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História Nas Sombras - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Sombras 08


Parecia o paraíso. As folhas das árvores abanavam calmamente. Os raios solares adentravam por entre as frechas, dando um cenário de cortar a respiração.

A queda não tinha sido fatal. Porém não a poupou a que não magoasse as suas costas. Deitada num manto de folhas, ela permaneceu assim até ter a sua respiração de volta e a dor acalmar um pouco. Além disso, a ferida do seu abdómen começou a sangrar mais ainda.

Preciso de arranjar algo para estancar o sangue.

Olhando em sua volta, não havia qualquer roupa disponível que a ajudassem. Depois lembrou-se que o cinto seria uma grande ajuda até ela achar Nick e as suas coisas, uma vez que era com ele que os seus pertences tinham ido. Levantando-se com cautela, ela foi na direção dos destroços. O cinto que tinha cortado estava no chão. Agachando-se, ela o agarrou e enrolou-o envolta da sua cintura. Quando o apertou, as lágrimas vieram aos seus olhos. Apesar de não o ter apertado com demasia para poder respirar, tinha de ter algum aperto para evitar o sangue escorrer mais. Pronta, ela desviou-se dos destroços do helicóptero e começou a sua busca por Nick no meio de uma floresta densa sem caminho certo.

_***_

A catedral era grande. A maior da cidade de Peru. Sentado numa cadeira, na sua pata um copo com whiskey pendia sobre os seus dedos. A outra pata livre, tinha um cigarro meio fumado e dava apoio à sua cabeça. Nas suas pernas cruzadas, um diário. Na mesa a seu lado, o punhal.

"Só precisamos da caixa e tudo fica resolvido."

De um lado para o outro, Dr. Dominguez suspirava em frustração. Na mesa na sua frente, um mapa estendido exibia marcar vermelhas em sítios críticos onde poderia estar a caixa.

"Cautela, meu amigo. O stress não ajuda no foco."

"Há dois dias que viemos aqui parar e, há dois dias que nenhuma das buscas são conclusivas."

"Espera mais um pouco. Não tarda teremos a caixa nas nossas patas."

Dominguez encarou a raposa.

"Queres-me explicar como?" o seu nervosismo era visto nos seus movimentos agitados à medida que falava.

"Dá tempo ao tempo. Vais ver que irás encontrar a caixa o quanto antes."

Andre bebeu um pouco do whiskey. Depois, fechando o diário, ele levantou-se. Passando pelo lobo, ele colocou uma pata no ombro do mamífero.

"A coelha será a pista importante. O seu parceiro, o inimigo a eliminar."

Depois, desviando-se, ele saiu do escritório, fechando a porta atrás de si. Dominguez, confuso, ficou a olhar para o vazio do escritório.

_***_

Quanto tempo tinha ela percorrido a floresta? Judy sabia que estava no centro, mas não havia um fim concreto. As árvores altas davam-lhe abrigo. O som dos pássaros, davam a paz aos seus medos interiores. Mas havia um barulho constante que já a tinha sobressaltado ao percorrer da floresta. Judy sabia que o impossível era possível e, apesar de não haver relatos de tal, coisas estranhas podem acontecer. O barulho de tempos a tempos não era nada mais do que rugido profundo misturando com os barulhos magníficos da natureza. Mas, nesse rugido, havia algo de diferente. E, Judy sendo apta de uma audição sensível, ela conseguia distinguir isso muito bem.

Por outro lado, Nick não sabia o que fazer em concreto. Confinada num sítio onde a descida seria mortal, decidiu vascular as tralhas espalhadas a cada canto. O arco de Judy estava numa das caixas perto dele. As munições e a sua pistola, na mochila um pouco mais longe. O kit de primeiros socorros junto dele e, mais nada. Apesar de eles não terem trazido grande coisa, faltava uma mochila onde havia comida. Nick tinha-se levantado e arrumado o kit de primeiros socorros na mochila que continha a sua pistola e algumas munições. Fechando esta, verificou os fechos do lado de fora. Duas lanternas e os walkie-talkies também. Mas, mais nada. Fechando os fechos, ele pegou na mochila e colocou num ombro. No outro ombro, colocou o arco e a bolsa com as flechas. Depois, agarrou num pau grosso o suficiente para aguentar com o seu peso e decidiu percorrer um pequeno caminho que tinha visto. Adentrando assim, pela floresta mais densa.

Não era sua imaginação, apesar do cansaço físico começar a se apuderar do seu corpo. A falta de água também era um problema. A sua boca estava seca e as reservas do seu corpo estavam-se a esgotar. E para ajudar ainda mais, não havia um lago ou rio à vista. No entanto ela sabia que não era sua imaginação. O rugido que a acompanhava há já algum tempo, parecia cada vez mais perto. Disso, ela tinha a certeza. Além do mais, o chilrear os pássaros tinha cessado a algum tempo. Seria o medo? Os pássaros são sensíveis e quando eles paravam de cantar, havia alguma coisa a temer. Portanto, o silêncio da floresta aumentou o medo esquecido da coelha. Para ajudar, os galhos das árvores no chão, comum à sua passagem, era partidos a cada passo. E, Judy sabia que não era ela a fazer isso.

Será que os mamíferos de Andre estão por aqui?

Seria uma boa hipótese, já que ela e Nick tinham ficado a saber que ele tinha aterrado dois dias antes ali. Mas o rugido persistente fazia aumentar as suas dúvidas. Tentando se focar em não perder a visão já turva, a falta de água e o cansaço enorme no seu corpo, ela forçou as suas pernas à percorreram o já habitual caminho lamacento por debaixo das suas botas. Até que, a sua caminha foi interrompida repentinamente.

_***_

Afinal, o caminho não era grande. O que parecia uma enorme descida, foi no mínimo uns pequenos metros até Nick dar com o lago que tinha visto do cume da pequena montanha. Aproveitando por ter encontrado água límpida, retirou a mochila e o arco, tal como a bolsa com as flechas, das costas e pousou as coisas no chão. Depois, agachando-se perante a mochila, abriu esta e retirou duas

pequenas garrafas. Retirando a tampa destas, ele se aproximou do lago e encheu-as. Uma ele fechou logo, a outra ele bebeu quase toda a água, voltando a enchê-la e fechando-a novamente.

Ficando um pouco ainda de joelhos, ele contemplou a paisagem à sua volta. Fechou os olhos e respirou fundo.

Espero que estejas bem, Judy!

De repente, um som estranho alertou-o. Virando a sua cabeça para onde tinha ouvido o som, atrás de si reparou que os arbustos se remexeram. Sem entrar em pânico, ele levantou-se a custo, voltou a guardar as garrafas na mochila e pegou nas coisas. O arco não foi para as suas costas. Nick retirou uma flecha e posicionou-a pronta a ser disparada. As suas orelhas moviam-se em pequenos ângulos, procurando ouvir os mínimos barulhos possível. Apesar de não ser dotado de uma óptima audição como Judy, ele tinha algo a seu favor. A visão noturna. Apesar de ainda ser de dia, Nick conseguiria ativar a sua visão quando quisesse e, naquele momento, ele assim o fez. Porém, quando viu o que estava atrás do arbusto, se a morte não o teria vindo buscar anteriormente, talvez ali, e agora, ele tinha de agir depressa.

_***_

Judy agradeceu pelo seu estômago estar completamente vazio. Mas, mesmo assim, a sensação de vómito avassalou-a. Sangue. Havia um rasto de sangue. Ela foi forçada a tapar o nariz. O cheiro era terrível. A cada passo, um arrepio subia-lhe pela espinha acima. Sem sítio por onde se desviar, as suas botas pisavam o chão lamacento coberto com o sangue. Além disso, havia resto de…Judy só teve tempo de se desviar e vomitou o que não tinha no estômago. As mortes já há muito não a incomodavam, mas ver membros de mamíferos espalhados, era uma novidade. Portanto, o seu estômago não aguentou.

Que monstruosidade fez isto?

Voltando a se recuperar, o seu estômago ainda dava sinais de não ter deitado tudo para fora. Porém, ela fez força para não vomitar e continuar a andar. Novamente, o rugido. Desta vez, mais perto.

Judy parou e arrebitou as orelhas. Todos os seus sentidos de alerta foram postos à prova. Olhou em todas as direções, mas nada viu.

Novamente, o rugido. Desta vez Judy procurou por algo com que se pudesse defender. Apesar de ser ágil a correr, naquela lama e sangue, as suas tentativas de escape acabariam por correr mal. Por sorte, junto a si havia vários pequenos troncos. Não seria de grande ajuda, mas pelo menos não estaria tão indefesa.

Continua…



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