História (Ne) Ever - Capítulo 19


Escrita por: ~

Postado
Categorias Pentagon (PTG)
Personagens E'Dawn, Hong-seok, Hui, Jin-ho, Kino, Shin-won, Woo-seok, Yan An, Yeo One, Yuto
Tags Jinhongseok
Visualizações 163
Palavras 10.879
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá meus amores, tudo bem.
Demorei de propósito -q
Espero que gostem e como eu disse antes: Eu NÃO sou boa com lemons, principalmente aqueles em primeira pessoa.
Ou seja, peço perdão pelos possíveis erros.

Fanfic de minha autoria, plágio é crime.
Capítulo não betado, sujeito a mudanças para correções de erros.

Boa Leitura meus anjos e vejo vocês nas notas finais.
P.S: As frases em negrito e itálico são pensamentos do Jinho do presente a respeito da história que ele "conta".

Capítulo 19 - Eu, realmente, te amo


Minha rotina sempre foi a mais simples possível, sem complicações ou imprevistos. Típico de um garoto estudioso, centrado e que queria ser um homem brilhante depois de finalmente conseguir ter uma vida fixa. Eu gostava de ficar na biblioteca recuperando o tempo perdido, tinha total conhecimento sobre as minhas sonecas durante as primeiras aulas e sabia que precisaria de muitas horas de estudo para recuperar o conteúdo perdido. Não sei quando esse costume começou, mas sabia que eram por causa das horas perdidas durante a noite para ler alguns livros maravilhosos.

Além, é claro, de assistir algumas séries ou filmes.

Eu sabia que esse costume me causaria problemas maiores que o necessário e a prova desse incidente se deu quando, em uma de minhas caminhadas para a biblioteca avistei o menino Kim que vivia correndo pelos corredores, ele passou por mim enquanto ria. Atrás dele estava um rapaz alguns centímetros mais alto, eles pareciam se divertir enquanto fugiam de alguém. No fim do corredor e com uma expressão de quem não queria se meter naquele assunto estava um garoto sério, os olhos fixos e um pouco vesgos nos dois que passaram por mim. Abri a boca para perguntar algo, mas ele apenas se virou e saiu andando.

Ele não havia me notado, não de primeira.

Lembro-me vagamente de ter observado o garoto por alguns dias, que logo viraram semanas e por consequência meses. Passei metade do meu primeiro ano no ensino médio de olho nesse moleque. O procurava no meio de todos aqueles alunos e alunas e sempre o encontrava nos mesmos lugares. Eu achava que as pessoas eram iguais, quando não estavam fazendo baderna na escola; estavam estudando como eu.

Pelo menos foi isso que eu pensei antes de conhecer o menino agitado que estudava uma série abaixo da minha, os olhos pequenos e vesgos contradiziam com as atitudes ativas e bagunceiras. Ele estudava e bagunçava, prestava atenção e ao mesmo tempo não o fazia.

Eu não gostava das atitudes dele e creio que não era o único.

Pouco ouvi falar sobre ele, mas o que conseguia saber provinha de boatos ou relatos de pessoas que lidavam com ele.

Não sou o tipo de pessoa curiosa, mas – por algum motivo – ele instigava minha curiosidade e por mais que evitasse contato com boa parte dos alunos; eu queria saber mais sobre o aluno problemático. Durante meses estive o observando de longe, fazendo minhas próprias teses e conclusões a respeito da personalidade arisca e isolada. Ele faltou por algumas semanas, não deu sinal de vida e quando voltou estava bem pior do que antes. O garoto já era naturalmente agitado, mas agora se encontrava em um nível de hiperatividade absurda.

Só que... De repente, ele mudou. Eu não sei se a culpa era das provas, da quantidade absurda de alunos ou do fato de que a escola adquirira a presença de um psicólogo. Eu sabia quem o frequentava porque a sala ficava de frente para a biblioteca, mas o que me surpreendeu foi a presença do tal garoto. Ele entrava e saía pelo menos duas vezes na semana, em horários alternados e com durações diferentes a cada sessão. Eu notei uma mudança absurda nas atitudes dele, a hiperatividade diminuíra e a forma como ele agia também.

Ele ficara cada vez mais quieto e mais isolado.

Eu teria feito mais anotações ou criado hipóteses maiores ainda se ele não tivesse sumido da minha linha de visão. Vou mentir se disser que isso não me preocupou, porque o fez e muito. Ele sumiu por semanas e eu não sabia o que fazer, porque todas as minhas perguntas estavam sem respostas.

Quem era ele? Porque não andava em grupos? O que tinha de tão interessante em ficar isolado?

Eu não sou o melhor exemplo de socialização, mas sei que também não sou o pior.

Um dia, depois de fazer uma maratona com direito a todos os episódios de uma série inteira em uma noite, eu acordei extremamente atrasado. Era metade do ano letivo e eu precisava manter minha lista de presença intacta, estava no meu segundo ano e faltava pouco para chegar à universidade. Naquele dia foi uma corrida contra o tempo e até hoje eu não sei como consegui tomar banho, me vestir e recolher o meu material em menos de vinte minutos. Desci as escadas praticamente pulando os degraus e ao chegar à cozinha não encontrei nada, nem mesmo um pacote de biscoitos. Me aproximei da geladeira e encontrei um pequeno aviso de minha mãe, ri sem ânimo e segurei a vontade de soltar um palavrão.

“Jinho, querido, tivemos que sair extremamente cedo. Não pude deixar o seu café pronto, mas deixei uma quantidade moderada de dinheiro. Acho que vai ter que comer a comida da escola hoje, sinto muito, não se esqueça de fechar a porta e de não se atrasar para a aula.

Mamãe te ama.”

Ótimo, maravilha, não dá para piorar!

 

Retiro o que disse, dá sim para piorar. Eu vou ser sincero com você sobre uma coisa: ninguém nessa escola é normal ao ponto de agir como pessoas e não animais. No começo eu cheguei a cogitar que não estava na instituição de ensino correta, hoje me pergunto se estou num manicômio ao invés de uma escola. Hwitaek me encarava com uma expressão divertida e eu tenho certeza que minha cara não é das melhores porque ele queria rir.

Rir de mim.

– Não podemos voltar depois que o zoológico for fechado? – indaguei de forma preocupada.

Ora, a minha espécie era minoria e se eu entrar nesse maldito refeitório; não sobra nem a alma.

– Hyung, eles são nossos colegas também. – o Lee respondeu de forma sorridente. – Vai ficar tudo bem.

Hwitaek me puxou pelos ombros, adentrou no refeitório e... Bom, tinha aluno pra todo lado.

Menos no teto, porque nessa parte eles ainda não descobriram como chegar.

Claro que causei certa comoção, eu nunca frequentei aquele lugar, mas eu fingi que nada tinha me afetado. Ou pelo menos tentei já que fui praticamente arrastado por Hwitaek, ele nos guiou até uma mesa afastada e eu suspirei baixinho. Era tão difícil de entender que eu não queria ficar ali?

– Pensei que morreria antes de ter ver aqui Yang Hongseok.

Virei o rosto para a pessoa com quem Hwitaek falava e me surpreendi ao ver o mesmo rapaz de antes, aquele quem eu observava em segredo e que me causava curiosidade. O nome era deveras curioso, assim como a forma com a qual ele agia e falava. Um garoto interessantemente peculiar. Língua afiada, mas expressão doce. Tinha um tom de voz delicado e cuidadoso que contradizia com a expressão brincalhona, um conjunto perfeito de oposições. Tentei me manter inexpressivo o suficiente, não queria demonstrar que o conhecia e me surpreendi quando fui colocado na conversa.

– O que faz na cantina? Pensei que odiasse esse lugar. – ele tem uma voz bonita.

– E odeio, mas Jinho estava com fome e decidiu vir até aqui.

Eles me encararam com expressões diferentes, Hui estava indiferente enquanto o tal Hongseok abriu um sorriso na minha direção. Sabem aquela sensação de formigamento, de que algo cresce em você de forma quase impossível de impedir? Eu senti isso quando meus olhos encontraram os de Hongseok e meus lábios se puxaram em um sorriso. Mas algo me dizia para sair dali e foi o que eu fiz, caminhei até a cantina e simplesmente comprei meu lanche. Não voltei para onde eles estavam, da mesma forma que fingi não ter curiosidade a respeito da amizade entre Hwitaek e o menino hiperativo.

Nos dias que se seguiram eu me mantive calado a respeito de todas as perguntas feitas por Hwitaek, eu não queria me aproximar de mais ninguém além dele e pedi que respeitasse meu espaço. Mas, claro, como o bom amigo que era, ele não parou de falar do quanto Yang Hongseok era incrível.

De como ele cuidava das pessoas ao seu redor, de como seu coração era bondoso e que mesmo sendo azarado ou dar a impressão de ser bruto; ele era uma pessoa gentil. Hwitaek também me contou que o Yang não gostava da escola, mas que estava matriculado ali há tanto tempo que simplesmente parara de pedir por transferência. Havia muitas diferenças entre nós.

Eu era calmo, ele agitado.

Nunca fui o tipo de pessoa que gostava de ser o centro das atenções, já ele vivia preso em uma confusão diferente.

Enquanto eu estudava, ele procrastinava.

Eu gostava de pessoas que agiam de forma delicada, que sabiam abordar os outros e que tinham uma convivência pacífica. Já ele parecia viver em uma constante guerra.

Opostos, definitivamente. Mas, mesmo com toda essa diferença, Hwitaek tentava de todas as formas nos aproximar. Situações ou conversas que eu rapidamente evitava, preferia a minha biblioteca e todo o conforto que ela me trazia. Lembro-me de, certo dia, estar voltando da biblioteca – o professor da última aula havia faltado – quando o vi sair de fininho por sua sala. Como o professor não notou que quatro alunos estavam saindo da aula?

Ele é cego ou realmente não se importa com o que os alunos fazem?

Observei atentamente enquanto Hongseok saía pelo portão, sorri de canto ao vê-lo sorrir com alguma idiotice dita. Encarei o relógio em meu pulso e vi que ainda faltavam boas horas para o fim das aulas, seria uma pena não poder observa-lo enquanto ele saía de forma preguiçosa da sala de aula.

Era meu segredo, continua sendo na verdade, mas eu achava fascinante a forma como Hongseok vivia.

Naquele dia fiz meu percurso de sempre e cumprimentei a senhora Kang com um enorme sorriso, eu gostava dela. Era uma mulher séria e ranzinza, mas tinha seu quê de delicadeza. Eu ficava horas ajudando a mulher a organizar tudo, conversávamos por alguns minutos e depois voltávamos aos nossos afazeres. Era uma espécie de pagamento por todas as coisas que ela fazia por mim, me ajudando e me deixando estudar o quanto quisesse.

Tínhamos uma espécie de acordo.

Só que esse acordo estava ameaçado por uma presença deveras curiosa no local, claro que eu sabia da detenção e não foi surpresa saber quem seria o sortudo que iria me ajudar. Hwitaek é a pessoa mais fofoqueira desse lugar e tenho certeza que é o primeiro a espalhar todos os tipos de boatos possíveis, ele mesmo não se importa com a fama que tem! Faço uma analogia básica associando a escola com a prisão, onde tínhamos os valentões e as valentonas. Tínhamos os que ninguém ousava encarar, os que todos ignoravam e aquele que todos respeitavam. Adivinha quem assume esse posto? Exatamente, Lee Hwitaek. Eu observei, de trás de uma estante, Hongseok conversar com a senhora Kang. Se é que aquilo poderia ser chamado de conversa. Apressei-me em dar as informações adquiridas por boatos – de que ele estava ali para cumprir a detenção – e vi a cara nada agradável que foi direcionada a mim, por ambos os lados é claro. Mas eu precisava saber mais sobre ele.

Só que aí surgiu o maior problema de todos caro leitor ou leitora, ele ficou o dia inteiro sem falar nada. Nem uma palavra! E se eu não tivesse tomado uma injeção de coragem, teríamos passado o dia todo apenas nos suspiros frustrados vindos de nós dois e nos irritados que a senhora Kang soltava vez ou outra. Eu dei uma risadinha ao ver a sua cara de desagrado e por isso peguei um de meus lanches reservas e dei para ele, não era de meu feitio me aproximar das pessoas dessa forma.

Mas, como eu disse antes, Yang Hongseok instigava a minha curiosidade.

Conversamos brevemente antes da senhora Kang aparecer dizendo que era hora de irmos para casa, devo mentir e dizer que fiquei feliz? Ou você prefere que eu admita que me senti triste com a possibilidade de que demoraria um dia para vê-lo de novo?

Não, eu não estava apaixonado.

Só encantado com a possibilidade de sermos amigos.

Nos dias que se seguiram eu tentei não parecer um louco, me sentia lisonjeado com as tentativas de conversa impostas por Hongseok e quando menos esperei; estava tão falante quanto ele. Conversávamos, ríamos e ouvíamos as histórias contadas pela senhora Kang de forma curiosa. Ela era uma boa mulher, tinha seus problemas pessoais, mas nunca deixava de ser uma pessoa incrível. Eu ensinei Hongseok a ver esse lado das pessoas, a buscar entender antes de criticar ou rotular. Claro que eu sabia que tudo aquilo era por tempo limitado e não escondi minha tristeza quando a detenção acabou, nem mesmo quando ele disse que não pretendia ficar mais do que o necessário dentro da escola. Todos os ideais que eu tinha a respeito da possibilidade de sermos amigos foram jogados no lixo e eu precisei ser forte.

Minha avó sempre me disse que devemos lidar com o medo de forma calma, mas eu não sentia medo quando o assunto era Hongseok. Eu sentia segurança em estar ao lado dele, como se nada de mal fosse me acontecer.

Me surpreendeu vê-lo na biblioteca no dia seguinte, o belo sorriso no rosto enquanto se disponibilizava a ficar ao nosso lado. Da mesma forma que foi uma enorme surpresa toda a sintonia que criamos um com o outro, risos eram distribuídos e rapidamente ficamos mais próximos. Quase tive uma crise de risos ao saber que a senhora Yang estava curiosa com a repentina mudança do filho e que queria me conhecer, eu sei que todos me consideram uma boa influência, mas não precisa de tudo isso. Lembro-me de ter conversado com ela por horas e de ter causado certo ciúmes em Hongseok, quis – diversas vezes – acreditar que o sentimento era voltado para mim. Mas eu sabia que isso nunca aconteceria. Não comigo. Esse carma não seria tão fácil de livrar, tão clichê quanto os livros românticos ou as séries televisivas, eu me via encantado por Yang Hongseok. Depois de meses em uma convivência deveras conturbada, afinal de contas meus pais davam o ar de sua graça novamente em minha vida, eu achei que talvez minha admiração por ele fosse passageira.

Só que isso não aconteceu.

Os meses avançaram assim como a forma com a qual eu lidava com a minha bagunça pessoal, eu sabia que acima de tudo a nossa amizade deveria prevalecer e com esse pensamento comecei a lidar com os outros alunos de forma mais amigável. Eu não queria estragar tudo, não queria que Hongseok me ignorasse ou me odiasse. Era visível que ele não fazia parte do meu tipo de vida, tínhamos personalidades diferentes. Trejeitos e atitudes diferentes. As mudanças em minha vida só se tornaram maiores e mais frequentes depois que meus pais decidiram morar em Seul novamente, eu tinha que lidar não só com a convivência parcialmente forçada como também com a turbulência que acontecia em meu peito.

Seria mentira dizer que eu não me declarei apaixonado por outras pessoas pensando nele, que cedi não só meu tempo e meus sentimentos, mas o meu corpo também. Tudo em busca de um alívio que não me parecia certo, nem mesmo capaz de saciar as coisas que só Hongseok causava.

Me lembro com exatidão do dia que cheguei na universidade. Onde tudo era novidade, desde as aulas até as pessoas ao meu redor. Devo admitir que foi difícil me acostumar, eu tinha o costume de sempre dormir um pouco mais ou de ter a minha rotina de estudos. Passei os seis primeiros meses tentando me adequar a tudo, aos horários, ao curso, a tudo. Principalmente quando o assunto eram os alunos, seus rostos sorridentes e a animação exagerada. Claro que tudo aquilo tinha prazo de validade, no sétimo mês nenhum de nós tinha mais ânimo ou disposição para nada.

E foi nesse período que eu o conheci.

Park Yongho era um rapaz muito bonito. Tinha um corpo que chamava a atenção e claro que eu não era bobo o suficiente para não encara-lo, mas digamos que ele não me notava. Por isso não foi de se admirar que eu começasse a procurar por uma forma de me encaixar, eu estava encantado com Yongho e queria me aproximar. Foi engraçada a forma como consegui amigos e me surpreendeu notar o quanto me vi feliz ao lado deles. Festas, reuniões e até mesmo bebedeiras foram meras consequências das coisas que eu precisava viver. Tudo bem, eu não era esse tipo de pessoa antes, mas agora eu precisava disso. Precisava viver e ver tudo.

Eu me divertia durante o almoço e em minhas horas livres, às vezes conversava com Hongseok e em outras simplesmente ignorava suas ligações.

Minha amiga de confiança na época era Gayoon, fomos namorados durante dois meses e depois decidimos manter a amizade. Se eu soubesse que ela era uma víbora, teria ficado longe dela. Gayoon me convenceu a investir em Yongho, ela me apoiou e foi o “cupido” entre nós. Uma festa e pronto, já éramos o casal mais comentado da universidade. Me senti no ensino médio onde os casais eram mantidos juntos por status e prestígio, não por sentimentos. Estava certo de que ele era a minha cara metade, de que seríamos felizes juntos e até tinha me acostumado com os amigos idiotas dele.

Mas todo o meu mundo desabou no dia em que Yang Hongseok me ligou dizendo que havia se matriculado na universidade. Meus sentimentos me acertaram com tanta força que eu não sei de onde tirei disposição para exigir que ele ficasse no mesmo dormitório que eu, se a coordenadora não gostasse de mim…

Claro que não foi fácil manter uma amizade com ele por causa da distância, mas eu conseguia. Ou pelo menos tentava. Gayoon era minha noona e usava isso como uma bela desculpa para conseguir o que queria, então – para ela – não foi difícil me afastar de Hongseok. Eu não sabia como lidar com meus atuais amigos e a presença de Hongseok, era muita coisa para mim e devo admitir que foi mais difícil ainda por causa de Yongho. Lembro-me de ter recusado sair com Hongseok diversas vezes, em uma dessas recusas eu estava saindo da sala de aula. Tinha concordado em ir almoçar com ele quando Gayoon e Yongho apareceram, ela deu a ideia de sairmos juntos e o rapaz ficou com a responsabilidade de me convencer a ir. Eu poderia ter negado e dito que tinha um compromisso, mas eu fui burro.

Naquele dia eu cancelei mais um momento meu com Hongseok.

Sabe, eu não tinha ideia de que estava ao lado de uma cobra criada. Todas as coisas que Gayoon me dizia beiravam o aconselhamento, eu acreditei por meses que ela estava me ajudando com Yongho, que tentava manter nosso relacionamento firme e forte. Mas essa não era a verdade.

Talvez por isso eu tenha fugido por um final de semana inteiro, que preferi ignorar Yongho e que menti descaradamente para Hongseok, nunca passou por minha mente que ele pudesse encontrar minha mãe. Nem que ele descobriria sobre minha pequena mentira e criasse uma perspectiva completamente diferente da original, eu não saí com Yongho. Nem mesmo o vi durante os três dias que fiquei fora.

Eu estava sozinho, pensando. Minha confusão pessoal só não era maior do que a do meu guarda-roupa.

Por isso, no dia em que flagrei Hongseok bêbado e em uma cena bem íntima com Shinwon; eu surtei. Não quis nem saber o que Wooseok fez com o namorado dele, eu só queria impedir que o meu melhor amigo perdesse a cabeça. Eu tentei colocar juízo na mente dele, chegamos a uma possível discussão onde ele disse aquilo.

Hongseok se declarou, disse com todas as letras que me amava. Era isso que eu queria, não havia dúvidas quanto a isso, mas… Eu fugi. Eu simplesmente entrei no nosso dormitório e fechei a porta, me escondi no meio do nosso espaço por não saber como reagir. Fiquei longas e intermináveis horas sentado no chão, com as costas apoiadas na madeira da porta de entrada e chorando como uma menininha que perdeu a boneca favorita. Não poderia ser verdade, poderia? Depois de tanto tempo gostando de alguém como Hongseok em silêncio, agora eu me via em dúvidas sobre a veracidade de suas palavras. Ele estava falando sério?

Não era brincadeira?

Hongseok não falou comigo nos dias que se seguiram, nesse período optei por ficar na casa de meus pais e isso causou um imprevisto bem maior que o necessário. Eu estava atrasado para a última aula, precisava passar no dormitório para pegar um livro quando vi o carro nada discreto de Lee Hwitaek estacionado bem em frente ao local. Me aproximei de forma curiosa, perguntei o que estava acontecendo e tudo o que ele disse foi que eu deveria entrar no dormitório. Eu pretendia abrir a porta quando Hongseok o fez, ele estava com suas coisas, parecia surpreso ao me ver. Ele tentou passar por mim, mas eu não permiti. O que estava acontecendo? Hongseok ia sair assim, sem falar nada e sem me dar a chance de esclarecer tudo? Tentei impedi-lo e arrancar dele alguma coisa, mas tudo o que ele disse se remedia ao que fiz noites atrás. Ele queria se afastar, queria conviver sozinho com o que ele chamava de amor unilateral.

Mas o problema era esse, não havia nada de unilateral naquele sentimento. Só que eu fui burro demais para abrir a boca, fui ingênuo em acreditar que Hongseok não faria nada. Ele fez sim, sumiu da minha vida. Ninguém sabia onde ele estava, Hyojong nunca foi o tipo que gostava de conversar e parecia que comigo as coisas se tornavam duas vezes piores. Yan An e Changgu não me respondiam, o coreano sequer me deixava falar enquanto o chinês ficava calado. Eu não me atrevi a falar com Hwitaek, não por medo, mas por não saber como tocar no assunto sem parecer desesperado. Por um ano eu vi a minha vida virar de cabeça para baixo.

Descobri que Gayoon era caso amoroso de Yongho e que ele não era ciumento ao extremo por razões bem óbvias. Eu era corno, com todas as letras e ao que tudo indicava o casinho rolava a bastante tempo. Eu não briguei com Yongho, decidi que esperaria um pouco. Até ter certeza ou até ver com meus próprios olhos, não que eu tivesse feito diferente já que troquei um rápido beijo com Hongseok, mas eu precisava ver. Precisava ter certeza de que estava sendo enganado e a confirmação chegou bem mais rápido do que o esperado, foi em uma festa bancada por Hyuna que eu os vi. Não armei escândalo, nem mesmo demonstrei estar sabendo de algo. Na mesma velocidade com a qual cheguei à festa; eu saí. Encontrei com Yongho no dia seguinte em seu dormitório, combinei algumas coisas com ele e esperei. Esperei o dia certo, queria ter certeza de duas coisas. Primeira: eu estava sendo usado por ele, segunda: se eu ainda gostava tanto dele assim. O desgraçado sabia como me desarmar, isso eu não posso negar, e quando eu menos esperei estava na cama com ele. Mas claro, meu cérebro decidiu que eu deveria me vingar e no meio de toda aquela bagunça eu acabei chamando o nome de Hongseok.

Obrigada cérebro, eu quase perdi os dentes.

Yongho surtou, me xingou e ainda me acusou de estar o traindo. Essa foi a deixa perfeita e rapidamente joguei tudo o que sabia na direção dele, mas sabe o que mais me irrita em contar isso? Yongho riu de mim. Ele nem mesmo se deu o trabalho de negar, ele olhou para mim e riu. Debochou da minha inocência em acreditar que éramos o casal perfeito, fez pouco caso da minha fidelidade. E sabem o que eu fiz? Eu chorei.

Chorei como uma criança que perdeu tudo. Eu voltei para a casa dos meus pais e chorei abraçado ao meu travesseiro, eu chorei quando minha mãe me perguntou o que estava acontecendo. Chorei quando ela disse não entender o que eu estava passando, eu não podia contar e correr o risco de perder a minha casa também. Eu admirei Hongseok em silêncio por esse motivo, por não poder contar. Meus pais não aceitariam.

Foi o pior ano da minha vida. Tudo era chato demais, irritante demais e até mesmo o dormitório ficava gigante quando eu estava sozinho. Meus pais estranharam a minha repentina vontade de querer ficar com eles por mais tempo, mas isso não os deixou totalmente a vontade para fazer perguntas. Eles não falaram nada a respeito da minha mudança, nem mesmo ousaram tocar no assunto. E foi assim que eu vivi por um ano com meus pais.

Nos dois meses após o fim daquele ano, eu me vi na obrigação de voltar ao dormitório. Limpei todo o local, arrumei as estantes e mudei alguns móveis de lugar. Meio receoso eu abri a porta do quarto que era de Hongseok, intacto, do mesmo jeito que ele deixou. Vasculhei o cômodo com o olhar e me surpreendi com a foto que ele deixara. Fiz questão de a guardar com carinho. Eu voltei a minha rotina, mudei o horário do meu curso de novo e tive como resposta o grito da coordenadora sobre a faculdade não ser um cabaré. Consegui minhas aulas diurnas de volta e como consequência revi alguns rostos conhecidos, Yan An fugia de mim e Hwitaek apenas me cumprimentava vez ou outra. Eu não tiro a razão deles, Hongseok era amigo de todos os outros e eu meio que o afastei deles. Alguns dias depois de voltar a minha rotina, tive a maior surpresa já catalogada. Estava voltando da biblioteca quando avistei, no meio do corredor, Yang Hongseok e seus amigos.

Minha surpresa só não foi maior que a minha cara de pau em correr para abraça-lo. Era ele, em carne e osso. Havia voltado. Eu me sentia tão feliz e ao mesmo tempo tão preocupado, ele – provavelmente – iria querer um esclarecimento. Uma conversa. E toda a minha suposição se mostrou verdadeira quando ele pediu por isso, o levei até nosso antigo dormitório e novamente fiz o que não era certo. Eu enrolei.

Enrolei Hongseok por tempo suficiente para outra pessoa aparecer em nossas vidas, essa tinha nome e sobrenome bem peculiares. Eu tinha três motivos para não querer que a conversa acontecesse, motivos bem viáveis.

Um: Por mais que meu coração acelerasse por ele, eu não tinha certeza do que sentia e não queria correr o risco de magoa-lo. Além do fato de que eu poderia estar confundindo tudo.

Dois: Hongseok havia mudado de curso e agora tinha seu próprio dormitório.

Três: Ele dividia o dormitório com Kang Hyunggu, o filho da bibliotecária da nossa escola.

Admito que essa cobra sabia onde me atingir e em todas as vezes que tentei falar com Hongseok, ele estava lá pendurado no Yang. Hyunggu basicamente respirava o mesmo ar que Hongseok e isso me deixava furioso! Perdi a conta de quantas vezes fui trocado pelo filhote de historiadora fracassada, sem falar na ceninha romântica entre eles. Sério, Hongseok disse que me amava e agora fica se agarrando com Hyunggu?! Ignorei Hongseok por simples e pura birra, o Kang ainda fez questão de vir até mim e contar que ele é Hongseok eram apenas amigos íntimos e que eu não deveria me preocupar.

Aham, claro, ignora a minha mão na sua cara também seu idiota.

Eu estou com ciúmes sim, e daí?

Hongseok disse que me amava! Ele não pode se agarrar com o primeiro que achar, isso não é justo.

Só soube da existência de Hongseok de novo quando, em uma festa ministrada por Hyuna, eu acabei bebendo um pouco mais. Estava sentado no bar, conversando com Hwitaek quando ouço os gritos de Hyojong. Virei o rosto lentamente e vi a cena que mais me causou ódio, Hongseok segurava a cintura de Hyunggu enquanto os dois se aproximavam cada vez mais e mais. Apertei o copo em minha mão com tanta força que o quebrei, pulei da cadeira e corri até os dois. Gritei que aquilo não poderia acontecer e rapidamente puxei Hongseok, ele não pode beijar o Kino. Não é justo.

E eu? E os meus sentimentos?

Não sei como cheguei ao dormitório dele, nem mesmo o que aconteceu até que uma vontade descomunal de chorar tomasse conta de mim. Eu estava o perdendo, não estava? Hongseok estava aprendendo a gostar de outras pessoas, estava se divertindo e curtindo a vida enquanto eu estava aqui. Preso em um conflito interno dos infernos, passando horas do meu dia planejando a melhor forma de colocar os meus sentimentos em palavras e falhando miseravelmente ao ver que ele era perfeito demais para mim.

Porque era isso que eu achava e ainda acho dele.

Hongseok era coberto por uma perfeição sem tamanho, dos olhinhos vesgos até o senso de humor único. Do sorriso a voz. Um conjunto de perfeições julgadas imperfeitas, algo que deveria ser apreciado, mas que não era. Por isso, naquela noite, eu deixei que meus sentimentos falassem por mim. Estava bêbado, claro que sim, mas havia uma parte minha que beirava a sobriedade e por isso eu a ignorei. Eu queria senti-lo, queria toca-lo sem medo. Claro que eu também sabia que ele não seria tão impulsivo, então, quando o sono me acertou, ele começou a diminuir seus toques. De uma vontade louca, restou-me apenas um carinho delicado e aconchegante. Antes de cair no sono, pude ouvir, claramente, seu sussurrar pedindo para que eu o amasse como ele me amava.

Mal sabia ele que seus sentimentos já eram correspondidos.

Tudo o que ocorreu nos dias seguintes foram uma incógnita, ele surtou no dia seguinte e disse coisas que eu jamais havia escutado de alguém. Hongseok me jogou verdades que eu não queria ouvir e em troca eu o magoei, disse coisas horríveis e fui para o meu dormitório. Seria mentira dizer que todos os amigos dele se meteram na história, porque eles não o fizeram. O único que ainda me procurou foi Hyunggu, não para fazer confusão, mas para esclarecer tudo.

– Hongseok hyung não é meu namorado, nós não temos nada. Eu planejei aquilo porque sei que ele te ama, não posso provar o que digo, mas posso te afirmar que ele não queria me beijar. Era tudo falso hyung. – a voz trêmula entregava a culpa que ele sentia. – Não odeie Hongseok hyung por algo que ele não fez, a culpa é minha e eu sei que você não vai acreditar em mim. Mas nada do que acontece ou parece acontecer é real…

Preciso dizer que me senti um monstro e que o sentimento só aumentou quando – algum tempo depois – Hongseok ficou preso no incêndio? Não né?

Aquele dia pode entrar para a minha história com o dia em que cheguei mais perto da morte, não por ter estado no incêndio, mas por ter quase enfartado ao saber que Hongseok estava dentro do prédio em chamas. Eu juro que quis entrar lá, mas Hwitaek não deixou. Tudo o que me restou foi esperar por alguma notícia de Hongseok, claro que demorou, mas quando o vi sair daquele prédio são e salvo; quase chorei. Eu falei com ele, ou pelo menos tentei, o Yang havia inalado tanta fumaça que estava tendo uma crise de tosse na minha frente. Os bombeiros tomaram as rédeas da situação e tudo o que eu fiz foi observar ele ser atendido, eu me culpei e chorei muito por isso.

Hongseok ficou desacordado por dois dias, eu o visitei e mantive contato com sua mãe para saber notícias suas. Depois de visita-lo a noite, observa-lo durante o sono e a roubar vários beijos de seus lábios; eu encontrei o meu pedacinho de felicidade. Nada no mundo tiraria aquele sentimento de paz, mesmo sabendo que eu tinha culpa em toda essa confusão. Aceitar os sentimentos dele parecia o certo, porque eu o amava em retorno, mas no dia... Tudo pareceu duas vezes mais complicado. Como eu disse, o problema estava em mim e não nele. Depois que ele saiu do hospital e nós tivemos a oportunidade de conversar como pessoas civilizadas, ele pediu um tempo.

Um tempo para pensar, para colocar tudo em ordem e eu acatei. Não por achar que precisava pensar, mas por não querer discordar dele. Nos afastamos e mantivemos a linha de amizade, claro que tudo era completamente diferente quando estávamos sozinhos e eu tinha que me controlar para não avançar nele. Hongseok sempre foi lindo aos meus olhos, mesmo que poucos achassem isso. Ele tinha características únicas, que despertavam a curiosidade de qualquer um. Mas naquela escola eu parecia ser o único a nota-lo da forma que ele merecia, sabia pouco de sua vida, mas sempre o observei. Por isso não vi mal nenhum em reaver com ele a amizade esquecida, em ter um pouco mais de sua atenção.

Estive com ele em sua prova final e em todos os momentos ruins da faculdade, em troca Hongseok foi exatamente o que eu esperava que ele fosse. Amigável, carinhoso...

Hongseok era ele mesmo.

No ano novo eu fui forçado a ir para a casa de nossos vizinhos, ficar ao lado de Chonnasorn Sajakul e sua família nada discreta não era minha ideia inicial e eu até tentei fugir nos primeiros minutos. Mas a presença de Yang Minyoung chamou a minha atenção e eu rapidamente falei com ela, a mais velha me indicou onde Hongseok estava e rapidamente eu caminhei até o lugar. Ela me seguiu e nós observamos de longe o jeito que ele encarava a lua, uma criança presa no corpo de um universitário. A senhora Yang me confidenciou que em anos ao lado do filho nunca o vira tão tranquilo quanto agora e me agradeceu de coração por tudo, eu sorri e disse que ela não precisava me agradecer. Caminhei lentamente até onde ele estava, o abracei e passei os últimos minutos daquele ano e os primeiros do ano seguinte ao lado do homem que amava.

Lembro que conversamos, que nos beijamos e que em seguida bebemos. Claro que eu sempre fui fraco e acabei dando um banho nele, fomos até minha casa e lá trocamos longos beijos antes de pegar no sono.

No dia seguinte fomos surpreendidos por meus pais, eles não suspeitaram de nada, mas eu precisava esclarecer tudo com Hongseok. Diferente do que eu achei, ele não disse nada do que eu imaginei. Hongseok simplesmente me abraçou e propôs carinhosamente que nós namorássemos, eu o amava e claro que não iria recusar. Nossa vida juntos estava muito boa, apesar de querer que ele voltasse ao dormitório; isso era impossível no momento. Hongseok era de um curso totalmente diferente, tínhamos que achar uma brecha entre nossos horários para termos um tempo a sós e quando conseguíamos tínhamos que aproveitar. Eu tentava me acostumar com seus amigos, principalmente com a presença de Hyunggu. Ele era carinhoso com todos, mas com Hongseok sempre parecia ter algo mais em meus olhos e eu só me acalmei quando o Yang afirmou que eles não tinham nada.

Estava tudo bem, pela primeira vez eu não precisava me preocupar com nada. Me sentia bem, firme e forte.

Isso ate descobrir que meus pais queriam conversar com nós dois.

Devo admitir que surtei, que entrei em estado de pânico e até mesmo chorei escondido. Notando minha condição, o professor autorizou a minha saída. Corri para o banheiro mais próximo e tentei me acalmar, pensei em milhares de discursos que pudessem me tirar de todas as confusões e discussões possíveis; mas meu cérebro não parecia disposto a funcionar direito. Estava em pane, em desespero, eu precisava me acalmar, mas não sabia como. Mandei uma mensagem para Hongseok e esperei, demorou para que ele chegasse, mas quando o fez tudo o que pude fazer foi abraça-lo como se minha vida dependesse disso.

E dependia, porque querendo ou não eu vivia por Hongseok e ele era toda a calma que eu não conseguia ter.

Enfrentamos meus pais, na verdade Hongseok os enfrentou enquanto eu apenas observava a tudo com medo. Sim, medo. Eu tinha medo de me afastarem dele. Tinha medo de ser abandonado pela única pessoa que eu amei e que sabia me amar em retorno, tinha medo de ser negado por meus pais e de perdê-los novamente. Tinha medo de ser afastado das pessoas que amo por causa de bloqueios criados por pessoas hipócritas e ocupadas demais com os rótulos que criam para enxergarem o sentimento puro que tínhamos um pelo outro.

Não queria perder Hongseok de novo. Já o perdi quando fui burro o suficiente para não dizer que correspondia seus sentimentos, o perdi quando fui inconsequente e deixei meus desejos falarem mais alto que minha razão. O perdi parcialmente quando ele se meteu naquele incêndio. Eu não posso perder Hongseok, não posso e não quero. Apertei sua mão e demonstrei através de meu olhar que estava assustado, que não queria nada disso e para minha infelicidade meu pai propôs conversar a sós comigo. Deixei Hongseok na porta e voltei sentindo meu coração pesar o dobro em meu peito, caminhei lentamente até o sofá e encarei meus pais.

– Nunca pensei que passaria por isso. – o homem disse de forma séria. – Nunca passou por minha mente que você e Hongseok se tornariam mais do que amigos, sempre achei a amizade de vocês pura e sincera demais para isso...

– Querido...

– Deixe-me terminar. – ele pediu e minha mãe se calou. – Eu te criei da forma mais correta possível Jinho, sempre fui sincero com você a respeito de meus princípios e você nunca se mostrou contrario a isso. Nem mesmo ousou ir contra eles... – me encarou enquanto eu encolhia relativamente no sofá. – Só me responda, por quê?

– Aconteceu. – respondi de forma amedrontada. – Não era minha intenção ir contra seus princípios, nem mesmo te desafiar, simplesmente aconteceu... Eu me apaixonei pai. Eu vi em Hongseok tudo o que me faltava, tudo o que eu precisava. Eu neguei no começo, não quis aceitar para não desapontar vocês e por isso simplesmente ignorei. Eu me foquei nos estudos, fui aceito em muitas universidades e por mais que quisessem a minha saída do país atrás de algo melhor; meu coração não permitiu. – suspirei sentindo os olhos arderem. – Eu o amo, acreditem em mim, por favor...

– É uma surpresa para nós. – a mais velha disse de forma calma. – Eu não quero que sofra Jinho, as pessoas podem ser malvadas.

– Eu sei mãe.

– E mesmo assim vai acatar a essa ideia de que um relacionamento com outro homem é certo? – o mais velho não gritava, nem mesmo demonstrava raiva. – Responda Jinho.

– Não é questão de ser certo ou não, é questão de amar pai. – respondi e ele sorriu de canto.

Isso é um bom sinal, não é?

– Quando eu conheci sua mãe, não era o melhor aluno do mundo. Na verdade nunca cheguei a ser, eu era bagunceiro e adorava uma boa briga. – sorriu de canto. – Sua mãe era a líder do clube de ciências e eu era o oposto de tudo isso, enquanto ela estudava; eu curtia. Enquanto ela não tinha nenhum garoto correndo atrás dela, eu tinha a escola toda aos meus pés. Exceto é claro por ela.

Os dois se encararam e eu sorri de canto.

– Foi em um dia de chuva, um temporal na verdade, que eu percebi que tinha esquecido meu guarda-chuva e que não era a única. – deu uma risadinha. – Nós conversamos e eu acabei conhecendo mais daquele garoto cheio de si e com um ego batendo em um avião em pleno voo, viramos amigos e em seguida melhores amigos. Nos aproximamos, nos apaixonamos e logo em seguida namoramos. Mas as coisas não foram tão fáceis assim, meus pais descobriram e acabaram discordando de tudo.

– E é nesse ponto que quero chegar Jinho. – informou seriamente. – Enquanto seus avós diziam não para tudo o que nós queríamos, eu e sua mãe dizíamos sim para todas as formas possíveis de oficializar o nosso amor. – ele suspirou. – Casamos escondido de todos e começamos a planejar a nossa vida secretamente, mas quando sua mãe engravidou; nós precisamos anunciar tudo. Mesmo discordando, sua avó deixou que nós vivêssemos da forma que queríamos.

O que ele queria dizer com isso?

– Não quero que passe pela mesma provação que eu passei, sua avó vai surtar quando souber, mas eu não me importo. – riu. – Sua felicidade é mais importante do que a minha negação ou a vontade dos outros de atrapalhar a sua vida, se você estiver feliz para mim está tudo bem.

Não hesitei em abraça-lo, em agradecer e em chorar como uma criança. Sequer me lembrei de mandar uma mensagem para Hongseok, simplesmente corri pelas ruas de forma apressada. Não me importei em demonstrar que estava chorando, nem mesmo que estava feliz. Finalmente estava tendo um momento bom em toda essa história, vivendo a minha parte da felicidade.

Finalmente tendo o amor de Hongseok só para mim.

Minha primeira noite com Hongseok surgiu em meio a uma situação bastante constrangedora, mas antes de conta-la eu preciso voltar para a manhã daquele dia. Acordei cedo e segui para a entrada da universidade, conversei com alguns ex-colegas e em seguida fiquei esperando por Hongseok e seus amigos. Assim que ele cruzou a porta eu senti que boa coisa não ia acontecer.

Yongho estava atrás dele, com uma cara de poucos amigos e eu sabia que a culpa era minha.

Não deu em outra, eles discutiram. Ofensas, gritos e quando Yongho me ofendeu; Hongseok ficou puto. O Yang agrediu o outro de forma violenta, um soco na boca e outro no estômago. Mas claro que teria volta e por isso foi um Deus nos acuda para separar esses dois. Eles só não se mataram porque isso ainda dá cadeia.

Levei Hongseok para a enfermaria e naquele dia ele pediu que o esperasse em seu dormitório, a presença de Hyunggu seria negociada e eu concordei. Mais tarde, quando a noite caía, eu já estava em seu dormitório esperando por ele. Hyunggu havia concordado com a ideia de dormir em meus aposentos enquanto eu passaria a noite com meu namorado, estava esperando por Hongseok em seu quarto quando comecei a mexer em seu guarda-roupa. Ele era bem organizado nesse quesito, peguei uma de suas blusas e a levei até o nariz. Tinha o perfume dele, o cheiro característico e único. A parte que eu amava em Hongseok além de sua voz e seus sorrisos.

Seria mentira dizer que sentir o seu cheiro era o mesmo que não sentir nada, porque era exatamente o contrário. Seu perfume me lembrava todas as vezes em que nos entregamos a beijos calorosos, a toques ousados, a preliminares que muitas vezes nunca eram finalizadas. Hongseok tocava cada parte de meu corpo de uma forma quase impura, como se seus dedos aumentassem meu tesão. Como se seus lábios me instigassem a gemer e a querer mais, a sentir mais.

A tê-lo tão dentro de mim que seria impossível retirá-lo.

Naquela noite eu senti minha calça me incomodar bem mais que o necessário, por isso não me envergonhei em tirá-la. Nem mesmo em seguir para o banheiro e buscar por alívio, ele demoraria a chegar. Eu tinha tempo de sobra.

Comecei os toques de forma lenta, quase provocante. Ignorei meu bom senso e gemi, chamei por Hongseok como se fosse ele a me tocar e não minhas mãos. Parecia até mesmo uma miragem, uma ilusão. Mas os toques eram tão intensos, firmes, que eu quase gozei só com um simples penetrar de dedos. Eu sabia que não era comum estar tão entregue assim a alguém, nem mesmo que eu sentiria como se ele estivesse ali aliviando toda a tensão sexual que só ele sabia causar. Minha maior surpresa veio quando senti seu membro me preencher, não era ilusão.

Nem mesmo miragem.

Hongseok estava ali, chegara mais cedo e me flagrara em uma situação nada comum. Não reclamei, claro que não. Simplesmente gemi em deleite quando ele se movimentou, penetrando fundo, me fazendo gritar de prazer. As mãos escorregando pela parede do banheiro, minha intenção era um banho gelado, mas acabei simplesmente me masturbando no banheiro de meu namorado. No fim fui agraciado por seu membro acertando fundo, onde choques se espalhavam por todo o meu corpo. Onde a excitação aumentava e escapava em forma de pré-gozo pela fenda de meu pênis, mas sequer poderia dar atenção a ele. Joguei a cabeça para trás quando o senti estocar com brutalidade, minhas nádegas acertando em cheio sua região pélvica. Sentia suas unhas se cravarem em meu quadril enquanto Hongseok gemia por meu nome, me atentando a sanidade. Falando obscenidades em meu ouvido.

Estava quase chegando a meu ápice quando ele se retirou por completo, gemi em descontentamento e o encarei por cima dos ombros. Hongseok tinha algo em mente, algo safado e que me faria enlouquecer. Tive a prova disso quando fui puxado, ele me empurrou em direção a pia e colocou minhas mãos na beirada. Segurou meu quadril e o empinou, me senti exposto, não vou mentir, mas joguei a vergonha na casa do caralho quando gemi manhosamente ao sentir sua língua tocar minha entrada.

Onde ele aprendeu essas coisas?

O músculo úmido me invadia de forma despudorada enquanto as mãos dele separavam as minhas nádegas, apertava e arranhava. Fazia a penetração de forma que eu não conseguia processar nenhuma frase coerente e tudo o que saíam eram gemidos, minhas pernas fraquejaram. Eu estava chegando ao meu limite sem ser tocado, mas ele não parecia disposto a permitir isso. Hongseok ergueu-se e sem aviso prévio me penetrou, o pênis acertou minha próstata e eu precisei de forças para não gritar. Ele ia fundo, certeiro, gemendo e me mandando gemer.

Minha garganta não era mais coordenada por meu cérebro e sim por todas as estocadas que recebia.

Senti meu ventre se repuxar e gemi arrastado, meu sêmen se espalhou pelo chão e parte do granito que compunha a pia. Minha entrada se apertou e eu ouvi quando um gemido rouco escapou por seus lábios, senti meu interior ser preenchido e me remexi inquieto. Não parecia suficiente, não era suficiente. Sempre acreditei que Hongseok e eu estávamos conectados, isso se mostrou válido quando fui arrastado para o quarto. Deitei na cama e observei enquanto ele limpava a bagunça do banheiro, meu corpo ainda queimava. Talvez fosse a visão dele nu, ou quem sabe as marcas que ele deixou em meu corpo. Mas eu queria mais.

Foda-se se amanhã tenho que estar parcialmente recuperado, foda-se se eu ainda tenho aulas a comparecer.

Eu queria que Hongseok me possuísse, que me declarasse seu mesmo sabendo que eu já era. Toquei a marca de suas mãos em minha cintura e sorri de canto, se eu soubesse que ele iria chegar e me pegar no flagra; teria proporcionado uma cena bem melhor. Encarei a porta do banheiro e sorri de canto, ainda estava sensível, mas como eu disse antes: eu queria mais.

Não me importei com pudor ou bom senso, comecei a me masturbar de forma silenciosa na cama, sempre atento a cada movimento no banheiro. Se eu bem conheço Hongseok e o seu membro, ele está tentando não ficar excitado de novo. Como eu sei? Em todas as vezes que tardamos esse momento, ele sempre estava extremamente excitado e acabava se aliviando no banheiro. O problema é que, dormíamos na mesma cama e por consequência eu sentia quando ele ficava excitado e quando levantava para ir ao banheiro também. Conheço meu namorado como a palma de minha mão.

Me movimentei na cama conforme meu membro ganhava vida, sentia que minha mão deslizava com mais facilidade por causa do orgasmo quase recente. De minha entrada ainda escorria o sêmen de meu namorado, a luz do banheiro se apagou no exato momento em que eu me virei na cama. Penetrei dois de meus dedos e gemi manhoso, aquilo era bom, mas era melhor ainda com ele.

– Puta que pariu.

Foi tudo o que ouvi antes de sentir alguém pular na cama, meus dedos foram tirados e sua mão logo tateou meu corpo. As palmas foram preenchidas por minhas nádegas quando ele as apertou, as afastou minimamente e friccionou o membro semiereto em minha entrada. Céus, aquilo era tão bom. Impulsionei meu quadril para trás e em troca recebi um tapa na lateral direita, doeu muito, mas eu não me importei. Senti sua mão tocar meu membro e o masturbar, lentamente, torturando e me fazendo gemer loucamente.

Hongseok curvou-se sobre mim e lambeu minha orelha, levou o dedo até a fenda de minha glande e a fechou. Nesse momento eu não sabia o que me incomodava mais, se era o pênis totalmente rijo de Hongseok se encaixando em minha bunda sem me penetrar ou se era a forma como ele segurava meu membro.

Ele se remexeu, levou a glande até minha entrada e a circundou. Nunca achei que chegaria tão perto da insanidade quanto naquele momento, meu interior pulsou com a ideia de ser preenchido e eu gemi necessitado. Hongseok simulou uma penetração onde só a glande entrou, apertei os lençóis com força e contraí um interior. Ele gemeu e apertou meu quadril, contraí mais uma vez e senti quando ele quis soltar meu membro. Mais uma contração e ele mordeu minhas costas, gemi de dor e em seguida descontentamento quando ele se retirou de minha entrada. O membro ereto, duro e gotejante foi colocado contra minhas nádegas. Sentia sua intimidade pulsar só de estar próxima a seu destino, ele estava tão ansioso quanto eu, mas queria levar os joguinhos adiante.

Hongseok friccionou seu membro em minhas nádegas, simulou uma penetração sem realmente o fazer e eu perdi as rédeas da situação.

– Hongseok…

– O que foi Jinho? – mais uma estocada. – O que quer?

– Quero você. – ergui ainda mais o quadril quando ele masturbou meu membro. – Quero que meta bem fundo.

Hongseok riu antes de repetir o processo com a glande, senti meu corpo se arrepiar ao sentir só aquele pequeno contato e como consequência contraí minha entrada buscando por mais. Querendo acolher toda a sua extensão, querendo ser preenchido.

Estou sendo pervertido demais, mas a culpa é dele.

– Só vai gozar quando eu achar que merece. – sussurrou enquanto impulsionava o quadril pra frente. – Vai aprender a não me provocar.

Sem aviso prévio fui penetrado, ele estocava sem delicadeza e fazia a cama bater contra a parede. Eu havia provocado Hongseok onde ele menos tinha autocontrole, mas não me arrependia. Ele me mordeu, me arranhou, inverteu as posições e me deixou ditar os movimentos em cima de seu colo. Não sei quando consegui gozar, mas afirmo que foi a melhor de todas. Eu estava com as costas em sua escrivaninha, os livros jaziam no chão assim como seu material. Minhas pernas estavam erguidas e afastadas, ele estocava fundo me fazendo deslizar na mesa. Estava cansado, nem sei quanto tempo passei naquela sessão interminável de sexo.

– Mais… – gemi rouco. – Mais fundo Hongseokkie…

Gemer seu nome foi o estopim para ele, Hongseok se desfez dentro de mim e soltou meu membro. Estava dolorido, qualquer toque causava uma onda de choque e sem pensar nas consequências; Hongseok o abocanhou. Abri a boca, mas o gemido não saiu. Me desfiz e deixei que o cansaço me dominasse. Eu não sabia que horas eram, se eu dormi na escrivaninha mesmo ou se ainda tive forças para ir até a cama. Não houve um canto desse maldito quarto que não foi usado, que não foi sujo de gozo ou pré-gozo, que não tinha nosso cheiro.

Ouso arriscar dizer que só não saímos do quarto porque Hyunggu ainda mora aqui.

No dia seguinte eu pude avaliar com mais calma o estado do rosto de meu namorado, ele e Yongho haviam passado dos limites e quase causaram uma comoção maior. Se não fossem os outros alunos para impedir o pior, esses dois teriam ganhado uma passagem direto para o hospital. Ou pior do que isso, para o necrotério. Após uma rápida conversa e um banho – onde eu caminhei de forma desengonçada até o banheiro – pude finalmente me sentir renovado, caminhei para a cama e o beijei. Estávamos avançando para outro ponto quando Hyunggu chegou e atrapalhou tudo.

Sério, não tenho nada contra os amigos de Hongseok, mas aquele menino é um caso sério. Quase o matei, mas fui impedido por meu namorado que agiu antes de mim. Nos dias que se passaram eu pude conhecer melhor os amigos do Yang, me afeiçoei a todos.

Menos a Hyunggu, esse ainda vai demorar.

Conheci Yuto, um jovem japonês que tinha uma educação invejável apesar dos palavrões que escapavam. Conheci o pai de Hongseok que não parecia má pessoa, mas que causava uma tensão sem tamanho no meu namorado. Aprendi a cuidar de todos e a diferenciar o nível de insanidade de Hyojong de acordo com o humor dele, era divertido lidar com aquelas pessoas. Além de claro lidar com os pais de Hongseok e mesmo que o Yang não gostasse de falar da família; eu sabia que seu pai estava de volta por um bom motivo. Estávamos em um dia comum na universidade quando vi Hyunggu encarando Yuto, ergui uma sobrancelha e pedi para falar a sós com ele. Sentamos em um banco afastado e eu esperei que ele falasse algo, mas tudo o que Kino fez foi suspirar.

– Como descobriu hyung?

– Descobri o quê?

– Que gostava de homens. – indagou desviando o olhar para o chão. – Você era hétero não era?

Assenti.

– Então como descobriu?

– Eu não descobri, eu só senti. Acreditei por muito tempo que era coisa da minha mente e tentei impedir que crescesse, que me consumisse. Funcionou por um tempo, mas aí eu descobri que tudo era em vão. – respondi e ele me encarou confuso. – Hyunggu, a gente não controla o coração. Temos essa falsa ideia porque é isso que nos ensinam, mas na verdade, a única coisa qual controlamos é o dinheiro que paga nossas contas.

Rimos e ele assentiu.

– Amor não olha para o sexo, não olha para o gênero, nem para a condição financeira. Há pessoas que passam a vida inteira ao lado de alguém do sexo oposto, namoram, noivam, casam… Depois separam, começam a viver a vida, encontram pessoas diferentes. Com visões diferentes, aí quando notam; já estão apaixonados. – sorri de forma reconfortante e movi meu olhar para Hyunggu. – O amor é assim, ele simplesmente acontece. Quando você nota, não tem mais volta e está perdidamente apaixonado, preso àquela pessoa.

– Isso é…

– Assustador? Claro que sim. – o encarei de forma doce. – Mas acontece. Seu coração deve ter visto em Yuto algo que você não encontrava em ninguém, deve ter encontrado nele o que você tanto almejava. – suspirei. – Vai ser difícil aceitar, mas se serve de conselho; é melhor estar com alguém que causa uma sensação estranha no seu estômago do que estar com alguém que não te causa nada.

– Obrigada pelos conselhos hyung.

 

No fim daquela semana eu pude tirar um tempo para meus pais, saí com eles e me diverti como a tempos não fazia. Eles me aconselharam e perguntaram sobre meu relacionamento, eu tinha que ser sincero e por isso contei sobre minha insegurança a respeito de contar como me sentia. Meu pai revirou os olhos e minha mãe me beliscou, disse que eu não podia fazer algo assim e ficar correndo o risco de ser trocado. O que não aconteceria, mas ainda assim eu concordei com o que ela dizia.

Eu precisava deixar de lado a minha insegurança.

Hongseok não era Gayoon ou Yongho, ele não me abandonaria e nem me trocaria por nada no mundo. Ele me amava e eu tinha total certeza que o amava em retorno.

Naquele dia de domingo eu voltei para o dormitório para buscar algumas coisas que havia esquecido, presentes e documentos que ficariam mais seguros nas mãos de meus pais do que nas minhas. Passei pelo corredor de forma apressada e cumprimentei a coordenadora, ela sorriu e eu acelerei ainda mais os passos. Passei pelo pátio e ouvi vozes, franzi o cenho ao ver Hyunggu conversando com Shinwon. Pretendia passar direto por eles quando ouvi o nome de Hongseok ser citado, me escondi atrás da coluna e esperei que eles continuassem falando.

Que coisa feia Jo Jinho, escutando a conversa alheia.

– Como assim ele saiu? – Hyunggu indagou preocupado. – Hyung, o que ele disse?

– Eu não falei com ele hoje, simplesmente o vi sair em um carro.

– Droga!

– Hongseok é um bom rapaz, mas me admira essa dedicação toda a Jinho. – Shinwon disse desanimado. – As pessoas tem uma língua enorme nessa faculdade e eu temo por Hongseok hyung.

– O que você quer dizer?

– Ninguém acredita que o relacionamento vá durar porque Jinho é conhecido por ter amor passageiro. – me senti ofendido. – Ele ama e deixa de amar na mesma rapidez.

– Duvido que seja assim e se for, não é da nossa conta. – Hyunggu suspirou. – Vou atrás dele e tentarei trazê-lo para casa, não conte a ninguém que o viu. Eu cuido disso, Jinho não precisa se preocupar com as merdas que andam tentando enfiar na cabeça do namorado dele. – ouvi um resmungo. – Somos amigos dos dois, vamos proteger os dois. Ou seja, independente de quem perguntar, nós não sabemos e nem ouvimos nada. Entendeu hyung?

– Entendi.

Hyunggu, você é realmente demais.

Eu voltei para onde os dormitórios ficavam completamente confuso, Hongseok estava ouvindo boatos e simplesmente decidiu ignora-los ou apenas soube agora? Porque eu era tão mal visto assim?

Porque tenho a sensação de que tudo isso é obra daquele idiota do Yongho?

Quando estava chegando a meu dormitório tive um pequeno vislumbre de coragem e desviei meu caminho, Yongho era estudante de Publicidade e, assim como eu, morava em um dormitório. Só que ele vivia sozinho já que o ego dele era bem maior que sua atual conjuntura de ser humano. Bati na porta e esperei, fui recebido por Gayoon que me encarou surpresa. Desde que comecei a andar com Hongseok, a me aproximar dele e de seus amigos; eu havia a isolado por completo. Não era de surpreender que ela estava realmente chocada com a minha presença, passei por ela e segui até o quarto de Yongho.

Sem demonstrar a educação que tinha.

Sem me preocupar com o que eles estavam fazendo ou não.

Yongho estava sentado na cama e parecia bem mais interessado em seu celular do que em minha suposta presença, o encarei e em seguida cuspi a enxurrada de palavras que estavam entaladas em minha garganta.

– Qual é o seu problema Yongho? – gritei e ele me encarou assustado. – Que merda se passa na sua cabeça para não deixar os outros viverem em paz?

– Do que você está falando? Perdeu o juízo Jinho? – ele respondeu enquanto se erguia.

– Da sua mania ridícula de espalhar boatos que aumentem a sua popularidade enquanto denigre a imagem dos outros. – disse entredentes. – Porque você faz isso?

– O que deu em você?

– Responde! – gritei perdendo a paciência. – Me diz por que você transforma a vida de todo mundo em um verdadeiro inferno, porque você fala de todos os seus casos como se as pessoas fossem lixo. Porque age como um babaca mesmo tendo me mostrado que ainda é uma boa pessoa!

– A culpa não é dele. – Gayoon informou e eu a encarei. – A culpa é minha.

Okay, isso foi estranho.

– Eu que espalhei os boatos, que disse coisas horríveis e sempre assegurava a todos que havia escutado tudo de Yongho. – ela suspirou. – Era difícil ver e lidar com tudo sendo sempre a outra.

Pela primeira vez na vida eu tive pena de Gayoon, não por ela merecer, mas por entender parcialmente o que era gostar de alguém. Só que diferente de muitos outros casos, Yongho nunca deu a ela o devido respeito. Os dois começaram uma discussão bem diante de meus olhos, fiquei incerto sobre sair ou ver o circo pegando fogo; mas algo na frase de Gayoon tirou a minha vontade de sair.

– Eu não aguentava mais ver você me usando quando queria alivio, eu não sou sua prostituta particular Yongho!

– Então porque continuava cedendo, me escutando? – ele indagou de forma realmente confusa. – Se não queria, era só dizer não! Que droga!

– Eu te amava! – ela gritou a plenos pulmões. – Foi por te amar que eu te ajudei a namorar Jinho, foi por te amar que eu fingia que não tinha nada de errado em apoiar o relacionamento. Enalteci o relacionamento e agi como amiga para depois tirar ele de você, eu queria ser bem mais do que sua amiguinha de longa data. – ela fungou e eu engoli em seco. – Foi por te amar que eu espalhei a sua fama de pegador, que espalhei boatos em seu nome, eu queria todos longe de você... Mas consegui exatamente o contrário. Você gostou da fama e a usou ao seu favor!

Gayoon saiu e eu a segui, Yongho ficou no quarto sem saber o que fazer. Saímos da casa e antes que ela sumisse, eu a puxei. Não entendia o motivo de tudo isso e só a larguei depois de ouvir uma explicação.

E então, ela confidenciou tudo. Contou que estava sufocada com o sentimento, que queria o fim de tudo aquilo, que não aguentava mais toda aquela felicidade ao lado dela. Gayoon queria que as coisas dessem certo para ela, mas não sabia como e por isso agiu de forma errada. Ela tinha que amar a pessoa errada, com princípios errados e sem um pingo de moral e bom senso. Yongho não era totalmente inocente, eu sei disso porque caí nos encantos dele sem a ajuda dela. Mas, às vezes, o cérebro dele falhava e ela entrava em ação.

O quão difícil foi?

Ficar ali, ao longe, observando a pessoa que você ama se divertindo. Saindo e curtindo, enquanto você não consegue fazer o mesmo.

Exatamente como Hongseok ficava.

Claro que ela não era totalmente pura e inocente, ela tinha suas escapadas e por isso não se sentia tão sozinha assim.

Mas... Aquela história toda me lembrou de Hongseok, seu amor por mim e todas as outras coisas que ele me no dia em que se confessou. Eu o estava matando aos poucos a cada vez que me recusava a dizer que o amava, era insegurança sim, mas estava destruindo não só a mim quanto a ele também. Desejei sorte a garota e segui para a casa de meus pais, fodam-se os papéis que eu precisava pegar.

Minha cabeça parece querer explodir.

Não lembro como o foi o fim daquela tarde, nem mesmo aquele começo de noite. Mas me lembro com exatidão da hora em que tomei a maior decisão daquele dia.

Depois de ouvir todos duvidarem de meus sentimentos, depois de saber que eu estava causando uma confusão sem tamanho na vida dos outros, de ter ciência que todos duvidavam de meus sentimentos; eu simplesmente parei para analisar tudo. Sentado no chão do meu quarto, com o álbum de fotos na mão, eu vi que todos os momentos bons da minha vida foram passados ao lado de Hongseok. Desde os primeiros momentos de nossa amizade até o dia da formatura do ensino médio, da aprovação no vestibular até o momento onde fui sincero com meus pais sobre como me sentia.

Ele não tinha a obrigação de viver nada disso ao meu lado, mas ele o fez. Sem pedir nada em troca, sem reclamar e sem me dizer um único não.

Sorri de canto e guardei o álbum, desci as escadas e encontrei minha mãe na sala. Pedi a chave do carro e meio relutante ela me deu, era tarde e eu sou ótimo em me perder nas ruas a noite. Mas mesmo assim eu dirigi até o dormitório de Hongseok, cumprimentei o segurança e por sorte Hyunggu não estava no local.

Foi ali, depois de um ato de coragem e safadeza, que notei o quanto a minha vida parecia incompleta sem ele. Eu não conseguia imaginar a minha rotina sem toda a bagunça que só ele causava.

Os toques, a voz, o sorriso, até mesmo as piadas sem graça. Cada detalhe estava preso em meu dia-a-dia, não existia um momento ou uma simples coisinha que não me lembrasse de toda a nossa historia. Do quanto fui bobo em acreditar que poderia calar meus sentimentos e fingir que não desmoronava com a presença dele, que ele esqueceria tudo assim como eu estava tentado a esquecer. Que eu não sentia ciúmes de como as pessoas conseguiam a atenção de Hongseok mais rápido do que eu levei para conseguir.

Eu era um idiota, não nego isso.

E foi por achar que já havia me calado demais que eu falei. Que contei uma historinha sobre meus pais, que desabafei, que o deixei de olhos arregalados e chorosos.

Pode dizer… – pedi de forma doce.

– Eu te amo Jinho.

Eu também te amo Yang Hongseok.

E não há tempo, distância ou até mesmo pessoa nesse mundo que mude isso.

Porque ele nasceu com todo o conjunto de perfeições imperfeitas que faltavam na minha vida. Eu o amo de todas as formas possíveis e agora sei que, independente do tempo que demorei, ele sempre vai me amar em retorno.

Porque nascemos feitos um para o outro e se nem os anos¹ foram capazes de nos separar, ninguém será.


Notas Finais


1 - Para quem não sabe o Hongseok e o Jinho nasceram no mesmo dia e mês, a única diferença está nos anos.

Chegou aquela parte triste, chata, que eu detesto porque adoro os comentários que vocês deixam.
Mas tudo que é bom dura pouco e enquanto eu me divertia escrevendo e lendo os comentários, vocês se divertiam - quero achar que sim - enquanto liam.
Eu sou péssima com comédia planejada, meus amigos dizem que eu sou piadista, mas acontece naturalmente. Vejo a oportunidade e a transformo em piada, em um motivo para rir.
Quando eu fiz essa fic, pensei apenas nos detalhes básicos, ela nem ia ser postada. Seria apenas uma fic que ficaria de enfeite no notebook. Mas eu decidi dar a cara a tapa, decidi postar e nossa... Ela foi muito bem recebida.
Isso tocou meu coração, de uma forma que, nossa, eu não sei nem como descrever. Vcs me faziam sorrir, rir e me divertir com algo que eu tinha esquecido que era tão bom. Que me revigorava.
Não há como pôr em palavras tudo o que fizeram por mim, seja comentando ou favoritando.
Seja apenas lendo ou falando dela.
Quero agradecer a todos de coração.
Eu sempre acho que minhas fics não são boas, que elas não vão agradar, que tudo - repetindo TUDO - o que eu faço não é bom o suficiente. E vcs me mostram o contrário.
Obrigada.
Postei essa fic em um momento super triste da minha vida pessoal, minha autoestima tava lá no subsolo e minha vontade de continuar escrevendo não era das maiores. Eu sou um pouco depressiva - não que isso realmente importe - e por vezes me via na vontade de excluir essa fic, de excluir a conta, de simplesmente me isolar. Eu precisei de tempo, por isso demorei a escrever esse capítulo. As atualizações rápidas também não foram planejadas, eu realmente estava tentando me livrar de tudo no começo, só que quando... Quando os comentários começaram a chegar, quando as pessoas começaram a elogiar e a dizer que eu estava conseguindo atingir o objetivo; uma luz acendeu. Eu ganhei ânimo para prosseguir, para revisar, para simplesmente dar a vocês o que queriam e por isso mantive as atualizações nos períodos regulares. Eu esperava por uma recepção ruim no começo, mas vcs mostraram exatamente o contrário e isso me deu um up gigantesco. Eu me senti bem, de verdade, e agradeço a vocês por isso.
Acreditam que eu simplesmente parei de pensar bobagem? Que eu, sinceramente, me dei essa chance? Eu me sinto bem porque acho que realmente tenho um lugar agora, seja como escritora ou como pessoa.

A todos os que comentaram e favoritaram, aos que leram e aos que falaram das fics para conhecidos:
MUITO OBRIGADA MESMO, VOCÊS SÃO DEMAIS MESMO!

Vejo vocês no epílogo.
Kyusses.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...