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História Nas Quartas Usamos Jeongguk - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


É... Oi k.

Quanto tempo, não? Quase um mês inteiro. Já peço perdão por isso e tô tentando me redimir com essas 5 mil palavras, gente (scrr, nunca escrevi tanto aaaa) kkkkkk

Podem atirar pedra em mim por estar postando na calada da noite quando provavelmente quase ninguém vai ver, mas:

HJ É QUARTAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!

Pessoas, espero que vcs gostem muito do capítulo de hj, pq, sinceramente, fiz e refiz ele por várias vezes até que ficasse do meu gosto.

Peço que leiam as notas finais assim que terminarem de se divertir, hm?

Capítulo 8 - Murphy ao fim da tarde, bônus no início da noite


Fanfic / Fanfiction Nas Quartas Usamos Jeongguk - Capítulo 8 - Murphy ao fim da tarde, bônus no início da noite

A cafeteria é diferente, composta por duas divisões, sendo uma em que estamos, onde os clientes apreciam o cheiro amargo e intenso do café e a outra um balcão imenso, decorado com samambaias e lavandas embaixo e alguns polaroides com fotos de alguns famosos que passaram pelas filiais do lugar. O lugar é claro, principalmente por ainda ser tarde e as janelas vintage estarem abertas. Na vinda para o café — depois que Hwasa autorizou minha saída, ao ver que Jeonghan me esperava, e lançou olhares cúmplices em que era nítida suas sugestões de eu estar, pela primeira vez a sua vista, saindo com alguém —, o Yoon contava animado o quanto onde estamos é aconchegante. Também disse que o lugar era uma casa onde um casal de idosos morou por muito tempo. As pessoas juravam que esse casal era o mais invejado em todo o bairro pelo amor tão terno e vívido que tinha. 

Admito que, quando o disse, senti uma pinicada de ciúmes ao olhar envolta e pensar no casal de velhinhos sorrindo de mãos dadas, sentados naquelas cadeiras feitas com fibra de madeira, das que balançam, enquanto admiravam um ao outro, trocando olhares castos e estrelados na varanda que posso olhar da janela onde nossa mesa está encostada. Alguém para a vida toda… Não é para qualquer um. E por mais que a história por trás da casa que deu vida à cafeteria seja só uma conversa inventada por algum vizinho fofoqueiro, ainda acredito numa vida assim. Em vidas conectadas desse jeito.

E, para que eu possa futuramente estar em uma casa tão aconchegante, com os cabelos grisalhos e declarando meu amor para a pessoa a quem desejo ter para o resto dos meus dias, preciso que nada dê errado nesse encontro. 

Please, céus. Por favor, God.

Jeonghan tem um copo de chá gelado em cada mão, os quais decidimos por pedir quando entramos. Sei, sei. Não faz muito sentido vir à cafeteria com um dos melhores cafés feitos com grãos de altíssima qualidade e todas aquelas conversas, e, simplesmente, pedirmos chá. E gelado. No frio. Embora eu quisesse um bom capuccino com canela e chocolate, acompanhado pelo cupcake red velvet na vitrine de bolos e tortas, resolvi optar pela escolha dele, já que quase não fui capaz de proferir um “a” desde que sentamos à mesa.

Ele está tão magnífico quanto nos outros dias em que pude admirar sua beleza única. Jeonghan tem metade do cabelo preso num coque no alto da cabeça, enquanto a outra parte é solta, correndo por sua nuca. Algumas mechas estão soltas na parte da frente, dando um charme. Alguns fiozinhos esvoaçam pela ventilação do lugar. Não sei porquê prefiro reparar nesses detalhes superficiais ao invés de fazer o que realmente vim fazer, porém provavelmente seja por sequer saber por onde começar. Sobre o quê falar. Talvez eu pergunte se ele viu o noticiário e nós conversemos a previsão do tempo para essa semana, ou ainda eu confesse que não sou uma das maiores fãs de chá que existem, assim como também sei que ele não tem um paladar tão sensível para o chá. O Instagram o entrega.

Seus dedos arrastam o copo pela mesa até que ele esteja relativamente próximo a mim. Sem demora, beberico um pouco do líquido que é refrescante e surpreendentemente bom. 

— Preciso vir aqui mais vezes.

Jeonghan parece ser tão sem sentido quando eu, nesse momento. Ela solta a frase que logo me alarma e eu olho para os lados, procurando indícios de que ele tenha falado comigo e não somente pensado alto. Não os acho, assim, bebo mais um gole, bem longo. 

— Sou mais fã de café. Café gelado. Mas devo confessar que isso é uma delícia. — Ele ergue sua visão até mim e eu sinto minhas bochechas esquentarem. — Não acha?

Eu apenas balanço a cabeça em concordância, esperando que meu cérebro monte e projete alguma frase coesa a qual posso dizer para não ficarmos nesse clima. E, tentem acertar: ele não projeta. Vaziozinho. Meus pensamentos vão desde as samambaias até a fusão do gelo com a água do chá quase em temperatura ambiente dentro do copo biodegradável, porém nenhum estalo entre essas divagações e observações fazem-me chegar aonde quero, que é, sem novidade alguma, em uma conversa interessante com Jeonghan.

— Desculpa, te trouxe até aqui tagarelando sobre o lugar, mas não sei o que dizer além de como o chá tá bom. — Ele ri sem graça, mexendo seu café com a colher antes em cima da mesa.

— Não te condeno, eu também tô assim.

Rimos. 

— Eu tô nervoso por… sei lá… estar com você…?

Não sei se isso era para sair como uma afirmação, porém, se era, não deu certo. Seja auto-questionamento, confirmação ou simplesmente palavras que nem precisam ser alguma coisa, estou com o estômago na boca. Aquela cratera na barriga a qual deixa um frio inexplicável de nervosismo. Nunca imaginei que um dia eu estaria assim, em um encontro com ele, tendo Jeonghan dado o primeiro passo até mim. Bem, na verdade já imaginei, mas não tão assiduamente. E embora eu queira respondê-lo com algo tipo um “tá”, da maneira que cheguei, calada, ainda estou. Agora mais ainda.

— Quer pedir alguma coisa? Uma torta, bolo?

— Não, eu… Eu também tô nervosa por estar aqui, sabe? Com você, em específico.

Vejo-o impedindo que um sorriso cresça no canto de seus lábios, contudo ele quase falha ao pressionar a língua contra a bochecha. Jeonghan passa seus dedos pelas mechas da frente, fazendo-as caírem suavemente para o lado direito, e consigo sentir o cheiro suave do seu shampoo, o qual me lembra o de Jeongguk. Droga, Jeongguk.

— Quer sair mais tarde? Sei lá, ir ao karaokê, assistir um filme?

Toda e qualquer pergunta inesperada que me faça esquecer do quão mexido Jeon pareceu ontem é válida nesse momento. Não se concentra nisso agora, ______. Não é e não será todo dia que você poderá sair com quem gosta. 

— Claro. Vai ser bom, eu quero, sim. 

Posso respirar aliviada pelo convite ter dado certo. 

Francamente, não sei qual é a do meu cérebro. Não tenho um pingo de ideia do porquê lembrar de como as últimas gotículas de água que restavam brilhavam em sua pele, de como o aroma do seu sabonete e shampoo eram gostosos, como seus braços foram fortes e certeiros ao me segurarem pela milésima vez, como o “eu também senti sua falta” ao pé do meu ouvido era confortável e me arrepiou a nuca. Talvez eu esteja maluca e algo em meu organismo está errado por eu estar na companhia de Jeonghan. Provavelmente o cheiro de seu shampoo esteja tão presente em minhas narinas que meus pensamentos tenham viajado até Jeon sem camisa. Oh, meu Deus! O que eu estou pensando?

— Eu tô afim de você, ______. Faz um bom tempo, já.

E essa controvérsia continua. Quando ela se instaurou, nem me lembro mais. Jeonghan de um lado, com todo seu charme e jeito encantador de ser, confessando somente agora que também nutria algo por mim e, fato, há um tempo; Jeongguk do outro, o mesmo de sempre, mas se comportando de maneira estranha, também há um tempo. Seja culpada a beleza do Yoon, ou o tempo e histórico de amizade que tenho com Jeon, eu não sei o que responder quanto a confissão. Embora eu queira me levantar daqui e correr até a porta, quem sabe me escondendo, logo depois, em alguma pousada aqui por perto, não consigo me mover, porém tremo. Minha cabeça e peito agitados, meu estômago embrulhando e um frio correndo da minha nuca até minhas coxas.

Eu quero falar, eu preciso falar que é recíproco, contudo minhas tentativas de fazer com que algum som seja emitido por minhas cordas vocais são inteiramente fracasso, tempo perdido. Tento mais uma vez quando percebo seu rosto e orelhas vermelhos como um morango maduro, seu sorriso astuto se desmontando gradativamente e transformando-se em um franzir de cenho o qual me deixa perturbada, porém sei que é por única e exclusivamente culpa minha. Seus ombros escondem seu pescoço, tensos e encolhidos, posso ouvir um suspiro por sua parte e olhar como suas têmporas saltam em sua cabeça. 

Todas essas coisas, todo esse caos rondando minha fala perdida e a mandíbula tensionada de Jeonghan é culpa de Jeongguk, posso dizer. Culpa minha. Minha culpa por agora perceber que Jeon ainda tem suas formas, mesmo que simples, quase imperceptíveis, de mexer comigo. De deixar-me nessa dualidade de suspirar continuamente pelos atos de Jeonghan, e sentir raiva de si por me fazer limpar a maldita estante de sua sala e depois me buscar sempre com um sorriso no rosto quando meu expediente no trabalho acaba.  

Jeonghan mudou de assunto. E por mais que na nova conversa eu esteja mais calada do que de costume, sinto-me aliviada pelo sentimento de aperto por não estar respondendo ter ido embora. E também sinto-me arrependida por não ter respondido e, ele, trocado o disco. Jeon idiota. ______ idiota. O pior é aquilo de ter prometido ser como uma irmã. Proteção, carinho, afeto. Nada que envolva beijos, transa ou o que for. Não que eu pense nisso. Só quero que aquele amor platônico continue enterrado e se decomponha o mais rápido possível que for possivelmente possível.

 — Você falou a Jeongguk que nós iríamos sair?

Demoro segundos para responder, pois esse é o tempo em que me pergunto se é realmente necessário tocar no assunto “Jeon”.

— Sim.

Jeonghan arregala os olhos brevemente enquanto termina seu segundo copo de chá.

— E ele…?

Dou de ombros.

— Não temos um relacionamento fechado.

— Gostaria de ter um?

— Se eu me interessasse verdadeiramente por alguém e isso não fosse apenas unilateral, posso dizer que sim. Claro.

Ele passa a mão pelos fios castanhos de seu cabelo assentindo à minha resposta, apesar de não parecer ser preciso.

— Podemos sair agora, se você quiser. 

Olho para fora, admirando os últimos resquícios da tarde pintando o céu em nuances de roxo e azul, uma estrela solitária brilhando bem forte nele. Sorrio com a paisagem e por mais uma vez sentir que isso é real. Que estou saindo com Jeonghan. Só nós dois. Sem álcool, sem verdade ou consequência. Essa vontade de querer ainda mais desse encontro rodopia dentro de mim como um furacão, gelando-me a boca do estômago por não saber o que vai acontecer. Porém sua mão sobre a minha, fazendo uma leve massagem com seu polegar, é como um sinal de que é bem provável que as peripécias da noite sejam as melhores e que ela está apenas começando.

A noite acabou. 

E acabou nessa ligação de poucos minutos que parecem estenderem-se em horas, para mim. Assim que saímos da cafeteria, o celular de Jeonghan vibrou em seu bolso, anunciando uma ligação. Ele viu a tela e pediu que eu esperasse um pouco, andou poucos metros e atendeu a ligação aos sorrisos. Oh, Senhor, que não seja para estragar a noite, que não seja isso, por favor…

— Surgiu algo. Acho que vamos ter que deixar para um outro dia. 

Droga.

— Desculpa, ______.

Esqueço-me de até mesmo quem sou quando sua destra toca entre minhas escápulas, causando uns arrepios quando amacia por ali. 

— Tudo bem. Se é importante você deve ir. Quer dizer, por mais que não seja não devo te impedir de ir, mas não que eu queira fazer isso, até porque é sua escolha ir ou não ir… Tem como me fazer parar de falar?

Pela segunda vez no dia arranco um sorriso aberto daqueles de tirar o fôlego do homem ao meu lado. Fico encarando por muito tempo seus dentes branquinhos, seus lábios rosados, suas bochechas um pouco vermelhas, possivelmente pelo ar frio daqui de fora. Seus olhos. E nem sei quando isso aconteceu, contudo ele também está me encarando agora, o semblante transmitindo seriedade, olhando direito para minha… Oh-ou.

Quando Jeonghan se aproxima eu tento não me movimentar e por consequência estragar o que venho fantasiando em meus sonhos faz tempo. Sua mão foi da região de minhas costas para meu ombro esquerdo, dando leves apertos enquanto chega mais perto. A única coisa que consigo fazer ao passo que sou hipnotizada por seus lábios semi-abertos vindo à procura dos meus, é dar passos vacilantes para trás, até que eu me encoste na parede da fachada de uma loja ao lado da cafeteria. Jeonghan está cada vez mais perto e eu sinto o cheiro doce do chá presente em seu hálito batendo em meu rosto. É gostoso, aconchegante. 

Até o meu celular tocar. 

Eu amaldiçoo e xingo os milhares de xingamentos possíveis de proferir mentalmente com meus olhos bem fechados. Tão fechados que os globos oculares chegam a doer. Por mais que eu tente, é impossível abrir minha bolsa de forma delicada quando a lei de Murphy quis se aplicar, pela primeira vez no dia, justamente quando eu teria os lábios finos do acastanhado sobre os meus. Se movimentando junto aos meus. Justamente quando depois de anos eu saberia como é beijar novamente. Tenho o aparelho em mãos e me controlo para que, se for spam, eu não o jogue contra o asfalto agora mesmo. 

Jeongguk. É Jeongguk o nome que brilha na tela. 

— Pode atender. Eu vou indo, ok?

Jeonghan me abraça, mas nem estou entretida nisso. O que é um abraço amigável perto de um beijo íntimo? Maldito. Maldito “não perturbe” que eu poderia ter ativado, porém não o fiz. Nesse exato momento, sinto mais daquilo de “chorar pelo leite derramado” dentro de mim. Ele se afasta aos poucos, e, ao ver que dobrou a esquina, revirando os olhos sentindo minhas têmporas quase saírem para fora, atendo. 

— O que é, Jeon?

Ouço sua respiração um pouco irregular.

— Jeongguk, você tá bem?

Sim. Estou, sim. Tá brava? 

No momento querendo arrancar sua genitália e possuída por uma ira que nunca pensei ser possível de se sentir. Se isso é a definição ou uma das definições de estar brava, sim, com toda a certeza que pode-se existir na face dessa injusta Terra, eu estou.

— Não. 

Você tá bem?

Rio em descrença.

— Qual é, Jeon?! Você quase nunca me liga e agora quer saber como eu estou, assim, do nada? Eu estou muito bem, ok?! Só não por…

Travo. A porta se fechando num baque forte ontem quando chegamos.

Por…?

— Esqueça. Eu disse nada. Vou desligar.

Inspiro e expiro com intensidade quando encerro a chamada. Algo bate tão forte em meu cérebro que perco a capacidade de me manter em pé, então agacho-me apoiando meus braços em meus joelhos. Olho para o celular em minha mão e de repente sinto-me decepcionada comigo mesma. Por não decidir, ou ter uma ideia de como fazer isso. Por ser quase impossível de saber o que meu coração quer. Por estar dividida entre uma pessoa que demonstrou interesse e outra que hipoteticamente está querendo alguma coisa, contudo é como um irmão para mim. A promessa que fiz a mim mesma vindo à tona, e decido mirar o caminho cujo Jeonghan seguiu até virar a esquina. 

Faz quase um ano. Quase um ano inteiro apaixonada por esse cara. Tantas vezes sofrendo internamente por vê-lo com outras garotas, postando fotos e selfies com outras garotas, pelos corredores do prédio trocando olhares com outras garotas. É como se tudo isso tivesse valido de nada por eu estar gostando de Jeon também. Ok, ok. Admito. Aquele amor platônico volta novamente e com mais intensidade que antes. E isso me tortura emocionalmente, pois quero ir e decidir pelo coração, porém não sei a quem ele pertence em maior porcentagem. Ou todo. 

Não sei se eu deveria me entregar e experimentar ambos os lados. Não quero ferir nenhum dos dois, não quero me ferir; mas não vejo outra saída além dessa, ou de desistir de Jeonghan e me afastar de Jeongguk.

Assim que piso no apartamento, sinto o cheiro característico de café, cujo lembra onde eu estava há minutos atrás. Yoongi está na cozinha, despejando a água no coador e ele só me nota quando ouve a breve musiquinha da fechadura da porta. Trocamos olhares por poucos segundos antes que eu vá para a mesa da sala de jantar e deixe minha bolsa sobre ela, sentando-me na cadeira e deitando minha cabeça sobre a superfície de vidro. 

Bufo, sem ânimo. Não mais, talvez, pelo provável beijo não ter acontecido. Não mais por não estar na companhia de Jeonghan nesse exato momento, ambos embebedados e cantando as letras de música erradas no karaokê do bairro. Esse sentimento estranho de não estar chateada por algo do qual eu deveria teoricamente estar, permeia meu corpo inteiro, causando uma espécie de cansaço por um peso imaginário. Minha mente já não se concentra mais em como os minutos ao lado do Yoon foram como um sonho milagrosamente realizado e se abstém de qualquer dúvida sobre o porquê de Jeongguk ter simplesmente achado que deveria me ligar no início da noite, no seu fim de expediente, apenas para perguntar se eu estava bem. Bom, parando para analisar com cuidado, eu desliguei antes mesmo que ele pudesse dizer um “a” coeso. 

O som do pires e o fundo da xícara em atrito quando o Min os coloca sobre a mesa, tira-me das dispersões de pensamentos. Olho de soslaio para a louça com o café fresco aproximando-se do meu antebraço e suspiro ao sentar-me corretamente. Encaro o vapor subindo e desaparecendo por meus olhos, então subo meu olhar para o de cabelos azulados sentado a minha frente. Ele tem os cotovelos apoiados sobre a mesa e seus dedos entrelaçados fazem uma cama para seu queixo. Seu rosto neutro, indiferente, mais uma vez me dá raiva por estar contrastando com o meu que está longe de ser assim. Sei que Yoongi não tem culpa e também tenho plena consciência de que eu estaria agindo como uma completa criança mimada, cuja acabou de deixar o pirulito cair e agora quer culpar Deus e o mundo, se eu descarregasse todo meu furor, pela confusão interna que sinto, nele. 

Eu sei disso, mas meu cérebro parece agir de maneira involuntária mesmo sabendo de tudo isso. 

— O que você quer?

É, acho que vou ser uma das primeiras desistentes nesse ramo de ainda ter esperança de que razão e boca ajam em conjunto para um bem maior. 

— Jeongguk me falou sobre o namoro falso entre vocês. 

E eu me desarmo. Nem dá tempo de ficar na defensiva, porque meu rosto de certo demonstra o quão verdadeira é a frase que ele profere. Minhas costas estralam e eu me vejo obrigada a encostá-la na cadeira, pois de repente sinto que ela é meu único apoio. Sinto-me tão vulnerável, quase como se eu estivesse nua, e Yoongi apenas falou que sabe sobre o caso, não do que se trata. 

Jeongguk e sua boca grande quando lhe convém.

— O que você quer? O tal de Jeonghan ou Jeongguk? — pergunta, invasivo.

Nem eu mesma sei responder. 

— Você tem nada a ver com isso, Min.

— Eu sei. Mas não deixo de ficar preocupado. Você, que tem mais a ver com isso do que qualquer outra pessoa, é claro… Como se sente, em relação a toda essa bobalheira que inventou?

Também não sei. Sou um monte de incertezas. Era tão lindo, na teoria: chamo atenção por estar com Jeon, Jeonghan consequentemente me nota, nós nos aproximamos, assim que tudo isso acontece termino o trato com Jeongguk e todos vivemos felizes cada um em seu canto. É óbvio que por ser eu, a vida não deixaria tudo acontecer com a minha pessoa pisando em pétalas ao invés de ovos. Claro que, por ser eu, tinha de ficar dividida entre dois

— Jeonghan disse que tá afim de mim. — Observo suas sobrancelhas levantarem. — Mas, estranhamente, não consegui responder que é recíproco.

— Porque além dele, você gosta do Jeon, não é?

Dou de ombros. É simplesmente assim. Antes tarde do que nunca. Percebi que isso tá rolando e me ferrei legal. É tão difícil estar em cima desse muro, principalmente quando você tem medo de pular para algum dos dois lados. Desejo Jeonghan, mas penso em Jeongguk; estou com Jeongguk, porém só consigo falar de Jeonghan e como meu plano é perfeito. Era perfeito. Nunca foi, na verdade. 

Não sabia que era tão complicado esse negócio de se apaixonar, e sinceramente invejo Jeon por nunca tê-lo sentido. Semelhante a essas semanas em que estou no lugar de Jeremy e tenho uma carga pesada inteira em cima de mim, essa confusão pesa como uma manada de elefantes em minha cabeça. Essas confusões. Tenho medo de ficar com Jeongguk e acabar, mais para frente, com os anos de amizade que temos; contudo não quero ter algo com Jeonghan e não estar ali, sabe? Porque meus pensamentos estão em Jeon. 

— Não quero machucar Jeon. 

— Então, fique com ele.

— Não é assim tão fácil! — exclamo num fio de voz. Enxugo algumas lágrimas que rolaram quentes por minhas bochechas e respirei bem antes de continuar. — Eu quero estar com Jeonghan, mas também quero Jeongguk. Mas eu não posso ter Jeon e isso me dói. E, sim, eu sei que mesmo assim posso ficar com Jeonghan, porém… é tudo tão confuso, Yoongi.

Ele suspira audível, recostando na cadeira. 

— Quando a mãe dele morreu, eu o vi chorar e me senti tão vazia. Como se ele fizesse parte de mim, como se ele precisasse sorrir para que eu sorrisse também. Então, prometi a mim mesma que o protegeria com todas as minhas forças. Que aquele amor platônico infantil que já senti por ele seria passado. Que eu seria como uma irmã. 

 — Você era só uma criança, ______. Nem tinha saído das fraldas direito para dizer ou pensar algo coerente. Você pode ser essa irmã-protetora, essa melhor-amiga-companheira mesmo tendo algo sério com Jeon. 

— Você não entende. Eu não quero machucar algum dos dois por conta da minha futura decisão. 

— Você pensa demais. 

Ele se inclina, voltando à posição relaxada e contrastante com a minha, em que estava. Quero afundar minha cabeça em meu pescoço, ou quem sabe eu tenha sorte e uma cratera se abra no assoalho abaixo de mim. É decepcionante pensar em tudo isso e é ainda mais constrangedor contar sobre esses pensamentos de maneira tão libertina para alguém que nem conheço direito. Para alguém que eu deveria odiar. 

— Assim como feridas cicatrizam com o tempo, pessoas mudam aquele disco arranhado, entende? Eu sou péssimo com analogias. — Ele ri pelo nariz. — O que eu quero dizer é: não fique se martirizando. Viva sua vida, independentemente se for com Jeonghan ou Jeongguk, ou nenhum dos dois. Dê, sim, uma chance, mas para si mesma nesse quesito de descobrir o amor ou algo do tipo.

Ele poderia muito bem ficar ao lado de Jeongguk. Poderia rir da minha cara e apontar o dedo para minha testa dizendo que sou pirada, que sou infantil, que sou idiota por pensar assim, tão dividida. Por, como ele disse, pensar demais. Contudo, surpreendentemente, Yoongi está do meu lado. Talvez ele tenha conseguido absorver com sentido alguma das coisas sem nexo as quais falei, e confesso me sentir mais relaxada. Agradecida.

— Se eu soubesse que ficaria ainda mais gato e daria conselhos tão bons assim, não teria desistido de você.

Rimos, seu sorriso gengival encantador fazendo-me abrir mais do meu. Yoongi, ainda sorrindo, procura algo em seu bolso, e eu tomo um pouco do café oferecido. Está morno, mas não muito frio. O aroma é bom e o gosto delicioso. Reconfortante. Espanto-me quando de repente uma caixinha é colocada à minha frente, especificamente, uma das muitas que faziam parte do meu armário na antiga casa de Jeon: uma de pepero

— Isso é para você. — Seu sorriso agora oscila para um tristonho, daqueles que sei bem serem de culpa. — Desculpa por não ter te tratado como você realmente merecia, naquele tempo. Jeongguk quis quebrar minha cara quando ainda peguei seu último pepero. 

— Eu também queria quebrar isso que você tem aí. — Gesticulo, apontando para seu rosto. Nós soltamos uma risada que logo se esvai no ar, deixando apenas uma sensação quente e nervosa no estômago.

Não consigo imaginar Jeongguk bravo por uma caixinha de pepero que sequer era dele. Na verdade, por uma simples caixa de pepero. Rio com o não-pensamento. 

— Ei — Yoongi profere, chamando minha atenção. — Não é mais hora de pensar com isso — coloca o indicador em sua cabeça — e sim com isso… Não acha? 

Apenas observo onde sua mão se posicionou ao deixar a pergunta no ar e suspiro. Seus dedos se arrastam da parte esquerda de seu peito para minhas mãos sobre a mesa, apertando-as levemente. Trocamos sorrisos cúmplices, esquisitos. Tão íntimos que chega a parecer que somos amigos há tempos. Eu realmente o beijaria agora se não estivesse tão presa a duas pessoas completamente livres e Jeongguk não tivesse chegado agora, olhando de nossas mãos unidas para nossos rostos, conectando seu olhar ao meu. 

— Precisamos conversar. 

Engulo em seco.

...

Deve fazer pouco mais de três minutos que entramos em meu quarto e estamos nesse silêncio desconfortável. Jeon disse que precisávamos conversar, mas justamente ele não proferiu palavra alguma. Ele está em pé, seu corpo encostado contra a porta, parece se distrair com o tique-taque do relógio analógico na cômoda com gavetas ao seu lado. Eu, sentada em minha cama, prefiro olhar pela janela o céu pintado de um azul-escuro bem estranho, não muito vívido, anunciando que possivelmente o tempo esfriaria ainda mais. 

— Vamos ficar nesse silêncio? — chamo sua atenção. Jeongguk parece ficar alarmado, pois segundos depois descruza seus braços e caminha em minha direção. Não é como se ele fosse me atacar, ou me prender contra o colchão, criando alguma cena inapropriada, contudo levanto-me da cama, pigarreando quando ele para já perto de mim. — Sobre o que quer falar?

Ele suspira audível e eu tenho vontade de suspirar junto. 

— Eu vi você e Jeonghan. 

Sim, tivemos um encontro. Sim, foi próximo de onde você trabalha. No que isso soma, ou vem a diminuir? Oh… Não sei se são apenas artimanhas do meu cérebro para me fazer passar vergonha, já que ele provavelmente sabe que não costumo agir consigo e sim com a boca, mas faz com que as coisas estranhamente se encaixem. A hora em que saímos da cafeteria, é quase o mesmo tempo cujo Jeongguk sai de seu trabalho, pegando o caminho da rua comercial para voltar. 

Você…

— Sim, eu liguei de propósito. 

Abro a boca por várias vezes, porém assim como não pude responder à declaração de Jeonghan, a confissão de Jeongguk parece ter tido o mesmo efeito. Meus olhos arregalam-se somente por pensar o quão filha da mãe Jeon foi por atrapalhar meu primeiro beijo com o Yoon. Ele sabe o quanto eu o queria, sabe o quanto tive de pensar em algo que fizesse-o me notar ao menos um pouco. Porém, não quero espancá-lo e isso é extremamente esquisito.

— Também o vi virar a esquina e se encontrar com Amber.

Ok, chega. Paramos por aí antes que isso se estenda.

— Mentira. 

— Por que eu mentiria? — Hm, bom argumento, algo dentro de mim alerta. 

— Por que razões não mentiria? — devolvo.

— Você o viu virar a esquina, mas e depois disso?

Suspiro alto e forte, irritada por Jeongguk sempre saber como me calar. Embora isso não evite que minha mente crie diversas teorias como, se fosse possível de acontecer, Jeon estar gostando de mim e querendo me afastar de Jeonghan usando mentirinhas infantis. 

— Olha, a questão é que posso continuar indo ao curso todas as quartas com você. — Ele pausa para me olhar bem nos olhos, depois fugindo para algum ponto ao lado dos meus pés. — Posso pegar na sua mão, se você quiser… Mas se me quiser como seu namorado, precisa ser verdadeira quanto a isso.

Seus olhos mostram uma dura sinceridade quando sobem até meu rosto novamente. Meu Deus. Sinto que minha garganta vai explodir, meu estômago vai incinerar de queimação, desejo enterrar não só minha cabeça, mas também meu corpo inteiro, de preferência dezessete palmos de jogadores de basquete abaixo da terra. Espera... talvez eu tenha só raciocinado isso de um jeito errôneo, redondamente enganada sobre o que acabei de ouvir. É, pode ser isso. 

— Se quiser um relacionamento, tem que ser sério. Porque...ahn… eu estou disposto a ter um com você.

Suas bochechas e ponta das orelhas ficam vermelhas como pimenta dedo-de-moça, e eu não devo estar tão diferente de si. Digerir as palavras nada rebuscadas, as frases simples e curtas que Jeongguk acabou de proferir está levando milênios a casa segundo. Meus batimentos saltam loucos dentro da minha caixa torácica, chegando a ser incômodo. Sinceramente, explicar detalhadamente como me sinto agora, qualquer palavra falada seria um grande e belo eufemismo de minha parte.

— Desculpe, por te deixar assim. — Suas mãos seguram meus ombros. Olho delas para seus olhos que aparentar estar sorridentes, tão brilhosos quanto os adesivos de estrelas colados dispersamente no teto de seu antigo quarto de infância. — É só… Quando te vi com Jeonghan, especialmente hoje, sei lá… acho que me senti bem incomodado. 

Engulo em seco, seu rosto está ridiculamente perto do meu. 

— Esquece o trato, porque não posso mais te ajudar. 

Eu vou desmaiar. 

— Eu não quero ver você se rastejando por e engrandecendo alguém que não te merece, ______. Isso deve ser porque gosto de você. Gosto muito. Talvez… talvez porque eu também esteja meio que muito apaixonado por você. 

Minha pressão caiu. Quantas vidas um ser humano tem? Isso só cabe a gatos, certo? Aquele negócio de sete vidas. Tenho certeza absoluta que apenas meu organismo está aqui, parado, hipnotizado esse tempo todo pelos lábios de Jeongguk movimentando-se em cada uma dessas orações, contudo minha alma vagando ao nosso redor.

Sinto uma espécie de frio esquisito quando Jeon afasta seu toque. Aquele monte de incertezas tornando-se outras novas divisões que me levam em pensamentos dos olhos cintilantes de Jeongguk para o sorriso estonteante de Jeonghan e vice-versa. Quando ele vira de costas para mim e começa a caminhar normalmente até a porta, como se nada houvesse acabado de acontecer, desejo que ele fique. Por mais que isso me cause frio na espinha, coração acelerado e um pequeno desconforto na boca do estômago, quero que ele fique e me conte mais sobre como se sente em relação a mim. Sacudo a cabeça, tentando fazer esses pensamentos irem embora, sem sucesso, pois assim que Jeon fecha a porta, deixando-me sozinha nesse quarto, só consigo jogar-me na cama e pensar, pelo resto da noite, na declaração de Jeonghan e no inesperado bônus-confissão-de-Jeon do dia. 





Notas Finais


E aí? Hehehehe. O que vcs acharam, hm? Comentem pra tia aqui ficar motivada e criem suas teorias do que vai acontecer daqui pra frente, pessoas!

Gente, tô começando a postar NQUJK no wattpad tbm (flopando). Quem quiser dar uma força, ou prefere ler por lá, é só procurar pelo meu user (@Salangae |nome: Salangs).

Gente, quero muito agradecer quem tá acompanhando a história até agora — e comentando lindamente— e já me desculpar pelos próximos caps. Esperem, fiquem tranquilas (os), porque não vou entrar em hiatus ou algo do tipo, só vou demorar um pouquinho mais para postar, mas sempre dando notícias de vida por aqui kkkk.

Ah, e se preparem ;)

Chero no cangote de todo mundo!

Salango vcs <3


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