História Naruto Moriden - Capítulo 2


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Categorias Naruto
Tags Ashura Otsutsuki, Naruto Uzumaki, Reencarnação
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Palavras 5.423
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Luta, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Caramba! Eu admito que postei o primeiro capítulo - ou o prólogo, de tão curto que foi - um tanto desinteressado, apenas para ver no que ia dar. No entanto, não tinha como eu não dar andamento a história vendo a quantidade de pessoas que comentaram a história, favoritaram e a colocaram em suas listas de leitura, não tinha como eu não postar logo a sequência.
Um agradecimento para vocês!

Capítulo 2 - Uma nova lenda


O ato de nascer é sempre cheio de sofrimento e confusão, e quando Ashura Otsutsuki retornou a este mundo não foi diferente para com ele. Não há princípio; em um primeiro momento era como se Ashura fosse apenas um vago pensamento, vagando por entre uma névoa de esquecimento.

Sem qualquer ideia complexa ou sensação que não fosse uma maravilhosa tranquilidade, ele deslizava livremente através da inconsciência. Depois do que pareciam serem décadas – ou talvez apenas alguns segundos, Ashura não conseguiria dizer – aquele torpor se desfez, fazendo com que seus sentidos começassem a captar o ambiente ao seu redor.

A primeira coisa que percebeu quando sua consciência se consolidou foi um frio de enrijecer até os ossos; o vento gélido e impiedoso pinicava sua pele descoberta, fazendo-o tremer descontroladamente.

Algo estava errado... Ele se sentia estranho, como se todo o seu ossos tivessem se transformado em gelatina. Não tinha força sequer para se mover direito. Seu corpo inteiro parecia pesado e desajeitado; cada mínimo movimento exigia um esforço imensurável.

A última coisa que ele se lembrava era de ser Hashirama Senju, lutando contra uma horda de shinobis invasores. Ele havia usado seu mokuton para derrotar dezenas deles, antes de ser cercado e ferido mortalmente. Sim, era isto; ele morreu.

Para qualquer outra pessoa, este seria um pensamento aterrorizante, mas aquela não nem de longe a primeira vez que ele morria. Ele havia parado de se desesperar depois de seu terceiro nascimento. Naquele momento, o shinobi estava mais curioso do preocupado.

Ele sempre reencarna no dia de nascimento da criança cujo corpo ele desperta; estar largado, no frio da noite no dia de seu renascimento era simplesmente assustador demais.

Ashura tentou se mover, mas o corpo de um recém nascido não foi feito para grandes esforços. Tudo o que ele conseguia fazer era se contorcer e se debater. Se contorcendo para ficar de bruços, Ashura conseguiu depois de muito esforço ter uma visão mais clara de onde estava.

Sua visão não era muito nítida pelos olhos de um bebê, e, aparentemente, ele havia nascido à noite, o que dificultava ainda mais sua visão. Porém, ele conseguiu captar um breve rascunho do que se encontrava ao seu redor e a visão que teve fez todo seu corpo estremecer.

Ele parecia estar sob um altar rodeado de velas. Que tipo de pais colocam seu filho em um altar rodeado de velas? Ashura começou a fazer uma prece silenciosa para que o clã Senju não tivesse aderido ao culto de Jashin, ou ele estaria em graves problemas.

Ashura tentou gritar por ajuda, mas tudo o que conseguiu foi que o corpo daquela criança emitisse um choro agudo. Ashura tentou fugir, mas até mesmo naquele auge de medo, ele percebia que não conseguiria se mover. Depois do que pareceram serem séculos, ele notou que alguém se aproximava.

Um rosto juvenil pairou em seu campo de visão; deveria se tratar de um garoto mal saído da adolescência, em contraste com seus cabelos cinzentos. A parte inferior de seu rosto era coberto por uma máscara de tecido e o olho esquerdo coberto com o protetor de testa de Konoha, de modo que tudo o que podia ser visto era o lado direito de seu rosto.

“Papai?” Ashura pensou confuso; aquele garoto era muito jovem, mas nunca se sabe o que garotos fazem na impulsividade da juventude. Afinal, aquele garoto mascarado lembrava um pouco seu irmão, Tobirama.

Em silêncio, Ashura observou as ações do jovem shinobi. Quase chegava a ser engraçado; os dois se encaravam, um tão curioso quanto o outro, apesar de suas feições serem igualmente inexpressivas. Por fim, como se movido por impulso, o shinobi tirou a própria jaqueta e enrolou o corpo infantil do bebê enquanto murmurava palavras reconfortantes.

Embalado quente e confortável, Ashura acabou por adormecer.

...

 

Quando recobrou a consciência, ele se viu de pé em meio a escuridão, percebendo, grato, que agora conseguia se mover, e que o corpo frágil de recém nascido havia sido substituído pelo seu receptáculo original, quando ele atendia pelo seu verdadeiro nome, no auge de sua juventude.

Como Ashura Otsutsuki, ele tinha o cabelo curto e espetado, com duas mechas presas ao lado do rosto; pele branca e olhos castanhos. Até mesmo estava usando o quimono branco dos seguidores do Ninshu por debaixo de uma roupa completamente preta, com um protetor de testa branco em torno da testa.

Confuso, Ashura olhou ao seu redor, tentando se localizar. Parecia ser algum tipo de complexo industrial abandonado, com o piso coberto por uma camada rasa de água. Contudo, o que mais chamou sua atenção foi o enorme portão com barras de ferro que estava diante dele, cobrindo todo o diâmetro do complexo.

Ele podia sentir o chakra poderoso que emanava por de de dentro da jaula, por que era certamente do que se tratava. Aquela era uma enorme jaula, não havia dúvidas. A questão era se ela havia sido feito para impedir que alguém entrasse ou impedir que algo saísse.

Por de trás das barras, surgiu um som frio e áspero, como aço contra mármore.

- Fedelho, como você chegou aqui?

O rosto bestial surgiu, entrecortada pelos cilindros de metal, fazendo Ashura arfar de surpresa. Ele reconheceu com facilidade o pelo alaranjado do rosto canino, com a boca enorme repleta de presas tão afiadas quanto katanas. Aqueles não eram os olhos que Hagaromo buscava quando criou as bestas de cauda; aqueles eram olhos cheios de um ódio descontrolado, que beirava a insanidade.

- Kurama... Agora eu entendo! – Ashura afirmou, dizendo o nome verdadeiro da raposa. – Te selaram dentro de mim.

A raposa emitiu um som horrível, que fez toda a estrutura mental do selo estremecer. Ashura demorou um instante para perceber o que era aquele som; ela estava rindo.

- O quê? Incrível, isto é sério mesmo? Não bastava aquele idiota ter me selado dentro do próprio filho, ele me coloca na reencarnação de Ashura Otsutsuki! Os deuses devem estar rindo de nós dois; você, o primeiro shinobi que conseguiu me selar, e se torna o meu jinchuriki em sua nova reencarnação!

A expressão de Ashura endureceu.

- Então você sabe.

- Claro, como eu poderia me esquecer... Hashirama Senju. Parece até que a história se repetiu; você me selou para impedir que Madara usasse meu poder, e agora aquele idiota fez a mesma coisa.

- O quê? Não me diga que os Uchihas tentaram usar seu poder novamente.

- Hã? Eu me esqueci; você não sabe o que acontece enquanto está morto. – a voz do Biju se tornou de repente suave, fazendo jus a sua aparência de raposa. - Bem, talvez eu te conte, se você me libertar. O que acha? Eu quebro este selo e me liberto; não é como se você precisasse desse corpo nem nada do tipo. Daqui há um século ou algo assim você vai retornar a este mundo de um jeito ou outro.

Ashura ouviu aquelas palavras cabisbaixo, com a mandíbula cerrada.

- E o que você faria, Kyubi no Yoko, com essa liberdade?

- Idiota! Não é óbvio? Eu irei destruir a Vila da Folha e todo aquele clã de olhos amaldiçoados.

- Entendo; como eu esperava. Isto não vai acontecer.

- E você acha que tem chance de me conter, garoto? Você pode ser bom, mas apenas seu pai é forte para tanto.

- Raposa idiota, não me subestime. Eu jamais vou perder para alguém que só tem ódio no coração.

- Interessante... Eu estarei te observando.

...

- Suiton: Técnica do Projétil de Água.

Hiruzen lançou um jato d’água nos prédios, alterando a força do jutsu para apenas apagar as chamas, sem danificar as estruturas das construções.

Mesmo após a Raposa de Nove Caudas ter sido selada, ainda havia muito que precisava ser feito. Muitos aldeões e shinobis haviam sido mortos; teria sido muito pior se Minato não tivesse levado o monstro para fora da vila, é claro, mas, ainda assim, eram muitas mortes para uma única noite. Um esforço conjunto de shinobis, de genins a jounins, havia sido posto para ajudar os aldeões.

Era necessário alguém que liderasse os esforços de resgatar e cuidar dos feridos, e esta responsabilidade caiu justamente sob os ombros de Hiruzen Sarutobi. O terceiro Hokage era um homem velho, e estava se sentindo ainda mais velho naquela noite.

Em seu coração, o Terceiro acreditava que deveria ser ele aquele quem tivesse se sacrificado para selar o demônio. Minato e Kushina, os dois tão jovens e promissores, jamais teriam a chance de ver seu filho crescer.

Pensar na criança fez o coração de Hiruzen apertar com ainda mais força. Mal havia chegado a este mundo e Naruto já tinha o peso da Kyubi pairando sob sua cabeça.

Vendo que todas as chamas haviam sido apagadas e que os poucos feridos que não haviam recebido tratamento ainda tinham apenas feridas superficiais, Hiruzen ordenou que eles seguissem trabalhando.

Com uma nuvem de fumaça, o ex-hokage desapareceu, se movendo o mais rápido que podia para o hospital principal da vila. Um Anbu já tinha ido até ele para avisar que a criança estava bem, mas Hiruzen precisava vê-lo. Precisava ter certeza de que o filho de Minato estava bem.

Sem cerimônias, ele entrou pela janela do quarto que sabia que seria onde a criança estava. Para o ódio de Hiruzen, um jinchuriki que acabou de ter a Nove Caudas selada dentro de si, ainda mais um recém-nascido, não podia ficar em um berçário. Os próximos dias eram cruciais para determinar se o selo iria realmente suportar tanto chakra; até mesmo uma simples onda de chakra da Kyubi no Yoko podia matar dezenas de crianças.

O local era na verdade uma sala de pós-operatório, com um colchão onde o bebê se encontrava enrolado em um manto, enquanto uma médica o examinava. Assim que Hiruzen entrou na sala, Kakashi surgiu do canto, segurando uma kunai como se esperasse que o filho de seu sensei pudesse ser atacado há qualquer momento.

Assim que percebeu de quem se tratava, o shinobi abaixou a lâmina.

- Hiruzen-sama, perdão.

- Não se preocupe Kakashi-kun. Como ele está?

- O médico acabou de sair e disse que Naruto-chan está bem, mas que quando acordar estará faminto.

- Entendo; irei providenciar para que ele seja bem alimentado, agora que Kushina...

A voz de Hiruzen diminui gradualmente até morrer, incapaz de terminar a sentença, pois dizer em voz alta seria o mesmo que confirmar a morte do casal. E isto ele não poderá fazer; ao menos ainda não.

Kakashi cerrou os punhos como se estivesse ao ponto de socar a primeira pessoa que visse; causar ao menos uma minúscula parcela da dor que ele estava sentindo em outro ser humano. Pobre garoto; já havia perdido tanto.

Primeiramente seu pai, que tirou a própria vida por vergonha de seus atos, em seguida a morte de Obito e logo depois de Rin, os dois quais o marcaram profundamente. Agora Minato e Kushina! Eles eram como sua família; os dois havia cuidado dele como um filho desde que Minato se tornou seu sensei.

Quando Kushina engravidou, Kakashi podia ser visto acompanhando ela como uma sombra, jurando jamais permitir que ninguém ferisse seu “oni-san”. Hiruzen suspirou, só esperava que o jovem shinobi conseguisse suportar esta perda também.

Em seu “berço”, Naruto se remexeu chamando a atenção dos dois shinobis.

...

Ashura voltou à realidade, desvanecendo a paisagem mental do selo de Kurama, ainda que a realidade fosse bastante incômoda no momento. Ainda assim, ele precisava descobrir o que estava acontecendo, e que insanidade era aquela de selar uma Besta de Cauda dentro de um recém-nascido.

Por acaso eles não conheciam os riscos?

Assim que recobrou a consciência, Ashura viu que o shinobi mascarado (que ele torcia bastante para não ser seu pai, pois não queria ser o filho de um pervertido mirim) o segurava de modo que um senhor de cerca de cinquenta anos pudesse vê-lo melhor.

Demorou um segundo para Ashura reconhecê-lo, e, quando o fez, constatou quanto tempo havia passado. Aquele era Hiruzen Sarutobi, um dos alunos de seu irmão, Tobirama. Ele estava com o rosto marcado por rugas e tinha os olhos cansados, mas certamente era ele. Como sempre, encontrar alguém de sua vida passada era estranho. Da última vez que Ashura havia lhe visto, Saru era apenas uma criancinha!

O mesmo garoto do clã Sarutobi, que corria atrás de Hashirama implorando que o ensinasse Ninjutsu.

- Ele é idêntico a Minato! – disse Saru. – Este cabelo e os olhos... Eu esperava que Naruto fosse ter os cabelos de Kushina.

Ashura escutou aqueles nomes com muita atenção. Pelo o que tudo indicava, “Naruto” era como o chamavam, então Minato e Kushina deveriam ser seus pais. Mas onde eles estavam? Por um instante lhe ocorreu que eles não quisessem ficar perto de um jinchuriki, mas ele empurrou aquele pensamento para longe. Se recusava que um descendente do orgulhoso clã Senju fosse tão intolerante.

A resposta veio quando o não-pervertido mirim falou:

- Eles tiveram a chance de vê-lo antes que a Kyuubi fosse libertada... Deveriam estar felizes.

Então era aquilo que aconteceu... O selo havia sido quebrado e o casal morreu de alguma forma tentando selar a raposa dentro do próprio filho. Talvez fosse de se esperar que uma pessoa que viveu diversas vidas não se importasse, mas pelo contrário. Justamente por ter vivido tanto, Ashura compreendia o quão puro e verdadeiro é o amor dos pais por seu filho.

Ele amou cada família que teve ao longo de suas várias vidas, pois para ele todas elas eram uma única família. Por mais que não os conhecesse, Ashura se entristecia ao saber que jamais teria aquela chance.

A tristeza deveria ter transparecido em seu rosto infantil, pois Hiruzen pareceu tentar consolá-lo.

- Yare yare, Naruto-kun. – disse Hiruzen, sem saber que estava consolando seu próprio sensei. – Você vai ter uma vida dura, pequenino, mas nós vamos estar aqui por você.

 

...

Após garantir que o garoto estava seguro e bem, Hiruzen o transportou até uma casa segura nos limites da aldeia. Uma das várias construídas por Minato para quanto ele precisasse se manter longe dos olhos de espiões e os traiçoeiros Anbu da Fundação. Protegida por barreiras e genjutsus, o local era praticamente insondável.

Contudo, se pensava o mesmo do refúgio em que Kushina havia sido transportada na noite de seu parto. Portanto, Hiruzen garantiu que um considerável número de Anbus ficassem em torno da casa, a fim de garantir que ninguém chegasse perto da criança. Apenas Biwako, duas servas e Kakashi tinham permissão de se aproximarem de Naruto.

Claro que Ashura – ou Naruto, como passou a ser chamado – estava apenas parcialmente ciente de tudo aquilo.

Os primeiros dias de sua nova vida sempre eram confusos. Naruto não conseguia medir o tempo muito bem, pois seu corpo ainda não suportava passar muito tempo acordado. O tempo se estendia ora vagarosamente em suas horas de vigília, que acontecia seja de dia ou de noite, como também podia correr em um piscar de olhos ao longo dos vários cochilos diários de um recém-nascido.

Mesmo quando estava acordado, ele não estava completamente ali. Nos primeiros dias, sua vida era como enxergar o mundo por meio de uma janela de vidro. Era difícil se manter consciente, a criança dentro de si assumia o controle de suas ações durante a maior parte do tempo, e era bastante difícil pensar com clareza.

Sua mente oscilaria entre a iluminação e os instintos primitivos de um recém-nascido por meses, até se consolidar por completo. Talvez fosse uma forma de misericórdia dos céus; uma benção para evitar que ele perdesse sua sanidade.

Imagine passar dias afinco limitado a se sacudir e balbuciar. Ashura, que outrora podia tocar os céus e esmagar montanhas, não conseguia limpar a própria bunda sequer. Alguém tinha que fazer isto para ele, muito para seu constrangimento.

Em seu coração, ele se perguntava se aquele era o grande plano de Indra: Transformá-lo em uma bola disforme de constrangimento muito corada, até que a própria alma de Ashura decidisse cometer haraquiri espiritual para poupá-lo de tamanha vergonha.

E haviam muitos motivos para isto; Naruto era completamente dependente de outras pessoas para tudo que não fosse se babar e se debater balançando os membros frágeis desprovidos de músculos naquele estado. E o cheiro; céus! Como algo tão pequeno consegue produzir tanto... blarg?!

E a amamentação? Pelos céus! Nem irei tocar no assunto, caso contrário toda a solenidade e honra de Naruto iria ser reduzida a poeira aos ventos.

Contudo, nem tudo era ruim, é claro. Ao menos ele tinha pessoas cuidando dele e lhe dando atenção. Um número considerável de shinobis estavam dando seu melhor para protegê-lo, e Kakashi, que estava o tempo todo ao seu redor, como se fosse um guarda-costas.

Também havia uma mulher chamada Biwako Sarutobi, que aparentemente era esposa do Terceiro.

Haviam se passado décadas deste a morte de Hashirama, então fazia todo sentido que Saru já tivesse casado, mas Ashura não conseguia evitar de estranhar aquilo. Para ele, era como se há dias atrás, Hiruzen ainda fosse uma criancinha.

Biwako era uma senhora de meia-idade, com a pele marcada por rugas e o cabelo grisalho preso firmemente em um coque apertado. Uma mulher rígida, o terror dos empregados da residência do Hokage, mas era a gentileza sob forma humana quando se tratava de Naruto.

A esposa de Saru não parecia saber sobre Kurama, ou, caso soubesse, simplesmente não se importava. Tratava Naruto como se ele fosse o maior tesouro do mundo, se certificando de que ele estivesse sempre limpo, alimentado e confortável. Se não fosse terrivelmente constrangedor vê-la falando “Cadê vovó?”, Naruto certamente ficaria comovido.

Era estranho, mas ele se afeiçoou rapidamente aqueles dois, tanto que foi uma grande surpresa quando, certo dia, Kakashi perguntou se Biwako e seu marido fossem adotá-lo. Naruto havia simplesmente suposto que aquele já era o caso, e jamais imaginou qualquer coisa diferente.

Naquela hora, uma sombra passou pelo rosto de Biwako.

- Hiruzen-kun vai tentar isto; era isto que Minato-kun e Kushina-chan iriam querer. Contudo, isto não depende apenas dele. Se o Conselho da Folha entrar em um consenso diferente, não há muito o que possamos fazer.

- Biwako-sama, a senhora acredita que o Conselho irá se opor? Não seria lógico; Naruto não pode ficar desprotegido, como filho de Minato-sensei e como jinchuriki. O melhor seria se ele ficasse sob a proteção do Terceiro.

- Você está certo. Contudo, Saru-kun acredita que é possível que Danzo tente convencer o Conselho a colocar Naruto sob a proteção da Fundação.

Os lábios da matriarca Sarutobi se curvaram em uma careta de desprezo, fazendo Naruto se perguntar quem seria esse tal Danzo e o que seria a tal Fundação. Havia em Konoha um shinobi de mesmo nome que teve uma rivalidade com Saru, mas aquele era um nome bastante comum no País do Fogo, então talvez não fosse a mesma pessoa.

E todo aquele desprezo na voz de Biwako… Parecia errado ao ser dirigido ao mesmo garoto de cabeça quente mas leal até a medula dos ossos para com a Folha; o mesmo garoto irritadiço do clã Shimura, que parecia quase querer cometer seppuku quanto não foi escolhido para o Time Tobirama.

Kakashi também reagiu de forma semelhante, cerrando os punhos tanto que deveria ter cortado a circulação de sangue nos dedos.

- Minato jamais permitiria tal coisa. - Kakashi afirmou. - Ele queria que seu filho fosse um herói para a vila, e não uma ferramenta.

- Eu concordo criança. E vamos esperar que o Conselho faça o mesmo.

...

Naquele exato instante, o Terceiro se movendo em direção ao prédio administrativo da Folha; tinha o semblante carregado, como se pudesse assassinar o primeiro que se colocasse em seu caminho e provavelmente estava verdade. Ignorando as pessoas que paravam para reverenciá-lo, o Sarutobi foi até uma das muitas salas de reunião do prédio e abriu as portas em um rompante.

O Conselho da Folha era composto por três antigos shinobis, todos antigos companheiros que agora se tornavam nada além de uma grande dor de cabeça. Todos os três se encontravam sentados conversando entre si, e se viraram na direção do antigo Hokage com tamanho sobressalto que era de se imaginar terem visto o próprio Shinigami ali.

- O que você está fazendo aqui? – perguntou Danzo com visível irritação na voz.

Hiruzen ergueu as sobrancelhas, tentando parecer o mais inocente que podia.

- Soube que uma reunião do Conselho estava para ocorrer, e resolvi participar, já que nenhum dos presentes se preocupou em me convidar.

Mudando sua expressão facial abruptamente, ele lançou um olhar cheio de intenção assassina na direção dos outros dois presentes, percebendo, satisfeito, que Homura e Koharu se encolheram sob o peso de seu olhar.

- Você não tem direito a estar aqui! – Danzo afirmou. – Não tem uma cadeira no conselho e não é mais o Hokage.

- Mas já fui, e, como você parece ter se esquecido, Danzo, enquanto tiver condições de ajudar a vila, um Hokage, mesmo um antigo, tem o dever de liderar Konoha se seu sucessor não tiver em condições disto. Permanecerei na liderança da vila até que uma eleição seja feita para determinar o Godaime Hokage.

Danzo lhe fulminou com o olhar, furioso, mas não pareceu encontrar nenhum argumento ao seu favor, de modo que Hiruzen pode se sentar tranquilamente à mesa junto dos outros anciões.

- Como vocês já estão cientes, o selo, já enfraquecido em Kushina devido o trabalho de parto, levando a morte de vários aldeões e shinobis.

- E as medidas que tomamos para que o demônio não fosse libertado? – Homura levantou a questão. – O Quarto era muito habilidoso com técnicas de selamento; como ele não refez o selo?

- Você tem razão, Homura-kun. Mas acontece que o selo se quebrou devido à intervenção de um shinobi desconhecido, que, não só extraiu a Kyubi, como também acreditamos que pode ter submetido a raposa demoníaca sob seu controle.

- O quê?! – exclamou Koharu, incrédula. – Quem teria tanto poder assim?

- Não sabemos a identidade do atacante, que utilizava uma máscara cobrindo todo o rosto. Mas, segundo Kakashi Hatake, que o confrontou, o shinobi era um usuário do Sharingan e sabemos que ele demonstrou ser capaz de invocar a raposa demoníaca dentro dos limites da vila. Vocês devem se lembrar que o dojutsu do clã Uchiha pode submeter as Bestas de Cauda a um genjutsu poderoso.

“Tão poderoso que Madara conseguiu fazer com que a Nove Caudas obedecesse seus comandas para atacar a vila. Se não fosse o Primeiro, subjugando a raposa, sua esposa, Mito, não teria conseguido selar Kyubi dentro de si mesma. É como se a história se repetisse.”

- Se repetisse? – repetiu Danzo. – Você quer dizer...

- Sim; Minato selou a Kyubi em seu próprio filho, Naruto.

Um silêncio pesado caiu sob a sala, enquanto cada um deles digeria o significado daquelas palavras. Homura e Koharu estava abismados, e com razão. Uma criança cujos dentes ainda sequer cresceram era a única coisa entre eles e a fúria da raposa demoníaca.

- E onde está esta criança? – Danzo perguntou.

- Eu já providenciei que Naruto seja bem cuidado. Ele está saudável, ainda que seja muito pequeno, como filho de uma jinchuriki, e o selo de Minato parece estar firme.

- Que bom, mas eu preferia poder ver por mim mesmo.

- Não será necessário... – afirmou Hiruzen, estreitando os olhos perigosamente diante de seu antigo companheiro – Como eu já disse, Naruto está bem.

- Vamos, Hiruzen-dono. Você não confia em mim?

- Por que você está tão interessado nele, Danzo?

- Pensei que fosse obvio; o jinchuriki da Nove Caudas deve ser treinado. Certamente que ele será uma arma importante para Konoha no futuro.

- Uma arma, Danzo? Ele é só uma criança!

- Uma criança com a Besta de Cauda mais poderosa dentro de si. Ele poderá destruir aldeias inteiras no futuro; nenhum inimigo ousará nos confrontar.

- Você está se esquecendo do quão difícil é conter a Kyubi. Nem mesmo as falecidas Mito e Kushina, ambas com todo o conhecimento e experiência em técnicas de selamento do clã Uzumaki, ousavam extrair o chakra da raposa de forma leviana.

- Exatamente por isto que esta criança deverá receber o melhor treinamento. Se o Conselho da Folha aceitar que eu cuide dele, o jinchuriki será treinado para ser um shinobi de elite, digno de se tornar nossa melhor arma.

- Você quer dizer a sua facção, Danzo. Ou você acredita que eu não tenho conhecimento de seus atos mais sombrios? Céus, você sequer sabe dizer o nome dele. É Naruto, se quer saber. Não jinchuriki, e certamente não “arma”. Ele é apenas uma criança, e deve crescer como tal. Se for para se tornar um shinobi, que seja por sua própria escolha.

- Você não está pensando racionalmente, Hiruzen. O mais importante é o bem da vila; o Quarto entenderia que seu filho deve se dedicar ao bem de Konoha.

- Eu estou pensando no melhor da vila, ao contrário de você, Danzo. Minato-kun queria que seu filho fosse um herói, e não uma arma para ser usada e descartada.

- Você se arrependerá por isto, Hiruzen! Suas ações tolas trarão a ruína sob a Folha!

Dizendo isto, Danzo se levantou saindo da sala a passos pesados. Hiruzen levou longos instantes para acalmar o resto do conselho, suspirando pesarosamente depois que Homura e Koharu também saíram.

Aquilo não era nada bom...  Danzo conseguia ser muito carismático quando queria, e suas ideias mais radicais se encaixavam como uma luva com a ideologia do resto do conselho. Nesse ritmo Naruto poderia acabar realmente nas garras da Fundação. Se o voto dos conselheiros for unânime, nem mesmo o Hokage pode contestá-los.

Foi uma medida necessária tomada pelo Primeiro a fim de conquistar o apoio dos shinobis do País do Fogo. Nenhum clã teria entrado em acordo com os senju se soubesse que seus descendentes não teriam nenhuma influência dentro da vila. Uma ideia nobre, a fim de trazer a paz entre os clãs, que havia se tornado uma fraqueza.

Contudo, apesar de Danzo acreditar ser um shinobi calmo e analítico, Hiruzen o conhecia melhor, ao ponto de saber que a maioria de suas decisões eram movidas por impulsividade. Sua ganância por ser reconhecido o levava muitas vezes a tomar ações precipitadas e prejudiciais a aldeia, mesmo que ele escondesse isso em uma fachada de falso altruísmo.

O Sandaime estalou os dedos, e no mesmo instante um Anbu com máscara de gato se materializou na sala, fazendo uma mesura para o Hokage.

- Tenzo, quero que avise a Anbu para fortificar as defesas da mansão.

- Hai, Hokage-sama.

- Quero segurança máxima em torno de Naruto.

- Se me permite pergunta-lo, o senhor acredita que Danzo-dono poderia tentar fazer algum mal a criança? Ele já tem o apoio do conselho; por que se arriscar quando pode conseguir a criança por meios completamente legais?

- Você não conhece Danzo como eu, Tenzo-kun. Ele é como um lobo faminto; por mais que esteja em vantagem, irá querer a todo custo vencer o mais rápido possível e acabará se precipitando por isto.

- Farei como me pediu.

Dito isto, ele desapareceu no mesmo instante, correndo para a base da Anbu a fim de transmitir as ordens. Quando o shinobi desapareceu de sua vista, Hiruzen se recostou na poltrona, sentindo uma dor de cabeça se instalando entre os olhos.

- Não se preocupem... Minato... Kushina... Eu protegerei seu filho com todas as minhas forças!

Enquanto o Hokage proferiu aquela promessa, Danzo se afastava do prédio da aldeia possesso de raiva.

De todo seu coração negro por inveja e rancor, o que o shinobi mais odiava era ser confrontado por seu antigo rival. Hiruzen… Quantas humilhações ele já não havia lhe causado? Sempre era Hiruzen quem era considerado um herói, e nunca Danzo.

O Segundo havia o escolhido com seu sucessor, negando aquele cargo ao Shimura, e depois Hiruzen havia tido a audácia de escolher o pirralho Namikaze como seu sucessor, depois de tudo o que Danzo e sua Fundação havia feito pela Vila… Intolerável!

Mas não importa… Agora que o Quarto havia morrido, havia grande chance que o Conselho escolhesse o líder da Fundação como  Quinto Hokage. Danzo esperava tanto por aquele momento; haviam sido tantas vezes que ele tentou assassinar o Flash Dourado de Konoha, todas falhando.

Ele já havia desistido, até o momento em que conheceu o Mascarado. Danzo não sabia a real identidade do assassino do Quarto e de sua esposa, e certamente preferia perder um braço do que aceitar a explicação esfarrapada de Hiruzen que Madara Uchiha estava vivo!

Danzo tinha perfeita noção de que o suposto Madara era um grande perigo para a Folha, e que ele teria de ser eliminado futuramente. Contudo, no momento, o velho shinobi ainda podia reunir informações sobre o Mascarado e esperar o momento certo para eliminá-lo.

Por enquanto, a figura misteriosa ainda tinha utilidade. De modo que Danzo aceitou facilitar a entrada deste na casa segura onde Kushina estava parindo seu fedelho e tratou de ordenar que seus shinobis da Fundação não intervissem. Em troca, o Mascarado iria assassinar o Quarto, permitindo que Danzo assumisse a liderança da vila, e levaria a Kyubi.

Não que Danzo tivesse interesse em permitir que a raposa demônio saísse de sua posse, é claro. Tamanho poder sendo controlado por outra pessoa, ou até mesmo contra a aldeia, era simplesmente perigoso demais. Originalmente, Danzo pretendia assassinar o Mascarado quando se encontrassem novamente e selar a Kyubi em um de subordinados.

Contudo, em seus últimos momentos o Quarto acabou permitindo uma situação ainda melhor. Uma criança dotada do poder da Kyubi desde o berço, perfeitamente lapidável aos moldes da Fundação. Em outras palavras, a arma perfeita, que seria desperdiçada por Hiruzen.

Quando Danzo saiu da vista do Hokage, um shinobi da Fundação surgiu prontamente, se curvando em uma mesura respeitosa ao seu líder.

Quero que contacte os nossos agentes dormentes para saber se algum deles conhece o paradeiro da criança.

Não será preciso, Danzo-sama. Um de nossos infiltrados na Anbu de Hiruzen Sarutobi nos contatou enquanto o senhor estava em reunião e nos informou que foi escolhido para fazer a guarda da criança.

Que ele traga para mim o jinchuriki vivo e em saúde perfeita. O jinchuriki deve ser preservado pelo bem de Konoha.

E se alguém ficar no caminho?

Pelo bem da Folha, eles devem morrer.

Aquilo não era nada bom...  Danzo conseguia ser muito carismático quando queria, e suas ideias mais radicais se encaixavam como uma luva com a ideologia do resto do conselho. Nesse ritmo Naruto poderia acabar realmente nas garras da Fundação. Se o voto dos conselheiros for unânime, nem mesmo o Hokage pode contestá-los.

Foi uma medida necessária tomada pelo Primeiro a fim de conquistar o apoio dos shinobis do País do Fogo. Nenhum clã teria entrado em acordo com os senju se soubesse que seus descendentes não teriam nenhuma influência dentro da vila. Uma ideia nobre, a fim de trazer a paz entre os clãs, que havia se tornado uma fraqueza.

Contudo, apesar de Danzo acreditar ser um shinobi calmo e analítico, Hiruzen o conhecia melhor, ao ponto de saber que a maioria de suas decisões eram movidas por impulsividade. Sua ganância por ser reconhecido o levava muitas vezes a tomar ações precipitadas e prejudiciais a aldeia, mesmo que ele escondesse isso em uma fachada de falso altruísmo.

O Sandaime estalou os dedos, e no mesmo instante um Anbu com máscara de gato se materializou na sala, fazendo uma mesura para o Hokage.

- Tenzo, quero que avise a Anbu para fortificar as defesas da mansão.

- Hai, Hokage-sama.

- Quero segurança máxima em torno de Naruto.

- Se me permite pergunta-lo, o senhor acredita que Danzo-dono poderia tentar fazer algum mal a criança? Ele já tem o apoio do conselho; por que se arriscar quando pode conseguir a criança por meios completamente legais?

- Você não conhece Danzo como eu, Tenzo-kun. Ele é como um lobo faminto; por mais que esteja em vantagem, irá querer a todo custo vencer o mais rápido possível e acabará se precipitando por isto.

- Farei como me pediu.

Dito isto, ele desapareceu no mesmo instante, correndo para a base da Anbu a fim de transmitir as ordens. Quando o shinobi desapareceu de sua vista, Hiruzen se recostou na poltrona, sentindo uma dor de cabeça se instalando entre os olhos.

- Não se preocupem... Minato... Kushina... Eu protegerei seu filho com todas as minhas forças!

 


Notas Finais


Bem mais longo esta aqui; cerca de vinte páginas no Word.
O que acharam? Capítulo interessante? Comentem suas opiniões.
Próximo capítulo haverá Fight!


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