História Não ouse me esquecer - Capítulo 32


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 32 - A melhor sensação de todas


Leo

Ícaro conseguiu me convencer a ir para a sua casa tomar um banho, porque era bem mais perto do que a minha.

Assim que passei pela porta, um cachorro praticamente pulou em mim, como se soubesse exatamente quem eu era e não duvidei disso, já que eu e Ícaro éramos amigos.

Abaixei-me para acariciá-lo e ele lambeu meu rosto.

— Ele também sentiu sua falta — disse Ícaro nos observando.

— Qual é o nome dele?

— Chari — respondeu. — Você que escolheu.

— Eu? — Tive vontade de sorrir. — Por que Chari?

— Vem de Charizard — explicou. — Mas consegui convencer você a encurtar o nome.

Segurei-o como se fosse um filho. O cachorro me adorava, dava para ver o amor que sentia por mim em seus olhos. Por isso eu amava os animais, eles eram tão puros e verdadeiros!

— O encontramos na rua, você o salvou na verdade.

Isso parecia bem típico de mim e com um sorriso brotando nos lábios, me inclinei para beijar o topo da cabeça de Chari.

— Prometo não te abandonar mais, amiguinho — Ele me lambeu de novo e eu ri.

— Vá tomar um banho — ordenou Ícaro com um tom autoritário. — Pode usar o meu banheiro se quiser.

— Tudo bem — Levantei e Chari continuou me rondando querendo atenção.

Ícaro me mostrou onde era o banheiro e me deu uma muda de roupas para vestir. Tomei um banho rápido cantando uma das músicas de Ícaro com a minha voz desafinada e vesti as roupas que ele me deu, que tinha ficado um pouco apertada em mim.

Procurei por Ícaro quando sai do banho, mas ele não estava na sala e nem na cozinha.

Dei uma olhada em seu quarto tentando não parecer intrometido, mas acabei entrando, mesmo sabendo que ele não estava lá.

Era um quarto bem bagunçado e cheio de roupas espalhadas pelo chão. Minha visão logo focou num pequeno caderninho que estava na cômoda e o peguei com a minha curiosidade afobada.

Meu nome aparecia praticamente em todas as páginas. Eram letras de música, as músicas que ele cantava e elas pareciam ter sido escritas para mim. Folheei as páginas ainda sem entender o que aquilo queria dizer.

Fechei o caderno com um estalo e o coloquei no lugar. Minha testa estava vincada com a estranheza daquela descoberta. Eu não sabia o que pensar.

Com um suspiro pesado, olhei para a sua cama grande e bagunçada assim como o resto do quarto, mas o que me chamou mais atenção foi o colar que estava na mesinha de cabeceira. Corri até ele, quase eufórico e o entrelacei em meus dedos.

Era o colar da minha mãe...

O que Ícaro estava fazendo com ele?

Não acredito que ele mentiu para mim...

Cheguei o colar mais perto do meu rosto e de fato era o mesmo colar que ela usava. Uma corrente dourada com um pingente vermelho de coração e Ícaro estava com ele esse tempo todo.

Meu pai não tinha mentido para mim, mas Ícaro sim...

A porta se abriu no instante em que engoli em seco diante da descoberta. Ícaro arregalou os olhos quando me viu e logo se posicionou ao meu lado.

— Onde conseguiu isso? — perguntei com a voz firme erguendo o colar para que ele o visse.

— Leo, eu...

— Eu te fiz uma pergunta, Ícaro — levantei o tom, um pouco irritado. — Vai responder ou vai inventar mais uma mentira?

— Você me deu — disse, me fazendo rir logo em seguida.

— Era o colar da minha mãe, por que está com você?

— Porque você me deu — insistiu.

— Por que eu faria isso?

— Ai, Leo — Ícaro meneou a cabeça. — Você me deu no último dia em que nos vimos.

— Você novamente não respondeu a minha pergunta. Por que eu te daria?

Seu rosto mudou, uma mistura de tristeza e horror. Eu não queria vê-lo triste, só queria a verdade. Por que todos se recusavam a falar a verdade para mim? Todo mundo merece a verdade, por que comigo seria diferente?

— Ícaro — pressionei, quando ele ficou calado. — Por favor, não minta para mim. Não aguento mais ouvir mentiras!

Seus olhos se encheram de lágrimas como se eu estivesse gritando com ele.

Por que ele está chorando?

— Eu não consigo — choramingou — Não quero magoar você.

— Eu é que estou te magoando e nem sequer sei o motivo.

— É melhor não saber.

— Você teve mesmo alguma coisa com a minha mãe? — tentei manter a minha voz o mais serena possível, não queria julgá-lo.

— Não — ele pareceu sincero na afirmação. — Mas eu tive com você — soltou, com a voz tão fraquinha que tive que prestar atenção para ouvir.

— Comigo? — franzi a testa. — Como assim?

— Você era meu namorado, Leo.

Eu pisquei, totalmente sem reação.

Namorado? Ícaro era meu namorado?

— Isso não faz sentido nenhum — Balancei a cabeça. — Se eu fosse seu namorado, isso significaria que sou...

— Gay? — completou, quando me mostrei incapaz de continuar. — Eu não te classificaria assim, mas já é um começo.

— Eu não sou gay — Usei o tom mais firme que consegui. — Por que está dizendo isso?

— Leo — Sentou-se na cama ao meu lado, aquele rosto de anjo contorcido pelas lágrimas. Eu estava preste a chorar também. — Não foi isso que eu disse.

Levantou a mão para me tocar, mas desviei, não queria que me tocasse.

— Está com medo de mim? — choramingou, recolhendo a mão e a repousando no joelho.

— Não — sibilei — Só não quero que me toque.

Ícaro se abraçou como se eu tivesse lhe estapeado e apertou os lábios grossos. Seus olhinhos cinzentos estavam cheios de lágrimas. Eu estava mesmo machucando ele e não sabia o que fazer.

— Como nos conhecemos? — perguntei, procurando saber mais sobre como tudo aconteceu.

— No casamento da Alicia, ela é minha irmã.

— Não sabia que ela tinha um irmão e nem que já estava casada.

— Foi o que você disse quando me conheceu.

Ícaro abaixou a cabeça. Parecia tão pequeno e indefeso encolhido daquela maneira, como se tentasse se proteger de mim e da dor que eu causava nele.

— Sua mãe morreu num acidente de carro — revelou, embora eu não tivesse perguntado. — Você estava dirigindo.

Eu o encarei completamente descrente. A dor rasgando completamente meu peito.

Eu matei a minha própria mãe?

Ficou difícil respirar após aquela revelação e o foi o que bastou para que lágrimas quentes escorressem de meus olhos.

— Não! — berrei, aos prantos. — Por que está falando isso?

— Porque é a verdade — Aproximou-se de mim com o rosto todo molhado. — Vou contar tudo a você.

Assenti enquanto me encolhia em sua cama.

— Eu não aguento mais... — revelou, com angústia.

— Do que está falando?

— De você — ele continuou, me cercando com aqueles olhos que tinham o poder de penetrar a minha alma. Eu me sentia perdido neles. — Eu amo você, Leo.

Ele começou a tremer com o rosto apoiado nas mãos.

Eu não queria lidar com isso.

Não queria lidar com nada.

Queria que tudo acabasse, todas as dores que causei nele, na minha mãe e a todos ao meu redor.

Eu tinha o dom de machucar todos que me cercavam e não queria de forma alguma continuar fazendo isso.

Minha mãe morreu por minha causa, Ícaro sofreu porque aparentemente me amava... Todos que me amavam se machucavam de alguma forma. Até eu acabava me machucando.

Como fazer isso parar?

— Sei que é muita coisa para você assimilar — murmurou, finalmente olhando para mim, mas seu rosto ainda estava vermelho e manchado de lágrimas. — Mas preciso saber, Leo.

— Saber o que?

— Você é capaz de me olhar da mesma forma como olhava antes? — ele fez uma pausa, provavelmente para ver a minha reação, que não passava de choque. — Seu coração baterá do mesmo jeito que batia na minha presença? — apertou os lábios antes de continuar, como se as palavras estivessem presas em seu coração e ele não conseguisse libertá-las. — Você sentirá a mesma coisa que sentia quando eu o tocava? — soluçou, os olhos cheios de novas lágrimas que se apossaram daquele céu cinzento como um dia nublado. — Você é capaz de me amar como me amava, Leo? — concluiu, praticamente se desmanchando em lágrimas. — Ou eu te perdi para sempre?

Fitei o teto, aflito, incapaz de olhar para ele.

— Você sente alguma coisa? Me responde, Leo, por favor.

Segurei a sua mão, que estava apoiada sobre a cama e a apertei. Eu não sabia o que dizer, nem como agir, mas o fato de que um dia o amei não era tão absurda quanto aparentava, mas ainda assim, era um choque ouvir isso em voz alta.

Seus dedos entrelaçados nos meus eram como uma corrente elétrica que conseguia penetrar com facilidade o meu coração, que batia forte conforme assimilava as suas palavras.     

Ícaro chegou mais perto e tomou meu rosto em suas mãos, seus olhos ainda buscavam qualquer resposta de mim e não pareciam encontrar.

Eu quis afastá-lo, mas não consegui. Me senti preso ao Icky como se meu corpo e meu coração lhe pertencesse, mas a minha mente se recusasse a aceitar esse fato.

Eu não queria pertencer a ninguém dessa maneira e nem me sentir tão estranho dessa forma. Ícaro encostou a testa na minha conforme nossos hálitos se misturavam e tive certeza de que suas palavras eram recíprocas.

Sempre sonhei com um grande amor, de me sentir completo ao lado de alguém, de me sentir vivo, nem um pouco deslocado e Ícaro, mesmo sem que me desse conta, causava esse efeito de modo quase instantâneo.

Ele se debruçou sobre mim, agarrando a minha cintura com seus dedos ágeis como fez quando me abraçou. Era uma sensação louca de desejo e outra coisa que não consegui identificar.

Por mais estranho que parecesse, eu o queria, mais do que jamais quis qualquer outra pessoa e isso só me deixava ainda mais confuso. Ninguém conseguia provocar essas reações em mim, mas Ícaro conseguia sem esforço algum e mesmo com o rosto manchado de lágrimas e os olhos recheados de novas, eu conseguia ver o amor que emanava dele assim como os olhos de Chari.

O amor de Ícaro era puro, assim como o dos animais e poucas pessoas conseguiam amar daquela forma. Olhar alguém daquele jeito sem medo de parecer estranho ou de não ser correspondido.

   Não importava o passar dos anos, o amor de um animal jamais morria e o modo como Ícaro olhava para mim só mostrava que o dele também estava longe de morrer. Nenhum ser humano jamais olhou para mim daquele jeito.

Foi aí que notei com pesar de que aquele olhar estranho que me incomodou assim que me viu era amor. De fato eu era lerdo como ele ressaltou, cada movimento dele deixava bem claro esse amor e não notei nada daquilo.

Quando pressionou os lábios nos meus foi que tive certeza de que eu realmente pertencia a ele. Nossos lábios se encaixavam perfeitamente e o beijo me causava um turbilhão de sensações, todas que eu julgava inexistentes.

Não queria de forma alguma soltá-lo, queria que jamais ousasse sair de meus braços.

Beijar Ícaro era a melhor sensação de todas.

Mas foi nesse momento que tudo desabou.

Eu não podia fazer isso com Daiane.

Meu pai jamais aceitaria essa relação.

Eu não podia simplesmente beijá-lo como se estivesse tudo bem, como se isso apagasse todo o resto.

Era tudo demais para mim, sensações, medos, angústias, culpa... Tudo isso misturado e me fazendo querer correr dali.

Queria afugentar toda aquela dor, mas não podia porque não importava aonde eu fosse, ela me acompanharia com ou sem Ícaro.

— Eu te amo tanto — arfou quando se afastou apenas por um momento, essas palavras causavam um efeito avassalador em mim, como uma onda do mar me engolindo. — Deus, eu gritaria isso para o mundo inteiro — soltou uma risada nervosa com as nossas testas ainda grudadas.

Contornei seus lábios grossos com meus dedos, sentido a textura e maciez deles enquanto me lembrava com clareza do gosto que era incomparável.

Ele beijou meu dedo e sorriu, um sorriso que fez meu coração se desmanchar e conseguiu fazer com que me deitasse em sua cama antes de selar novamente nossos lábios exatamente onde paramos.

Nossos corpos estavam pressionados contra o outro e o beijo começou a esquentar conforme seus toques foram me provocando reações ainda mais estranhas em áreas que me fizeram corar.

— Ícaro — censurei, conseguindo me livrar de seus lábios.

Ele piscou para mim com um sorriso adorável. Parecia estar nas nuvens.

— O que?

— Não quero fazer nada — pigarreei, tentando ignorar meu membro se avantajando sobre nós. Eu ia ter um ataque de vergonha com aquela situação constrangedora.

Não tinha ideia de como dois meninos faziam sexo, mas pela sua cara estava claro de que aquela não era a nossa primeira vez.

Então eu de fato não era mais virgem. Não sabia se eu ficava feliz ou triste com isso.

— Está com medo?

— Também, mas é muita coisa para assimilar — Depois desse dia, a última coisa que eu deveria pensar era em sexo.

Ícaro assentiu, parecendo compreender o meu lado e se afastou.

— Ei — puxei-o de volta para mim, era estranho ficar longe dele. — Isso não quer dizer que quero que se afaste.

Ele riu e logo voltou a se aninhar em meus braços.

— Isso é tão estranho — confessei — Não quero ficar com meninos.

— Espero que não fique mesmo, caso contrário farei questão de te assassinar.

Não pude deixar de rir e pousar mais uma vez os olhos nele, que estava com as mãos apoiadas em meu peito, sentindo as batidas do meu coração.

— Você não respondeu nenhuma das minhas perguntas — disse com pesar enquanto afastava os cachos negros da testa igualzinho aos da fotografia.

Ícaro era bonito como uma pintura, que todos deveriam parar para observar assim como eu estava fazendo naquele momento.

Não respondi nenhuma pergunta, apenas abri um sorriso que não lhe deixavam dúvidas de que eu pertencia a ele.



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