História Não ouse me esquecer - Capítulo 30


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 30 - Por que estou tão perdido?


Ícaro

— Ícaro — a garota sussurrou de forma gentil, chamando a minha atenção.

Pigarreei alto e terminei de assinar o CD sem realmente prestar atenção no que estava escrevendo e entreguei para a garota sem olhar para ela mesmo que tenha me dado um abraço apertado e ter dito que me amava.

Não lembro se eu disse de volta ou fiquei com aquela cara de palerma olhando para o Leo, que estava se aproximando de mim com dois CDs nas mãos, parecia aborrecido.

— Oi — Foi até mim assim que a garota se retirou.

— Oi — respondi, sem saber direito o que pensar.

Eu não sabia o que dizer. Queria gritar, mandar ele se foder por ter me feito achar que estava morto e por ter me abandonado sem nem ao menos me avisar, e ao mesmo tempo, queria abraçá-lo, beijá-lo e me deliciar com simples fato de ele estar vivo.

Ele me entregou dois CDs e estava me encarando de forma estranha, havia algo diferente naquele olhar. Antes ele me olhava como se eu fosse o centro do seu universo, agora me olhava como se mal me conhecesse.

— Leo — sussurrei, tentando fazer com que me enxergasse da forma como deveria. — Sou eu — Me senti muito idiota falando isso.

— Sei quem você é — Tratou-me com indiferença, parecia mesmo chateado. — Tem como você assinar para mim? — pediu, evitando me encarar.

— Leo — repeti, com a minha garganta quase rasgando. — O que aconteceu com você? — Meus olhos estavam cheios de lágrimas, eu ia acabar passando um vexame, mas tava cagando para isso. — Eu...eu... — Mal consegui falar. Eu ficava fantasiando noites e noites com o dia em que perguntaria isso a ele, que o questionaria, mas quando finalmente tive essa oportunidade, as palavras simplesmente sumiram.

Leo olhou para mim e franziu a testa, completamente confuso.

— Então nos conhecemos — disse com uma risada forçada.

Do que caralhos ele estava falando?

— Sim — arqueei a sobrancelha ao confirmar. Queria tanto abraçá-lo...

— Tem como a gente conversar depois? — choramingou, não parecia emocionado ao me ver, era como se eu estivesse causando uma espécie de dor nele, como se eu o machucasse.

Leo nunca me olhou daquele jeito.

— É claro — assenti, quase de imediato.

— Anote o meu número — Forçou um sorriso e começou a recitar o número estranho enquanto eu anotava na palma da minha mão.

Ficamos nos encarando por alguns segundos. Queria me beliscar para ver se tudo aquilo não passava de um sonho, que o Leo ia desaparecer assim que eu piscasse e eu estava fazendo de tudo para não piscar.

— Pode assinar os CDs? — pediu novamente. — É um meu e um da minha namorada, ela foi ao banheiro e me deixou nessa fila — Isso explicava a sua irritação.

Senti algo morrer dentro de mim quando ele falou isso.

Eu ouvi namorada? Ou eu de fato estava com problemas sérios de audição?

— Qual é o nome da vaca? — sussurrei baixinho com ódio e rancor na voz. Eu queria arrancar os olhos dele.

Como ele ousa vir até mim como se nada tivesse acontecido e ainda ter a cara de pau de dizer que tinha uma namorada? E não satisfeito ainda queria que eu assinasse o meu CD para ela.

Ele não estava morto, mas eu estava tentado a assassiná-lo.

— O que disse? — franziu a testa como se não tivesse de fato escutado.

Pelo menos ele continuava lerdo.

— Nada — abri o meu sorriso mais falso do mundo, o que eu geralmente usava quando queria matar alguém, mas não podia porque não queria ser preso. — Só perguntei qual é o nome dela.

— Daiane.

Assenti e assinei o nome da garota, quase quebrando a caneta. Eu ia acabar explodindo e quebrando tudo.

Controle-se Ícaro...

Respire fundo...

Obedeci a minha mente que ainda era racional e devolvi os CDs a ele com lágrimas de raiva prestes a escorrer pelo meu rosto.

— Leo, por que você...? — Fui interrompido pelo grito histérico de uma garota que se posicionou ao lado dele. Ela colocou os braços ao seu redor e lhe plantou um beijo nos lábios. Virei o rosto, os cacos do meu coração destruído chacoalhando em meu peito. Eu queria cair fora dali, mas não podia porque eu era o centro daquela farra toda.

— Meu Deus, eu sou uma grande fã sua — murmurou, indo até mim. Era detestavelmente bonita eu queria esganá-la, mas era impossível odiar aquele sorriso inocente e gentil.

Dei um sorriso tão estranho que me senti ridículo por sequer ter tentado sorrir naquele estado.

Ela sem nem ao menos se insinuar, me deu um abraço.

Deus do céu, eu queria morrer! Eram facadas demais para um só pobre ser humano!

Após me abraçar, ela se voltou ao Leo, que me deu um simples aceno de cabeça como se fossemos grande amigos e eu estivesse o ajudando a pegar a garota de seus sonhos.

— Assim que acabar você me liga, tá bom? — disse com um sorriso tão inocente que me fez querer esganá-lo.

Como ele era hipócrita!

— Tá — Foi só o que eu consegui dizer com a minha voz estrangulada, mas ele nem sequer ouviu, estava muito ocupado colando os lábios naquela garota ridícula.

De repente aquele sonho estava se tornou um pesadelo...

Típico da minha vida!

   Leo

Não sabia exatamente o que eu estava sentindo, meus pensamentos entravam em conflito e me abracei assim que me vi apoiado na grade do local onde o show ocorreu, esperando a ligação de Ícaro.

Convenci Daiane a voltar para casa sem mim, precisava fazer isso sozinho. Ícaro tinha muito para me explicar. Eu não conseguia nem olhar para ele sem ver a minha mãe.

Senti o telefone vibrar em meu bolso e recebi uma mensagem curta de Ícaro:

Acabou.

Respondi, especificando exatamente onde eu estava e ele apareceu atrás de mim, me dando um susto.

— Foi mal –— disse quando me sobressaltei.

— Tudo bem — assegurei, guardando o celular no bolso da calça.

Ele me olhava de um jeito estranho, cheio de expectativas, quase me devorando com o olhar. Senti um pouco de medo, afinal, eu mal o conhecia.

— Ai Leo, eu... — Ele levantou a mão e logo a abaixou, com um suspiro pesado.

Ícaro estava com a cara abatida, talvez fosse o cansaço do show.

— O que aconteceu com você? — repetiu a pergunta que me fez na fila e respirei fundo antes de contar tudo a ele.

Seria uma longa história!

   Ícaro

— Pelo o que eu soube, sofri um acidente de carro com o meu pai e perdi a minha memória — soltou com o olhar pensativo.

Perdeu a memória? Parecia uma história de novela mexicana ou de um filme mal contado.

— Por isso não voltou para mim? — me repreendi mentalmente ao dizer isso.

— Me esqueci de dois anos da minha vida — continuou sem responder a minha pergunta. — Esqueci que a minha mãe morreu e de tudo o que aconteceu depois — doía tanto vê-lo sofrer.

Deus, eu estava com tanta saudade dele...

Mas eu não podia abraçá-lo...

Argh, merda de vida!

— Se esqueceu de mim — Não consegui olhar em seus olhos quando falei. — Tudo o que passamos?

— É — assentiu — Esqueci da nossa amizade, talvez por isso Alicia tenha ficado tão brava comigo quando liguei para ela.

  Amizade. Essa palavra era a pior de todas.

 Como ele se atrevia a pensar que éramos apenas amigos?

— Você ligou para ela? — choraminguei, com a voz rouca e fraca. Eu estava fraco, completamente destruído de dentro para fora. Só queria dormir e nunca mais acordar, mas nem meus sonhos eram agradáveis.

— Liguei e ela me tratou com uma ignorância que me assustou.

Ele de fato não parecia se lembrar de mim, seus olhos que eram praticamente o mapa de sua alma não transmitiam qualquer reação ao me ver. Era como se eu não fosse nada para ele.

A maldita da Alicia nem se incomodou em falar que o Leo estava vivo, mas foi só aí que notei que eu não tinha contado a ninguém que eu tinha descoberto que ele estava morto.

O burro da história sempre acabava sendo eu.

— Me conta o que você teve com ela — disse com desprezo.

— Do que está falando?

— Sabe muito bem do que estou falando, a minha mãe.

— Eu nunca vi a sua mãe na minha vida — defendi-me sem entender porra nenhuma.

— Não minta para mim — Ele estava chorando e eu queria abraçá-lo, mas ele não ia deixar porque estava puto comigo. — Sei que vocês namoraram.

O quê? Ele deve ter mesmo batido a cabeça com muita força. Esse acidente deve ter deixado ele maluquinho!

— Eu e a sua mãe? — Tive que repetir o que ele disse para confirmar e quando assentiu, não pude deixar de cair na gargalhada.

— Está rindo de mim? — limpou as lágrimas enquanto me lançava um olhar furioso.

— É claro que não — Coloquei a mão na boca, na esperança de conter a risada. — É que o que você tá dizendo é no mínimo ridículo, já que eu nem ao menos conheci a sua mãe. Eu e você nos conhecemos no ano passado, antes disso, eu nunca tinha te visto na vida.

— Mas meu pai disse que você era o ex dela. Encontrei uma foto sua embaixo do meu travesseiro e quando perguntei, ele me disse que era o ex-namorado da minha mãe.

Então de fato Christian tinha razão. O pai do Leo descobriu o que tínhamos e estava se aproveitando da falta de memória do filho para que ele não se lembrasse que um dia me amou.

— Ele mentiu para você, eu nunca tive nada com a sua mãe — Fitei o chão, inerte.

  Já com você..., quis acrescentar, mas me contive. Não podia dizer nada disso a ele.

O melhor que eu podia fazer era ficar quieto.

— Achei estranho, você era novo demais para ela.

— Pois é — Engoli em seco. — Senti muito a sua falta.

Ele finalmente olhou para mim, e senti uma pequena faísca quando encontraram os meus. Era libertador finalmente fitar aquelas duas cores que me deixavam completamente confuso.

Doía tanto pensar que tudo o que tivemos não tinha significado algum para ele simplesmente porque Leo não tinha ideia do que passamos, era como um furo em sua memória.

Não pude controlar mais as lágrimas, elas praticamente jorraram de meu rosto. Me senti novamente no meio da minha sala de estar com as lambidas de Chari me reconfortando.

— Por que está chorando? — Aproximou-se, com a testa vincada de preocupação.

— Nada, eu... — Enxuguei as lágrimas com as costas de uma das mãos e mordi o lábio, eu não podia dizer nada a ele.

Mas se ele me esqueceu, eu podia fazer o possível para que lembrasse.

Abri um sorriso ao me voltar a ele, que ainda me encarava. Aquela lua que brilhava no céu e as estrelas me lembrava da noite do seu aniversário, o último dia em que estivemos juntos. Talvez disso ele se lembrasse. Não era possível que tivesse se esquecido totalmente de mim

— Qual é o seu maior sonho? — perguntei, na esperança de que se lembrasse.

Ele riu e por um segundo achei que ele tivesse reconhecido a pergunta.

— Bem, meu maior sonho era beijar alguém no topo de uma roda gigante — Ele olhou para mim e pelo brilho em seu olhar achei que tivesse se lembrado, mas seus olhos que costumavam ser transparentes não revelavam nada. — Realizei esse sonho recentemente, Daiane me levou para o parque e andamos na roda gigante. Eu estava tão assustado, mas ela segurou a minha mão e me beijou, acabei me esquecendo totalmente do medo. Foi onde nos beijamos pela primeira vez.

Procurei continuar respirando e tentar disfarçar a minha expressão de choque, mas suas palavras doeram mais do que uma bofetada. Queria sair dali, deixá-lo sozinho com a sua nova vida perfeita.

   Leo

 Do nada ele começou a chorar ainda mais e eu não sabia o que fazer.

 Será que foi algo que eu disse?

Mas não me lembrava de nada que eu tenha dito que pudesse magoá-lo.

— Icky? — logo me arrependi de chamá-lo assim, não tínhamos intimidade alguma e isso provavelmente o deixaria bravo, mas isso só o fez chorar ainda mais.

Com um suspiro, coloquei meus braços ao seu redor, já que eu odiava ver alguém chorando do meu lado necessitando de um abraço.

Apertou-me contra ele como se quisesse nos fundir, como se precisasse daquele abraço mais do que qualquer outro.

O que eu fiz com você, Ícaro?

Senti-me muito mal pelas suas lágrimas derramadas e eu não queria de forma alguma soltá-lo. Aquele abraço era muito familiar para mim. Ele era bem magro e até mesmo um tanto frágil em meus braços, mas me sentia seguro em apertá-lo carinhosamente.

Não conseguia ver seu rosto, estava afundado na minha camisa de bichinhos onde ele continuava chorando. Queria poder fazer alguma coisa, mas não tinha ideia do que fazer.

Percorreu os dedos pelas minhas costas e senti algo em mim, uma espécie de tremor. Meu coração batia forte conforme seus dedos me tocavam, uma sensação estranhamente única que podia ser facilmente comparada com andar na roda gigante.

O que estava acontecendo comigo?

Por que eu era incapaz de soltá-lo?

Por que eu estava tão perdido?

Logo, comecei a chorar também. Eu não sabia por que meu coração e meu corpo se comportavam dessa maneira estranha e nem porque meus instintos se recusavam a soltá-lo.

Eu só queria ficar abraçado com ele para sempre, porque era a única coisa capaz de amenizar e até mesmo afugentar a dolorosa dor da minha vida. 



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