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História Natsu, where did you go? - Capítulo 3


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Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 3 - Lux Alliance


Fanfic / Fanfiction Natsu, where did you go? - Capítulo 3 - Lux Alliance

Já era tarde em Hayan, a leste do reino de Jova, quando o frio aparentava ser a única coisa confortante. Em meio aos campos desgastados pelo clima hostil e pelo rastro de devastação deixada pelas batalhas, as inúmeras cruzes fincadas no solo se perdiam de vista.

Em meio a essa cena um casebre abandonado se destacava pela luz que insidia da janela. Dentro não havia mobílias, e só uma lareira funcionava após anos em desuso, iluminando o chão de pedra coberto por uma rala camada de poeira e teias de aranha que desciam do teto. Um lugar inapropriado para uma pobre moça em trabalho de parto, sozinha.

Embora estivesse nua no chão empoeirado, sua expressão estava longe de ser agonizante. A mulher sorria maleficamente, como se almejasse aquela dor, os olhos castanhos pareciam querer sair das órbitas e seu corpo estava quase que inteiramente arranhado. Ela se automutilava murmurando coisas e em alguns momentos gritava enquanto socava a própria barriga, mostrando-se impaciente com o nascimento.

Fora da residência um sujeito viril estava escorado na porta, de braços cruzados, só lamentando o barulho que impedia seu sono de chegar.

O rapaz era novo, tinha um moicano esverdeado e apesar de grotesco tinha um belo rosto e olhos verdes, mas uma expressão de tédio contagiante. Suas roupas eram de um malandro frequentador de becos, com o logo da sua guilda se destacando em preto no antebraço. O que realmente chamava atenção era o descascamento constante de sua pele, dando-lhe uma impressão de sujeira. Esse já estava ali à espera de algo há três horas, que não fosse uma mulher demoníaca prestes a conceber a luz.

De repente, um barulho provém de arbustos próximos e uma figura aparece retirando folhagens do cabelo:

– Estou cansada disso Julius! – uma jovem indagou inconformada. Para a surpresa, essa estava flutuando no ar. Parecia odiar a ideia de por os pés no chão.

O mesmo logo em rosa se sobressaía na face plantar de seu pé esquerdo. Era atraente embora aparentasse um gênio infantil. Tinha longos cabelos compridos que de um lado eram grisalhos e do outro eram negros como a noite, olhos azuis, vestia-se com uma túnica que, para seu desagrado, se enroscava em qualquer galho:

– Isso é entediante. Até quando vamos ficar aqui?!

– Até aquilo resolver nascer. – indicando com o polegar a porta atrás de suas costas: - E você deveria estar vigiando ao redor. É essa sua obrigação, Nahema. – essa, porém, o mutila com os olhos e dando de ombros como uma criança teimosa:

– Honestamente, não sei por que me meti nisso. Zeref já morreu há muito tempo, não sei o que a Sacrus quer com isso.

– Já disse para não me fazer esse tipo de pergunta. Somos os peões a serviço e nosso serviço agora é esperar a freira de Zentopia dar a luz...

Nesse instante ouve-se um grito estridente, juntamente com o que parecia ser um choro de um recém-nascido. Em questão de segundos estalos de ossos e barulhos que lembravam um carnívoro devorando sua presa torturam os ouvidos. Antes que especulassem, inesperadamente um jorro de sangue e carne se espatifa na parte de dentro da vidraça da janela:

– E devorou a própria mãe?! – um pouco pasma: - Isso é nojento!

– O que mais você queria que ele fizesse? – Julius desencosta da porta e a abre com um chute.

O cheiro de podridão azedo e o calor sufocante dentro recinto era de dar ânsias. Sem que nenhum dos dois reparasse, as plantas e qualquer tipo de vida ao redor do local morriam quase que instantaneamente. Dentro tudo se encontrava ensanguentado e vísceras da suposta mulher estavam espalhadas por todo canto. Julius adentra desprezando a cabeça degolada, indo de encontro a um pequeno corpo nu deitando próximo à lareira.

Abaixando-se para vê-lo, aquilo era de longe um ser humano. Ofegando, aquela criatura estritamente pálida de fato lembrava um recém-nascido, mas os olhos, já abertos, eram completamente negros, sem vestígios de retina ou pupila. A boca entreaberta manchada por sangue mostrava dentes unicamente caninos. Aquela “coisa” surpreendentemente olhou para Julius como se também ambicionasse matá-lo, mas por algum motivo já se sentia satisfeito. Nahema se aproxima flutuando curiosamente:

– Então... Esse é o grande mago Zeref? – com a pergunta o rapaz se levanta, se presenteando com um cigarro e após uma longa tragada suspira:

– Por enquanto só uma parte dele, não é bonitinho? – zombou, recebendo um olhar objetivo da parceira: - Vamos levá-lo. Anda, pega ele.

– Eu? Pegar? Essa coisa?

Nahema, em sua má vontade, enrola o bebê em um pano qualquer e ao erguê-lo sentiu, por um momento, sua própria magia evanescer ao tocá-lo. Ao desviar os olhos para ele transpirou frio, percebendo que o mesmo a encarava macabramente, sorrindo.

Com isso Julius se volta para o tugúrio e sob um único estalo de dedos o chão estremece e em questão de minutos toda a construção vem abaixo. Percebe-se que sua magia era algo comparado com a Geocinese.

– Vamos. Só temos 5 dias até a Diemedes tenebris.

...

A tarde avançava com ameaças de chuva, contudo, Lucy suspirou aliviada. Ao menos recolheu as roupas e os lençóis a tempo. Agora na cozinha, ela e Cana saboreavam uma sobremesa e para variar a filha de Gildarts dispensava os modos á mesa, já devorando o terceiro pedaço de torta de morango:

– Incrível Lucy! – falando com a boca transbordando de torta: - Eu que nem sei cozinhar ovo! Se a Erza estivesse aqui iria jorrar sangue de nós nessa cozinha, eu nunca iria dividir essa torta com ela!

– Que bom que gostou. – Lucy continuou forçando o sorriso, afinal é típico de Cana dizer coisas inapropriadas até mesmo quando come ou quando bebê. Aliás, quando ela não diz coisas inapropriadas? – E então? Vai passar a noite aqui?

– Não. – enfiando uma garfada de torta na boca: - O conselho disponibiliza quartos nas cidades em que somos chamados e eu sei muito bem que dentro desse cubículo só há um quarto. – de fato Lucy e Raiden dividiam o mesmo quarto, embora em camas diferentes.

– Hai. – desistindo e tentando mudar o assunto: - Cana afinal de contas por que entrou para o conselho? – a morena estava sentada na outra extremidade da mesa, quando relutou responder: - Tem algo estranho nessa sua vinda até aqui. Aposto que tem haver com o inimigo.

– As coisas estão piorando. – afirmou, abandonando a sobremesa e tomando uma face séria: - O Império conseguiu tomar Bosco e Seven. Metades dos territórios de Isenberg já estão nas mãos deles. Estou aqui para dar um relatório da situação. Devo voltar para meu posto o quanto antes.

– Entendo. – preocupando-se com a realidade em que vivia e que tomava todos os reinos.

Fora em tão pouco tempo, bastou um ano após a partida “dele” que de repente uma guilda insignificante de Jova tomou proporções tremendas, oficializando uma ditadura. As consequências caíram por terra de um dia para o outro, quando todas as guildas oficiais foram abolidas a comando de ERA. Tudo simplesmente desmoronou desde então. Pressupõe-se que o conselho estava á comando do Império, embora não demonstrasse evidencias. Lucy olha seriamente para Cana, enquanto essa finalmente se satisfazia com o quinto pedaço de torta:

– O que pensa que está fazendo lá? – mencionando o conselho.

– Um bode expiatório. – respondeu simploriamente: - Eu mesma me ofereci. Estou cansada de ficar parada só olhando o óbvio acontecer na minha frente. – trançando os dedos das mãos e apoiando-as sobre a mesa: - Precisamos saber onde fica a base do Império Sacrus, os membros dessa guilda estão aumentando.

– Não entendo, por que tudo isto está acontecendo? Já passou da hora da Lux Alliance fazer alguma coisa.

– Não podemos! – Cana fecha os punhos e bate sobre a mesa: - Não estamos conseguindo manter essa união, milhares de guildas estão abandonando o propósito por pensarem que já não há esperança. Fairy tail, Blue Pegasus, Lamia Scale e a Crime Sorciere são as únicas que ainda insistem. Não vamos chegar á lugar nenhum desse jeito... – forçando para não chorar: - Meu pai me confiou esse dever, foi por isso que ele criou a Lux Alliance, para lutarmos! Tudo tinha um propósito antes dele morrer, mas agora...

– Sei como se sente. – Lucy recente, praticamente não tinha palavras para confortá-la. Cana com certa brutalidade seca suas lágrimas e enfatiza de modo sarcástico:

– Enquanto o Império se ergue estou aqui comendo torta. – logo tentando consertar o que havia dito: - Que por sinal estava uma delícia.

Eram quatro da tarde quando a morena se despede, pedindo desculpas pelos seus péssimos modos. Mesmo assim, a amiga a presenteia com outra torta e Cana agradece, já descendo a colina rumo á cidade.

Admirando o belo entardecer no horizonte, Lucy suspira por tudo que ouviu. O mundo estava um caos e tudo que podia fazer era imaginar o que fazer para o jantar. Olhando para o relógio cuco na parede:

 – Raiden está atrasado.

...

No centro, Raiden já voltava pra casa carregando um engradado de quatro garrafas de leite, no entanto, correndo o risco de quebra-los por estar se equilibrando no meio fio da calçada.

– Lucy-san está brava comigo. – Hioby começou a choramingar: - E vai ficar com nós dois se não voltamos logo!

– Eu preciso passar na oficina antes de voltar, eu quero ver se o Caliel já consertou o gerador de energia do FT-777.

– Aquela coisa nem é sua. Não deveria ficar se preocupando com uma máquina.

– Não é uma máquina, é um jato. E acredite ou não quando eu entrar para a Lux Alliance e serei imbatível pilotando ele, o primeiro aviador. Além disso, minha magia é a única consegue fazê-lo funcionar... – dando de ombros: - Então ele é meu.

– Claro... – Hioby concordou. Não tinha jeito de convencê-lo do contrario.

Ambos caminharam até, finalmente, chegarem numa oficina militar. O lugar era imenso embora não apresentasse uma arquitetura que deslumbrasse os olhos. Era uma construção de concreto com um portão de correr meio enferrujado. Não era frequentado por muitos e coincidentemente fora erguida no mesmo lugar de certa antiga guilda.

Ao entrar, mesmo com a escuridão, o garoto não deixou de encarar os múltiplos robôs gigantes amontoados de pé, alguns velhos, outros praticamente novos e recém-construídos, outros completamente destruídos, sendo consertados.

Com ferramentas espalhadas por toda parte, logo a frente havia uma figura sentada em um carrinho de mecânico. Raiden o reconheceu de longe:

– Caliel!! – chamou indo em sua direção. Ao ouvir seu nome ser pronunciado, o sujeito ergueu a cabeça, tirando sua máscara de solda, pois estava ajustando alguns aparatos de ferro.

– Ah é você. – mencionou sem ânimo ao ver o amigo e imediatamente vira-se para retornar o seu ofício.

Caliel Fernandez era um garoto incomum para sua faixa etária. Tinha uma expressão serena que não se alterava com frequência e cabelo escarlate quase raspado. O que mais se destacava, no entanto, era sua tatuagem tribal preta percorrendo o lado direito do rosto, complementando os olhos castanhos dourados herdados do pai, expressivos e charmosos.

Um pouco sujo de graxa, vestia uma calça jeans frouxa, calçando um coturno preto que vinha sobre a calça até a altura de suas panturrilhas. Sua blusa preta era colada ao corpo, o que já facilitava ver o abdômen embora fosse somente um garoto. Com luvas grossas para evitar ferimentos que surgiam ao longo de seu hobby, ficava ali, criando armaduras robóticas.

Mesmo que nesse tempo futurístico robôs fossem algo inovador, eles ainda só funcionavam com um Plug AE, um aparelho que converte a magia do indivíduo em combustível. Isso valia para qualquer outro transporte já criado até então.

– Você consertou o FT-777?! Eu não aguento mais esperar! Parece uma eternidade!!

E só 3 minutos depois...

– Já consertei. – esse enfatizou calmamente. Um detalhe inútil a ser considerado é a demora do garoto em responder perguntas simples: - O gerador estava desgastado, você descarrega muita magia na partida e isso não é necessário. O motor dele só exige mais força quando está planando...

– Quem sabe na próxima!! – Raiden não se deu ao luxo de terminar de ouvi-lo e foi correndo para os fundos da oficina.

Entre tantos robôs e corredores sujos, ali estava, estacionado grandiosamente, “seu” jato novinho em folha. Um Thunderbolt de guerra pertencente à frota da Lux Alliance, mas que por causa de um pequeno vândalo agora tem as iniciais FT-777 pichado na turbina direita.

O garoto rapidamente abaixa seus óculos de aviador sobre os olhos:

– Vamos ver o barulho que essa belezinha faz.

Caliel revirou os olhos após ouvir aquilo. Voltando para seu serviço, nem percebeu que Hioby estava ao seu lado, admirando aquelas monstruosidades de metal.

– Incrível, Caliel, você constrói essas coisas e consegue armazená-las no mundo mágico? – o menino assente com a cabeça como um “sim”: - Quantas dessas coisas você consegue guardar? – preocupando-se com a resposta:

– Acho que uns 200. – simples assim.

O garoto "aparentemente" era capaz de se reequipar com tais robôs. Ao invés de espadas apreciava armas de fogo, algo que nenhuma mãe em sã consciência deixaria o filho degustar! Só mesmo...

 – Que irado!!

Nesse instante um ronco de motor potente é ouvido. Raiden havia acabado de instalar os quatro Plug’s (dois em cada punho e dois em cada antebraço) e liberado sua magia relampejante que, rapidamente, foi absorvida pelo veículo. Um círculo mágico se faz no painel de controle, mostrando todos os dispositivos de navegação display como indicadores de latitude, plenitude, longitude, nível e energia, radar meteorológico, rotas. Os únicos aparatos fixos eram “manches”, ou seja, o volante, “manete” que funciona como marcha, “Start Lever”, basicamente uma chave de ignição, rádio comunicador... E mais inúmeras alavancas que só uma criança de 8 anos poderia entender, sarcasticamente falando.

Com isso uma voz feminina e salpicada ecoa dentro da cabine do piloto:

– Senha de identificação, magia reconhecida, olá Raiden.

– E ai? – embora o identificador não exigisse uma resposta: - Cara, isso é demais! Ativar código 4.563. – querendo acionar as turbinas.

– Acesso negado.

– O que?! – o identificador continua:

– Código de ativação é invalida. Restabelecer senha. – imediatamente Raiden desconecta os Plug’s e o motor morre no mesmo momento. Caliel percebe a imprudência:

– O que foi dessa vez? – perguntou mesmo que a resposta não fosse de seu interesse. Raiden desce do jato e reposicionando os óculos no alto da testa, protesta:

– Ela modificou as senhas! Eu levei meses para entrar no sistema e alterar os códigos, aquela cretina da Ariane! – Caliel não se zela:

– Quem fez isso uma vez, pode fazer de novo. Aliás, você disse que iria me recompensar se eu consertasse o jato, e então? O que eu ganho?

– O que você quer? – o garoto espreme os olhos, estava preocupado, pois os preços de Caliel eram ordinários. Porém, o ruivo apenas encarou o engradado de leite e se apossou se uma das garrafas, abrindo-a e bebendo o conteúdo pelo gargalo. Raiden estremece de raiva: - Maldito! Isso é da Lucy!

– Finalmente encontrei vocês! – uma voz fina ecoa atrás dos meninos. No portão, uma garota de braços cruzados vinha se mostrando um pouco cansada: - Por que não desconfiei logo que estavam aqui, rodei a cidade inteira!

– Yuki... – Raiden menciona seu nome de modo sutil e olhando para seu corpo com certo desconforto: - Suas roupas... - Yuki, mesmo intrigada, olha para si mesma e percebe que estava só de calcinha:

– AAAAAAAHHHHHH! – escondendo aquilo que considerava seus “peitos”: - RAIDEN, SEU DEPRAVADO! NÃO OLHA! – dando uma bofetada na cara do garoto esse é jogado longe, mas rapidamente se recupera com uma marca de punho na cara:

– QUAL É O SEU PROBLEMA GAROTA?! FOI VOCÊ QUE TIROU A PRÓPRIA ROUPA!

– ISSO NÃO TE DÁ O DIREITO DE OLHAR! – Yuki parecia ter um fetiche estranho de se despir em determinados momentos, mesmo que inconscientemente.

– Se toca garota, você nem tem peito! – Raiden adverte deixando a menina ser preenchida por um rubor intenso.

Por possuir uma pele muito branca a vergonha sempre acabava se tornando nítida demais. Yuki Lockser também tinha seus oito anos. Seu cabelo escuro formava cachos que delineavam o rosto redondo, era bem ondulado e se destacava com seus olhos azuis. Usava um gorro de inverno, com dois pompons pendurados em cada extremidade e com um vestido sem manga lilás (sim, ela se vestiu), calçava botinas com veludo branco nas orlas:

– Está me chamando de tábua?! – e a briga continuava.

– Se a carapuça serve!

– Silêncio! – Caliel se levanta bruscamente sob um tom de voz medonho, pois não tinha paciência para aturar as brigas infantis dos dois.

– Hai, Caliel-sama. – ambos disseram ao mesmo tempo colocando-se em posição de continência. Como perfeitos soldados. Yuki, no entanto, tenta conter o nervosismo para dar-lhes a notícia que até então era seu objetivo.

– Caliel... – olhando de esguelha para o infeliz ao seu lado: - e Raiden, Lyon-sama acabou de me entregar uma carta que veio do regimento, nós três passamos da primeira fase de recrutamento. – Logo os olhos do loirinho brilham e imediatamente agarra os ombros da menina:

– Isso é sério?! – Caliel também parecia surpreso: - FALA SÉRIO! HAHA! PASSAMOS! – dando pulos pela oficina: - Passamos no MPF. Eu disse que seria fácil!!!

OBS: MPF é um medidor numérico de magia usado para classificar magos.

– Com essa eu não contava. – cruzando os braços e um pouco pensativo, Caliel sentou-se novamente.

– Sim, é verdade, nós três fomos para a segunda fase. Mas o que me deixa preocupada é que somos os únicos com idade inferior á dezoito anos. Pelo que parece uns 120 magos passaram, mas são mais velhos, incríveis e são todos de classe A e B, até mesmo S. – Yuki começa a choramingar e quando fazia isso parecia uma inundação: - Otou-san e Okaa-san nem sabe sobre isso!!

– Vai dar tudo certo. – Caliel tenta acalmá-la diante daquele dilúvio: - Então pare de molhar a barra da minha calça.

– Isso mesmo! – Raiden gesticula um soco no ar: - Entramos nisso juntos e vamos conseguir juntos. Não interessa quantos passaram, é só amaçar a cara de todo mundo!

– O exame será amanha no ginásio da guilda, seis horas em ponto. Até lá, então?

O trio confirma a presença.

...

Que dia confuso, a chuva que estava por vir só ameaçou e logo partiu para o sul. “Que desperdício”, pensou Raiden, ao ouvir várias trovoadas ecoando ao longe. Era um prato cheio para o garoto devorar os relâmpagos que, por azar, caiam próximos demais de seu corpo em dias de tempestade, mas por chegar todo encharcado em casa e com um resfriado tenebroso, Lucy o havia proibido de fazer aquele rito. Mas era divertido ficar á espera feito um “para-raio” no telhado de casa.

Yuki, por outro lado, enquanto seguia pela borda do rio, avistou as nuvens carregadas e imediatamente entristeceu. Algo lhe dizia que aonde a chuva iria seria indicio do paradeiro de sua mãe, que partiu há dois meses em uma missão dada pela Lux Alliance. Mas ao contrario de certos “pais”, os de Yuki mantinham contato e o último fora de sua mãe por uma carta:

Yuki-chan, tudo bem? Juvia está com frio, nunca imaginei que Odélia chegaria á -10°C, Gray-sama é quem iria gostar de ficar aqui. Espero que Lyon-sama esteja bem e não fique pressionando-o para ensinar magias, ele tem muitos compromissos importantes para tratar junto com Jura-san. Espero voltar logo. Te amo muito.

Já o pai sabia que estava em San Richel. Esse mantinha contato por lacrimas e em sua última conversa lembrou-se de ter contado á Gray como Raiden era irritante e como ele zombou de seu “defeito”. Como um bom pai, aconselhou a filha a encher o garoto de murros, pois era assim que resolvia seus conflitos com uma certa pessoa nos tempos antigos de Fairy tail. Yuki lastimou, pois era uma menina e não podia sair por ai dando murros nos outros. Gray ria nessas horas.

A garota finalmente chega em casa, em um chalé longínquo. Adentrando, encontra um homem viril de cabelos azuis claros e olhos puxados, sem camisa, usava uma calça branca folgada. Preparava o jantar assim que ouviu Yuki dizendo “Tadaima! Lyon-sama!”.

– Okaeri! Chegou bem a tempo. – Lyon, seu padrinho, já se servia com uma sopa.

...

Enquanto os amigos se dispersavam, cada um, para sua respectiva casa, Caliel permaneceu na oficina, trabalhando seu armamento até longas madrugadas.

Acendendo a luz de um lampião velho, o garoto agora estava dando os retoques finais no que deveria ser o cotovelo de um dos seus robôs. Ao seu lado um lacrima de comunicação reacendeu como sinônimo de resposta á sua solicitação. Uma voz feminina timbrosa e cansada atendeu o chamado:

– Olá Caliel. – suspirando: Você está bem? – o som era difuso, mas as palavras eram audíveis.

– Humm... – respondeu de maneira fria. Era seu jeito de lidar com as pessoas, independente se fosse um parente.

– Estou orgulhosa em saber que você passou na primeira fase, aliais... Estou com saudades.

– Eu também. – o garoto em nenhum momento desviava sua atenção dos fios que estava comunicando. O silêncio pendurou por alguns minutos, até que a voz feminina se manifesta:

– Sempre tão quieto... Você é igual ao Jellal. – Caliel se espanta e, sem querer, deixa uma ferramenta cair das mãos.

Três metros abaixo do andaime o alicate gerou um barulho chato de chumbo batendo sobre a lataria, mas aquilo não foi pior que ouvir aquele nome destruindo seus tímpanos.

– Titânia não mencione esse nome de novo. – exigiu um pouco aflito e tentando retomar o que estava fazendo.

– Acho que não vá lhe doer se uma vez me chamar de “mãe”. – Erza entristece a voz, parecia que o assunto tinha que se encerar ali, pois o filho nada lhe respondeu: - Estou indo para Bardires agora, tenha uma boa noite e não se esforce tanto, vá dormir um pouco.

– Tá. – e assim o lacrima escurece.

...

Longe dali, na pequena casa de tijolos pertencentes aos únicos Heartfilia, o fogão desligado mantinha panelas fechadas. Agora os cômodos estavam vazios, a noite avançava e Raiden e Hioby ainda não tinham chegado. Algo normal se depender daqueles dois, tão irresponsáveis. Só a cozinha albergava alguém dormindo confortavelmente sobre a mesa. Lucy havia se sentado para costurar alguns buracos nas roupas do filho, mas acabou debruçando-se sobre o tecido e caído no sono. Um sono profundo...

✳✳

...Estava diante de um grande espelho redondo de moldura dourada, logo o reconheceu, era o mesmo que tinha em seu banheiro no antigo apartamento onde morava. Seus sentidos estavam vulneráveis de algum modo. Arfava e naquele momento cada parte arguciosa de seu corpo almejava um toque delicado, qualquer caricia. Mas por que isso? Afinal por que estava ali?

Quando se virou para girar a maçaneta da porta abrindo-a, caminhou para o quarto. Estava escuro, mas mais preocupante que isso, estava sozinha com ele aquela noite. Tão calmo... Ele estava ali... Não soube identificar sua expressão, pois ambos se encontravam na penumbra. O quarto estava delirantemente morno, seu corpo agradecia aquele calor que preenchia o ambiente, instigando cada nervo sensorial e se intensificou mais quando ele se manteve apenas á alguns centímetro de distância... Tão quente...

Acuando, mas sem se mexer, apenas sentiu os fios de seus cabelos serem desviados para trás quando esse direcionou o rosto para sua nuca. Não era impressão sua, ele estava lhe cheirando intensamente e a cada inspiração que parecia preencher lhe de prazer a expiração devolvia o hálito ardente em sua pele. Sua respiração já estava em sintonia com a dele, rítmica e ofegante...

Inesperadamente sentiu algo repousar sobre sua cintura, o calor de sua mão assim como a textura eram únicas, abrasava, doía. Deslizando para cima, trazia sensações nunca antes sentidas, sua voz rouca lhe sussurra os ouvidos fazendo seu corpo se embriagar:

– Lucy... – era bom ouvi-lo pronunciar seu nome: – Lucy... – e de novo: - Lucy... - agora já estava se tornando repetitivo: - Lucy. – repetitivo demais! – Lucy, Lucy! LUCYYYYYY!!!!!!!!!!

– NÃO GRITA NO MEU OUVIDO, NAT... – Lucy acorda desorientada, com uma criança impaciente encarando-a. Não podia ser outra pessoa a não ser: - Ah, Raiden, é você. – suspirou aliviada. Tinha dormido e de maneira até que profunda demais, pois tinha babado na roupa o qual estava consertando.

– Lucy o que você tem? – o garoto perguntou desconfiado, pois a mãe estava suando: - Estava falando coisas... – Lucy se preocupa com aquilo:

– Está dizendo que eu digo coisas enquanto durmo??

– Você resmungava “Isso é bom”, sei lá o que. Foi estranho. – sua careta em protesto fez a mãe querer enfiar a cara no chão de tanta vergonha: - Deixando isso, eu estou com fome.

– A hora do almoço já se foi há muito tempo, onde pensa que estava? – com isso Raiden sorri:

– Eu tenho uma novidade incrível para te contar! - fazendo uma pausa: - E também trouxe o leite. Mas adivinha? Eu passei para a segunda fase de recrutamento da Lux Alliance! – Lucy arregalou os olhos, não sabia se expressava felicidade pelo filho ou preocupação: - O que foi? Não gostou?

– Só penso que havia te deixado de castigo no dia do primeiro exame.

– Mas... É meu sonho entrar nessa guilda! – a frase surtiu efeito na maga estelar. Lembrou-se que sempre fora seu sonho entrar na Fairy tail e quem diria agora seu menino estava dizendo mesma coisa.

– Eu sei, mas me preocupo, pois você é muito jovem e a Lux Alliance sempre está em guerra com a Sacrus. A guilda não é um parque de diversões.

– Claro que não! Eu não posso ficar parado enquanto o Império faz o que bem quer com as pessoas inocentes, é errado! Eu sou forte Lucy. Um mago raro, você mesma disse isso para mim.

– Mesmo assim...

– Além disso, entrando na guilda eu posso fazer missões e juntar bastante dinheiro para comprar a mansão do vovô. É seu sonho! - Lucy se assusta ao ouvir aquilo. Seu filho acabara de chamar o falecido Jude de “vovô”. Uma sensação de ternura a invade e sem que Raiden percebesse Lucy o puxa para perto de si e o presenteia com um abraço forte e carinhoso. O garoto chega a gaguejar de vergonha:

– O que está... Fa...fazendo? – essa sorri. Seu filho, uma parte de si e única lembrança dele.

– Prometa realizar seus sonhos primeiro... Prometa que nunca irá desistir. – Raiden fica confuso e assegura inconformado:

– É claro que eu nunca vou desistir, eu não sou covarde. – dito, a mãe desfaz o abraço e apoia suas mãos nos ombros do menino:

– Eu já disse que te amo? – Raiden engole o seco e trava de tanta vergonha:

– J... Já... Hoje de manhã.

Nesse instante o cuco na parece toca alertando oito horas da noite. Lucy estava atrasada. Lembrou-se de algo importante que deveria fazer antes de aprontar as camas.

Levantando-se vai até a sala e abre inteiramente a janela deixando o luar invadir o cômodo, amarrando as cortinas para que não se debatessem por causa do vento. Retornando á cozinha pega uma cesta de biscoitos e um bule com chá e apronta uma mesinha próxima á janela, tudo com muito cuidado. Hioby olhava aquilo de modo incrédulo enquanto que Raiden parecia não se importar com o ritual estranho da mãe. Longe de Lucy o exceed finalmente consegue coragem para perguntar:

– Raiden... Desde que eu vim morar aqui Lucy-san faz a mesma coisa. Por que ela arruma aquela mesa e deixa a janela aberta a noite toda? – o garoto recente o peso da pergunta, entristecendo e ao mesmo tempo sentindo raiva daquilo. Enquanto seguia para o quarto sem nenhum interesse em ajudar, responde sem nenhuma esperança na voz:

– Ela ainda acredita que meu pai vai voltar.



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