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História Neeri e a Guerra do Planeta Sem Nome - Capítulo 27


Escrita por:


Notas do Autor


Durante esse tempo eu estive bem distante do spirit, na realidade, bem longe de tudo. Esse capítulo não está tão bom como seria meu desejo, mas esta aí, cumprido seu trabalho.

Capítulo 27 - XXVI: Tormenta


Os fragmentos que passaram ao meu redor, a dor e o sangue em minhas mãos, todas as dores das queimaduras.

Quando a parede enfim se abrir o suficiente foi quando pude respirar fundo e sentir, depois de tanto calor infernal, depois de tanto sufoco e sem ar, enfim o vento gélido que atravessou contra mim. A sensação gelada que me abraçou quase fez meu corpo ceder e se entrega de vez para a morte.

Era apenas fechar os olhos e deixar que minha mente se apagasse. Apenas me deixar com as sensações e leis humanas, permitir minha última queda que me lavaria para a resposta do que existe no outro lado.

Quando a luz azul ultrapassou toda a escuridão, não houve tempo para registrar ou pensar no que era. O grito alto do pássaro atrás de mim me mostrava que não havia segundos para se perder.

Com a adrenalina ainda a todo vapor, corri com Yennenga para dentro da intensidade azul.

Havia neblina no meio de toda aquela bagunça, passos incertos e as sombras que o fogo fazia atrás. Tinha a certeza que o pássaro fora atrapalhado pela intensa luz repentina, mesmo que duvidasse fortemente que ele realmente usava a visão (ele inteiramente feito de fogo, não tem órgãos, é meio difícil que eu esteja errada).

 Virei a cabeça em uma certa agressividade, porém sentir o mundo inteiro cair quando não conseguir mais sentir o chão abaixo de mim.

Meus pés vacilaram e nem me dei o trabalho de tentar encobrir meu grito de surpresa. Algo intenso e extremamente gelado me cercou.

A surpresa do momento, me debatendo acabei perdendo todo o ar acumulado pela falta de consciência e o todo meu corpo congelou a notar que minha mão estava aberta, meus dedos soltos também seguindo os comandos da minha agonia momentânea.

 

Havia soltado Yennenga.

 

Simplesmente tinha soltado minha única arma no meio do desconhecido.

Jamais poderia relatar esse fato para Dariel.

Olhei para cima com a imensidão água acima da minha cabeça, pequenas linhas cristalinas que passavam por todos os lados desfazendo qualquer imagem. Não registrei nada até todo o azul acima de mim ganhasse uma forte cor.

Como uma explosão gigantesca todos os tons das chamas se acenderam preenchendo o máximo que podia alcançar. O fogo poderoso que entrara com toda a potência dentro da imensidão do mar de águas geladas e mais tensas que águas normais.

O fogo que caiu com todas as forças invadindo as águas foi tão forte ao ponto de conseguir me alcançar enquanto ainda caia para o fundo, com meus braços em frente ao rosto tentando me proteger pedir um tempo que poderia apreciar a vista.

O calor extremo e a agitação vieram com energia, a esse ponto eu não tinha certeza que estava viva ou não.

Tirei os braços da frente e a imagem que vi tirou mais o folego do que estava literalmente num ambiente sem ar.

As magnificas chamas não duraram nada contra a água, fizeram um estrago temporário tentando ir contra o elemento oposto, mas fracassaram deixando restos e fagulhas do que um dia deveria ter sido um elegante pássaro vivo de fogo.

Por mania, já sentindo toda aquela pressão e adrenalina saindo do meu corpo, tentei suspirar.

 

As menores ações que tomei desde de que entrei naquela sala foram as piores, como se eu mesma tivesse desistindo e apenas deixando o mundo tomar conta das minhas ações. Ações impensadas e que custaram piedosamente alto.

Soltar Yennenga foi meu erro mais terrível.

 

Soltar o único ar que me restava foi o auge do tormento, principalmente por estava longe da superfície.

 

Voltando ao estado de me debater (pior coisa a se fazer em momentos como esses), tentei nadar o mais rápido que podia para a superfície desviado dos fragmentos de pedras e do que havia restado da parede que quebrei com a força do desespero.

Sem o vermelho para colorir o cenário, tudo trocara de forma, a intensidade azul retornava a seu domínio e iluminava-se com glória para mostrar que ninguém, nem mesmo o fogo, tomaria seu lugar.

Nadar ali não era tão fácil, porém, relaxante. O frio mostrava ser o primórdio da temperatura da água, quando aos poucos ia esquentando como se alguém tivesse jogado um manto por cima de mim, acolhendo-me em meio a frio e trevas. Alguém acendeu uma luz no mar perdido de escuridão.

Quando todos os limites acabaram, quando enfim meu rosto estava acima das águas e o ar enfim se encontrou, quase me permitir relaxar pela nova vitória. Quase, ainda havia um extenso trabalho.

Observando o nome ambiente, era praticamente semelhante ao anterior; uma caverna extensa circular, o mesmo material formava as paredes e as bordas, era bem mais escuro mesmo que a própria água causasse iluminação (o que me devia ser preocupante, já que uma água minimamente saudável devia ser incolor).

A luz azul refletia nas paredes, dançando, movimentos hipnotizantes que causavam sono e inquietude que faziam-me esquecer os problemas anteriores e os futuros. Porém, meus nervos reagiram a realidade, meu corpo alertava que as queimaduras ainda estavam vivas e deveriam forma cicatrizes feias, pior ainda; ferimentos que demorariam para a cicatrização.

Deixando Yennenga por um tempo no fundo da água, apenas o bastante para que conseguisse voltar a força, nadei para a borda mais próxima vendo o estrago da parede que deixei.

Quando meus olhos iam se adaptando as silhuetas na escuridão, percebi que aquele lugar também tinha uma ponte atravessando os lados, porém, talvez fosse o impacto da ave de fogo contra ela que tivesse estraçalhando sua existência.

Acho que era aqueles fragmentos que tive que desviar na água.

Sentando na borda com os pés dentro da água, me permitir respirar com calma sem sentir aquela fumaça toxica.

Depois de perceber que nada me atacaria ali, tentei tirar as manoplas da armadura primeiro para depois me virar com o resto, mas descobrir não ser necessário. Em um momento havia algo pequeno e brilhante na minha mão, pequeno, no entanto com duas extremidades afiadas pela forma de losango.

Uma pedra semelhante a Yennenga em sua primeira forma, apenas uma pouco mais comprida e fina.

– Dava para fazer isso o tempo todo? – Murmurei comigo mesma incrédula, havia mesmo passado noites inteiras dormindo de armadura? Mas bem, a armadura sempre se adaptou a todas situações e necessidades, então nunca foi desconfortável. – Mas, seria bom mesmo assim saber que podia fazer isso. – Respondi a mim mesma.

Antes que eu pudesse me preocupar de perder a armadura, notei um fino cordão dourado na ponta. Ele não estava atravessando a pedra ou tinha qualquer suporte, estava apenas grudado na pedra e tinha certeza que aquele cordão não estava ali antes.

– Você, com toda a certeza – Destaquei melhor essa frase –, é meu preferido, Syrion.

Olhei para meu corpo. Minha pele negra agora tinha as marcas do fogo ainda ardendo, com menos intensidade do que antes, meus pés estavam em pior estado, talvez por ter ficado com mais tempo dentro da lava. Meu corpo com marcas deformadas me lembrava alguma coisa, alguma sensação conhecida de uma vida passada ou apenas uma lembrança que eu não conseguir resgatar.

Suspirei esperando que meu corpo fizesse o trabalho de cura-las. Com o tempo eu percebi que minhas habilidades não eram só um desempenho maior ou sorte.

Como os outros mensageiros tiveram poderes que os auxiliassem na realidade necessário de seu tempo e missão, como o velho da casa azul; ele precisava alertar e faze-los acreditar no perigo, por tanto, um poder que provasse o futuro foi o melhor. Os gêmeos não idênticos precisam lutar com ainda mais força, portanto, magias de ataque que ninguém mais no mundo tinha.

Meu trabalho era atravessar o mundo e conseguir convencer os deuses a lutarem mais uma vez. Como cada um não queria ser encontrado, fizeram armadilhas, portanto, minha força e resistência não era fruto de trabalho duro, isso incluía uma regeneração acelerada, sobretudo, realmente foi incapaz de controlar isso ao meu favor, tento que esperar a boa vontade de meu corpo.

Tinha além a capacidade de me comunicar melhor, mesmo que isso não parecesse grande coisa, mas cada um dos deuses havia parado para me escutar e respondido inconscientemente. Não deveria ser uma atitude normal sendo que eles estavam muito reclusos e com altos muros de proteção pessoal, isso devia ser para poder convencê-los mais fácil.

Mergulhei na água.

Apenas isso.

 

Aquele pássaro havia sumido definitivamente ao adentrar na água. Sorrir pensando que a todo esse tempo havia uma sala igual ao do fogo, deveria ter pensado em quebrar a parede mais cedo. Não era uma fênix ou nenhum ser que pudesse ser real.

Era como um fantoche sem linhas ou com alguém que o controlasse a cada movimento, era apenas pássaro criado com magia do fogo, tanto que poderia ser qualquer animal, seja mamífero ou até insetos. Igual aquele cachorro gigante que enfrentei no anfiteatro; criado para assustar, sem vida, apenas projetado para atacar, com o máximo possível de realidade.

No começo tive pena de matar o pássaro, mas após perceber que ele não passava de algo feito propositalmente para atacar com todas as forças, e principalmente, que ele não tinha uma vida, essas preocupações se foram.

– Eu os odeio! – Exclamei alto para que o rei daquele castelo pudesse me ouvir, e esperava que o do castelo vizinho também pudesse.

Esse era apenas o segundo desafio e mais regular desafio que passei naquele domínio de Rheanor. Pelo menos aquelas águas eram extremamente relaxantes.

 No entanto, ainda havia um desafio que era o inicio disso tudo; sair dali.

Havia feito um buraco na parede, não sabia se voltando para a sala do fogo outro pássaro iria renascer, nem fazia ideia de como sair dali e como poderia voltar para buscar Yennenga. Toquei meu pescoço sentindo o fino cordão que o circulava e a pedra que não poderia perder de forma alguma.

Por mania, toquei onde Yennenga ficava na couraça e tomei outro susto a notar sua ausência.

– Eu estou cansada. – Declarei o obvio passando a mão no rosto para acordar.

A esse momento meus companheiros deveriam estarem em situações piores, correndo sem direção alguma para armadilhas. Gostaria de ter confiança neles que poderiam sair na situação, mas cada vez que me recordo da imagem do corpo de Gekman sendo atravessando por aquela lança e caindo para dentro da escuridão, cada vez que essa imagem volta a minha cabeça, meu corpo se congela e toda minha fé de ver aquele ser chato diminui.

Toda vez que penso que ele morreu, me sinto cada vez entregue para a morte.

Segurei firme o ar e afundei. Não era hora para descansos e meus feridos estavam sarando mais rápido, a ardência já não era mais existente. Agora para encontra uma pedrinha laranja no meio da água.

Na primeira vez que procurei foi falho, voltei rápido para a superfície para buscar mais ar. Na segunda vez foi mais desesperador, na terceira vez sentir que poderia me afogar mesmo que tivesse na superfície por ter engolindo acidentalmente a água e voltado as pressas. Na quarta realmente sentira que a adrenalina deixou todo meu corpo e havia tirado uma soneca.

Antes da quinta, com o cotovelo na borda e o punho na bochecha apenas pensei e me concentrei.

Não sabia se seria possível Yennenga se transformar sem estar em minha mão e sem o comando da minha voz, mas valia a pena tentar.

Olhando para traz, a água continuava fluindo em leveza. Segurei o ar de novo e entrei de volta na água.

Na quinta vez, vi algo novo, uma linha dourada em vertical que cortava o azul intenso, uma linha torta que parecia aos poucos se inclinar pelo seu peso.

Na quinta vez, me aproximei a essa linha e quase rolei os olhos a notar no que Yennenga havia se transformado.

Na quinta vez, voltei a superfície carregando um pique.

 

– É a primeira vez que fico feliz com sua insistência. – Disse e sentir Yennenga vibrar na minha mão como se ela tivesse rindo de mim.

Enfim sair definitivamente da água, sem saber como voltar a colocar armadura apenas toquei nela e esperei. De fato, uma luz dourada que começa no meu peito iniciou-se a se espalhar e aos poucos a armadura ia voltando ao seu estado.

Notei que algumas coisas nela mudaram, além da ornamentação e detalhes, em vez de apenas uma couraça normal, um bevor estava ali, havia algo novo em meus ombros e costas, um manto de Therenza se encontrava ali. Sentir algo passando por meus ouvidos em ligeiras cocegas e cumprindo toda minha cabeça.

Não sentia nada além da presença, um arrepio pelo frio que suas mudanças causaram. Notei que havia um besagew com o símbolo da minha guarda (besagew protegem as axilas). A armadura não estava mais com as marcas de antes, havia sido restaurada, possivelmente em enquanto em forma de pedra, Syrion houvesse feito modificações.

Esperava que fosse isso, mas descobrir que poderia mudar minha armadura igual posso fazer com Yennenga a esse ponto do jogo.

– Ainda tenho que sair daqui.

 Enchendo o peito de ar e coragem, proclamei o nome de Yennenga e novamente o escudo estava ali.

O fogo parecia mais manso, sua força moderada e sem a ave que proteger o território, a intensidade do fogo brilhava menos, o ar enfim se mostrava real em meio ao caos. O espaço de abertura do buraco era pouco, principalmente agora que a armadura havia se reajustado e só agora eu tivesse notado que ela estava ficando apertada. Não havia como negar que meu crescimento estava sendo bem acelerado.

Eu só tenho 17 anos em números terráqueos, e tenho a certeza que graças todo esse estresse é provável que eu esteja parecendo bem mais velha do que eu sou.

Quando o voltei ao território de fogo admirei a desgraça que aconteceu com aquele território. Tudo destruído que acabou com a beleza de algo que mostrava-se perfeito até então.

Deveria ter uma saída em algum lugar, observando todas minhas opções, só podia abrir outra passagem ou ir por cima, onde, lá no centro que ficava as mais ameaçadoras estalactites. No centro do local mais perigoso agora brilhava uma saída.

– Como eu vou por cima?  

 A melhor pergunta deveria ser; como passar por aquela lava?

Vendo o mar de lava, olhei para traz na imensidão azul.

 

Voltei a atenção para a lava.

Olhei novamente para a água.

 

A porção de águas era muito mais do que a de lava. Havia água suficiente para encobrir a quantidade de lava.

O que aconteceria de unisse os dois?

Coloquei meu punho no queixo como se pensasse se seria uma boa ideia tentar, mas esqueci que agora tinha um obstáculo no meu rosto graças a reforma na armadura. Sacudir a cabeça.

Mesmo que alguma coisa acontecesse seria muito arriscado quebra a divisa entre as duas, a água ainda iria evaporar mesmo que a lava endurecesse, e pelo pouco espaço a quantidade de vapor que subiria não iria valer o teste.

 

Mesmo assim; ainda era uma opção, e seria muito interessante testa essa teoria.

 

Contudo, algum dos meus companheiros poderia chegar por aqui, seria arriscado deixar um mar de lava, porém um mar de água não poderia ser tão facilmente ignorado. Além disso, mesmo que pudesse me livrar da lava, como iria subir até a saída?

 

– Onde está o cervo quando preciso dele? – Apesar da dúvida, havia uma tristeza e raiva dentro da frase.

 Cansada demais para pensar, apenas chamei por Yennenga e lá estava de novo uma nova arma (E finalmente não era um pique), uma pistola estava bem carregada.

– Vou ter que virar para chegar ali em cima, e isso vai ter que ser por um caminho que mais longo.

O disparo que foi tão forte que meu corpo sofreu com o impacto sendo lançado para trás, a bala de energia foi em direção a outra parede que explodiu em alto som. As pedras que foram arremessadas conseguiram chegar a mim que estava longe do ataque.

A parede continuava inteira.

 

– Merda! O mundo tá acabando lá fora!

As vezes eu realmente esquecia que tinha uma grande se aproximando e os verdadeiros vilões estavam surgindo de outra dimensão a abaixo de nossos pés.

– Rheanor! Pare de ser uma criança chata do cacete!

 

Apenas o silêncio e bolhas de lava me responderam.

– Eu vou ficar de xingando até o fim dessa merda!

Outro tiro.

Mais zoada do impacto. E mais. Definitivamente o cansaço estava me consumido, minha visão começava a ficar desfocada e minhas força sumiam. Sem a noção de muita coisa pela bagunça da minha mente.

Quando enfim outra passagem estava quase pronta, me aproximei, aquela abertura era o suficiente para quebra com as mãos.

Yennenga já era uma pedra ocupando seu lugar na armadura. Esse ainda era o segundo desafio. Ainda tinha um amigo que poderia ter morrido, mais amigos desaparecidos e perdidos por aí, dois acidentados em um navio, um navio em território perigoso, uma companheira sozinha tomando responsabilidade em ser a única a poder se defender e mais os outros dois.

Ainda tinha um deus para vencer, mais 4 a 5 para procurar e vencer, ainda tinha que voltar para Therenza, tinha que salvar e lutar o dobro do que já fiz para poder ajudar na guerra. Tinha que voltar para casa, precisava do conforto de um lar e saber que todo isso valeria a pena.

Havia um peso gigante em meus ombros, o peso de vidas inteiras, de um mundo inteiro que estava carregando.

O caminho de escuridão que se abriu para mim era incapaz de me apavorar por suas incertezas. Apenas um novo corredor para teria que procurar uma forma de chegar ao andar superior.

 

Era obvio que apenas um pássaro de fogo não era a única coisa que a mente maligna de Rheanor preparou para tentar me matar. Mais um caminho que levaria a outra luta, dessa vez, não era mais um único problema.

 

Olhos sem vida, a prata reluzente que os engradecia e como meu queixo se ergueu para encontrar seus rostos.

  



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