História .nas estradas vazias. - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adoção, Insônia, Morte, socorro, Violência Doméstica
Visualizações 5
Palavras 1.711
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Violência
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - .você desapareceu.


O vento soprava forte naquela noite, como se tentasse confortar a pobre alma que estava sentada no balanço enferrujado daquele parque vazio. As ruas estavam escuras, a luz amarelada do poste a alguns metros de onde estava era sua única iluminação. Suas pernas estavam bambas e sua cabeça nas nuvens, o cardigan vermelho que trajava era o que a mantinha aquecida. A garota observava seus pés enquanto balançava sem entusiasmo. Estava cansada e isso era aparente, suas roupas amassadas e sujas, como se ela tivesse caído no chão coberto por terra. Um suspiro cansado e em seguida o rangir do balanço ao lado foi o suficiente para o silêncio ali presente se esvair.

-O que aconteceu dessa vez?- perguntou, tendo finalmente a atenção da menina ao seu lado para si.

-Eu não sei- sua voz tinha um tom embargado e seu rosto estava inchado, indícios que estava chorando- dessa vez sai antes deles começarem a gritar.

O velho que havia chegado a pouco se levantou, ficou de frente á pequena e lhe estendeu a mão.

-Vamos para minha casa, farei chocolate quente, aí você me conta o resto.

A menina assentiu, mas os dois sabiam que não havia um "resto", era apenas a mesma história de sempre, um casal insatisfeito com sua própria relação e que por isso acabavam em "discussões" sem fundamentos. Ainda assim, o senhor pegou na mão da garota e se direcionou a sua casa. Não morava muito longe daquele parque velho, e por esse motivo em uma de suas caminhadas noturnas acabou por encontrar aquela criança. Na época tinha achado que a pequena havia se perdido dos pais, até porque, o que uma criança de oito anos faria num parque á aquela hora da noite? Aproximou-se e perguntou onde ela morava e o porquê de não estar com seus pais, na primeira vez a garotinha manteve o rosto abaixado e por isso o senhor não foi capaz de ver seus machucados; no final ela acabou indo para casa sozinha aquela noite.

Quando chegaram na casa azulada o velho pediu que ela se sentasse na poltrona verde em frente a lareira e a cobriu com um lençol pequeno que um de seus netos usava quando ia visitá-lo, a garota parecia a vontade e cantarolava alguma música infantil enquanto ele fazia seu chocolate quente. Lembrou-se da primeira vez que a havia trazido para sua casa, era a quinta vez que via ela sentada naquele mesmo balanço cheio de ferrugem, porém diferente das outras vezes estava chovendo. Aquele foi o único dia em uma semana e meia que ela havia respondido a uma de suas perguntas, que na ocasião foi se a pequena gostaria de ir a sua casa. Depois disso, suas visitas acabaram tornando constantes e muitas foram as vezes que a via sentada naquela poltrona barulhenta, consequentemente ele acabou descobrindo que ela era filha adotiva do casal na rua de trás.

-Aqui está-colocou a caneca na mesa de centro- cuidado, está muito quente.

-Eu sei, já queimei minha língua uma vez, não quero queimar outra.

O ancião observava a pequena assoprando a caneca perguntando-se mais uma vez se seus pais não sentiam sua falta em casa. Suspirou denovo, fitava a menina com pena enquanto ela assoprava a xícara agora em suas mãos.

-Eles estão pensando em me devolver para o orfanato -disse ela quebrando o silêncio estabelecido.

O velho parecia surpreso com a notícia, mas logo se acostumou ao lembrar da situação da garotinha, a sua casa não parecia um lugar muito saudável para uma criança de oito anos morar e, considerando a situação de seus pais, a possibilidade daqueles dois quererem devolver a garota não era algo absurdo de se pensar, mas ainda assim era cruel.

-Senhor.-chamou a atenção do velho para si - seus netos, eles vão chegar amanhã, certo?

-Sim, mas não se preocupe, eles não vão se incomodar com a sua presença.-deu um sorriso sem mostrar os dentes-Pelo contrário, minha neta sempre diz que se sente muito solitária aqui, já que nenhum de seus irmãos gostam de brincar de boneca consigo.

-Nesse horário eles devem estar dormindo, então não acho que vou poder brincar com ela quando eu vir.-disse com um timbre triste,tomando mais um gole de seu chocolate agora morno.

O senhor de idade observava a pequena balançar seus pés enquanto segurava a caneca com sua bebida favorita, só assim percebeu que a garota estava descalça, seus pés estavam sujos e o ancião arregalou os olhos ao ver um tom de roxo escuro em seu tornozelo direito e canela esquerda. Enfim se levantou se direcionando ao banheiro, a menina continuou sentada, já imaginando que ele havia percebido seus ferimentos, quando voltou agachou-se com uma caixa de primeiros socorros nas mãos, logo posicionando a mesma ao seu lado. Enquanto cuidava de suas feridas nem ele nem ela pronunciaram nem mesmo uma palavra, não era necessário, ele sabia que muitas vezes a menina acabava de envolvendo na briga dos dois adultos irresponsáveis que se denominavam seus pais, sabia que se ela não fizesse isso eles iriam acabar se matando, e não, não estava exagerando ao pensar nisso.

- Eu vou te dar esse remédio.-pegou um frasco da caixa dando na mão da garota, a xícara que antes estava em suas mãos estava agora na mesa de centro, já vazia.-Coloque no ferimento depois do banho, aí você pode enfaixar denovo.

A criança apenas assentiu pegando o remédio em suas mãos e em seguida se levantando, o senhor apenas suspirou, lembrando das vezes que até mesmo implorou para que a pequena dormisse ali, recebendo apenas um "não posso, desculpe" como resposta.

-Senhor.-direcionou o olhar ao velho- eu gostaria de agradecer por tudo que o senhor fez por mim, muito obrigada de verdade.

Observou a garota saindo pela porta de madeira desgastada, gostaria de acompanhá-la, mas a mesma disse que não havia necessidade. Era estranho, com certeza, ele sempre ia com a pequena até a porta de sua casa, porém decidiu não reclamar.

Na manhã seguinte o velho estava sentado na poltrona verde, com o jornal nas mãos enquanto observava seus netos brincarem, a mais nova entre eles estava brigando com os irmãos pedindo sua boneca de volta, sua filha e seu marido estavam tomando café da manhã na cozinha ao lado, quando viu que finalmente a netinha tinha conseguido pegar sua boneca de volta deu um gole em seu café na mesa de centro logo direcionando sua atenção para o jornal. Estava vendo algumas notícias como acidentes de carro e vagas de trabalho, algo nostálgico para um velho aposentado como ele, quando virou a página, uma notícia em específico chamou sua atenção, fazendo o ancião arregalar seus olhos enquanto a lia.

Na madrugada de domingo, exatamente às 4:06 na xxx-xxx ocorreu um assassinato de uma criança de oito anos, a menina foi encontrada morta em seu quarto pelo seu vizinho que diz ter ouvido gritos vindos da casa ao lado, haviam cortes profundos em todo seu corpo e parece que ela recebeu um tiro na região do ombro, a mãe da vítima estava com ferimentos graves e risco de morte e agora se encontra em coma no hospital, o pai está desaparecido e é provável que ele seja o assassino, a polícia já está investigando o caso.

Deixando de lado o jornal e levantando-se mais veloz do que era recomendado para sua idade, o velho pegou a chave de seu carro e avisou a filha que estava saindo, ao tirar o carro da garagem o senhor de idade se direcionava ao único cemitério da pequena cidade, fazendo uma parada na floricultura da melhor amiga de sua falecida esposa, chegando lá cumprimentou o zelador em sua cabine e pediu informações do túmulo da criança, essas que logo foram dadas junto com um olhar de pena.

Olhou para o túmulo da pequena criança e colocou o buquê de lírios que havia comprado em cima dele, sentou-se ainda observando as escrituras em sua lápide, "que Deus a tenha em seu reino de paz", riu seco, não tinha muito o que escrever no túmulo de uma criança, todos da vizinhança sabiam que a garota era órfã, que seus pais adotivos estavam com o relacionamento aos pedaços e que eles a haviam adotado num ato impulsivo da sua mãe. Suspirou pesado, pensando que, mesmo que todos soubessem disso, nenhum levantou nem mesmo um dedo para ajudar a pobre alma, infelizmente ele também era uma dessas pessoas, e logo veio átona o pensamento de que, talvez, só talvez, se ele não tivesse deixado ela ir para casa naquela noite, se tivesse insistido só mais um pouquinho, talvez ela estivesse sentada no estofado da poltrona verde em sua casa, tomando chocolate quente enquanto falava que seu pé havia melhorado.

Andou até o túmulo de sua mulher, deixando uma rosa vermelha e solitária alí, logo saiu daquele lugar que lhe despertava tantas lembranças, acenou para o zelador e entrou no seu carro.

Chegando em casa sua filha estava sentada no sofá, e quando havia perguntado de seus netos a mesma apenas respondeu que dormiam com seu marido no quarto. Sentou-se ao lado dela e soltou um suspiro sôfrego, observando pela janela alguns pássaros na árvore do quintal de sua casa.

-Pai, aconteceu alguma coisa com o senhor?-falou em um tom preocupado.

-Não, eu só estava pensando.-seu tom de voz era mais rouco que o normal, e ele limpou a garganta antes de continuar-as vezes temos a vida de pessoas em nossas mãos, e não percebemos.

Sua primogênita lhe deu um abraço, não pediu uma explicação, até porque como médica conhecia aquelas palavras melhor do que ninguém. Conhecia a dor de ver pessoas a sua frente morrerem por falta de experiência, falta de tecnologia, falta de tempo e até mesmo de amor. Perdeu até mesmo sua mãe nesse meio, perdeu para um câncer de mama, mas naquela época o quê podia fazer? Era só uma criança que não tinha a mínima ideia de quanto o mundo é cruel.

As vezes pensava que as pessoas que morriam, especialmente crianças, eram boas demais para esse lugar tão "crú", tão horrendo, e por isso a vida decidia levá-las para um lugar melhor, onde seus corpos e almas poderiam descansar em paz. Ou talvez essa seria só uma desculpa, para não pensar que sua mãe morreu por nada, e que ela era uma das culpadas de tantas vidas perdidas e tantas crianças sem pais e pais sem filhos.


Notas Finais


São 06:46 da manhã (sou internacional), e eu aqui, com ansiedade, insônia e escrevendo/postando fanfic, rindo de nervoso.
Não tenho muito a falar sobre isso que acabaram de ler, apenas perdoem essa pobre alma com sono por não ter revisado e comentem se tiverem gostado, críticas também são aceitas.
É...é isso, não sejam iguais a mim e durmam cedo por favor, ou só durmam, não precisa ser cedo, só precisa dormir.
Tchau ~S3~ (porque S2 é coração de cobra...não perguntem).

Edit: esqueci de dizer que o texto pode estar meio bugado já que eu escrevi no celular e...vocês sabem mexer no texto quando vão postar no Spirit? Pois é, nem eu. Não me julguem, titia Bunny se esforçou para ajeitar,mas não funcionou, então é.


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