História Néctar - Capítulo 1


Escrita por: e cosmoswhy

Postado
Categorias Got7
Personagens BamBam, Jackson, Yugyeom
Tags Ambrósia, Cosmoswhy, Deuses Do Olimpo, Jackbam, Magia, Mitologia, Mitologia Grega, Néctar, Wob, World Of Bambam, Yugbam
Visualizações 25
Palavras 8.738
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Fluffy, Magia, Slash, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oie <3

Espero que goste, nos vemos nas notas finais

Capítulo 1 - Único; e doce, como o néctar dos deuses


Fanfic / Fanfiction Néctar - Capítulo 1 - Único; e doce, como o néctar dos deuses

"E o Sol congelou seu coração..."

Bambam acordou com o mesmo sonho que tinha a uma semana direto, uma águia e uma taça. Ignorou, como fazia com tudo que não era do seu interesse, e começou a sua rotina da manhã: comeu um pedaço de pão duro — somente um pedaço, pois ele tinha que sobrar até o fim do mês. Era pobre, não podia ficar esbanjando por aí. Pegou uma troca de roupa, um manto de linho branco preso ao pescoço por um broche simples, chamado clâmide, e sandálias.

Foi para a cachoeira perto de casa, se despiu e tomou um banho para despertar. O lugar era agradável, a brisa de verão era boa, a natureza o cercava como um abraço de mãe, lhe trazendo paz e o fazendo sentir-se bem. Deixava a água cair sobre seus fios negros, massageando o couro cabeludo e relaxando os músculos tensos. Pensava no que faria hoje quando terminasse o trabalho quando um arrepio lhe percorreu o corpo.

Bambam olhou em volta e não tinha ninguém além de algumas aves. Sentia-se observado e, devido ao instinto apurado, decidiu que já era hora de ir embora, pois haviam boatos de lobos nas redondezas. Vestiu-se rapidamente e foi para o campo próximo de casa, onde havia um cercadinho com algumas ovelhas. Logo as soltou, deixando com que fossem pastar livremente. Ficou alguns minutos as observando e depois se deitou sobre a grama rala, olhando para as nuvens no céu percebeu que uma águia voava pelas redondezas. Ela já fazia isso há alguns dias, e talvez fosse por isso que o pastor continuava a sonhar com a ave majestosa.

Estava tudo tão calmo que ele resolveu tirar um cochilo com direito a ronco e baba. Quando acordou percebeu que estava de tarde, o céu rosado revelava que o pôr do sol estava próximo e ele deveria devolver as ovelhas. O coração apertou e um arrepio lhe subiu a espinha quando notou que uma delas estava faltando, e nervoso ele foi atrás da ovelha desaparecida.

Andou por todo o campo e nenhum sinal do animal. Foi procurá-la, então, pela floresta. Péssima ideia. Os animais noturnos começavam a despertar e Bambam continuava com essa sensação de estar sendo observado e não gostava nada dela, porém a vontade de recuperar a ovelha mais jovem do rebanho era mais forte. Seguiu floresta adentro em busca do animal, a noite começava a cair e suas mãos soavam de nervoso. Onde estaria a maldita ovelha?

Como se lesse seu pensamento, o balir do animal soou não tão longe. Seguiu o som até vê-la em uma clareira, reclamava de algo na pata e logo o jovem correu a seu socorro, se aliviando ao ver que era somente uma farpa. Mas o alívio foi embora tão rápido quanto veio, assim que ela começou a ficar agitada, ele olhou em volta e se deparou com uma fera.

Um lobo de pelagem cinza escuro, os caninos reluziam brancos e os olhos negros famintos, o focinho repuxando para cima mostrando cada vez mais os dentes afiados e a saliva que escorria pelos lábios. Bambam engoliu em seco, a mão acariciava a cabeça e o pescoço da ovelha para que ela se acalmasse e não atiçasse mais a fúria da fera.

Rezou para Ártemis, Zeus, Ares, e todos os outros deuses que conseguisse lembrar no momento, o foco permanecendo na deusa da caça. O lobo se apoiou nas patas traseiras, logo se impulsionando para frente, e a cena a seguir foi como em câmera lenta.

Bambam se abaixou, segurando forte o pescoço da ovelha para que a mesma se abaixasse junto, já se preparava para sentir as mandíbulas do lobo sobre sua jugular quando aqueles olhos negros se apagaram e a fera foi jogada para longe. O jovem tentou controlar a respiração e se levantou, olhando na direção em que o lobo jazia inconsciente, uma flecha dourada em suas costelas, olhou então para a direção oposta se deparando com um homem encapuzado, a pele reluzia em dourado, os olhos amendoados pareciam perfurar sua alma e ele sentiu-se arrepiar.

Algo naquele homem dizia para Bambam manter distância, mas o jovem sempre foi teimoso e deu um passo para frente, preparando-se para agradecer seu salvador quando o mesmo se dissolveu no ar como se fosse próprio vapor, deixando somente a capa negra que o cobria e o escondia na escuridão. A boca do jovem se abriu e continuou assim por um bom tempo até que o balir da jovem ovelha o tirou dos devaneios sobre a pessoa misteriosa.

Levou a ovelha de volta para o cercado, transtornado pelo que tinha acabado de acontecer, seria tudo aquilo fruto de sua imaginação?

Naquela noite, demorou a fechar os olhos e dessa vez não teve sonhos.

Na manhã do dia seguinte acordou determinado a não deixar nenhuma ovelha fugir e, quando abriu a porta da frente, se deparou com o homem de ontem. Os olhos do jovem se arregalaram ao ver seu salvador ali, parado na sua frente. Ele também usava uma clâmide, porém ela parecia ser feita de um tecido muito mais nobre e a capa dourada esvoaçava levemente atrás de si. Os fios dele eram loiros e caíam levemente sobre a testa, os olhos amendoados continuavam intensos e os braços eram fortes, os músculos bem destacados e a pele levemente dourada, como se fosse banhada em ouro e magia.

Era tão lindo quanto um deus. Bambam umedeceu os lábios, nunca tinha visto homem tão lindo e não sabia dizer se essa beleza era u bom ou mau agouro.

— Quem é você? — A pergunta saiu sem o mínimo de simpatia dos lábios cheios e curiosos de Bambam, que encarava o visitante de olhos cerrados e coração acelerado. O riso que o loiro soltou arrepiou todos os pelos do jovem pastor.

— Se eu disser que sou Zeus você acreditaria? — A voz rouca soou como uma doce melodia e, por um momento, o pastor acreditou. Com aquela aparência ele podia até mesmo dizer que era a própria deusa da beleza que ele acreditaria.

Mas a razão naquela vez falou mais alto.

— Certamente que não. — Ele cruzou os braços, o olhar dele era muito intenso e de alguma forma aquilo o deixava com o rosto ardendo em chamas.

— Pois então pode me chamar de Jackson. – Ele continuou sorrindo galanteador, gostando das reações mínimas que causava no jovem pastor.

— Obrigado por me salvar ontem, Jackson. — Bambam se encostou à porta logo após fechá-la atrás de si.

— Como você me reconheceu? Eu me escondi tão bem. — Ele brincou, parecia ser mais velho, mas agia como um adolescente.

— Eu tenho uma ótima memória fotográfica. — Deu de ombros. — O que faz aqui?

— Não vai me dizer teu nome? Nem me convidar pra entrar? Um jantar de agradecimento? Uma oferenda?

— Tenho certeza que você já sabe a resposta de todas essas perguntas. E eu já lhe agradeci. — Bambam arqueou as sobrancelhas, esse homem com certeza era estranho. Mas não um estranho ruim... Somente estranho.

Os irmãos gêmeos observavam o moreno correr de um lado para o outro com bandejas cheias de taças, o rosto corado e desesperado implorando por ajuda. O Olimpo estava tão agitado naquela tarde com a ausência de Zeus e todos se sentiam sobrecarregados, bênçãos ali, pragas aqui, oferendas e mais oferendas. Dionísio daria mais uma de suas festas semanais épicas e muitos preparativos estavam sendo feitos.

Muitos deuses, principalmente os doze grandes, desprezavam e subestimavam o trabalho de Youngjae, mais conhecido como Hebe, deus da juventude, já que seu trabalho era somente com os deuses. Afinal, os mortais não podiam ter acesso à vida eterna. Mas, justamente por ter que lidar com os deuses, que o jovem deus acreditava que seu trabalho era infinitamente mais difícil, já que eles eram tão orgulhosos e cheios de ego que era impossível agradá-los o suficiente.

Youngjae passava o dia e a noite inteira correndo de um lado para o outro fornecendo taças e mais taças de ambrósia para os gordos folgados do olimpo que observavam seus lacaios fazerem todo o seu trabalho de um trono confortável. O moreno não tinha nenhum assistente, e além de fornecer as taças ele mesmo produzia o néctar dos deuses, o que sempre o deixava exausto. E depois de eras e mais eras fazendo a mesma coisa, ele não se sentia nem um pouco jovem, somente drenado física e psicologicamente. Até mesmo a ambrósia tinha perdido o gosto divino de séculos atrás para si.

Em outras palavras: Youngjae já não via mais graça na juventude eterna. E depois de séculos ouvindo as histórias dos mortais, ele sentia a vontade de ir viver aventuras, descobrir o mundo pelos próprios olhos, sentir a sensação de pôr a vida no limite, encarar a morte que os deuses tanto temiam e não tinham coragem de admitir.

— Vocês não vão mesmo me ajudar? — Youngjae olhou para os gêmeos Jinyoung e Yugyeom, mais conhecidos como Ártemis e Apolo respectivamente, que o estavam observando há algumas horas. Ambos tinham os fios e olhos negros, mudando somente a estatura, já que Yugyeom era claramente mais alto.

— E por que eu faria isso? — Yugyeom disse com um sorriso debochado, fazendo o moreno revirar os olhos.

— Você é um bosta, Yugyeom. — Logo depois se virou para o deus da caça com olhos pidões.

— Por favor, hyung. — Ele disse com a voz manhosa, e o mais velho revirou os olhos, descruzando os braços e indo ajudar o mais novo com a bandeja.

Jinyoung era claramente o deus favorito de Youngjae, pois era o único que não era um ridículo arrogante. Jinyoung, por sua vez, não resistia às manhas do mais novo e sempre que podia o ajudava. Youngjae também era um dos poucos que entendia como o alimento era sagrado, como a caça era sagrada e como todos deveriam ser gratos por tudo isso.

— Yugyeom trate de ajudar também, Youngjae é, infelizmente, a razão pelo qual eu não posso enfiar uma flecha no seu coração e te ver desfalecer. – Jinyoung olhou para o mais novo um tanto ameaçador, mas aquele olhar já não o assustava há eras.

— Apelou pra juventude eterna, perdeu. — Yugyeom disse, com um bico nos lábios, logo pegando algumas taças e aproveitando para tomar uns goles.

Os três seguiam olimpo adentro distribuindo as taças de ambrósia.

Youngjae gostava da companhia dos deuses gêmeos, e talvez fosse ingenuidade sua, mas ele até mesmo os considerava como amigos. Sentou-se à beira de um penhasco com cada irmão de um lado, Yugyeom à sua esquerda e Jinyoung à sua direita, sempre seria sua direita.

— Eu tenho uma coisa pra falar. — O Choi soltou do nada.

— Você é virgem? Eu já sabia. — Yugyeom respondeu, logo sendo empurrado do penhasco por Youngjae.

— Eu não acredito que você é irmão dele. –— Youngjae suspirou, cansado.

— Nem eu. — Jinyoung deu de ombros.

Segundos depois Yugyeom se materializou ao lado dos outros dois, o nariz sangrando e uma cara emburrada.

— Ouch. — Ele revirou os olhos, Youngjae tentou conter o riso.

— Continuando, eu tenho algo para dizer.

— Diga. — Os irmãos disseram ao mesmo tempo.

— Eu vou deixar o olimpo, eu andei conversando com o Oráculo de Delfos...

— O meu oráculo? — Yugyeom disse indignado.

— O próprio. Ele me disse umas coisas. Não que eu esteja me importando muito, aparentemente Zeus vai me substituir e eu vou embora, eu queria me despedir antes, não sei como isso vai acontecer. — Youngjae brincava com os dedos

Os olhos dos irmãos estavam arregalados.

— Ele não pode te substituir! É insano! Você está aqui a milênios! — Jinyoung estava indignado.

— Não é justo! — Yugyeom se levantou revoltado.

— E desde quando ele é um homem justo? — Youngjae riu, amargo, como o gosto que a ambrósia passou a ter.

— Se ele te tirar do Olimpo eu vou caçá-lo — Jinyoung disse baixo, com fúria nos olhos.

— Você sabe que isso não é possível.

— Gente, vai ser a mesma coisa de sempre: ele vai fazer algo por impulso, tempos depois vai dar tudo errado e vai voltar rastejando pra você, Jae. Escuta o que eu ‘tô te falando. — Yugyeom se agachou ao lado do mais velho. — Até lá, eu sugiro que você curta bastante sua vida de mortal, não foi isso que você sempre quis?

Youngjae sorriu, Yugyeom não era um completo inútil.

— Você não pode nos deixar, Jae. — Jinyoung disse, abraçando o mais novo por trás. — Eu não sei como eu vou sobreviver sem você aqui. — Ele tinha um bico nos lábios, adorável.

E Youngjae sentiu um aperto no peito, ele não queria deixar Yugyeom e Jinyoung, não queria a fúria de Jackson, mas já era esperado. De tempos em tempos ele arrumava algum caso com algum mortal bonitinho, expulsava alguém do Olimpo, e aparentemente, agora era a vez do jovem deus da juventude sofrer com o seu temperamento impulsivo.

Sorriu para os dois amigos. Confiava que voltaria para eles mais cedo ou mais tarde, e estava finalmente seguindo seu caminho.

Fazia mais ou menos um mês que Bambam recebia as visitas do estranho Jackson, que sempre aparecia em sua porta de manhã usando de alguma desculpa fajuta para justificar suas visitas. Puxava assunto até pensar que Bambam já tivesse esquecido o porquê da visita e o acompanhava pelo resto do dia enquanto o mais novo cuidava das ovelhas, e Jackson dizia que estava lá para manter ele e o rebanho a salvo dos lobos ferozes.

Era claro que não caía na ladainha do mais velho, mas gostava de ter companhia depois de tanto tempo. Ele também adorava falar de si mesmo e histórias que às vezes o pastor não sabia se eram reais ou não.  Jackson era uma incógnita, espalhava para os quatro cantos do mundo que era o todo poderoso Zeus, mas nunca de fato fazia algo para provar que era o tal. A única pista de algo sobrenatural que ele já tinha feito foi a primeira vez que o viu na floresta e desapareceu como se fosse poeira.

Jackson tinha um interesse claro em Bambam, e ele não sabia dizer se sentia o mesmo pelo mais velho ou não, era complicado, eram muitos sentimentos juntos e misturados. Ele nunca tinha se interessado por ninguém antes, homem ou mulher, então não sabia se estava apaixonado ou se sentia um carinho muito grande por ele.

Então deixava. Deixava que ele fizesse as visitas e contasse histórias mirabolantes. Deixava que ele lhe tocasse casualmente, que mexesse em seu cabelo, que sussurrasse coisas em seu ouvido e deixava que lhe beijasse. O primeiro beijo foi estranho, um formigamento estranho invadiu o estômago de Bambam e ele se sentiu ansioso, era um gosto diferente, não era ruim, só diferente.

Jackson beijava muito bem por sinal, ou pelo menos Bambam achava que sim, já que nunca beijou outra pessoa antes. O estranho parecia saber exatamente o que fazer e como fazer para atiçar a curiosidade do jovem pastor, sabia seduzir.

E Bambam sabia jogar o jogo dele, de se fazer de apaixonado, de fingir acreditar nas milhares de promessas, porque, bem, ele queria a experiência completa.

Não que não gostasse de Jackson, com certeza sentia coisas fortes por ele, mas ele não sabia definir nada além de curiosidade pelo mais velho, ele sentia como se existisse uma verdade por trás das histórias estranhas e que algo no estranho era misterioso demais, como se fossem séculos de segredos escondidos por trás dos olhos amendoados.

Jackson tinha algo estranho e Bambam queria saber o que era.

Foi então que, quase dois meses depois de estar na companhia do mais velho todos os dias, Jackson não estava esperando pelo pastor na frente da casinha de madeira. Foi estranho, assim como tudo que envolvia Jackson, mas Bambam decidiu ignorar, provavelmente só se atrasou.

Ele decidiu ir para o campo ver as ovelhas, depois o mais velho poderia encontrá-lo lá. E se passou uma hora, duas, três e o Sol começava a se pôr e nada do estranho amante. Bambam começou a roer as próprias unhas em ansiedade.

E se algo tivesse acontecido? Será que sofreu um acidente?

A noite começou a cair e Bambam começou a reunir as ovelhas para devolvê-las ao cercadinho, quando um rosnado lhe alertou, as ovelhas começaram a ficar agitadas e se dispersarem, foi então que, saindo da floresta e a passos lentos, uma matilha de lobos se aproximava.

O pastor paralisou na hora, encarando aquele bando de olhos negros e selvagens, por que tinha deixado o arco que Jackson tinha feito para si em casa? Como era estúpido, deveria ter recolhido as ovelhas mais cedo.

Bambam engoliu em seco, não podia fazer movimentos bruscos.

Tarde demais, as ovelhas começaram a correr desamparadas e desesperadas pela vida e a matilha se dispersou, indo atrás da comida.  O pastor não sabia o que fazer além de ficar parado no lugar esperando que se fizesse invisível aos olhos famintos.

Estava prestes a começar uma oração fervorosa para Ártemis, prometendo que se sobrevivesse a esse ataque se mudaria para Atenas e se dedicaria a ser seu seguidor mais fervoroso e, se ela deixasse, viraria até um de seus caçadores e aprenderia a manusear o arco com destreza e honra.

Ele só queria sair vivo dessa.

E como se ela tivesse ouvido suas orações, duas figuras saíram da floresta, uma coberta por uma capa dourada e outra com uma capa azul escura, ambas portavam grandes arcos e flechas.

— Você disse que ia ser um passeio legal. – A figura da capa dourada pronunciou, como se estivesse decepcionada por estar no meio de um massacre de ovelhas.

Bambam também estava.

— Houve um imprevisto, seu ridículo — a de capa azul respondeu.

— Espera. — A figura da capa dourada retirou o capuz, se mostrando ser um jovem, talvez da mesma idade que Bambam. O pastor perdeu o fôlego por um momento, era uma das pessoas mais lindas que ele já tinha visto na vida.

Seu coração de repente pareceu correr como uma gazela na floresta, o rosto do pastor esquentou, por um momento não havia mais lobo ou ovelhas, e quando os olhos negros do jovem da capa dourada encontraram com os seus eles assumiram uma coloração dourada também. Ele pareceu ficar tão surpreso quanto Bambam.

— E-esse é o novo protegido de Zeus? — ele pronunciou meio gaguejando, a pele branca como a luz da lua assumindo uma coloração rosada.

— Sim. — O outro, que também tinha tirado o capuz e parecia extremamente parecido com o primeiro, só mudando a estatura que era menor, franziu o cenho, olhando com suspeita para os dois. — Por quê?

A pergunta não foi respondida devido ao grito de Bambam ao sentir a perna direita ser triturada pelos dentes do lobo que agora a tinha na boca. As lágrimas grossas imediatamente escorreram por suas bochechas e ele sentiu que ia morrer, nunca havia sentido tanta dor na vida. Caiu com tudo na grama e bateu a cabeça no chão, logo sentindo a visão escurecer e a carne da perna sendo dilacerada pela fera, que não se contendo em somente morder também começou a balançar a cabeça com fúria, como se tentasse arrancar a perna do pastor.

Bambam olhou para o céu e agradeceu por Jackson não estar vendo essa cena, ele provavelmente se sentiria culpado, era tão protetor... Ouviu o ganido do lobo que parou de morder sua perna e caiu morto, com uma série de flechas sobre o corpo como se fosse um ouriço. Os dois encapuzados corriam em sua direção com arcos na mão, o de azul correu para o lado, matando os lobos um por um, já o de dourado veio em sua direção.

Ajoelhou ao seu lado e afastou o lobo, pegou um punhal e rasgou um pedaço da própria capa, amarrando firmemente na perna de Bambam, tentando estancar o sangue, o pastor urrou de dor. Doía como o inferno.

O encapuzado, logo após dar um nó firme na perna de Bambam, tirou um pequeno frasco da capa com um líquido dourado. Bambam o olhou nos olhos negros que, por algum motivo, pareciam brilhar na escuridão, e sentiu paz, como se estivesse vendo o nascer do Sol.

O desconhecido sentou de pernas cruzadas no chão e apoiou a cabeça de Bambam em seu colo, logo dando o líquido para que ele bebesse. Ele sorriu calmo, e acariciou o cabelo do pastor.

— Eu vou morrer? — Bambam falou com um fio de voz. — Quem é você?

O outro o olhou com ternura, negando com a cabeça. — Hora de ir para as terras de Morfeu. — A voz dele era doce.

Doce como o líquido dourado que Bambam tomou.

Tinha gosto de mel.

Acordou nu embaixo de um fino lençol e cercado de ninfas. Bambam levantou com tudo da cama em que estava deitado, assustando as criaturas curiosas, mas logo voltou a se deitar quando sentiu a cabeça latejar e a perna doer. Aos poucos foi se lembrando de tudo que tinha acontecido anteriormente e sentiu o rosto esquentar.

— Olha! Ele muda de cor! — Uma das ninfas exclamou, surpresa, as outras concordaram soltando exclamações impressionadas.

— Eu não sabia que os humanos mudavam de cor — outra disse.

— Ya! Quem são vocês? Onde eu estou? — Bambam perguntou mais constrangido do que bravo.

Elas soltaram risadinhas finas.

— O protegido de Zeus parece bem esquentadinho. — Uma delas disse, logo outra mais baixa se aproximou de Bambam com uma taça em mãos do líquido dourado que tinha tomado anteriormente.

— O que é isso?

— Ambrósia, o néctar dos deuses. — A baixinha respondeu.

— Como assim protegido de Zeus?

— Você faz muitas perguntas humano, só tome o néctar logo. – Uma alta disse, cruzando os braços.

— E se eu não quiser?

— Se você não quiser, quem vai ter a perna arrancada vai ser eu. – Uma voz familiar foi ouvida, e na porta estava o garoto de capuz dourado que salvou sua vida.

— V-você...

— Apolo. — As ninfas falaram em sincronia, soltando um suspiro apaixonado. O moreno do capuz dourado, que aliás estava sem ele, jogou os fios negros para trás, convencido.

— Ao vivo e em cores. Mas meus amigos me chamam de Yugyeom. — Ele sorriu para Bambam, que sentiu o coração falhar a batida. — Aliás, de nada por salvar a sua vida.

— Eu já ia agradecer, mas depois dessa eu nem vou mais. — Bambam semicerrou os olhos, olhando o mais alto de cima abaixo. — Me diz, que negócio é esse de protegido de Zeus?

— Ah, você não sabe?

—Se eu soubesse, eu não estaria perguntando.

— Olha só que língua afiada. Ela faz outras coisas além de soltar veneno?

— Chega de flertar com o protegido, Yugyeom. Você sabe que isso vai lhe causar problemas.

— Uma terceira voz surgiu atrás do deus do Sol, logo o empurrando da frente da porta. O da capa azul. — Sabe, nem Atena ou Hera conseguem colocar juízo na cabeça daquele idiota. Juro pelos céus que se Youngjae tiver que pagar por causa dos hormônios de Jackson, eu mato o protegido.

Jinyoung olhou ameaçador para Bambam, que se encolheu na cama enquanto as ninfas novamente suspiravam apaixonadas murmurando um “Ártemis”. O deus da caça logo direcionou seu olhar mortal para o deus do Sol, desafiando ele a tentar protegê-lo. O silêncio do mais novo trouxe um sorriso ao rosto do gêmeo mais velho.

— Que bom que concorda comigo. Então, Bambam, você orou bastante pra mim, prometeu muitas coisas se eu salvasse sua pele. — Jinyoung puxou uma cadeira para perto da cama do jovem pastor. — Vai cumprir o que prometeu ou vai virar estrelinha? — O deus da caça falou de maneira infantil, mas que de infantil não tinha nada. O jeito frio e ameaçador de Jinyoung causava calafrios no pastor, que sabia que não podia soltar respostas ácidas pois, ao contrários de Yugyeom, ele não parecia blefar nem um pouco.

— Eu fiz uma promessa e vou cumpri-la. Sou um homem de palavra. — Bambam mordeu o lábio, incerto se era aquilo que realmente queria, mas não podia discutir com um deus.

Jinyoung sorriu discreto, e antes que dissesse mais alguma coisa uma pessoa se materializou no meio das ninfas, assustando-as, fazendo com que elas soltassem gritinhos agudos.

— Mark, o que faz aqui? — Jinyoung perguntou com um ar tedioso.

— Hermes, pra você. — Ele revirou os olhos. Era alto e magro, as feições eram delicadas e possuía alguns músculos proeminentes, era lindo como os outros deuses. — E o chefinho está chamando vocês, inclusive o protegido.

Então Jackson era realmente Zeus?

Entraram pelas portas gigantes de ouro, um pouco exagerado na visão de Bambam, e ele pôde perceber que, no Olimpo, mais era mais. Fontes que jorravam ambrósia espalhadas pelos jardins, roupas feitas dos melhores tecidos de toda a Grécia e todos lá eram, definitivamente, estonteantes. Bambam não se lembrava de se sentir tão medíocre em toda sua vida, ele sabia que sua aparência exótica chamava atenção, e como os padrões da antiga Grécia não eram lá muito altos, ele se considerava uma pessoa relativamente bonita, mas lá, naquele Olimpo, cercado de deuses ele se sentia só mais um humano.

Normal.

Essa palavra nunca lhe trouxe tanto desgosto na vida.

Doze tronos estavam dispostos em um semicírculo em frente a entrada, todos eles feitos de mármore e com o nome de cada deus. Bambam se arrepiou ao ver Jackson sentado no trono do meio, sua pele dourada brilhando como o Sol e um ar imponente exalando de si.

— Seu filho da puta eu quase enfartei de preocupação! — Bambam bateu o pé e cruzou os braços com a expressão brava, encarando Jackson nos olhos. Então o maldito estava curtindo um mel sentado no trono enquanto o jovem pastor suava de preocupação e tinha a perna quase arrancada por um lobo?

Que bonito.

Os olhos de alguns servos e deuses que passeavam por lá duplicaram de tamanho ao ver a informalidade com a qual o pastor tratava o deus dos deuses. “Que audácia” murmurava alguns. Yugyeom soltou uma risada escandalosa e fina, com direito a ronco e tapa na perna, Jinyoung admirava o jovem embasbacado e Jackson se levantou, andando com passos furiosos em direção ao mais novo.

— Eu que o diga! Como você sai à noite desse jeito sabendo que tem lobos nas redondezas? Você tem merda de ovelha na cabeça? Quer me matar é isso? — Ele chegou tão próximo de Bambam que seus narizes quase se encostaram, logo o mais velho o puxou para um abraço apertado, surpreendendo a todos menos o abraçado, que rapidamente envolveu seus braços ao redor de seu pescoço. — Não posso tirar meus olhos de você por um único dia?

— Vão para um quarto. — Ouviram Yugyeom murmurar, emburrado. Bambam franziu a testa e o encarou por cima dos ombros de Jackson.

— ‘Tá incomodado por quê? Quer um abraço também? — Bambam alfinetou, vendo o rosto do outro assumir um tom mais rosado.

— Vejo que já fez amizade com os gêmeos. — Jackson desfez o abraço, encarando Jinyoung e Yugyeom.

— Amizade não é a palavra certa. — Jinyoung comentou com um sorriso ladino.

Bambam viu os músculos de Jackson tencionarem, aquelas palavras haviam afetado o mais velho, mas por quê? O humano encarou Yugyeom em busca de respostas, mas só conseguiu mais dúvidas ainda ao ver os olhos negros do deus do Sol mudarem para uma cor dourada, assim como aconteceu na primeira vez que se viram. Ficaram naquela troca de olhares por um tempo até o deus dos raios limpar a garganta, atraindo a atenção dos dois.

O dourado se tornou negro novamente.

— Bambam eu pedi para te trazerem aqui, porque eu tenho uma proposta tentadora para você, creio que não vai recusar. — Jackson se virou, voltando para o trono e se sentando nele. — Tivemos um pequeno conflito e eu tive que mandar embora um amigo muito querido.

— Se fosse tão querido não teria o mandado embora. — Jinyoung murmurou.

— Você não entenderia, Jinyoungie — Jackson rebateu, uma certa tristeza na voz.

Quem era esse amigo?

— Então por causa desse conflito temos uma vaga aberta para Hebe, deus da juventude.

Os olhos do jovem pastor se arregalaram e ele ficou sem palavras pela primeira vez no dia.

— Você está propondo que eu vire um deus?

— Exatamente.

Bambam quis aceitar imediatamente. Minha nossa, como ele queria a imortalidade, a adoração, as oferendas, o poder, ele queria tudo. Afinal, ele sonhava com isso todos os dias: o dia em que ele não seria só mais um pastor pobre, o dia em que ele seria alguém relevante, o dia em que não tivesse que comer pão duro.

Pelos céus, ele queria tudo isso e muito mais.

Mas a que preço?

— Eu... – Ele queria aceitar mais do que tudo. — eu prometi para Jinyoung que seria um de seus caçadores se ele me salvasse e ele salvou.

Jinyoung, por um momento, encarou o jovem com um olhar surpreso. Não acreditava que ele iria mesmo cumprir com a palavra, já que os humanos tinham o péssimo hábito de mentir, hábito esse que eles com certeza tinham puxado de Jackson.

— Pois quebre a promessa. — Jackson disse, dando de ombros, e Bambam nunca se sentiu tão insultado. Como ele tinha a coragem de dizer para que ele quebrasse uma promessa desse jeito?

— Eu sou um homem de palavra. Eu prometi e vou arcar com as consequências. — Bambam bateu o pé, firme.

Jackson bufou, revirando os olhos e cruzando os braços, aquilo estava se tornando tão chato. O temperamento teimoso de Bambam era um charme há dois meses atrás, mas naquele momento essa teimosia estava se tornando tediosa.

Era sempre assim.

Jackson se apaixonava com a facilidade que respirava, seduzia e desenvolvia um carinho pela pessoa, mas alguns meses depois ele se cansava e ia atrás de outra. Se bem que Bambam não parecia estar caindo de amores por ele, o que era bem irritante, e o pastor parecia bem interessado no deus do Sol, o que era mais irritante ainda.

Não que Jackson, de um dia para o outro, não gostasse mais de Bambam, longe disso, era pelo pastor ser diferente dos outros humanos que ele já tinha seduzido que ele queria que o mais novo ficasse com ele para sempre, se não como amante, como amigo.

Jackson também gostava de Youngjae, pelos céus, amava Youngjae assim como amava todos os outros deuses, mas o deus da juventude já não estava mais feliz ao seu lado, era claro isso, ele sabia que uma hora ou outra o mais novo gostaria de seguir o próprio rumo, e quando quisesse voltar seria mais que bem-vindo.

Mas por hora, ele precisava de um substituto.

Bambam era esse substituto.

— Façamos o seguinte: você fica no cargo de Hebe só até eu encontrar outro substituto, e já que você seria o “deus da juventude temporário” não envelheceria e, quando fosse se juntar aos caçadores de Ártemis, ainda estaria jovem. O que acha Jinyoung?

— Por mim, tudo bem. — O deus da caça concordou.

— Então eu aceito. — Bambam sorriu aberto.

Aceitar aquele cargo foi a pior coisa que Bambam inventou de fazer na vida. Ele pensava que teria todo o glamour dos deuses e, nossa, suas expectativas eram tão altas e cada uma delas foi pisada cruelmente. “Não faça isso Bambam”, “Não faça aquilo”, “Essa ambrosia está com gosto de esperma, faça outra”, ele não tinha liberdade para quase nada e, o tempo todo, ele tinha que ficar preparando mais e mais néctar, servindo mais e mais néctar.

Néctar.

Néctar.

Estava exausto, e agora entendia o porquê do antigo deus da juventude ter se cansado de tudo, quem não cansaria? O mais novo pensava que pelo menos teria Jackson para lhe fazer companhia, como nos primeiros meses que estavam juntos em que o mais velho sempre arrumava tempo para si, mas agora ele sempre estava ocupado, sempre resolvendo outra coisa, sempre saindo com outros humanos.

Bambam pensava que entre os deuses todos eram tratados igualmente, mas novamente, ele se encontrava na base da cadeia alimentar deusística, ele era quase que um sub-deus. Na verdade, alguns deuses, principalmente Ares (nossa que cara chato, puta que pariu), o chamavam de garçom.

E pensar que deixou a vida de pastor para virar garçom, que grande merda. Pelo menos quando cuidava das ovelhas ele trabalhava somente para si mesmo, agora ele era obrigado a trabalhar para os outros.

Suas únicas companhias haviam se tornado Yugyeom, Jinyoung e, por incrível que pareça, Mark, ou Hermes como ele obrigava Jinyoung a chamá-lo. Aparentemente, os dois tinham algum tipo rixa há séculos. Mark era a pessoa que mais falava com ele já que o mais velho estava sempre correndo de um lado pro outro e eles sempre se esbarravam entre os corredores do Olimpo.

Yugyeom era a segunda pessoa com o qual ele mais conversava, era claro a tensão romântica que cercava os dois, já que toda vez que o deus do Sol via o novo deus da juventude seus olhos se tornavam um dourado intenso que parecia hipnotizar Bambam. Mas eles admitiam os sentimentos? Claro que não.

Ao contrário de Jackson, que era muito objetivo e direto, Yugyeom flertava, mas não seguia em frente com suas provocações, não era alguém de tomar atitude, e Bambam se frustrava toda vez que pretendia tomar alguma ação, mas o deus do sol se envergonhava e arrumava alguma desculpa pra ir embora.

Um garçom apaixonado era uma história trágica.

E, por último e não menos importante, Jinyoung era a terceira pessoa que mais falava consigo, já que, em meio à correria entre taças e mais taças de ambrósia ele sempre se perguntava se o mais novo estava bem. Bambam suspeitava que tivesse haver com o antigo deus da juventude, o qual ele ainda não sabia o nome já que, enquanto Bambam estivesse ali, Jackson tinha proibido que falassem dele.

Bambam estava deitado na grama da colina mais alta e mais longe do Olimpo que ele conseguiu achar, bebia uma taça de néctar que no momento tinha gosto de vinho, graças aos céus. Observava o céu azul e limpo e se perguntava se sua vida seria resumida a somente isso: servir deuses mal educados.

E entre devaneios e suposições, Bambam percebeu que não estava mais sozinho, era como se partículas de luz tivessem se materializado ao seu lado e se tornado um Yugyeom manhoso com um bico nos lábios. O agora garçom dos deuses sorriu ao ter a presença dele.

— Te procurei por todo o Olimpo! — Ele resmungou e Bambam soltou uma risadinha, deitando a cabeça no colo do deus do Sol, deixando a taça de lado.

— Acontece que eu não estou no Olimpo.

— Você nunca está. — Yugyeom começou a fazer carinho nos fios negros do mais novo.

— Calúnia! Eu estou sempre correndo de um lado pro outro com aquelas malditas taças de néctar. Você que é burro e não sabe procurar.

— Eu não sou burro! — Yugyeom deu um tapa na testa de Bambam, que riu alto.

Ficaram em silêncio por um tempo, o que não era normal para os dois que sempre que se viam não paravam mais de falar. O céu estava muito bonito e a brisa refrescante tornava tudo mais agradável.

— Posso te fazer uma pergunta, Yug?

— Claro.

— Quem foi o antigo deus da juventude? — O carinho no cabelo parou e Yugyeom o encarou com os olhos sérios.

— Jackson disse que não podemos falar dele.

— E desde quando você faz o que o Jackson fala? — Bambam arqueou as sobrancelhas e o mais velho soltou um suspiro.

— Youngjae era o nome dele, era meu melhor amigo. Ainda é, eu acho. Acho que você iria gostar dele, ele era muito alto astral, tinha uma risada escandalosa, mas nas últimas décadas ele andava desanimado e não via mais graça no Olimpo. Eu e Jinyoung não conseguíamos fazer nada para animá-lo já que normalmente estávamos ocupados com nossas próprias tarefas. Ele e Jackson também eram muito próximos, mas foram se afastando com o tempo.

“Poucos meses atrás, acho que assim que o Jackson te conheceu, Youngjae se tornou bem distraído, o néctar não tinha mais o mesmo gosto de antes. Em uma das festas semanais que o Dionísio dá ele perdeu a paciência com Jackson, falou poucas e boas e para completar a bagunça ele fez com que chovesse ambrósia em todos os deuses, foi engraçado.”

Yugyeom soltou uma risadinha e Bambam já conseguia imaginar todos aqueles outros deuses metidos cobertos do néctar e o mais novo rindo deles.

“É claro que todos esperavam uma punição vinda do deus dos deuses, ele estava magoado, mas não acho que expulsar Youngjae fosse ser sua primeira opção, mas não conseguiu pensar em mais nada. Foi quase que imediata e expulsão, os poderes de Youngjae foram removidos e Mark o levou para a Terra, eu e Jinyoung nunca pudemos nos despedir de maneira apropriada, quem sofreu mais foi meu irmão, ele gosta muito de Youngjae.”

— Jinyoung era apaixonado por Youngjae? — Bambam perguntou curioso.

— Sabe que eu nunca parei pra pensar nisso? — Yugyeom riu.

— Mas e você? Se apaixona? — Bambam levantou a cabeça do colo do deus do sol, o encarando. O negro se tornou dourado novamente.

— Por você? Sim, todos os dias. — Yugyeom colocou uma das mãos na nuca do mais novo e o puxou para um beijo.

Bambam sentiu todos os pelos se arrepiarem e o coração bater tão forte que parecia querer pular do peito e beijar Yugyeom ele mesmo. Pelos céus, beijar Yugyeom era melhor do que ele tinha imaginado, era melhor do que provar o néctar dos deuses, era melhor que beijar Jackson, era melhor do que tudo no mundo.

O garçom gostava de Yugyeom, e se pudesse ficar com ele pela eternidade não se importaria de ter que correr por aí com taças de néctar. Sorriu em meio ao beijo depois de chegar nessa conclusão.

Talvez Youngjae não estivesse satisfeito no Olimpo por passar milênios sem ter quem amar de verdade. Talvez uma eternidade sem amor fosse extremamente entediante E talvez por esse mesmo motivo que Jackson vivia em busca de humanos que lhe chamassem a atenção.

— Bambam, Jackson quer falar com você. — Mark bateu no quarto do deus da juventude.

— Que estranho, por que ele mesmo não veio me chamar?

— Ahn... digamos que ele esteja acompanhado. — Mark mordeu o lábio inferior. — Mas ele ainda quer que você vá lá.

Bambam resolveu não fazer mais perguntas e foi em direção à sala dos tronos. Chegando lá ele se deparou com uma cena estranha: Jackson estava todo abraços e beijos com um jovem de cabelo castanho.

— Caham. — Bambam limpou a garganta, e só então Jackson notou sua presença e sorriu aberto.

— Bammie! — Jackson abriu os braços, ele estava claramente de bom humor, o que era estranho demais.

Nos últimos dois meses que Bambam estava no Olimpo o sorriso de Jackson parecia sumir um pouco a cada dia, sua animação ia sempre diminuindo e ele ia se tornando sério e mal humorado.

— Sim?

— Esse é Youngjae, acho que não se conhecem, mas ele é o antigo deus da juventude.

Bambam arregalou os olhos, o tão misterioso Youngjae estava finalmente à sua frente. Sinceramente, o mais novo esperava que ele não fosse ser nem um pouco amigável, mas como estava enganado. Youngjae o abraçou forte, mesmo que não o conhecesse.

Ele ficou sem ação.

Youngjae era lindo, o que já não era mais surpresa, pois todos no Olimpo eram maravilhosos. Seu sorriso pareceu iluminar a sala e ele estava com uma energia tão boa, não parecia nem um pouco com o deus depressivo e desanimado que Yugyeom havia descrevido.

— Sei como é difícil ter esse cargo, sinto muito por lhe causar problemas. — Ele disse, logo se afastando. — Obrigado pelo seu trabalho duro. — Sorriu aberto, e Bambam não conseguiu evitar sorrir também.

— Não foi nada. Uau, é muito bom te conhecer. — Bambam bagunçou os próprios fios, sentindo o próprio rosto esquentar.

Algo dentro de si se revirou e ele sentiu sua visão embaçar um pouco, seus dedos formigaram e seu coração pareceu bater lentamente. E antes que ele pudesse perceber lágrimas escorriam do seu rosto, e quando foi limpar o rosto úmido percebeu que de seus olhos escorriam néctar.

Sua boca abriu em um perfeito “o”, o que estava acontecendo?

Youngjae franziu o cenho, logo se aproximando do mais novo que, ainda de pé, tentava se encolher, ao perceber o néctar escorrendo de seus olhos ele parou. Encarou Jackson furioso, que já não tinha mais o sorriso brilhante no rosto.

— O que você fez? — Indagou, alto.

— Eu não fiz nada.

— Mentira! Você acha que eu não te conheço?  Você sempre faz alguma coisa. — Youngjae se virou para poder ajudar Bambam, que estava prestes a desmaiar.

Mas antes que qualquer um pudesse fazer qualquer coisa, Yugyeom apareceu atrás do mais novo, pegando ele no colo. Os olhos também escorrendo néctar.

—Y-youngjae.

— Yug... o-o que...

— Me ajuda a salvá-lo. — Os olhos grandes de Yugyeom que costumavam ser negros estavam em uma coloração dourada.

Bambam sentiu a visão ir se esvaindo.

— Você deu ambrósia pra ele, Yugyeom? — Jackson perguntou com os olhos sérios.

— Eu não tive escolha, ele iria morrer... — Yugyeom soluçou. — Eu não podia perdê-lo de novo. — Murmurou e os olhos de Youngjae se arregalaram.

— O que está acontecendo... — Jinyoung apareceu, os olhos também escorrendo néctar. Como gêmeos, ele e Yugyeom estavam ligados, o que um sentia o outro também sentia. Ele ignorou a dor latente no peito e puxou Youngjae para um abraço. – Eu não sei o que está acontecendo, mas eu senti muito sua falta.

— Eu também mas... — Youngjae sentiu o rosto corar ao sentir as mãos de Jinyoung em seu cabelo. — Hyung, eles precisam de ajuda.

— Eu sei. — Ele deu um selar na testa do mais novo e se voltou para seu irmão, que tinha acabado de se ajoelhar no chão, ainda segurando Bambam. — Yug, você sabia que isso iria acontecer uma hora ou outra.

— Isso o que? — Jackson e Youngjae perguntaram ao mesmo tempo.

— Yugyeom convenceu Hades de deixar Jacinto renascer mais uma vez. Ele planejou tudo isso, Delfos o disse que Youngjae iria embora do Olimpo, ele queria que Bambam se tornasse um deus para que eles ficassem juntos novamente. Não se pode enganar a morte para sempre, o Oráculo alertou que se ele voltasse à vida ele não passaria dos 21 anos.

— Eu não me importava, eu só o queria de volta. — Yugyeom fechou os olhos com força, apertando Bambam em seus braços. — Quando o encontramos eu não sabia que ele seria o novo protegido de Jackson, e quando o lobo o atacou eu tive que dar a ambrósia para ele, eu fui egoísta e ambicioso, eu pensava que um segundo a mais com ele seria o suficiente mas não era. Eu levei Bambam para Asclépio para que ele o trouxesse de volta com ajuda do néctar...

— Então você ligou a vida dele com o néctar, consequentemente com a vida de Youngjae, então enquanto o Jae estivesse longe o bastante a vida de Bambam estaria a salvo — Jackson completou, espantado por Yugyeom ter pensado em tudo aquilo.

— Eu não esperava que o Jae hyung fosse voltar tão cedo.

Os olhos de Youngjae estavam arregalados e ele nãos sabia o que falar.

— Você sabia que teria um preço. — Jinyoung disse e o irmão o olhou com fúria.-— Ao invés de ficar esfregando na minha cara por que não me ajuda? Por que você nunca me ajuda?! — Gritou, gotas grossas de ambrósia escorriam por suas bochechas coradas por causa do choro.

— Eu sempre te ajudo! — Jinyoung gritou de volta.— O que você fez foi errado e mesmo assim eu deixei que você tivesse os seus 15 minutos de felicidade com a pessoa que você ama enquanto a pessoa que eu amo estava a quilômetros de distância por sua causa!

Os olhos de Yugyeom se abaixaram para olhar Bambam em seus braços, o rosto dourado nunca pareceu tão pálido e as gotas secas de néctar manchavam suas bochechas coradas de dourado. O deus do Sol mordeu o lábio inferior.

— E se fosse Youngjae no lugar do Bambam? Você não faria de tudo para tê-lo de volta? — Encarou os olhos do irmão, suplicante.

O mais velho desviou o olhar para Youngjae, que se mantinha estático no lugar, com o braço de Jackson em seu ombro tentando acalmá-lo.

— Merda, Yugyeom. — Jinyoung se levantou.

— Onde você vai? — Youngjae perguntou, um fio de voz.

— Eu vou falar com Hades, o que mais eu posso fazer? — O mais velho se virou para o deus da juventude.

— Eu vou com você. — Jackson disse, determinado. — Ele é o meu protegido, afinal. Youngjae cuide dos dois.

O deus da juventude nunca se sentiu tão imponente.

Bambam se viu em um campo, ele corria e brincava com Yugyeom de jogar um disco, parecia tosco, mas era muito divertido, tudo com Yugyeom era divertido. Ele tinha essas histórias estranhas de ser Apolo, o deus do Sol, o Kim era todo estranho, mas Bambam gostava dele, gostava de suas visitas, de sua risada e principalmente de seus lábios, eles eram lindos.

— Você está me secando muito, acho que vou morrer desidratado. — Yugyeom comentou, girando o disco em um de seus dedos.

— Tomara, talvez com você morto eu não tenha mais problemas para dormir à noite — Bambam brincou.

Yugyeom se aproximou do mais novo, parando de girar o disco, realmente preocupado, colocou uma das mãos em sua bochecha.

— Você tem problemas para dormir à noite? — disse com ternura e Bambam teve que segurar a risada, às vezes ele era tão inocente.

— Sim, eu fico a noite inteira pensando em como deve ser te beijar. — Bambam encarou o Kim com olhos felinos. O rosto do outro assumiu uma coloração avermelhada imediatamente e deu um passo para trás, coçando a nuca, envergonhado.

— Aish, você sempre me deixa sem graça. — Ele disse com um bico nos lábios e Bambam riu.

Bambam riu, a risada mais linda do mundo na opinião de Yugyeom.

Bambam viu o Kim jogar o disco para longe e correu para pegá-lo, não achando, procurou floresta a dentro quando sentiu algo acertar sua cabeça por trás, caiu.

E tudo se tornou negro novamente.

Acordou em uma cama, um lençol escuro o cobrindo e uma lareira transmitia calor para o quarto, o fogo queimava azul, comendo a madeira causando um som crepitante quase hipnótico. Bambam ficou o que pareceram horas deitado, apenas observando o fogo queimar.

Onde estava? Foi a primeira coisa que lhe veio à cabeça, a segunda coisa que lhe veio foi: Yugyeom. Ele estava com Yugyeom, não estava?

Estavam em uma sala?

Ou no campo?

Kim Yugyeom ou Apolo?

Néctar.

Seus lábios formigaram, ele queria ambrósia, estava morrendo de sede de ambrósia, e como se tivesse ouvido seus pensamentos a porta do quarto foi aberta. Um homem entrou com uma taça em mãos, Bambam imediatamente reconheceu o líquido dourado e o bebeu como se estivesse há décadas de abstinência.

— Acordou com sede, hein criança. — O homem que lhe trouxera a bebida o olhou, com um sorriso divertido nos lábios.

Sua pele era pálida, os fios negros estavam para cima em um topete, seus olhos eram afiados e escuros, com duas pintinhas abaixo de uma das sobrancelhas.

— Quem é você?

— Jaebum hyung, pra você. — Ele respondeu. — Mas de onde você vem as pessoas me chamam de Hades.

— Ah. — Bambam comentou sem muito interesse, ocupado demais em esvaziar a taça de ambrósia. — Por que eu estou no submundo?

— História engraçada, você morreu. — Jaebum falou, sem tirar o sorriso no rosto e o mais novo engasgou. _ Calma, o néctar não vai sair correndo, bebe devagar.

— Morto?

— Isso.

— Como?

— Isso é um mistério até para mim, mas até onde eu sei, um disco bateu bem forte na sua cabeça, mas como? Eu não sei.

— Eu estava com Yugyeom. — Constatou o mais novo, mais para si mesmo do que para o outro.

— Sim, aquela peste. Aliás, ele quer te ver.

— E onde ele está? — Bambam estava pronto para sair da cama quando uma dor de cabeça forte o atingiu, fazendo com que ele se deitasse de novo.

— Calma, você vai vê-lo na hora certa. — Jaebum pegou a taça das mãos pálidas do mais novo. — Descanse por enquanto, logo a visita vem te ver.

E ele saiu do quarto.

Jacinto.

O nome lhe veio na cabeça, ele era Jacinto.

— Eu sou Jacinto. — Bambam murmurou, sentindo algumas memórias lhe atingirem, piorando a dor de cabeça. — E eu sou Bambam.

Era os dois.

E os dois amavam Yugyeom.

Tinha que voltar para ele.

Bambam se levantou da cama, estava pronto para dar o fora do submundo quando abriu a porta e deu de cara com o deus da caça.

— Jinyoung?

— Bammie. — Ele o abraçou forte, quase fazendo o mais novo perder o equilíbrio.

— O que faz aqui?

— Eu vim te buscar, Yugyeom está morrendo de saudades de você.

— Faz quanto tempo que eu to aqui? – Bambam franziu o cenho.

— Isso não importa. Mas lembra a promessa que você me fez?

— Claro, que eu me tornaria um caçador.

— Ainda pretende cumpri-la?

— Sim.

— Que bom que, mesmo nessas condições, você faz questão de manter sua palavra, eu te admiro muito por isso. — Ele sorriu.   

Uma luz dourada começou a emanar do corpo de Bambam, que encarou Jinyoung confuso, Jaebum apareceu atrás do deus da caça, o sorriso divertido nunca deixando os lábios.

— Não vai precisar se tornar um caçador. – Jinyoung disse.

— O que? Por quê?

— Você é o deus da juventude, tem tarefas a cumprir.

— Mas e Youngjae?

— Youngjae decidiu se tornar um caçador no seu lugar.

— O quê? Eu não posso deixar que ele…

— Não se preocupe, eu vou cuidar muito bem dele aqui. – Jaebum colocou uma das mãos sobre o ombro de Jinyoung. — Não é Jinyoungie? — O deus da caça o olhou com desgosto.

— É. — Jinyoung cerrou os dentes. — Eu vou garantir que ele vai ficar bem.

O brilho de Bambam se intensificava, ele sentia o néctar começar a correr por suas veias. Lágrimas começaram a escorrer, ele se sentia ligado com Youngjae, como se Bambam fosse a colmeia e o outro fosse a abelha, o néctar o ligava ao mais velho de uma maneira que ele não sabia descrever, não queria que ele ficasse naquele lugar escuro por sua causa.

— Peça perdão a ele por mim. — Bambam disse, sentindo suas partículas se esvaírem lentamente. Jinyoung sorriu com ternura, tirando o cabelo negro bagunçado da testa do mais novo.

— Não tem porque se desculpar, foi decisão dele. Vai ficar tudo bem, logo eu me junto a vocês.

Bambam se viu desaparecer, a cabeça a mil e a vontade de abraçar Youngjae por uma última vez o atingiu. Mas um calor aconchegante o envolveu, sussurrando para si que ficaria tudo bem, seu coração foi se acalmando aos poucos daquele sentimento estranho, fechou os olhos negros uma última vez.

Quando os abriu eles estavam dourados, não que ele pudesse ver, mas estavam, e estava também em uma cama macia e os braços grandes e fortes de Yugyeom o envolviam. A brisa entrava pela janela aberta e raios de Sol preguiçosos iluminavam o quarto.

Bambam se virou com cuidado, encarando o belo rosto do deus do Sol próximo ao seu, e o próprio rosto corado já não o incomodava mais, sentia falta dele. Seus traços delicados porém firmes e os lábios que pareciam o paraíso. O coração, que nos primeiros dias batiam rapidamente pelo rapaz agora batiam de forma lenta e constante, como se tentasse se adaptar aos batimentos do deus que dormia.

Bambam sorriu, torcendo para que pudesse congelar esse momento para sempre, esse momento em que, no mundo, existia somente ele e Yugyeom juntos. A eternidade ao lado de Yugyeom parecia muito boa, mas ele sabia que nada era pra sempre, ele sabia que em algum momento a morte o encontraria novamente.

A morte sempre o encontrava, pelo menos dessa vez ele se lembrava. E aproveitaria cada segundo ao lado de Yugyeom como se fosse o último, pois ele tinha certeza que da próxima vez que a morte o encontrasse ele não voltaria.

Ser deus da juventude não era nenhuma certeza para si, e talvez ele seguiria o mesmo caminho de Youngjae quando Jackson cansasse de si ou quando ele cansasse do Olimpo, mas Bambam tinha certeza que enquanto tivesse os braços de Yugyeom em volta de si tudo estaria bem.

Ele não era mais o pastor ambicioso que queria poder e riqueza, ele percebeu que ele não precisava de muito.

Ele só precisava de seu Sol.

Bambam beijou a pontinha do nariz do deus do Sol, que ao sentir o toque gentil dos lábios do mais novo abriu seus olhos de maneira preguiçosa.

O negro estava dourado.

Beijou os lábios doces de Bambam.

Doce como o néctar. 


Notas Finais


Queria primeiramente agradecer todo mundo do World Of Bambam por me ajudarem a crescer como escritora, amo todas vcs nenéns sz

Queria agradecer a @jacksonwngg por ter feito essa capa LINDA, fiquei emocionada. E a Di (@jeonaja) por ter betado a história <3 Ela é um anjo na terra gente, tão organizadinha meudeus eu não cnsigo.

E queria agradecer vc que ta lendo sz O que achou? Alguma dúvida? Pq eu sei que eu tenho mania de explicar as coisas de maneira MUITO confusa sdoijdsiojs me perdoem


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