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História Não o único - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


De volta pra mais uma atualização um pouco atrasada

Obrigada por acompanharem

Boa leitura <3

Capítulo 8 - O pior de todos


Os dias na P.K Academy eram de fato exaustivos, principalmente tendo uma louca te perseguindo pra todos os lados. Acho que quando pedi –ameacei- Teruhashi pra que ficasse longe ela entendeu exatamente ao contrário. Me seguia de canto em canto, sempre tentando, de algum jeito que pra ela parecia ser sutil, se aproximar. Eu não sabia se ria ou se chorava com isso, mas uma coisa era fato, Reita e Mikoto riam, riam demais, e isso era outra coisa que me irritava, mas, fazer o que? Faz parte, eu acho.

 

Esses dois também tem colado em mim, e eu vivo oscilando entre ir na onda de loucura deles, ou afastá-los, mas na maior parte das vezes eu os afasto mesmo. Não é mais por maldade ou receio – em partes – mas sim por que eles sempre estão me empurrando pra algum grupinho, e cara, isso irrita, pra um caralho. Sempre as mesmas desculpas esfarrapadas.

 

Você não pode querer ficar sozinha o tempo todo, isso faz mal!”

Não faz não porra!

 

“Eles querem ser seus amigos Ayumi-chan, dê uma chance.”

Por que caralhos eu deveria? Já não me bastam os dois?!

 

“Você devia ser mais gentil com as pessoas, isso ainda vai te prejudicar!”

Me prejudicar como papai amado?

 

“Garotos não gostam de meninas solitárias e frias demais!”

Não preciso nem falar quem disse isso e o quão absurdo é certo?  Nem sentido não faz, mas a gente releva, pelo bem da minha sanidade mental, ou o que me resta dela a essa altura do campeonato.

 

Agora que esses dois insistiram em serem meus amigos, ou “Best Friends” como eles gostam de chamar, só pra fazer piada com as coisas que eu deixo escapar em inglês uma vez ou outra, eles realmente tem me enchido, mas eu de cera forma gosto. É muito diferente de qualquer relacionamento que eu já tive, chega a ser assustador, mas um assustador bom.

 

Menos quando eles invadiam minha casa, aí a história mudava.

 

-|-|-|-

 

-Fala aí Ayumi, vai convidar eles lá pra casa em um horário que eu esteja quando? Quero saber de uma fez quem derrubou as “muralhas” da madame ai. –Miserável. Ryuki é um verdadeiro miserável. O desgraçado pegou uma vez um post-it com a letra da Aiura na bancada da cozinha. Ela tinha deixado lá pra me lembrar “sobre produtos de beleza”, e agora ele só falava disso. –Quero conhecer meu cunhado inclusive.

 

-Vira essa boca demoníaca pra lá! Tá me rogando praga satanás?! –Joguei uma almofada nele, que só riu, e eu revirei os olhos bufando. Cruzei os braços e fiz uma careta quando ele começou a fazer coraçõezinhos com as mãos, simular beijos nojentos e fazer gestos obscenos. Okay, já deu né? –Olha, o papo sobre o meu NÃO relacionamento com o Reita ‘tá super interessante, mas eu realmente não tô afim de vomitar ou ter pesadelos. Brigada, de nada.

 

-Se não for ele é quem então? A loirinha? –Um sorriso sacana brincou em seus lábios, e eu ri, vou fazer o que? Ele fazendo essas caras é a coisa mais escrota da minha vida, puta que pariu.

 

-Não e qualquer mulher que me atrai sabe? Sou exigente ué! –Dei um sorriso convencido, fazendo uma pose “superior”. Não era mentira, era raro um cara ou uma mina me chamar à atenção, e era bem assustador quando acontecia, mas como é um evento raro que só acontece de cinqüenta em cinqüenta anos, a gente ignora né. Ryuki teve a ousadia de rir na minha cara.

 

-Acho que ‘cê esqueceu que é bi né querida, acorda pra vida. Vai que é alguém do nosso amado país de origem que vai te laçar? –Debochado pra uma vida esse capiroto.

 

-Eu duvido, sinceramente. –Comprimi os lábios, desgostosa antes de fazer uma careta só de imaginar a possibilidade. –O povo desse lugar é muito clichê. Sedentos por relacionamentos, fixados por aparência, perfeição. Parece até que vivem em um verdadeiro dorama ou sei lá. –Cruzo os braços no final da fala. Ryuki ficou quieto encarando a TV enquanto eu falava, Há, ele sabia que eu tava certa.

 

-Desculpe. Eu sou desligado dessas coisas. –Ele ficou sem jeito meu Deusu, que bonitinho. –Você sabe, não percebo nem ligo pra essas coisas. Eu sou... -

 

-Assexual, é, eu sei. Queria eu ter essa dádiva. –Comento divertida. Quem me dera ser assexual, minha vida seria absurdamente mais fácil e prática, mas não, sou o que? Bi! Posso nem ir no vestiário me trocar pra educação física com as meninas que já ficava em um estado critico. Ok, não era qualquer um que atraía minha atenção, mas eu sou humana droga, e eu ainda tenho olhos!

 

-Não é algo lá muito agradável de se ser em alguns pontos, mas eu acho que te entendo. –Ryuki fez uma careta. Acho que, sem querer, catuquei uma ferida, muito, muito sem querer. Lhe dei um tapinha no ombro pra chamar sua atenção, já que ele começou a viajar. –Desculpa.

 

-Já passou da sua cota de desculpas de hoje, chega pelo amor de Deus, chega. –Reviro os olhos, mas logo lhe encaro com carinho e preocupação. –Não conheceu ninguém outro assexual no hospital? Nenhum paciente, parente de paciente? –Pergunto incerta. Esse sim era um assunto delicado. Ryuki suspirou antes de se jogar com tudo no sofá.

 

Ah, eu não comentei certo? Estamos no consultório dele no hospital que ele trabalha. Fingi um desmaio pouco antes da educação física, tava sem paciência pra lidar com a animação desumana do Hairo hoje, me julguem. Uma ambulância me trouxe já que o Ryuki fez o favor de deixar uma ordem na minha ficha que, em caso de desmaio, era pra eu ser levada imediatamente pro hospital. Obrigada Ryuki, por isso te amo.

 

-Não, ninguém que eu tenha conhecido, acho que é mais ao contrário...

 

-As cantadas continuam aqui também? –Perguntei compreensiva. Entendo perfeitamente bem ele. Ryuki recebia cantadas sutis e descaradas de mulheres – ou homens às vezes – em todos os cantos e se sentia desconfortável, afinal sabia que o que as interessava era seu corpo, e ele não conseguia sentir o mesmo por elas. Desejo. E eu? Eh, o assédio nas escolas americanas e agora essa admiração e fixação dos rapazes e garotas japoneses pela minha aparência, e só pela minha aparência.

 

-As enfermeiras e algumas cirurgiãs sênior as vezes passam dos limites, e ainda tem alguns internos que... ARGG! –Resmungou emburrado. Ok, o assunto era sério, mas ele consegue fazer ficar fofo com essa cara de criança que pediu um doce e não ganhou. Deus, ele é idêntico ao Tomas no quesito mentalidade as vezes.

 

-Ei, não fica assim, sabe que vai achar alguém, é só questão de tempo. –Tento reconfortá-lo. Esses eram os momentos mais quebrados que tínhamos. Ele não entendia quando eu sentia alguma “atração” por alguém ou quando digo que queria ser assexual, e eu não entendia essa fixação dele por encontrar alguém pra viver com ele. Parecia que ele ouviu meus pensamentos, por que ele riu e me deu dois tapinhas no ombro antes de se levantar.

 

-Ehh Ayumi, não acho que você vá entender meu desejo. Quero passar a vida do lado de alguém, amar alguém. Amor não se trata só de atração física, e eu queria viver algo assim, algo puro.

 

-Ainda não consigo te entender. –E era verdade.

 

-Claro que não vai entender, você não quer saber do amor.

 

-|-|-|-

 

-Ayumiiiii-chan~ pensei que não viria hoje, depois daquele desmaio de ontem.

 

-Cala a boca Mikoto, ou eu te faço calar. –Digo ameaçadoramente. Não queria nem um pouco que Hairo descobrisse sobre meu desmaio fingido ou ele iria encher meu saco pro resto da minha vida, e eu não ‘tô com saco pra isso hoje não. Me sentei no lugar de sempre sem dar mais papo pra ninguém, nem pra loira nem pro roxinho. Eu me esqueci de comentar que ele agora praticamente vive na nossa sala? Parece até que estuda aqui, impressionante, não sei como os professores dele não reclamam quando ele chega atrasado pra aula todo dia, pelo amor de Deus.

 

Quando sentei agradeci aos céus pela sala estar relativamente mais quieta que o normal, acho que por Teruhashi não ter chegado ainda, e conseqüentemente, os seguidores psicopatas dela, então eram só as conversas e burburinhos normais de sempre. Peguei o celular assim que coloquei a bolsa na mesa e abri no primeiro contato, ou melhor, grupo fixado. A palavra “Família” como nome do grupo não podia deixar o negócio mais óbvio. Abri um sorriso em ver a única mensagem que tinha ali agora.

 

Thomy<3: Se cuidem na escola e no trabalho, salve pessoas Ryuki e não mande ninguém pro hospital Ayumi.

Boa sorte com o pessoal daí, sinto pena de vocês kskskskskks.

 

Esse garoto tá perdendo a noção do perigo, só pode, e olha que ele só tem convivido comigo, Ryuki e Saiki. Sempre que ele sai pra treinar com o Kusuo os dois endemôniados aparecem, devem usar as habilidades de vidência da Mikoto pra saber quando o Tomas sai. Eles acham o quê? Que ele é igual ao rosinha? Bom, eu não vou reclamar. Se sozinho o Tomas já ‘tá agindo assim, não quero nem ver se ele começasse a falar com a dupla do barulho.

 

E por falar no Tomas...

 

“~Saiki, como o treino tem ido? A peste não me fala nada!”

“~Ele tem se saído bem, mas tem tido problemas na concentração.”

“~Dou um jeito nisso hoje, pode focar em algo diferente no treino da semana? Ele vai precisar ter energia pra agüentar uma seção longa de meditação.”

“~Ele parece bem nos treinos.”

“~Tomas é muito orgulhoso, mas chega em casa e capota na cama, mal come direito. Os surtos durante a noite tem piorado.”

 

Olhei pra trás por alguns segundos, e juro que vi Kusuo fazer uma careta, mas pode ter sido só miragem. Essa desgraça parece que só tem uma expressão. Ele não me respondeu, mas eu vi ele acenando com a cabeça, bom, pelo menos é uma coisa a menos pra me preocupar, Tomas vai voltar a comer, e nem que seja obrigado, ele vai falar comigo direito.

 

Mas por agora, eu só quero deitar e dormir.

 

~SAIKI

 

O garoto tem tido surtos durante o sono? Os poderes parecem estar mais avançados do que eu imaginava. Eu tive surtos assim por volta dos dez, ele ainda tem seis e parece já causar problemas, vou ter mesmo bastante trabalho com ele aparentemente. A ruiva não falou mais nada, só deitou a cabeça na mesa e dormiu, ou quase.

 

Eu queria saber quando ela vai se tocar que eu escuto esses monólogos internos que ela vive fazendo, mas acho que talvez o raciocínio dela não é lá tão rápido, pode ser que eu tenha me enganado quanto a inteligência dela.

 

-Ei Ume, levanta o rosto.

 

Anh?

 

-Ume, eu sei que você ‘tá me ouvindo. Levanta o rosto, por favor. –Saiko disse ”por favor”? Que mundo paralelo é esse?

 

Metori Saiko estava sentado na cadeira dele olhando pra Ayumi, cutucando seu braço e falando no tom mais dócil que eu já vi ele usar. Acho que ele só fala assim com a Teruhashi, no máximo. A Homigaru não mexeu um músculo que seja, mas parecia que tinha ficado tensa só de ouvir a voz dele. Isso me lembra um mínimo detalhe.

 

“E o pior dos casos.

 

Metori Saiko, o pior ser humano com quem eu tenho o desprazer de cruzar, de novo. O pior é que não posso nem alegar que ele que está me perseguindo, por que ele foi embora dos Estados Unidos primeiro, e eu depois. Ele entrou nessa escola primeiro, eu depois. E também, ele sequer olhava na minha cara mais - graças a Ozzy - mas eu conseguia sempre pensar nesse bastardo. Não toquemos nesse assunto agora, certo? Certo.”

 

Ela definitivamente odiava ele, mas ele não parecia sentir o mesmo. Não consigo ouvir nada vindo dele, nem dela, e não sei por que, mas isso me agonizou bastante agora. Engoli em seco, sentindo um mal pressagio quando ela levantou o rosto e encarou Saiko, que parecia ter sentido a mesma coisa que eu, por que também engoliu em seco. Ayumi levantou devagar, e ele levantou logo depois, completamente afobado.

 

E eles ficaram ali, se encarando, como se fosse um tipo de filme competitivo de ação, mas foi muito pouco tempo, não demorou pra Saiko tentar abrir a boca pra falar alguma coisa, mas ela cortou ele com um tapa na cara.

 

“~EHHHHH?”

“~O QUE ACONTECEU?”

 

Não sei diferenciar o que doeu mais, o tapa na cara que o Saiko levou ou a minha cabeça nesse momento. A sala simplesmente explodiu em pensamentos escandalosos e, logo depois, burburinhos. Minha cabeça ficou uma confusão, e mesmo com todo esse barulho, eu consegui ouvir perfeitamente o que Ayumi disse pro Metori antes de pegar a bolsa e sair da sala.

 

-Nunca mais chegue perto de mim ou da minha família, traidor bastardo.

 

-Mas que merda aconteceu...? –Perguntei baixo, com minha própria voz, só pra eu mesmo ouvir. O que esses dois têm haver um com o outro afinal? Que palhaçada, por que tudo que envolve a família dessa ruiva tem que ser um pulo no escuro?


Notas Finais


Os personagens pertencem ao anime Saiki Kusuo no psi na, com exceção dos de minha autoria, que são:

Ayumi Homigaru
Ryuki Homigaru
Tomas Homigaru

Grata, Moon <3


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