História Nas Asas Do Demônio - Capítulo 6


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Capítulo 6 - P R Ó L O G O


Minhas asas bateram contra o vento mais uma vez, e então outra, dando uma forte golpeada de ar em meu rosto. Senti um arrepio em meus poros, e a raiva percorrendo todo meu corpo. Eu precisava dormir, mas não conseguia. Não, desde que ocorreu minha queda. Oras! Eu não havia feito nada de errado, mas mesmo assim ainda fui castigada por simplesmente ajudar quem necessitava. Não tenho culpa se Deus é meticuloso e cisma em achar que as coisas nunca estão boas o suficiente.

E mais uma vez eu estava possessa de raiva, subindo mais e mais aos céus, mesmo que seja uma tentativa falha de alcançar o lugar que eu chamara de lar um dia. Metatron se verá comigo! Ele não devia ter traído uma irmã desta forma e nem de outra. O que estava na cabeça dele quando pensou que se cometesse tal ato de se envolver com uma mundana sairia ileso?

Se Deus, era tão grandioso e minucioso quanto diz, por que ele mesmo não havia acusado o culpado? Raziel estava certo, quando disse que eu não pertencia a aquele lugar. Eu havia me tornado uma criatura da noite. Obrigada a caminhar sozinha, e a voar, com as asas cansadas...

Feiches de luz atravessaram meus olhos, enquanto, pousava na costa de uma das várias baias em que consegui abrigo. Devem estar se perguntando como sobrevivo, pois então... Eu não sou obrigada a comer, a menos que eu sinta vontade ou que tenha que me passar por uma mundana em algumas circunstancias, não tenho fome...

As luzes do  Lombard Street é nada mais nada menos que umas maravilhas, uma paisagem, reflexiva e bastante aconchegante. É mesmo enorme, a rua que se estendia em formato zigue-zague fazendo, toda vez, quando, qualquer um que a desça tenha a sensação de movimento- O incrível desta rua é que ela está toda envolta por magníficos jardins e belíssimos canteiros, que dão um charme a mais a todo o vislumbre que tive. Aqueles jardins, viraram meu local de pensamentos. Muitas famílias visitam ali. San Francisco virou mesmo um dos lugares preferidos dos mundanos.

O clima estava um pouco abafado e frio. Com a temperatura em quinze graus, estava difícil me aquecer sem algo devidamente quente,  e ainda era verão.  Minhas únicas vestes eram: regata preta, tênis All Star e calça jeans, anjos em sua maioria não precisam de banho. Passaríamos séculos sem banho e não federíamos.

Logo, descarto a possibilidade de ficar ali sem que ninguém, veja minhas asas angelicais  e então vôo para meu apartamento.

Eu havia conseguido um lugar para ficar, Metatron me arranjou dinheiro e providenciou um lugar para que eu morasse sem me preocupar com dinheiro. Sim, ele havia me dado uma mãozinha nisso, em troca de eu ficar calada quanto a sua fuga para a terra apenas por uma mundana, era patético!

O frio mais uma vez devastara meu corpo e soprava meus cabelos em alvoroço e afastava meus pensamentos e minha lembrança de quando eu voava por aí sem nada, nem minha alma parecia me pertencer, eu era apenas um corpo vazio e υмa мenтe oca.. Somente aí, eu percebi que estava com uma xícara de café em mãos e encostada contra o batente da sacada. Era alto. Tão alto, que parecia que apenas voando alguns metros eu alcancaria o céu e colocaria juízo na cabeça de Deus.

Era cômico e inútil! Eu, мazιĸeen, gυardιã doѕ anjoѕ, υмa ѕeraғιм, não iria mais voltar, por mais que eu quisesse, Deus havia errado, eu não o perdoava cem por cento, mas, da mesma forma, eu não me acabaria por pensar naquilo.

Era lindo aquela plenitude: Minhas asas se abriram, e se libertavam da tensão que cobria meus músculos das costas. Dormir era a única coisa que eu precisava agora, eu queria apenas apertar o botão "Escape" e fugir daquela realidade, talvez sonhar seja bom, o que eu não fazia há meses...

Eu tinha apenas dezesseis anos e amanhã seria meu primeiro dia na escola mundana. Mιnнa мãe- ѕe não тιveѕѕe ѕιdo вanιda para a danação eтerna pelo próprιo мarιdo- nunca me deixaria vir à terra sozinha e passar por isso solitariamente. Por mais convidativa que seja a Terra, eu preferia os céus. Era irônico como um anjo poderia ter um certo ódio de humanos. Sempre roubando a atenção de meus pais para eles... Eu tinha pavor e ódio deste lugar, eu não conhecia quase nada além de San francisco. O novo era estranho para mim...

Como um "piloto automático", meu corpo moveu-me até o quarto e deitou na cama, enquanto milhões de pensamentos invadiam minha cabeça. Lágrimas, não conseguiam mais escapar de meus olhos. Eu havia me lastimado tanto naquela madrugada -e em varias outras- que já devia estar desidratada, o que era um drama eu dizer, eu era imortal, para armas humanas, e até para a falta de água.

Antes que eu perceba, o sono já havia consumido todo meu corpo e meu botão de "Escape" havia me conduzido para um lindo sonho ou um terrível pesadelo, eu não sabia distinguir...



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