1. Spirit Fanfics >
  2. Nascida Para Brilhar >
  3. Volta de Apresentação

História Nascida Para Brilhar - Capítulo 1


Escrita por: nyotauhura

Notas do Autor


Olá, amigos! Essa é a primeira história que eu estou postando aqui e etc etc etc...
Por mais bizarro que pareça eu tive a ideia de escrevê-la ouvindo "Haunted" da Beyoncé, há alguns anos, o resto, se desenvolveu com o tempo. Espero que gostem! Beijossss

Capítulo 1 - Volta de Apresentação


Ajeitei a minha jaqueta e pus uma mecha do cabelo atrás da orelha enquanto estava dançando ao som de uma música eletrônica que me era muito familiar. Jason Derulo? Provável que sim. Forcei um pouco mais a vista sob as luzes coloridas e pulsantes que se destacavam na escuridão e levei ambas as mãos para o alto, balançando-as ao ritmo das batidas que também faziam com que o meu corpo se movimentasse. Eu estava concentrada em divertir-me, mas não o suficiente para me distrair. Virei-me para trás ao sentir um único toque leve em meu ombro e dei de cara com um rapaz alto e forte, olhos azuis, pele clara e cabelos lisos e castanhos.Seu sorriso era atraente e ele tinha um olhar incrivelmente cativante. Não deixei de soltar um “uau” dentro da minha cabeça, mas por fora, minha expressão estava tranquila e receptiva, apesar de eu saber que transmitia bastante autoconfiança e segurança.

— Oi, e aí?

Eu não esperava nada de diferente ou super especial dado o ambiente no qual estava, mas precisei admitir que a chegada havia sido um pouco... decepcionante.

— Oi. — Eu respondi de volta e sorri.

— Você é mesmo linda. Eu nunca te vi por aqui antes.

Se ele fosse um piloto em dia de corrida, eu diria que ele havia feito uma volta de apresentação muito ruim.

— Eu realmente não ando por aqui. Costumo ir em mais East London.

— Entendo. Gostando de Mayfair?

— Estou positivamente surpresa — Eu ri.

— Na verdade quem está positivamente surpreso sou eu por ter encontrado alguém como você.

— Obrigada pelo elogio...

— James.

— Jessica.

Eu gostava daquele nome e não era só porque era o mesmo nome do meu irmão mais velho. O James que não era o meu irmão me deu um sorriso cheio de segundas intenções e me olhou de cima a baixo, parando o olhar em meu rosto e fixando-se nele. Por um segundo, pensei que ele estivesses prestes a soltar uma daquelas baboseiras que alguns homens adoram usar sobre o rosto de uma garota para tentar cantá-la, mas ele parecia estar me olhando como se estivesse observando alguém conhecido – ou que não se recorda de onde conhece.

— Seu rosto é mesmo fantástico, mas ele me é bem familiar.

— Vou deixar que adivinhe.

— Eu imagino que você acabe falando mais rápido do que eu tente adivinhar. Ser rápida é com você mesmo.

Eu não pude deixar de rir.

— Então você gosta de automobilismo?

— Sou fascinado.

— Legal... — Eu acabei deixando transparecer um pouco de desinteresse.

— Você está sozinha?

— Hmmm, na verdade, não.

Lamentei pela expressão de decepção do bonitão que estava diante de mim, mas não quis mais ficar ali por muito tempo para observar.

— Se me der licença, James... foi um prazer conhecê-lo.

Eu sorri e me retirei de onde estava, indo até o bar e sentando-me ao lado de um rapaz moreno que estava com o celular na mão e uma lata de refrigerante à sua frente, sobre o balcão. Ele se virou para mim e abriu um belo sorriso receptivo. Mesmo com a iluminação fraca eu conseguia ver bem os seus olhos grandes e castanhos. Pus a minha mão em seu rosto e acariciei-o, devolvendo-lhe o sorriso. Aquele era o meu melhor amigo, Daniel, e enquanto ele estivesse por perto, eu sabia que não estaria sozinha.

— E aí?

— Perdi o meu tempo tentando falar com o Sam esse tempo todo. Ele deve estar dormindo.

— Sam é um preguiçoso.

— E se realmente estiver dormindo, ele vai vir com aquela desculpa de que “precisa armazenar energia para as próximas corridas”.

— Não precisa dele para se divertir quando se tem a mim, Danny.

— Eu estava esperando você dizer isso, Jessie.

— Sei — Eu dei uma gargalhada — Você bebeu alguma coisa?

— Só essa Coca.

— Pega uma cerveja. Deixa que eu dirijo hoje.

— Vai me levar em casa?

— Óbvio que sim. Qualquer coisa você sabe que tem o chão da minha sala de estar, ou o meu sofá.

— Convite tentador, mas eu acho bom evitar dores nas costas no momento.

— Vai fazer desfeita?

— Só dessa vez.

— Ah, vai... eu te perdoo.

— Como sempre.

Daniel pediu uma garrafa de cerveja e segurou minha mão para me tirar daquela área assim que a pegou. Voltamos para a pista de dança e eu não pude deixar de rir porque Danny definitivamente não precisava de muito álcool para ficar alto. Ele também riu, mesmo sem saber do que eu estava rindo, e passou uma das mãos pelos cabelos castanho-escuros, grandes e sedosos. Ele era apenas 1 ano mais velho que eu, tinha 20 anos e assim como eu, também era piloto. Eu o havia conhecido há mais anos do que eu poderia me lembrar, especificamente, nos meados de nossas adolescências. Nós dois éramos recém-chegados do kart na Fórmula Renault; eu era a única mulher, inglesa, e ele, o único brasileiro. Sabíamos o que era ser diferente, mas não havia sido por essa razão que acabamos nos aproximando. Eu conseguia me lembrar perfeitamente de um dos primeiros testes em que Daniel havia se esquecido de levar coisas para comer e por pouco não desmaiou. E, “por pouco”, leia-se “eu”. Estava com mais lanches do que costumava carregar comigo e dividi-o com ele. Acabei salvando um jovem piloto e ganhando um novo amigo que me acompanhou pela GP3 e agora pela Fórmula 2, dessa vez, como colegas de equipe. Nós tínhamos outros amigos – como o Sam, também piloto, era um dos amigos mais próximos de Danny –, mas a nossa relação era diferente e mais especial. Nós éramos realmente ligados um ao outro de uma forma que talvez tivéssemos dificuldade de expressar. Não tinha problema. Sempre havíamos sido melhores com ações do que com palavras, ou do contrário, não teríamos construído uma carreira no automobilismo.

— Ai meu Deus, você está bêbado!

Daniel deu uma gargalhada tão contagiante que me fez rir também. Ele passou o braço pelo meu pescoço e beijou minha testa, levando a mão com a qual estava segurando a garrafa de cerveja para o alto e voltando a dançar logo em seguida. Não pude deixar de acompanhá-lo.

— Eu aguentaria ficar lá por muito mais tempo, você sabe, Jess.

— Ai meu Deus — Deixei um dos braços do meu melhor amigo em volta do meu pescoço e abracei a sua cintura. Não era a primeira vez que eu terminava como babá de um adolescente bêbado. — Sabe o que é pior?

— O quê?

— Nem o cheiro de álcool consegue te deixar menos cheiroso.

— Eu sei que você gosta do meu cheirinho... — Daniel riu e eu revirei os olhos.

— Convencido.

Abri a porta do carona do meu carro, um Honda Civic branco, e soltei Danny para que ele se acomodasse. Corri para também entrar no carro e assim que fechei a porta, olhei para ele de cara feia.

— Que foi?

— Você não colocou o cinto de segurança. Eu não ando sem cinto de segurança.

— Hmmmm...

Ele resmungou, mas eu dei de ombros. Me estiquei para alcançar o banco dele e eu mesma afivelei o seu cinto de segurança, fazendo o mesmo com o meu. Fechei a porta do motorista e finalmente dei a partida no veículo. Eu bem que tentei, mas não pude evitar afundar um pouco no banco com certo relaxamento ao ouvir o som que o motor do meu bebê fazia. Estava concentrada na estrada e, ao mesmo tempo, no som, até a voz do meu brasileiro favorito chamar a minha atenção.

— Não me deixa dormir, Jess. Se não você vai ver estrelas quando tentar me acordar, e eu sei que você vai me largar dormindo aqui no seu carro.

— Ainda bem que você me conhece.

— Você é má. — Ele fez um biquinho muito infantil.

— Eu só não acho saudável mimá-lo o tempo inteiro.

Danny conseguiu arrancar uma risada de mim com uma careta nada madura. Eu me virei para olhar para ele por alguns segundos e não pude deixar de observar que ele continuava muito bonito mesmo forçando para fazer cara feia.

— E então, conheceu alguém legal enquanto eu estava tentando falar com o “bicho-preguiça”?

— Ah, ninguém importante.

— Jura?

— Ah, uns caras... — Eu dei de ombros — E um tal de James.

— É o mesmo nome do seu irmão.

— É, eu sei... você acredita que ele me reconheceu?

— Tipo, reconheceu como piloto?

— É. Acho que o cara gostava mesmo de automobilismo. Para saber tanto de categorias de base...

— Você atraiu o interesse de todo fã de corridas para as categorias de base, bobinha. Acha que ninguém pararia para ver uma garota bem-sucedida em um esporte cheio de machões?

— É, acho que sim.

— Sem contar que para muitos caras você é a união do útil ao agradável.

— Isso foi um elogio?

— Ah...

— Danny.

— Você consegue unir beleza, talento e envolvimento num esporte muito respeitado e mais um monte de qualidades que eu aposto que tem muito cara por aí querendo descobrir.

— Se tem caras que ainda não a descobriram, então eu julgo que você por ser tão próximo de mim as conheça bem.

— Não tem ideia do quanto.

— Ah é? — Eu olhei para ele, desafiadora — Manda a ver.

— Bem, você é ótima cozinhando. Tipo, muito. Adoro almoçar com você por isso.

— Ei! Achei que fosse a minha companhia.

— Também — Danny riu — E você tem uma voz muito bonita. Lembro de me contar que quando era criança, as pessoas lhe diziam para se tornar uma cantora e não uma piloto. Deixe-me ver mais, hmmm... ah, você é muito centrada. Admiro a sua capacidade de não explodir nos momentos em que apesar de tudo você tem que manter a calma e a postura. E você tem um gosto excelente pra músicas e filmes, mesmo que goste das séries erradas. E eu também acho legal como você é sempre gentil com as pessoas, quer dizer, eu nunca te vi sendo grossa nem nada, pelo menos não sem necessidade. O jeito com que você lida com as pessoas que te admiram pelo que faz é mesmo muito legal. E você é cheirosa, acho bom mencionar isso, e mencionar que adora animais e é uma excelente mãe de pugs.

— Nossa. — Eu ri, um pouco surpresa. Sim, precisava admitir que havia ficado surpresa. Não esperava que ele pudesse reparar em tudo aquilo, afinal, não eram homens que geralmente não se atentavam à detalhes? Olhei para frente e diminui a velocidade do carro até pará-lo completamente quando notei que tinha acabado de me enfiar em um engarrafamento. Bati as mãos sobre o volante, em protesto — Ah, ótimo. Enfim. Eu não esperava que tivesse uma “lista de qualidades da Jessie”, sabia? Acabou?

— Hmmm, na verdade, não.

Levantei uma das sobrancelhas e pensei no que mais Daniel falaria, mas eu não tive mais tempo para pensar quando ele se esticou do jeito que pôde no banco do carona para chegar até mim, colocar uma das mãos sobre o meu rosto e me tentar me beijar. Eu reagi com um pouco de choque ao toque dos seus lábios carnudos e macios sobre os meus, mas como se o tempo tivesse desacelerado, eu pude parar para respirar fundo e sentir o seu perfume amadeirado e deliciosamente forte ao mesmo tempo em que sentia o calor da sua mão sobre a minha pele. Inconscientemente, eu pensei que não daria para resistir àquilo. E eu o correspondi. Não sabia muito bem o que estava fazendo, mas abri a boca e permiti que ele me beijasse. Respirei fundo, em relaxamento, e bem que tentei controlar meus dedos, mas não pude impedi-los de alcançar a sua nuca e afagar seus cabelos. Danny esticou um braço para abrir o seu cinto de segurança e com o mesmo ele segurou a minha cintura com uma firmeza que eu não imaginava que ele tivesse. Repentinamente, porém, eu me afastei dele. E por coincidência, o trânsito foi liberado e voltou a fluir como antes. Eu engoli em seco e apertei as mãos no volante, fixando meu olhar na estrada.

— Tinha faltado mais uma coisa que agora eu posso dizer: você tem um beijo muito bom.

O idiota do meu melhor amigo bêbado e que provavelmente não se lembraria de nada deu um meio sorriso que parecia ser mais para ele mesmo do que para mim e se acomodou em seu lugar. Não demorou muito para que ele apagasse no banco do meu carro.

— Ah, mas eu me recuso a ir para West London agora. Sem chances.

Agora eu só precisava pensar em como cuidar de um saco de batatas de 66 quilos e quase 1,80m de altura. E como cuidar de mim mesma, é claro.


Notas Finais


É isso. Espero que o primeiro capítulo tenha sido interessante! Obrigada por terem lido <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...