História Não ouse me esquecer - Capítulo 31


Escrita por:

Visualizações 32
Palavras 2.353
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 31 - Senti muito a sua falta


  Ícaro

Cheguei em casa completamente destruído, querendo mais do que tudo tomar uma boa ducha quente e milhares de remédios para dormir antes de me enroscar em minhas cobertas  e entrar em coma por tempo indeterminado.

Mas meus planos mudaram assim que Lipe invadiu meu espaço e foi até mim, cheio de perguntas naqueles olhinhos curiosos.

— Eu encontrei o Leo — sussurrei, com a voz falhando.

— E...? — Incentivou-me a continuar.

— E preferia não ter encontrado — confessei. Embora tenha sido incrível poder abraçá-lo mais uma vez, era torturante não poder beijá-lo e nem tocá-lo da forma como queria.

— Conheceu a garota, não foi? — pressionou, me observando atentamente.

— Como sabe sobre ela? — questionei, boquiaberto.

Lipe deu um sorriso sem graça e desviou os olhos dos meus.

— Eu vi eles na praia — confessou, dando de ombros como se pedisse desculpas.

— Então por isso me arrastou para longe, não foi? — Senti o sangue ferver.

— Sim, não queria que se machucasse.

— Não sou tão frágil assim, Lipe.

— Quando se trata dele, você é sim — disse sem medo. — Ele te deixou frágil, cousin cozy.

Não falei nada, simplesmente encarei o vazio esperando encontrar uma saída para aquela dor toda. Eu não sabia o que machucava mais: saber que ele tinha me abandonado, que estava morto ou que estava dando o seu amor para outra pessoa.

Talvez a dor fosse a mesma, porque me sentia mal da mesma forma.

— Ele se esqueceu de mim — soltei — Sofreu um acidente e se esqueceu de mim, Lipe.

Lipe me abraçou assim como Leo tinha feito alguns minutos atrás, mas não fiquei alisando ele na cara dura como fiz com o Leo.

— Então por isso ele está com aquela azeda? Por que não lembra de você?

— Sim, ele nem sabe que namoramos. Acha que fomos amigos.

— Argh! Temos que contornar isso.

— Mas como? — me afastei para olhar para ele.

— Você vai parar de chorar como uma garotinha de treze anos que levou um fora e vai tentar reconquistar esse menino.

— Mas ele tem namorada.

— Isso nunca me impediu de conseguir o que eu quero, não deveria impedir você também.

— Mas e se ele não sentir mais nada por mim?

— Mas, mas, mas! — exclamou Lipe revirando os olhos. — Só escuto motivos para você não fazer. Você nunca corre atrás das coisas que você quer porque acha que não merece ou que não vai conseguir. Ao menos tente, pela primeira vez na vida e faça isso por você e por mais ninguém. Se você realmente o ama, não o deixe escapar, cousin cozy.

Lipe tinha o dom de fazer eu me senti o maior idiota face de Terra depois de seus discursos motivadores. Pela sua maturidade de lidar com o mundo, ele nem parecia ser mais novo do que eu.

— Agora vai tomar um banho porque você está fedendo — disse, se afastando e soltei uma risada antes de ir em direção ao banheiro tirar as impurezas do dia louco, surpreendente e doloroso que tive.

   Leo

Ícaro me deixou em casa.

Nunca me senti tão vivo ao lado de uma pessoa. A forma como ele cantava despreocupadamente no carro, enquanto batucava no volante como se estivesse sozinho ou como se estivesse confortável ao meu lado.

Mal falei com Daiane quando cheguei, fui direto para o quarto ouvir mais um pouco da música dele. Ele era muito bom, sua voz parecia se comunicar comigo e eu gostava muito dessa sensação.

Depois de tomar um rápido banho enquanto baixava outras músicas dele no meu celular, resolvi ligar para ele, porque apenas ouvir a sua voz cantando não era o suficiente.

— Alo? — A voz rouca atendeu. Até quando ele não estava cantando, sua voz soava como uma música.

— Sou eu, o Leo — falei, inseguro. Não sabia se devia ter ligado.

— E aí — Ele pareceu feliz com a minha ligação, então soltei a respiração.

— Estava ouvindo as suas músicas — confessei sentindo a minha pele corar. — Não sei nem porque eu liguei, eu só... — me interrompi, sem saber como continuar.

Me senti muito estranho. Que tipo de garoto liga para outro se sentindo dessa forma?

— Eu sei — disse simplesmente. — Eu estava pensando em te ligar também.

Sorri quase de imediato. Fazia um tempo que eu não sorria tão facilmente.

— Não faço ideia de como era a nossa amizade — soltei — Mas eu acho que a gente volte ser amigo de novo.

Houve um silêncio ensurdecedor. Por um segundo achei que a ligação tivesse caído, mas a respiração de Ícaro conseguiu me convencer do contrário.

— Claro — sua voz falhou, parecia que a estava forçando. — Por que não?

— Está soando como um de jeito nenhum — falei, com um tom um pouco rude, mas também triste. — Eu te magoei, não foi? Me diz o que fiz para eu poder consertar.

— Não foi nada demais.

— O jeito como você me olhou, me senti a pior pessoa do universo e quando me lembrei da Alicia gritando comigo me senti pior ainda. Odeio ser odiado e odeio ainda mais não saber o motivo! — me exaltei, embora Ícaro não demonstrasse qualquer reação do outro lado da linha. — Me diga o que fazer, Icky.

— Não me chame assim — pediu num tom sério, mas ainda assim tristonho. — Você não fez nada, a culpa é minha. Quero tentar ser seu amigo de novo, mesmo sendo de certa forma difícil para mim.

— Se você me contasse o que fiz, talvez eu pudesse te ajudar.

— Não, é melhor você não saber. Não quero atrapalhar a sua felicidade.

— Do que está falado? — de fato não entendi. O que ele poderia dizer que pudesse comprometer essa felicidade de fachada que eu tinha?

Eu não chegava a ser uma pessoa triste e decadente porque tentava fazer o possível para enxergar o lado bom das coisas, tentar pensar positivo mesmo quando tudo parecia desmoronar diante dos meus olhos. Não era feliz, mas eu procurava tentar todos os dias e pode parecer difícil, mas eu raramente desistia e não ia desistir de conseguir a verdade de Ícaro.

Eu não gostava de ver pessoas tristes ao meu redor, mesmo que me sinta vazio por dentro, com um buraco no qual já até me acostumei com a ideia que jamais será preenchido.

— De nada — disse Ícaro, interrompendo meus pensamentos. — Só não vale a pena falar de um passado que não influenciará o presente. Se você esqueceu, não há motivos para lembrar.

— Se você me desse os motivos e me dissesse, talvez eu pudesse te ajudar.

— Não preciso de ajuda.

— Pelo modo como Alicia falou parecia que eu tinha feito algo horrível com você.

— Mas não fez, só senti a sua falta. Você era um dos meus melhores amigos — sua voz pareceu incerta. — Só fiquei meio emocionado quando te vi porque você praticamente sumiu do mapa.

— Sinto muito por isso — suspirei — Podemos nos ver amanhã? – sugeri.

— Claro — dessa vez, ele realmente estava empolgado e eu também. Eu de fato queria vê-lo de novo. — Onde?

— Não sei, na praia? Podemos jogar bola juntos, isso é, se você gostar — me dei conta de que nem sabia se ele gostava de jogar bola. — Ou qualquer outra coisa que você queira — remendei.

— Jogar bola tá ótimo — ele riu. — Então nos vemos amanhã.

— Boa noite, Icky — sussurrei — Quer dizer, Ícaro.

— Boa noite, Leo — respondeu com a mesma risadinha e desligou.

Afundei a cabeça no travesseiro e me permiti sorrir novamente. Enrosquei-me na cama e coloquei os fones de ouvido, ouvindo a voz de Ícaro cantando a minha mais nova música favorita. Coloquei-a para repetir infinitamente e fechei os olhos.

Por algum motivo, não precisei de remédios para dormir naquela noite.

    Ícaro

  Após Leo me dizer que não dirige, mesmo eu já sabendo daquilo, me ofereci para buscá-lo para passarmos o dia na praia, na esperança de conseguir trazê-lo de volta para a minha vida.

— Oi — disse com aquele sorriso caloroso ao entrar no meu carro.

Caralho, como eu senti falta daquele sorriso!

— E aí — tentei falar com indiferença, mas por dentro eu estava surtando.

Foco Ícaro, não estrague tudo!

O caminho foi tranquilo, ele ficava tagarelando sobre Pokémon e não pude deixar sorrir o trajeto inteiro. Estava com saudade das suas tagarelices sem fim. Tentei controlar a minha respiração e a risada de nervoso misturada com felicidade que eu queria soltar.

Eu era tão estranho!

— Como você e Daiane se conheceram? — Não queria saber de fato, mas era algo que estava me perturbando.

— Logo depois do acidente, ela foi contratada para cuidar de mim — explicou — Meu pai disse que eu deveria dar uma chance a ela.

Então de fato o pai dele era o responsável por tudo isso. Ele mentiu para o filho na maior cara dura e ainda o incentivou a ficar com uma garota apenas para virar um hétero.

— Você a ama? — Meu coração apertou ao perguntar.

— Não sei — ele riu. — Me sinto bem com ela. Passei anos da minha vida fantasiando com um grande amor, mas acho que esse acidente me fez perceber que isso não existe, que a vida não é um conto de fadas.

Assenti. De fato ele tinha amadurecido. Antes, Leo era bem infantil e sonhador, mas jamais deixei de gostar dele por isso. Dava para ver que ele era uma pessoa diferente, um pouco mais racional, apesar de sempre ter admirado a sua inocência e a sua incapacidade de desistir.

— Então você não a ama? — insisti.

— Não foi isso que eu disse — Meneou a cabeça. — Acho que o amor se constrói aos poucos. Eu e Daiane nos envolvemos muito rápido, mas só vou casar com ela quando eu estiver completamente apaixonado.

Revirei os olhos quase automaticamente com uma ânsia de vômito que me fez morder o lábio.

Eu não queria ficar com ciúmes e não queria culpá-lo por isso porque eu tinha certeza de que ele não fazia de propósito.

Só queria que as coisas voltassem a ser como antes. Queria que voltasse a dormir agarradinho comigo, cheirando o meu cabelo e que roncasse daquele jeito nada agradável que me impedia de ter uma boa noite de sono. Eu devia estar mesmo desesperado para sentir falta daqueles roncos monstruosos.

 Acabei me lembrando das promessas que ele tinha feito, de como ficava noites falando exatamente como queria que nossas vidas fossem dali para frente. Descrevia o local onde nos casaríamos, a cor das flores, da toalha da mesa e até mesmo a roupa que eu usaria. Lembro-me de ficar apenas rindo e me deliciando com a sua empolgação antes de ele falar que isso era importante e que eu devia parar de rir e prestar atenção.

— E a sua faculdade? — perguntei. Lembrei-me de ter procurado por ele em todos os cantos possíveis daquele lugar, mas nunca o encontrei.

— Faculdade? — Vincou a testa, confuso. — Nunca fiz faculdade.

— Claro que já, de veterinária — relembrei. — Seu sonho era ser veterinário e ter trinta cachorros, lembra?

— Ter trinta cachorros sim — ele riu — Mas não de fazer faculdade, meu pai não mencionou isso.

Provavelmente ele tinha medo de que Leo me encontrasse e estragasse seus planos.

Como eu odiava esse homem!

— Ele deve ter esquecido — dei de ombros, fingindo indiferença.

— Mas isso é um detalhe muito grande para ele esquecer de me contar — disse, se exaltando.

— Eu sei, depois você se acerta com ele.

Leo parecia realmente chateado.

Como eu era gênio em falar merda!

Agora ele vai ficar com essa cara de cu o dia inteiro.

Bravo, Ícaro!

Saímos do carro e fomos para a areia, Leo pegou a bola que estava no banco traseiro do carro e colocou o seu boné laranja tons mais escuros do que a bermuda e começamos a jogar.

Tentávamos tirar a bola um do outro, dando empurrões e esbarrões a todo momento até cairmos no chão, nos sujando de areia.

— Vamos dar um mergulho? — propôs, tirando a camisa e a deixando de lado num montinho no chão.

Tentei não olhar para o seu corpo, para que não me achasse estranho ou algo assim e assenti fazendo o mesmo. Ele continuava com aquela barriga grande e volumosa, contrastando com as bochechas gorduchas.

— Você é ainda mais magro pessoalmente — disse, me analisando descaradamente. Ele corou assim que notei seu olhar.

— E você é muito grande — observei — Me esmagaria sem esforço algum.

Um sorriso malicioso brotou em seus lábios e sem se insinuar, ele me pegou no colo, ignorando os meus protestos e só me soltou quando nós dois estávamos na água.

Joguei água nele, ele retribuiu o gesto e começamos a rir como dois idiotas.

— Senti muito a sua falta — confessei quando ficamos nos encarando.

Ele abaixou a cabeça e mergulhou, me puxando junto com ele.

Quando voltamos à superfície, ele começou a fazer cócegas em mim e eu praticamente tremia de tanto rir, odiava quando faziam isso. O pior era que ele sabia exatamente o ponto na barriga onde eu mais tinha sensibilidade.

— Acho que senti a sua falta também — disse após um tempo. — Você me faz rir.

— Agora eu sou um palhaço? — provoquei.

— Não foi isso que eu quis dizer — defendeu-se, erguendo as mãos na defensiva.

— Tudo bem, você também me faz rir. Continua tão lerdo quanto eu lembrava.

— Ei, não sou lerdo! — Ele jogou água em mim.

— Claro que é, mas tudo bem, continuo gostando de você.

Revirou os olhos.

— Por que não posso te chamar de Icky? — perguntou, me surpreendendo.

— Porque meu nome é Ícaro — respondi, dando de ombros. — E não Icky.

— Mas gosto de Icky — disse com um sorriso.

— Me chame como quiser — rendi-me, quase me derretendo.

— Tá bom, Icky.

Leo podia não ter ideia do quanto cada palavra que dizia era como uma cola que grudava todas aquelas pequenas pecinhas do meu coração que ele destruiu, mas eu tinha consciência de que cada palavra fazia eu me apaixonar cada vez mais e sabia que eu iria me foder muito por isso. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...