História Naquelas Férias - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Férias, Lgbt, Mistério, Personagens Autorais, Romance, Suspense, Viagem
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Palavras 3.708
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: LGBT, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Bem, tá aí o primeiro capítulo. Espero que gostem ✨

Capítulo 1 - O Sol da Tarde


Fanfic / Fanfiction Naquelas Férias - Capítulo 1 - O Sol da Tarde

Naquelas Férias

Contarei aqui uma breve história, que se trata de algumas experiências que tive a dois anos atrás, na época de escola.

Peço desculpas por quaisquer momentos bregas de romance; eu ia apenas contar as partes sobrenaturais, mas achei que ficaria mais envolvente se eu contasse tudo com mais detalhes. E também, perdão pela minha má descrição das coisas, parte das memórias estão um pouco embaçadas, e minha escrita não é a muito boa.

{ Hanne Morgan }


I. O sol da tarde

Estávamos beirando as férias de verão, sinal de que o ano letivo chegava ao fim. Sempre passávamos as férias inteiras sem fazer quase nada, então o tédio vinha incluído no pacote de julho, ainda mais considerando as redondezas.

Éramos um grupo de amigos, adolescentes na época. Eu tinha dezessete anos.

Numa terça-feira, o sino da escola indicando que a aula havia acabado tocou, eu e Mentels saímos da sala e viramos à direita no corredor principal, estavamos indo ao encontro de Alejandro, amigo nosso, que aguardava na biblioteca. Fomos passando em frente aos armários verde-musgo, encostados nas paredes bege; uma cena bem conhecida. As luzes brancas no teto que ofuscavam um pouco a vista, ainda mais a minha, quem estava na sala até o momento, com as luzes apagadas, devido à apresentação de slides que estava sendo passada no telão, na aula de Filosofia.

Eu e Mentels estávamos conversando, por mais que estivesse difícil escutar o que o outro dizia, devido à outras conversas de alunos no corredor.

— Nossa, penúltima semana... Não caiu a ficha ainda. - Disse Mentels, enquanto ainda olhava para frente.

— Verdade, eu não vi esse bimestre passar também.

— Só sei que não peguei recuperação de Física. Amém. — Ele sorriu e olhou rapidamente para mim antes de voltar seu foco para frente.

— Eu também não. Amém. Não quero nem lembrar que o professor existe até as aulas voltarem. — respondi, levantando as sombracelhas.

— À propósito, você viu a Sirena?

— Ela teve que ir na sala da Rachel, perguntar umas coisas sobre a apresentação de Literatura na quinta-feira.

— Ela tá falando com a Rachel agora? — Mentels mudou levemente o tom de voz.

— Não, ela tinha que falar com a Julie, eu só usei a Rachel como referência pra falar da sala.

— Ah bom.

Rachel era só uma cretina da escola. Aquela pessoa que pode nunca ter te feito nada, mas só o jeito que ela te olha já faz bater aquele ranço.

Eu estava um pouco com sono, com o professor falando e explicando teorias por cinquenta minutos, não sei como não capotei de vez. Eu devia tomar tenência e dormir cedo durante os dias de aula; mas isso não mudou até hoje. Ficar sentada na cadeira com as pernas em cima da escrivaninha, navegando pelo Tumblr ou escrevendo qualquer porcaria num caderninho qualquer sempre parece mais interessante do que dormir cedo. Esses exemplos parecem um tanto específicos, e são.

Enfim, andamos até a biblioteca onde Alejandro estava devolvendo um livro que ele timha alugado, e logo chegou Sirena também. Saímos e encontramos Katherine no pátio em frente a escola, sentada em um muro baixo, com o skate encostado na perna. Os raios solares tocavam as folhas do gramado da escola, e refletiam nos vidros das janelas que davam para a rua. Tirei minha blusa no momento, um sweater amarelo e laranja, um dos meus favoritos até hoje. Por mais que já estivéssemos quase no verão, aquela característica da primavera de "frio de manhã, calor a tarde" ainda se fazia bem presente.

Enfim, conversamos, brincamos, Mentels tentou usar o skate de Kathe, mas ela acabou com a alegria dele em cerca de sete minutos. Talvez com medo de que ele quebrasse o skate, não um braço.

Pouco tempo depois o ônibus escola chegou, e Mentels foi embora. Em seguida, a irmã do Ale apareceu de carro para buscá-lo. Fomos cada um para sua casa. Naquela tarde, o Sol iluminava tudo de forma linda. Eu cheguei e fui direto para meu quarto, joguei a mochila e tudo que tinha direito no chão, perto da porta, e troquei de roupa, colocando uma que fosse mais confortável.

Mais tarde naquele dia, Ale apareceu, como havíamos combinado. Esgueirou-se pelo portão, que eu deixei aberto de propósito, e subiu no telhado da frente da casa, o qual era quase no nível de uma das duas janelas do meu quarto. Minha mãe não gostava muito que eu levasse amigos, meninos, em casa, por mais que eu já tivesse falado umas trocentas vezes que não tinha nada a ver. Mas honestamente, fazíamos aquilo pois era mil vezes mais legal do que se eu simplesmente o chamasse e fizesse aquilo da forma convencional.

Ficamos ambos sentados sobre as telhas quentes, conversando e rindo baixo, para que ninguém ouvisse. Ele puxou sua bolsa jeans cheia de polaróides, lindas; e eu peguei uma bolsa de crochê, com pastas e cadernos, cheios de desenhos e pinturas. Eu costumava, e na verdade ainda o faço, pintar ou desenhar, fosse lá o que viesse na minha cabeça; então não era surpresa achar pincéis, lápis e papéis em cima da minha escrivaninha. Por mais que eu não seja uma pintora nata, eu gosto de manter o hábito. Me esvazia a cabeça quando estou nervosa e me ajuda a colocar pensamentos no lugar.

Ficamos então elogiando e admirando os trabalhos um do outro. Alejandro tem muito talento para fotografia, o ângulo, a iluminação, o foco; antes mesmo da faculdade, já parecia um profissional. Não era incomum estar andando por algum lugar com ele e quando percebesse, você já teria andado uns sete metros sozinho enquanto ele parou em uma posição estranha para fotografar alguma coisa.

Ele organizava as fotos em pequenos "álbuns”. Que na verdade, não eram álbuns, e sim apenas montinhos de fotos presos por elásticos de papel frouxos. “In The Light” e “Psithurism” sempre serão meus favoritos. O primeiro, sempre fotos com uma incidência de luz solar perfeita, com um ar calmo e pacífico, as vezes até nostálgico; o segundo, eram fotos lindas da natureza, em sua maioria, de árvores ou áreas arborizadas. Sempre que íamos num parque, Alejandro fazia questão de levar sua câmera. Naquele dia em específico ele tirou uma foto minha enquanto eu cantava baixinho e distraída uma música da Janis Joplin; e essa foto foi adicionada a uma de suas coleções, lógico que só depois que fotografei-a com meu celular, pois eu tinha ficado bem nela.

A tarde foi passando e de tempo em tempo, eu entrava pela janela, ia até a cozinha, pegava um copo d'água, só para dar uma disfarçada. Houve até um momento meio "missão impossível", que no caso era guiar Ale até o banheiro, sem que ninguém percebesse. Na verdade não foi tão difícil, uma vez que a minha mãe passou a tarde na sala de estar assistindo televisão.

Depois de uma meia hora, o sol começou a se esconder, já deviam ser umas seis e meia, aproximadamente.

— Nossa, eu torrei a sua tarde. — Disse ele enquanto olhava para o horizonte alaranjado.

— Não esquenta, Ale. Eu não ia fazer nada hoje. E é legal ficar aqui com você.

Alejandro sorriu e passou a mão no sentido contrário do meu cabelo, deixando-o em pé. Nós nos despedimos com um aperto de mão que inventamos a um tempo atrás e eu entrei pela janela enquanto ele descia e ia embora com um passo mais apertado, provavelmente para não dar tempo de nenhum vizinho olhudo vê-lo.

Eu sei o que isso parece, mas por mais soubéssemos de tudo um sobre o outro, que conversemos bastante, e que eu ache ele, de certo modo, bonitinho, nunca evoluiríamos para algo sério. Não fazemos o tipo um do outro, e temos demais essa "coisa de melhores amigos" sabe? É tipo um laço de amizade que você cria com outra pessoa, e você só consegue ver ela como amiga, qualquer outra coisa seria estranha demais. É meio abstrato.

Eu e Alejandro nos conhecemos a bastante tempo, pra ser exata, desde a época em que eu estava no sétimo ano e ele estava no oitavo. Haviámos ficado amigos devido à uma feira cultural da escola, a qual incluía todas as séries, e nossos grupos acabaram sendo posicionados um ao lado do outro. Aquele vulcão de bicarbonato de sódio infeliz, deu um puta trabalho para fazer e no final nem jorrou tanto quanto queríamos.

Lembro-me que na época ele havia se mudado para a região a não muito tempo. Filho de uma descendente de mexicanos e de um árabe, Alejandro tem a pele morena, olhos verde oliva, cabelo liso e preto, com o comprimento pela nuca e cerca de 1,78 de altura. Silhueta magra. Meio nerdão, meio hipster. Tudo isso sem contar o leve sotaque castelhano, devido ao convívio com a família por parte de mãe. Era um barato ouvir a diferença entre as pronúncias dele, da Kathe, e do resto de nós. Katherine, no caso, sempre teve um pouco sotaque russo, devido à descendência. Não era raro ouvi-la murmurando alguma coisa indecifrável; e quando você perguntava o que ela havia dito, ela respondia "eu estava xingando em outra língua."



A semana foi passando, os professores terminaram os livros e ocorreu a final do campeonato de futebol da escola e o time do Mentels ganhou, o que o promoveu como capitão da equipe. Mas todos nós já sabiamos que isso aconteceria então havíamos nos preparado psicologicamente para aguentar a egomanicidade dele.

Já estavamos todos em clima de férias. Não estava tendo mais nada refente a conteúdo novo, então alguns alunos faltaram nos últimos dias.

Eu e Katherine tínhamos algo para falar pro resto do nosso grupo, então aproveitamos o fato de que eu combinei por mensagem de nos encontramos na quarta-feira da primeira semana de férias, em um parque perto da casa do Mentels. Vivíamos todos em uma cidade pequena, com poucos habitantes, então era difícil errar um lugar de encontro. Bem vindo ao nosso bairro, provavelmente o lugar mais pacato da cidade de Bellevue, Washington.

Poucos prédios, casas com quintais gramados na frente, canteiros , cercas baixas. Quase coisa de filme. E quarta lá estavamos nós.

Antes de qualquer outra coisa, meu nome é Hanne. O qual eu apenas suporto talvez em consideração aos meus pais, que passaram meses pensando e não conseguiram tirar nada melhor da cabeça. É um nome dinamarquês, eu acho, mas isso não muda o fato de ser brega. De qualquer modo, já me acostumei com os professores me chamando de Hanna toda vez quando fazem chamada. Não os culpo, meu nome é uma daquelas variações estranhas. E perdão, eu realmente esqueci de me apresentar antes.

Voltando para o assunto principal, havia chegado o dia em que havíamos marcado de nos encontrar. Eu levantei da cama, na qual eu estava procastinando a uma meia hora. Liguei o rádio e deixei No Below tocando. A luz invadia meu quarto, e iluminava as trocentas tralhas que haviam nele, como caixinhas em cima do gaveteiro, pelúcias sobre a prateleira,  e posters dos anos setenta e de rock clássico, uma das coisas que eu amo de coração até hoje.

Coloquei um jeans qualquer e uma camiseta estampada com o logo do The Doors, enquanto checava alguns e-mails no meu notebook, que tinha uma pintura de Rembrandt de fundo, com uma colagem de uma foto de mim, Sirena e Katherine perto canto inferior, pelo fato de eu não ter conseguido escolher só uma.

A variedade de coisas remetentes a outras épocas que eu possuía faz parecer que eu era meio deslocada da época que eu vivia; mas talvez isso fosse um pouco verdade.

Bati a mão no botão do rádio para desliga-lo, deixei o notebook em modo espera, e dei uma última olhada no espelho, antes de deixar meu quarto. Uma garota de aproximadamente 1,64 de altura, cabelo curto e com franja, repicado e volumoso. Sobrancelhas grossas, olhos cor de mel, grandes; bastantes sardas pelo rosto, bochechas rosadas. Eu mesma.

Sai e encostei a porta, e desci com pressa as escadas para a sala, catei as chaves penduradas na parede, e destranquei a porta de saída.

— Mãe, to saindo.

— Tudo bem, Hanne. Juízo. — Ela respondeu da cozinha.

James não estava em casa, então eu não tive que responder ao repertório "Mas você não vai tomar café?" ou então, o pior de todos “Antes de sair, pega tal coisa e guarda aquele não-sei-o-que-lá seu que está largado”. Ele é mais mãe do que a minha mãe mesmo. James, no caso, é meu padrasto.

Alguns minutos depois, estavamos todos no parque. Um lugar que eu, Sirena e Mentels conhecíamos muito bem desde pequenos. Árvores por toda a volta da grade que o cercava, bancos de madeira, pintados de vermelho escuro, já meio descascados, e caminhos de cimento. Quando crianças, nós brincávamos de pirata lá a tarde toda. A pedra perto da caixa de areia era uma ilha, a grama era água, o trepa-trepa era o navio, gravetos eram espadas. Minhas pernas viviam com marcas roxas por pular, tropecar e cair pelo parque, e uma de minhas bermudas era até manchada, de tanto sujar de terra. Aqueles tempos foram uns dos melhores.



Tínhamos andado um pouco e paramos perto de um parquinho. Eu estava sentada em uma pilastra de concreto de uns cinquenta centímetros, onde costumava ficar uma estátua do busto de alguém, que havia sido retirada para restauração, mas aparentemente a prefeitura esqueceu de colocá-la de volta. Não me lembro muito bem de quem era, mas provavelmente alguma homenagem à algum escritor ou artista relativamente conhecido.

Katherine estava quase ao meu lado, com alguns centímetros de distância. Apenas para dar uma rebobinada, ela era minha amiga a algum tempo. Nos conhecemos no 9° ano na escola, e ficamos amigas desde então.

A brisa daquele dia mexia seu cabelo comprido e originalmente castanho, mas que agora era platinado. Ela o mantinha assim a um tempo, então nos acostumamos com aquele tom de alumínio na cabeça dela. O que na verdade era muito bonito, diga-se de passagem. Era também raspado em baixo, num estilo undercut, mas que só aparecia quando ela o prendia em um coque.

Possuia dois piercings de prata na parte lateral superior de sua orelha esquerda, que eram craques em quase me cegar quando a luz refletia neles. Estava sempre usando uma jaqueta por cima de uma baby-look, calças jeans e coturnos; sem contar a pulseira preta de fita que jamais saia de seu pulso. Usava também um colar de metal, com uma plaquinha, tipo aqueles que o exército usa.

Apesar da cara séria e de ser mais introvertida na escola, Kathe sempre foi uma pessoa muito simpática.

Um pouco mais a nossa frente estava Sirena, sentada na beirada de um banco, de pernas cruzadas. Ela tem sido minha melhor amiga desde que éramos crianças, ainda no terceito ano do fundamental, e apesar de sermos um pouco diferentes, nunca brigamos. Dois meses mais velha que eu e alguns centímetros mais baixa, sua cabeça sempre virava apoio de braço para alguém. Cabelo comprido, liso e de cor castanha, lábios finos e pele pálida. Falante, sincera, e muito companheira.

Eu, Katherine e Sirena éramos o tipo de mistura que não passava despercebida. Uma sempre foi um pouco imprudente; a outra, um pouco mais responsável, porém topava nossos planos quando não eram absurdos (ou quando pelo menos não aparentavam ser.) E eu, impulsiva, acabava entrando em tudo sem pensar duas vezes.

Alejandro estava no mesmo banco, mas um pouco mais para o lado, sentado de forma curvada, com os cotovelos e os antebraços apoiados sobre suas coxas.

Mentels estava em pé, na diagonal em relação a Ale. Um garoto um pouco mais baixo que Alejandro, porém com um físico mais atlético, por ser jogador de futebol da seleção do colégio. Éramos amigos desde crianças, mas ele só foi ser da mesma sala que eu no sexto ano. Olhos castanhos, cabelo loiro escuro, ondulado e um pouco mais curto nas laterais; eu sei que isso soa um tanto brega, mas juro que não era. Algumas espinhas pelo rosto devido à fase da puberdade, e um ego um pouco inflado, pois sabia que era bonito. Notas na média, nada mais que o suficiente para passar de ano. Levemente metido a bonzão. Não valia um tostão furado.

Ele e Sirena sempre entravam em intrigas infantis entre si, por causa dos assuntos mais irrelevantes possíveis. Mas nada que não fosse resolvido com risadas no final. Tirando uma única vez em que Sirena arranhou o braço dele sem querer, o que deixou uma marquinha por alguns dias, mas não houveram ressentimentos.

Estavamos falando sobre qualquer coisa, até que o assunto de saírmos nas férias surgiu.

— Minha sugestão é irmos para alguma festa semana que vem. Escutei falar que o David vai organizar uma balada na garagem da casa dele, já que os pais estão viajando. — Disse Mentels, e olhou de canto de olho para mim, que revirei os meus.

David é uma longa história. Mas só pra não deixar passar batido, ele foi meu amigo o ensino médio todo, por mais que não fosse uma das melhores influências. Nós saíamos junto com uma galera as vezes só pra zuar nas festas e baladas que ele conhecia. Uma vez fomos pegos pegando bebidas sem pagar do balcão. Não fomos jogados para fora... Apenas acompanhados até a porta. Já da segunda vez, o segurança foi buscar a gente lá dentro por medo de reincidência; o que muito provavelmente ia acontecer.

Mas o motivo mesmo pelo qual Mentels me deu uma olhadela não foi por isso, tanto porquê essas palhaçadas que fazíamos ficavam entre a gente. Foi na verdade por causa de uma vez que eu e o David ficamos chapados e começamos a falar uma merda atrás da outra pelo Twitter e por mensagem, o que rendeu muitas referências internas e risadas. Eu apaguei cada pérola do meu perfil no dia seguinte. Nenhuma delas fazia o menor sentido. Nunca mais aconteceu de novo, mas eu continuei andando com ele. Como eu disse, David sempre foi má influência, mas estar com ele era diversão na certa.

— David? Não, obrigado; eu não sou muito fã do pessoal que anda com ele. - Sirena entrou no meio enquanto mantinha os olhos no celular.

— Tsk, ir para esse tipo de festa e ficar bêbado com o resto do pessoal só tem graça se for no período de aula. - Disse Katherine, invadindo o ambiente com sua voz rouca.

— Algum centro turístico? Talvez alguma praia ou coisa assim. — Alejandro, sentado no banco, com a mão apoiada no rosto, deu sua opinião.

— O litoral é um pouco longe daqui... A viagem seria longa e eu não sei se tenho dinheiro para albergue. Além do mais, estamos em época de temporada, pegaríamos tudo super congestionado e cheio. — Disse Sirena.

O silêncio se fez por alguns segundos, e eu aproveitei a deixa para falar o que eu precisava.

— Ãhm, eu ia sugerir irmos para um chalé, em estilo de camping, que se não me engane, é da família do Anderson. Como esse é o ultimo ano dele no colégio, ele resolveu fazer essa "festinha" e chamou a sala inteira.

— Sério?! Eu nem fazia ideia. Nossa, isso que ele tem o meu contato, filho da p–

— Mentels, — eu interrompi — ele pediu pra Kathe e pra mim avisarmos vocês. Ele não ignorou a gente.

— Ah, bom. — ele comentou

— O bromance de vocês ainda segue firme e forte. Você devia ir pro intercâmbio com ele.

— Vá-te a merda, Katherine. — Mentels respondeu sorrindo e gesticulando.

Enquanto todos comentavam sobre o assunto, Sirena puxou meu braço levemente, chamando minha atenção e fazendo eu me virar de costas aos outros.

— Anderson...? Tem certeza que isso é uma boa? — Ela comentou em tom baixo, enquanto seus olhos castanho-escuro fizeram uma trajetória sobre a minha cabeça, vendo se ninguém estava escutando.

— Eu não acho que vá acontecer qualquer coisa ruim. Eu sei que ele não é flor que se cheire, mas o que ele pode fazer? E não vamos estar sozinhos, também.

Sire passou uns segundos em silêncio, enquanto olhava para o lado, pensando. Colocou uma mecha do seu longo cabelo atrás da orelha e disse:

— ...Certo. Será que é bom levar um canivete? Por precaução.

Eu soltei um riso e ela sorriu também. Voltamos então a atenção para o resto do grupo, e Katherine falou:

— E aí? Vocês vão querer ir? Eu e Hanne precisamos confirmar com ele ainda.

— Claro. — Disse Mentels.

— Bem, não vejo porquê não. — Ale comentou e Sirena adicionou um "Idem".

— Beleza, já vou mandar uma mensagem avisando. — Kathe pegou o celular.

Ficamos mais uns vinte e cinco minutos por lá, e quando eu cheguei em casa, a primeira coisa que eu fiz foi explicar pro James tudo com o maior carisma e fineza do mundo, para que ele deixasse. Ele ficou de conversar com a minha mãe, mas pelo tom dele, eu sabia que a causa estava ganha. Eu estava indo em direção ao meu quarto, mas mal tive tempo de chegar perto da escada e ouvi a voz dele dizendo “Termina de arrumar a garagem, por favor” Eu respirei fundo e fui, pois eu tinha que ser legal naquele momento. E eu sabia que o universo não ia perdoar, tinha que ter um jeito de me castigar por estar só jogando a bagunça para baixo do armário de ferramentas a uma semana. No final, acabei me destraindo e passei umas duas horas perdida em meio às minhas telas, pincéis e tintas.

Mais tarde quando minha mãe chegou, eu expliquei a história pra ela também, que deu umas olhadas pro meu padrasto e acabou deixando. Na hora eu avisei as meninas que eu ia, e resolvi dar uma passada rápida na casa da Sirena para decidirmos o que iríamos levar.

Chegando lá, fizemos lista de coisas que tínhamos que colocar na mala, decidimos peças de roupa, e claro aproveitamos pra colocar música alta no quarto dela e dançarmos até ficarmos ofegantes, ainda mais aproveitando que a única pessoa na casa era o tio dela, e ele estava jogando online com fones de ouvido no quarto dele. Os vizinhos devem ficar emputecidos quando eu apareço lá, pois eu e Sirena transformamos o quarto dela em um palco.

Voltei para casa uns quarenta minutos depois, saltitante. Eu estava bastante ansiosa para a viagem, e ainda mais porque eu nunca tivesse ido para nenhum lugar longe assim sem meus pais. Mas era aquela ansiedade boa, no sentido de animação.





Notas Finais


Se você tiver alguma crítica pra fazer, sinta-se livre pra colocá-la nos comentários, pois isso também me ajuda bastante 💛
Claro, desde que seja construtiva; comentários com o objetivo de só hatear serão ignorados.


(ps: psithurism é sim uma palavra e tem um significado)
———

• Links caso alguém alguém queira/não conheça a(s) música(s) que eu citei nesse capítulo ✨

[Speedy Ortiz - No Below] https://youtu.be/yDJ1YWvlIB8


*essa abaixo não foi citada mas eu vejo ela como uma ótima componente da "trilha sonora" dessa história rs

[Life is Strange: Before The Storm - Dynamic]
https://youtu.be/Q7381oAonsE


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