História Narcisos - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Adolescente, Aventura, Colégio, Drama, Escola, Jovem, Original, Romance, Teen
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Palavras 1.732
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção Adolescente, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Reflexo


Fanfic / Fanfiction Narcisos - Capítulo 5 - Reflexo

Tempo.

Ele não passa rápido como muitos afirmam. Só olhamos para trás e temos essa sensação. Então vem a saudade da infância, saudade das brincadeiras com os primos na casa da avó e os colegas de turma do primário. Não lembro mais do nome da maioria. Passei ótimos momentos com pessoas que, provavelmente, jamais verei outra vez e isso é triste. Torço para que sejam adolescentes maravilhosos agora.

Gui está ao meu lado na arquibancada vazia da quadra de futebol vendo os garotos jogarem, treinando para uma partida decisiva de final de ano. Enquanto o meu amigo presta atenção no jogo, eu apenas presto atenção nele. Não quero perdê-lo quando sair daqui. Não quero perder a Márcia. Fiz vários amigos no ensino médio, mas os dois são os meus melhores. Quero tê-los comigo para o resto da vida e quando terminamos o colégio farei o possível para sempre nos encontrarmos pelo menos uma vez na semana.

E acabo de lembrar que o tempo aqui está acabando para nós. Ano que vem irei para o terceiro ano e será o nosso último no colégio, mas já sinto saudades.

Amo este lugar. Não venho aqui para estudar, não minto. Muitas vezes as aulas são interessantes, mas me levanto todos os dias para ver os meus amigos, prestigiar o cenário escolar onde passo quase nove horas por dia. Sei que o tempo vai passar e chegará o dia de aula que será o último, mas tentarei aproveitar enquanto ele não chega.

— Para a direita — Gui grita, me assustando, para um dos meninos que estão jogando.

Sei que no fundo ele está com uma raiva desgraçada da vida. Gui é um dos melhores jogadores do colégio, mas parece que a sorte não está ao seu favor nos últimos dias.

Semana passada, quando acordou para ir ao banheiro de madrugada, no escuro, bateu com o dedo mindinho do pé no sofá. Não foi qualquer batida. O sofá até saiu do lugar. No dia seguinte recebi a notícia que havia sangue e lágrimas no chão da sala. Eu até ri da situação. Até agora o pobre garoto está com o pé enfaixado, sendo que semana que vem, uma antes das provas finais começarem, haverá a grande final do campeonato contra um time da escola vizinha.

Nunca fui fã desse lance de uma pessoa ficar passando uma bola para outra, mas assisto quando posso. É divertido.

— Para a direita, Yago! — Gui põe as mãos na cabeça, nervoso.

— Calma cara — ponho a mão no ombro dele — daqui a algum tempo você vai poder jogar quando conseguir a sua prótese.

— Eu vou te empurrar arquibancada a baixo, Tom.

— E quem vai te ajudar a andar depois disso? — pergunto rindo, feliz da vida. Adoro um humor negro nas horas vagas.

— Tom, e se eu não conseguir me recuperar antes da final?

— Vai sim, cara. Eu sei que vai.

— Espero que sim. Por enquanto só enfio minha cara nos livros para tentar me distrair, mas vez ou outra penso no jogo. É o que mais me preocupa agora. De acordo com as minhas médias, já passei de ano mesmo. — Ele adora se gabar. Típico.

— Também estou torcendo por você. Mas você vai jogar deitado, não vai?

— Como assim? — Gui fica confuso.

— É que todas as vezes que você der um chute, cairá na certa.

— Ah seu filho de uma...

— Não ofenda a minha mãe — o interrompo —, se não eu que irei te jogar lá embaixo — digo de uma forma serena, com um tom de superioridade.

Continuamos assistindo o treino, atentos com a partida.

Estou torcendo para o time azul. Não gosto muito do pessoal que faz parte dele, mas azul é minha cor favorita. Gui deve estar torcendo por qualquer um. O garoto só quer ver a bola rolar e dar o apoio necessário aos seus colegas do time.

Olho para o lado ao notar a aproximação de Márcia. A garota se aproxima a passos lentos enquanto faz uma careta de desgosto ao ver os garotos jogando. Dificilmente isso acontece, mas hoje ela está com o seu cabelo loiro amarrado. Se acha mais bonita com ele solto, apesar que a danada fica linda de qualquer jeito.

Ela passa a mão em meus cabelo e senta ao meu lado.

— Oi maridos! Não acham isso decepcionante? — Márcia nos pergunta.

— O quê? — Fico curioso.

— Os garotos do time. Venho aqui já sabendo que é um treino, logo são apenas os meninos desta escola jogando uns contra os outros e encontro todo mundo fardado. Cadê o time sem camisa?

— Invada o vestuário deles daqui a pouco — Gui sugere entediado com a fala dela.

— Mais uma vez? — Márcia ri — estava procurando vocês. Disseram que estavam aqui.

— Márcia! — olho para ela com os olhos arregalados após sentir o seu hálito — você trouxe bebida para o colégio?

— Mais uma vez.

— Como é? — Gui a olha também — sabe que é muito errado, não sabe?

— Meninos, menos, por favor! Não é para tanto.

— E aquele lance de se controlar, moça? — a lembro.

— Está funcionando. Só tive uma pequena vontade hoje. Não se preocupem, não vou morrer. E se acontecer, ponham Just Give Me A Reason para tocar no meu velório.

— Eu quero um celular no meu caixão — falo, deixando a dupla um tanto confusa — vai saber se os meus órgãos irão parar de funcionar temporariamente e eu volte a vida quando estiver debaixo da terra... Quero me garantir tendo alguém para chamar se precisar.

— Isso é sério? — Márcia ri.

— Qual é? Cada um tem suas paranóias.

— Eu não tenho — Gui diz observando o jogo atentamente.

Assim é o meu dia a dia. Sempre a mesma coisa. Acho que o botão de reply do controle remoto da minha vida travou. Não tenho muitas coisas para contar e provavelmente não terei por muito tempo. Estou esperando o ensino médio acabar para começar a fazer algumas loucuras com o futuro salário que conseguir em algum emprego. Contudo, não nego que amo a minha vida um tanto pacata. Sempre gostei da calmaria, apesar dela acabar sempre que Márcia se aproxima. Aliás, eu era uma pessoa calma, contida. Sabe aquele ditado onde te aconselha a fugir dos quietinhos? Então, ele é real.

Conheci Márcia e aprendi muitas coisas com ela. Me soltei de uma forma que nem esperava. Comecei a me permitir. Sou uma das pessoas que fazem a alegria da sala, o que era bem diferente no fundamental. Márcia, mesmo sem perceber, foi minha professora de piadas, ironias e brincadeiras. Peguei muita coisa com ela, menos o romance com a bebida alcoólica.

Essa pergunta pode parecer estranha, mas... vocês já andaram de bicicleta? Digo, de verdade? Apreciar cada brisa que toca o seu rosto? Sentir uma leveza? Um tipo de liberdade? É o que eu sinto quando estou sobre a Mike, a bike. Nome maneiro, não?

Mesmo sem perceber, meus lábios formam um sorriso quase imperceptível enquanto pedalo. É estranho, porém fantástico.

Penso em chegar logo em casa, abraçar minha mãe e quebrar a promessa diária de ir dormir cedo, mas acho que mamãe ainda não chegou. Ela trabalha como enfermeira no hospital da cidade. Dificilmente ela me dá um horário certo da sua chegada. Eu mesmo cozinho quando necessário. Não é a melhor comida do mundo, mas, apesar da vontade, também não chego a vomitar. Mamãe ama me iludir falando que a minha comida é quase melhor que a dela. Antes até podia acreditar, mas não agora depois que fui tentar assar um frango e ele ficou na forma líquida. Por gentileza, não me pergunte como isso aconteceu, pois também não faço a mínima ideia.

Me aproximo de casa. Ao longe noto a porta aberta e... tem alguém sentado no chão da porta, é isso mesmo? Que não seja um ladrão vigiando se tem alguém vindo, por favor! Não posso morrer agora. Não sou fã desta ideia.

Percebo que a camisa azul do garoto é a farda do colégio onde estudo.

Na medida em que me aproximo vou arregalando os olhos observando o garoto e... Dai-me forças, Superman! O cara é fisicamente igual a mim. Tudo com exceção do cabelo. É como se tivesse um espelho em minha frente.

Provavelmente a cena não está sendo bizarra apenas para mim. O garoto me olha embasbacado, boquiaberto enquanto me observava.

Quando percebo é tarde demais...

Bato com o pneu dianteiro da Mike na cerca de casa e, com a força da batida, voo por cima da cerca, arranhando um pouco a barriga e as pernas, caindo no gramado ao lado do meu clone.

Ele se levanta para tentar me ajudar, mas logo também me levanto e me afasto. Ele me olha de cima a baixo, curioso e assustado. Nos olhamos por alguns segundos, sem entender absolutamente nada do que está acontecendo. Pelo menos eu não sei.

"Todo esse tempo tenho um irmão gêmeo e mamãe nunca me contou? E ainda roubou minha segunda farda lá dentro, pois nunca o vi no colégio."

— Não se assuste — ele tenta me acalmar, apesar de estar tão nervoso quanto eu.

— Vo-você é igual a mim. Claro que vou me assustar ao ver esse ros...  Caramba! É assim que as pessoas me vêem? — digo e noto que ele deve ser uns dois centímetros mais alto que eu.

— Estamos no dia 9 de novembro de 2017, certo? — ele me pergunta e noto a ansiedade em sua fala. Dou um passo para trás tentando ver por trás dele alguma boa alma para me ajudar, mas a rua é mais deserta do que escola no dia de aula com meio período.

— Sim... — respondo desconfiado — olha, vou direto ao ponto. Quem é você? — pergunto, mesmo já sabendo que é o meu irmão que apareceu como mágica na porta de casa, provavelmente procurando mamãe.

Ele respira fundo me olhando atentamente, causando um constrangimento e diz:

— Sei que isso vai te deixar um pouco desnorteado, pois acredite, te conheço, mas... — ele dá uma pausa prolongada, me deixando ainda mais impaciente. Vejo que meu clone está de pernas bambas. — Eu sou você.

— Fo-foi mal, mas acho que não entendi. — Volto o passo em sua direção.

— Em resumo, vim do futuro, um ano a frente.

O observo, agora, mais assustado. Esse sujeito não pode estar falando a verdade. É impossível um outro eu ter viajado no tempo, pois o meu futuro ainda não existe, não foi moldado. Não faz o menor sentido.


Notas Finais


Oi narcisos, oi narcisas!

Passado e futuro se colidiram. O que podemos esperar das interações dos "dois"?

Em breve...

Obrigado por lerem! 💙💙💙💙💙


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