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História NaruHina - O tempo e a gente - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Oi gente, então, essa aqui é bem dramática, e como justificativa eu devo dizer que estou de TPM :')

Outra observação: é muito comum, ainda mais hoje em dia, parceiras e até mesmo parceiros se sentirem insuficientes para o outro. Baixa estima em uma relação é um fato que tende a marcar mais presença a cada momento, e temos que começar a mudar isso, certo? A pessoa certa para você, te aceita como é. A pessoa certa vai te amar mesmo que tenha outras opções, opções essas que ela certamente vai ignorar e nem lembrar que um dia existiram.
Sinceramente, foi fácil escrever um pouco desse drama pois é o que mais acontece comigo, eu sei o quanto dói sentir-se insuficiente, mas também sei que a pessoa certa vai SEMPRE lutar contra suas inseguranças e te induzir a sorrir e a se aceitar, de pouco em pouco <3 Além disso... a pessoa certa, pode também ser você mesmo :) Valorizem-se <3

Capítulo 1 - The drama queen


Uma simples e inocente pergunta acabou trazendo enormes problemas.

Naruto conseguia lembrar-se claramente do estopim, conseguia lembrar-se da agonia que veio para ficar.

E, mais do que nunca, conseguia derramar lágrimas ao constatar que talvez sua relação estivesse, de fato, arruinada.

Levantou a cabeça e, com dificuldade, virou-a o máximo que podia para trás. Sim, Hinata havia voltado a dormir com ele, não mais no quarto de Himawari. Porém, estava de costas para ele, e dessa vez, não era um convite para que fosse abraçada ou para dormirem de conchinha. Não. A intimidade, aos poucos, estava indo embora, e Naruto não conseguia consertar a situação. Ainda.

Decidiu levantar-se e conferir se sua caçula estava mesmo dormindo. Desde que as coisas foram de mal a pior, a mais nova não conseguia mais dormir e chorava constantemente, acreditando que era tudo culpa dela. É culpa do papai, meu anjo... seu pai é um idiota. Além de tudo, seus dois filhos adoeceram. Segundo Ino, fazia tudo parte de um conjunto emocional que acabou desencadeando sintomas de gripe. Segundo Sakura, era virose. Naruto não fazia questão de descobrir quem estava certa, só queria que seus filhos melhorassem, assim como as coisas com Hinata voltassem ao normal.

Silenciosamente, o loiro recostou-se à porta entreaberta do quarto de sua filha. Confirmando suas suspeitas, a mais nova não havia dormido, e estava utilizando a luz de seu abajur para completar seu desenho, a arte que fazia há dias. Naruto nunca foi paciente, e por isso dia após dia continuava a verificar cada novo detalhe que surgia na folha de sua menininha. Era um pedido de desculpas com muito glitter e cores, além de fios de cabelos de seus pais. Naruto se perguntava onde diabos Himawari havia conseguido tantos fios, e tinha medo de descobrir. Com ajuda de cola, macarrão, cabelo e sementes de girassóis, a sua pequena criança fazia uma espécie de salada estranha, colando cada objeto recolhido em forma de um enorme coração, onde no centro estavam seus pedidos de desculpas e seus tão adorados detalhes purpurinosos.

Tão doce quanto a mamãe...

— Você vai dar o remédio à ela? — a própria perguntou, assustando seu marido. A senhora Uzumaki sentia-se satisfeita pelo fato de saber que seu marido não podia ouvir os batimentos de seu coração, devido à distância em que estavam. Estupidamente, deixou-se levar pelo momento. Suas paranoias sempre foram guardadas à sete chaves em seu coração, afinal, no fundo ela sabia que não tinha o que temer. Seu marido sempre provou seu amor por sua esposa, e a vida com ele era tão fácil quanto respirar. Porém, graças à promoção tão sonhada em seu emprego (finalmente Naruto conseguira tornar-se chefe de seu departamento na CIA!), o loiro passou a ter outras prioridades, o que, claro, era muito importante. Porém, Hinata nunca teve uma estima elevada, e por isso passou a surtar internamente ao se deparar com o número de noites que Naruto dormia fora, por estar sempre em reuniões com suas secretárias e colegas de equipe. E o pior: ela não fazia ideia de quem eram as mulheres que faziam companhia a seu Uzumaki!

Talvez estivesse sendo ciumenta encubada e paranoica demais. Não acreditava em traição, não, isso nunca. Porém, sabia que havia ao menos 0,000001% de chance do amor da vida de Naruto não ser ela, e sim uma de suas companheiras de trabalho. Que por sinal, deveriam ser muito mais interessantes, é claro! O que Hinata seria ao se comparar com assistentes da CIA? Fala sério!

E, mesmo quando o Uzumaki estava em casa, não tinha tempo para sua esposa. Dava a devida atenção a seus filhos, jantavam em família, ajudava Hinata nas tarefas domésticas e, quando a noite de fato caía... ele dormia.Ela tentava entender, sabia o quanto devia ser cansativo e tentava apoiar ao máximo seu esposo, mas não deixava se sentir-se abandonada. Queria passar um tempo à sós com Naruto, queria sair com ele, queria tocá-lo. 

Tudo isso há um mês.

— Pode me ajudar? — questionou, despertando sua mulher de seus próprios devaneios. Sentida, ela aceitou, abrindo um pouco mais a porta à sua frente e chamando a atenção de sua filha.

— Mamá, papá! — alegrou-se, cortando o coração de seus pais sem nem ao menos perceber — Que bom que vieram juntos, assim eu vou melhorar mais bem!

— Mais rápido, meu amor — Hinata corrigiu-a, dirigindo-lhe seu sorriso mais doce. Os dois adultos cuidaram de sua mais nova em harmonia, e quase não daria para perceber o clima tenso que rolava entre os dois. Puseram Himawari na cama (que dormiu, pela primeira vez em dias, bem), e fizeram o mesmo procedimento com seu filho mais velho, que encontrava-se jogando. A situação estava tão precária que nem Hinata quis implicar com o fato de Boruto estar jogando até tão tarde da noite, o que assustou-o.

— Mãezinha, paizinho — chamou antes que os dois saíssem de seu quarto — Por favor, não separem nossa família... eu sei que vocês se amam, papai só é lesado!

Naruto esboçou um sorriso, o que Hinata acompanhou.

— Não se preocupe, meu amor. Mamãe e papai não vão se separar, a menos que seu pai queira — confessou e saiu apressadamente do quarto assim que possível, com a desculpa de estar apertada, porém seu coração ainda  batia disparado. Talvez não devesse ter deixado escapar, mas estava cansada daquela situação... que ao invés de melhorar as coisas, apenas piorou. Talvez devesse voltar a ignorar o que se passava em seu coração.

Trancou-se no banheiro do quarto do casal, esperando sair do ambiente assim que tivesse a certeza de que Naruto adormecera.

Aproveitou a oportunidade para relaxar em um banho, onde deixou mais de uma vez lágrimas lavarem também a sua alma.

“Quem se ama faz o quê?”, Hima questionou entre o jantar de família. Franzindo as testas, Naruto e Hinata entreolharam-se curiosamente. “Eles, hum, vivem juntos”, foi a resposta do mais velho. “Só isso? Tão pouco?” a mais nova frustrou-se, dando sua segunda garfada no strogonoff. “É, Naruto. Só isso?!”, Hinata brincou, querendo tirar mais de seu marido. Ele sorriu de canto antes de prosseguir, sem tirar os olhos de seu amor. “Bom... eles se beijam, trocam carinhos, juras de amor, saem juntos, riem juntos e são muito parceiros. Quer dizer, se for amor de casal... qual tipo de amor você está querendo saber, Hima?”. Boruto e Hinata riram, Naruto sempre seria esse bobo atrapalhado. “Era esse mesmo, papá... queria saber como é quando um casal se ama” entristeceu-se e deu outra garfada. Os três demais acharam sua fala estranha, e apenas Hinata teve coragem de perguntar o que sua filha quis dizer com isso. Antes não tivesse perguntado!

“É que... papá... você me responde uma coisa? Fala a verdade?”, e cruzou seus bracinhos. Achando graça, Naruto acenou com a cabeça e continuou a comer, enquanto Hinata mantinha os olhos fixos em seu próprio prato, o qual curiosamente não havia comido mais de três garfadas. Boruto prestava atenção no assunto, embora não estivesse entendendo muito bem. “Quando foi que você parou de amar a mamá?” Bolt engasgou com a comida, Naruto passou a gargalhar abertamente e Hinata... deixou os olhos vazarem. Até mesmo sua caçula pensou uma coisa dessas... para onde iria sua relação com Naruto? Teria ele, finalmente, enjoado de sua grudenta esposa? “Ei, não diga uma coisa dessas. De onde tirou isso? Eu amo a mais que minha própria vida!”, respondeu desesperadamente, finalmente notando o estado de sua mulher. Como ela poderia ter chorado com uma coisa dessas? Ela estava... duvidando de seu amor? “Hinata...?”

A mulher limitou-se a levantar e a correr para longe da família, evitando que seus filhos a vissem em seu pior estado. Ainda sem reação aparente, Naruto finalmente tomou as rédeas da situação e pediu para que Boruto ajudasse com as louças e fosse dormir, indo então atrás de Hinata. Chamou seu nome pela casa inteira, mas não era correspondido... até que ouviu soluços e os seguiu até o jardim. A mulher estava entre seu canteiro de rosas, encolhida enquanto chorava copiosamente por cima de seus joelhos. “Hinata! Você está se machucando!” exclamou ao notar espinhos e sangue pelo braço e rosto de sua mulher. Adivinhou que seus pés, que estavam descalços, também estavam feridos. “Amor, vem” pediu mais uma vez e, por fim, adentrou o espinhoso espaço e cuidadosamente recolheu a mulher em seu colo. “O que está acontecendo, hime? Para de chorar...”, era o que insistentemente pedia, até que chegaram à seu quarto. Deixou-a sentada no vaso sanitário e trancou a porta do quarto, voltando em seguida ao banheiro. A mulher havia levantado e trancado a porta do banheiro assim que Naruto dera as caras, forçando-o a bater à porta incessantemente. “Abre, por favor! O que está acontecendo?! Hinata! Hinataaaa!” A Uzumaki abriu alguns momentos depois, no mesmo estado de antes, porém seu semblante era sério. Semblante este que fizera Naruto arrepiar-se dos pés à cabeça. Os dois sentaram-se na cama e Hinata finalmente expôs todas as suas inseguranças de forma severa, de forma que ele mal pôde ter reações ou expressar o que realmente desejava. Não era nada daquilo que Hinata estava falando, era sem cabimento algum. No entanto, a mulher estava completamente convicta de que suas paranoias tinham fundamento, e usava insistentemente o argumento de sua filha, a qual havia percebido a frieza do casal. Naruto sentiu suas palavras como se fosse um tapa em sua cara, e culpou-se por não ter dado bola aos conselhos de seus próprios amigos de trabalho, que insistiam que o loiro poderia tirar alguns dias ou horas de folga para dar atenção à família e à sua mulher. Não só os amigos do trabalho como também de infância, que sempre se voluntariavam para ficar com seus filhos, caso Naruto e Hinata quisessem tirar uma segunda lua de mel. Entretanto, o loiro estava confiante de que sua mulher não estava mais interessada nesse tipo de programa, tendo em vista que mal tinham tempo. Hinata era uma assistente social renomada pela cidade, sempre requerida em todos os assuntos que permitiam sua presença, e o loiro orgulhava-se muito disso. Não queria de forma alguma ser obstáculo para o sucesso de sua ex Hyuuga, bem como ela não queria prejudica-lo também. Pelo contrário, dedicava-se 100% ao seu emprego por querer dar a melhor das vidas à sua família, a qual tanto prezava.

Entretanto, o casal não se resolveu, pois a mulher recusava a aceitar que os argumentos não passavam de mentiras, que não passavam de histórias inventadas por ela mesma. “Céus, acredite em mim, Hinata!”, implorou, sem saber o que fazer. “Estamos juntos há 14 anos, pelo amor de Deus! Tira isso da cabeça, eu te amo! Himawari é muito nova ainda para entender esse tipo de coisa, não dê bola” “Não dar bola à opinião de nossa filha?! Naruto!” “Não foi isso o que eu quis dizer” E assim a noite prosseguiu, pela primeira vez depois de anos o casal estava brigando. Eles só não imaginavam que, por trás da porta, Boruto e Himawari choravam silenciosamente e abraçavam-se, imaginando que o pior estava por vir. “Foi culpa minha, Bolt?” “Não, Hima...”

Por fim, Naruto cedeu a discussão e tentou abraçar sua esposa, numa falha tentativa de acamá-la. Já estavam há horas discutindo, e Hinata não parava de chorar, para o desespero de seu parceiro. “Naruto, me desculpe. Eu nunca quis te decepcionar, mas eu já esperava isso... B-Boa noite”, e saiu de seu quarto, flagrando seus filhos no corredor. Então, eles tinham ouvido... e acabaram adormecendo abraçados. “Vão ficar doentes”, pensou imediatamente. Naruto aparecera instantes depois, e juntos colocaram seus filhos em seus respectivos quartos. No entanto... Hinata permaneceu em um dos quartos, deixando Naruto sozinho com seus pensamentos.

 

Despertou. Ela tinha mesmo adormecido ali?! Tentou se lembrar de como isso havia acontecido. Provavelmente assim que encostou na porta e sentou-se no chão, no intuito de escutar se Naruto tinha ido ou não dormir. Espiou pela pequena janelinha do banheiro, o céu estava tão escuro quanto seu bairro, confirmando as suspeitas de que já era tarde da madrugada, e saiu sorrateiramente do banheiro.

Infelizmente, ou felizmente, Naruto ainda estava à sua espera.

— Precisamos conversar, Hinata. Não pode fugir para sempre!

O loiro queria fazer pose de forte, mas no fundo estava morrendo de medo. Medo de perder quem ele mais lutou para ter ao seu lado, medo de não ter valorizado-a o suficiente, medo de não ter sido o que ela esperava. Não sabia o que faria se sua pequena quisesse deixar seus braços, não conseguiria lidar com isso. Não, de jeito algum. Daria um jeito nisso, desistir nunca foi uma opção para Naruto Uzumaki.

E, assim, teve uma ideia.

— Hinata, vista um casaco. Estamos saindo — avisou, calçando seu par de tênis e vestindo seu moletom laranja. A morena continuou intacta, e Naruto pôde pela primeira vez em dias verificar de perto como sua mulher estava. Olheiras profundas, assim como as dele, e as cicatrizes causadas pelos espinhos de suas rosas estavam em processo de desaparecimento. Algumas estavam tão claras que podiam facilmente passar despercebidas pelas pessoas. Bom, exceto por Naruto... ele não deixava nenhum detalhe de Hinata passar. Nenhum.

Hinata era como sua salvação, era o que mantinha-o preso na Terra, era a razão dele ter sã consciência. E, sem ela, o que ele faria? Como lidaria? Como seguiria sua vida? Não fazia ideia, e não queria descobrir.

O casal seguiu silenciosamente pelas ruas de seu bairro. Optaram por não irem de carro, por medo de acordarem as crianças. Hinata sentia um frio na barriga, não sabia o que Naruto estava tramando e nem tinha coragem de perguntar.

Por fim, pararam no jardim dos Yamanaka, fazendo com que um enorme ponto de interrogação crescesse sobre a cabeça da ex Hyuuga. Que diabos Naruto estava pensando? Isso não era crime?

— Não façam barulho, Inojin está dormindo — Ino pediu ao aparecer alguns minutos depois em sua janela, fazendo com que Hinata se desesperasse. Naruto estava fora de si! — E, Naruto? São as da esquerda. Estão separadas. Boa noite, Hina! Te vejo na reunião amanhã.

— O-O quê...? — a perolada estava mais perdida que nunca. De tudo o que estava acontecendo, só havia associado a última frase de sua amiga, que de fato encontraria no dia seguinte em uma reunião de pais e professores. — Naruto! — ralhou ao ser agarrada, mas o marido ignorou e a levou para outro lugar assim que tinha uma cesta lotada de flores em mãos. O destino final havia sido o próprio quintal dos Uzumaki, fazendo com que a cabeça da mulher desse mais um nó. A essa altura, ela achou que não podia mais se surpreender, então só deixou-se seguir o loiro.

Naruto delicadamente conduziu sua mulher até certo ponto do quintal, como se estivesse se preparando para tomá-la em uma valsa. Esse simples pensamento passou pela mente dos dois, o que os levou a lembrarem de sua festa de casamento. Com isto, Naruto sentiu-se ainda mais confiante e prosseguiu com seu simples plano, passando a espalhar lírios brancos em volta de sua amada. Hinata girava sob seus calcanhares, tentando acompanhar o raciocínio de seu marido, mas não lhe vinha à mente ideias racionais. Então, viu-se cercada por muitos lírios, formando um enorme coração no centro de seu quintal, ao lado do jardim.

— O que está fazendo?

— Estou te cercando com o meu amor. Não posso te obrigar a nada, mas nada me impede de te manter consciente de meus sentimentos. Aprendi isso com alguém muito sábio, e só vi sentido nessa frase quando entendi meus sentimentos por você. Pode ser que seja apenas um drama de casal, mas quero aproveitar para te provar mais uma vez que minhas intenções são todas com e sobre você.

Naruto sentou-se à borda do coração de lírios, observando atentamente cada detalhe de sua esposa, que estava radiante a seu ver mesmo com a fraca luz da lua. “Você é a minha própria Lua”, ele pensou enquanto sorria, apaixonado.

— Meu trabalho... eu só estou onde estou, porque eu tenho você. A mesma Hinata que me incitou a não desistir, quando estava prestes a sucumbir às pressões. A mesma Hinata que traz à tona a melhor versão de mim. A mulher que se tornou a mãe de meus maiores tesouros... eu devo tudo à você, hime. Não há mulher no mundo que possa chegar a seus pés, mesmo que seja tão anãzinha — brincou na tentativa de arrancar um sorriso da mulher tristonha. Conseguiu.

— Eu só... não me sinto o suficiente, Naruto. E se você tiver cometido um erro? E se existirem outros universos, onde existem outros você, e nenhum...

— Em todos eles, eu estaria casado com você — interrompeu-a sem nem ao menos pensar. Ele tinha certeza disso. — Em qualquer multiverso! Meu coração está ligado ao seu, hime. Não vai escapar tão facilmente de mim — sorriu abertamente, embora estivesse contagiado pela bela visão que tinha, e seu amor passasse a escorrer pelos olhos azuis.

Hinata abaixou o olhar, sentindo-se culpada por todo o transtorno, e ajoelhou-se no centro do coração.

— Você pode... — tentou dizer, mas não sabia como. O loiro a entendeu, e logo estava à sua frente, ajoelhado com sua esposa. Ambos colaram suas testas geladas pelo frio, e suas bochechas úmidas por lágrimas. — Desculpe. Você sempre foi a luz que me guia, Naruto. Eu sou encantada por você, e grata por ter alcançado o seu amor... não sou tão merecedora.

O loiro pôs seus lábios nos dela, apenas para que ela não falasse mais besteiras.

— Você não entende, não é? É você, Hinata. Sempre foi você. Não tem mulher mais certa para mim, que você. A única possível. O tempo passou tão rápido, e a gente continua aqui. Não acha que se não fosse pra ser, não teríamos esse tipo de sensação? — questionou, tirando as palavras da boca da mulher, assim como o fôlego. — Talvez eu tenha entendido o questionamento da Hima, afinal. No fim das contas, ela pode ter razão — confessou, afastando-se ligeiramente do rosto da senhora Uzumaki, que agora mantinha uma expressão de choque e terror. — Talvez meus sentimentos tenham ultrapassado os limites do amor, e agora não temos uma palavra que possa expressar 100% o que se passa aqui — tocou com as mãos de Hinata seu peito, indicando que ela devia sentir seu coração palpitar — por você. Então, Hinata Uzumaki, eu deixei de te amar, pois o que sinto por você é humanamente impossível de descrever.

A mulher sorriu, radiante. Havia se esquecido de como seu marido a fazia se derreter feito uma adolescente apaixonada.

O loiro olhou para trás por uns instantes, e voltou sua atenção à mulher, acompanhado de um sorriso de lado. Olhou para baixo e balançou negativamente a cabeça, como se risse de uma piada interna, e voltou a encarar as pérolas na face de sua amada.

— Na verdade, apenas duas coisas no mundo podem ser capazes de simbolizar o que sinto por você. — beijou a mulher delicadamente, sentindo que a ex Hyuuga derretera-se sob o efeito do beijo, assim como ele. — Himawari e Boruto, o que estão fazendo acordados, hm?!

— C-Como? — os pequenos apareceram diante do casal, sonolentos.

— Papai é o mestre do pique-esconde, a gente deveria saber — Boruto chutou o chão, irritado. — Estávamos preocupados — confessou, e os pequenos foram puxados para dentro do coração de lírios. — Vocês vão se separar?

— Não nesta vida — Naruto exclamou, indignado.

— Muito menos em outras... — Hinata respondeu docemente ao lembrar-se da conversa de minutos atrás sobre multiversos, evitando encarar seu marido. Estava corando, exatamente como fazia há 14 anos atrás. E  Naruto sentiu-se nas nuvens ao constatar que ainda corria pelas veias de sua amada mulher sua antiga namoradinha tímida, que corava a cada olhar.

Juntos, receberam o tão trabalhoso pedido de desculpas feito por Himawari,que havia acrescentado também fios dela e de Boruto, enquanto Bolt fizera às escondidas uma panela cheia de brigadeiro. Hinata decidiu por dar a bronca por mexer com fogo sozinho mais tarde, pois estava completamente boba e feliz ao entender o que Naruto havia dito. Com certo pesar, a ex Hyuuga deixou seu cercado de amor e entrou com sua família para casa. Comeram o brigadeiro de seu filho mais velho juntos, e quando as crianças estavam novamente em suas respectivas camas, o casal pôde aproveitar o tempo a sós e se reconciliar.

Nada mais no mundo poderia representar o amor deles dois melhor que Boruto e Himawari.

E, mesmo quando Boruto finalmente saiu de casa, e Himawari seguiu sua vida um tempo depois, Naruto e Hinata continuaram a ver o tempo passar e aumentar seus sentimentos. Para Naruto, se houvessem outras vidas, amaria Hinata em todas elas. 



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