História Nas Asas Do Demônio - Capítulo 5


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Capítulo 5 - DE MONSTRO AO PÓ


tão estranho, como uma perspectiva pode mudar tudo. É tão dramatizado, é tão triste. Como as escolhas da maioria das pessoas desta sociedade acabam com vidas. Como um modo diferente de viver pode arruinar planos. Como uma pessoa ruim pode apodrecer a todos que estão à sua volta.

Ele achava fascinante, como células juntas podem virar uma enorme matéria escura. Como palavras ferem, como um sentimento mútuo e desfigurado arde no peito como a chama do fogo mais explosivo e ardente para o universso. Como o ser humano se espalha e se destrói, com armas de fogo e\ou  armas brancas...

Caos...

 Ele poderia ser definido apenas com essa palavra. Ele era um monstro. Ele era a causa das cinzas no mundo. Do pecado e ele amava aquilo.

Quem era ''ele''  ? Bom... Ele era um ser totalmente furioso e sem coração. Para ele, era apenas algo que batia e dizia que ele respirava, ou não... Ele e era o caos da noite, a fúria da madrugada, o predador  nas calçadas, esperando e espreitando por sua próxima vitima. A próxima pessoa a ser conduzida a morte e mandada ao inferno.

No momento em que Christopher  ouviu o grito de socorro dos lábios de Ivy, ele sabia que havia feito alguma besteira. Tinha pavor em sua voz, enquanto Christopher estripava ferozmente o corpo inerte do maior amor da vida de sua irmã

Era sua natureza, ele não podia fugir do que era. Ele e sua irmã eram como a história do sapo e do escorpião. E ele gostava. Seu desejo de matar, era maior do que qualquer outra coisa furtiva e inútil de qualquer existência. Ele deixara seu pai o moldar a imagem do diabo. Ele era um demônio e não era apenas suas asas negras, suas presas brancas e polidas- agora manchadas de sangue - e muito menos seus olhos negros, que carregavam  tamanha desgraça que o indicava isso.

Era instinto.

Ele havia se dado completo e de bandeja a vida infernal ao lado de seu pai. Mas não era tão fácil. Por mais que uma parte dele cobiçava tanto aquilo, ele sabia que era errado e sabe o melhor? Ele não ligava, e se ele não ligava ele não se importava. Não havia remorso e, às vezes, ele temia, que nunca teria este sentimento. 

Ele sabia trabalhar, cobria seus rastros, levava tudo ao pó , e , ao pó levava sua vida. Ninguém sabia ao certo quem ele era, apenas o via quem estava prestes a morrer. Apenas seus breves e gritantes lanches. Suas presas. O sangue pulsante em veias estranhas e, logo, a morte. 

O sangue ainda caia sobre sua blusa branca de cetim, enquanto ele sorria, ao ver sua irmã chorando, sobre aquele cadáver quase sem sangue.

E foi ali, que ele soube, Ja não tinha mais volta, ele acabara se tornando como seu pai. Qualquer uma de suas ações e as conseqüências, seriam por aquilo. Ele não se importava, de qualquer modo.

Ele queria sentir arrependimento, queria sentir a mesma dor que sua irmã, ou apenas o amor que ela sentia pelo homem, por alguma mulher, às vezes, mas ele fora criado assim. Em um mundo regado a ódio e colhido o caos. Ele queria mudar, com toda sua força, mas a parte que gostava daquilo falava mais alto, mas ele não podia se desligar dos sentimentos. Não de novo. Não com Mazikeen em sua volta. Não com ela na terra.

Se talvez sua mae não tivesse cedido quando seu pai lhe pediu que ficasse. Se ela tivesse o empedido de viver daquele modo. Se seu pai tivesse o educado a partir do amor e não da fúria. Talvez... Só talvez... Ele poderia ter sido alguem melhor. Não causaria tantas mortes.

Apenas talvez sua alma não gritaria por algum sentimento... Dia apos dia. Noite após noite. Ate o findar de sua existência .

Apenas talvez ele não se tornaria o caos da noite ou o pó da morte...

Oh.. Ele daria tudo para sentir de novo. Sentir o amor. A felicidade... E não o buraco de seu peito. O vazio de sua alma. Era horrível não sentir. E se você por algum motivo em absoluto achou que sentir seria a pior dor que você poderia experimentar; sinto em lhe informar, você esta errado. Não sentir e o pior dos medos. Dos pecados. É o pior que pode acontecer a um ser humano. É a sensação de não ter nada ai dentro. Do vazio de sua alma. Do vasto buraco em seu peito.

Christopher, daria qualquer coisa para ter isso novamente. Sentir... Escutar e ouvir... Não apenas dar de ombros e sair... Ele queria sentir. Ele estava oco! Ele queria sentir medo. Raiva, amor, tristeza, felicidade...

Ele ainda não sabia o que era o amor e esperava que, seculos depois de sua ruina, Mazikeen ensinasse a ele. Ela amava ele, desde que a viu pela primeira vez, naquele beco escuro, preste a morrer. Ele lhe deu seu sangue, a fez viver, mesmo sabendo que era um anjo. E aquilo o rendia conseqüências...

"É esquisito e excitante, ate ele sentiria pena de si mesmo, por estar condenado a passar a eternidade só..."

Caminhando, andando, correndo. Para algo inexistente, ate que sua alma se findasse. De monstro ao pó. 



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