História Neighbors: Next Door - Capítulo 24


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 18
Palavras 4.643
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Bom, depois de pensar, esquematizar tudo, decidi que serão apenas apenas mais dois capítulos para o fim dessa temporada.
SIM! TEREMOS UMA SEGUNDA TEMP!!!!
Porém, só irei começar a postar no meado do ano que vem. É, e talvez eu faça mais uns três ou quatro capítulos extras, pra encerrar algumas partes de alguns personagens e especial de Ano Novo.
Acho que é só isso. Até mais...

Capítulo 24 - "I love her" "You think that love her"


Lima, Ohio 20/06/2017

- Tudo bem. Eu vou cuidar de tudo por aqui. - Octavian sussurrava ao telefone. - Não, eu... Quando irá sair? Estou com saudades. A mamãe não quer nos deixar ir te ver. ... Ei! Até agora eu fiz tudo que te prometi, não fiz nada que abalasse minha lealdade.

Octavian conversava distraídamente no telefone que não notou a aproximação de Vivian. A mulher escutava atentamente a conversa, mas em certo ponto não aguentara mais, e então, arrancou o telefone das mãos do garoto, finalizando a chamada.

- Quantas vezes eu já te pedi para não falar com ele?

- Você não tem o direito! Ele é o meu...

- Ele não é nada seu. Pelo amor de Deus, Octavian! Me escute pelo menos uma vez na vida, eu estou tentando proteger você e seu irmão...

- Proteger do mesmo jeito que você  a protegeu?

- Isso não tem nada haver com ela, tem haver com vocês. Eu não posso deixar que ele manipule você e seu irmão. Vocês são a única coisa positiva que me sobrou depois daquele pesadelo...

- Já parou para pensar que todo esse "pesadelo" possa ter sido culpa sua? - Octavian não olhou mais para a face da mãe, apenas pegou a mochila e seguiu o seu caminho para a escola.


Breaden Mayers, Ryan Roses School

Assim que adentrei o lugar, recebi alguns olhares e sussurros vindos do canto, mas não me deixei abalar, coloquei um sorriso no rosto e segui meu rumo até a sala. Por mais que eu tenha saído do inferno semana passada, já estava naquele lugar horrível e de pé indo para o inferno dois.

Por ser terça feira, metade do pessoal da minha sala chegava atrasado, justamente para perder o primeiro tempo de geografia, o professor era um saco. Sentei no último lugar da fileira do canto. Peguei o caderno dos pensamentos e abri em uma folha aleatória, e que era justamente a página do desenho daquela mulher. Quem ela seria? Por que eu a desenhei?

Sobressaltei-me quando pegaram o caderno da mesa. Encarei Nick que encarava o desenho com a testa franzida. Suspirei pensando nas coisas estranhas e bizarras que ele deve estar pensando sobre mim.

- Legal, masoquista, mas legal. Como se sente?

- Na mesma. Minha cabeça ainda dói, mas estou melhor do que esperava. Cadê a Jud?

- Não lhe culpo, ter parafusos na cabeça não é um bom passatempo. - sorri sem humor, observando-o colocar o caderno na mesa e espreguiçar-se na cadeira. - Vai chegar atrasada hoje. Ontem foi um sufoco para fazê-la dormir. - Suspirei - A culpa não é sua, relaxa. Aconteceu alguma coisa lá na família dela e...

- É muito grave?

- Os dois vão persistir na conversa? - o professor gritou, olhando em nossa direção.

Nick ergueu os braços em rendição, com uma cara de tédio e eu apenas revirei os olhos, encarando o professor com um falso interesse. Obviamente ele ficou irritado, surpreendi-me por não ser posta para fora de sala. Suspirei e observei Andrea e Rachel chegarem, quase se fundindo à parede para passarem despercebidas.


Quase no final da aula pedi para beber água. Eu não estava me sentindo bem. Foi como se minha garganta fechasse e o ar fosse bloqueado, uma tremedeira na mão e meu corpo suava, juro que podia sentir as gotinhas escorrendo por minhas costas.

Virei os corredores sem saber ao certo para onde estava indo. Minha mente girou por um momento e pensei ser efeito colateral dos remédios e mais os parafusos. Senti mãos segurarem meu braço. Encarei assustada o rosto do ser humano em minha frente.

- Breaden? O que está fazendo aqui? Me disseram que...

- Faz alguma coisa que preste e me tira daqui, Octavian.

- Okay, pra você me chamar pelo nome a coisa está feia.

Nessa hora tive que controlar muito, mas muito, a minha raiva, além de orar para tudo quanto é divindade para não dar na cara do ser estúpido em minha frente. Suspirei trêmula, deixando que ele me arrastasse pra onde Deus quisesse.


Estávamos sentados sobre a sombra de uma das árvores do pátio. Minha tremedeira e o suor haviam passado, mas respirar ainda era difícil. Ele me encarava preocupado, queria perguntar alguma coisa, mas parecia estar em dúvida, como se tivesse duas opções: uma eu o matava outra eu respondia numa boa. Suspirei pela milésima vez no dia. Eu odiava que sentissem pena de mim, lá eles eram galinhas para tal feito? Acho que não.

- Vou voltar para minha aula. Logo logo o pessoal estará vindo atrás de mim, e sinceramente, ninguém quer isso.

- Mas... Você 'tá legal? Sabe, eu posso ter sido um idiota ou... até mais o mais estúpido dos estúpidos chamando vocês para a Beifong, mas me importo com você.

- Olha, palavras tocantes, 'tô até emocionada, vê as lágrimas? - O encarei séria. - Eu ja tenho quase quinze ou quatorze pessoas no meu pé não preciso de mais uma. Mas obrigada pela ajuda, quando precisar, sabe onde me encontrar, vizinho.

Levantei e não olhei para trás. Insensível? Talvez um pouco, mas fazer o que?! Adentrei o colégio novamente e corri para a sala e, graças a Deus, os professores já haviam trocado o turno (Ah, graças aos meus amigos também, que pegaram meu material e transferiram para a outra sala). Sorri minimamente para o professor, que retribuiu com um joinha. Corri e sentei-me ao lado de Juddy, com a testa franzida. Rachel nos encarava com puro ódio e então parei para reparar melhor. Tate estava sentado com Nick, Andrea com Nate, eu estava com a Juddy e Rachel... Ah saquei qual era o assunto.

Para os desinformados, nós tínhamos umas desconfianças. O início de tudo se deu quando Rachel começou com uma paranoia, de que um garoto da sala, Robbie, ficava encarando a gente, de início eu pensei "Meu Deus, essa menina é louca", porém, depois que, não só eu mas todos, começamos a reparar, ele realmente ficava nos encarando, só que a dúvida que permaneceu foi: para quem ele estava olhando? Resolvemos fazer testes. Andrea o chamou para sair com a gente um dia e ele agiu normal, agora seria a vez de Rachel, que seria acompanhá-lo no trabalho de Química. Sorri encarando os demais, principalmente Andrea, que carregava um sorriso radiante no rosto.

- Vocês não prestam... - sussurrei.

- Descobriu isso agora? - ela perguntou baixo, enquanto copiava o que estava no quadro. - Onde estava?

- Lá fora tomando um ar. Mal faz uma semana que saí daquele lugar e ele já está me afetando. Eu não sei o que é pior... Hoje aconteceu uma coisa estranha.

- Vixi, lá vem.


Acordei antes do horário. Pela costume de não dormir a noite, voltar a me acostumar foi difícil. Em plenas cinco da manhã, fui ao banheiro, fazer minha higiene matinal e pentear o cabelo. Encarei meu reflexo no espelho. Eu estava horrível. As marcas dos parafusos estavam gritantes, minhas olheiras estavam mais fundas que uma cova, meus lábios estavam rachados, e tenho quase certeza de que estou mais pálida. Suspirei sofrida.

Senti alguém colocar a mão em meu ombro, a princípio pensei que fosse minha mãe, então permiti-me abaixar a cabeça e chorar.

- Não chore, querida - uma voz desconhecida por mim disse. Levantei o rosto e encarei o ser. Quem era aquela mulher?

Ela era um pouco mais baixa do que eu, cabelos longos e pretos iam até o final das costas, seus olhos me lembravam alguém conhecido, mas meu espanto era tanto que eu nem estava processando o que acontecia.

- Não se preocupe, não irei lhe machucar. Não eu, mas outros tentarão. Você é forte querida, e com eles ao seu lado com certeza irá conseguir.

- E-eu... Eu não entendo. Quem é você?

- Meu nome é Meredith. Você não chegou a me conhecer, mas esse não é o ponto. Não culpe aqueles que lhe juraram lealdade, você pode até saber a cor de seus olhos, mas não saberá de toda a sua vida.

E então ela sumiu em uma brisa reconfortante. Encarei meu reflexo novamente e não me reconheci. Minha face era tomada por uma melancolia eminente, meu coração batia forte. O que suas palavras queriam dizer?

Desci as escadas e meu avô já estava sentado à mesa, tomando seu típico café. Sorri e o abracei. Contornei a mesa e peguei um copo de suco. Ao mesmo tempo em que bebia, eu hesitava. Quem seria aquela mulher? Por que eu? Na verdade, o que seria aquela mulher?

- O que houve, Brea?

- Nada, vovô. Não se preocupe.

- Eu sei que é algo. Vamos, diga.

- Quem é Meredith? O que está acontecendo comigo? Eu realmente fiquei louca pelos poucos dias que passei lá? O que eu sou....?

- Muito bem, vamos por partes. Meredith era sua bisavó, ela morreu um pouco antes de você nascer, não me surpreendo que ela tenha vindo atrás de você agora, afinal, era um sonho ter uma bisneta para ensinar as artes culinárias.

- M-mas... ela não devia estar morta?

- E está. Aquilo que você viu foi o espírito dela. Não se assuste, devido ao que aconteceu na Beifong isso se tornará um pouco mais frequente.

- M-ma...

- Não se preocupe, querida. Não é nada grave. Ainda.


- E foi isso. Logo depois de sair do hospício recebo a notícia de que vejo gente morta. Isso é realmente uma armadilha do destino para me jogar de vez naquele lugar horrível?!

- Vamos com calma, amore - franzi a testa pelo nome. - Então tecnicamente você é como o seu personagem preferido em...

- Nem perca seu tempo completando a frase. Olha, eu estou surtando. Acho que parafusos na cabeça era uma saída melhor.

- Pare de falar besteiras! - Juddy, em um ato muito maduro, jogou meu cabelo em meu rosto. - Olha, eu realmente não sei o que está acontecendo, mas algo na Beifong te afetou e você não está sabendo lidar.

- Ah, jura? Nem tinha reparado. - encarei a porta, assim como todos, observando Peters entrar na sala e ir falar com o professor.

- Pode ir lá, Breaden.

Encarei Juddy por alguns segundos e levantei, indo até a porta e saindo da sala. Nos afastamos em uma distância considerável da sala. Encarei Peters em busca de respostas.

- Já estamos com tudo pronto. Frederick disse que ia passar lá em casa mais tarde e já resolvi o problema da Yhsa também.

- Okay, quanto menos tempo perdermos agora, melhor.

- Como está se sentindo?

- Sinceramente? Não sei. Algumas coisas estão passando por minha mente mas não consegui chegar a lugar algum. Sabe, eu estava pensando esses dias, por que motivos o Octavian nos convidou para fazer o "tour animado de verão" pela Beifong?

- Não sei. Na verdade eu já cheguei a perguntar, mas a resposta que obtive foi "meus amigos são um bando de medrosos e vocês pareciam ser um pessoal que topava tudo, fora que eu estava curioso".

- Ele está mentindo - sorri sem humor. - Sabe qual é a minha opinião sobre tudo isso? Não podemos confiar em mais ninguém. Chegaremos a um ponto em que nem em nossa própria sombra iremos confiar.

- Espero que você esteja profundamente errada sobre isso. Bem, estou voltando para minha sala, qualquer coisa me chama lá na sala. Frederick está sentado ao meu lado.

- Não se preocupe. Espero não precisar.

Assim que entrei na sala, meu celular vibrou. Assim como o de Juddy, Nate, Nick e Tate. Nos entreolhamos. Eu ainda estava na porta, com o professor e metade da sala olhando para mim. Claro que, como a pessoa mais inteligente do mundo, corri para a mesa e guardei todo o material, jogando a mochila nas costas. Os outros quatro me acompanharam. Encarei o professor com um breve aceno de "Desculpa o transtorno, mas precisamos ir". Encontramos com Frederick, Octavian e Peters. Não comentamos nada uns com os outros, apenas seguimos o caminho sem a devida permissão.


Chegamos até o local marcado, encontrando Annabell com cara de sono, Yhsa apoiada em Laurence quase dormindo. Sorri com as cenas.

- Essa coisa não podia escolher um horário em que nós já estivéssemos fora da escola? Daqui a pouco a diretora está ligando para nossas casas. - Peters comentou, irritado.

- Quanta inocência. Já estão ligando para as casas. - Yhsa disse, com o típico bom humor diário.

- Ainda bem que moro com um idiota, não há responsáveis para ligar. - Tate comentou suspirando, enquanto apoiava a cabeça sobre a minha, jogando boa parte de seu peso sobre mim.

- Eu não sou apoio, sacou? - Digo com a cara emburrada.

- Sinto muito informar, mas agora é sim. - Suspirei por meu namorado ser um idiota folgado. - Essa coisa não vai aparecer?

- Cala a boca... ninguém quer receber uma sentença de morte. - Annabell comentou, apoiada em Nate, quase dormindo. - Mas que droga, não se pode mais dormir em paz.

TÃO JOVENS E TÃO ESTRESSANTES. POR QUE RECLAMAM TANTO?! VAMOS AOS  JOGOS. TATE, POR QUE NÃO DIZ PARA BREADEN O QUE ESTÁ ESCONDENDO?

- Eu digo, mas com uma condição. - Tate disse encarando as palavras no chão. O encarei. Como assim "escondendo" coisas de mim? - Eu digo o que tenho que dizer se você tirar dois de nós do jogo.

EU NÃO IREI TIRAR MAIS NINGUÉM! VOCÊS JÁ ESTÃO FAZENDO A MINHA PACIÊNCIA PASSAR DOS LIMITES!

- Então, você quem sabe... Eu assumo a responsabilidade por todos, se você não liberar ninguém, ninguém aqui irá falar.

- Ele é louco? - Peters me perguntou, apenas movendo os lábios.

- Acho que sim! - Annabell sussurrou.

Observei Nick abraçar Juddy, de forma protetora, e encarar Nate, que fizera o mesmo com Annabell. Laurence e Yhsa aproximaram-se um pouco, como se temessem que algo acontecesse. Octavian e Peters aproximaram-se de mim. Frederick ficou ao lado de Tate.

O chão começou a tremer um pouco, e temi que o prédio todo desabasse. O vento forte bagunçava nosso cabelo. Das letras conheçou a borbulhar algo que parecia sangue. Ninguém ligou muito, parece que já estávamos acostumados com tantas "ameaças" que não ligavamos mais.

- Minha cara, senhora... Não importa mais quantos truques você tenha, não estamos mais em seus joguinhos. Tire Laurence e Nate do jogo.

- O que? Não! Tire a Ann no meu lugar. - Nate gritou.

- Nath, não se preocupe comigo. A Breaden é minha amiga, e eu vou ficar com ela até o final. E-eu... Eu sei que agi de forma infantil, e você também, mas do mesmo jeito que você ficaria ao lado dos meninos, eu vou ficar ao lado da minha amiga. Eu te amo mais que tudo, espere por mim quando isso acabar. - Annabell dizia enquanto encarava Nate. Se não estivéssemos em uma situação tão arriscada, provavelmente, eu e Juddy estaríamos morrendo em lágrimas.

- Tem certeza que é isso, Tate? - Frederick perguntou baixo para ele. Franzi a testa.

- Sim, cale a boca. - Tate encarou as letras no chão. - Tire-os agora.

AH, VOCÊS ESTÃO EM MEUS JOGOS SIM. VOCÊ É HABILIDOSO, TATE, MAS NÃO PARA MIM.

E nesse mesmo momento Nate e Laurence desapareceram do local e todos foram presos no chão, o nível de sangue que borbulhava começou a aumentar. Encarei Tate, alarmada. Ele parecia ter um plano, mas não sabia ao certo como executá-lo.

Ou pelo menos era o que eu achava antes de ver o sinal de "Encara só", que tecnicamente se baseava em apontar para quem precisasse mentir, com a mão em forma de uma arma. Fazíamos isso direto quando passávamos da hora e meus pais perguntavam o que dois adolescentes faziam até aquela hora na rua. E não, o nome disso não tem nada haver com o gesto.

- Tate, pode falar... Eu não vou me importar. - Digo rápido, olhando o nível do sangue aumentar mais, batendo em meus joelhos.

- Bom... eu venho tentando esconder, mas não consigo mais. Você precisa me desculpar, mas... Eu não tem amo mais. - Houve um coro momentâneo de oh's, mas eu não podia sair do personagem, então, coloquei uma expressão de pura indignação no rosto.

- Como assim você não me ama mais?! E-E os nossos planos? E o apartamento no Kansas? Você mentiu para mim nesse tempo todo? - berrei.

- Olha... Desculpa. Em alguns tempos e conversas com Frederick percebi que eu estava com a pessoa errada. Ele me fez perceber que eu não te amava, Brea... e sim o Octavian. - Tate virou-se para ele. - Naquele dia, com aquela brincadeira idiota, eu senti algo diferente, algo que eu nunca tinha sentido, exatamente quando te beijei... E quando fomos para o quarto então...

- Espera um momento, você está me trocando por um merdinha como ele? EU VOU TE MATAR SEU FILHA DA PUTA! - Gritei.

ISSO, BREADEN. COMO A SENTE AO SABER QUE FOI TRAÍDA POR AQUELE QUE MAIS CONFIAVA E AMAVA? VOCÊ PODE DECIDIR O DESTINO DELE. VOCÊ PODE TER SUA VINGANÇA.

- Sim... Eu... Eu sinto.... absolutamente nada. Nada é o que eu estou sentindo agora.

- Mas... O que? - Yhsa perguntou-se baixo. Sorri mais ainda, olhando para Ann e Juddy.

- Sabe porque eu não sinto nada? Porque você está perdendo o seu poder. Você não nos assusta mais. Se estiver aqui agora, que até para isso eu presumo que você seja fraca o suficiente, olhe no no rosto de cada um e não verá nada. Você está perdendo a força.

- Hã... Breaden, você... - Juddy começou, mas a enterrompi.

- Juddy, pense em pum de arco-íris. - Encarei as palavras que sumiam aos poucos. - Você está desesperada por atenção pois sabe que não nos tem mais no controle - naquele momento senti meus pés mais leves, eu podia senti-los novamente - e precisa de alguém para suprir suas necessidades. E é por isso que eu lhe proponho agora... Um último encontro na Beifong. Se você vencer, tudo bem, pode levar a alma ou o que quiser de todos nós aqui, mas se ganharmos... Você irá sumir de nossas vidas para sempre.

Todo o sangue que estava quase alcançando nosso pescoço, evaporou. A má notícia era que nossas roupas estavam encharcadas do líquido vermelho viscoso. Encarei Octavian que estava quase tendo um treco por causa disso. Encarei Peters e rimos disfarçadamente.


A sorte de Octavian foi que mesmo o prédio estando abandonado, ainda havia água encanada e algumas roupas largadas pelos andares. E a nossa maior sorte foi ter passado na casa de Nick e deixado as mochilas com os pertences pessoais.

Assim que todos terminaram de tomar seus devidos banhos e trocar de roupa, nos sentamos em círculo. Ninguém disse nada, apenas encaramos o chão.

- Bom, já que ninguém vai se pronunciar, lá vou eu. Vocês são o que? O casalzinho de virgens suicidas? Sério, que loucura foi aquela? - Peters perguntou, encarando Tate e eu.

- Era preciso. Para dominar a situação precisamos estar inabaláveis. Mostrar que isso não nos afeta mais. - Digo encarando o chão.

- Ela está perdendo a força. - Tate disse e encarou todos ali. - Se pararmos de temê-la, ela irá enfraquecer, porém, isso tem um preço.

- E qual seria? - Nick e Juddy perguntaram ao mesmo tempo.

- Fúria. Conforme ela vai enfraquecendo, mais raiva ela vai absorvendo, e depois de algum tempo essa raiva simplesmente... explode. E quando explodir, nós seremos os trabalhadores que ficaram em Chernobyl.

- E como você sabe disso tudo, rapaz? - Yhsa perguntou, despertando a curiosidade nos demais.

- Bom, eu tenho uma vida fora da escola. Antes de dormir gosto de pesquisar sobre coisas sem sentido, consequentemente, caí em um site que falava de entidades e afins. Quando eram enfraquecidas pela falta de crença, elas se revoltavam e guardavam o ódio, a raiva, o rancor dentro de si, até o momento de não aguentar mais e explodir. Se não for controlado por alguém capaz, geralmente, uma maldição ou outra é jogada pela cidade.

- Parece que alguém não faltou nenhuma aula... - Annabell comentou baixo, sorri com as palavras. - Já entendi, mas como iremos detê-la?

- Teremos que esperar até que ela dê os devidos sinais de que está quase no limite. - Frederick disse, pela primeira vez em muito tempo. O encarei e ele me encarou de volta, mas não durou muito tempo, já que eu não aguentei sustentar o olhar por muito tempo.

- Bom já que tudo se resolveu, não sentimos mais medo daquela coisa, que tal irmos para ca... - Peters foi interrompido.

- Só um minuto. - Octavian encarou Tate. - Por que caralhas de motivos você disse que me amava? Cara, qual é, desencana! Aquilo foi um maldito beijo escroto. Estávamos bêbados!

Encarei Juddy, que encarou Nick, que encarou Tate, que encarou Frederick, que encarou Peters, que encarou Ann, que encarou Yhsa. E todos nós rimos como se algo realmente engraçado tivesse acontecido. Ai, ai... quanta inocência.

- Seu tapado, eu não te amo. Era só uma distração. Fique tranquilo que o seu posto de hétero encalhado ainda está intacto.

- Nossa, piadista você, hein.

- Surpresa a minha você não saber disso. Vamos, pessoal? Parte de nós precisa explicar em casa o motivo de sair no meio da aula.


Autora

19:37, Casa de Peters

Frederick revirara o olho e apertara a campainha pela quinquagésima vez dentro dos dez minutos que estava parado em frente a porta do apartamento.

Como uma graça divina, Peters finalmente abrira a porta. Ele estava com o cabelo molhado e enrolado em um roupão. Parecia ter saído do chuveiro agora.

- Mas que coisa chata, hein?! Da próxima vez você liga avisando que horas vai vir e não simplesmente aparecer na minha porta.

- Já acabou o show? - Frederick invadira o apartamento, mesmo que Peters não tenha o convidado para entrar. - Tem remédio para dor de cabeça?

Peters andou até o armário na cozinha, pegando a caixa de medicamentos. Encarou os dois comprimidos, sem saber ao certo se fazia a coisa errada ou a certa. Resolveu fazer a certa por desencargo de consciência. Pegou o comprido azul e estendeu a Frederick. Enquanto observava o mesmo engolir o comprido, se perguntava se deveria tocar no assunto. Mas como o abordaria? Hey, de onde surgiu a ideia de internar a Brea? Ou então Por que diabos você fez isso? Porém, ao mesmo tempo que gostaria de arrancar as tripas do amigo, uma parte racional de si compreendia que se ele tinha feito o que fez, foi por um motivo, seja ele bom ou ruim. Infelizmente a curiosidade era algo que lhe falava mais alto, por isso, sentou-se ao lado do amigo e esperou que o mesmo falasse.

- Está esperando que eu diga alguma coisa... É o que todos estão esperando. Que eu diga alguma coisa. Mas sabe? Eu não vou dizer nada, até porque eu não tenho culpa na droga do cartório.

- Eu sei. Acredito em você. Assim, não totalmente. Mas acredito que se fez o que fez, é porquê tinha motivos para tal.

- Obrigado. Enfim, encontrou o cinturão?

- Sim, estão nas coisas da minha mãe. Me acompanhe. - Levantaram-se e caminharam pelo corredor que levava ao Closet.


Estava em uma caixa pequena. Um rolo de, aproximadamente, quarenta bilhões. Peters abrira a caixa com cuidado e retirara o objetivo de lá do mesmo jeito.

- Por que precisa disso?

- Segurança. Segunda opção. Uma chance de vencer. Se alguém estiver prestes a morrer, usaremos isso.

- Tudo bem. Confio em você. O que acha de maratonar?

- Como nos velhos tempos.


21/06/2017, Tate, Ryan Roses, 11:45

Eu estava de mãos dadas com Breaden. Estávamos indo para o refeitório. O professor de história tivera que sair mais cedo, mas deixou um trabalho para fazermos. Se isso foi um saco? Completamente, mas era preciso, precisávamos da nota para passar.

Quando passamos pelo corredor principal, vi de longe Frederick conversando com algumas pessoas. Ele me encarou. Se não fosse por Breaden estar me arrastando, provavelmente eu iria ficar parado, o encarando. Suspirei e segui meu caminho.

Até meu celular vibrar.

Era uma mensagem de Frederick.

Frederick: Me encontra naquele lugar. Preciso conversar com você.

Senti uma repulsa subir por meu peito e, consequentemente, apertei forte demais a mão de Breaden.

- Tay, tá tudo bem? Você... tá vermelho.

- N-não é nada. Eu te disse que comer aquela bomba de gordura não ia dar muito certo. Tá me dando enjoo. Já encontro com vocês. - digo apressado e dou um beijo rápido em Breaden.


Virei o corredor e vi Frederick parado. Suspirei tentando controlar a falsa vontade de vomitar. Andei até ele e o encarei.

- Dois motivos para eu não perder a cabeça e quebrar a sua cara aqui mesmo.

- Vocês acabaram de destruir a Breaden. Por mais que estivesse sofrendo lá dentro, estava a salvo.

- A salvo? Sério? Que tipo de problema você tem? Eu não contei nada a ela porque sei que sua reação não vai ser boa, mas há três noites seguidas ela acorda gritando por ajuda, isso quando não são gritos de agonia! A mente dela já estava ferrada, e agora, o fio de sanidade que tinha, está por um tris. E sim, isso é sua culpa.

- Não. A culpa não é minha, e sabe por quê? Porque aqui, no meio da gente, ela pode entrar na mente dela e fazer o que quiser, desde controla-la até coisa pior. Naquele maldito lugar, a mente dela estava bloqueada, pois tudo que rondava em sua mente era a luta diária para sobreviver! Para de ser estúpido e perceba logo que eu estou certo! Você nunca se importou de verdade, por que se importa agora?

- Eu sempre me importei! Eu só aceitei essa merda porque fui obrigado! E fora que eu a amo... Não vou cometer o mesmo erro duas vezes.

- Você a ama ou a usa como uma espécie de mantra para se manter na linha? Tate, Tate... nós dois sabemos o quão danificada a sua mente é, e para controlar esse sentimento de destruição você precisa de uma âncora. Não confunda utilidade própria com generosidade.

- Ele está certo. - Ouvimos uma voz estranhamente conhecida e nos viramos para trás.

- Breaden?! - Frederick e eu dissemos em uníssono.

- Nha, nome errado. - Ela nos encarou com a típica raiva. - Vocês estão perdendo tempo, e Tate... você era tão fiel a mim, o que está acontecendo?

Sorri. Era hora de mentir novamente.

- Como você quer tê-la? Fazendo perguntinhas idiotas e ameaçando os amigos dela? Não... Você precisa avançar aos poucos, ganhar a confiança da pessoa e, aí sim, dar o bote.

- Estou orgulhosa de você, Tate. Continue assim e talvez eu pense em poupar sua vida. - Ela nos encarou no olho. - Sobre o que estavam conversando no prédio? Não consegui ouvi-los... Sabem de alguma coisa?

- Estávamos cativando o medo novamente. Dissemos que está mais forte que nunca e aquele momento de fraqueza foi momentâneo, uma distração. Eles podem não demonstrar, mas estão confusos e preocupados. - Frederick disse a encarando nos olhos.

- Espero... Se algo estiver sendo feito contra mim, irei fazer questão de matá-los com minhas próprias mãos e jogar suas almas no vazio. Ninguém, nem mesmo seus pais ou familiares, irão se lembrar de vocês.

- Você é quem manda... - Digo com um sorriso simpático, observando-a dissolver-se no meio do corredor. - Pelo menos sabemos que o selo funciona.

- É, mas teremos que saber se o resto ainda irá funcionar...

" Não culpe aqueles que lhe juraram lealdade, você pode até saber a cor de seus olhos, mas não saberá de toda a sua vida." 



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