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História Não Posso Deixá-lo (Reescrevendo) - Capítulo 5


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Notas do Autor


Olá, meus amores! Eis, que chegamos (ou não) ao ápice da sinopse, preparem-se para um bocadinho de drama, o primeiro de muitos ao longa dessa história.

Boa Leitura ♥

Capítulo 5 - Capítulo Quatro


O barulho fraco da respiração de Thomas me faz ter a certeza de que ele está dormindo, em sono pesado. O fato de eu acordar às 2h30 dá madrugada não é um bom sinal. Levanto-me, com passos lentos e encontro meu roupão no pé da cama antes de caminhar em direção a saída do quarto rumo a sala de estar. Acendo as luzes da sala e pressiono meus lábios um contra o outro ao ver a pequena pilha de roupas em um dos cantos próximos a parede, levo uma de minhas mãos até minha boca e acaricio meus lábios com às pontas dos dedos. Ainda consigo sentir os toques em minha pele, por alguma razão meus olhos se enchem de lágrimas e sinto-as escorrerem por minhas bochechas. Vou até as roupas, com minhas pernas tremendo, pego-as contra meu peito e as levo para a lavanderia, meus olhos transbordando.

Volto para a sala e busco o telefone. Dando meia volta depois em direção a porta da varanda, enxugo minhas bochechas no momento em que abro a porta de vidro e um vento frio me saúda, respiro fundo. E continuo me afastando da porta aberta.

Sento-me em uma das espreguiçadeiras próximas a piscina. O vento gélido não me incomoda como fez horas atrás quando saí do jantar, o céu estrelado sobre minha cabeça me faz deitar preguiçosamente sobre o acento, disco o número gravado em minha memória. No quarto toque escuto a voz sonolenta e calma da minha mãe. 

– Querido?

– Oi mãe, tudo bem?

– Sim, mas acredito que com você nem tanto. O que aconteceu? – Escuto o barulho das cobertas ao fundo e imagino se ela só se sentou ou se levantou também. – Mãe, acho que Thomas está me traindo. – Digo com minha voz trêmula ao sentir a vergonha percorrer meu corpo.

– E por que acha isso? – Sua voz se torna mais gentil do que já é, o que só acontece em momentos raros.

– Reuniões que nunca terminam, jantares que surgem sempre de repente, ligações confidenciais, viagens desnecessárias, mudanças drásticas de humor... Mãe, não sei o que pensar ou que fazer.

– Você sabe que gosto muito do seu marido, mas se ele estiver mesmo fazendo isso, meu amor, é melhor…

– Não vou pedir o divórcio! Me recuso a deixá-lo para outra pessoa! A senhora sabe que minha alma já foi sentenciada. Como posso abandoná-lo se sinto meu coração se quebrar todas às vezes que penso nisso?

– Tudo bem, então o que acha de passar uns dias aqui em casa? Seu avô está com saudades e o meu aniversário é na semana que vem, fique uma semana aqui conosco. Assim você pensará melhor, longe da tentação e das dúvidas.

– Thomas já comprou o seu presente. – Digo em voz baixa e continuo: – Para a senhora e para a Alexandra.

– Fazemos aniversário no mesmo dia. Invés de vocês me enviarem por correio, o que acha de você vim me entregar?

– Talvez eu vá.

– E será bem-vindo sempre. Você tem alguns dias para pensar, meu amor. Não precisa se preocupar com isso agora. Ok?

– Eu te amo, sabe disso, não sabe? – Falo com uma voz chorosa.

– Eu sei, meu bebê. E eu te amo também.

– Tenha uma boa noite mãe.

– Mas já?

– Sim, preciso me levantar daqui três horas. E a senhora precisa descansar mais do que apenas 30 minutos.

– Certo, então tenha um bom resto de noite, querido.

– Obrigado. A senhora também.

Desligo o telefone e deixo o aparelho sobre minhas pernas. Diferente do que disse a minha mãe, me ajeito melhor na cadeira e permaneço olhando para o céu, sabendo que mais uma vez não conseguirei dormir.

**//**

Encaixo a última pedra no cinto de diamantes. Mordo meu lábio ao ver meu trabalho completo e sorrio orgulhoso por conseguir fazer algo tão bonito, um cinto encomendado exclusivo para fazer conjunto com um vestido, frente única, vermelho sangue. Um bocejo escapa de minha boca no momento em que alguém bate em minha porta, desvio meus olhos para o relógio e vejo ser um pouco mais de duas e meia da tarde, solto o ar de uma vez de meu corpo.

Levanto e caminho em direção a porta, embora ela não esteja trancada, resolvo esticar minhas pernas, já que não me levanto desde o momento em que entrei em meu estúdio, no fundo de minha loja, às oito horas da manhã. Meu cabelo preso em um coque mal feito, com algumas mexas soltas que caem em meu rosto, me faz levar uma das mãos para retirá-las de meus olhos pequenos de sono. Abro a porta de uma vez e surpreendo-me ao ver minha sogra pronta para bater novamente na madeira.

– Alexandra!

– Willy, meu querido! Espero não estar lhe atrapalhando. – Os olhos verdes da minha sogra brilham enquanto em seus lábios um sorriso tímido se instala.

– Claro que não. Por que a senhora não entra? – Digo com um sorriso educado em meus lábios e abro mais a porta dando-lhe passagem. – Sente-se, por favor. Aceita algo para beber?

– Uma água com gás, meu querido. Está realmente um dia quente lá fora.

Fecho a porta e vou em direção ao frigobar ao lado do sofá de dois lugares, pego a garrafinha e um copo. Paro ao lado de Alexandra, sirvo-a e volto para o meu lugar atrás de minha mesa, vejo-a beber um gole enquanto seus olhos me avaliam atentamente. Por um momento repreendo-me por não ter passado ao menos uma base embaixo de meus olhos cobrindo os claros sinais de noites mal dormidas.

– Ao que devo essa visita? – Pergunto obrigando-a a desviar seus olhos de minhas olheiras.

– Nada em especial. Pensei em vim lhe chamar para fazer uma travessura comigo.

– Uma travessura?

– Sim! Quero raptar nossos maridos para um jantar essa noite. Há muito tempo não fazemos isso, um jantar em família, sem ser em datas comemorativas.

– Um jantar em família? Não sei Alexandra, Thomas anda muito ocupado ultimamente, não acredito que ele tenha tempo livre para isso hoje em cima da hora. – Digo encostando-me melhor em minha cadeira.

– Ora, deixe de bobagens, meu querido. Sabemos muito bem que o que você pede sorrindo, Thomas faz chorando.

Hoje em dia não é mais bem assim!”, penso mordendo minha língua para não deixar meus pensamentos escaparem. Conheço Alexandra o suficiente para saber que ela começaria um interrogatório de o porquê acho isso, e sei que ela é capaz de providenciar uma terapia de casal. Abro um sorriso sem graça e dou de ombros antes de falar:

– Bom, não nos custa nada tentarmos, não é mesmo?

– Claro, então vamos? Você precisa trocar-se ainda. – Alexandra fala apontando com delicadeza para minhas roupas simples, uma blusa regata e calça jeans.

– Agora? É que preciso terminar algumas peças...

– Willy. – Diz olhando-me séria.

**//**

“Amor que é tão letal como uma punhalada

Primeiro me fere depois me sangra” 

(Un Alma setenciada - Thalia)

Olho de cima a baixo um dos prédios da família Boursheid, sempre que venho até esse grande edifício repleto de advogados minha cabeça dói, é tanto luxo em um prédio antigo fundado há mais de trinta anos. Lógico que ele não começou assim, sendo acrescentados mais andares ao longo do tempo, cresceu de um modo tão promissor que é uma história que o meu sogro não se cansa de contar orgulhosamente.

Alexandra me dá o braço e juntos caminhamos em direção a entrada, cumprimentamos, alguns funcionários e conhecidos até que finalmente conseguimos entrar no elevador, minhas mãos suam enquanto mantenho o sorriso de que tudo está bem. Para a minha sorte o rádio do elevador está desligado e não preciso ouvir nenhuma música e nem comentar o quanto gosto ou desgosto dela.

Olho para o painel que mostra o número dos andares e me controlo para não começar a bater os pés no chão ao calcular que faltam dez andares para chegarmos no andar da presidência. Alexandra mantém-se entretida em uma conversa com o operador do elevador, participo pouco da conversa já que sinto meu coração acelerar a cada andar. Nunca gostei muito de elevadores e por esse motivo quase nunca visito Thomas em seu escritório, sempre encontrando com ele no hall de entrada.

Só de pensar que tenho que ficar muito tempo dentro de um elevador apenas para chegar no décimo segundo andar, contando os três andares de garagem, sinto o pânico tomar conta do meu corpo antes mesmo de chegar no primeiro degrau que leva a porta do hall. Assim que as portas de metal se abrem Alexandra e eu agradecemos ao operador e saímos do elevador, apressadamente saio antes de minha sogra apenas para suspirar em alívio ao ver as paredes pintadas em um amarelo claro. Alexandra não estranha meu comportamento, apenas afaga minhas costas por alguns segundos, o tempo que meu coração leva para se acalmar.

– Vamos fazer o seguinte, dividir para conquistar. Você vai até o meu filho e eu até o Patrick. Quem convencer primeiro seu marido vai ajudar o outro, tudo bem? – Alexandra fala animada como uma colegial, não consigo conter meu sorriso e concordo com a cabeça. Nos separamos e cada um segue para a sua missão.

Caminho a passos curtos pelo corredor comprido, olho atentamente cada quadro que ajudei Thomas a escolher e um sorriso de satisfação aparece em minha boca. Não demoro a chegar até a sala da secretária do meu marido e encontro a mesa desta vazia, dou de ombro e não hesito em continuar meu caminho para a sala de Thomas. Coloco minha mão sobre a maçaneta e começo a girá-la, uma risada abafada me faz parar, uma vez que ela não me é familiar. Estreito meus olhos e seguro minha respiração na tentativa de evitar qualquer tipo de barulho que possa atrapalhar minha audição, vozes baixas fazem meu sangue gelar.

– Senhor Willy. – Olho para trás fazendo meu cabelo agora solto balançar, a mulher entrando na sala com alguns documentos em mãos me olha com os olhos assustados. Dou-lhe um aceno de cabeça e sem deixá-la dizer mais nada abro a porta de uma vez. Arrependo-me em milésimos de segundos.

Sinto meu corpo paralisar, sentado em sua cadeira Thomas olha em minha direção, sua boca suja de batom cor de rosa enquanto sua gravata é segurada por uma mão de unhas bem feitas, é minha recepção. Acompanho o empalidecer do rosto do meu marido assim como o arregalar de seus olhos, não consigo sustentar nossos olhares e desvio os meus de Thomas, meus pensamentos vindos em uma velocidade alarmante assim como os batimentos do meu coração. Respiro fundo em busca de ar, fecho meus olhos por alguns segundos tentando controlar meus sentimentos volto a levantar minhas pálpebras e fecho a porta em um estrondo alto.

– Limpe sua boca! – Digo com minha voz baixa, com um misto de sensações dominando meu corpo. Embora minha vontade seja de gritar em desespero, começo a caminhar em direção aos dois enquanto Thomas me obedece e a mulher solta sua gravata. Sinto meus olhos encherem-se de lágrimas, mas não vou chorar, não aqui e não agora.

– Willy, eu…

– Posso explicar?! – Completo sua frase e sorrio de modo descrente. – Querida, qual o seu nome?

Olho pela primeira vez para a moça loira. Os cabelos descem em modo de cascata por suas costas, os olhos grandes de azuis intercalam entre mim e o porta retrato sobre a mesa de Thomas onde sei que tem uma foto de nós dois, ela parece temer o pior, e deveria. Sua boca bem desenhada e carnuda está com o batom borrado, desço meus olhos por seu corpo de curvas bem distribuídas e perco a paciência ao esperar por uma resposta.

– É surda? Não me faça perguntar de novo! – Digo parando em frente à mesa de Thomas.

– Evelyn.

– Willy…

– Não estou falando com você no momento, meu amor. – Corto-o sem olhá-lo. – Evelyn, você trabalha aqui?

– S...Sim, senhor.

– Pois não trabalha mais! Você está demitida…

– Willy, você…

– Não posso? Tem certeza, querido? Porque, veja bem, neste momento sua mãe e seu pai estão vindo para cá e adivinhe só quem eles vão apoiar. – Volto a encarar Thomas e vejo que ele conseguiu limpar sua boca. O choro controlado de Evelyn me faz ter ânsia de vômito. – O que está esperando? Suma daqui e não ouse a aparecer nunca mais.

E sem dizer mais nada, além de alguns soluços, acompanho-a pelos cantos dos olhos passar correndo ao meu lado. O barulho da porta se fechando ecoa pela sala silenciosa.

– Arrume-se, sairemos para jantar com os seus pais hoje. – Mantenho meus olhos sobre os de Thomas. E o que vejo neles quase me faz perder o controle das minhas emoções, uma mistura de dor, arrependimento, remorso e desespero dançam sobre as orbes castanhas.

– Will, amor, me deixa…

– Filho! – Escuto a voz animada de Alexandra ao abrir a porta atrás de mim, e viro-me para o outro lado e vou até o minibar desfazendo meu contato com Thomas e evitando assim o momento inevitável de encarar os meus sogros. Passo uma de minhas mãos sobre meu rosto ao sentir uma lágrima escorrer. – Willy lhe contou que vamos jantar?

– Contou mãe, e eu não acho que seja uma boa ideia. – Escuto Thomas falar em um tom baixo e cansado. Abro a garrafinha d’água e bebo um pouco deixando minha boca ocupada, ainda não me sinto recuperado o suficiente para falar qualquer coisa.

– Lógico que é. Seu pai já aceitou e Willy também. – Alexandra diz determinada em resposta.

**//**

O jantar transcorre do melhor modo possível, que o meu estado psicológico e de espírito permite. Em alguns momentos meu sogro parece tão abatido quanto eu, mas não consigo sequer me obrigar a questioná-lo se estaria tudo bem, fechado demais em minha própria dor.

Sem dúvidas o pior momento foi a ida para o restaurante, onde dividimo-nos por casal, infelizmente meu carro foi deixado em casa quando fui me arrumar. E só de lembrar que coloquei uma das roupas favoritas de meu marido, a minha vontade de pedi-lo para parar em qualquer loja de departamento apenas crescia. Tudo o que eu queria era trocar minhas roupas e todas as lojas de elite já estavam fechadas nesse horário e o shopping na direção contrária do nosso destino.

O silêncio desconfortável que ficou no carro dava para ser sentido em um estado sólido e poderia ser cortado a qualquer momento com uma faca ou tesoura, mas em nenhum momento tentamos iniciar uma conversa. Afinal, sabíamos que se o fizéssemos, ela não seria civilizada e agradável podendo assim causar um acidente de trânsito, por isso, evitamos a todo custo fazermos um ruído sequer.

Tento organizar todos os meus pensamentos nesse meio tempo. Minha antes suspeita, agora confirmada me deixa enojado, todas as células do meu corpo permanecerão agitadas, como se quisessem esquecer algo ruim.

Ao chegarmos no restaurante fui o primeiro a sair do carro, não aguentando mais a companhia do meu marido, e fui atrás dos meus sogros que estavam felizes por jantarem conosco. E ao entrarmos no restaurante, como em uma trama bem ensaiada, Thomas foi o marido perfeito e atencioso puxando minha cadeira todas às vezes que eu me levantava dizendo ter que ir ao banheiro, em uma dessas idas nossos olhos se encontraram – pela primeira vez depois que sua mãe chegou sua sala. Consegui identificar arrependimento e um brilho opaco, não nego que isso me deixou desconsertado, mas as falsas juras da noite anterior ecoaram em minha mente com isso desviei os olhos dos dele tendo a certeza de que meu coração foi arrancado com apenas um golpe. E que meu orgulho foi jogado no lixo da esquina, mas as coisas não ficarão assim, não por muito tempo.

(Continua...)


Notas Finais


Eu gostaria de pedir algum tipo de retorno de vocês para saber se tem alguém lendo essa história por aqui. Sendo assim, comentários e opiniões são bem-vindos.=)

Beijos de chocolate!!!

Atualizado em 21/02/2021


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