História Neighbors 2: Madness - Capítulo 10


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Categorias Histórias Originais
Visualizações 10
Palavras 4.673
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Festa, Ficção Adolescente, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Então... Resolvi fazer algumas mudanças.
Bom, como algumas coisas não vão depender apenas da Breaden, eu resolvi que a partir de agora os capítulos serão escritos em terceira pessoa (quem não curtir, sinto muito, vai ser obrigado a ler assim msm, ou não, a vida é sua). Pelo fato de estar envolvendo outros personagens e evitar a troca de POV excessiva, a terceira pessoa é mais apropriada.
Ah, para as tietes do fandom: PARABÉNS, VOCÊS GANHARAM UM CAPÍTULO ENTUPIDO DE BREACTAVIAN.
Agora pra @ que queria a morte do Frederick, sinto muito, eu não vou matar ele, mas não é só por isso que eu não posso fazê-lo sofrer um pouquinho. Então, sinta-se feliz.
:)

Capítulo 10 - I don't wanna talk 'bout that



- Vamos pra casa - Andrea disse segurando a irmã pelo pulso, a arrastando dali. Yhsa veio atrás das duas.

- Qual é o seu problema? Me solta. Não era você que queria vir pra maldita festa? Agora aguenta até o final!

- Eu não vou discutir com você. Sério mesmo. Quer ficar nessa droga, que fique. Eu estou indo.

- Espera. Eu disse que ia levar vocês para casa, e é isso que irei fazer. - Yhsa disse, segurando as duas. - Mas eu preciso que se acalmem e parem de agir como duas crianças. Feito?

- Você faz a droga do que você quiser. Eu estou esperando lá fora - Andrea disse.

- Vem cá, o que aconteceu com você?

- Breaden aconteceu - Andrea respondeu e saiu andando no meio da multidão.

- Cadê a Breaden? - Yhsa perguntou para Frederick, que chegara no mesmo instante.

- Não sei. Achei que ela estivesse com vocês - Ele respondeu e pegou o celular, ligando para a mais nova. - Ela não atende. Tá dando desligado.

- É, a noite estava muito boa para ser verdade - Lauren comentou.

- O que houve? - Juddy perguntou, se aproximando com Nick e Aspen.

- Andrea e Breaden brigaram. Breaden sumiu - Rachel fez um breve resumo.

- Vamos procurá-la, então - Aspen disse, como se fosse óbvio.

- Cadê a Ann e o Nate? - Yhsa perguntou, vendo que faltava gente ali no grupo.

- Não sei, eles estavam com a gente agora pouco - Juddy disse e todos suspiraram ao mesmo tempo.

- Espera... - Aspen disse, encarando Nick e, consequentemente, atraindo a atenção para si. - Michaela disse... Ah, filho da puta. Vamos logo, não vamos achá-los tão cedo.

- Peters, arrasta o Octavian. A festa acabou - Frederick diz enquanto os acompanha para fora da mansão.



Idiota. Quem é você para se meter na vida dos outros? Enquanto sua própria vida está uma confusão, você fica se metendo na vida dos outros, pensava Breaden ao caminhar pela rua deserta.

Então ela resolveu gritar. Gritou para o nada e o silêncio.

- Você não deveria fazer isso... - alguém sussurrou perto de si, achou que estava sozinha, mas não. Havia um senhor ao seu lado. Pelo susto, tropeçou para longe do mesmo.

- Fazer o que? Desde quando você me conhece? - rebateu com a voz arrastada e dois tons mais baixos.

- Não precisa ser nenhum gênio para saber. Tire essa ideia louca da cabeça... Uma das crianças já tem um grande peso para carregar, isso apenas irá piorar - o tom do velho sai amargo.

- Mesmo sendo um velho caduco, ele tem razão. Não vale a pena. Já contornaram a história jogando limpo, por que arriscar com um jogo sujo? - uma jovem perguntou do outro lado da rua.

Que diabos estava acontecendo? Quem eram aquelas pessoas? O que estavam fazendo ali. Breaden tropeçou mais alguns passos e começou a correr. As vozes em sua cabeça pareciam cada vez mais altas. Cometeu um erro maior em abrir os olhos e perceber que mais pessoas de rostos desconhecidos se aproximavam cada vez mais. As mãos tocando-lhe o corpo, impossível não lembrar das mãos de Richard.

Apenas parou a corrida quando sentiu algo em seu pé, que a fez tropeçar e cair. Com um choro baixo, ergueu-se de maneira trôpega, mas ao mesmo tempo, uma lâmina cortou o ar bem ao seu lado. Mesmo estando com medo, a raiva ainda estava prevalecendo em seu interior, o que resultou em uma espada de fogo azul ser criada.

O ser tinha ataduras pretas envolvendo o rosto até a altura do nariz. O cabelo grande e desgrenhado dava visão apenas para seus olhos, os quais tinham um brilho mortal. E sem dar chance para o fôlego ser recuperado, ele atacou a garota que se dividia em chorar e se defender.

Alguns minutos se passaram. Ele ainda não havia a matado. Parecia estar testando e conhecendo seus limites. Estava deixando-a desgastada, para enfim, fazer o que quisesse.

Entretanto, mesmo que não estivesse sóbria e certamente machucada, não iria dar o braço a torcer e se dar o luxo de se entregar numa bandeja ao inimigo. E isso acabou despertando algo no fundo de sua mente.

Com um movimento involuntário, com a mão livre, jogou uma pilastra de fogo azul para cima. Era quase como a Bifrost, só que azul.

O ser em sua frente recuou um pouco, com uma expressão que a garota julgou como surpresa.

O álcool, além de lhe deixar extremamente emotiva, também dava umas descargas de adrenalina. Por isso, correu na direção do ser, atacando-o com a espada. Ele era ágil também, então conseguiu desviar do ataque.

Bom, tudo aconteceu muito rápido. Uma hora estava preparada para atacar, na outra, havia uma barreira impedindo o ataque. Observou um pé ir de encontro ao rosto do ser que lhe atacava e no outro, uma espada laranja atravessava-lhe o peito, vendo que ele havia explodido em uma poeira negra.

Breaden encarou Frederick, Juddy, Rachel, Octavian e Peters. Suas imagens estavam borradas pelas lágrimas que insistiam em cair. Um silêncio pairou sobre eles e ninguém disse nada.

Breaden ainda estava um pouco distante deles, então, começou uma pequena caminhada. Frederick se prontificou a ir de encontro a garota, mas foi surpreendido quando a mesma passou direto por si, indo em direção a Octavian. O mais velho dali engoliu em seco, sentindo um aperto no peito.

Por um momento, ninguém disse nada. A estrada era silenciosa e apenas os soluços de Breaden era escutados ali. Juddy e Rachel trocaram olhares como se perguntassem "que diabos está acontecendo aqui?". Peters colocou a mão sobre o ombro de Frederick, que a afastou com um puxar.

Por fim, decidiram ir para casa. O relógio já queria marcar exatas quatro da manhã.


Os mais velhos decidiram deixar cada um dos jovens em suas respectivas casa. Breaden havia passado o trajeto todo abraçada a Octavian. Rachel e Juddy conversavam de maneira discreta. Frederick mantinha-se calado, e Peters pensava em dar um tapa no garoto e ligar para Karter.

Assim que chegaram até a casa de Octavian, houve uma pequena discussão. Juddy e Rachel disseram que precisavam ajudar os outros a encontrar Andrea, mas os mais velhos tinham receio de acontecer algo. Por fim, chegaram a conclusão de que as deixariam ir, mas que mantivessem contato. Breaden resolveu ficar na casa de Octavian por essa noite, e o garoto não negou o pedido. A frustração era claramente estampada na face de Frederick.

- Tem certeza que quer ficar, Bre? - Ele perguntou, se aproximando. Recebeu apenas um balançar de cabeça. - Jura? Não seria melhor ir para casa? Você bebeu muito e ainda teve que lutar...

- O-Obrigada... Eu vou ficar mesmo - ela disse baixo.

- C-Certo... Eu vou deixar o celular ligado. Qualquer coisa... Se precisar de mim, me ligue. Eu venho a hora que for - disse com a voz rouca, aquela merda de sentimento não passava.

- Frederick, eu vou cuidar dela. Fique tranquilo. Amanhã eu a levo para sua casa novamente - Octavian disse enquanto apertava mais a garota em seus braços, um vento frio chocou-se contra eles no momento.

- Estamos indo - Juddy se pronunciou, e então os outros repararam no grande círculo com alguns símbolos no chão. - Mandaremos notícias.

- Tomem cuidado - Peters disse. - Se virem que as coisas estão ficando estranhas, não insistam e nos ligue.


Depois que todos se foram, Octavian adentrou sua casa, deparando-se com o silêncio morbido no interior da casa. Sua mãe ainda não havia voltado com o irmão, o que de certa forma era intrigante, pois ela havia dito que era apenas uma visita. E já ia completar uma semana quase.

Subiu com a garota para o andar se cima. No percurso, passaram pelo quarto de Isabel. Ela ainda estava apagada. Desde que a resgataram, ela não havia dito palavras concretas, apenas coisas desconexas. Os dois pararam na porta do quarto.

- Ela ainda não acordou? - Breaden perguntou, em um sussurro baixo.

- Não. Durante a semana deu indícios, mas nada aconteceu. Palavras sem sentido são a única coisa que estou recebendo em troca - Octavian suspirou.

- Nós devemos fazer alguma coisa?... Quer dizer, eu e Juddy podemos fazer algo.

- Não. É melhor deixá-la assim um pouco. Vou esperar minha mãe voltar para ver o que iremos fazer.

- Se sua mãe... Ela vai ter que saber da verdade. Nós...

- Chega de mentiras, okay? Precisamos começar a abrir o jogo para os nossos pais. Afinal, podemos ir para a escola e não voltar mais. Eles precisam estar cientes que não perderam os filhos por um mero acidente, mas que eles estavam tentando trazer algo bom para o mundo. Tudo bem? - ele perguntou a encarando.

- T-Tudo... - ela sussurrou, desviando o olhar.


Octavian cedeu seu banheiro para a garota e depois que a mesma saiu, ele a oferecera uma xícara de chá, que fora aceita.

No banho, o garoto refletia sobre as coisas absurdas que haviam acontecido em um espaço de tempo tão pequeno. Não se arrependia de ter dado o chute na cara do ser, mas aquilo poderia ter dado errado e um deles se machucar ainda mais por um erro tosco.

Enquanto enxugava o cabelo e escovava os dentes, pôde ouvir parte da conversa de Breaden do lado de fora.

- ... Eu sei, eu sei. Não precisa ficar me relembrando isso a cada cinco segundos. ... Se eu te dissesse que estou bem, estaria mentindo na cara lavada. ... Por Hades, não. Não, ele não vai falar com você porque não estou na casa dele. ... Não se atreva! Você tem mais coisa para fazer. ... Apenas tenha em mente que eu estou sendo bem cuidada e acolhida. ... Eu também não sei... - sua voz começara perder o tom. - Eu não sei até quando eu vou aguentar. Tay, você precisa voltar logo. Eu sinto sua falta...

Depois dessa frase, o garoto resolveu ignorar a ligação. Um sorriso irônico brotou em seu rosto. Era óbvio que tinha outra pessoa no meio. Talvez Peters estivesse certo, afinal. Era um maldito idiota que continuava de quatro para uma garota que, talvez, não o olhasse com os mesmos olhos.

Por fim, já não aguentava mais olhar para sua cara através do espelho, então saiu do banheiro com a toalha enrolada no pescoço. O olhar da garota estava vazio enquanto olhava um ponto qualquer no quarto. Se aproximou com cuidado, mesmo se achando idiota, estava preocupado.

- Vamos dormir. Já está muito mais do que tarde. Pode ficar com a cama. Eu durmo no quarto do meu irmão.

- Não! Quer dizer... Não precisa. Arg, quer saber?, dorme comigo? Por favor. Eu sei que não fui a melhor pessoa para você, mas... Por favor - seu olhar era similar ao do Gato de Botas, e tal comparação o fez rir. Caminhou até a garota e deixou um beijo em sua testa.

Eu realmente devia ganhar um prêmio de maior trouxa do mundo..., pensou.

A luz já estava apagada. Cada um estava de um lado na cama. O silêncio entre eles era um misto de incômodo com vazio.

- Octavian... - Breaden disse baixo, recebendo um "hum" como resposta. - Me desculpa.

- Que?

- Desculpa.

- Pelo quê? - a verdade era que o garoto já estava quase dormindo, então os pensamentos estavam um pouco confusos.

- Por tratar você de forma ruim. Você sempre tentou entender meu lado e me ajudar... Mas eu nunca te respondi a altura, muito pelo contrário, te disse palavras ruins. Você me perdoa por ser assim? - a essa altura, os dois já estavam de frente um para o outro. A luz do poste que invadia o quarto podia dar uma visão de ambos. Ele levou a mão até a bochecha da garota, deixando um breve afago.

- Te perdôo com uma condição: se eu ganhar um beijo - sorriu, imaginando que levaria um tapa, mas surpreendeu-se ao sentir os lábios alheios sobre os seus. Seria uma mera ilusão?

- Obrigada por ter paciência comigo. Eu... Eu vou tentar ser uma pessoa melhor agora, okay? Minha cabeça está cheia devido a alguns acontecimentos, mas quando eu melhorar... Você irá ver que mudei.

- Não quero que mude. Quero que continue sendo quem é. A única coisa que peço é que comece a averiguar as coisas que faz. Não faça as coisas por impulso. Se precisar de ajudar, nos chame. Okay? - ele passou o braço pela cintura de Breaden, a trazendo mais para perto de si. - Espero que esteja "okay", porque eu estou com sono e quero dormir. - Depois de uma risada baixa e um selar na testa, ambos se entregaram de vez ao sono.


O portal havia se fechado atrás de Peters e Frederick. Ambos estavam na portaria do prédio em que o de cabelo cacheado morava.

Peters estava com uma mania irritante de querer puxar assunto, e cada vez mais Frederick precisava usar e abusar de seu autocontrole para não virar para trás, estalando a mão na face do amigo.

Passaram sem cumprimentar o porteiro e foram direto para o apartamento. Estava tudo silencioso. Era estranho. Depois de quase um mês direto, era estranho ver o apartamento vazio e silencioso.

Cruzou o corredor, indo em direção à cozinha. Pegou um copo de água e um comprimido que estava largado sobre o armário. Engoliu sem pensar para raciocinar para o que servia aquele remédio, afinal.

- Cara, estou falando sério. Você precisa...

- Se você abrir a boca mais uma vez, eu juro por todas as divindades daquele maldito Olimpo que vou costurar sua boca com magma e esfolar a sua cara no asfalto fervente... Até conseguir ver nitidamente sua carne borbulhando pelo calor - sua voz soara baixa e calma, porém, mortal.

- Okay, não está mais aqui quem falou. Vou tomar banho e dormir no sofá. Você não ia me querer na sua cama mesmo - dando de ombros, Peters caminhou até o quarto do outro para pegar algumas roupas.

Frederick sabia que estava agindo de maneira infantil, mas o sentimento ruim que preenchia todo o seu interior bloqueava todo tipo de racionalidade que pudesse vir a calhar na hora. Por isso, em um ato impensado, pegou o copo que estava sobre o armário ao lado da cartela de comprimidos e o jogou na parede contrária. Assistiu os cacos indo de encontro ao chão.

Depois de tomar banho e se aninhar no meio dos lençóis, foi que a ficha havia caído. Não tinha mais nada. Mãe? Morta. Avó? Morta também. Pai? Ausente, mas nesse caso preferia que estivesse morto. Filhos? Droga, havia apenas 19 anos na cara, talvez se Hank estivesse vivo.

Automaticamente lágrimas vieram de encontro ao travesseiro. Sabia que uma hora sua companhia teria que voltar para seu respectivo lar, tinha plena noção disso... Apenas não sabia que não estava pronto para dizer adeus e se consolar com a solidão diária.


Breaden e Octavian acordaram com a luz do sol batendo diretamente em suas respectivas faces. Por fim, resolveram levantar. Depois de tomar banho e enrolarem para descer, depararam-se com a porta do quarto de Isabel aberta e sem sinal da jovem na cama. Após se encararem com o semblante fechado, correram para o andar de baixo.

A sala estava vazia, a parte de trás da casa também, a lavanderia idem. Foi então que uma movimentação na cozinha chamou a atenção de ambos. Com passos calmos e hesitantes, andaram até a porta da mesma, surpreendendo-se ao encarar a mãe de Octavian preparando algo no fogão, Isabel e Arthur conversando baixo. Uma expressão de choque era visível na face dos recém-chegados.

- Ah, que bom que acordaram. Venham tomar café - Vivian disse sorrindo para o filho e a garota ao seu lado. - Ah e depois iremos conversar. Eu saio e você tras suas namoradas para dormir aqui aqui?

- Mãe! Não é nada disso... - sua voz foi sumindo conforme o olhar de Isabel repousava sobre si.

- A-Acho melhor eu ir... - Breaden tentou se desvencilhar de Octavian e toda a situação, mas o outro segurou fortemente sua mão.

- Precisamos fazer isso. Lembra do que eu disse ontem? "Sem mentiras". - Octavian encarou o irmão mais novo. - Pegue sua comida e vá para o seu quarto.

- Quem você acha que é?! Você não manda em mim! - Arthur rebateu às ordens.

- Cala a boca, pirralho. Anda logo que eu não estou pedindo, estou mandando.

- Octavian! - Breaden o repreendeu por fazer ignorância com o irmão na frente da mãe, não que ela não estivesse acostumada com isso.

- O que? Se ele acha que tem alguma autoridade comigo, é bom ele tirar a droga do cavalo da chuva. Sai logo, pivete.

- Arg. Te odeio - reclamando, o mais novo saiu do cômodo.

- Não é como se eu tivesse implorado por um irmão mais novo.

- Bom, me perdoe pela falta de educação gritante de meus filhos, Breaden. Agora, temos coisas a discutir, não é? - Vivian alternava o olhar entre os dois adolescentes e a filha mais velha.


Depois de quase meia hora, Breaden e Octavian haviam conseguido resumir toda a história de um ano atrás. Houveram momentos de choro, e até mesmo os cômicos com Vivian chamando o filho de "bocó". Por fim, chegaram no quesito "Isabel".

- Por que tiraram ela do hospital? - Vivian perguntou, passando a mão sobre o cabelo da filha, esta que abraçou a cintura da mãe. Ela não se recordava de muita coisa.

- Nós... - Octavian começou a dizer, mas foi interrompido.

- Foi tudo um plano meu. A responsabilidade foi minha. Octavian nos contou que "Bria" era a única coisa que a irmã falava, então, escondido dos demais, eu e mais dois amigos começamos a fazer uma pesquisa e descobrimos onde ela estava internada, e consequentemente, um outro amigo meu a conheceu, então facilitou um pouco o processo. Mas resumindo, nós descobrimos que iriam transferi-la para Chicago, na noite em que a senhora estava fora. De certo modo, presumimos que a família não havia dado permissão para tal e... Eu precisava dela para entender algumas coisas.

- Que tipo de coisas? - Vivian perguntou e, Breaden e Octavian encararam-se. Caso dissessem algo, teriam que falar sobre o caso de Isabel com Robert. Por fim, Octavian suspirou e encarou a mãe.

- Sabe o "Bria" em que ela sempre falava? Então... Espera... Ele não se chamava Robert?

- Sim. Robert Brian Campallb - Breaden rebateu.

- Hum. Então, era um apelido carinhoso para Brian, o ex dela.

Nesse momento, Isabel encarou os dois mais novos. Breaden se perguntou até que ponto ela se lembrava das coisas e se a proteção que Robert havia feito ainda surtia efeito.

- Ex? Mas... Ela nunca nos apresentou ninguém - Vivian sorriu em descrença.

- E nem pretendia. Ele era casado e tinha três filhos - Breaden disse, sentindo o olhar da outra jovem queimar sobre si.

- Como? O que está insinuando? Isso é verdade, Isabel?

- Não tente negar. Ela esteve dentro da sua mente, fora que tem pessoas vivas que estão de prova para confirmar que era você - Octavian disse sério, encarando a irmã.

- É verdade. Desculpa, mãe - pela primeira vez na vida, Breaden havia ouvido a voz de Isabel, que havia soado baixa. - Ele vinha constantemente na sorveteria que eu trabalhava, - Breaden lembrou-se de quando Robert chegava com litros de sorvete para as crianças - daí nós começamos a conversar e ele me chamou para sair. Mas eu juro para vocês, ele já tinha planos de pedir o divórcio.

- Olha... É muita coisa para digerir. - Vivian disse, virando mais um pouco de café em sua xícara. - Eu realmente não sei o que pen... - Sua fala fora interrompida quando Arthur entrou na cozinha correndo.

- A polícia está aqui na porta.

Tanto Breaden quanto Octavian travaram em seus assentos. Não era nenhuma novidade que a polícia uma hora ou outra iria bater em suas respectivas portas.

- Isabel, vai lá pra cima com seu irmão, - a jovem foi junto ao mais novo para o andar de cima - vocês dois - apontou para os outros dois - fiquem aqui e tentem agir da maneira mais normal possível.

A mais velha entre eles caminhou até a porta, abrindo-a. Deparou-se com um homem alto, com a pele morena e cabelos baixos. Seu semblante era sério.

- Boa tarde, residência de Octavian P. Cooper?

- Sim. Sou a mãe dele. O que deseja?

- Apenas algumas perguntas. Ele se encontra?

- Sim. Entre, ele está na cozinha. É só entrar e seguir pelo corredor da esquerda - Vivian sorriu, dando passagem para o policial.

Quando o homem chegou até a cozinha, deparou-se com uma adolescente levando uma colherada de calda no meio do rosto enquanto o outro adolescente era acertado no pescoço por um tapa. Ambos riam da situação, até o policial limpar a garganta e chamar a atenção dos dois.

- Breaden Mayers? - o policial perguntou, erguendo uma sobrancelha na direção da garota.

- Sim - Breaden sorriu gentil para o homem.

- Desculpe a indiscrição, mas o que está fazendo aqui a esta hora?

- Ué, a garota não pode mais dormir na casa do namorado? - Octavian perguntou, como se fosse algo óbvio.

- Estão juntos? Quando recolhemos seus dados no acidente ninguém mencionou namoro algum.

- Somos sigilosos com nosso relacionamento. Além do mais, naquela época não estávamos juntos. Eu a pedi em namoro cinco dias depois. Mas creio que não foi para saber do nosso possível relacionamento que o senhor veio até aqui - Octavian foi direto, tentando encerrar por vez esse assunto.


- Nós somos atores dignos do Oscar. Sério, como aquele cara realmente acreditou naquilo tudo? Ele é deplorável como policial - Breaden sorriu enquanto terminava de colocar suas roupas normais.

- Realmente. Agora, vamos logo. Frederick deve estar preocupado com você.

- É, tem raz... - a fala de Breaden fora interrompida por uma mensagem em seu celular. A mesma pegou o aparelho e abriu o aplicativo de mensagens, vendo que era de Frederick.

Frederick [25/02/2018 13:47]: Oi. Não precisa voltar para cá. Seus pais já estão em Lima e levaram suas coisas.

Com a testa franzida, Breaden leu e releu a mensagem mais de cinco vezes. Algo estava errado com o mais velho e ela tinha plena noção, apenas não sabia o que era em si. 

- Não precisa mais... Meus pais voltaram para Lima e pregaram minhas coisas - seu semblante era fechado, a preocupação era grande.



Era segunda feira e o clima não podia estar pior. Havia um clima de tensão entre todos. E não era apenas esse clima que estava ruim, uma forte tempestade se encontrava presente do lado de fora.

Ninguém estava dando uma mínima moral para o professor de história, afinal, quem ligava para como os romanos foram bem filhos da mãe durante seu auge?!

Se na sala de aula o clima estava estranho, no refeitório estava mil vezes pior. Andrea não direcionava a palavra para Breaden e esta também não media esforços para tal; Ann e Nate estavam quietos em seus respectivos assentos, enquanto Nick e Aspen olhavam acusadoramente para o casal e Juddy tinha uma expressão de confusão; Rachel murmurava baixinho com Lauren enquanto se distraíam com batata frita; Yhsa, diferente de todos, tentava amenizar o clima entre todos, mas estava falhando miseravelmente.

De volta à sala, no quinto tempo de aula, a diretora aparecera na sala, com um sorriso gentil, que não fora retribuído pelos outros.

- Bom dia, perdão por interromper a aula. Nick Campbell, por favor, me acompanhe. Seu pai está lhe esperando.

Todos, principalmente seus amigos, encararam o garoto, que mantinha a expressão fechada.


Já no carro, Nick encarava a rua enquanto o carro seguida em frente. Seu semblante estava totalmente fechado. Um silêncio estava instalado no carro, mas Nick não queria prolonga-lo por muito tempo.

- O que está fazendo aqui?

- Ora, um pai não pode visitar o filho? - o homem mais velho respondeu com um tom divertido.

- E desde quando você se preocupa com o termo "filho", Edward?! - Nick solta com um rompante. - Pelo amor de Deus não venha com essa de tentar recuperar o tempo perdido.

- Nick, todas as pessoas merecem uma segunda chance. Eu mudei. Estou tentando me reaproximar, tentando ser um pai melhor.

- Essa sua história está muito mal contada. Não prefere abrir logo o jogo?

- Agindo assim, me faz pensar que sua mãe não te educou direito.

- Pois tenha plena noção de que a educação que ela me deu não poderia ser mais esplêndida. Você é que parece não ter mudado nada. E sinceramente, eu duvido muito que você tenha realmente mudado.

- Ela pode ter te dado uma boa educação, mas mesmo assim você precisava de uma influência masculina para...

- Pode calar a sua boa. Será que você não percebe o quão babaca e machista foi a sua fala? O que? Só porque ela é mulher, não pode me dar uma boa educação? Francamente... Não é pelo fato de eu ter sido criado apenas pela minha mãe que eu vou ser mais ou menos homem. E antes que você tente falar alguma coisa, eu estava escutando atrás da porta quando você cuspiu na cara da minha mãe que num futuro próximo eu iria ser a vadia do clube de futebol por ser criado por uma mulher e por gostar de poesia. Isso sempre foi a minha vida e você sempre me julgou por isso.

- Olha, eu vou ignorar metade do que você disse. Estou muito decepcionado por estar sendo tratado assim.

Nick resolveu não questionar mais nada. Preferiu que não iria desperdiçar saliva tentando colocar um pouco de senso naquela mente ignorante do cara que, infelizmente, fizera parte de sua geração.

Depois de um almoço, digamos que, desconfortável, Edward fazia o caminho que há muito não fazia. Nick ainda continuava emburrado em seu canto. O silêncio preenchia o local, até seu pai o destroça-lo.

- Você me perguntou o que eu estava fazendo aqui. Bom, a empresa está crescendo, mesmo depois da morte do seu tio. Eu preciso de uma pessoa para me ajudar no comando, e como seus primos infelizmente não estão mais entre nós, esse cargo pertence a você. Ou seja, quero que venha morar comigo, faça a faculdade de administração e me ajude com a empresa.

Nick soltou uma risada irônica, mas não deixou de expressar surpresa. Realmente não conseguia acreditar nas palavras daquele homem. Ele havia mesmo tido a cara de pau para lhe fazer um pedido tão absurdo assim.

- Por mais que eu ainda esteja um pouco atônito por suas palavras, eu já sei minha resposta. E é não. Três anos atrás quando você veio com esse papo de assumir a empresa e essas coisas, eu te disse que preferia ficar trancado no inferno sendo torturado por Azazel. Três anos depois, digo que minha opinião não mudou. Sinceramente, aproveitando que estamos tendo uma conversa aberta e clara, eu prefiro qualquer coisa na vida do que ser algemado a você pelo resto da vida - assim que as palavras foram proferidas, Nick se preparou para sair do carro, que estava estacionado na parta de sua casa, mas uma mão em seu pulso o impediu.

- Reveja suas palavras! Quem você pensa que é para falar assim comigo? Eu ainda sou seu pai, mereço respeito!

- Sinto muito em te dizer, mas eu sou um ser humano bem melhor que você. E sendo sincero, você perdeu todo o respeito quando matou o meu avô e saiu por aquela porta sem ser punido por seus crimes - e com isso, Nick puxou seu pulso, aproveitando o baque que suas palavras haviam causado e saiu do carro, correndo para casa.



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