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História Nara - Capítulo 3


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Notas do Autor


Oi, já é sadado então eu posso estar de volta, né?

Primeiramente muito obrigada pelos comentários, eles me deixam toda inspirada. Queria dizer inclusive que se vocês gostam de teorias e essas coisas podem começar a teorizar a partir daqui.

Esse é um capítulo extremamente importante pra história, aliás, ele foi o primeiro que eu escrevi quando essa ideia doida brotou na minha cabeça e foi escrito com muito carinho.

Nessa hostória a Tema será mais nova que o Shika e a irmã do meio, só para vocês não estranharem

Já vou avisando que ele ta bem grandinho pois tem muuuita informação relevante para o entendimento da história. Como eu disse lá no comecinho, esse está cehio de ~notas~ então pf leiam as notas finais.

Ah, eu já ia quase me esquecendo... Os capítulos tem título de verdade, tá? Essas sequências de zeros e uns podem ser traduzidos através do link que eu vou deixar nas notas finais.

Espero que gostem e boa leitura :)

Capítulo 3 - Capítulo II


    Capítulo II - 01010000 01101100 01100001 01101110 01101111 00100000 01001110 01100001 01110010 01100001 

 

Londres, 27 de abril de 2020.

21:03

        

TEMARI

 

    Minhas costas doíam por ter passado tanto tempo naquela postura torta e ouvir Konan falando de quanto nós estávamos fodidas não ajudava em nada. Coloquei os fones para provar pra que eu não estava a fim de ouvir o seu monólogo mas não pareceu surtir efeito, sua boca continuava mexendo sem parar enquanto alguma música tocava alto nos meus ouvidos, eu não estava prestando atenção em nenhuma das duas. Eu estava mais focada no cartão branco à minha frente com as poucas palavras, apresentando o homem que me abordou hoje mais cedo e era o motivo do surto de Konan.

    Nós duas sabíamos muito bem quem é Shikamaru Nara, e o fato de ele ter vindo até mim significa que ele já sabe demais sobre as minhas atividades ilegais. 

    Os últimos três anos da minha vida foram um jogo ridículo de gato e rato com o Nara atrás de mim. Eu sabia que não deveria ter me envolvido com os ucranianos há alguns anos, por causa deles a Hogo chegou até mim e nunca mais saiu de perto. Eu odeio essa organização de merda com todas as minhas forças. Hogo Organization para noventa e nove vírgula nove por cento da população mundial é uma empresa de segurança e tecnologia que trabalha junto com os capitalistas para construir um mundo melhor. Mas o que menos de um por cento da população sabe é que ela é a empresa que mais lucra com todos os conflitos armados que acontecem no Oriente Médio, participou juntamente com os Estados Unidos de todos os golpes militares que aconteceram na América do Sul¹, estão financiando e apoiando os protestos de Hong Kong², junto com uma longa lista de crimes de guerra durante a Segunda Guerra Mundial e mais dezenas de coisas que me dão dor de cabeça só de pensar. O fato do Nara ter me abordado hoje significa que eles estão bem mais próximos da Akatsuki do que eu imaginava e isso foi motivo suficiente para gelar minha espinha. Inferno! Eu achei que o último programa que eu e Itachi criamos seria o suficiente para atrasá-los por pelo menos dois anos, mas ao que tudo indica não foi. De qualquer forma, eles não sabem que eu trabalho em grupo e acreditam fielmente que sou eu e eu fazendo tudo o que eles consideram ilegal. Sinceramente, que burrice. Ok, eles estão muito perto, de mim. Isso significa que a Akatsuki ainda tem a vantagem de estar nas escuras por enquanto, eu espero

    Konan joga a embalagem do iogurte que estava tomando na minha direção querendo chamar minha atenção e eu tiro os fones.

    — Presta atenção no que eu tô falando, droga! Eu não acredito que você realmente está me ignorando, a gente precisa falar com o Nagato. — Ela parece realmente chateada enquanto anda de um lado para o outro. Pra quem estava a quase trinta horas acordada, ela parecia ter bastante energia.

    Levantei da cadeira massageando o pescoço e toquei seus ombros.

    — Relaxa. — Olhei dentro de seus olhos. — Eles não vão fazer nada comigo, eu falei com o Itachi e vai ser tudo como da última vez. Eu vou aceitar o emprego, a Akatsuki precisa de mim lá dentro. — Falei calmamente para ter certeza de que ela estava entendendo o que eu estava falando. Nosso papéis nunca estiveram tão invertidos, eu sou a pessoa explosiva e cabeça quente, que age antes de pensar e acaba se metendo em confusão. Sendo honesta, eu não sei o que aconteceu comigo para estar lidando com isso de uma maneira tranquila.

    — Não me peça pra relaxar! Eles nunca estiveram tão perto, isso significa que algum órgão de inteligência também já sabe, eles também não trabalham sozinhos, esqueceu? — Ela tirou minhas mãos de seus ombros. — Eu não quero saber o que vocês têm em mente, eu quero soluções, o fim disso tudo. — Ela se jogou no sofá coçando os olhos. Konan era complicada, ela não queria fazer parte disso tudo, não quer. Ela faz porque é namorada do Yahiko, que também está envolvido nessa merda toda e enteada de um dos membros mais poderosos da organização, além de ser minha melhor amiga.

    A Akatsuki também é uma organização gigante, mas ao contrário da Hogo, não tem um registro e age sempre nas sombras, por trás dos panos. Ninguém realmente sabe quando ela foi fundada e muitos acreditam que não passa de uma seita secreta que tem alguma relação com os Illuminati, o que na minha cabeça não faz sentido algum, porque não tem absolutamente nada a ver com isso. Tem alguns objetivos e não poupará esforços para atingi-los.

    Era perigoso o Nara atrás de mim? Sim, mas significava que as coisas estavam acontecendo conforme o planejado por Nagato, até onde eu sei, o responsável por tudo isso. Eu sou o bode expiatório, eu sei, Konan também sabe e odeia isso, mas eu me ofereci por saber que seria mais fácil, a Hogo matou meus meus pais na Palestina³ há quatro anos atrás e desde então eu passei todo esse tempo arquitetando a porra de uma vingança e Nagato me deu todo o apoio necessário para isso. Tudo indo conforme o esperado.

    — Você me disse que recusou o trabalho. — Sim, eu realmente recusei o trabalho na cara do Shikamaru hoje de manhã sem nem ouvir sobre o que seria. Eu só precisava saber se ele me ofereceria o emprego ou não e ele me ofereceu, então ainda tenho a vantagem.

    — E recusei, o que Nagato previu estava certo, a Hogo quer meus serviços mais uma vez, agora nós precisamos saber para quê. Eu vou ligar pra ele na quinta-feira. — Konan pareceu relaxar diante da minha resposta. Eu entendo sua preocupação, nós já passamos por maus bocados por causa da Akatsuki e toda essa realidade, mas eu não me arrependo nem um pouco.

    — Tá certo, vocês que sabem. Bem, eu tenho que ir… — Ela se levanta vestindo seu casaco. — Eu combinei com o Yahiko de ver o jogo, mal posso esperar pra ver o Manchester United ser esmagado hoje. — Rimos juntas e eu a levei até a porta.   

    Depois que Konan saiu fui até a geladeira tirando uma cerveja de lá de dentro. Eu também gostaria de ver o jogo e saber se o Arsenal iria me dar 20 pratas, apostei isso com o Itachi ontem enquanto discutíamos sobre o placar. Apostei 1x0 para o Arsenal, Itachi mais confiante disse 2x1 para o Manchester United e eu ri de suas esperanças.

    Me joguei na cadeira acolchoada e apertei o botão de energia, encarando o computador se acender. Múltiplas telas iluminaram minha face e eu coloquei uma delas no canal de esportes para ouvir o jogo enquanto escrevia o código do programa que Hidan me pediu. Seria uma longa noite.

Londres, 28 de abril de 2020

7:02

    Sou despertada pelo toque do meu celular em um volume mais alto do que eu lembro de tê-lo deixado. Tateio cegamente em busca do aparelho em algum lugar da cama e escuto o baque surdo que ele faz quando encontra o tapete, o atendo ainda de olhos fechados, transbordando meu mal humor matinal.

    — O que é? — Apoio meu antebraço sobre os olhos, me sentindo tonta por ter levantado tão rápido e deito novamente.

    Fiquei até três horas da manhã escrevendo o código e não cheguei nem na metade, mas eu não me privaria do meu sono e sei como só escrever demora, por isso não me preocupei, eu tenho tempo.

    — Bom dia, querida. — A voz grossa anuncia do outro lado. — Teve uma boa noite de sono? Espero que sim. Pode me encontrar no Caffè Nero? — Afastei o celular da orelha vendo o nome do Itachi no visor e o relógio marcando sete e dois da manhã, o que ele quer tão cedo?

    — Não. — Tirei o braço de cima dos meus olhos e me arrependi por ter dormido com as cortinas abertas. Minha vontade é desligar o celular na cara dele e voltar a dormir, mas eu não posso. Me sentei ouvindo a movimentação pelo telefone e o coloquei no vivo a voz para poder me esticar antes de levantar.

    — Se você não estiver lá, juro que apareço na sua porta, tem meia hora. — Ele desliga sem esperar por uma resposta.

    Faço meu caminho até o banheiro torturando Itachi mentalmente. Precisava mesmo ser tão cedo assim? Por que não pedir pra me encontrar depois da faculdade? Anoto mentalmente de lhe dar um tapa e fazê-lo pagar pelo meu café da manhã. Eu nem sinto tanta fome assim ao acordar, mas farei questão de comer um pouco além do que eu aguento hoje. Saio enrolada na minha toalha e paro em frente o meu guarda roupa pensando no que vestir. O clima frio ainda reina em Londres apesar de estarmos no meio da primavera e a paisagem nublada lá fora me desanima. Jogo uma saia jeans na cor vinho de botoẽs em cima da cama junto com uma blusa preta de mangas longas e gola alta, abro minha gaveta em busca de uma meia grossa e me visto rapidamente. Meu cabelo está levemente ondulado por conta das tranças que eu estava usando e eu o deixo dessa forma enquanto ajeito alguns fios, não passo maquiagem, apenas dou alguns tapinhas leves na bochecha para espantar a cara de sono e coloco meus brincos e um relógio analógico, arrumo minha cama e rumo para sala com um par de coturnos vinho em mãos para procurar minha mochila, achando-a pendurada no gancho ao lado da porta. Antes de sair, pego uma garrafa de água na geladeira, me certifico de que todas as janelas estão fechadas e calço os coturnos enquanto destranco a porta. Aperto o botão do elevador e espero não tão pacientemente  pela cabine metálica enquanto checo as horas, sete e vinte e sete. Eu chegaria atrasada, não muito, mas atrasaria e Itachi sendo o londrino que é iria reclamar. 

    Um vento frio sopra quando fecho o portão do prédio e eu agradeço a mim mesma por ter colocado uma meia e uma blusa de gola. Da minha casa até o café eu não gastava nem dez minutos, uma vantagem para mim. Acho que essa foi a razão pela qual Itachi escolheu o Nero, pra que ele pudesse bater na minha porta no menor sinal de que eu não apareceria. Observo a rua movimentada e noto um carro parecido com o que Nara foi embora ontem e reconheço como sendo um dos da Hogo, mal consigo acreditar que eles colocaram alguém pra me seguir de forma tão descarada. Eles já mudaram o padrão de carro quatro vezes nesse tempo que eles vêm me observando, mas eu sempre vou saber por conta da antena que eu instalei no terraço de casa. Eles sempre se comunicam pelas mesmas ondas de rádio que a BBC aqui em Londres, obviamente a BBC sabe e lucra com isso. Eles usam um algoritmo baixo que mistura as duas ondas de uma forma que quem escute qualquer um dos canais da BBC não identifique as conversas no rádio, é um sistema complexo. Continuo meu caminho tranquilamente e finjo que não notei o homem que se levantou após eu ter passado pelo banco no qual ele estava sentado.

    Entro no café e vejo Itachi sentado em uma mesa afastada da janela, ele acena e eu vou em sua direção vendo ele se levantar e abrir os braços para me abraçar, mas eu fiz uma nota mental de que daria um tapa nele por me acordar tão cedo e é o que eu faço, estapeio seus braços abertos e me jogo no banco estofado.

    — Nossa como você é infantil. — É o que ele diz enquanto me oferece um sorriso pequeno.

    Não o respondo, apenas mostro a língua da forma menos madura que eu consigo e começo a olhar o cardápio. Há algum tempo eu estou com vontade de comer cinnamon rolls e eles tem um dos melhores de toda Londres, eu com certeza vou pedir um.

    — Nenhum de nós dois ganhamos. Isso é uma merda, mas Konan deve estar bem feliz, o Manchester realmente jogou mal ontem. — Ele comenta sobre o jogo e eu anuo positivamente, concordando com ele.

    — Eu nem prestei atenção no jogo, — Confesso — estava escrevendo o programa para o Hidan. Vou demorar pelo menos duas semanas só pra escrever o programa inteiro, eu quero só ver na hora de rodar. — Itachi olha ao redor e quando avista um garçom, o chama.

    — Esse vai ser complicado. Comecei a adiantar a interface, mas também vou demorar mais do que eu gostaria. — O garçom chega até nós e fazemos nosso pedido. — Tenho só o esqueleto, mas sinceramente, vai ficar horrível. — Ele continua depois do homem sair.

    Observo a movimentação dentro da cafeteria e noto o homem que me seguiu mais cedo sentado em uma mesa junto a uma jovem de cabelos rosa. Ele não parece notar que eu o encaro, então eu continuo olhando para gravar bem seu rosto na minha mente. Ele é alto, cerca de um metro e oitenta e cinco, chutando alto, seu olho esquerdo tem uma cicatriz que chega até a metade da bochecha e tem uma pinta no queixo, também do lado esquerdo. Seu cabelo é grisalho, mas eu duvido que seja por conta da idade, ele com certeza não tem mais de trinta e dois anos. É muito bonito e parece sério.

    — Você é muito apressado. Como quer fazer a interface se eu não estou nem na metade do começo? — Indago revoltada.

    — Bom, eu tenho uma breve ideia do que o Hidan quer então não é muito difícil imaginar a interface.

Percebo que ele não notou o meu atraso e solto um riso nasalado por isso.

— Certo, mas você não me chamou aqui às sete e meia da manhã para falar sobre o programa que o Hidan pediu pra gente. Anda, desembucha. — Eu falo assim que o garçom coloca nossas refeições na mesa. 

— Realmente. — Ele solta o ar pesadamente e assume um ar sério. — Muita coisa vai acontecer daqui pra frente. Eu já conversei com o Nagato e seu próximo passo será enorme, temos muita coisa para colocar em pauta.

    O homem grisalho olha em nossa direção, eu faço questão de olhar dentro de seus olhos para que ele note que eu sei que ele está me seguindo. Itachi percebendo que eu não paro de olhar além dele, vira levemente para trás, se juntando a mim. Não precisamos dizer uma palavra, nossa linguagem corporal é bastante conhecida por ambos. Ele sorri presunçoso quando volta seus olhos escuros para mim morde um pedaço de sua tostada, tomando um gole de seu suco de laranja em seguida.

    A Hogo com certeza tem algum dossiê sobre o Itachi. Algum arquivo sobre ele e sobre a Konan, as pessoas mais próximas a mim e isso me preocupa. Sei que quanto às atividades de ambos, eles não tinham ideia, até porque, por mais que Itachi fosse um gênio com números e me ensinou boa parte do que eu sei, “toda” a sua vida girava em meio a seu mestrado em filosofia e ciências políticas na London School of Economics e Konan, parecia não ter importância nenhuma para eles, já que a coisa mais perigosa que fazia era andar de skate profissionalmente, ou seja, era uma figura “pública”. Mas ainda assim, eu era vista frequentemente com ambos, não demoraria até eles juntarem “dois mais dois”. Não quando eles têm Shikamaru Nara como coordenador do meu caso. Filho da puta. Ele realmente me assombrava, mesmo tendo seus vinte e três anos, ele assumia uma posição altíssima na divisão de inteligência da  Hogo e subiu rápido. Havia todo um boato acerca dele do quão preguiçoso poderia ser, mas eu me recusava a acreditar. Ele era mundialmente conhecido pela sua inteligência e estratégias para enganar o ‘inimigo’, por mim se ele dissesse que tinha escrito A Arte da Guerra4 eu acreditaria facilmente, inclusive eu tenho certeza que esse livro deve ser como uma Bíblia Sagrada para ele. Frio e calculista ao lidar com seus adversários era o que lhe definia bem. Perdi a conta de quantas pessoas fortes caíram em suas mãos nos últimos cinco anos, desde que ele é um funcionário da Hogo.

    Nós terminamos de comer falando bobagens e Itachi escreveu em um guardanapo um horário e um endereço em Southbank e eu revirei os olhos por ser tão longe de casa e tão tarde. Ele não precisava dizer mais nada sobre o assunto, eu sabia que deveria estar lá no horário e local combinado silenciosamente por nós dois.

    Tomei o meu caminho para universidade e Itachi ficou para trás, esperando um ônibus. Encarei de novo o guardanapo com as coordenadas e o dobrei enfiando no cós da saia, virando na Camden High.

    Nagato ainda não havia entrado em contato comigo. Não é como se ele fosse o ser humano mais falante do mundo, mas não custava absolutamente nada ter me mandado uma mensagem de texto monossilábica ou melhor ainda, um bip5 para saber que tudo ocorria conforme seus planos.

    Depois de vinte minutos, adentrei o prédio imponente da UCL e fui direto para a sala, eu perdi a primeira hora de aula, mas não dava muita importância a isso. Estava no último período e sinceramente, a antecipação estava me matando. Não via a hora de tudo acabar e  me ver livre daquele curso. Eu ingressei na universidade por total influência da Akatsuki, pois um dos planos que eles tinham em mente necessitava de uma Botânica e como eu havia acabado de sair do colégio, calhou que eles me enfiassem no curso na University College London. Não digo que detesto, é muito interessante e ganhei conhecimentos que achei que nunca teria, mas se eu tivesse conseguido decidir o que pretendia cursar na faculdade antes de sair da escola, com certeza escolheria alguma coisa relacionada a números e tecnologia, não um curso que me enfiava no meio do mato a cada duas semanas. Mas como eu disse, veio a calhar, eu havia aprendido muito sobre plantas medicinais e por passar tanto tempo no meio do mato, acabei aprendendo um pouco sobre técnicas de sobrevivência em ambientes hostis para seres humanos.

    A aula de fisiologia passou em um piscar de olhos e logo eu me encontrei rumando a biblioteca para acertar os últimos detalhes do meu trabalho de conclusão. Massageei meus ombros em busca de alívio muscular, mas não surtiu muito efeito no meu corpo tenso. Eu vinha trabalhando naquele TCC como uma condenada, não queria que nada desse errado e como eu estava nas etapas finais, minha ansiedade piorava. Fazia parecer que realmente me importava com o curso e levava tudo aquilo a sério.

     — Certo, então nós temos mais um mês e meio até a apresentação para a banca examinadora. Como todo o trabalho teórico já está concluído e a prática está em seus estágios finais, não acho mais necessário nos reunirmos toda semana. A cada duas semanas seria o suficiente para acertarmos os detalhes da apresentação. — Elisabeth que encabeçava o projeto disse anotando algumas coisas em seu fichário. — Tema, você precisa de ajuda com o APP? Eu falei com o George da Engenharia, ele disse que se você tivesse dificuldades poderia falar com ele. 

    Eu ironicamente não tinha uma grande amizade com o pessoal da faculdade, mas eles sabiam que eu tinha como hobbie a programação. Por isso, pediram para que eu desenvolvesse o aplicativo que iríamos apresentar no nosso trabalho de conclusão.

    — De boa, eu na verdade já terminei e estou testando uma versão beta antes de apresentar pra vocês a versão final. Em no máximo duas semanas eu mostro o resultado, ainda estou com algumas pontas soltas.

    A faculdade estava sugando mais de mim do que eu gostaria. Aquele aplicativo me deu um trabalho e tanto. Discutimos um pouco mais sobre o trabalho e logo o relógio marcava uma e meia da tarde, indicando que eu teria que estar na In Nature We Trust em meia hora e eu nem havia almoçado ainda.

    Peguei o metrô, descendo na movimentada Piccadilly Circus e corri até a farmácia de produtos naturais onde eu faço estágio. Tsunade estava atrás do balcão gritando algum impropério para Shizune e eu preferi não me aproximar,  indo direto para os fundos da loja e abrindo meu armário para deixar minha mochila e rumar ao vestiário para colocar meu uniforme.

    A tarde passou lenta demais para o meu estômago vazio. Eu realmente não tive tempo de almoçar e fora a salada de frutas com granola que eu havia comido no intervalo da faculdade, eu só havia ingerido água. Quando chegou a hora da minha tão aguardada pausa não exitei em entrar na lanchonete que ficava ao lado da farmácia e pedir o maior pedaço do suflê de legumes que eu vi e comer como uma pessoa que não via comida há pelo menos dois meses, como se a minha vida dependesse totalmente daquilo. Infelizmente, meus quinze minutos passaram muito rápido e logo eu estava de volta a loja ouvindo Tsunade falar ao telefone algo que parecia ser muito sério, pela sua feição além de sério era incômodo.

— Não acho que será necessário, verei o que posso fazer quanto a isso. Obrigada por retornar minha ligação, tenho que desligar. — Ela suspirou pousando o smartphone de forma nada delicada sobre a bancada.

— Tudo bem, Sra Tsunade? — Questionei preocupada.

— Sim, querida. Apenas divergências entre acionistas da marca. Nada demais. — Ela passou as mão pelo rosto, tensa.

Apenas a direcionei um meio sorriso e fui para a parte de trás, continuando a criar um novo creme depilatório.

Quando deu oito horas, tirei meu avental, fui até meu armário pegando minhas coisas e indo até o vestiário tirar o uniforme quente. Tsunade pediu que Maeve fechasse a loja, por isso não esperei pela minha colega de trabalho, saindo apressada enquanto pedia um táxi por aplicativo. Itachi me mataria se soubesse que eu fui até um dos galpões da Akatsuki de táxi, mas eu não poderia chegar atrasada. 

Agradeci o simpático taxista quando ele me deixou a uma quadra do meu destino final e me pûs a andar, encontrando Yahiko no caminho.

— Sabaku! — Me cumprimentou simpático.

— E aí, quanto tempo, cara! — Por mais que trabalhássemos para a mesma organização e ele namorasse minha melhor amiga raramente nos vemos, ele também tem uma vida extremamente ocupada fora da Akatsuki e trabalha como consultor de  segurança cibernética no Facebook. Nos abraçamos rapidamente e ele abriu a pesada porta de metal do galpão velho. Um espaço enorme e vazio era iluminado somente pela lua cheia que brilhava intensamente no céu. Yahiko acendeu a lanterna do seu celular e adentramos mais a estrutura velha e desgastada que pertencia ao governo inglês no século XVIII.

Assim que avistamos uma portinhola no chão, Yahiko se abaixou e a puxou fazendo um leve esforço, a porta parecia realmente pesada. Descemos uma escada mal iluminada e paramos em um ambiente amplo com uma enorme mesa e doze cadeiras, das quais somente seis estavam ocupadas. Nagato, Konan, Deidara, Sasori, Itachi e Hidan interromperam sua conversa quando viram a lanterna de Yahiko e todos os pares de olhos se voltaram para nós. Yahiko sorriu e disse ‘olá’ indo se enroscar com Konan, enquanto eu me sentei na cadeira vazia ao lado de Hidan. Depois de vinte minutos, Kakuzu e Obito chegaram e ficamos esperando por Kisame e Orochimaru. Enquanto Sasori distribuía as pautas, Obito e Nagato discutiam em um canto mais afastado da luz, eu aproveitei para me acomodar melhor na cadeira e quem sabe até tirar um cochilo.

Estava aproveitando do meu estado de absoluta inércia e hipnagogia quando o barulho das correntes da portinhola a qual eu passei mais cedo me despertou por completo. Bufei não escondendo meu mau humor e todos se dirigiram às cadeiras dispostas.

— Certo, já estão todos aqui, então vamos começar. — O tom barítono de Nagato ecoou pelo galpão. — Como sabem, toda a movimentação da Akatsuki nos últimos cinco anos foi minuciosamente planejada por mim, Obito e Orochimaru, agora chegou a hora da ação. — Ele apertou um botão do controle que tinha em mãos e uma tela apareceu na parede. — Há setenta e cinco anos, os japoneses começavam a perder as esperanças de uma vitória na Segunda Guerra e tudo piorou em agosto de 1945 com o lançamento das bombas em Hiroshima e Nagasaki6. Os japoneses entraram em desespero por conta disso e começaram a construir bombas cada vez mais poderosas para que pudessem se proteger e até mesmo vingar as quase cem mil vidas inocentes que foram tiradas em ambos ataques. Mas o Japão era um país majoritariamente rural, não tinham a tecnologia ou a verba necessária para ser uma ameaça real aos Estados Unidos, mesmo depois de Pearl Harbor7. — Eu não sei se estava seguindo a sua linha de pensamento com aquela aula de história, ainda mais porque seu tom parecia defender os japoneses que estavam lutando ao lado dos nazistas, mas continuei calada prestando atenção no que ele dizia. — Então eles fizeram o improvável, na surdina, o Japão e a antiga União Soviética8 fecharam uma parceria perigosa e extremamente secreta. Poucos estados ficaram sabendo disso na época e está se tornando “público” somente agora. De 1945 até 1984, os dois países construíram uma arma capaz de dizimar toda a população mundial em um piscar de olhos. Como a arma só foi finalizada mais de trinta anos após o fim da Guerra, ainda não se sabe o real motivo do Japão a manter em seu território. Dez anos depois, em 1994, os Estados Unidos descobriram sobre a existência dessa arma através de um foragido russo que buscou asilo no país e fez parte da confecção. Desde então, eles vêm negociando a destruição da mesma. O Japão alega que setenta e dois por cento da arma foi comprometido em um teste feito em 1987, por isso não apresenta nenhum risco para a humanidade, a Rússia não se pronunciou e isso levantou suspeitas do real estado do dispositivo. Em 2012, os russos entraram em contato com a Akatsuki e fechamos um contrato milionário que rendeu muito dinheiro pra gente. Desde então estamos trabalhando em contato direto com o seu serviço de inteligência para sabermos mais sobre a arma finalizada nos anos oitenta, já que o Japão fechou suas portas para a Rússia por meios de embargos econômicos e começou a negociar com os Estados Unidos em maior frequência, anulando o contrato assinado em quarenta e cinco, causando um enorme prejuízo aos russos. — Eu continuava a não entender onde ele queria chegar, parecia que quase ninguém na mesa sabia. Exceto por Obito e Orochimaru, que como ele próprio havia dito, o ajudaram a planejar tudo.  — Acontece que eles não gostaram nada do prejuízo causado pelos japoneses e querem recuperar essa arma. Desde 2015, nós estamos mapeando um território específico próximo ao Sul do Japão, onde se especula que essa arma esteja localizada. De acordo com as imagens, ondas de rádio e sinais de satélites japoneses, a arma se encontra em Nara e é pra onde alguns de vocês vão, uma vez que preciso de pessoal aqui e em mais quatro localidades diferentes. Nara é uma cidade média com pouco mais de trezentos mil habitantes e não tem um grande polo industrial. As razões para esconder uma arma extremamente perigosa lá são palpáveis; a cidade não se encontra muito longe da costa e tem um grande fluxo de turistas o ano todo, com a primavera e o verão sendo as estações mais movimentadas. Além disso fica não muito longe da capital, Tokyo, ou cidades importantes como Osaka e Kyoto, também está entre pólos que se destacam pela utilização de energia nuclear e bases militares ou seja, seria a única área “desprotegida” e sem um grande esquema de segurança, visto de fora e comparada com as cidades ao redor. — Enquanto falava sobre tudo isso, os slides atrás de Nagato nos ajudavam a visualizar melhor a cidade que ele se referia. — Como eu disse, nem tudo acontece em Nara. Precisarei de vocês em Tokyo, Las Vegas, Moscou e Londres. Talvez eu chame os reforços em Nova York, Joanesburgo, Berlim, São Paulo e Pequim, essa será uma das maiores operações já feita pela Akatsuki e envolverá pessoas extremamente poderosas. Como vocês sabem eu sou o que pode se chamar de Diretor Executivo, mas isso não me impede de colocar a mão na massa. Por isso, eu e Orochimaru iremos para Tokyo em uma semana e seremos recebidos por Kenichi Shinoda9, um dos líderes da Yakuza10 que não concorda com as medidas adotadas pelo Japão em relação a arma e tem algumas rixas pesadas com o governo estadunidense. A Yakuza é uma antiga parceira da Akatsuki, por isso, tanto em Tokyo quanto em Nara, ficaremos alojados em suas propriedades e voaremos em uma de suas companhias. Ainda temos algumas pendências para discutir, por isso o resto de vocês só viajam em junho, coincidindo com as suas férias da faculdade. — Eu não acredito que ele pensou até nisso. — Vocês serão divididos em duplas. Como comentei antes, Orochimaru e eu vamos até Tokyo, mas não ficaremos lá durante a realização da missão. O quarteto que irá para o Japão é composto por Konan, Yahiko, Itachi e Temari. Deidara e Sasori irão para Las Vegas, Hidan e Kakuzu voarão para Moscou e Obito e Kisame ficarão em Londres, eu e Orochimaru iremos para Sicília. Isso não foi por um acaso, irei explicar a função de vocês. Konan e Yahiko: Vocês são bons com números e finanças, logo, vocês serão o nosso caixa em Tokyo e o contato direto com a Yakuza, que fará a segurança de vocês em território japonês. Itachi e Temari: vocês são o centro nervoso e motor de toda essa operação, e caberá a vocês desativar e levar a arma em segurança para Moscou. Temari se mostrou a programadora mais habilidosa dessa organização desde seu início e Itachi tem ótimas capacidades políticas, extremamente necessárias para o meio o qual vocês irão adentrar, não podemos esquecer que Temari estará trabalhando para a Hogo. Conforme foi previsto por mim, Shikamaru Nara a abordou ontem e a ofereceu um emprego. Um de nossos infiltrados aqui em Londres já nos confirmou que eles pretendem mandá-la para Nara com o mesmo propósito: desarmar o dispositivo. Deidara e Sasori: Quem está financiando isso é um homem extremamente ganancioso e atual CEO da Hogo: Hashirama Senju. Ele é fissurado em jogos de azar, por isso sempre que pode está em Las Vegas, Monte Carlo e por aí vai. Terão de ficar de olho nele, e quando a missão de Temari e Itachi for completada, vocês terão a importante tarefa de eliminar Hashirama Senju. Por último, mas não menos importante, Kakuzu e Hidan: Nossos contatos na Bratva11 irão receber vocês, também ficarão hospedados em uma de suas propriedades e voarão por uma de suas companhias. Trabalharão junto com eles para interceptar a chegada do dispositivo ao presidente. Como devem imaginar, nós não entregaremos essa arma ao governo russo. Ao contrário disso, nós a estudaremos a fundo e por fim, iremos destruí-la. Nenhum governo precisa de tanto poder militar. E esse será apenas o início, um teste. Em breve a Akatsuki irá ocupar todo globo e destruirá todas as armas com potencial altamente destrutivo e libertará o mundo, o iluminando com a luz da verdade. — Ele falou aquela frase com tanto gosto que eu me senti até inspirada. — Dúvidas? — Perguntou solícito. Ah, sim, eu tinha muitas dúvidas, milhares delas na verdade. Eu e mais sete pessoas erguermos as mãos. — Sasori? — Apontou para o ruivo a minha frente.

— Quem será o contato físico da Akatsuki com o governo russo? Não parece que Vladimir Putin12 sentaria em uma mesa com Sergei Trakhirov13 tranquilamente e eles tomariam vodca como velhos amigos. — Esse também havia sido um dos questionamentos que passaram pela minha cabeça enquanto nos explicava o plano.

— Obviamente seria suicídio colocar o líder da máfia russa e o presidente dentro de uma sala, por isso nós temos dois agentes que já estão em território russo e irão nos representar. O governo não precisa necessariamente falar com um de nós, por isso os primos Neji e Hinata Hyuuga serão nosso contato físico. Eles também se encontrarão com vocês, Kakuzu e Hidan, para acertar detalhes que podem surgir de última hora, também repassarão as informações que conseguirem, mantendo assim a nossa rede de informações. — Obito explicou.

— É um ótimo plano, realmente é. Mas o quão arriscado você está sendo ao colocar três ou quem sabe quatro máfias rivais em um mesmo plano? — Itachi perguntou antes que qualquer outra pessoa falasse mais alguma coisa.

— Três máfias rivais? Ou até quatro? Ele só falou da Bratva e da Yakuza, mas sempre  trabalhamos com as duas, mesmo sabendo de suas discordâncias e disputas de território, aliás, você deveria saber, é você quem media as reuniões em que ambas precisam estar presentes. — Sasori o respondeu de forma seca.

— Eu sei disso, faz parte do meu trabalho fazer a mediação de interesses entre as máfias. O que eu quero dizer é: Vocês estão envolvendo as organizações criminosas mais poderosas do mundo, é de grande notoriedade que Japão, Rússia, Itália e China têm um poder paralelo além do compreensível para qualquer regime governamental, quer dizer, eles ficam atrás somente do Escobar14 na Colômbia. — Itachi tem um ponto extremamente interessante, mas acredito que Nagato também tenha pensado nisso, ele não tomaria um risco tão grande sem saber das probabilidades de sucesso.

— Itachi tem razão em quase tudo, todo mundo sabe que os italianos sempre estiveram na frente do Escobar, aliás a ‘Ndrangheta15 é a inspiração para a criação de todas as outras máfias. — Kisame e Kakuzu eram responsáveis por entrar em contato e fechar as parcerias com as máfias mais poderosas que se sabia da existência, por isso, sabiam de absolutamente tudo o que acontecia nos poderes paralelos, Kisame sabia do que estava falando. — Os conflitos entre a Bratva e a Tríade16 estão ficando cada vez mais intensos. Alguns territórios da Mongólia vem sofrendo na mão de ambas as máfias além das constantes ameaças nas regiões de fronteira. — Ele completou.

 — Nada é por acaso. — Disse Orochimaru com aquela voz sinistra. — Vocês conhecem os objetivos da Akatsuki e estão aqui porque concordam com eles. Para atingir a paz, precisamos percorrer caminhos obscuros, então todo esse nosso contato com gangues, mafiosos e gente ruim é apenas um meio. Como Nagato disse, esse é o início de tudo e se estivéssemos vivenciando O Príncipe, o fim com certeza justificaria os meios. — Eu não acredito que ele está usando Maquiavel para ilustrar o que quer dizer. — Esse plano, assim como as ações que iremos tomar para executá-lo, serão somente um dos meios para atingirmos nossos objetivos. Não concordamos com as filosofias de nenhuma organização do poder paralelo, mas temos um inimigo em comum e por que não usá-los a nosso favor? — A frieza que sua voz emitia ao dizer essas coisas era invejável. Como Nagato disse, minuciosamente planejado. Eles não fariam nada sem um motivo.

— Não é arriscado mandar somente duas pessoas para a boca do vulcão? — Perguntei aflita. — Todos conhecem as táticas de guerra da Hogo, eles são experientes. E não podemos esquecer do fato que eu e Itachi estaremos separados a maior parte do tempo, como iremos agir, uma vez que estaremos cercados pelo inimigo de todos os lados? 

— Ah, jovem Sabaku… Ainda temos muito para colocar em pauta, não se preocupe. Iremos marcar mais reuniões até o fim de maio. — Obito disse enquanto acendia um cigarro. — Nagato, você falou falou, mas não disse exatamente o que é essa arma tão perigosa, queira nos explicar, sim?

Nagato limpou a garganta antes de passar o slide para uma outra imagem. Todos contraíram as sobrancelhas diante da imagem sendo exibida na tela.

— Essa é a arma com alto poder destrutivo? — Perguntou Hidan com uma voz carregada em ironia.

— Sim, Hidan. — Obito o encarou com um olhar assassino. — Conheçam a Vaniyedosu17

A “arma” em questão mais parecia um mini HD externo ou uma fonte de carregador de celular, não tendo mais do que cinco centímetros. Era extremamente difícil acreditar que aquilo foi feito entre os anos quarenta e os anos oitenta. Tinha um visual extremamente moderno e limpo, com poucos detalhes e cores. 

Vaniyedosu vem da junção da palavra destruição em ambos os idiomas, japonês e russo, a razão para o nome de batismo é óbvia. O hardware da arma parece extremamente frágil, mas é o que aumenta seu poder destrutivo. O dispositivo em si, é uma arma de nêutrons capaz de criar um buraco negro com a Terra sendo seu ponto central, o que iria resultar na dizimação de toda a vida no planeta, como também as vidas que podem existir no Sistema Solar, ou outros sistemas próximos. Não se sabe como o Japão e a Rússia colocaram as mãos nesse tipo de tecnologia, mas as especulações estão datadas nas primeiras expedições espaciais realizadas pela União Soviética e todas as outras ao longo da história. Ninguém nunca vai negar a importância da corrida espacial durante a Guerra Fria, mas não se pode deixar de frisar que ela nos trouxe muitos perigos desconhecidos. — Enquanto Nagato explicava sobre a arma, eu refletia sobre até onde vai a ganância humana. — O Japão forneceu todo o material necessário e parte da mão de obra para construir o dispositivo, a Rússia por sua vez, entrou com toda a tecnologia e desenvolvimento do sistema. Temari, como anda o seu russo? — Todos na mesa olharam para mim. Nagato tinha mesmo que perguntar isso?

Soltei o ar dos pulmões devagar. Como anda meu russo? Eu não falava o idioma há muito tempo, desde que meus pais morreram, para ser mais específica. Após a morte deles na Palestina e do sumiço repentino dos meus irmãos, eu não tinha mais com quem falar minha língua materna, não havia necessidade, eu estava em Londres afinal. 

— Provavelmente bem ruim. Eu não falo russo desde 2016. — Respondi sincera. Eu não me sentia muito confortável em falar russo, não quando eu ainda precisava de tantas explicações.

— Bom, todo o sistema da Vaniyedosu está em russo. Sugiro que estude até aterrissar em Nara. — Seu tom era rude, ele estava ficando impaciente. 

Assenti de forma silenciosa e escrevi no canto da pauta “estudar russo” com uma carinha brava do lado, como um lembrete infeliz.

— O hardware é composto por um material até então desconhecido para grande parte da humanidade. A explicação mais próxima para definir seus componentes, seria uma mistura de ouro, lítio e európio, mas ainda não há nenhum componente na tabela periódica que se aproxime da sua real composição. — Orochimaru mostrava uma imagem 3D e explicava a composição de forma paciente, enquanto Nagato massageava as têmporas. — Como já dito, Temari e Itachi serão o sistema nervoso e motor dessa operação. Os estudos que fizemos de acordo com os arquivos de criação da arma, não foram muito conclusivos e ainda não sabemos como desativá-la. — Senti o chão deixar meus pés. Se eu já não estivesse sentada, cairia de joelhos. — Temari, nós preparamos um dossiê com todas as informações que conseguimos à respeito da Vaniyedosu, mas infelizmente, você terá que descobrir como desativar ou desarmar o dispositivo por conta própria. — Orochimaru disse em um tom sério.

Eles estão achando que eu sou quem? Tony Stark? Bruce Banner? Reed Richards? A porra do Batman? Nem Lex Luthor poderia construir um dispositivo daqueles, quem sou eu pra desarmar essa merda? Eu estava transtornada, era bem mais do que visível no meu olhar. 

— Acho que por hoje é só, eu vou deixar vocês estudarem a pauta que Sasori entregou no começo da reunião. Descansem, senhores… e senhoritas. Sejam bem vindos ao Plano Nara.

Soquei a mesa e sai sem olhar pra trás.




 


Notas Finais


1 - O legado do envolvimento secreto dos EUA em sete golpes militares bem sucedidos [...] os transformaram em um bicho-papão nas tensões politicas de hoje. Só para ter uma breve noção, ontem completou quarenta e sete anos da ditadura de Pinochet no Chile e sobre o Brasil, eu acho que não preciso falar muita coisa.
fonte: https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Pelo-Mundo/Os-sete-governos-derrubados-pelos-EUA/6/28262 - Esse link explica um pouco sobre alguns governos que foram derrubados, se vocês quiserem dar uma olhada.

2.1 - Hong Kong, ex-colônia britânica, é um território autônomo no sudeste da China. Seu centro urbano vibrante e densamente povoado é também um porto importante e um centro financeiro global de destaque, com um horizonte marcado por arranha-céus.
2.2 - Os protestos começaram em junho de 2019 quando o projeto de uma lei de extradição com a China continental foi apresentado. O projeto visa o combate a atual impunidade de crimes graves, principalmente os cometidos pela elite financeira.
Fonte: https://vermelho.org.br/2019/08/04/os-perigos-da-guerra-hibrida-veja-o-que-esta-acontecendo-em-hong-kong/ - Esse foi um dos poucos links em pt que eu achei explicando o porquê dos protestos que acontecem lá tem dedo dos EUA.

3.1 - O Estado da Palestina é um Estado de jure que reivindica soberania sobre os territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza e que designa Jerusalém Oriental como sua capital, apesar de seu centro administrativo estar localizado na cidade de Ramallah.
3.2 - Link de uma playlist com uma série de vídeos da Sabrina Fernandes explicando sobre o que acontece na Palestina: https://www.youtube.com/watch?v=v70xyAufhLc&list=PLPZ4y7b7MwOvxrsSzh0Gf0j5UfHIrDlW0 - Eu não tenho propriedade pra explicar o que aontece lá, mas ela tem.

4 - A Arte da Guerra, é um tratado militar escrito durante o século IV a.C. pelo estrategista conhecido como Sun Tzu.

5 - Um pager foi um dispositivo eletrônico usado para contactar pessoas através de uma rede de telecomunicações. Ele precedeu a tecnologia dos telemóveis, e foi muito popular durante os anos 1980 e 1990, utilizando transmissões de rádio para interligar um centro de controle de chamadas e o destinatário.

6 - Possivelmente o maior ato terrorista da história, as bombas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki puseram fim à guerra e mostraram a capacidade de destruição das novas armas.
Fonte: https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/hiroshima-e-nagasaki-bombas-e-terror.htm

7 - O Ataque a Pearl Harbor foi um ataque militar surpresa do Serviço Aéreo Imperial da Marinha Japonesa contra os Estados Unidos na base naval de Pearl Harbor em Honolulu no Território do Havaí, pouco antes das 08:00, no domingo de manhã, 7 de dezembro de 1941.

7 - O Ataque a Pearl Harbor foi um ataque militar surpresa do Serviço Aéreo Imperial da Marinha Japonesa contra os Estados Unidos na base naval de Pearl Harbor em Honolulu no Território do Havaí, pouco antes das 08:00, no domingo de manhã, 7 de dezembro de 1941.

8 - União das Repúblicas Socialistas Sov­­­­­­­­­­­­­­­iéticas ou simplesmente União Soviética, foi um Estado socialista localizado na Eurásia que existiu entre 1922 e 1991

9 - Kenichi Shinoda, também conhecido como Shinobu Tsukasa, é um yakuza, atual da Yamaguchi-gumi, a maior organização yakuza do Japão.

10 - A Yakuza, também conhecida como gokudō, são os membros de grupos de uma organização criminosa transnacional originária do Japão.

11 - Máfia Russa, é a denominação generalizada dada a quaisquer dos grupos criminosos altamente organizados que surgiram na União Soviética, principalmente na Rússia, no final dos anos 1980.

12 - Vladimir Vladimirovitch Putin, é o atual presidente da Rússia, além de ex-agente do KGB no departamento exterior e chefe dos serviços secretos soviético e russo, KGB e FSB, respectivamente.

13 - Sergei Trakhirov foi um dos líderes de uma gangue russa até a 1996, quando ele e sua esposa foram mortos em um funeral.

14 - Pablo Emilio Escobar Gaviria foi um narcotraficante colombiano que conquistou fama mundial como "o senhor da droga colombiano", tornando-se um dos homens mais ricos do mundo graças ao tráfico de cocaína nos Estados Unidos e outros países.

15 - A 'Ndrangheta, ou Famiglia Montalbano, Onorata società e Picciotteria, é uma associação mafiosa que se formou na região da Calábria na Itália. Não é tão famosa quanto a siciliana Cosa Nostra porém, atualmente é a mais influente e considera-se ainda mais fechados e mais difícil de penetrar do que a máfia siciliana.

16 - Tríade é o nome dado a um conjunto de ramificações de uma sociedade secreta surgida na China durante o século XVI e que se expandiu para outros países após 1842, quando a China perdeu a Guerra do Ópio para a Inglaterra.

17. vaniyedosu: palavra inventada por mim da junção de развязывание + 元に戻す que significa destruição, em ambos os idiomas.

Como eu comentei, o link para traduzir o título dos capítulos: https://www.invertexto.com/codigo-binario


Eu tava tão ansiosa pra postar isso. Sintam-se à vontade para me dizer o que acharam.


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