História Narcisos - Capítulo 16


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Adolescente, Aventura, Colégio, Drama, Escola, Jovem, Original, Romance, Teen
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Palavras 3.711
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção Adolescente, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - Responsabilidades


Fanfic / Fanfiction Narcisos - Capítulo 16 - Responsabilidades

Divino!

É como posso adjetivar o almoço preparado pelo pai de Guilherme. Tenho que aprender muitas coisas com ele. Estava delicioso e só não repeti por estar envergonhado e Gui nem perguntou se eu queria mais. Depois eu sou o pão duro né, Márcia?

Nós três conversamos muito sobre quase tudo. Ultimamente está sendo difícil ficar calado sobre a vinda de Tom. Quase contei ao senhor sentado conosco sobre meu eu. Quase, pois sei guardar um segredo muito bem, pelo menos os dos outros. Agora os meus... Sinto uma vontade repentina de soltar tudo aos quatro ventos de vez em quando.

Gui mora apenas com o pai. De nós três apenas Márcia mora com pai e mãe. O pai de Gui, Edson, normalmente é bem rígido, porém põe mais sorrisos no rosto quando sai com o filho ou recebe visitas, especialmente se for a minha. No futuro ele ajuda tia Olívia com as despesas de Tom. Escrevi uma fanfic na cabeça onde ele e mamãe se casam e eu e Guilherme viramos irmãos.

Não passamos muito tempo almoçando, pois Edson teve que ir ao seu trabalho como astrônomo em uma das cidades vizinhas. Geralmente ele trabalha durante a noite, mas hoje teve que ir mais cedo.

O quarto de Gui — onde estamos — é espaçoso. Umas duas vezes maiores que o meu. Ele é um garoto da classe média alta, um pouquinho mais bem sucedido financeiramente do que eu, mas ainda perdendo da garota rosa que, apesar de ter um bom dinheiro com a família, tem uma casa mais simples que a nossa. Nunca entendi o motivo, mas também nunca perguntei.

Na estante de frente à cama há vários CDs de Roxette, uma banda sueca que gosto até. Nas paredes têm pôsteres de Roxette. Sobre o criado-mudo, ao lado da cama de casal, está um caderno de capa vermelha onde Gui escreveu as letras das músicas de Roxette. Existe Roxette por todos os lugares. Não sei se admiro ou sinto medo.

Ele está sentado na cama enquanto observo a rua pela janela em sua frente. O movimento é quase inexistente. Só vejo um cachorro perambulando rua a fora. O pessoal desta cidade tem o estranho costume de se trancar dentro de casa. O que eles têm contra sair?

Da janela, ainda olhando a rua e de costas para Gui, pergunto:

— O que Deus fez a você?

— Hum?

— O que ele fez?

— Ah... Ele não fez nada. Nada de bom ou ruim.

— Então porquê não gosta dele?

— Porque ele não faz nada. Nada de bom ou ruim atualmente. E tem tanta gente que precisa, sabe...

Me viro para ele sentando na janela, porém com medo de cair. O fato de Gui sempre ser esse cara... caricato — eu diria — sempre me incomodou de alguma forma. Ele é perfeitinho demais para o meu gosto... ou tenta ser.

— Você faz?

— Não. Eu não faço, se isto te conforta. Vai me chamar de hipócrita?

— Gui, eu não quero brigar. Foi uma pergunta simples que partiu da minha curiosidade, ok?

— Desculpa, é que... Eu também não quero me estressar hoje. Vencemos o jogo e estou feliz por isto, feliz por você estar aqui, por estarmos bem.

Eu o encaro e pouco a pouco meu semblante se altera ao lembrar de Tom. É por ele que aceitei o convite do garoto que está com as laterais da cabeça quase que completamente raspadas. Gui não deixa de notar e pergunta o motivo.

— É que... Estou precisando de um conselho. Pensei em pedir à Márcia, mas não sei se ela saberia me instruir.

— Você a subestima demais, já notou?

— O assunto não é sobre isso. É sobre o Tom.

— O que aconteceu com ele? — Gui curva a coluna para trás, com as mãos apoiadas no colchão.

— Ele tem depressão. Acredito que não seja uma surpresa para você depois de tudo o que aconteceu no futuro.

— Irmão, para mim está sendo. — Ele olha para os lados com as sombrancelhas arqueadas, como se procurasse algo e fazendo um sinal de negação com a cabeça. — Não te imagino dessa forma.

— Sei, eu também não.

— Veio pedir ajuda?

— Sim, mas ajuda para mim também.

— Então veio pedir ajuda para você e para você? — Ele ri.

— Guilherme!

— Desculpa, mas sempre faço esse tipo de piada antes de dormir porque sempre é a única coisa que penso antes de pegar no sono. — Seu riso termina repentinamente. — Continue.

— Então pensa em mim antes de dormir? — digo com insinuações.

— Nem vem que eu sou hétero.

— Eu também... — Gui me encara provavelmente pensando "é mesmo?" me fazendo revirar os olhos —, faço parte da turminha do B da sigla.

— Claro...

— Mas enfim, eu não sei como ajudar o Tom com o problema e... E a verdade é que não quero. Tenho vergonha de falar isto, mas vejo como um peso, entende?

— Não entendo.

— É estranho, Guilherme. Eu tentaria, com todo o esforço, ajudar você e a Márcia caso estivessem nessa mesma situação, mas com o Tom... é diferente. Me sinto a pessoa mais egoísta que já pisou na face deste planeta.

— Não vejo isso como egoísmo. Vejo como falta de humanidade consigo mesmo. Tomás — ele levanta e vem até mim, cruzando os braços —, acho que você nunca se amou de fato.

— Eu me amo sim! — afirmo rapidamente — está muito cedo para afirmar isto, mas acredito que de uma forma que você nem pode imaginar.

— Não.

— Está me conhecendo mais do que eu mesmo?

— Não, é você que não quer enxergar.

— Eu me amo. Me acho muito bonito até.

— Isso não é amor, é admiração por uma imagem e isto é diferente de amor próprio. Você às vezes fala que é um gato, que ama casacos e seus "infinitos etcs".

— Mas você também ama casacos pelo que fiquei sabendo por "terceiros"...

— Não amo não. — Noto uma confusão nele e ele senta ao meu lado na janela.

É engraçado o quanto minha mente, meu mundo, parece se expandir infinitamente ao lado de Guilherme. Me sinto lerdo perto dele ao mesmo tempo que vejo um portal de vastas possibilidades se abrir. Gui é — ou finge ser — sábio demais para a idade que possui. Parece viver em uma realidade paralela à minha. Ele será um adulto chato, porém incrível. Acredito que se um Guilherme do futuro viesse aqui ele se apaixonaria pelo seu eu do passado também. Apesar que, depois da conversa com Tom, nem sei se o que sinto é realmente paixão. Acredito que me precipitei demais. Sempre tirei conclusões precipitadas, não é de agora.

— Gui, o que devo fazer? Claro, tenho ideias, mas me sinto...

— Incapaz de acreditar nelas. Você tem que parar com isso, Tomás. Se valorize, homem! Você ama o Tom? A pessoa que ele é?

— Acho que sim.

— Precisava de uma resposta sua e imaginei que seria essa. Mas não. Você não o ama. Talvez só tenha um apreço por ele, uma pena pelo o que aconteceu no futuro, uma admiração por ter você mesmo em sua frente, oportunidade de experimentar coisas novas por causa disso, mas, talvez, não ame a pessoa que ele é e só pensa que sim.

— Mas já fizemos muitas coisas juntos.

— Que tipo de coisa? — Ele pula para o chão e fica novamente em minha frente.

— Coisas ué. Mas isto não vem ao caso.

— Hum, mas se você veio aqui, então é porque quer ajudá-lo de alguma forma, pois chegamos em outro ponto.

— Qual?

— Você quer trabalhar? Fazer uma faculdade?

— Literalmente não, você sabe. Tenho é medo disso, mas sei que será inevitável. Eu não estou pronto para crescer, mas tenho planos para fugir para a Terra do Nunca

— Medo de responsabilidades. E está, no fundo, negando ajuda a si mesmo, pois é uma responsabilidade enorme tentar fazer com que alguém com depressão fique 100% saudável. Mas, Tomás, tem que entender que nunca estará pronto para enfrentar nada se não começar entendendo você mesmo, resolvendo seus problemas internos. Primeiro a gente, depois o mundo. Olha... — Ele dá as costas e vai à cama, sentando novamente nela, de frente para mim. — Meu pai sempre foi ocupado. Passava horas com vários e vários papeis, anotações, livros enormes sobre a mesa, estudando. Aquele tanto de coisa me enlouquecia. Quando finalmente terminou os estudos começou a trabalhar, onde exerce sua profissão até hoje como astrônomo e, trabalhando com isto, você não consegue parar de estudar de fato.

— É até interessante.

— De todo modo, sempre tive, de uma maneira ou de outra, que me virar sozinho com quase tudo. Não estou falando que meu pai foi displicente comigo, é que ele só está tentando dar o melhor para mim, mesmo que custe um tanto do nosso tempo juntos, sei disso. Agora está mais fácil. Ele trabalha apenas durante a noite, mas, ainda assim, passa o dia enfurnado no escritório fazendo inúmeras pesquisas ou sei lá o quê.

— Mamãe trabalha o dia inteiro.

— Mas começou agora, podemos assim dizer. Ela sempre esteve com você, Tomás. É engraçado que, sem o amor contínuo da família, com a ausência, nos tornamos mais maduros, sabe? Mesmo perto a falta dele me fez amadurecer.

— Não, ela te fez endurecer. Não pense que sou menos maduro porque minha mãe me criou com mimos. Todo mundo, no fundo, é maduro quando precisa ser. Só não expõe este lado toda hora por preferir vadiar. Eu sou assim.

— Ótimo que entendeu. Maturidade e responsabilidade são coisas que você está pronto para ter comigo, com Márcia e com sua mãe quando necessário, mas nunca com você mesmo. Então procure se ajudar, assim será até mais fácil ajudar os demais.

— Você me assusta — "e me incomoda. Seria inveja?"

— Vamos ajudar aquele garoto, eu, você e Márcia, pois estamos juntos nessa. Amamos o Tom desde que começamos a nos falar no primeiro ano.

— Acredite, ele também ama vocês. — Nós rimos.

— E, a partir de agora, você vai se esforçar para arcar com suas responsabilidades e essa será a primeira.

— Sim senhor! — Uma confiança preenche meu peito. — Mas... como o ajudaremos?

— Com palavras. Com ações. Não pense também que a depressão irá embora de uma hora para a outra. Não é um processo rápido e, talvez, depois das nossas tentativas, sempre fique lá, perto dele, nas sombras, se manisfestando em determinadas ocasiões mesmo em pouquíssima intensidade. Já conheci pessoas assim.

— Entendi. É, quero ajudá-lo!

— Você sempre quis, caso contrário, não teria vindo aqui. A diferença é que quer ir por um atalho que não existe e não tem interesse de se amar de fato. Acredito que nunca parou para pensar nisto. Vamos! — Gui se levanta. — Temos uma missão. Tenho que mostrar ao meu melhor amigo que ele não está sozinho e você tem que mostrar a si mesmo que é bom o suficiente para começar a se adorar e encarar o mundo, pois ele é difícil, mas não mais complicado do que entender a cronologia dos filmes dos X-Men.

— Falando nisso, também tenho a missão de converter Márcia para que ela goste de filmes de super-heróis.

— Não tente. Isso sim é uma missão impossível. Olha aí! Comecei não apenas a entender referências desses filmes como a praticá-las.

— Não entendi.

— Caramba, Tom! "Missão Impossível", Tom Cruise... Te lembra algo?

— Ah! — Bato com a mão na testa, rindo. — É muito bom te ver agir como um adolescente. É mais realista.

— Realista?

— E que história é essa de nunca ter mancado?

***

A conversa que tive com Gui foi proveitosa. Fazia tempo que não conversávamos como dois adultos. Às vezes conversar com alguém sobre vida, verdade e universo é confortante mesmo abordando o lado ruim das coisas.

Passando pela porta de casa e agradecendo a minha esperteza — que não me ajuda na maior parte do tempo — reflito o quão fácil está sendo esconder Tom de mamãe durante essa semana e meia. Eu mesmo faço questão de fazer a faxina para que ela não saia vasculhando tudo, apesar que ela jamais entrou na casinha da árvore, pois tem medo de cair ao subir na escada de corda.

Ao entrar no quarto me deparo com Tom jogando Super Mário no computador. Meu clone lança um olhar raivoso para o monitor. Jogo a mochila na cama e fico atrás da cadeira, massageando seus ombros.

— Aconteceu alguma coisa? — prefiro perguntar isto. Perguntar se ele está bem seria a mesma coisa que questionar se o mar está salgado.

— Não.

— Tom?

— Droga! Você fez o Mário cair.

— Não sou eu que estou jogando.

— Tem certeza?

— De novo não! — Aperto os ombros com força enquanto faço careta. — Tom, me fala. Talvez eu possa te ajudar. Estou disposto a fazer isto. Olha só como estou todo caridoso! — Falo cheio de si, mas com sarcasmo.

— Você? Caridoso? Sempre esconde o lanche do pessoal da sala de aula quando resolve levar.

— Talvez eu seja um pouquinho misco. Mas eu mudei.

— Da água para o vinho? Posso te chamar de Jesus agora? Sei bem como eu era na sua idade.

— Qual é, cara! — tiro as mãos dele, deixando meus braços soltos — não seja chato. De chatice já basta o alarme.

— É que estou estressado.

— Sério? Ainda bem que revelou, pois o suspense estava me matando.

— Fui ao hospital ver mamãe.

Meu queixo cai.

Fazendo força, mexo a cadeira mesmo com Tom sentado nela, fazendo ele ficar de frente para mim e aproximo meu rosto do dele.

— VOCÊ FEZ O QUÊ?

— Não tem nada demais. Eu sabia que o jogo era hoje e sabia que a escola só funcionaria em um turno. Usei a desculpa de que não assisti à partida. Aliás, o gol do Gui foi lindo, não foi?

— Ele não fez gol.

— Não? Mas ainda ganhamos de três?

— Não, fizemos apenas um gol e foi do Yago. O time adversário não marcou.

— Acho que Gui não conseguiu se concentrar direito por causa da briga de vocês.

— Você acha?

— Tenho certeza. Normalmente você estraga muita coisa.

— Ok, o que está rolando? O que houve no hospital?

— Senti vontade de tirar a vida de alguém por lá e não estou me referindo à minha.

— Então a de quem? — Ando de ré e, ao sentir a cama com as pernas, sento.

— Um paciente foi urgentemente para o trauma. Tinha sido esfaqueado pelo o que fiquei sabendo.

— E?

— E acontece que esse paciente é o cara que atropela a mamãe no futuro.

Só o escuto, pois, mais uma vez, não sei o que falar. A má surpresa me faz sentir um arrepio nos braços.

— Senti tanta vontade de invadir a sala com uma seringa de tinta de caneta e injetar no sangue dele que você não faz ideia.

— Credo, Tom!

— Ele morreria agonizando.

— TOM, para com isso!

— Claro, você não sentiu a dor, não é mesmo?

— Isso não me impede de querer que você fale e comece a agir como um jovem cheio de vida, pois é o que tem. Duas, como você mesmo falou. Ontem me pediu para te ajudar e é o que pretendo fazer, pois sinto que não consigo mais ver você sofrendo pelos cantos.

— Tomás...

— Sei que a perda foi gigantesca e eu não sei, não sei a dor que sentiu e não posso pedir para deixar de sentí-la, mas que você ao menos a supere.

— Não tem como! Nem o tempo conseguiu fazer isso como todo mundo disse que faria.

— Primeiro pare de se culpar.

— Impossível.

— Vem cá — o chamo e ele vem até mim. Vou para o centro da cama com as pernas cruzadas. Ele fica em minha frente da mesma forma. Sinto vontade de bater nele. — Agora olhe nos meus olhos e deixe de ser teimoso.

— Eles são lindos. Jamais percebi isto até conhecer você, sabia? — Tom elogia me deixando constrangido e com um sorriso bobo. Espero não estar vermelho.

— Está vendo? Agora não consigo mais ficar sério.

— Prefiro você sorrindo — ele fala passando a mão em meu rosto.

— É mesmo? Então terá que fazer algo por mim para que eu continue assim.

— E o que é?

— Assim que você voltar ao futuro irá procurar um psicólogo, entendeu?

— Psicólogo? — Tom mexe o pescoço para trás.

— Você já deu o primeiro e mais importante passo que foi reconher que precisa de ajuda. Um psicólogo, alguém que realmente entenda da mante humana, poderá abrir ainda mais os seus olhos. Te ajudar de uma forma que talvez nem eu consiga. Incrível, né?

— Você consegue. Não quero me gabar mas... adoro os conselhos que você dá.

— É, mas ultimamente não venho dando nenhum.

— Vem sim. Fez isso agora.

Noto cada detalhe do seu rosto. A sua boca mais rosada do que de costume, seus olhos obscuros, alguns poros de sua bochecha, surpreso por ele estar falando que gosta de conselhos enquanto o aviso de que eu, ele, Márcia e Gui iremos sair no dia de amanhã.

— Sair? Para onde? — Tom me pergunta — não tem lugar aqui.

— Tem a floresta.

— De novo?

— Tom, ficamos só andando então, mas com cuidado para ninguém notar nossa semelhança.

— Certo, se eu não estiver com preguiça...

— Acho que você nunca esteve com preguiça de sair, só desânimo. É um dos fatores. Ei, tenho algumas missões. A primeira é te fazer sentir bem — digo fazendo ele dar um pequeno sorriso — e a segunda, que acabei de inventar, é que iremos, amanhã mesmo, achar o cara que matará mamãe e fazê-lo mudar de vida, o que acha?

— Isso vai dar certo, Tomás?

— Tentaremos, mas sem seringas no meio da história.

— Tá bom então... Vou tentar fazer um esforcinho. — Tom inclina a coluna para frente e apoia a testa em meu peito. — Hum! — ouço sua risadinha. — Você cheira bem.

— Depois de ir à escola, sair dela até o Gui e voltar embaixo do sol escaldante fico surpreso de ouvir isso. Aliás, estou com calor.

Tom olha para cima até encontrar meu olhar.

— Tira a roupa que iremos repetir aquele banho — Tom sussurra.

— Não faz isso comigo! Sou apenas um garoto inocente.

— Você era, até o dia na lagoa — e ele continua sussurrando.

— Ainda nem caiu a ficha. Foi tudo tão rápido.

— Queria algo mais demorado?

— Estou falando desde o dia que você chegou aqui, Naruto.

— Sim, Tomás. Conheci uma pessoa incrível que nem sabia que ainda existia.

— Eu também. É extremamente constrangedor falar isso, mas... — hesito.

— Mas...

— Acho que gosto dele. Daquele jeito...

Tom me olha como se soubesse de todos os meus peca... Não, espera! Como se... Nossa, isto é difícil! Ele me olha com cinismo no sorriso.

— É bom saber que existe alguém gostando de mim. Sabe, daquele jeito...

— Não disse que me refiro a você.

— Também não precisa. Sei o que sinto. Sabe quado olhávamos alguém e ficávamos o resto do dia pensando na pessoa e até em casamento?

— Sim. Quem nunca?

— Agora convivo diariamente com uma pessoa que aprendi facilmente a me importar.

— Eu realmente não sei se é por que eu vejo outra pessoa em minha frente, mas, no caminho para cá, eu refleti muito e, ao pensar em você, nos nossos momentos e conversas idiotas, percebi algo.

Levo meu rosto de encontro ao dele com os olhos fechados, fazendo nossos narizes se tocarem. Ponho minhas mãos em seu rosto e me pergunto, por um milésimo de segundo: "de onde eu aprendi essas manhas"?

— Diz — Tom sussurra.

Abro os olhos e ele estava certo. Eles são absurdamente lindos.

— Eu me amo!

Dizer isso deu uma desorganizada em meu cérebro. Não sei se foi romântico ou idiota, mas não importa mais. Eu o amo. Passei tempo suficiente ao seu lado para chegar a esta conclusão. Entendo seus desânimos e não posso e nem devo julgá-lo, não mais. Se for preciso moverei céus e terra por esse garoto, pois notei que a solução para os nossos problemas precisam partir de nós mesmos, que precisamos iniciar algo para que o problema tenha um fim. Espero ser sua solução.

"Por favor, não vai embora!"

***

Tom está na casinha vendo as estrelas pela janela. Mamãe assiste a mais um episódio dos Simpsons em sua poltrona. Ela acompanha a série desde sua estreia e faz questão de assistir a todos os episódios, assim como faz com Chaves. Cada qual com seu cada qual. Estou deitado no sofá maior ao lado dela, vendo os perfis do Instagram de certas pessoas e lamentando por alguns serem privados. Márcia postou inúmeras fotos exibindo seus cabelos rosados. Foto na arquibancada do jogo, foto no banheiro da escola, foto na rua ao lado de uma árvore, foto do prato do jantar com um espelho ao lado do objeto para sair seu cabelo refletido... Meu Deus!

Alguém bate na porta e mamãe se levanta para atender.

Continuo a mexer no celular quando mamãe me chama. Me levanto e vou até ela com desânimo no olhar. Eu não sou muito fã de visitas...

Na porta há um homem alto bonitão, negro e careca, forte e vestindo um terno escuro. Parece um agente do governo.

— Sou um agente do governo — ele revela com sua voz grave, chocando um total de zero pessoas.

— Este homem queria ver você, Tomás — Dona Sofia fala.

— Posso entrar? — ele pergunta.

— Não, você tem cara de gente suspeita... — ela segura a maçaneta da porta com força.

— Ok... — o homem robusto diz estranhando a fala de mamãe — sou o Agente C8.

— E isso lá é nome de gente? — mamãe questiona.

— Senhora, não posso revelar meu verdadeiro nome por questão de segurança internacional.

— Internacional?

— Sim.

— Nunca o vi por aqui — digo.

— A questão é que ninguém deve nos ver, jovem.

— Eu estou vendo.

— Quero dizer quando... Ah esquece! Senhora — ele fita a minha mãe —, já que o seu filho está aqui, desejo que chame o irmão gêmeo dele.

Minhas mãos gelam, meu coração acelera e sinto a pressão baixar.

"COMO É?"

— Como é? O Tomás é meu único filho, senhor.

Os olhos do tal do C8 brilham neste instante e ele diz:

— Senhora, não sei se está escondendo alguma informação de nós, mas...

— "nós"? — mamãe olha por trás dele e tanto ela quanto eu vemos alguns outros homens de terno parado em frente à casa ao lado de três carros pretos.

— Mas seu filho esconde um viajante do tempo em casa.


Notas Finais


Oi narcisos, oi narcisas!

Perdão pela grandiosa demora, mas está aí! O próximo capítulo não irá demorar, pois já está sendo escrito.

Até breve e obrigado por lerem! 💙💙💙💙💙


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