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História NaruHina: Tale of Sunrise - Capítulo 101


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Capítulo 101 - The Spirit Carries On


Fanfic / Fanfiction NaruHina: Tale of Sunrise - Capítulo 101 - The Spirit Carries On

A transferência para o quarto foi tão rápida que mal puderam ver um Kakashi completamente sedado, agora com bandagens cobrindo os olhos. Naruto ao lado de Izumi aguardava fora do local enquanto Hinata e Kin voltavam a suas habituais vestimentas.
- É muito mais fácil tratar um ferimento grave do que isso. -Exclamou Sakura tomando fôlego e se atirando em um dos bancos. Surgira do nada, exausta.
- Mas foi um sucesso pelo visto. -Apontou Izumi, sua expressão era leve.
- Aparentemente sim. Não houve qualquer sinal de complicação aparente, mas só teremos certeza quando Kakashi acordar e tirarmos as bandagens.
- A quantidade de chakra próxima ao olho era impressionante. -Disse Hinata, chegando ao lado da garota Yamanaka. Naruto imediatamente caminhou até ela, envolvendo sua cintura com seu único braço. - Forçar esse chakra a se espalhar pelos demais tenketsus também foi bastante complicado.
- Se não fosse a Kin, eu estaria completamente às cegas. -Sakura sorria à garota, que corou. - Acho que em muito breve Kakashi estará bem e atuando novamente, mas vamos ter calma. Tsunade-sama disse que vai monitorar pessoalmente com Shizune ao longo do dia, então nosso trabalho aqui está terminado.
- Ainda bem, preciso de um banho e comer até passar mal. -Izumi já se levantava esticando os braços tensos. Todos riram.
O grupo agora caminhava pelo Hospital até a saída. De relance Naruto notou Hinata mais calada que o normal. Parecia perdida em pensamentos, mas resolveu não perguntar nada por enquanto.
Ao atravessarem a porta principal do prédio puderam avistar uma cabeleira avermelhada sentada metros à frente, cercada por sacolas. Karin os encarou com alívio.
- Tô aqui faz tempo. -Soltou com indignação. Sakura sorriu de lado.
- Já terminei tudo, podemos ir. -Respondeu já se adiantando ao grupo. Embora Sakura e Karin nada tenham informado aos amigos, Hinata já ligava os pontos desde conversas com Naruto. Sakura vinha agindo de forma estranha, distante de todos e muito calada, se esquivando dos companheiros. Karin por outro lado mal aparecia nos locais públicos. A garota Hyuuga sem dificuldade concluiu que só poderia haver duas possibilidades; estavam namorando ou planejando uma silenciosa saída da vila, não querendo despedidas.
- Então vamos. E Naruto, obrigada pelas instruções, o sapinho me explicou tudo. -Disse a Uzumaki, e Naruto assentiu.
- Pode levar a Sakura, só não se esqueçam de trancar tudo quando saírem. -Respondeu o loiro surpreendendo as garotas. Sakura imediatamente tomou boa parte das sacolas e saiu arrastando Karin, não queria ter que responder perguntas e não esperava que Naruto pudesse deduzir suas intenções com tão pouco. Hinata riu, enquanto Izumi entendia finalmente a situação.
Após a Uchiha se despedir e seguir um rumo diferente, Hinata e Naruto acompanharam Kin até sua casa no pequeno complexo Yamanaka. Ambos percebiam a timidez da garota, que nada dizia desde quando saíram do hospital.
Chegando ao destino, a mesma fez uma reverência, o que fez Naruto rir. As bochechas de Kin queimaram.
- Não precisa dessa formalidade toda. Você é uma companheira da folha, tá tudo bem. -Disse o loiro entre risos. Hinata se aproximou da menina e afagou seu cabelo.
- Depois passe lá em casa que te explico algumas coisas sobre Yin e Yang.
- Obrigada. -Respondeu se curvando novamente, mas rapidamente se recompôs constrangida, lembrando-se das palavras de Naruto. Então acenou e correu entrando no complexo. Naruto ainda ria leve com a situação.
- Ela aguentou muita coisa… -Disse Hinata, apertando o abraço na cintura do loiro. - Sabe, ela é muito fã da gente. De todos que voltaram vivos da guerra e garantiram esse período de paz. -Sua voz saía um tanto embargada, Naruto ouvia atentamente enquanto caminhavam a passos lentos. -Acabou se colocando uma pressão muito forte lá na sala de cirurgia, querendo ser útil pra nós… -Hinata soltou o ar dos pulmões. - Acabou transmitindo algumas lembranças diretas pra minha mente.
Naruto acenou entendendo agora a postura de Hinata momentos antes.
- Deve ser muito difícil perceber que seu corpo não reflete aquilo que você é. -Completou a Hyuuga.

 

Distante da Vila da Folha, Chouji mantinha os camaleões ocupados. Rapidamente compreendeu que, diferente do macaco com o qual lutou, os répteis não tinham ânsia em atacar, pareciam apenas reagir a movimentos bruscos, como se não conseguissem diferenciar as coisas que enxergavam.
Já em sua forma habitual, embora consideravelmente mais magro, o Akimichi mantinha-se parado ao centro da clareira desviando eventualmente das línguas dos animais que vez o outra saltavam entre si trocando locais. Seus olhos buscavam a melhor direção para fuga sem precisar batalhar, já estava cansado demais e Akemi poderia dar a volta por outro local.

 

No meio da mata, Akemi resmungava pelas dores que sentia. Duvidava que conseguisse prosseguir na missão após Kiba fazer seja lá o que fosse, mas estava satisfeita por finalmente estar colhendo as últimas plantas da lista.
A luz que antes surgia distante, há alguns minutos havia sumido exatamente sobre as ervas nada abundantes na região, apenas algumas mudas entre os arbustos. Akemi não fazia ideia do que poderia ser a tal luz, mas agradecia mentalmente a ajuda, era como se a mesma a tivesse guiado exatamente ao local.

 

Na caverna, Emi sentia-se mais fraca que o normal. Seu corpo doía e o chakra parecia agitado.

Já havia desistido de tentar convencer Kiba a dormir. Por um momento achou que o garoto havia desmaiado enquanto tinha as bandagens trocadas, mas percebeu ao longo do trabalho que ele apenas meditava.
O Inuzuka instruía sobre algumas marcas que a médica agora desenhava no chão com ajuda de uma kunai. Kiba também pediu algo com o qual pudesse amassar as plantas que Akemi traria, e Emi se viu tendo que abrir mão de um pote onde mantinha alguns preparados medicinais, agora já devidamente lavado e secando à pequena fresta de luz que entrava.
Tudo estava sendo trabalhoso e a mulher não podia evitar pensar que tudo isso não passava de capricho, que em outro momento desacordaria o agora tão frágil shinobi da folha e aguardaria reforços, mas deveria admitir a curiosidade sobre toa a situação. Parecia algo muito distante das práticas shinobi convencionais, embora como médica soubesse muito bem como diferentes tipos de ervas poderiam resultar em diferentes tipos de resultados, alguns completamente inesperados, mas o que o Konohanin pedia parecia tão absurdo... Respirou fundo, terminando finalmente as marcas descritas pelo Inuzuka.

 

- Então sua equipe já fugiu… -Pensava alto o homem protegido entre as sombras do escuro e úmido refúgio dos patifes.
Ibiki sangrava por várias partes do corpo. Seu rosto já inchado pelos socos e as marcas de queimadura em seu abdômen revelavam cada ação cometida nos últimos momentos. Via agora seu algoz satisfeito com suas respostas, após muita dor dissera o que o mesmo queria ouvir e a tranquilidade inundava sua mente. Era exatamente como imaginava, embora fossem nukenins problemáticos de se lidar, não eram profissionais. Sua tortura fora descuidada, apenas uma forma de infligir dor, não algo planejado e executado de forma a quebrar o prisioneiro. Seu plano aos poucos surtia efeito.
- Mas a Hokage deve ter enviado reforços, estou certo? -Perguntou a voz apertando uma profunda ferida na coxa de Ibiki, que gritou como forma de agradar seu torturador.
- S-sim… -Respondeu logo. - Mas não sei ao certo... de onde eles virão. -Completou e seu inimigo parecia satisfeito novamente.
- Tudo bem. Temos alguns presentinhos pra eles.

 

No meio do caminho, Shigeko analisava algumas sutis marcas. Embora muito pequenas, pareciam indicar uma direção agora desnecessária. Parecia uma sequência mal desenhada por pequenas patas, talvez de ratos. Uma formação completamente aleatória, em nada lembraria a ação costumeira desses pequenos roedores.
- Eles tentaram garantir que qualquer um do grupo pudesse encontrá-los, muito cautelosos. –Apontou a mulher se levantando aos pés de uma enorme árvore. Shino metros a frente parecia pensativo com outra coisa. – Sabe, não é nada atraente ignorar uma mulher dessa forma. Na verdade é bem perigoso.
O Aburame riu de canto com o comentário, mas em seguida apontou para uma deformação no tronco de outra árvore, onde seus insetos se aglomeravam. Shigeko apertou os olhos e imediatamente entendeu, saltando ao local enquanto Shino recolhia seus pequenos companheiros.

Era um minúsculo pergaminho, do tamanho de um dedo médio, escondido com um jutsu de selamento. A Amenin rapidamente analisou, concentrando chakra sobre ele. O objeto dobrou de tamanho e se abriu com um estalo.
Agora ao lado de Shino lia seu conteúdo. Um arrepio subiu pela espinha do garoto.
- Se colocar em tamanho risco... Ele é louco? –Perguntou Shigeko.
- Um pouco. –Respondeu o Aburame. – Mas é muito experiente, e se tudo ocorrer como ele descreve poderemos encurralar o inimigo.
- Assim espero, tô louca pra quebrar a cara de alguns nukenins.

 

Na sacada de um quarto de hospital, Tsunade observava o movimento de pessoas, as ruas lotadas àquele horário. Todas tão focadas em seus afazeres. Cada qual com seu pequeno mundo particular. Lembrava-se de quando também esteve presa em um pequeno mundo só seu, pensando estar protegida de tudo. Ledo engano. Na verdade esteve por anos acorrentada às lembranças e arrependimentos, presa em uma bolha de culpa em seu papel de mártir autoimposto.
- Você parece cansada, Tsuna. –A voz de Jiraiya tão próxima a seu ouvido fez a mulher sorrir. Os braços do velho pervertido já a envolviam com firmeza, o que ela adorava.
- Você nem imagina o quanto. Mas pelo menos consegui fugir do escritório por algumas horas. Onde esteve? –Perguntou virando-se e encarando o sorriso bobo do homem.
- O que é isso? Soa como ciúme. –Provocou o Sennin. – Estava escrevendo, você sabe.
- Ah sim... Contanto que não seja nada pervertido está tudo bem.
- Não se preocupe. –Jiraiya aproximou o rosto do ouvido de Tsunade, sussurrando. – Não vou espalhar nossas pequenas aventuras, Ero-Tsuna.
A Hokage enrubesceu, uma mistura de constrangimento e irritação pelo comentário, mas um sorrisinho de canto surgiu em seus lábios.
- Assim espero, ou você morre! –Sussurrou de volta antes de depositar um leve beijo no pescoço de seu homem.
Ficaram assim por algum tempo, apenas abraçados. Estava sendo mágico. As emoções do fim da guerra trouxeram uma necessidade quase obsessiva de largar velhos receios, Tsunade percebera que não havia problema em se deixar levar e viver o amor sem preocupações. Já estavam discretamente juntos há algum tempo, é verdade, mas agora não se importava mais em serem vistos como casal.
- Eu te amo, velho pervertido. –Disse com o rosto enterrado no pescoço de Jiraiya, que sorriu tão feliz quanto jamais imaginou ser ou sequer merecer.
- Também te amo, princesa Tsuna. Você sabe, desde sempre.
Ali, naquela varanda de hospital, os dois se beijaram intensamente. E Tsunade não podia negar que dentre todos os pequenos mundos que poderia viver, encontrou o melhor finalmente. Parecia um casal de adolescentes vivendo uma paixão explosiva. Ao separar o beijo, os dois se encararam e sorriram.
- E aquele presentinho, já terminou? –Perguntou com um sorrisinho maroto, Tsunade pareceu despertar uma lembrança.
- Sim, claro... Shizune está finalizando, acho que hoje mesmo estará pronto.
- Então irei avisá-lo hoje a noite.

 

Levou algum tempo até conseguirem retornar. Akemi deu a volta e aguardou Chouji se arrastar por entre os camaleões, tendo que afastá-los com o que restava de seu chakra hipercalórico.
Kiba sorria ao vê-los entrar na caverna, mas sentia-se culpado ao perceber a Hyuuga toda machucada. Seu coração apertou ainda mais ao vê-la sorrir para si.
- Trouxe tudo. –Disse a garota colocando a bolsa no chão e se sentando próxima a Emi. – Tivemos alguns contratempos.
- Se é que dá pra chamar aquilo de contratempo... Parecia uma emboscada. –Soltou Chouji. – Tô até agora tentando entender como aqueles animais surgiram... E não encontramos nenhum inimigo que pudesse ter feito a invocação.
A médica ouvia a tudo com atenção, parecia pensar.
- Selos que reagiram à algo. O mais provável é ter sido armadilha. –Explicou Emi após algum tempo. – Mas isso precisa de uma boa quantidade de chakra.
- O grupo que estamos caçando... Talvez tenham deixado isso pra retardar reforços de Konoha. –Concluiu o Akimichi irritado por só agora perceber algo tão óbvio. Emi acenou confirmando enquanto dispunha as ervas na frente de Kiba, que ainda encarava Akemi.
A garota Hyuuga se aproximou então, sorrindo.
- Tá tudo bem, foram só uns arranhões. Acho que apanhei mais da Hinata no exame chunnin do que daqueles camaleões. –Tranquilizou-o rindo. Emi agora se colocava atrás dela, começando a tratar os ferimentos em suas costas.
- Obrigado. Vocês três. –Os olhos de Kiba se enchiam de lágrimas, que inevitavelmente escorreram por seu rosto machucado. O garoto sem perder tempo começou a mexer nas ervas, colocando algumas folhas no pote e amassando com a empunhadura de uma velha kunai. Fazia todo o processo com os braços tremendo. Akemi vendo isso pediu para Emi parar o tratamento e se postou a auxiliar o companheiro.
- Cuide do Chouji, eu tô bem. –Disse com um sorriso.
- Na verdade... –Começou o Inuzuka, um pouco temeroso. – Gostaria que só ficasse a Akemi aqui comigo. –Pediu, e Emi revirou os olhos, já se levantando. Chouji a seguiu coçando a bochecha.
Os dois membros do time 8 amassavam ervas e apesar de toda a situação, não evitaram sorrir.

 

No meio da floresta, Sai já havia detectado a presença de dois companheiros e aguardava ao lado de Ino. Porém, de repente um grande conjunto de besouros surgiu carregando um objeto, largando-o nas mãos do garoto.
Era um pergaminho, que Ino se apressou em abrir. Seu longo conteúdo surpreendeu o casal.
- Agora tudo faz sentido. É por isso que Ibiki cortou nossa conexão mental, eles já o estavam monitorando. –Analisou Ino, e Sai assentiu.
- E poderiam rastreá-la a partir disso. Mas é um plano arriscado se deixar capturar. –Sai pensava. – Então é provável que eles pensem que nós dois fugimos, e aguardem apenas os reforços.
- Sim, mas pra termos espaço de ação furtiva, Shino vai ter que se revelar. –Retrucou a Yamanaka preocupada.
- Sim, mas não temos saída, vamos ter que seguir com esse plano. –Ponderou, colocando a mão sobre o ombro da companheira. - O fato de Shino e a garota de Ame serem ANBUs vai acabar nos ajudando, vão parecer reforços de ultima hora.
- Sim, só espero que eles e Ibiki fiquem bem...

 

Fora da caverna Chouji era tratado por Emi. O garoto não estava tão machucado quanto Akemi, apenas hematomas e lesões leves nos músculos, a médica já terminava.
O Akimichi um tanto ansioso puxou uma bolsa, remexendo por ela. De dentro, tirou o que sobrava da jaqueta de Kiba. A olhou com atenção por um tempo até começar a dobrá-la, foi quando sentiu algo sólido por baixo do tecido. Olhou dentro da vestimenta, encontrando um bolso escondido, dentro dele alguns papéis rasgados. Os retirou e passou a lê-los. Sua expressão mudava a cada linha, chamando atenção de Emi.
- Isso aqui... Kiba... –Respirou fundo. - Preciso enviar pra Tsunade-sama! –Exclamou, enquanto a Iryonin tomava os papéis curiosa.

 

Dentro da caverna os dois companheiros trabalhavam com certa pressa. Apesar de Kiba nada dizer, Akemi o via tentar acelerar apesar de seu corpo machucado. Só queria ajudá-lo, já era um alívio ele estar vivo, apesar de Akamaru.
- Poderia acender a fogueira? –Pediu o garoto, e ela acenou confirmando.
- Mas aqui vai ficar difícil de respirar...
- Não se preocupe. –Ele sorriu tranquilizando-a. Ela seguiu seu pedido.
A fumaça já subia depois de um tempo, Kiba terminava de pilar as ervas.
- E agora? –Ela perguntou atenta, amarrando um pano no rosto.
- Água. Não muita. Meio desse vasilhame. –Pediu, e ela mais uma vez atendeu.
Com a água no fogo, os dois se encaravam. Kiba sentia o coração acelerado, era tanta coisa, mas apenas Akemi poderia ajudá-lo nesse momento. A garota parecia tranquila, até feliz em estar nessa posição. Nem de longe lembrava a insuportável egocêntrica do início do time 8. Tanta coisa havia mudado... E foi estranho e inesperado vê-la mudar. Todo esse processo passou por sua ajuda, e de Kurenai. Shino àquela altura já treinava intensamente na ANBU, então não participou disso tanto quanto ele e a Sensei.
A derrota para Hinata, a humilhação, a mudança de visão de mundo em Neji, o clã se fechando contra seus próprios membros. Isso tudo acendeu algo na garota que se viu perdida, odiada, sozinha. Foi um período difícil, mas que aos poucos resultou numa profunda amizade que inevitavelmente cresceu... Kiba não era mais uma criança, embora suas atitudes dissessem o contrário. Viu e exaltou as mudanças na companheira, mesmo agora, enquanto ele mesmo se manteve idêntico àqueles tempos.
- A água tá fervendo. –Anunciou a Hyuuga, tirando Kiba de seus pensamentos.
- Coloque as ervas na ordem que eu for anunciando. –Pediu.
Akemi ouvia atentamente. Kiba parecia recitar baixinho algumas palavras incompreensíveis entre um pedido e outro, era estranho, mas ela não perguntaria nada até que tudo estivesse terminado. Preferia confiar nele e estar ali para qualquer coisa.
Conforme as ervas tomavam conta de todo o vasilhame de aço, o cheiro da fumaça ia mudando, assim como sua densidade. As chamas da fogueira dançavam aumentando e abaixando de intensidade constantemente. Akemi estava atenta a tudo isso e por um momento sentiu seus olhos pesarem. Os esfregou ouvindo agora Kiba recitar seus cânticos em um tom diferente.
- O amor é, de fato, uma força imparável da natureza. –Sussurrou uma voz próxima à Akemi, que se afastou assustada. –Ninguém pode acusá-lo de não ter bom gosto, moleque.
A figura sorria misteriosa à Hyuuga, que rapidamente percebera as características marcas do clã Inuzuka em suas bochechas.
- Essa é Mahina, ou o espírito dela, algo assim. É uma ancestral do meu clã. –Explicou Kiba, vendo Akemi estreitar os olhos.
- Ancestral? –Perguntou-se retoricamente. – Então isso tudo é realmente algum tipo de ritual no fim das contas. –Completou antes de ser derrubada por algo pesado. O latido veio em seguida a assustando. Akamaru já lambia seu rosto com carinho, arrancando lágrimas da jovem.
- Ela é mais esperta que você. –Disse Mahina se aproximando de Kiba. – Bom, temos pouco tempo. É realmente muita sorte existir alguém como ela na sua vida.
As palavras da mulher fizeram Akemi a encarar enquanto colocava Akamaru deitado em seu colo.
- Como assim? –Perguntou confusa. Mahina sorriu de canto.
- É preciso uma energia muito forte pra tudo o que vamos fazer. Energia que Kiba não tem na forma de chakra, mas há outra fonte em si. –Sua voz melodiosa parecia brincar com os dois. O garoto corou. – Como eu disse agora há pouco... O amor é, de fato, uma força imparável da natureza. Mas pra manifestar esse amor, seria necessário a presença daquela que desperta em Kiba tal sentimento. Ou seja, você.

 

O plano de Ibiki agora começava a se desenhar. Já distante na floresta, Shino e Shigeko se encaravam em um acordo silencioso. Era tudo muito arriscado, mas havia um desejo implícito pela batalha. Sorriram lendo perfeitamente um ao outro, era algo que só quem fazia parte da ANBU e alcançou um bom nível dentro da organização entenderia, algo no olhar.
- Vamos fazer como combinamos. Sem piedade, sem receio, somos melhores que um batalhão deles. –Pronunciou a Amenin, sorrindo. Sutilmente se aproximou mais do garoto, estando a centímetros dele. – Volte vivo, ainda quero mostrar muitas coisas pra você. –Completou antes de sumir em um shunshin. Shino apenas colocou sua máscara antes que pudesse expressar qualquer coisa, mas não poderia negar o arrepio que tomou seu corpo. Shigeko conseguia entrar em sua mente como ninguém.

 

Os Nukenins reunidos em circulo não pareciam representar grande perigo em um primeiro momento. Ainda sim a dupla ANBU resolveu agir com cautela, movimentando-se silenciosamente.
Todavia já sabiam por intermédio do pergaminho de Ibiki que quanto mais próximo dos patifes, maior seria a chance de serem detectados por uma barreira em domo que os cercava completamente. Ali era seu local seguro, e tudo isso se justificava primeiramente naquela barreira.
Exatamente por esse motivo, Shino fez o primeiro movimento. Primeiro, espalhou parasitas em pontos diferentes. Os mesmos se colocaram no exato local da barreira e começaram a sugar o chakra que a compunha, aumentando milhares de vezes de tamanho em segundos. Eram modelos especiais de seu Kidaichuu, besouros extremamente poderosos, mas que se moviam muito lentamente.
Com a aparição repentina os patifes se exaltaram, e foi assim que Shigeko agiu. Realizando selos de mão e batendo as palmas sobre o solo. De todo o local, várias cordas de água surgiam agarrando e prendendo os nukenins pegos de surpresa, permitindo um furtivo Shino terminar de capturá-los e desacordá-los. Não havia muitos, e com a ação rápida toda a clareira já estava vazia de inimigos.
Shigeko sorria satisfeita, porém Shino ainda parecia tenso. O Aburame se aproximou do último patife acordado e retirou sua mordaça.
- Tem mais de vocês? Onde? –Perguntou apontando uma kunai contra o pescoço do criminoso, que sorriu.
- Morram! –Foi sua resposta antes de morder a língua e cuspir o sangue contra uma árvore, que brilhou. De repente o mesmo acontecia em diversas outras árvores, e diversos sons estridentes e furiosos puderam ser ouvidos.

 

Alguns metros a frente da caverna, Emi se preparava para enviar a mensagem de Chouji até Konoha quando um forte vento vindo da gruta a desequilibrou. O Akimichi rapidamente correu até a entrada se segurando nas pedras contra o vento, encontrando uma densa barreira vermelha assim que o vento cessou.
- O que diabos...? –Se perguntou, enquanto Emi se recompunha.
- Isso tá ficando cada vez mais estranho, mas vamos focar nas informações. –Resmungou liberando seu pequeno pássaro mensageiro.

 

Akemi encarava Kiba, ambos completamente enrubescidos. Mahina revirava os olhos enquanto finalizava selos de mão, adolescentes sempre tão sensíveis a esses tipos de sentimentos...
- Ok. Vamos continuar. –Pronunciou-se, e a garota Hyuuga percebia agora uma energia que os cobria, uma espécie de barreira. A única fonte de luz sendo a fogueira que agora queimava calma. – Isso vai ser doloroso, mas quando acabar... –Sorriu, e Kiba acenou preparado para tudo.
O primeiro ato da mulher foi pedir que Akemi sentasse de frente ao que chamou de “namoradinho”, fora das marcas desenhadas no chão. O que foi prontamente atendido. Em seguida, ordenou que o garoto fechasse os olhos, lembrando-se de bons momentos.
No chão as marcas desenhadas não lembravam qualquer coisa que Akemi já tenha visto. Akamaru com alguma segurança se posicionava entre ela e Kiba, suas patas encaixavas dentro de losangos perfeitos e interconectados às linhas em torno de onde Kiba estava sentado.
Mahina agora caminhava em círculo, dando voltas em torno do garoto e recitando algo indecifrável.
Algumas voltas e a mulher parou abruptamente exatamente entre Akamaru e Kiba. Em suas mãos um vasilhame com ar ervas, Akemi não conseguia lembrar quando ou como ela as pegou nesse meio tempo.
Mahina após mexer nas ervas se inclinou com os braços abertos, uma posição estranha, cada braço indo às testas dos dois companheiros e marcando listras verdes. Kiba abriu os olhos nesse momento, revelando apenas o branco do globo revirado, como se estivesse sendo possuído. Estava em um transe violento, o que arrepiou Akemi, mas ela se segurou tentando confiar no estranho método que Kiba parecia ter concordado. Mahina sorriu vendo a apreensão da garota.

Das linhas de ervas desenhadas na testa de Kiba, listras verdes começaram a se espalhar até cobrir todo seu rosto, se unindo na ponta do queixo e descendo pelo pescoço. As linhas desciam mais e mais, se multiplicando em formas que lembravam as desenhadas no chão. Akemi olhava atenta como elas tomavam o peito direito e os ombros até as extremidades. O abdômen já estava tomado quando percebeu que o dentro do peito do garoto se mantinha intocado, com as linhas formando um losango em torno da região. A estranha ancestral continuava seu cântico cada vez mais esquisito e sombrio.
As linhas verdes agora saiam dos pés de Kiba alcançando todos os desenhos marcados no chão de pedra. Avançavam, mais e mais até encontrarem Akamaru, que também foi tomado pelos estranhos desenhos, até sua testa.
Nesse momento Mahina estancou atrás de Kiba.
Akemi que encarava a tudo com atenção sentiu seus olhos pesarem como da outra vez. Tentou se manter atenta, mas dessa vez era como se sua energia estivesse sendo drenada. Apoiou as palmas no chão sentindo-se fraca quando de relance viu a cabeça de Kiba erguida, a boca aberta como se tentasse gritar, mas nenhum som saia.
- O... que? –Balbuciou a Hyuuga tentando se mover, mas nesse momento já se encontrava caída de lado, sem qualquer força, apenas os olhos abertos vendo o losango no peito do companheiro se fechar e de lá marcas vermelhas saírem, como se aquelas linhas verdes agora estivessem sendo preenchidas aos poucos por seu sangue.
- Kiba... –Pensou sentindo as lágrimas rolarem por seu rosto.
Mahina agora parecia dançar em volta do garoto em um transe eufórico acompanhada por sons de tambor que a Hyuuga nem sequer imaginava de onde vinham, enquanto cada uma das linhas verdes se tornava vermelho-sangue, tomando corpo, piso e encontrando Akamaru que parecia desmaiado.

Luzes.
A fumaça da fogueira parecia nuvens de fogo.
Um cheiro forte de sangue e ervas inundava suas narinas.
Sons indescritíveis.
Akemi tentava manter sua mente acordada. Sentia-se como o personagem de uma obra surrealista, abraçada pelo etéreo. Kiba parecia sofrer tanto...
O corpo do garoto agora parecia queimar. Fumaça saia de cada linha, mas ele não emitia qualquer som.  Akamaru aos poucos era coberto pelo vermelho-sangue que se expandia desde as listras, ocupando cada parte de seu corpo. Mahina dançava em volta disso, e a cada vez que um de seus cânticos chegava a alguma exclamação, Akemi sentia como se tudo naquela caverna pulsasse.

 

- Akemi... Acorda! –Dizia a voz apressada de Chouji. A garota aos poucos abria os olhos, encarando o olhar do garoto.
- O que... aconteceu? –Perguntou usando o braço do Akimichi como apoio tentando se sentar.
- Acho que só o Kiba pra explicar... –Respondeu Chouji apontado para o garoto Inuzuka que era levantado por Emi.
Kiba parecia diferente. Seus olhos estavam cravados na garota e um sorriso de canto surgiu seguido de uma careta de dor. Seu tronco, antes marcado por cicatrizes, agora parecia novo em folha, como se nunca tivesse sido machucado em batalha. Emi parecia nervosa enquanto analisava a tudo.
No peito de Kiba o desenho de ramos de flores chamava atenção, indo de uma ponta a outra, tendo no centro quatro pequenos losangos que formavam um losango maior. O garoto a encarava e abaixando o rosto, levantou o braço direito mostrando a parte interna do bíceps onde a imagem de um cachorro estava presente. Akemi levou a mão à boca, entendendo que ali estava a última lembrança de Akamaru.
- Você tá... Bem... –Emi tentava compreender. Os machucados, todos haviam sumido. Os dedos decepados voltaram à mão do garoto. A única diferença era a coloração de seu braço direito, um pouco mais branco que o restante do corpo.
- Eu ainda sinto dores. Meu chakra tá uma bagunça... –Disse Kiba, se levantando um tanto cambaleante. O Inuzuka se aproximou de Akemi, estendendo sua mão e a ajudando a levantar. Em seguida a abraçou.
- Desculpa. Mahina disse que não poderia te avisar sobre o ritual, que suas reações e emoções deveriam vir naturalmente. –Explicou próximo ao ouvido dela. A Hyuuga balançava a cabeça afirmativamente, deixando um sorriso brotar em seu rosto.
- Tá tudo bem...

- Tá, agora explica o que aconteceu aqui! –Pediu Chouji encostado à parede da caverna. Kiba e Akemi voltaram a sentar, agora um ao lado do outro.
- Bom... Existe um jutsu, tá mais pra um segredo antigo, entre os cães do clã Inuzuka. É difícil explicar, mas tem essa figura, uma ancestral...
Kiba explicava cada detalhe a seu modo, e as expressões de Emi e Chouji deixavam claro o quão surreal tudo aquilo soava. – E então meio que o Akamaru vive dentro de mim, dentro do meu chakra, e foi graças a isso e ao ritual como um todo que meu corpo se recuperou.
Por algum tempo um denso silêncio se formou. Ninguém dizia nada, se encaravam mutuamente.
- Cara... Se eu não tivesse ajudado numa batalha contra um ser mitológico de dez caudas controlado por um fundador da vila revivido, eu juro que te mandaria à merda por uma história maluca dessa. –Soltou Chouji, arrancando um risinho de Kiba.
Akemi o observava nesse meio tempo. Parecia um pouco mais maduro. Transmitia um pouco mais de calma. Nada no nível de um sábio ou coisa assim, apenas... Um pouco menos agitado. Perguntou-se se essa seria a influência de Akamaru.
- Você viu uma luz na floresta? Ou alguma coisa parecida... Estranha? –Perguntou o Inuzuka, surpreendendo Akemi, que acenou confirmando. – Era a Mahina. Ela disse que você precisaria de ajuda e usou o chakra da Emi pra isso.
- Isso explica meu cansaço além do normal. -Completou a Amenin, recebendo um aceno do agora recuperado Inuzuka. O mesmo então anunciou.
- Vamos voltar pra missão assim que vocês estiverem bem!


Notas Finais


É isso, não tenho muito o que dizer, apenas avisar que comecei uma nova fanfic com uma dinâmica bem diferente de Tale, mas igualmente focada em Naruto e Hinata: https://www.spiritfanfiction.com/historia/dark-syncretism-20045137
Se passa no nosso mundo, no contexto da cena de Heavy Metal onde os dois protagonistas estão em bandas distintas. Já tem um prólogo e um capítulo, em breve virá um capítulo mais longo.

Enfim, comentem!


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