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História Naughty List - Capítulo 2


Escrita por: Hese e projetoharuno

Capítulo 2 - Parte II


Fanfic / Fanfiction Naughty List - Capítulo 2 - Parte II

Deve ser o jeito que nos beijamos

Papai Noel viu as coisas que fizemos

E nos colocou na lista dos desobedientes


───※ ·❆· ※───


Subi os primeiros degraus que levavam até a portaria do meu prédio, já com a mão dentro da bolsa para pegar as chaves. Me virei quando notei que Sasuke continuava no mesmo lugar na calçada. 

— Boa noite, Sakura — Se despediu. 

— Aonde você vai? — Estava muito mais frio do que quando saí de casa mais cedo e cada segundo que passávamos do lado de fora era um tempo que eu poderia estar usando para desfrutar do meu aquecedor.

Ele franziu as sobrancelhas como se aquela fosse a pergunta mais idiota que já tinha ouvido.

— Pra casa.

— Você tá doido? — As palavras saíram antes que eu me desse conta. Em circunstâncias normais, eu nunca falaria com Sasuke daquela forma, mas o álcool ainda aquecia as minhas veias. — A neve só tá piorando. Você nunca vai conseguir um carro e eu espero que você não seja perturbado a ponto de voltar andando pra casa. 

— O que você sugere que eu faça então? — Ele não parecia incomodado com o meu tom, muito menos com as ofensas gratuitas. Na verdade, sua expressão quase denunciava um pouco de divertimento. 

— Sobe comigo. Pelo menos para secar suas roupas e esperar a situação melhorar. 

Nos segundos de silêncio que seguiram depois da minha oferta, eu me dei conta de como poderia ser facilmente interpretada da maneira errada. Felizmente, Sasuke não me deu muito tempo para questionar minhas decisões, subindo a escada até parar do meu lado. 

Me atrapalhei um pouco com as chaves, em parte por causa das luvas grossas, mas saber que estava sendo observada por ele também tinha sua parcela de culpa. 

Assim que entramos no meu apartamento, eu fechei a porta numa tentativa de manter o máximo de calor possível dentro do espaço.

Passei as mãos no cabelo para me livrar dos flocos de neve dos quais a touca não tinha conseguido me proteger. Mesmo com todas as camadas de roupa que eu usava, cada pelinho no meu corpo estava arrepiado e eu praticamente tremia de frio. 

— Não acredito que você queria voltar com o tempo assim. — Comecei a tirar as peças extras antes que a neve pudesse derreter.

— Você não ia fazer a mesma coisa? 

Sasuke estava parado no meio da minha sala, parecendo incerto sobre o que fazer. Eu não estava me sentindo muito diferente, mas tentei agir como se ficar sozinha com ele na minha casa não bagunçasse todos os meus nervos.

— Você vai ficar todo molhado se não tirar essas coisas logo. — Apontei para a quantidade impressionante de neve que ele tinha acumulada ao redor do corpo. — Me dá aqui que eu coloco na secadora. 

Surpreendentemente, Sasuke fez o que eu disse sem objeções. Ele permaneceu com a expressão ilegível ao me entregar os agasalhos já um pouco úmidos e eu aproveitei a deixa para sumir pelo corredor, anunciando com uma voz mais alta do que o necessário que ele podia ficar à vontade. 

Quando voltei para a sala, Sasuke ainda estava no centro do cômodo, analisando com interesse alguma coisa acima de sua cabeça. 

— Você sabe o que é isso, né? — Ele me perguntou quando parei ao seu lado. Segui a linha do seu olhar e encontrei o que tinha chamado sua atenção.

— Um visco — Rrespondi. 

Sasuke não pareceu satisfeito com a resposta simples.

— E por que ele tá na sua sala e não na porta? 

— Não pode decoração no corredor, regra do prédio. — Dei de ombros. — Fiquei sem lugar pra colocar.

— Mas no meio da sala derrota um pouco o propósito da coisa, não? 

— Depende do seu ponto de vista. Mas se o problema for esse, te garanto que ficar na porta não faria muita diferença. — Achei graça da implicância com uma coisa aparentemente tão sem importância. Tinha tanta coisa de errado com a decoração natalina apressada e malfeita do meu apartamento, que eu nunca imaginaria que seria o pequeno visco pendurado no teto que chamaria sua atenção. — Eu vou fazer alguma coisa quente pra beber. Você quer? 

Eu já tinha passado pela bancada que separava a cozinha da sala quando me virei para ver sua resposta.

— Eu tenho opções?

— Sim ou não. — Mais uma vez, fui lembrada do porquê mantinha distância de Sasuke quando álcool estava envolvido. Era extremamente idiota o nervosismo que eu senti ao fazer uma simples brincadeira com ele, mas, mesmo tendo plena consciência disso, ainda fiquei com medo de sua reação. 

— Sendo assim... — Ele pausou, como se realmente ponderasse as alternativas. — Eu aceito.  

Sasuke continuou do outro lado do balcão, mas se inclinou para ver melhor o que eu estava fazendo quando coloquei uma panela sobre o fogão. Não precisava ser um gênio para descobrir o que eu estava preparando só de ver os ingredientes que eu tinha separado.

— Chocolate quente?

— Quase isso. 

— Não gosto de coisas doces.

— Eu sei. — Não pude segurar o impulso de revirar os olhos. Estiquei o braço para alcançar a garrafa de conhaque. — Mas não se preocupe, você quase nem vai sentir o gosto do chocolate. 

— Por que vou estar bêbado demais pra isso? — Ele perguntou ao ver a quantidade da bebida que eu coloquei na panela.

— Não imaginei que você fosse o tipo de pessoa fraca pra álcool. — Debochei. 

Sasuke já tinha esticado uma das mãos para pegar a caneca quando eu percebi que tinha me esquecido de um detalhe importante. Me virei de volta para o balcão para pegar dois enfeites, tentando esconder o que fazia dos olhos curiosos que me observavam. 

— Pronto. — Estendi novamente o braço com caneca, que agora tinha um pequeno Papai-Noel de papelão pendurado na alça. — Agora sim é uma bebida natalina.

Sasuke passou alguns segundos encarando a figura barbuda pendurada em sua bebida antes de dar de ombros e pegá-la da minha mão. 

Esperei que ele tomasse o primeiro gole para poder fazer o mesmo. Ele não franziu o nariz, como fazia sempre que era forçado a comer algo doce demais para o seu paladar enjoado, e eu contei isso como uma vitória pessoal. 

— Já percebeu que nunca comemoramos as coisas nas datas certas? — Sasuke perguntou depois de alguns instantes de silêncio. 

— Sim. — Eu ri. — Mas sempre temos boas justificativas. Os irmãos de Temari conseguiram um voo de última hora e chegam amanhã. Ela obviamente vai arrastar o Shikamaru pro almoço com eles. Naruto se voluntariou para ajudar com a ceia para famílias carentes no centro comunitário. A família do Sai não mora muito longe daqui e Ino vai passar o dia com eles. 

— Você não tem planos?

— Eu ia passar o dia sobrevivendo à base das sobras de hoje e esperando uma ligação dos meus pais. — Falar em voz alta me fez perceber como meu Natal seria patético. — Você geralmente visita sua família no final de ano, não é? Por que não esse ano?  

— Meu irmão está com a família da noiva dele e meus pais viajaram para algum país tropical para aproveitar a aposentadoria. — Sasuke revirou os olhos, mas não pareceu tão sério. — Impressionante como ninguém respeita mais as tradições.  

No relógio atrás da cabeça dele, pude ver os ponteiros alcançando o número doze.

— Agora é oficialmente Natal, pelo menos. — Sasuke se virou para seguir a linha do meu olhar. — Feliz Natal.

Apesar de não responder verbalmente, ele ergueu a caneca na minha direção e sorriu. Levantei a minha própria bebida e brindamos, chocando nossas canecas com força suficiente para o chantilly quase cair.

Depois de tomar o gole celebratório, eu olhei ao redor do meu apartamento pobremente decorado.

— Não parece Natal de verdade, né? — Suspirei com desânimo. — Pelo menos não desde que eu cresci. Mal tive tempo de montar a minha árvore esse ano. 

— Eu nem mesmo tenho uma árvore. Um pinheiro de verdade é completamente fora da minha realidade atualmente, e se não for pra ter a coisa de verdade, eu prefiro não ter. 

Levei minha mão ao coração, numa ofensa fingida.

— Eu gosto da minha árvore falsa.

— Tudo bem, eu admito que você fez um bom trabalho decorando ela. — Sasuke focou o olhar no conteúdo da sua caneca, mas eu notei o sorriso discreto dele. — Como você costumava passar o Natal antes? 

— Minha família não é muito grande e quase todos meus parentes moram longe. Era sempre só meus pais e eu, mas era ótimo. Meu pai se empolgava com a ceia, e minha mãe enlouquecia um pouco com a decoração. A tarefa de colocar a estrela no topo da árvore era sempre minha e eles faziam parecer que era grande coisa. — Eu ajeitei minha postura, orgulhosa da minha função. — Em resumo, trocávamos presentes depois de acordar e passávamos o dia comendo. 

— Parece divertido. 

— E era mesmo. — Eu bebi mais um pouco do chocolate, sentindo-o me aquecer por dentro. — Como a sua família comemorava? 

Eu não realmente esperava nada além de uma resposta vaga, mas Sasuke não hesitou antes de começar a falar. 

— Minha mãe é a pessoa mais social que eu conheço e adora qualquer desculpa pra ser anfitriã. Sendo assim, todo ano eu tinha que lidar com uma quantidade absurda de parentes e alguns vizinhos perambulando pela minha casa na véspera de Natal. Eu tinha até que usar aqueles suéteres feios e que pinicam com estampas ridículas.

— Tipo a sua meia nova?

— Tipo a minha meia nova. — Concordou enquanto acenava com a cabeça. Depois de mais um gole no choconhaque, que era mais conhaque do que chocolate, continuou: — Mas no dia vinte e cinco mesmo, eram só meus pais, meu irmão mais velho e eu. Mesmo depois que Itachi passou da idade de acreditar nessas besteiras, ele deixava que eu batesse na porta dele poucos minutos depois da meia noite e o arrastasse para sala para abrirmos os presentes supostamente deixados pelo Papai Noel. — Sasuke revirou os olhos, e seu tom era debochado, mas o sorriso discreto entregava como aquelas memórias significavam muito para ele.

— Não parece nem um pouco ruim.

— E não era, eu só não tinha muita paciência para todas as pessoas que minha mãe inventava de convidar. — Sasuke parou por um momento, como se estivesse considerando o que dizer em seguida. Se ele fosse pelo menos um pouquinho como eu, tinha sido o álcool que o motivou a falar: — Eu tinha essa vizinha... 

Cobri os lábios com a caneca e tentei disfarçar meu interesse. Sasuke raramente compartilhava detalhes sobre sua vida antes de se mudar para a cidade onde morávamos e eu nunca me perdoaria se estragasse a oportunidade de descobrir um pouco mais sobre ele.

— Nós ainda estávamos no fundamental, mas ela estava segura o suficiente de que acabaríamos juntos que deixou isso bem claro pra todo mundo. Meu problema não era com isso, — Diante da minha expressão, ele rapidamente acrescentou: — na maior parte do tempo. Mas é que depois de tudo isso, toda vez que nos encontrávamos, ela nem olhava na minha cara.

— Sasuke Uchiha era um destruidor de corações...

— Eu ‘tô falando sério. O jeito que ela agia nesses momentos me fazia ter medo de chegar perto demais e ela entrar em combustão espontânea. Não esperava isso da menina que aparentemente estava determinada a se casar comigo.

— Ah, eu entendo a coitada. Essas coisas de ser afim de alguém na adolescência são muito constrangedoras mesmo. Até hoje ainda são um pouco. Eu demorei um mês pra conseguir falar normalmente com você! 

Sasuke parou com a caneca no ar a caminho da sua boca, e foi só diante do seu olhar que eu me dei conta do que tinha deixado escapar. 

Senti meus ombros caindo e minha postura se encolhendo.

— É só que... Pessoas agem de maneira estranha quando gostam de alguém. — Tentei me justificar, mas minha voz saiu tão baixa que eu não ficaria surpresa se Sasuke não tivesse ouvido. 

— Acho que é justificável. — Ele deu de ombros e colocou a caneca vazia sobre o balcão, bem ao meu lado.. — Naruto passou o mês me infernizando, mas eu só decidi que iria hoje quando você confirmou sua presença. 

Eu estava acostumada a compartilhar longos momentos de silêncio com Sasuke, já que ele quase nunca estava no clima para jogar conversa fora, mas os segundos que sucederam sua fala foram diferentes. Se eu já estava sem jeito antes, não saberia descrever o estado que fiquei quando seus olhos tão expressivos me encararam. 

Cheguei a abrir a boca, mas nada saiu. Como uma criança acuada, minha reação automática foi lhe dar as costas. Coloquei a minha caneca ao lado da dele no balcão e passei a pegar os itens necessários para refazer as bebidas um por um, enrolando o máximo possível.

Eu continuei virada de costas para ele, fingindo estar ocupada com as canecas e ignorando o ritmo preocupante das batidas do meu coração, mas senti quando Sasuke se aproximou. 

— O que você disse antes... — Ele falou baixo e eu provavelmente não teria escutado se não fosse pela proximidade. Queria muito me fazer de besta e fingir não ter entendido a que ele se referia, mas nem a melhor atuação do mundo seria capaz de me fazer escapar da situação em que eu mesma me coloquei. — Você estava falando sério? 

— Nós não precisamos falar sobre isso...

Sasuke colocou as mãos nos meus ombros, um toque tão suave que era quase como se não estivesse realmente lá, mas eu me senti totalmente cercada por ele. Por mais que minha mente estivesse trabalhando em maneiras de mudar de assunto, meu corpo não parecia ter nenhuma objeção. Eu senti cada centímetro da minha pele se arrepiando, assim como a minha respiração ficando mais pesada, e torci para que não fosse perceptível.  

— Só responde. 

Eu assenti. Os segundos de silêncio que se seguiram me fizeram questionar minha honestidade, me fizeram pensar que talvez não fosse o que ele quisesse ouvir. Mas o som da sua respiração alcançou meus ouvidos, num lembrete de que Sasuke continuava no mesmo lugar. 

— Sasuke — comecei, sem nem mesmo saber ao certo o que queria dizer. Minha voz soou vergonhosamente baixa e manhosa até para os meus próprios ouvidos.

— Hum? — Os dedos dele se tornaram mais ousados, jogando meu cabelo para o lado para expor a pele do meu pescoço.

— E você? Realmente quis dizer aquilo? 

— Eu não tenho o hábito de falar coisas da boca pra fora. — Eu não podia ver, mas senti como ele estava perto, sua cabeça inclinada, faltando pouco para seus lábios encostarem na pele desprotegida dos meus ombros. Sasuke ajeitou a postura e segurou minha mandíbula com uma das mãos para virar meu rosto em sua direção. — Posso beijar você, Sakura? 

— Sim — respondi no mesmo instante. — Por favor.

Sasuke se curvou para acabar com a mínima distância entre nós. O ângulo era um pouco estranho, com as minhas mãos ainda segurando firmemente o balcão à minha frente, e eu podia sentir o gosto do chantily nos seus lábios. 

Foi delicado e sem pressa, de um jeitinho que me fez sentir um calor gostoso na barriga. Foi só quando Sasuke separou os lábios para deslizar a língua para dentro da minha boca que eu finalmente me virei, enterrado as mãos nos seus fios escuros, da forma como queria fazer há tempos.  

Se ele foi pego de surpresa pela minha reação, não demonstrou. Achei um pouco injusto que ele parecesse tão tranquilo enquanto eu tentava conter meus ânimos, mas parei de me importar com isso no momento que ele deu um passo a frente, me prendendo contra o balcão. 

Eu me perdi. 

Me perdi no calor do seu corpo contra o meu, no seu toque que ousava explorar cada vez mais toda vez que Sasuke se sentia mais confiante com a minha recíproca, nos seus beijos que me tiravam a firmeza das pernas. 

Depois disso, as coisas aconteceram com tanta rapidez que eu quase não fui capaz de acompanhar. Num segundo, Sasuke firmou as mãos na parte de trás das minhas coxas para me puxar para seu colo, e no outro, minhas costas se chocaram contra o estofado do sofá e ele se deitou sobre mim, encaixando-se no espaço entre as minhas coxas. 

As roupas saíram de maneira apressada e quase desajeitada, mas eu não tive do que reclamar.

Em nenhuma das vezes que eu fantasiei sobre como seria estar com Sasuke em uma situação daquelas (o que tinha acontecido muito mais vezes do que meu orgulho me deixaria admitir), eu imaginei que acabaríamos num emaranhado de corpos no sofá da minha sala. 

Depois de tudo, meu corpo estava tão mole que eu nem apresentei resistência quando Sasuke me virou para deitar de costas no sofá. Ele se posicionou entre as minhas pernas novamente, mas dessa vez o ato pareceu muito menos sexual.

Ele se ajeitou até que a cabeça estivesse apoiada na minha barriga e o ângulo permitisse que me olhasse. Foi automático levar minha mão até os cabelos negros, tirando-os de cima de seus olhos.

Suas mãos traçavam linhas imaginárias nas minhas coxas num gesto tão delicado que provavelmente seria capaz de me fazer dormir se durasse muito.

— Não foi assim que eu imaginei as coisas acontecendo — Sasuke disse, distraído. 

Foi um comentário tão casual, mas meu coração deu cambalhotas dentro do peito com o possível significado por trás de suas palavras. 

— Você pensou nisso isso então? — Sasuke me olhou de um jeito que deixou bem claro que eu não arrancaria mais nada dele, mas tudo bem. Estava satisfeita em saber que talvez o sentimento não fosse tão unilateral quanto eu imaginava. Só que isso não me impediria de provocá-lo. — E como foi que você imaginou? 

— Definitivamente não em um sofá — me respondeu em tom de obviedade. 

— Meu quarto é no final do corredor — comentei como quem não quer nada, como se as minhas intenções não fossem as piores possíveis. — Quer tentar de novo? Fazer como você imaginou.

Sasuke não usou palavras, mas a resposta estava bem clara na forma como ele me ergueu do sofá e me carregou até a porta que eu indiquei.


───※ ·❆· ※───


Quando acordei na manhã seguinte, já era quase hora do almoço. A tela de bloqueio do meu celular estava lotada de notificações de mensagens não lidas e ligações perdidas.

Não tinha certeza do que estava esperando, já que não tinha me dado tempo para pensar nas consequências das minhas decisões, mas ainda fiquei surpresa ao sentir o peso de um dos braços de Sasuke envolvendo a minha cintura e sua respiração tranquila contra a minha nuca. 

Em algum momento da noite, ele encontrou as roupas que não tinha colocado na secadora e me sentia muito grata por isso. Eu não saberia manter a calma diante da imagem de Sasuke nu na minha cama pela manhã, não que ele apenas de cueca fosse muito melhor. 

Sai da cama e do seu aperto da maneira mais calma que consegui, tentando ao máximo não o acordar. Em passos cuidados, atravessei o quarto e foi só quando fechei a porta atrás de mim ao sair que me permiti raciocinar tudo que tinha acontecido. 

— Puta merda. — Pareceu ser a única reação apropriada. 

Eu tinha dormido com o cara que estava ocupando meus pensamentos há tempos. Isso era uma coisa boa! O problema era o que viria a seguir. Ter um momento tão íntimo com Sasuke definitivamente não era o que eu deveria fazer se quisesse superar a quedinha juvenil que eu tinha por ele, e meu coração facilmente iludível já doía ao considerar o fora que eu provavelmente levaria assim que ele acordasse.

Quando voltei para o quarto enrolada em um roupão, com o cabelo penteado e uma caneca de café em mãos, Sasuke já estava de pé.

— Bom dia. — Eu disse para anunciar minha presença. Ele se virou na minha direção e sua expressão mal-humorada suavizou. Não fazia ideia do que falar, então desatei a soltar informações que pareciam adequadas para o momento. — Não preparei nada pra comer porque tá meio tarde, mas eu fiz café. Suas roupas já estão secas, então eu...  

Sasuke chegou até mim tão rápido que eu nem reagi direito ao ser interrompida por seus lábios pressionados contra os meus. Ele colocou as mãos no meu rosto, me segurando com uma delicadeza que ainda me surpreendia. 

— Bom dia — ele disse quando nos separamos. 

— Bom dia — repeti, tendo perdido a capacidade de pensar direito depois de ser beijada daquela forma. Eu me sentia mais tranquila e isso já era um bom começo. 

— Eu não consegui achar minha calça — ele disse tão calmamente, enquanto eu me senti ficar vermelha ao lembrar de ter atirado a peça em algum canto da minha sala. 

— Uma hora ela aparece. — Dei de ombros e tratei de desconversar. — Dormimos um pouquinho demais, tá na hora do almoço.

— Eu sei de alguns lugares que estão abertos hoje. Tinha pensado em pedir alguma coisa — falou. Eu ia responder que a sugestão parecia ótima, porque eu definitivamente não estava disposta a cozinhar, mas algo na postura dele mudou. Pela primeira vez desde que o conheci, eu vi o Sasuke sem jeito. Ele desviou o olhar e acrescentou: — A menos que você queira que eu vá embora.

Era muito bom saber que ele não era imune ao nervosismo e que eu não era a única em dúvida sobre como prosseguir depois da noite anterior.

Quer dizer, depois do que tinha acabado de acontecer eu já tinha algo em mente.

Coloquei a caneca de café ainda cheia sobre a cômoda ao lado da porta e me aproximei, mantendo a falsa expressão calma.

— Você já deu uma olhada pela janela? — Repreendi. — Tá tudo coberto de neve. 

Pressionei uma das mãos contra o peito dele para empurrá-lo de volta para a cama. Só deu certo porque ele colaborou, levando em conta que Sasuke era muito mais forte do que eu. Então tomei aquilo como um sinal verde para continuar. 

Seus joelhos cederam e ele caiu sentado na cama, me olhando atentamente, ainda em silêncio.

— Não acho que é uma boa ideia andar por aí com as ruas desse jeito — expliquei seriamente enquanto passava uma das pernas por cima do colo dele para sentar-me em suas coxas. — Eu não me importaria se você ficasse mais um pouco.

Sasuke sorriu. Sorriu de verdade. Eu fiquei sem fôlego no mesmo instante e decidi ali mesmo que aquela era uma das minhas visões favoritas. 

— Eu me pergunto o que podemos fazer para passar o tempo até a neve derreter — ele disse ao levar as mãos para minha cintura, me puxando para mais perto.

— Que bom que você perguntou. — Envolvi seu pescoço com meus braços. — Porque eu tenho umas ideias.



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