História Naquelas Férias - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Diário, Ensino Medio, Férias, História Autoral, Lgbt, Mistério, Naquelas Férias, Personagens Autorais, Romance, Suspense, Verão, Viagem
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Palavras 2.591
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Parte II


Fanfic / Fanfiction Naquelas Férias - Capítulo 2 - Parte II

Parte II


Quinta-feira, 26 de Junho

Está decidido, vamos todos rumo ao interior do estado. Um pouco longe, praticamente três horas de viagem. Anderson disse que vai para o chalé hoje a tarde, junto com um outro pessoal. Todos vamos ficar cinco dias lá.

A viagem está marcada para amanhã, perto da hora do almoço. Anderson perguntou se temos como ir, pois caso não tivéssemos, teríamos que ir com uns amigos dele, mas no final não vai precisar.

Katherine é a única de nós que tem habilitação, então vamos todos no carro dela. Uma caminhonete cabine dupla. Cabe todo mundo e mais uma casa inteira na caçamba. Meio velha, com um rádio que ainda aceitava CD, pintada com uma tinta verde escura, já desbotada no teto. E com o banco do passageiro com uma estampa diferente dos outros, pois em determinado momento, ela teve que trocar o estofamento.

Kathe tem amizade com o dono de um desmanche perto da linha férrea, e pagou uma barganha por aquela tralha. De qualquer forma, dava pro gasto.

Eu sou provavelmente a mais familiarizada ao calhambeque. Virava e mexia, nós duas íamos para algum lugar naquilo. Uma vez, quando passamos na mercearia pra comprar umas besteiras e acampar no quintal da casa da Sirena, Kathe foi dirigindo e Si foi comigo na caçamba.


Sexta-feira, 27 de Junho

A semana tem sido animada com programações e preparação de malas. Mensagens foram trocadas, sempre com o assunto da viagem. Mentels mandou uma que dizia "Vocês sabem que esses lugares são assombrados, não é?", mas Sirena deu uma cortada nas teorias de conspiração dele.

Vamos para lá hoje. Aqui estou eu, ás oito horas da manhã já acordada e esperando a Sirena acordar também. Eu já deixei tudo arrumado, mas a ansiedade me acordou mais cedo. Ah, e vou levar esse caderno pra lá.


Ainda sexta-feira, 27 de Junho

Nos encontramos todos na frente da casa da Katherine. Um sobrado branco, com o telhado cinza, e uma árvore na frente, perto da calçada. Eu chegava com Mentels, quando ele olhou para um detalhe na janela do quarto dela. O mesmo é uma mensagem escrita em preto que diz “Avert thy mortal eyes”.

“Isso é tão... Katherine.” Ele comentou com uma cara de paisagem.

Alguns minutos depois estávamos todos lá, e é claro que uma disputa pelo banco do passageiro começou.

“A frente é minha!” Mentels disse entrando na frente da Sirena.

”Nem vem, Axel, sai pra lá.”

Si chamando Mentels pelo primeiro nome, a coisa havia ficado séria. Só sei que depois de alguns segundos, até Alejandro, o mais maduro de todos nós, entrou no meio. Até o momento que só ouvi a voz da Kathe dizer:

“Bom, eu acho que a Hanne devia ir no banco do passageiro, já que fomos nós que sugerimos a ideia. Meu carro, minhas regras.”

“Super apoio!” Eu disse e entrei na parte da frente do carro, enquanto os três me olhavam da calçada. Mentels estreitou os olhos para mim, e Sirena pressionou um lábio contra o outro. É claro que eu estava rindo demais com aquilo. Eu desviei o olhar para Alejandro, como quem duvidava do nível ao qual ele havia se rebaixado. Ele por sua vez apenas passou a mão no cabelo, jogando-o para trás e fingiu que não era com ele.

Depois disso tudo, Kathe entrou e sentou no banco do motorista, ligando o carro.

“Tudo certo, não é?”

Todos concordaram, e ela deu partida. Mentels atrás de mim, Sirena no meio e Alejandro no canto atrás de Kathe. Incrivelmente, não ficou apertado. Axel então, enquanto ela dava a partida no carro, perguntou:

“Peraí... Kathe, você tem habilitação, não tem?”

“Tenho.”

“... Há quanto tempo?”

“Uma semana.”

“Mas você usa esse carro há no mínimo uns dois meses e meio—”

“Eu sei.”

O silêncio se fez por uns cinco segundos e Sirena comentou baixo: “Vamos ser barrados na metade do caminho.”

Vou parar de escrever dentro do carro, tá me dando enjôo.


Sábado, 28 de Junho

Chegamos bem, e a viagem até aqui não foi tão demorada ou cansativa quanto eu achei que ia ser. Eu estou esperando a boa vontade da cafeteira fazer o café logo, então vou falar um pouco mais da vinda para cá.

Logo no primeiro semáforo, Kathe ligou o rádio. Ela foi passando pelas estações salvas, o que não adiantou muito porque uma era de noticiário, coisa que ninguém queria ouvir, numa outra estava acontecendo a narração de um jogo de futebol, outras duas estavam tocando músicas ruins e por fim as que sobraram não pegavam direito.

“Bem, eu tenho uns CDs aqui.”

“Eletrônica?” Ale perguntou.

“Hm, tenho. Não com muitas músicas. O problema é que ele tá na numa bolsa perdida lá no porta malas, quando pararmos em algum lugar no caminho eu pego.”

Mentels perguntou brincando se rolava um Country, e chegamos à conclusão de que, considerando essa sugestão, seria mais agradável ouvir jogo de futebol.

Kathe colocou a mão na lateral da porta do carro e pegou um CD do compartimento, dando na minha mão. Continuou:

“Hanne, não me falhe.”

Era um CD de capa preta, com uma etiqueta escrita com caneta vermelha que dizia "Hits".

“Sinta-se livre pra escolher alguma.”

Eu abri o estojo olhei a descrição escrita a mão por ela mesma. Achei uma que eu gostava, coloquei o disco no leitor e selecionei. A música começou a tocar, Kathe olhou pra mim com um sorriso, e eu sorri de volta.

"Living easy, living free
Season ticket on a one-way ride
Asking nothing, leave me be
Taking everything in my stride
Don't need reason, don't need rhyme
Ain't nothing I would rather do
Going down, party time
My friends are gonna be there too

I'm on the highway to hell
On the highway to hell
Highway to hell
I'm on the highway to hell [...]"

Logo chegamos numa parte mais deserta da estrada. Posto de gasolina só aparecia a cada vários quilômetros.

Sempre fico um pouco nervosa ao pegar a estrada; é um medo bobo que eu tenho. Mas em meio a conversas, eu relaxei. Eu e Si, como não havia wi-fi, ficamos trocando memes silenciosamente por bluetooth. Quando os GIFs carregavam no meu celular, minha risada espontânea me fazia soar como um porco; o que fazia todos rirem também. Eu costumava odiar quando isso acontecia.

Já tinhamos escutado umas três músicas aleatórias até que eu e Kathe resolvemos colocar Stairway to Heaven, e cantamos do segundo em que a música começou até o segundo que ela terminou. Nos sentimos num video-clipe. Parece meio tosco, mas esse é um momento que eu não quero esquecer nunca.

Depois de uma hora mais ou menos de viagem, nós paramos em um restaurante a beira da estrada, que não cobrasse o olho da cara, pois já era hora do almoço passada. Sentamos em uma mesa grande, a comida (lanches) chegou e logo desapareceu em meio a conversa, risadas e brincadeiras. Eu dividia a atenção entre Sirena e Kathe. Si falava sobre umas marcas de maquiagem, mas logo se distraiu com alguma coisa no celular. Mentels e Alejandro falavam sobre jogos e essas coisas geeks que eles gostam.

A conversa com a Kathe foi fluindo, e como gostamos de bandas em comum, passamos uns quinze minutos falando de nossos álbuns favoritos. É engraçado ver ela sempre séria, e do nada, com um brilho nos olhos. Falando de Nirvana e Pearl Jam. Apenas registrando, acho a cor dos olhos dela uma das mais bonitas que já vi. É aquele azul que chega ser gelado.

Enfim, depois disso tudo, pagamos a conta e voltamos para o carro, para pegar estrada novamente.

Essa segunda metade foi mais tranquila, e todo mundo parecia um pouco mais quieto. Uma música eletrônica, meio Vaporwave, tocava no rádio.

Estávamos já nos aproximando do local, e faltava uma meia hora até chegarmos. O tempo havia mudado um pouco, havia esfriado um pouco e o céu estava acinzentado. Eu estava quieta também, como todo mundo.

Fiquei olhando fixa para o parabrisa, vendo a estrada a nossa frente. Desviei então o olhar para a janela ao meu lado, e enquanto as árvores passavam, eu me senti um pouco incomodada. Não sei o porquê, acho que foi apenas um efeito da velocidade e de ver tudo passando rápido. Apesar disso, estava tudo normal.

...

Bem, tirando o que aconteceu em seguida. Enquanto eu ainda olhava para o lado, eu vi um vulto. Em meio às árvores, perto do asfalto. Não identifiquei o que era, vi apenas uma silhueta escura, sem muita forma. Eu me assustei, mas apenas desviei o olhar rapidamente para frente de novo. Tentei ver o lado racional e considerei que sou míope. As vezes coisas à distancia ficam um pouco embaçadas ou borradas, por mais que use lentes de contato. Talvez fosse apenas um cervo ou algum outro bicho de floresta.

Kathe viu que eu me assustei com alguma coisa, pois suspirei alto. Ela olhou para mim, trocou a mão do volante e encostou na minha coxa, para puxar minha atenção para ela. Perguntou se estava tudo bem e eu respondi que só tinha me assustado com um cervo perto da estrada.

“Tem certeza? Pela sua cara, parece que você viu foi um fantasma.” Ela disse enquanto mirou os olhos para mim por um segundo e logo em seguida os colocou de volta na estrada.

“Eu estou bem, Kathe. É que eu só vi a sombra dele, e achei que fosse alguém. Minhas lentes de contato estão com o grau um pouco fraco.” Eu disse, tentando abafar aquilo. Eu não quis dar brecha para o Mentels falar besteira de novo. Tudo bem que ele parecia tão entretido jogando seu jogo de RPG pelo celular que provavelmente nem ouviu. Sirena estava de fones e Alejandro estava cochilando. Então isso ficou entre eu e Katherine.

Após alguns segundos, ela então moveu sua mão e tirou-a de minha perna, trocou a marcha e voltou ela para o volante, assim como estava antes de falar comigo. Eu honestamente nem tinha percebido que a mão dela ainda estava lá. Kathe é compreensiva, além . Só ela falar comigo foi o suficiente para que eu deixasse aquilo de lado.

Opa, meu café ficou pronto. Cacete, demorou. Se a cafeteira não ficasse desligando, teria sido mais fácil.


Sábado, 28 de Junho, à noite.

Engraçado, achei que eu não ia ter muito o que falar aqui, mesmo na viagem, e agora estou escrevendo de manhã e de noite.

Bom, é também uma forma de se entreter. Não tem Wi-Fi aqui e a televisão do quarto meu e das meninas não pega. Nos dividimos, Eu, Si e Kathe estamos nesse, Ale e Mentels estão no do lado. Sinto que lá o vídeo-game funcionou, pois estou ouvindo barulho até agora. Benditos sejam os jogos de Striker para PlayStation.

Ao menos eu lembrei de trazer um baralho de Uno. Ah, e os walkie-talkies também. Combinamos de nos dividirmos em dois grupos pra fazer uma caminhada pela área verde que tem aqui. Pelo que eu ouvi, tem um observatório no meio das árvores, e de lá da para ver boa parte da floresta. E é isso que vamos procurar amanhã.

Hoje mesmo não fizemos muita coisa. Kathe me ensinou uns três acordes no violão dela, que ela fez questão de trazer. Eu até que consegui, mas fiquei com a ponta dos dedos doendo.

Ah, e ela também trouxe o skate. A cena dele apoiado nas laterais da banheira com o notebook e um copo de limonada ambos em cima foi ótima. Eu havia entrado no banheiro para pegar a escova de cabelo, que eu tinha deixado lá. Kathe apareceu logo atrás, nos entreolhamos, eu tirei uma foto daquilo com o celular, e saí andando como se não tivesse visto nada.

“Vai falar que não é inovativo, hippie?” Ela comentou enquanto eu ria disfarçadamente. Sim, hippie virou meu apelido umas semanas.

Enfim, é meio deserto por aqui, tudo cercado por mata e sem nada muito próximo. Estamos bem no interior. Judas quando chegou aqui perdeu as calças, pois as botas e as meias ele já tinha perdido há muito tempo.

De qualquer forma, o estilo do camping é legal. Bem, sendo da família do Anderson, não ia ser qualquer coisa. Logo que chegamos, ele nos cumprimentou e nos apresentou a propriedade.

São duas construções de dois andares, em baixo, tem uma portona e janelas, e em cima, os quartos. A porta em baixo dá para o salão de jogos, que nas laterais tem uma porta de cada lado, que dá para uma copa. No meio das duas tem uma área de convivência gramada.

A escada para o andar de cima é na lateral, fora da casa, e o corredor que passa na frente da porta dos quartos é aberto. Ah, não sei explicar. Vou colocar uma foto aqui depois.

Nesse momento, o som do vento nas folhas das árvores e os grilos são as únicas coisas que dão pra se ouvir.

Por mais que nossa vizinhança seja pequena e calma, é estranho estar em um lugar tão silencioso assim.

Eu nunca vim a esse lugar pra onde o Anderson nos convidou. Na verdade, nenhum de nós veio. Claro, sempre soubemos que ele e a família dele tem dinheiro, mas como eu não ando mais com ele, eu sei pouco sobre a vida pessoal dele.

Anderson foi meu "namorado". Bem, na verdade mesmo, nós nunca namoramos de namorar propriamente dito. Mas ele gostava de mim há uns três meses atrás. Eu gostava dele também, achava ele lindo e uma pessoa muito simpática; mas ele não é bem assim.

De fato, ele é bonito. Cabelos castanhos escuros, sempre bem arrumado, olhos de uma cor que eu nunca consegui nomear direito, um tom de castanho meio acinzentado. Quase sempre de roupas pretas e com anéis, geralmente três, de exterior quadrado; um no dedo indicador e dois no mindinho. Apesar disso, ele não é a melhor companhia do mundo. Chegamos a ficar e a andar juntos, e no começo, era tudo normal. Mas depois de um tempo, eu percebi que ele sentia ciúmes não somente de outros meninos que falavam comigo, mas basicamente de qualquer amizade que eu tivesse; e eu me sentia sempre vigiada. Por mais que eu nunca fosse capaz de trair alguém, aquilo me incomodava.

E sabe aquela sensação de que aquilo não está muito certo ou de que duas pessoas simplesmente não tem muita química? Era isso que eu sentia.

Eu também comecei a ficar com um pé atrás quando vi que ele era meio impulsivo e que vivia tretado com um outro pessoal da escola, sem falar das coisas que eu fiquei sabendo dele pela Sirena. Umas paradas desde "bar-fight" até um caso isolado de circulação de MDMA.

Kathe nunca gostou dele, mas se esforça para ser educada e responde-lo quando o mesmo lhe dirige a palavra.

No dia que ele saiu do pátio com o nariz pingando sangue e com um hematoma no punho foi quando eu percebi que talvez fosse melhor acabar aquilo enquanto era tempo, e foi o que eu fiz. Nunca paramos pra conversar sobre, mas aos poucos, fomos nos distanciando.

Houve apenas uma vez ou outra na qual parecia que ele queria que voltássemos a conversar; mas eu não dei confiança e tudo foi pro vinagre de uma vez. Tudo bem que havíamos nos beijado algumas vezes no máximo, e mal sabíamos o que cada um gostava direito. Acho que ele também percebeu que aquilo não iria para frente. Era um relacionamento meio vazio.

Acho melhor dormir. Já são duas da manhã passada.





Notas Finais


Esse capítulo provavelmente é o menor, pois tem dois dias só. Eu tentei aumentar mas não fui muito longe rs.

———
Caso alguém queira, eis a(s) música(s) que citei nesse capítulo:

Highway to Hell - AC/DC
https://youtu.be/l482T0yNkeo

Stairway to Heaven - Led Zeppelin
https://youtu.be/D9ioyEvdggk


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