isto✌🏻


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