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História Negotiating with Death - Capítulo 1


Escrita por: laylla12 e Project_Escrita

Notas do Autor


Olá pessoinhas, como vocês estão?
Espero que todos estejam bem, hoje eu vim trazer mais uma história com esse projeto maravilhoso, @project_escrita.

Por isso, espero que gostem de mais um essa parceria e se divirtam com a gente.

Também gostaria de agradecer a essa maravilhosa capa feita pela @Mei_hyuuga, ela é simplesmente demais, também não posso escrever da betagem sensacional @sinful_cherry e a helper @ValentinaBlack, que me ajudou a escolher esse nome sensacional.

Então é isso, obrigada pessoal e vamos a leitura.

Capítulo 1 - Capítulo 1


Fanfic / Fanfiction Negotiating with Death - Capítulo 1 - Capítulo 1

“Toda a alegria vem do amor, e todo o amor inclui o sofrimento”, Abílio Guerra Junqueiro.


Não sabia explicar aquela sensação, parecia que todos os meus ossos iriam partir, minha cabeça latejava e meu coração acelerava, nunca imaginei que estaria passando por isso, mas cá estou eu, dentro do Submundo, na frente do próprio Hades. 


Alguma coisa nele me instiga a lutar contra mim mesma, talvez o fato de que tudo nele me lembrasse a morte, ou até mesmo que só de olhá-lo eu quisesse me jogar castelo abaixo, rumo ao rio do esquecimento, mas de quebra, com a minha grande sorte, eu com certeza cairia no Cócito (o rio das lamentações), o azul que nele refletia me lembrava os olhos de Naruto e isso naquele momento, já dava-lhe uma grande vantagem, pois tudo que eu mais queria, era tê-lo ao meu lado. 


Sendo analisada por aqueles olhos cor do breu, pude reparar que tudo nele era divinamente atraente, assim como a mulher que estava ao seu lado, com seus olhos verdes esmeraldas, ela me passava confiança, tudo nela tinha o cheiro doce de chocolate e baunilha, que por sinal, era o mesmo de Naruto, e mesmo que pareça um pouco enjoativo, não podia parar de pensar em seus olhos.


Por algum motivo está naquela sala me passava três desejos totalmente diferentes, lutar, amar e me matar, porém, não sabia qual realmente iria prevalecer. 

Nos dois minutos que se sucederam, um filme passava-se em minha cabeça dividido em algumas partes dolorosas, e sem querer, algumas lágrimas brotaram de meus olhos, fraqueza talvez? 


O primeiro era o menos intenso, eu estava no jardim do sítio dos meus avós, tudo estava meio confuso, pois no mesmo momento que eu a via se aproximar com aqueles olhos tão intensos e diferentes,  tudo mudava para os olhos azuis celestiais de Naruto, e eu sem querer revia incansavelmente eles irem mudando de forma, até o trágico dia, em que eles se apagaram para sempre. 


Mas, quando eu me concentrava um pouco mais para entender o que ele dizia, tudo sumia e somente as canções antigas das lendas gregas tomavam forma naquela voz aveludada e transformavam-se em mais uma dos filmes da Disney.


[...]


— Já ouviu um lobo uivando para a Lua azul? Será que já viu um lince sorrir? É capaz de ouvir as vozes da montanha? E com as cores do vento colorir — a mesma canta sorrindo. 


— Por que a senhora sempre faz isso Pappoús? — pergunto enquanto tentava a todo custo colocar os pezinhos no chão — A senhora nunca consegue terminar uma música inteira para mim. — Talvez hoje em dia fosse engraçado o modo como meus lábios ficam bonitinhos juntos em um perfeito bico molhado de gloss, mas naquela época, eu só sabia pensar na minha total frustração. 


— Nunca reparei — ela responde pegando-me no colo. — Pensei que você gostasse muito dessa música? 


— E eu gosto, mas… — O modo como eu me perdia em seus olhos era algo diferente naquela época, eles eram idênticos aos meus, porém ao mesmo tempo tão diferentes, talvez a vivência dela desse um toque a mais ao azul arroxeado, ou simplesmente fosse impressão minha. — Eu gostaria muito que a senhora terminasse, elas são tão bonitas — eu falava sempre abrindo os braços em alegria, talvez fosse um costume herdado do meu avô, nunca consegui me controlar. 


— Bom, quem sabe um dia você não escute ela pessoalmente da voz que a criou. — Ela sempre comentou das suas diversas façanhas viajando por toda Europa, e em como conheceu cantigas antigas em cada lugar mitológico que conseguia entrar. 


— Mas para isso eu precisaria estar morta, a pessoa deve ser muito antiga — comentou cruzando os braços em total desânimo, enquanto a mesma deita na grama do jardim. 


— Até que não — ela relata com a mão na testa — , sabia que ele é um imortal? — A animação da sua voz enquanto ela me dizia isso, era sempre sinal de uma história fantástica— Porém precisa guardar segredo para mim, promete? 


— Juro de dedinho — falei enquanto fazia o sinal sorrindo. 


— Bom, por onde eu posso começar? — Ela pergunta tirando seu olhar de mim e se dirigindo às nuvens. — Eu estava andando pelas ruas de Veneza quando o vi, ele era um homem muito bonito, alto e elegante, cantava essa melodia enquanto olhava os barcos navegando pelos canais, eu como uma boa apreciadora da linguagem grega, reconheci na hora e me aproximei do indivíduo para escutar mais a sua voz e acabei cantando sem perceber o refrão da canção. 


— Isso é demais, e aí ele lhe ensinou? — Perguntei e ela só sorriu enquanto tocava a testa. 


— Não, foi depois de longos cafés e jantares que isso aconteceu, era algo íntimo demais para ele — o modo com que ela falava, talvez naquela época eu não entendesse muito bem, porém hoje, lembrando do Uzumaki, não tinha como não comparar. 


— Ensinar uma letra de música? — Perguntei com as sobrancelhas arqueadas.


— Pense como se fosse um dos seus diários de livros, nem todo mundo tem autorização para lê-los, com ele não era diferente — ela explicava minuciosamente.   


— E demorou muito para a senhora aprender? — Perguntei realmente curiosa, vindo de uma família extremamente católica, os únicos momentos que eu tinha para me aventurar naquela cultura instigante eram sem dúvidas quando estava com minha avó. 


— Depende, não lembro muito bem, só sei que ele viajou o resto do trajeto comigo por toda Itália, passamos por lindos momentos — ela fala enquanto suspira feliz. 


— Ele foi seu namorado então Pappoús — questionei com um sorriso sapeca.


— Não, fomos grandes amigos, ele tinha um reino para comandar e vidas para julgar, enquanto eu tinha uma linda família para quem voltar — ela responde apertando meu nariz. 


— E até agora a senhora não me disse quem ele era — falei com expectativa, eu não me lembro muito bem, mas eu jurava naquela época que minha avó tinha tido um romance de filme com o próprio Apolo, mesmo que ela negasse. 


— Você prometeu não contar isso para ninguém, não esqueça — ela diz, chegando perto do meu ouvido — Hades.


— O Diabo? — Pergunto assustada e ela só ri e afirma com a cabeça. — Cruz credo Pappoús, eu que não quero mais saber muito dessa, repreende, imagina que loucura, ficar frente a frente com o cara lá de baixo. — Era óbvio o quanto eu ficava chateada com os risos que ela me dava, talvez o fato de que eu fazia o sinal da cruz a cada segundo estivesse a divertir-lá, hoje eu vejo o quanto foi patético.


— Ele não é tão mal assim — ela me relatou em um sussurro— Se você olhar fixamente em seus olhos, juro a você, nada lhe acontecera, ele sempre lhe protegerá. 


Naquela época nada fazia sentido, principalmente porque a última coisa que eu queria era ver o carinha lá de baixo, mas neste momento, espero que realmente funcione. 



[...]


 A segunda memória é mais dolorida, eu era nova demais para entender o que estava sentindo e até mesmo vendo. 


Quando você tem doze anos, a única coisa que lhe importa é sair da pré adolescência e se tornar uma adolescente completo, sem saber da diversidade de emoções que lhe cercam naqueles momentos, todos desejam se livrar dos resquícios de criança que há dentro de si, como dizia na música da Kell Smith, “é que a gente quer crescer. E quando cresce, quer volta do início, porque um joelho ralado, dói bem menos que um coração partido.”


Nesse tempo, eu achava tudo uma grande baboseira, a única coisa que eu sempre guardava em meu coração eram as histórias mirabolantes contadas pela minha vó, por isso vê-la morrer na minha frente, foi uma das coisas mais difíceis da minha vida. 


 Era uma típica noite de sábado, era a época das férias de inverno, eu estava animada, faltava somente três semanas para o natal e como era tradição, fazíamos uma noite de jogos, eu nunca tive muito saco para aquilo, ficar horas jogando Uno cansava a minha beleza, eram muitas brigas e discussões, ninguém aceitava que eu era a melhor, por conta disso, fiz uma das coisas mais sábias na minha cabeça, fui deitar com minha vó e ouvir uma bela história, que por sinal, ia até eu cair no sono.  


A noite caiu e eu fiquei  desnorteada ao sentir uma presença no quarto, meu avô tinha ido dormir lá no de hóspedes e minha Pappoús estava que nem pedra dormindo ao meu lado, pelo menos era o que eu achava até vê-lo levando-a. 


Na ocasião eu não pude fazer nada, meu corpo parecia pesado demais, o cheiro forte de remédio no ar tinha me deixado tão enjoada, que por alguns segundos eu pensei que iria desmaiar, contudo ao olhar naqueles olhos pretos, tudo ao meu redor parecia que estava em câmera lenta e sem foco, somente ele importava.


Não conseguia desviar a minha atenção, parecia que eu estava a horas naquela situação desastrosa, mas pelo relógio, foram somente cinco minutos, o tremor do meu corpo, misturado a minha batida de dentes significava duas coisas, ou pelo quarto estar muito gelado, como se o arcondicionado estivesse no 16°C, ou pelo medo desenfreado que estava tendo. 


Quando eu consegui finalmente piscar e me mexer, já era tarde demais, minha avó estava voando e sendo arrastada por ele, era estranho de se ver, a última coisa que me lembro antes de desmaiar, foi dela me dizendo que iria ficar tudo bem e da imagem dele sumindo com um bater de asas. 


Depois desse dia o natal foi destruído para mim, não conseguia contar para minha mãe o que vi e tentar reconforta-la de alguma forma, a pobrezinha estava uma pilha de nervos, me levou à psicólogos, terapeutas e até mesmo padre, segundo ela não era normal uma menina dormir ao lado de um morto e ficar bem. 


Mas o que eu poderia fazer, já tinha chorado o máximo que conseguia, sonhado o máximo de vezes que me permitia, além de que, eu precisava seguir em frente. 



[...]


Depois de tudo isso, e de viver essas emoções, fez um estalo dentro de mim e eu acordei por alguns segundos, mas dessa vez eu não estava com tanto medo, tinha algo dentro daqueles olhos que me transpareciam sofrimento, de alguma forma eu me senti conectada a ele, mesmo que ele fosse o próprio diabo encarnado.


Seus olhos de preto breu, foram para um vermelho sangue, ele parecia entrar na minha mente de uma forma significativa, trazendo-me dor e lembranças malditas, talvez fosse essa sua intenção, me matar lentamente de dentro para fora.


***


O terceiro momento que eu vi era um turbilhão de um compilado de várias lembranças e todas ele estava. 


Eu conheci Naruto Uzumaki através de amigos em comum e de cara eu não fui com a cara dele, engraçado e clichê, não acham?


Estávamos dentro de uma cafeteria local, ele servia um capuccino numa mesa vizinha e assim que seu expediente acabou se sentou conosco. 

Talvez o seu cheiro de baunilha misturado com chocolate fizesse ele ser tão atraente aos meus olhos. Ao mesmo tempo que minha cabeça o achava principe demais para sequer ser capaz de me fazer  arrepiar.  


Passei todo o momento da conversa desconcertada e envergonhada, ele não tirava os olhos de mim por um segundo. 


— Perdeu alguma coisa aqui? — Pergunto perdendo a paciência e ele só arqueia a sobrancelha. — Se continuar assim, vou acabar ficando desidratada.


— Você tem lindos olhos cor de violeta — ele solta do nada, parecia meio pirado das ideias. 


— O quê? — Pergunto desconcertada e até mesmo achando graça, ele realmente não batia bem e graças a Deus não fui a única a perceber isso. 


— Seus olhos, eles tem uma cor única e muito bonita, parecem violeta, me lembra as flores do jardim da minha mãe — concluiu sorrindo, enquanto focava ainda mais aqueles olhos celestes em meu rosto. 


Logo após aquele momento estranho eu não conseguia ficar dois minutos no mesmo lugar que o loiro, ele parecia um lunático, encarava-me toda vez e falava a mesma coisa, você tem lindos olhos cor de violeta, deu vontade de cantar “na boca e na bochecha”, para vê se ele muda o disco. 


O segundo era ainda mais intenso e talvez tenha sido ali que eu dei o braço a torcer. Estava no terceiro ano de faculdade, prestes a tentar ir atrás de um estágio e mostrar minhas ideias a um diretor, amigo de um dos meus professores. 


Chegando lá o clima era bem desconfortável, os olhares cobiçados, os murmúrios impróprios e aquele olhar perturbador, talvez esse fosse um grande problema meu naquela época, eu focava tanto no olhar das pessoas, que acabava vendo até o que não devia. 


“ Quem eu sou, você só vai perceber quando olhar nos meus olhos, ou melhor, além deles.”


Clarice Lispector dizia isso em seus diversos versos, e ela não poderia estar mais certa, ao olhar no fundo dos olhos de alguém, você via a alma da pessoa prestes a se abrir para você sem medo, e muitas das vezes, isso não era algo bom. 


Ao se aproximar de mim e colocar sua mão no meu corpo sem a minha permissão, um alerta se fez na minha cabeça, mas meu coração preferiu fazer a egípcia, meu sonho estava prestes a concretizar-se e isso para mim não era um grande problema, eu estava sendo ingênua em não perceber que aquela ajuda, não seria de graça e o preso poderia ser alto demais para valer a pena ser pago. 


Entrando em sua sala, duas coisas nela eram estranhas, primeiro, ela era afastada demais, com uma pequena mesa e um computador desatualizado, ela não tinha janelas ou qualquer coisa que remetesse a ventilação e na parte de trás da mesa, que parecia ser de uma secretária, eu pude ver uma porta gigantesca, onde imaginei que seria a sua verdadeira sala. Mas não, ele se sentou na mesa, deu-me um aceno e começamos a conversa. 


Eu preciso reforçar essa parte, pois sempre que me lembro eu fico com muita raiva de mim mesma. Enquanto a minha pessoa falava sem parar sobre o roteiro que tinha feito, das cenas mirabolantes de ação e das expectativas que o público poderia ter no personagem principal, meus olhos brilhavam como nunca e minhas mãos estavam levantadas em alegria, aquela mania besta que eu tenho. 


Sempre me desculpando quando isso acontecia, a pessoa a minha frente dizia que não tinha nada demais, pegava na minha mão, colocava seu pé para chegar mais perto da minha perna, sorria como se eu fosse a coisa mais fantástica do mundo e eu simplesmente não via os sinais, principalmente quando ele se levantou e sentou ao meu lado pegando os papeis que eu tinha em mãos. 


Lendo de forma rápida, o mesmo se preocupava mais em chegar perto de mim, do que realmente ler o que eu tinha dedicado um ano para fazer. E o pior é que o idiota era bom, sabia o que dizer, quando dizer, os pequenos gestos que precisava fazer para eu, uma menina de vinte e um anos cair em sua lábia barata e aceitar beber uma dose de vinho com ele, estava a vontade, me sentindo até num filme. 


Num determinado momento, fazia uma hora e alguns minutos que eu estava ali, precisava ir embora, quando ele segurou a minha mãe com um pouco mais de força e pediu para conversar ainda mais comigo, tinha se “interessado” pela minha história. 


Entrando no local, ele parecia mais um quarto de descanso que uma sala em si e as poucos minha ficha foi caindo, ele começou a tocar nas minhas costas, sua mão passou por dentro da minha blusa e foi subindo até meus seios, ele sussurrava coisas em meu ouvido que eu não entendia, estava totalmente travada. 


A medida que ele foi puxando-me para mais perto de si, suas palavras ficaram simples e diretas, ele comentava que me achava atraente e que em ajudaria no que precisasse, se é claro, eu o ajudasse também, sua mão segurou a minha e a levou até a sua ereção que estava precisando de atenção e por alguns minutos, eu aceitei. 


Na minha cabeça era bem simples, eu não era virgem a muito tempo, ele era um homem alto, bonito, não tinha pose de macho bombado e poderia me abrir portas, então porque não, tantas mulheres fizeram isso e se deram bem, não há  problema algum em usar uma arma vantajosa, para conseguir um objetivo sonhado. 


Deitando na cama e abrindo a calça, ele deu a deixa para eu o chupa-lo e  acatei a ordem, porém naquele momento, por mais louco que pareça, eu me lembrei das mulheres fodas que tinham em minha vida, eu não precisava me sujeitar aquilo, eu era e sou foda, não precisaria de homem nenhum para que o mundo soubesse disso, então ao me levantar e ir em direção a proxima sal, eu ouvia xingamentos de todos os tipos e fui humilhada ao sair daquele local. 


Locomovendo-me pelas ruas sem rumo, eu cheguei aquela cafeteria familiar, não tinha muitas pessoas e eu o avistei, por algum motivo ao olhar em seus olhos, eu tive confiança e num momento de desespero, chorei em seus braços e a partir dali, ele seria meu eterno porto seguro, ele não me enchia de perguntas, criticava as minhas escolhas, fazia-me desistir, muito pelo contrário, ele me impulsionava sempre, lembrava a mim mesma que eu era muito mais do que pensava e que os outros viam, por isso, eu seria dona e proprietaria do mundo. 






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