1. Spirit Fanfics >
  2. Náufraga do Tempo: 1943 >
  3. Capítulo Final — Náufraga do Tempo: 1943

História Náufraga do Tempo: 1943 - Capítulo 46


Escrita por:


Capítulo 46 - Capítulo Final — Náufraga do Tempo: 1943


Fanfic / Fanfiction Náufraga do Tempo: 1943 - Capítulo 46 - Capítulo Final — Náufraga do Tempo: 1943

🤚🏻🤚🏻 ATENÇÃO (1) 🤚🏻🤚🏻

ESTE CAPÍTULO CONTÉM CENAS COM SANGUE 🩸 

SE ESSE TEMA TE DEIXA SENSÍVEL, EU AVISAREI ONDE PODERÁ COMEÇAR A LEITURA (COM O DEVIDO RESUMO DO QUE ACONTECEU)


🤚🏻🤚🏻 ATENÇÃO (2) 🤚🏻🤚🏻

👉🏻👉🏻 PELO AMOR DE DEUS, LEIAM AS NOTAS FINAIS 👈🏻👈🏻

 OBRIGADA 



(26 de Agosto de 1943)

Isahaya-shi, Nagasaki 

 NARRAÇÃO: ALMARA COSTA


Não!! Não, não, não, n-não!! Por Deus, não, n-não, não...!! Almara, não! Não... n-não...

Hiruma correu até onde eu estava e rapidamente me colocou em seus braços. Tentada, a todo custo, estancar o sangue que tão facilmente saía de mim. 

Eu me sentia enfraquecida. Debilitada e fraca como nunca antes havia me sentido. Não gostava disso, nem um pouco. Eu estava com medo, mutíssimo assustada. Não importava o que Hiruma fizesse, aquela sensação de extremo pavor não sairia de mim, não tão facilmente como gostaria. 

Hiruma ainda estava no chão, comigo em seus braços. Ele chorava. Excessivamente. Ele tremia, tremia inteiramente. Chorava tanto que eu cheguei a ficar preocupada. Eu jamais o vi assim. O médico chorava copiosamente. Seu olhar era desolador. Não sabia dizer se ele já havia me constatado um diagnóstico, um diagnóstico fatal ou se tudo o que sentia era medo. Ou os dois. Todavia, fatal ou não, a cena de seu desespero era de cortar o coração. Deus, se era. 

Além de preocupada, eu estava sobretudo assustada. Muito. Tudo em mim doía. Porém, diante tudo o que havia acontecido, diante de toda a dor, toda agonia, todo o estranho frio, nada, nada poderia doerá mais, em toda a minha vida, do que ver as lágrimas de Hiruma. Ele soluçava. De de tanto chorar. Por mim. Alguém que não merecia nem a metade de sua bondade.

— N-não... n-não chore Hiruma... n-não... olhe para mim...

Foi muito difícil colocar a minha mão em seu rosto. O que um dia foi tão simples, agora se tornará um grandíssimo esforço. 

Eu precisava ajudá-lo de alguma maneira, contudo, o meu corpo não me respondia, não mais. A minha visão ficava turva com o passar dos minutos, há cada momento. Ficava cada vez mais enevoada. O tiro de Iwane havia acertado precisamente o meu tórax e isso estranhamente doía de dentro para fora. Era como se o que eu sentia pudesse me matar de tanta dor. E acredito que, de fato, iria.

O projétil estava quente quando passou por mim, e isso aumentou absurdamente a sensação de estar sendo rasgada ao meio. 

Doía demais. Doía como o inferno.

Quando finalmente havia alcançado o rosto trêmulo de Hiruma, percebi que inconscientemente a sua bochecha sujou-se de vermelho. Um vermelho vivo. O meu vermelho. Sangue. Eu sangrava mais do que o apropriado... e isso me enfraquecia. Sentia que era justamente aquilo que mortalmente me aquecia. Era uma sensação mórbida

Eu não queria que tivesse sido assim o que gostaria de dizê-lo. Não queria que fosse assim. Não queria. Não, ter de deixá-lo, não. Não assim. Não nesse estado. Não agora. Não. Não. 

Mais alguns segundos e não sentia as minhas pernas. Elas ficaram dormentes automaticamente, como se não existissem ou como não fizesse mais parte de mim. Um gosto ferroso em minha boca se fez presente. Isso me fez notar que havia também sangue ali. Sangue. Havia sido um tiro fatal.

Logo mais veio o frio. Um frio insuportável, que se apoderou de mim. Era um frio estranho, visto que Hiruma e meu próprio sangue me aqueciam. Comecei a tremer e nem havia percebido isso. Hiruma tentava me curar e ao mesmo tempo me aquecer. Eu permanecia em seus braços, mas quase não o sentia mais. Ele estava longe, assim como a minha própria consciência estava. Acredito que já fosse tarde, tarde demais

Mesmo que estivesse com uma dor imensa, uma dor que quase me enlouquecia, eu só tinha vontade de dormir. Dormir. Urgentemente, como se meu próprio corpo estivesse "desligando". Meu olhos pesavam e eu lutava para deixá-los abertos. Precisava. Não queria partir, não sem antes dizer à ele o que precisava, dizer à Hiruma o que havia descoberto há tão pouco. Tão tardiamente. 

Eu havia percebido tarde, tarde demais. Faria aquele homem infeliz por toda uma vida por ter notado justamente com tanto atraso. A culpa de amá-lo tão tardiamente seria algo que eu jamais me perdoaria, caso viesse realmente sobreviver. 

Voltei a encara-lo. Ele estava estarrecido. Consternado de tal forma que eu só queria poder abraçá-lo. Mas eu não conseguia me mover. Nenhum órgão em mim me obedecia como antes. Hiruma estava completamente desolado, como se soubesse que, não importava o que sua medicina fizesse, eu iria partir. 

— M-meu D-deus, n-não, não, Deus por f-favor, n-não, não, não, não não A-almara, não, p-p-por favor, meu Deus não, n-não...

— H-hiruma... Kim. Jong. O-obrigada. Obrigada. M-muito obrigada. P-por tudo. Obrigada. O-obrigada... querido Hiruma... o-obrigada... e-eu...

Eu tentava ao máximo me manter acordada. Fazia (tentava fazer) alguns "carinhos" em sua bochecha, para tentar acalma-lo. O lábio de Hiruma tremia, tremia terrivelmente. Lágrimas grossas saiam de seus olhos como se fosse possível perder toda a água de seu corpo. Mas o que estava realmente se perdendo era eu mesma. E aquilo era irreversível.

Não queria que fosse assim. Por que tinha de ser justamente assim?

Respirar havia se tornado um fardo para mim, assim como manter meus olhos abertos. A minha consciência parecia estar deixando a minha existência. Aos poucos, a dor que antes me dilacerava de dentro para fora, ia cessado. Já o frio, só ia aumentando, não importasse que Hiruma fizesse. 

— N-não... por Deus Almara, não se vá, não a-assim. Fique, p-por Deus. Fique comigo, f-fique... m-meu amor. E-e-eu a amo. Eu a amo! Almara! Me perdoe! Me perdoe!! A-ah Deus, a-a culpa f-foi minha, meu a-anjo, me p-perdoe... eu a amo, e-eu a amo, c-céus, eu a-a a-amo, o que e-e-eu faço...? N-não... não me deixe, por f-favor...

Sorri brevemente. Agora era tarde demais para isso. Para amá-lo. 

Que tristeza meu Deus. 

Já não havia tanta dor. Ou frio. Apenas um sono terrível, incontrolável. Um sono que me dominava, não importasse o que eu fizesse. Eu sabia, não era tola. Sabia que era inútil tentar reverter a minha situação. Mas não queria ter de deixá-lo. Deixar Hiruma. Não. Não assim. Não

Com meus olhos pesando mais do que poderia suportar, os fechei enfim. Quase uma tonelada pareceu se dissipar após fechá-los. Contudo, não tirei a minha mão do rosto de Hiruma. A única coisa que se movia era a minha boca. 

— H-hiruma... e-eu também... e-eu t-também, eu... e-eu o amo. Eu o amo... m-me perdoe, me p-perdoe querido Hiruma. O-o-obrigada... ah... n-não foi s-sua culpa... n-não foi... não... f-f-foi... eu... o amo...

Após dizer aquilo, como em um último esforço, um difícil esforço, meu braço pendeu. E tudo se escureceu. Preto. Preto como o vácuo.


***  

🤚🏻🤚🏻 ATENÇÃO 🤚🏻🤚🏻

TERMINADO O TEMA COM SANGUE OU ASSUNTO SENSÍVEL. 

ALMARA NÃO RESISTIU AOS FERIMENTOS DE REVÓLVER E PERDEU OS SENTIDOS, NÓS BRAÇOS DE HIRUMA. 


***

Despertei. 

Após retomar a consciência, me levantei tão rapidamente que cai de onde estava, direitamente para o chão. Senti uma dor forte ao me encontrar com ele, muito embora isso não tenha sido de todo mal, visto que me fez notar que eu ainda estava viva. Pelo menos com todos os meus sentidos funcionando. 

Mas, onde eu estava afinal? O que havia acontecido? Onde estava Hiruma? Como ele estava? Estava bem? Aliás, onde estavam todos? Eu havia... sobrevivido? Ou apenas perdido os sentidos? Como sobrevivi depois de tudo o que senti? Tudo o que aconteceu? Hiruma me curara novamente? Onde ele estava??

HIRUMA!

Gritei em meio ao silêncio. Tudo ainda permanecia escuro, escuro demais.

Eu... eu havia morrido...? Isso era o "céu"? Todavia, se fosse realmente o paraíso, onde estaria Hiruma e papai? Mamãe? Eu ainda estava sozinha. 

Com muito custo e tremendo de medo, eu consegui me levantar daquele chão (ou sei-lá-o-que) gelado. 

— H-hiruma? Meu Deus, onde está você?Hiruma?

Eu gritava à plenos pulmões. Foi tão alto que minha garganta arranhou.

De pé e em meio a escuridão, eu criei coragem o suficiente para tocar a minha roupa e descobrir em que estado exatamente eu me encontrava: as minhas costas e barriga não tinham perfurações de projétil algum. As minhas roupas não estavam ensopadas com meu sangue, fosse ele seco ou úmido. Aliás, não havia nem mesmo uma cicatriz do que um dia havia sido um projétil de arma de fogo. 

— O-o que está acontecendo?

Não entendia nada. Nada. Nadinha.

Eu havia desmaiado? Se sim, por quantos dias? Meus ferimentos haviam sido cicatrizados? Totalmente? Se sim, por quanto tempo eu dormi? Quem cuidou de mim? Hiruma? Onde ele estava?! Ele havia conseguido ouvir a minha última frase? Onde eu estava??

Resolvi descobrir aonde estava. Se era mesmo uma espécie de "céu" ou algo mais "normal". 

Segui andando para frente (há muito custo devido ao medo absurdo), tateando por uma parede fria (ou algo que se assimilava à ela) ao me movimentar. Fui tateando por ela até tocar em um interruptor de luz. 

Interruptor de luz.

Luz...

Luz elétrica.

Luz.

Elétrica! 

Acendi a lâmpada sem pensar no que fazia. Meu olhos demoraram alguns segundos até que se acostumassem com a sua intensidade.

Quando pude ver realmente onde eu estava, preferi não ter descobrindo.

Não. Não, não, não, por Deus, não. Não. Não!!

Voltei a chorar. Copiosamente. Chorei como nunca antes em toda a minha vida eu havia chorado. 

Era o meu quarto.

O quarto de Hotel em que, há muito tempo atrás eu fiquei hospedada no Japão, em Quioto. O Hotel em que eu estava hospedada em abril, com o alvará do governo japonês e português. Exatamente onde eu fiquei instalada até retornar para agosto de 1943. O Hotel em que estava justamente para participar das pesquisas das Ruínas de Quioto, em 2020. Abril de 2020. Futuro. Meu presente. O presente no qual eu havia decidido desistir, fugir. E eu estava justamente ali. 

Eu havia retornado para 2020...? Era isso? Ou era um sonho de incrível mal-gosto? Não, não poderia ser verdade. Eu não havia retornado, não para abril de 2020... certo? Eu estava apenas sonhando, sim. Havia apenas enlouquecido brevemente, após o evento traumático em que presenciei... sim, sim. Era isso. 

Minha mente travava uma batalha intensa entre a realidade falsificada criada por minha mente e a loucura da mesma, quando eu gritei. E havia sido um grande grito. Eu quase desmaiei novamente, era verdade. Quase perdi os sentidos após escutar o meu celular tocar. Era o seu despertador.

Espera. 

Celular...? Celular??

Quase me desfalecendo em apreensão e medo, com uma terrível confusão mental, o segurei. Tremia de tal modo que mal podia enxergar o que havia na tela.

quantos meses eu não segurava um celular?? 

O segurei como antes, há muito meses atrás, fazia. Após reconhecer a minha digital, ele se desbloqueou. Agindo por instinto,, fui até o aplicativo "Calendários", na sua página inicial. Precisava conferir qual era realmente o maldito dia (e ano) em que eu afinal estava. 


Bom dia!

03 de Abril de 2020, sexta-feira, às 7h02. 

Nível de energia 100% 🔋

Japão, Quioto. 13ºC, nublado ⛅️ 


Eu havia realmente voltado para o futuro, para o meu presente. Eu estava de volta, de volta para 2020. Mas então, eu não havia... morrido? Sob os braços de Hiruma? Eu havia sido assasinada à queima-roupa e retornara para 2020? O maldito 2020? 

Mas e ele? Hiruma? Kim Jong? Ele havia ficado em 1943? Sozinho??

Não. Por Deus, não. Não

Quase me desfazendo em lágrimas novamente, um fio de esperança se ascendeu em mim. Me recordei de algo que poderia me ajudar: agora eu possuía internet. 

Sem demorar mais um minuto, tremendo, coloquei "Hiruma" e "Kim Jong" na aba de pesquisa do Google. Foi tudo tão rápido que tive de me sentar na cama para não me desequilibrar novamente. 

Passei por três páginas, sem nenhum resultado satisfatório. Fui buscando pela web, desesperada por encontrar algo que eu mesma nem sabia o que era, quando reencontrei um texto. Um texto já acessado antes, há muito tempo atrás. Eu já havia retornado a chorar desde que havia percebido onde realmente estava, mas ao abri aquele texto eu chorei três vezes mais. 

Me lembrava dele. Se chamava "Carta de um soldado anônimo, a Náufraga do Tempo: 1943". 

Espere. O título. Ele estava... diferente

Sim, eu tinha certeza. Havia mudado, não entendia como, mas sim, havia mudado. O ano. Deus, eu podia jurar que o texto que havia lido outrora era de 1945, o ano oficial que a Guerra havia terminado. Sim, quando eu o havia lido pela primeira vez estava datado como 1945! Eu me lembrava de ter justamente questionado aquele ano. Mas agora era de 1943. O ano "certo", o ano que eu havia me encontrado no passado.  

Respirei fundo, muitíssimo fundo antes de criar coragem e reler aquilo. Demorei bastante para começar a ler, pois eu sabia que, assim que começasse, não pararia nunca mais de chorar. Nunca mais. O que poderia ter mudado nesta versão além de seu ano? O que poderia esperar daquela carta agora que meu coração e alma estavam verdadeiramente envolvidos?

Comecei a lê-la, tremendo. 


🧧 CARTA DE UM SOLDADO ANÔNIMO - NÁUFRAGA DO TEMPO: 1943 - HIRUMA, JAPÃO, NAGASAKI, 1943 🧧

"Ela levou um tiro. Um tiro mortal. Como médico e sobretudo como homem que viveu e pseudo-sobreviveu em duas guerras sangrentas e cruéis que beirava ao impossível do imaginário, eu sabia. Era o seu último dia. A sua última dor. Seu último momento comigo. Com qualquer um aliás. Mas era seu último comigo, com Hiruma, com Kim. Seu Kim. Ninguém poderia sobreviver com um projétil naquela região. Eu sabia. Não havia solução médica (pelo menos não em meu século) para quem fosse alvejado ali. Contudo, seguindo tudo menos a lógica, eu acreditei que havia esperança. Acreditei? Talvez eu quisesse acreditar de tal forma que esse desejo foi tão forte que me fez crer que havia sim esperança. Mas não havia. Não havia. Tudo o que não existia naquele momento era esperança. Era apenas dor. A dor que somente uma guerra incompreensível poderia causar. 

Mas ela havia me ensinado que o incompreensível e até mesmo o impossível eram meras funções relativas. Afinal, ela mesma era um ponto que convergia do universo diretamente para minha vida. Ela estava no ano errado, no século errado, na História errada. Ao mesmo tempo, no momento certo, diretamente para o meu coração, para a minha existência. Ela, uma mulher tão inteligente e sagaz, não devia estar vivendo em algo que já considerava morto. Nem japonesa, nem atual. Mas quem haveria de morrer seria ela e não a História que tanto estudou. A primeira mulher que amei verdadeiramente em toda minha inútil existência, alguém que nem mesmo matrimônios arranjadas foram capaz de me despertar. O Amor. O Amor que não deveria existir, um Amor que não coexistia em seus tempos presentes. Mas aconteceu. Um Amor do Passado e do Futuro. E agora ela se ia. E restou apenas a dor. A morte. Ela morreria em meus braços. Ela era uma Náufraga em meu Tempo, mas o tempo que se acabou foi o dela. O Tempo que tinha partido era o dela. O Tempo pelo qual ela viajou. O Tempo que a tirou de mim, para sempre. E quanto mais eu penso nela, mais eu sinto a sua falta"

Hiruma, 1943. Japão, Nagasaki. 


E só. Era apenas aquilo. Mais nada. Nenhuma informação adicional do que poderia ter acontecido com Hiruma. Com o meu Hiruma. 

Nenhuma informação a mais de o que poderia ter acontecido com ele, de como viveu depois da carta, se ficou em Nagasaki (mesmo após eu tê-lo tanto implorado para que não ficasse por lá), nenhuma informação sobre sua vida ou morte. Nada. Nada de nada. Nenhum detalhe ou menção. Aliás, sem detalhe de como havia sido antes. Nada. Nada de nada. Absolutamente nada. Nada. 

Passei mais sete horas naquela mesma posição, chorando e pesquisando desesperadamente por qualquer coisa que pudesse ler sobre ele. Sobre Hiruma. Sobre Kim Jong. 

Coloquei de tudo na aba de pesquisa. Tudo, tudo mesmo. Tudo o que pudesse me lembrar. 

O nome de Hiruma. Kim Jong. O meu próprio nome, Almara Costa. Lista dos registrados com "Kim Jong". Certificados mortuários com esses nomes. Akemi Ikeda. Lista de sobrenomes "Ikeda". Hiroki Yoshida. Lista de sobrenomes "Yoshida". Ken Masao. Lista de vítimas de Nagasaki. Lista de sobreviventes. Entrevistas registradas com sobreviventes. Documentários dos relatos de quem um dia havia vivido em Nagasaki. Fotos raras (1943~1945). Relatos de parentes de testemunhas locais. Michio Yoshi. Lista de sobrenomes "Yoshi". Lista de suspeitos de espionagem durante a Guerra, de todas as nacionalidades. Lista de espiões encontrados no Japão durante a Segunda Guerra. Lista de mortos por "Iwane". Americanos registrados no Japão durante a Segunda Guerra. Lista de traidores da nação (registros do histórico de Iwane). Gangsters chineses no Japão. Moradores da Rua Ouramachi de 1943 até 1950. Hospitais improvisados em Quioto em 1942/43. Lista de médicos que atuaram nesses hospitais. Lista de moradores de Hamyang e Gyeongsang do Sul a partir de 1916. Hiroki Yoshida. Lista de parentes e sobreviventes com este mesmíssimo sobrenome. 

Pesquisei por horas e quase nada encontrei, não diretamente ao menos. Hiruma (Kim Jong) e todos aqueles que um dia eu encontrei pareciam ter sido "evaporados" da História. Tudo o que tinha em mãos era uma carta de Hiruma e uma verdadeira multidão de pessoas para telefonar.

Eu iria telefonar e pedir informações para todos aquelas pessoas. Iria entrar em contato com todos aqueles nomeados nas listas de sobrenomes, família, sobreviventes e até nos registros fúnebres. Todos eles. Eu tinha muito trabalho pela frente. Telefonaria para quem eu pudesse, todos. Entraria em contato com o governo japonês e coreano pedindo permissão para acessar os documentos mais confidências, caso por telefone não encontrasse o que queria. Entraria em contato com os sobreviventes de Nagasaki e teria de fazê-los lembrar de algum Hiruma ou Kim Jong. Visitaria os acervos de museus e estudar suas mais listas antigas e esquecidas. Assistiria tudo o que pudesse dos registros oficiais e reais e tentaria a todo custo encontrar Hiruma (ou mesmo a mim) nelas, fossem elas imagens gravadas ou em mesmo fotografias. Contrataria tradutores para me ajudar nas chamadas de telefone em chinês ou em coreano. Nada, nada me pararia de tentar encontrá-lo. Encontrar Hiruma. Kim Jong. 

Eu não iria desistir de encontrá-lo, nem um mísero minuto em minha vida, eu não pararia de tentar retornar. Retornar à Hiruma. Eu precisava saber o que aconteceu com ele. Como viveu, se saiu de Nagasaki com a família de Hiroki, se havia se casado, construído uma família, se por ventura ainda estivesse vivo (104 anos?), se tinha netos e bisnetos, quem seriam eles, se havia contado nossa história para mais alguém, se viveu bem. Sobretudo se viveu bem. 

Eu o havia abandonado em 1943. A culpa não era diretamente minha, mas nada adiantava eu tentar me convencer do contrário. Eu invadi a sua vida, assim como ele havia invadido a minha. Eu o havia envolvido em meus sentimentos e problemas. E agora estava feito. A culpa era integralmente minha e somente minha.  Graças a mim, a única pessoa que me envolvi romanticamente, a única pessoa que amei tão tardiamente durante esta pérfida vida, foi abandonada por mim, há quase 80 anos atrás. Eu precisava encontrá-lo. Saber como viveu. Saber o que diabos havia acontecido com ele. Se conseguiu retomar a sua vida, muito embora eu jamais conseguiria retomar a minha. 

Não importasse quantos anos se passariam, a culpa de tê-lo abandonado jamais sairia do meu coração, eu tinha certeza. Que pessoa acreditaria em mim? Que psiquiatra nesse mundo levaria as minhas dores a sério? Ninguém. Me indicariam soníferos e antidepressivos para que eu pudesse "parar" de "delirar", tudo inutilmente. Eu tinha certeza. Eu não havia delirado. Eu não havia me apaixonado por um sonho, por uma fantasia, por uma ficção. Não. Ele era real. Aquela carta, era real. O que vivi também era. Tudo

Eu iria encontrá-lo. Eu iria, ou não poderia voltar a dormir normalmente. Eu jamais iria parar de tentar achá-lo, nunca mais. Nunca


Fim?


[...]


⚠️ CALMA!! ⚠️

Não me matem (ainda) por favorrrr 🔪

Existe o próximo capítulo, que será um capítulo extra. Ainda não acabou 👀🔥

⚠️ Ainda não acabou ⚠️

O último capítulo saí antes de Julho, eu prometo. Ele será maior (bem maior) que os demais capítulos. 

Beijinhos



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...