História Naquelas Férias - Capítulo 2


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Cap. II


Fanfic / Fanfiction Naquelas Férias - Capítulo 2 - Cap. II

Parte II

 

Quinta-feira, 26 de Junho

 

Está decidido, vamos todos rumo ao interior do estado. Um pouco longe, praticamente três horas de viagem. Vamos ficar dois meses lá, mais ou menos.

A viagem está marcada para amanhã, perto da hora do almoço. Os pais, ou algum responsável, ficam de levar e buscar depois. 
A irmã do Ale vai levar e ele e o Mentels, enquanto Kathe vai levar eu e a Sireli.

Ela é a única de nós que tem habilitação, então vamos no carro dela. Uma caminhonete cabine dupla. Cabe todo mundo e mais uma casa inteira na caçamba. Meio velha, com um rádio que ainda aceitava CD, pintada com uma tinta verde escura, já desbotada no teto. E com o banco do passageiro com uma estampa diferente dos outros, pois em determinado momento, ela teve que trocar o estofamento.

Kathe tem amizade com o dono de um desmanche perto da linha férrea, e pagou uma barganha por aquela tralha. De qualquer forma, dava para o gasto.

Eu sou provavelmente a mais familiarizada ao calhambeque. Virava e mexia, nós duas íamos para algum lugar naquilo. Uma vez, quando passamos na mercearia pra comprar umas besteiras e acampar no quintal da casa da Sireli, Kathe foi dirigindo e Si foi comigo na caçamba.

 

Sexta-feira, 27 de Junho

 

A semana tem sido animada com programações e preparação de malas. Mensagens foram trocadas, sempre com o assunto da viagem. Mentels mandou uma que dizia "Vocês sabem que esses lugares são assombrados, não é?", mas Sireli deu uma cortada nas teorias de conspiração dele. 

Vamos para lá hoje. Aqui estou eu, às oito horas da manhã já acordada e esperando a Sireli acordar também. Eu já deixei tudo arrumado, mas a ansiedade me acordou mais cedo. Ah, e vou levar esse caderno pra lá.

 

 

Ainda sexta-feira, 27 de Junho

 

Encontramos-nos na frente da casa da Katherine. Um sobrado branco, com o telhado cinza, e uma árvore na frente, perto da calçada. Eu chegava com Si, quando ela olhou para um detalhe na janela do quarto dela. O mesmo é uma mensagem escrita em preto que diz “Avert thy mortal eyes”.

“Isso é tão... Katherine.” Ela comentou com uma cara de paisagem.

Paramos em frente a casa nem precisamos tocar a campainha, pois logo em seguida ela apareceu.

Colocamos tudo na caçamba e decidimos que eu ia no banco do passageiro e Si ia atrás. Kathe entrou e sentou no banco do motorista, ligando o carro.

“Tudo certo, não é?”

Concordamos e ela deu partida. Sireli então, enquanto ela dava a partida no carro, perguntou:

Peraí... Kathe, você tem habilitação, não tem?”

“Tenho.”

“... Há quanto tempo?”

“Uma semana.”

“Mas você usa esse carro há no mínimo uns dois meses e meio—”

“Eu sei.”

O silêncio se fez por uns cinco segundos e ela comentou baixo: “Vamos ser barradas na metade do caminho.”.

Vou parar de escrever dentro do carro, está me dando enjoo. 

 

 

 

 

 

Sábado, 28 de Junho

 

Chegamos bem, e a viagem até aqui não foi tão demorada ou cansativa quanto eu achei que ia ser. Eu estou esperando a boa vontade da cafeteira fazer o café logo, então vou falar um pouco mais da vinda para cá.

Logo no primeiro semáforo, ligamos o rádio. Passamos pelas estações salvas, o que não adiantou muito. Uma era de noticiário, coisa que ninguém queria ouvir, numa outra estava acontecendo a narração de um jogo de futebol, outras duas estavam tocando músicas ruins e por fim as que sobraram não pegavam direito.

Eu pergunte brincando se rolava um Country, e chegamos à conclusão de que, considerando essa sugestão, seria mais agradável ouvir jogo de futebol.

Kathe colocou a mão na lateral da porta do carro e pegou um CD do compartimento, dando na minha mão. Continuou:

“Não me falhe.”

Era um CD de capa preta, com uma etiqueta escrita com caneta vermelha que dizia "Hits".

“Sinta-se livre pra escolher alguma.”

Eu abri o estojo olhei a descrição escrita a mão por ela mesma. Achei uma que eu gostava, coloquei o disco no leitor e selecionei. A música começou a tocar, Kathe olhou pra mim com um sorriso, e eu sorri de volta.

"Living easy, living free 
Season ticket on a one-way ride 
Asking nothing, leave me be 
Taking everything in my stride 
Don't need reason, don't need rhyme 
Ain't nothing I would rather do 
Going down, party time 
My friends are gonna be there too 


I'm on the highway to hell 
On the highway to hell 
Highway to hell 
I'm on the highway to hell [...]" 


Logo chegamos numa parte mais deserta da estrada. Posto de gasolina só aparecia a cada vários quilômetros.

Sempre fico um pouco nervosa ao pegar a estrada; é um medo bobo que eu tenho. Mas em meio a conversas, eu relaxei. Eu e Si, como não havia wi-fi, ficamos trocando memes silenciosamente por Bluetooth. Quando os GIFs carregavam no meu celular, minha risada espontânea me fazia soar como um porco; o que fazia todos rirem também. Eu costumava odiar quando isso acontecia.

Já tínhamos escutado umas três músicas aleatórias até que eu e Kathe resolvemos colocar Stairway to Heaven, e cantamos do segundo em que a música começou até o segundo que ela terminou. Nos sentimos num videoclipe. Parece meio tosco, mas esse é um momento que eu não quero esquecer nunca.

Depois de uma hora mais ou menos de viagem, nós paramos em um restaurante a beira da estrada, que não cobrasse o olho da cara, pois já era hora do almoço passada. Sentamos em uma mesa grande, a comida (lanches) chegou e logo desapareceu em meio a conversa, risadas e brincadeiras. Eu dividia a atenção entre Sireli e Kathe. Si falava sobre umas marcas de maquiagem, mas logo se distraiu com alguma coisa no celular.

A conversa com a Kathe foi fluindo, e como gostamos de bandas em comum, passamos uns quinze minutos falando de nossos álbuns favoritos. É engraçado ver ela sempre séria, e do nada, com um brilho nos olhos. Falando de Nirvana e Pearl Jam. Apenas registrando, acho a cor dos olhos dela uma das mais bonitas que já vi. É aquele azul que chega ser gelado.

Enfim, depois disso tudo, pagamos a conta e voltamos para o carro, para pegar estrada novamente.

Essa segunda metade foi mais tranquila, e todo mundo parecia um pouco mais quieto. Uma música eletrônica, meio Vaporwave, tocava no rádio.

Estávamos já nos aproximando do local, e faltava uma meia hora até chegarmos. O tempo havia mudado um pouco, havia esfriado um pouco e o céu estava acinzentado. Eu estava quieta também, assim como as outras duas.

Fiquei olhando fixamente para o para brisa, vendo a estrada a nossa frente. Desviei então o olhar para a janela ao meu lado, e enquanto as árvores passavam, eu me senti um pouco incomodada. Não sei o porquê, acho que foi apenas um efeito da velocidade e de ver tudo passando rápido. Apesar disso, estava tudo normal.

...

Bem, tirando o que aconteceu em seguida. Enquanto eu ainda olhava para o lado, eu vi um vulto. Em meio às árvores, perto do asfalto. Não identifiquei o que era, vi apenas uma silhueta escura, sem muita forma. Eu me assustei, mas apenas desviei o olhar rapidamente para frente de novo. Tentei ver o lado racional e considerei que sou míope. Às vezes coisas a distancia ficam um pouco embaçadas ou borradas, por mais que use lentes de contato. Talvez fosse apenas um cervo ou algum outro bicho de floresta.

Kathe viu que eu me assustei com alguma coisa, pois suspirei alto. Ela olhou para mim, trocou a mão do volante e a encostou na minha coxa, para puxar minha atenção para ela. Perguntou se estava tudo bem e eu respondi que só tinha me assustado com um cervo perto da estrada.

“Tem certeza? Pela sua cara, parece que você viu foi um fantasma.” Ela disse enquanto mirou os olhos para mim por um segundo e logo em seguida os colocou de volta na estrada.

“Eu estou bem, Kathe. É que eu só vi a sombra dele, e achei que fosse alguém. Minhas lentes de contato estão com o grau um pouco fraco.” Eu disse, tentando abafar aquilo. Tentei até ver o lado engraçado da situação, e dei um sorriso imaginando a cara que eu tinha feito. Si estava de fones e nem ouviu, então isso ficou entre Katherine e eu.

Após alguns segundos, ela então moveu sua mão e tirou-a de minha perna, trocou a marcha e voltou ela para o volante, assim como estava antes de falar comigo. Eu honestamente nem tinha percebido que a mão dela ainda estava lá. Kathe é compreensiva, apesar de às vezes não aparentar. Depois de ela falar comigo, deixei aquilo de lado.

Opa, meu café ficou pronto. Nossa, demorou. Se a cafeteira não ficasse desligando, teria sido mais fácil.

 

 

Domingo, 29 de Junho; plantão da noite

 

Engraçado, achei que eu não ia ter muito o quê falar aqui, mesmo na viagem, e estou escrevendo com dias consecutivos.

Bom, é também uma forma de se entreter. Não tem Wi-Fi aqui e a televisão do quarto meu e das meninas não pega. Sinto que na cabana ao lado o videogame funcionou, pois ouvi barulho e conversa alta agora a pouco, quando passei lá com Si para devolver os fones do Ale. Benditos sejam os jogos de Striker para Playstation.

Ao menos eu lembrei-me de trazer um baralho de Uno. Ah, e os walkie-talkies também. Combinamos de nos dividirmos em dois grupos pra fazer uma caminhada pela área verde que tem aqui. Pelo que eu ouvi, tem um observatório no meio das árvores, e de lá da para ver boa parte da floresta. E é isso que vamos procurar depois de amanhã.

Amanhã no caso vai ser aquela coisa dos monitores apresentando o local, o que podemos e o que não podemos fazer.

Hoje não fizemos muita coisa. Kathe me ensinou uns três acordes no violão dela, que ela fez questão de trazer. Eu até que consegui, mas fiquei com a ponta dos dedos doendo.

Ah, e ela também trouxe o skate. A cena dele apoiado nas laterais da banheira com o notebook e um copo de limonada ambos em cima foi ótima. Eu havia entrado no banheiro para pegar a escova de cabelo, que eu tinha deixado lá. Kathe apareceu logo atrás, nos entreolhamos, eu tirei uma foto daquilo com o celular, e saí andando como se não tivesse visto nada.

Enfim, é meio deserto por aqui, tudo cercado por mata e sem nada muito próximo. Estamos bem no interior. Judas quando chegou aqui perdeu as calças, pois as botas e as meias ele já tinha perdido há muito tempo.

Apesar disso, o estilo desse lugar é super bacana. São duas cabanas de madeira, cada uma com quatro quartos e quatro banheiros. Em uma ficam as meninas e na outra, consequentemente os meninos. Há também uma casa maior onde provavelmente ficam os monitores, e lá tem cozinha e refeitório. Tem também um galpão onde ocorrem festas e coisas do tipo. Entre todas essas coisas, há umas áreas gramadas.

Nesse quarto que estou, calhou de ficarmos só nós três.

Ah, não sei se consegui explicar. Vou colocar umas fotos aqui depois.

Nesse momento, o som do vento nas folhas das árvores e os grilos são as únicas coisas que dão pra se ouvir.

Por mais que nossa vizinhança seja pequena e calma, é estranho estar em um lugar tão silencioso assim.

É um lugar totalmente novo também. Eu sempre ouço falar de como as outras escolas por aí realizam esse tipo de excursão, mas eu mesma nunca tinha se quer pisado em um camping. De qualquer forma, “so far so good”.

 


Notas Finais


———
Caso alguém queira, eis a(s) música(s) que citei nesse capítulo:

Highway to Hell - AC/DC
https://youtu.be/l482T0yNkeo

Stairway to Heaven - Led Zeppelin
https://youtu.be/D9ioyEvdggk


× A imagem desse capítulo não me pertence.


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