História Não ouse me esquecer - Capítulo 15


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 15 - Você dorme como uma pedra


   Ícaro

    Leo parecia concentrado com o meu laptop apoiado nas pernas enquanto eu inclinava a cabeça para tentar ver em que site ele entrava.

    — O que é isso? — perguntei, enquanto via a sua expressão mudar com uma mistura louca de animação e espanto.

    Virou o laptop para mim. Era uma imagem de um casaco amarelo esquisito com antenas.

    — Que caralho é esse? — questionei, enojado.

    — É só o melhor casaco do mundo! — Sua animação me fez revirar os olhos.

    — É ridículo, tem antenas — observei. — Passaria vergonha com isso.

    — Não são antenas — retrucou, irritado. — É a orelha do Pikachu.

    — Você não andaria com isso na rua, não é? — Fiz uma careta e meneei a cabeça, inerte. — Nem fodendo eu sairia com você se usasse essa merda, nem pense em comprar isso.

    — Eu ia comprar, mas não acho em lugar nenhum — murmurou, entristecido. — Eu mereço o melhor casaco do mundo.

    — Fique feliz por não achar, esse casaco é ridículo — afirmei com sinceridade. — Vai passar a noite aqui? — Mudei de assunto para tentar desviar sua maldita atenção daquele casaco ridículo. Eu odiava ser deixado de lado.

   — Se você não se incomodar — Deu de ombros ainda sem olhar para mim.

   — Seu pai não se incomoda de você passar quase vinte e quatro horas por dia comigo?

   Leo suspirou, fechou o laptop com um estalo e o colocou na cabeceira antes e se afundar no travesseiro com o rosto inexpressivo. Sempre ficava inexpressivo quando falava do pai.

   — Não, ele não liga — disse, seco. Leo raramente era seco comigo e quando era geralmente era porque eu o provocava.

   — O que ele faria se soubesse da gente? — Eu queria saber mais sobre que tipo de pessoa o seu pai era, já que ele não me dava abertura nenhuma para conversarmos sobre isso.

   — Não sei — sua voz soou ainda mais dura. — Ele não se importa comigo.

   Coloquei a mão em seu peito, que subia e descia no ritmo da sua respiração serena, e dei um rápido beijo em seu queixo, apenas para que soubesse que poderia parar de ser chato e começar a compartilhar mais as coisas comigo.

   Ele me abraçou e fechou os olhos. Leo não estava tão alegre quanto antes, parecia imerso em pensamentos que se recusava a compartilhar.

   Não seja chato, Ícaro...Nem todo mundo quer falar com você o tempo inteiro.

  Quis estapear a minha consciência, mas me contive por não ter ideia de como fazer isso.

   — Vai dormir? — Me afastei um pouco para olhar para ele.  

   — Eu odeio dormir — Abriu os olhos e me encarou daquele jeito que me deixava constrangido, como se estivesse me devorando com eles.

   E olha que nem estávamos falando sobre sexo!

  Se bem que falar nunca é tão bom quando fazer....

   — Qual é o seu problema? É a melhor coisa do mundo! — praticamente berrei, tentando ignorar sem sucesso meus pensamentos obscenos.

    — Não é não, é perda de tempo — disse mal humorado. Seu humor foi praticamente de mal a pior desde que mencionei seu pai. — Poderíamos estar fazendo algo produtivo, mas não, ficamos numa espécie de coma enquanto cada minuto da sua vida passa diante dos seus olhos. Praticamente um terço da sua vida você passa dormindo, perdemos um terço da vida dormindo!

    — É a melhor perda de tempo do mundo! — Esbocei um sorriso ao lembrar da maravilha que era dormir.

    Leo revirou os olhos e tirou a camisa como se ela o incomodasse, jogando-a no meio do caos que era o meu quarto, o único lugar no qual eu não sentia a obrigação de arrumar, já que não deixava quase ninguém vir aqui.

   Olhei fascinado para o colar de coração pendurado em seu pescoço. Notei que nunca o tirava e me lembro que aquele coraçãozinho frio ficava roçando em mim quando estávamos abraçados.

   Que coisinha interessante e estranha ele era!

 Leo

    — Que colar é esse? — perguntou, com os olhos brilhando de curiosidade. — É um cordão de mulher — continuou, examinando-o. — E você nunca tira.

    Afastei-me por reflexo quando fez menção de pegá-lo.

    — Era da minha mãe — Cobri o coração vermelho com uma das mãos. — Peguei quando ela morreu, queria me sentir perto dela de alguma forma, mesmo que eu não mereça.

    Ícaro me encarou, pedindo permissão com o olhar. Assenti lentamente, soltando o coração com um suspiro.

    Jamais deixei alguém tocar nele, eu tinha um ciúme terrível daquele colar, tive medo de que a imagem e lembrança dela se perdessem com o toque estranho.

    Mas eu amava Ícaro, sentia ciúmes de Ícaro e amava a minha mãe, e consequentemente, eu sentia ciúmes do colar dela.

    De alguma forma eu sabia que seu toque não faria a imagem dela sumir, mas sim ficar mais viva, pois por muitos anos minha mãe foi o meu sustento, foi a estrutura na qual eu me apoiava quando estava perdido.

   Agora Ícaro era a minha estrutura, mesmo que ele não soubesse. Eu estava praticamente cambaleando para os lados antes de conhecê-lo, e ele não me deu apenas seu ombro para que me apoiasse, ele me deu o seu coração, me deu a sua alma, se deu por inteiro de todas as formas na qual uma pessoa poderia se entregar totalmente a outra.

   E eu o amava por isso, o amava por ser o meu sustento, por me fazer sorrir quando queria chorar, por me deixar confortável o bastante para que me abrisse com ele, por me ouvir pacientemente e sem interromper um momento sequer, e por me dar um beijo na testa antes de dormir enquanto canta baixinho uma música do Michael Jackson, uma música que me fez amá-lo ainda mais.  

  Esse turbilhão de sensações me fez querer abraçá-lo, e foi o que fiz da forma mais brusca e inesperada possível.

  — Meu Deus, como você é carente! — reclamou, tentando se livrar do meu abraço. — Não consegue ficar do meu lado sem me agarrar a cada minuto?

   — Não — Sacudi a cabeça, e de fato eu não conseguia, adorava beijar e abraçar ele.

   Assim que conseguiu se afastar, ele me deu uma cotovelada, retribui a cotovelada com mais força e ele riu, ficava tão lindo quando ria.

  Disse isso a ele e Ícaro parou de rir na mesma hora, fez uma careta e mandou eu me foder. Ele sempre mandava eu me foder quando o deixava vermelho ou o elogiava, era a sua maneira de dizer obrigado e eu amava isso nele.

   Deslizei os dedos em seu peito, queria beijar cada centímetro dele, seus cabelos negros, sua testa franzida, seu queixo, sua orelha, suas covinhas que me enlouqueciam quando sorria... Tudo isso enquanto sussurrava coisas que o fariam corar — ele ficava lindo quando corava.

    Beijá-lo por inteiro e ainda assim não seria o suficiente.

    — Vamos dormir, meu amor — murmurei, enquanto ele se virava de costas para mim e eu teimoso, coloquei meus braços em torno dele, o puxando para mim.

    — Não precisa me agarrar enquanto a gente dorme, eu não vou fugir — Irritado, tentou sem sucesso se livrar do meu abraço apertado, mas ainda assim confortável.

  — Não é por isso, é que tenho problemas para dormir — Senti o aroma inebriante que vinha do seu cabelo.

   Como esse homem era cheiroso!

   — Que nada, você dorme igual a uma pedra — sussurrou, parecendo desistir de relutar e relaxando no travesseiro.

   Descobri o que me fez relaxar tão facilmente na primeira vez que dormi ali: foi o seu cheiro, tão doce e único que fazia cada célula do meu corpo relaxar e a minha mente esvaziar...

  — Exatamente, seu cheiro me faz dormir e a sua presença me acalma — expliquei, quase adormecido como se aquele aroma fosse um boa noite cinderela.

  Ele esboçou um sorriso e se virou, apertando meu braço em torno dele.

      Ícaro

     Fizemos tudo, menos dormir.

     Por algum motivo eu não estava com sono, o que era algo inédito, então não quis deixar Leo dormir por puro egoísmo.

    — Leo — eu murmurava quando o silêncio se estendia. — Fala comigo, não quero dormir.

    — Icky, meu amor, você sempre quer dormir — ressaltou, mostrando que me conhece mais do que previ.

    Virei-me, olhando para ele. Estava totalmente sonolento e sorria com a cabeça tombada no travesseiro.

    Cheguei mais perto dele, pressionei meus lábios nos seus, tirando aquele sorriso bobo de seu rosto. Puxou-me num abraço ainda mais apertado, e agarrei seu pescoço, começando a beijar tudo o que estava ao meu alcance.

    — O que está fazendo? — Gemeu, de olhos fechados.

    — Tentando te manter acordado.

    — Estou acordado, mas pode continuar — Ele sorriu, deslizando os dedos por dentro da minha camisa. — É melhor tirar isso para a experiência ser mais interessante.

    — Não vamos fazer nada demais, safadinho — Revirei os olhos.

    — É dia dos namorados — lembrou-me, como se esse fato dissesse tudo.

    — Dia dos namorados e não dia do sexo.

    Gemeu mais uma vez e finalmente abriu os olhos, me fitando de forma mais escrachada do que antes.

    Ele estava mesmo me devorando com aqueles globos coloridos agora.

   Reviramos na cama até que ficasse sobre mim, meus olhos arregalados e confusos, e antes que eu pudesse falar qualquer coisa, selou meus lábios com um beijo, me fazendo murchar na mesma hora.

   — Leo, não vamos fazer nada — Procurei obedecer a minha mente racional, embora o meu corpo fraco já estivesse cedendo há muito tempo.

    — Ninguém mandou você me provocar, eu já estava quase dormindo — Franziu a testa. — De qualquer forma vamos ver se é verdade — Apoiou a cabeça em meu peito. — Hum...Acho que você quer sim.

   — Do que está falando?

   — Seu coração nunca mente — Mordeu o lábio. — Já você sim — Inclinou-se para me beijar mais uma vez.

   Leo beijou minha têmpora e logo em seguida, apoiou a testa na lateral da minha cabeça enquanto percorria os dedos aflitos por dentro da minha camisa.

   Senti seu dedo rondar o meu umbigo, descer um pouquinho e parar. Eu gemia, incapaz de não ceder.

   — Tem certeza de que não quer fazer nada? — insistiu, com a mão ainda perambulando pelo meu corpo.

   Fechei os olhos e com um movimento quase instintivo, tirei a camisa, jogando-a em cima da dele, e o puxei para que ficasse ainda mais sobre mim.

   — Leo... — sussurrei sem nenhum motivo aparente. Ele me beijou assim que ouviu o meu sussurro.

  Abriu devagarzinho o botão da minha calça e ouvi o som quase ensurdecedor e excitante do zíper se abrindo enquanto ele a puxava.

  Agilizei, completamente irritado com a sua lerdeza e chutei a calça para longe.

  Tentei tirar a dele, mas ele fez um movimento negativo com a cabeça.

  — Ainda não — disse, encostando a testa na minha.

  Quando foi que ele começou a ditar as regras?

  Cadê aquele garoto infantil que soltava frasesinhas românticas?  

  Seus olhos penetravam os meus conforme eu arfava com seus movimentos minuciosos, não tinha nada de infantil neles.

  O seu colar de coração deslizava sobre mim conforme Leo se movia. Colocou os dedos no interior das minhas coxas, foi me tocando até o comecinho da virilha e depois parou, acariciando em volta com o polegar.

   Soltei um gemido baixinho.

   Tirou a única peça de roupa que me impedia de estar completamente nu, e voltou para o meu rosto, beijando a minha testa, meu nariz, minha boca... Foi descendo em linha reta até ultrapassar o umbigo, que foi quando prendi por um segundo a respiração.

   Deu a curva e mordiscou levemente o interior de minhas coxas.

   Reprimi mais um gemido. Ele beijava tudo, mas não chegava perto do meu pau, era torturante!

   — Leo... — choraminguei, injustiçado.

   Foi até mim e encostou os lábios em minha orelha enquanto roçava os dedos no meu mamilo.

  — O quê? — sussurrou, fazendo com que eu sentisse seu sorriso satisfeito.

   Ele só podia estar fazendo isso de propósito...!

  — Está me torturando de propósito! — praticamente arfei.

  — Talvez — Sua voz era baixa e controlada, mas ainda assim, sedutora.

  — Isso é maldade.

  — Quero que peça.

  — Pedir o que?

  — O que você quer que eu faça — explicou, com aquela paciência que sempre almejei, mas que naquele momento me fez querer esganá-lo.

  — Leo, quero que...

  — Não — Pousou os dedos em meus lábios e balançou a cabeça com um sorriso. — Tem que pedir por favor.

  HÁ-HÁ-HÁ! Ele só podia estar de sacanagem, né?

  — Não vou pedir por favor — rosnei, impassível.

  — Sendo assim, vou continuar com a mão aqui e não terá nada além disso.

  — Leo! — protestei, aflito por estar ficando cada vez mais excitado.

  — Você não vai ter nada se for mal educado, meu amor — Parecia um professor tentando ensinar um aluno desobediente.

   Meneei a cabeça e coloquei a sua mão sobre meu pau, enquanto soltava lentamente a respiração que já prendi e soltei umas mil vezes.

   — Menino trapaceiro! — esbravejou e rapidamente tirou a sua mão dali, pousando novamente em minha coxa, fazendo um pequeno circulo com o dedo. — Tem que pedir.

   Eu odiava educação e Leo sabia muito bem disso. Me ouvir pedir por favor era algo completamente inédito, já que nunca na minha vida eu disse tal coisa. Talvez por isso ele a exigisse de mim, a base de tortura sexual.

   Começou a rondar meu pau com do dedo, mas não o tocou. Ou eu assassinaria meu namorado por ser tão cretino, ou usaria um pouquinho da educação que eu nem tinha para conseguir o que tanto ansiava.

   Merda, eu não ia aguentar, era torturante demais!

   Só me restava a segunda opção...

  Vamos lá, Ícaro, não pode ser tão difícil ser educado uma vez na vida para variar.

   Disparei como uma metralhadora, sem nem pensar muito antes para que eu não me arrependesse.

   — Por favor, Leo — Foram sem duvida, as palavras mais difíceis que já tive que dizer. — Você pode...

   Calou-me com um beijo e sorriu.

   — É claro que eu posso, meu amor — sussurrou — Viu? Não foi tão difícil.

   Tive vontade de esganá-lo, mas essa vontade se esvaiu assim que atendeu o meu pedido.

    Eu não conseguia mais pensar, nem ficar de olhos abertos, só puxar o lençol e gemer.

    Antes que pudesse chegar ao clímax, ele se debruçou sobre mim e reviramos até eu ficar sobre ele.

    Não fui capaz de enrolar como Leo e já fui direto ao ponto, puxando a sua calça de forma quase animalesca.

    Tateei a cabeceira em busca da camisinha e ele acabou tirando uma de algum lugar que não notei, e a abriu com os dentes.

    — Deixa eu colocar em você — pediu.

    Assenti, mordendo o lábio inferior e ele a colocou torturantemente devagar antes de eu penetrá-lo com a mesma lentidão, só para que provasse um pouquinho do próprio veneno.

    Apoiei minha testa na dele enquanto ele gemia de olhos fechados.

    — Ainda dói? — perguntei, com um sussurro baixo e arfante.

    — Um pouco — Puxou-me contra ele. — Mas não ouse parar — disse num tom de alerta.

    Soltei uma risada abafada e pressionei meus lábios nos seus antes de fechar os olhos e continuar cada vez mais rápido até finalmente gozar da forma que nunca pensei que gozaria.

     

                                                                  ***

  Só conseguimos parar quando ficamos exaustos. Nós estávamos suados e precisando urgentemente de um banho, mas isso ia ter que ficar para o dia seguinte.

   Ou mais tarde..., acrescentei mentalmente enquanto via o relógio de cabeceira me dizendo que já era quase quatro horas da manhã.

    Leo estava me consumindo tanto que eu nem dormia do mesmo jeito que antes. Eu costumava hibernar nos dias ímpares, Lipe era o único que conseguia me tirar da cama. Agora Leo conseguiu fazer o impossível: me manter acordado na minha própria cama.

   Ele estava olhando para mim como se estivesse admirando uma bela pintura de Picasso.

   Modesta a parte, eu era muito mais bonito do que qualquer pintura existente!

   — Eu te amo — Aninhou-se em mim, a cabeça encostada em meu pescoço. Conseguia sentir sua respiração fazendo cócegas em mim e meus pelos se arrepiaram.

   — Eu sei — respondi, apoiando meu queixo em sua cabeça.

   Assim que ouvi seus roncos altos ecoando pelo quarto, puxei a coberta para cobri-lo e dei um beijo em sua testa.

   Por alguma razão, senti que estava na hora de retribuir meus sentimentos por ele, ainda mais agora que não estava ouvindo. Porque eu de fato sentia algo por ele, e fiquei feliz por saber finalmente o que era, fez com que me sentisse mais completo do que já estava.

   — Também te amo, babaca — falei, antes de fechar os olhos com um sorriso bobo estampado no rosto.

   



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