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História Neighborhood - Capítulo 19


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Notas do Autor


Oi Oi :D
Como estão meus amores?
Espero que muito que bem u-u
Mais um capítulo bem lightzinho antes das tretas começarem hihi
Desculpem os erros e boa leitura <3

Capítulo 19 - Em Tokyo, laços


Despertou pouco a pouco com a claridade transparecendo a cortina direto para o rosto adormecido. Não queria sair daquela posição, estava quentinho e aconchegante demais para qualquer tipo de movimento além da respiração. O que era meramente estranho já que aviões eram para lá de desconfortáveis.

Piscou desnorteado tentando clarear a visão turva, ergueu o rosto e sentiu as costas pesarem além do normal, olhou para o lado e se deu conta de onde havia dormido. Naruto estava encostado na janela dormindo sereno com o braço protetoramente ao redor do seu corpo, a mão de Sasuke subia e descia no peito do loiro acompanhando a respiração tranquila, seu nariz na curvatura do pescoço moreno sentindo o perfume agridoce que exalava ali. Sentiu o rosto queimar e se amaldiçoou mentalmente por ter passado a noite naquele estado.

Manteve os olhos fixos no rosto másculo adormecido; o cabelo rebelde caindo pela testa, as bochechas com adoráveis marquinhas, os lábios convidativos minimamente entreabertos. Sentiu-se atraído a beija-lo.

 

“Vá em frente. – Emoção sussurrou em seu ouvido – Acorde ele com um beijo de bom dia.”

“Ah, pelo amor de Kami – Razão contrapôs – vocês nem estão namorando e já estão nessa lenga lenga?”

“Deixe o garoto ser feliz ao menos uma vez na vida – retrucou Emoção – ele precisa viver o melhor dos dois mundos.”

“Para viver o melhor precisa dessa melação? – Instigou Razão – Mas que pataquada é essa afinal? Quando você era hétero não era assim com nenhuma garota.”

 

Sasuke revirou os olhos de ágata polida. Iria fazer o que bem queria, não ia se importar nem mesmo com as suas próprias opiniões internas.  Tocou o rosto bonito com a ponta dos dedos acariciando a pele quente, esticou-se devagar em sua direção, o coração acelerado cavalgando no peito. Quando seus lábios estavam prestes a tocar sua bochecha os olhos astutos viram através da cortina na janela o céu límpido e azulado, puxou o tecido e sua visão engrandeceu a linda capital inglesa despertando naquela manhã.

Sorriu de orelha a orelha.

— Naruto – chacoalhou seu peito – acorde.

— Hmm – remexeu-se preguiçoso – só mais cinco minutos – apertou-o mais em seu peito.

— É sério, Dobe – chacoalhou mais uma vez – olhe.

Assistiu as safiras despertando no exato momento em que abriu a cortina e a paisagem celeste mudou de repente para o enorme Big Ben. Naruto arregalou os olhos e quase arrancou a cortina da janela, o brilho do sol invadiu o avião deixando tudo mais claro, botou a palma aberta no vidro escancarando a boca de pura surpresa.

— Deidara! – Virou o rosto sorrindo de ponta a ponta. Aquele sorriso bonito fez Sasuke sorrir mais ainda, sua alegria infantil exalando dos poros contagiando o moreno – Olha lá em baixo!

O loiro despertou do sono no susto, puxou a cortina e os olhos azuis se maravilharam.

— Que lindo – voltou-se para Itachi – onde estamos?

— Palácio de Westminster – respondeu afastando a mecha loira do rosto delgado – o famoso Parlamento do Reino Unido.

— Espera, aquilo é o que eu acho que é? – Neji se debruçava sobre Gaara que disputava espaço com o Hyuuga para assistir a pequenina janela.

Sasuke riu.

— London Eye – respondeu – a terceira maior roda gigante do mundo. Dá vista de toda Londres.

Conforme sobrevoavam a cidade, Sasuke ia apresentando cada ponto turístico inglês para os amigos, o que o deixou com ainda mais saudade de casa. Sobrevoaram St. Paul’s Cathedral e Millennium Bridge em fração de minutos, Naruto ficava mais e mais empolgado a cada atração que passava diante de seus olhos, só depois de cruzarem a Tower Bridge a paisagem mudou para verde arborizado; as calçadas se tornando campos de flores, os postes de luz árvores altas de copas cheias, as praças em lagos e a capital em uma linda mansão isolada da sociedade.

A mansão estilo australiano surgiu no meio do campo inteiramente feita de vidro, os dois andares muito bem arquitetados com as paredes arredondadas e jardins suspensos, sobrevoaram o território mostrando o perímetro forrado de flores coloridas, piscinas e áreas de lazer.

— É enorme – Gaara pôs a mão no vidro da janela.

A luz das caixas de som acenderam e a voz de Kakashi ressoou no avião.

— Senhores, por gentileza apertem os cintos, estamos prestes a pousar.

A aeronave fez uma manobra curvilínea assim que apertaram os cintos, Sasuke segurou na braçadeira do banco e de esguelha viu Gaara agarrado à Neji.

— Kami-sama, misericórdia – suplicou fazendo-o rir internamente da situação.

Ainda de olhos vidrados na janela, acompanhou todo o pouso tranquilo sem nenhuma dificuldade. Kakashi além de bom empregado era um ótimo piloto, um dos seus maiores potenciais como profissional, sabia exatamente como se portar em todas as situações e acima de tudo mantinha a calma em qualquer ocasião. Não tardou mais que cinco minutos para as rodas de pouso bater em solo inglês e a velocidade diminuir na pista gradativamente, quando enfim pousaram o moreno foi o primeiro a saltar do avião direto para a pista, e logo adiante o corpo magro estava a sua espera.

Estava debaixo de um guarda chuva transparente estampado com flores de cerejeira, um vestido branco igualmente florido e seu chapéu de palha com um laço de fita rosada, os olhos negros assistiam ansiosos o desembarque do rapaz. A mesma pele cor de leite que a sua, o mesmo cabelo liso e escuro que o seu, Sasuke não conseguiu conter a euforia dentro de si e correu do avião ao encontro da mulher.

Mom!

— Sasuke-chan! – Abriu os braços saudosamente.

O Uchiha correu como o vento o mais rápido que suas pernas lhe permitiram e se jogou nos braços de Mikoto, apertou-a com força e mais uma vez sentiu o cheiro inesquecível do Chanel Floral nº5, as mãos pequeninas de artista acariciando as costas do filho, as flores do guarda chuva projetando sombras delicadas sobre eles.

I missed you so much, mom – enterrou o rosto em seu ombro.

— Também senti sua falta, Sasuke-chan – assim que se afastaram, a matriarca passou os dedos pelo rosto do filho – tem se alimentado direito? Viver de tomates não faz bem para a saúde.

Mom – revirou os olhos.

— Oka-san? – Sasuke deu um passo para o lado e Itachi entrou em seu campo de visão, o mais velho com o semblante preocupado e repleto de culpa misturada à saudade.

— Ah, meu filho – Itachi precisou se curvar para abraça-la, um longo abraço apertado de décadas solitárias – fico feliz de ter vindo ver sua velha mãe.

— Desculpe, Oka-san – afastou-se para olhá-la – não tive muitas escolhas.

— Olhe só para você – pousou a mão em seu peito – que belo homem se tornou. Como o tempo passa rápido.

Mom – pegou a mão da mulher e a puxou de Itachi – esses sãos meus amigos, você já os conheceu, Naruto, Gaara e Neji.

Apontou para os três logo atrás de si e Mikoto deu uma boa olhada nos meninos.

— É um prazer recebê-los, garotos – sorriu amistosa – sejam bem vindos.

— O prazer é nosso, Uchiha-san – o ruivo cumprimentou-a com um aceno e os outros dois limitaram-se a sorrir.

— E esse é Deidara... – Itachi postou-se ao lado do loiro. Deidara ficou duro, endireitou a postura e segurou as mãos na tentativa falha de parar de tremer, os olhos azuis tentando focar apenas um ponto fixo – Meu noivo.

— Prazer em conhecê-la, Uchiha-san – fez uma reverencia graciosa.

O rosto de Mikoto ficou liso e sem expressão, seus olhos vitrificados piscando lentamente medindo o Namikaze de cima a baixo, desde o cabelo bem feito até as vestes bem escolhidas. Era um rapaz bonito de fato, e particularmente estava curiosa para saber o que seu filho havia visto nele de tão exorbitante para terem se tornado noivos.

— Seja bem vindo, Deidara-kun – sorriu simples – vamos nos conhecer melhor em breve.

Deidara ergueu-se novamente com o semblante mais tranquilo, olhou para Itachi pelo canto dos olhos claríssimos e o viu sorrir aliviado. Apertou sua mão numa mensagem clara de que estavam juntos nessa.

— Sobrou algum abraço pra mim?

Aquela terceira voz fez Sasuke estremecer da cabeça aos pés, aquele mesmo timbre macio que não ouvia pessoalmente há muito, apenas pelo telefone. O vento no campo soprou e seu cabelo farfalhou no rosto assim que se voltou na direção da voz, assistiu aquele corpo despojado bailar em sua direção um passo após o outro, as mãos no bolso e o sorriso matreiro nos lábios finos. Seus olhos marejaram quando enfim encontraram os dele, o nó na garganta que o sufocara por tanto tempo se desfazendo na emoção de reencontrar sua outra metade.

— Shikamaru...

Sorriu brilhante.

— Yo, Sasuke.

Pouco a pouco o rosto do Uchiha foi se iluminando e o sorriso bobo infantil nasceu de novo no rosto bonito, correu ligeiro em sua direção e se atirou em seu pescoço abraçando-o com força, os braços firmes apertando sua cintura e aquele mesmo cheiro de canela com limão o trouxe a nostalgia dos velhos tempos.

— Shikamaru! – Aninhou-se mais sobre ele – Não acredito. Eu senti tanto a sua falta.

— Também senti a sua, bebê – afastou-se momentaneamente para encará-lo de perto – você não mudou nada.

— Nem você. Parece que se passaram anos – num lapso temporal lembrou-se dos demais, puxou-o pela mão para perto dos outros garotos – esse é Sabaku no Gaara.

— Yo – o ruivo trocou um soquinho consigo e viu o cintilar de uma pulseira de prata em seu pulso com um pingente do seu esporte favorito. – Basquete?

— Lakers – respondeu simples, os olhos do Sabaku reluziram encantadores ao ouvir o nome do seu time.

— Nojo – resmungou o moreno ao seu lado – esse é Neji, já te contei sobre ele.

— Ouvi muito sobre você – Shikamaru se aproximou observando os olhos perolados de perto. Jamais vira aquela tonalidade antes, estava encantado com a beleza incomum do rapaz que tanto o lembrava uma moça.

— Sendo assim – estendeu a mão para um cumprimento civilizado – é um prazer conhecê-lo.

O Nara aceitou sua mão, virou-a com as costas para cima e beijou delicadamente a pele macia deixando-a rosada.

— O prazer é todo meu. – Neji corou visivelmente envergonhado pelo ato, Shikamaru se voltou para o loiro que o encarava sério e lhe estendeu a mão – você deve ser o Naruto.

Com os olhos azuis fervilhando ele encarou aquela mão em sua direção e virou a cara cruzando os braços. O moreno franziu o cenho.

— Naruto! – Deidara puxou sua orelha com tanta força que o fez perder o equilíbrio – Tenha modos!

— Itte! Isso dói, nii-san – massageou a orelha inflando as bochechas emburrado.

— Quanto tempo, Shikamaru-kun – Itachi interveio apanhando a mão do garoto meramente desconfortável.

— Digo o mesmo, Itachi-san – sorriu.

Rapidamente engrenaram em um assunto aleatório enquanto se dirigiam para a mansão Uchiha, Mikoto fazendo perguntas a Itachi sobre seu dia a dia no Japão e seu nii-san logo ao lado do noivo, assistiu de longe os outros quatro andando juntos, Sasuke com o braço em torno do pescoço de Shikamaru e este com o braço na cintura do moreno. Fuzilou aquele paspalho com os olhos, desejou internamente ter visão de calor para derretê-lo feito cera.

Não gostava daquele cara. Não gostava nem um pouco dele. E se estava pensando que iria ficar arrastando asa pra cima do seu Sasuke, estava muito enganado, iria confrontá-lo com unhas e dentes para defender seu território.

 

 

 

~*~

 

 

 

Empurrou a porta devagar entrando no cômodo escuro, perambulou por entre os móveis até a janela comprida e empurrou os vidros para fora, imediatamente o vento bateu em seu rosto farfalhando as cortinas azuis deixando a claridade entrar naquele quarto. Assistiu à luz bater em todos os cantos, viu o mar azulado das paredes sustentar as prateleiras cheias de dinossauros e ursos de pelúcia dos mais variados, as estantes cheias de livros de contos de fadas e carrinhos de coleção, os vários potes e vidros espalhados pelas cômodas com as multicoloridas bolinhas de gude.

No piso de madeira clara os tapetes coloridos de amarelinha, no canto da parede o baú cheio de brinquedos sortidos, no teto o lustre de foguetes e estrelas cadentes. Olhou para os lápis de cor e gizes de cera espalhados sobre um tapete arco-íris com um desenho inacabado de um monstro roxo, sentiu nostalgia maior que olhar para a cama em forma de carro de corrida ou os potes de macinha de modelar espalhados pela poltrona branca, ao lado da cama um criado mudo com um porta retrato de conchinhas.

Pescou o objeto da madeira clara e seus olhos vitrificaram na foto que ali estava. Conseguia se enxergar claramente sentado no jardim aos seis anos todo sujo de lama e o outro menininho o olhando com um balde de plástico nas mãos, ambos com sorrisos banguelas de orelha a orelha, completamente largados numa poça de lama a tarde toda. Sorriu com a lembrança, fechou os olhos e sentiu o vento trazer de anos o cheiro ainda vivido da lama úmida de um dia chuvoso, ouviu as gargalhadas infantis ressoarem no quarto lhe trazendo saudade daquela época tão encantadora.

Acariciou o rostinho gorducho com a ponta dos dedos.

— Revivendo o passado? – Perguntou baixo.

— Às vezes e bom ter lembranças – colocou o objeto de volta no lugar erguendo os olhos para o lustre espacial – é bom saber que nada mudou por aqui.

— E o que mudaria? – Escorado no batente da porta com os braços cruzados em frente ao peito, olhava curioso para o moreno pensativo, depois de tanto tempo separados ainda achava graça em certas coisas em Sasuke.

Baixou os olhos para si com a sobrancelha fina arqueada, matou aquela curta distância entre eles com alguns passos, ergueu o braço dramaticamente e tocou de leve os piercings na orelha do outro.

— O que mudaria? – Encarou-o com seu ar de superioridade irônica – Eu tiro os olhos de você por alguns minutos e já vira um rebelde sem causa.

Virou o rosto de lado com um meio sorriso, Sasuke dedilhou a pele clara até o nariz pequeno, cutucou a argolinha de prata do lado direito e segurou seu queixo com leveza fazendo-o encará-lo.

— Você ficou bem gay – provocou. Revirou os olhos escuros e ele continuou – o quê? Não se acostumou com a palavra ainda? Mas se acostumou a ser pego de jeito, né?

— Cala a boca – balançou a cabeça dando-lhe as costas indo em direção aos gizes de cera.

— E então, qual deles é? O ruivo? – Coçou o queixo – Ele não faz muito seu tipo. O loiro invocado? Não, talvez o branquinho de cabelo comprido – Sasuke suspirou pesado e o olhou com sua máscara de indiferença. O outro abriu um sorriso maligno – Ah, então eu acertei.

— Não tem nada melhor para fazer? – Agachou apanhando o desenho de um barquinho no mar.

— Ele parece bem delicado. Mas admito que é muito bonito, e tem cara de que beija bem – Sasuke balançou a cabeça, fez uma pausa reflexiva antes de soltar sua perola – você deu pra ele?

— Vai se fuder Shikamaru! – Tacou-lhe todos os gizes que estavam no tapete, seu rosto inteiramente vermelho e o Nara gargalhando horrores da sua reação.

— Meu Kami, meu melhor amigo incorporou o espírito da depravação. Você não era assim, cara. Dar o cu é tão bom assim?

— Vá dar o seu para saber, paspalho – enfezou-se.

— Que nada – saiu da porta e foi ao seu encontro – prefiro comer o seu.

Puxou-o do tapete completamente desengonçado e o empurrou contra a parede, prendeu suas mãos nas costas e o prensou ainda mais forte com o quadril, Sasuke resmungou dolorido com o baque forte do peito na parede. Sentiu Shikamaru esfregar seu corpo despudoradamente da forma mais explicita em sua bunda, e logo depois a mão grande o apertou com força.

— Como você gosta? – Apertou a bunda carnuda com mais força sobre a jeans ouvindo-o gemer baixo. Riu. – Parece que do jeito mais bruto.

O Uchiha ficou vermelho de tal forma que o Nara nada fez além de gargalhar, perdeu toda sua força e deixou que o moreno se soltasse do aperto apenas para lhe bater.

— Vou quebrar seus dentes, panaca! – Pegou a almofada mais próxima e descontou toda sua ira no rapaz, que nada fazia além de rir e tentar se defender – Para de rir de mim!

— Foi mal – tentou se recompor – mas não dá pra acreditar nisso.

— Não é pra você acreditar em nada – bateu mais quatro vezes com a almofada antes dele o agarrar novamente, desta vez frente a frente – me solta, seu podre.

— Nem pensar. Se eu soltar você vai embora de novo – sorriu branco abraçando-o com força – estou tão feliz que você voltou para casa.

A fúria de Sasuke amoleceu e se dissipou, em questão de segundos estava abraçando aquele cretino novamente.

— Eu também.

E ficaram ali, juntos por um longo tempo, apenas curtindo a presença um do outro. E Naruto, que assistia tudo por detrás da fresta da porta, sumiu no corredor deixando-os a sós, nutrindo cada vez mais seu ódio mortal por Shikamaru.

 


Notas Finais


Comentem <3


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