História Nell'Acqua Stregato - Capítulo 1


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Categorias Harry Potter, Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, TenTen Mitsashi
Tags Desafioaceito, Desafiofantasianejiten, Desafiorevialnejiten, Hogwarts, Naruto, Nejiten, Tribruxo
Visualizações 39
Palavras 4.444
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Fantasia, Ficção Adolescente, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Pensa numa pessoa ansiosa pra postar uma história... agora multiplica por 2. Sou eu com essa fic.
O grupo "Fanáticas por Nejiten" começou um projeto mensal de fanfics e o tema desse mês é fantasia. Agora alguns esclarecimentos:
- Dá pra ler a fic sem ter lido/assistido Harry Potter e o Cálice de Fogo, mas muita coisa fica confusa;
- Eu não li a saga completa de Harry Potter, mas pesquisei bastante em A pedra Filosofal e em Cálice de Fogo pra pegar as descrições bonitinhas de cada lugar e cada cena;
- Os feitiços usados aqui foram todos tirados de sites estilo wikia e fanlore da saga. Não sei se todos são realmente assim ou se existem níveis que os bruxos precisam ter pra executar cada feitiço, só usei conforme achava certo;
- Gaara e Temari não são irmãos;
- Nascidos trouxas são os bruxos filhos de ambos pais normais, que não fazem magia;
- A escolha das casas de cada personagem não foi só por popularidade. Eu li bastante descrições dos tipos de alunos de cada uma e pesquisei muiiitas opiniões de fãs sobre qual casa cada um se encontrava. Tenten na maioria era descrita como da Grifinória ou da Lufa-Lufa e Neji da Sonserina ou Corvinal. Pra escolher ai sim eu fui com a minha visão de cada um deles e acho que no final cada personagem combina muito com sua respectiva casa.
- DATAS E HORÁRIOS SÃO IMPORTANTES. A HISTÓRIA SE PASSA NO PRESENTE (FEVEREIRO) COM ALGUNS FLASHES DO PASSADO (DEZEMBRO).
É isso, perdão pela enrolação. Boa leitura.

Capítulo 1 - A Segunda Tarefa


Fanfic / Fanfiction Nell'Acqua Stregato - Capítulo 1 - A Segunda Tarefa


Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts
Algum lugar ao sul da Escócia
Lago Negro
24 de fevereiro ▪ 11h05min

Tenten nunca fora tão grata por ser uma nascida trouxa.

Felizmente, seu primeiro instinto não foi respirar fundo porque se tivesse feito isso as chances de ganhar uma passagem só de ida no expresso sereiano seriam bem maiores. A morena tinha crescido treinando para ser nadadora (por influência total de seus pais) então, assim que começou a recobrar a consciência, pôde perceber a diferença de pressão que só era possível debaixo d'água e tratou de manter o resto de ar que tinha — sabe-se lá como — dentro dos pulmões que começavam a querer arder. 

Tenten arregalou os olhos quando sentiu algo a arrastar pelo tornozelo, mas não conseguia enxergar nada por causa da turbidez da água, sem contar que a profundidade em que estava impedia quase totalmente a entrada de luz. A impressão era de ser ao menos pôr do sol, mas aquilo seria impossível; não era nem nove horas quando estava na Torre da Grifinória se preparando para acompanhar a segunda tarefa do Torneio Tribruxo e torcer por Neji — causa da ira de seus colegas ao descobrirem que ela estava apoiando um aluno da Sonserina ao invés de Naruto, como todos os outros de sua casa deveriam fazer. 

Começando a entrar em desespero, a bruxa agarrou a corda em sua perna e a puxou de volta reprimindo um grito quando viu as feições monstruosas da sereia que a levava para deus-sabe-onde naquele lago. Por reflexo, levou a mão ao bolso procurando por sua varinha e sentiu o coração perder um compasso no momento em que entendeu que ela não estava consigo. Tenten se debateu e desferiu os chutes mais fortes que conseguia contra a criatura marinha, mas sabia que aquilo não duraria muito porque sua garganta começava a queimar e o peito a apertar, demandando nova carga de ar. Seus tímpanos estavam prestes a explodir. Teria tentado roubar a lança da mulher metade-peixe se não fosse pela limitação respiratória, porém preferiu nem tentar.  Seria seu fim. 

Seria, não fosse pelo fantasma da Murta Que Geme que ao longe apontava para baixo, indicando à Mitsashi que olhasse para o fundo do lago. “Lembre-se de agradecê-la depois”. Lá estava sua varinha de tília e pena de Grifo, enganchada no musgo que pendia nas pedras. Juntando toda a força que tinha, Tenten se impulsionou na direção do objeto mágico e assim que conseguiu recuperá-lo se voltou para a sereia e soltou seu feitiço. “Quenterralopus!” disse, mas ao invés de sua voz, tudo que saiu de sua boca foram bolhas de ar. Seu resto crucial de oxigênio. Se aquilo não funcionasse…

Funcionou.

Um jato de água quente atingiu o ser a sua frente que, imediatamente, levou as mãos ao rosto e se afastou da jovem, fazendo Tenten quase respirar aliviada. Ainda não podia se dar a esse luxo. Relaxou os músculos e esperou a física fazer sua parte. “Se até os corpos mortos boiam, de um jeito ou de outro eu vou subir”. Só que estava demorando demais e o corpo de Tenten não dava sinais de que iria aguentar. Espasmos nas pernas; metade do caminho; escurecimento da visão; um terço até a superfície…

Foi então que lembrou-se de Neji e de todo o tempo que tinha passado acompanhando ele treinar o Feitiço Cabeça-de-bolha justamente para sua tarefa. Tinha assistido o melhor amigo realizá-lo vezes o suficiente e, talvez, tivesse chance de conseguir reproduzi-lo antes que suas costelas esmagassem seus pulmões. Beirando a inconsciência, executou o encantamento e acompanhou a formação da única bolha descendente que já vira na vida. A bolha se movia dolorosamente devagar, mas quando enfim alcançou a cabeça da Mitsashi, ela sentiu como se tivesse ido do inferno ao paraíso em questão de milissegundos; respirou tão forte que engasgou e encarou o resto da subida tossindo fora seus órgãos internos.

Enfim chegou à superfície e ficou lá, à deriva no meio do lago, esperando que de algum jeito fosse arrastada até a margem. Não deu certo.

Ela estava acabada, mesmo assim nadou até sentir cada um de seus músculos quase arrebentarem. Tenten não entendia nada da situação em que estava metida, mas ao chegar em terra firme simplesmente se jogou na grama e apagou.


Torre Norte
Castelo de Hogwarts
12 de dezembro ▪ 14h25min

Neji se virou assustado quando Rock Lee, do nada, tombou em seu ombro. Deveria estar acostumado porque o lufano sempre cochilava durante as aulas de Adivinhação e não prestava atenção. Não que aquela fosse a aula favorita do Hyuuga – na verdade, duvidava que alguém além de Tenten e Kimimmaru realmente dessem muita importância para o que a Srta. Yuuhi falava – mesmo assim, sendo o aluno exemplar que era,  Neji fazia o máximo para manter sua concentração apesar do cheiro doce e do calor agradável que vinham da lareira sempre acesa, e da iluminação baixa por causa das cortinas fechadas e dos abajures cobertos por xales vermelhos, que deixavam ao menos um terço dos jovens bruxos sonolentos. Cutucou o braço de Lee, acordando-o, e voltou o olhar para frente, encontrando os dedos inquietos de Tenten batendo contra a cerâmica da xícara enquanto ela franzia o cenho como fazia toda vez que estava extremamente focada. A morena levantou os olhos e Neji percebeu que sob aquele ângulo de luz, as írises castanhas dela pareciam escarlate como as da professora. Era belo e bizarro ao mesmo tempo. Mas quem era ele pra falar? Seus olhos eram praticamente lilases. 

— Senhorita Kurenai, por que raios estou vendo uma sereia nas minhas folhas? — ela perguntou com a sobrancelha arqueada e Neji acompanhou enquanto a docente se aproximava.

O sonserino encarou a própria caneca e forçou a vista, tentando enxergar alguma forma, porém sem sucesso. Esse era seu único problema com Adivinhação. A teoria fazia sentido, já que ele acreditava cegamente em destino e que todas as pessoas, ou ao menos todos os bruxos, tinham a vida inteira traçada de maneira prévia, logo, seria possível “ler” esse destino em algum lugar. Mas ele nunca tinha conseguido prever nada por nenhum dos métodos que a Srta. Yuuhi ensinou e isso o deixava extremamente frustrado. Acabava sendo uma matéria deveras inútil. 

Ou não, considerando que sempre que Tenten conseguia alguma coisa, ela ficava com um ótimo humor ao menos pelos três dias seguintes.

— Mitsashi, você sempre alcançando resultados surpreendentes nas aulas... — a feição da mais velha se iluminava de orgulho por ter uma aluna tão esforçada, e brilhante, ousaria dizer, quanto a jovem da Grifinória — Na segunda tentativa e já conseguiu ler as folhas de chá. Deixe-me ver, sim?

Tenten entregou a xícara nas mãos da professora e Neji fingiu não prestar atenção. Era o destino dela, e ele não queria parecer estar se intrometendo, mas ouviu Kurenai dizer que aquela previsão somente a garota poderia decifrar porque, aparentemente, envolvia outras pessoas próximas à morena, e que ela não sabia quem eram.

Assim que a mentora se afastou, o Hyuuga voltou sua atenção para a melhor amiga e viu lentamente o olhar dela migrar do fundo da caneca para ele e fitá-lo por alguns breves segundos. De repente, os olhos de Tenten se arregalaram e os lábios formaram um enorme sorriso, como se ela tivesse acabado de capturar o pomo de ouro durante um jogo de Quadribol.

— Eu tenho a sua resposta!


Banheiro dos monitores-chefes
Quarta porta à esquerda da estátua de Boris, o Pasmo▪ Quinto andar
Castelo de Hogwarts
13 de dezembro ▪ 00h00min

A Mitsashi não podia evitar amar aquele lugar.  Estar em uma “piscina”, por menor que fosse, sempre a fazia lembrar de casa. Desde que os alunos descobriram sobre o banheiro (e a enorme banheira) especial dos monitores e pressionaram os professores e os diretores das casas, o diretor Sarutobi decidiu abrir o espaço uma vez por semana – sempre às quartas-feiras – para quem quisesse desfrutar. “Pena que tiraram a água quente”, era a reclamação que mais ouvia. Pena nada. Se ainda houvesse água quente o local ia viver lotado, principalmente agora na época de inverno. Ao invés disso, eram nos meses frios que Tenten aproveitava mais, visto que o lugar ficava praticamente vazio e mais confortável para nadar.

No entanto, ela jamais havia estado ali fora do dia permitido e, ainda por cima, no meio da noite, correndo risco de ser pega pelo zelador Raiga e seu gato Ranmar-r-ru. Por sorte tinha Neji consigo para evitar que isso acontecesse. Felizmente, os Hyuugas frequentavam Hogwarts há tanto tempo que conheciam bem quase todas as passagens secretas do castelo (era por isso que ele nunca se atrasava pra nada), e não foi difícil chegar até ali sem serem percebidos. O complicado tinha sido convencer o sempre certinho prodígio da Sonserina — juntamente com Sasuke, claro — a quebrar algumas regras, mas era para seu próprio bem. Afinal, os campeões supostamente não poderiam receber ajuda para decifrar as pistas das tarefas e era exatamente isso que ela estava o oferecendo; além de que, era melhor descobrir o que havia dentro do ovo enquanto estavam sozinhos para que o segredo não chegasse aos ouvido dos outros competidores e Neji conseguisse ter certa vantagem para alargar ainda mais o placar, já favorável a ele, no Torneio Tribruxo. Se bem que, se aquilo funcionasse, ela se sentiria na obrigação de ao menos dar alguma dica a Naruto, afinal ainda era uma integrante da Grifinória.

— Frescor de Pinho. — Tenten sussurrou a senha da porta que tinha descoberto mais cedo (oras, ela tinha seu jeito, ok?) e esta se abriu sem nenhum rangido.  

Sendo seguida de perto pelo amigo, ela entrou no banheiro e ouviu o arquejo surpreso do Hyuuga ao visitar o espaço pela primeira vez. A morena já estava acostumada, mas ainda era uma visão e tanto, principalmente durante a noite quando as cortinas de linho estavam fechadas e a única iluminação na sala era proveniente de um lustre enorme preenchido com inúmeras velas. Neji chegou mais perto da banheira retangular rebaixada no piso e Tenten reparou que a pele dele era quase tão alva quanto o mármore que constituía todo o local, e que seus cabelos escuros faziam o contraste perfeito com o resto.

— Legal, né? — ela disse, e os dois se surpreenderam com o eco gerado.

Neji lhe entregou o ovo de ouro que tinha capturado na primeira tarefa e voltou para perto da porta. Provavelmente, o ambiente tinha proteção acústica como outras salas do castelo, mas ele preferia sempre prevenir para que nada desse errado. “Abaffiato”, sussurrou com a varinha em contato com a fechadura, conjurando o feitiço que impediria quem estivesse do lado de fora de ouvir o que eles dissessem lá dentro.

— Me ajuda aqui, por favor.

Ele se virou e viu que Tenten tinha deixado o ovo no chão e agora estava próxima de uma das torneiras em volta da banheira. Deveria ter ao menos umas cem delas e demoraria muito para abrir todas sozinha.

O bruxo chegou à borda e só então notou que as torneiras eram de ouro e cada tinha uma pedra preciosa incrustada em cima. Justo quando foi abrir...

— Neji! — ele olhou para ela ansioso — Não abre nenhuma que tenha a pedra redonda ou oval, só as com outras formas. Essas vão deixar a água cheia de espuma e a gente não veio tomar banho. 

Ele concordou com a cabeça e continuou na tarefa.

— Santo Godric Grifinória... — Tenten soltou um suspiro de prazer quando colocou a mão na água e viu vapor subindo — Tem água quente sim...

— O Raiga só desliga às quartas-feiras.

O sonserino levou um susto enorme ao ouvir uma terceira voz lá dentro e gelou, imaginando que tinham sido pegos. Mas aquele timbre era suave e dócil demais para ser uma reprimenda a alunos infratores. Ele olhou para a Mitsashi que, diferente de si, não estava nem um pouco preocupada, e olhava para a parede no fundo do banheiro. Um quadro com moldura também de ouro estampava uma sereia loura que a observava com olhos travessos por causa da transgressão de horário. Foi por causa dessa pintura que Tenten teve a ideia. Durante a aula de Adivinhação ela tinha visto uma sereia em sua xícara e, assim que olhou para Neji, lembrara da semana anterior quando estava na piscina com Lee e se distraiu olhando para o quadro. Lee estava falando com ela e de repente mergulhou, fazendo com que Tenten não pudesse ouvir nada do que ele dizia. “Os sons ficam mais baixos dentro d’água.” Esse deveria ser o único jeito de escutar algo além dos gritos que saíam do ovo toda vez que era aberto.   

O foco da loura mudou e só naquele momento ela pareceu notar a presença de Neji. Tenten não gostou de ver a maneira que ela o olhava como se fosse sua presa.

— Ora, ora... Que belo exemplar de homem temos aqui.

Os dois a ignoraram e fecharam as torneiras quando a banheira já estava quase cheia. O Hyuuga terminou de girar a última e levantou os olhos, corando imediatamente. Tenten estava tirando sua capa preta e tudo que usava por baixo era um maiô azul escuro (o mesmo que vestia sempre que ia nadar, mas ele não fazia ideia porque nunca ia com ela). Neji estava reparando tanto que inclusive percebeu ela se arrepiar por causa do clima frio de inverno. A bruxa pegou o ovo, o colocou na borda e entrou depressa na piscina após desfazer seus costumeiros coques.

Neji apenas assistia de longe Tenten nadando um pouco até a sereia pigarrear.

— Se encantou tão fácil, e nem foi por mim... O bonitinho não vai entrar também? — disse manhosa.

— Não.

— Nem um pouquinho? Não acredito que o campeão veio até aqui e nem vai aproveitar um banho quentinho... Não vou poder te ver molhado?

— Já disse que não. — respondeu impaciente, ainda sem tirar os olhos da piscina. Viu Tenten emergir, afastar a franja que tinha grudado na cara e olhar para o quadro interessada na discussão.

— Pois eu quero que você entre. E isso não é um pedido.

— Você é só uma pintura. Não pode me obrigar. 

— Realmente, não posso. Mas eu posso muito bem contar para o zelador Raiga ou para qualquer um dos monitores que alguém esteve aqui no meio da noite, sem permissão. Ainda por cima um casal. Imagine só o escândalo — ela fez uma pose dramática — Uma garota usando apenas um maiô. Os dois estavam fazendo coisas muito indecentes, diretor Sarutobi...

Tenten não sabia se suas bochechas tinham ficado quentes de raiva ou embaraço. Droga, aquela sereia era uma intrometida!

Viu Neji bufar e também retirar sua capa. Não como a amiga, o bruxo usava por baixo somente seu pijama comum: uma calça preta de moletom e uma camiseta fina branca. Lançando um olhar irritado para a sereia, ele apontou a varinha para si mesmo e disse “Impervius”, o encantamento para deixar algo impermeável. A pintura resmungou um “sem graça”, e o canto da boca dele se curvou minimamente, satisfeito.

Neji entrou na piscina e sentiu o calor agradável que tomava conta de cada pedaço de sua pele. Dava vontade de ficar ali para sempre, mas não tinha tempo, então puxou o ovo de ouro da borda e girou na direção da Mitsashi. Ela assistiu ele caminhar lentamente em sua direção causando uma inquietação estranha dentro de si. Quando se aproximou o suficiente, Neji reparou que a mesma água que alcançava apenas sua clavícula chegava a tocar os lábios de Tenten e que pequenas gotículas presas nos cílios da mais baixa os faziam brilhar. 

Estendeu a mão com o ovo e ela fez sinal para que ele o mergulhasse. Assim fez e, com o objeto agora sob a água, mexeu nas dobradiças e o abriu. Os dois ouviram sons muito diferentes dos guinchos agudos que saiam dele quando fora d’água, mas ainda era impossível entender a música. Num impulso, Tenten submergiu também e escutou um coro de vozes harmoniosas cantando:

Procure onde nossas vozes parecem estar,
Não podemos cantar na superfície,
E enquanto nos procura, pense bem:
Levamos o que lhe fará muita falta, 
Uma hora inteira você deverá buscar, 
Para recuperar o que lhe tiramos,
Mas passada a hora — adeus esperança de achar.
Tarde demais, foi-se, ele jamais voltará.

A garota puxou Neji pela camisa — que estava colada e marcando seu tórax — e ele imergiu, sendo capaz de enfim compreender a melodia. O rapaz logo emergiu pois não conseguia segurar a respiração por muito tempo, mas ela continuou embaixo, ouvindo ao menos mais três vezes para conseguir decorar a poesia. Depois, os dois saíram da banheira: ele, completamente seco graças ao feitiço; ela, pingando. Correu até o canto e pegou uma das muitas toalhas, se secando enquanto ainda murmurava a canção para ter certeza que não iria esquecer nenhuma palavra. Voltou a prender o cabelo e viu Neji estender a capa para ela. Ele já estava devidamente vestido. Agora pronta, ela olhou de novo para o quadro, inquieta.

— Será que ela vai mesmo falar alguma coisa? — sussurrou tentando não chamar a atenção da sereia que penteava os cabelos — Podíamos usar o Obliviate, mas não tenho certeza se funciona com imagens...

Antes que o Hyuuga pudesse responder, um vulto cinzento passou voando por eles.

— Não precisa se preocupar, ela só provoca. — era a Murta Que Geme.

— Legal, agora virou uma reunião no banheiro — Neji resmungou.

— O convidado aqui é você. Eu vivo aqui.

— Murta, esse nem é o seu banheiro! — Protestou Tenten.

— Eu gosto de passear por essas bandas.

Depois de vários minutos tentando fazer a fantasma parar de dar em cima de Neji, os dois bruxos explicaram o porquê de estarem ali e a Murta, casualmente, deu a dica de que a poesia poderia ser sobre o lago (as vezes ela ia até lá, quando alguém puxava a descarga de seu vazo sem que ela estivesse esperando). Por fim, ela garantiu mais uma vez a eles que a sereia não diria nada, e os dois, felizes por terem desvendado o mistério do ovo, voltaram para seus dormitórios.


Lago Negro
Segunda tarefa do Torneio Tribruxo
24 de fevereiro ▪ 9h30min

Depois de dois meses de preparação, Neji se sentia pronto. Nem mesmo a multidão de alunos gritando os nomes dos campeões tinha feito ele ficar nervoso.

Apesar do ar extremamente frio daquela manhã cinzenta, era uma das poucas vezes que podiam ver Gaara, o campeão de Durmstrang, sem seu tradicional casaco de pele. O bruxo búlgaro usava um calção que, na visão de Neji, parecia um número maior que ele. A outra competidora, Temari, de Beauxbatons, vestia uma roupa de mergulho azul clara como o resto do uniforme de sua escola. Naruto, por sua vez, estava atrasado assim como na primeira tarefa. 

Os burburinhos pararam quando Hiruzen Sarutobi, o diretor de Hogwarts, chegou junto com os outros chefes de escola, Madame Mei e Rasa Karkaroff. O Uzumaki apareceu logo depois, correndo como se fosse tirar o pai de Azkaban. Perto da mesa dos juízes Neji ainda podia ver os professores Kabuto, Tsunade, Kakashi e Iruka, respectivamente diretores da Sonserina, Grifinória, Corvinal e Lufa-Lufa. Aparentemente, a população inteira de Hogwarts tinha se mobilizado para assistir a tarefa. Vasculhou as arquibancadas lotadas tentando encontrar seus amigos, mas o alvoroço era muito grande, além das estruturas estarem um pouco longe para boa visibilidade. O velho Sarutobi posicionou sua varinha na garganta murmurando “Sonorus” e o volume de sua voz foi aumentado magicamente para explicar o funcionamento da tarefa: teriam uma hora para recuperar algo que lhes foi tirado e que estava dentro do lago.

O sinal foi dado, mas ele ficou esperando para ver qual seria a estratégia de seus adversários. Naruto puxou um guelricho do bolso e jogou na boca (aquilo parecia nojento); com um movimento da varinha os olhos de Temari ficaram iguais aos de uma águia e ela procurava fora d’água para  depois pular; Gaara tinha feito uma meia-transfiguração — do pescoço para cima ele agora era um tubarão branco. 

O prodígio sonserino pulou na água gelada enquanto conjurava o Feitiço Cabeça-de-bolha. Quando seu corpo mergulhou, uma grande bolha envolveu seu crânio e possibilitou que ele enxergasse e respirasse sem dificuldade. Decidiu na sorte qual direção tomar e nadou, esperando que o movimento o aquecesse antes que ele morresse por hipotermia. Ele não era o melhor dos nadadores, mas seus treinos com Tenten tinham feito suas habilidades melhorarem, e muito.

Se sua noção de tempo não estivesse equivocada, Neji já estava nadando há uns trinta ou quarenta minutos, cada vez mais fundo. Aquela deveria ser a única vez em sua vida que o silêncio solene o incomodava tanto — nenhum sinal de vida, fora alguns peixes e enguias que passavam vez ou outra. O bruxo se projetava cada vez mais para frente até se encontrar perdido em meio a uma colônia de algas marinhas gigantes. De repente, Neji sentiu algo arranhar seu tornozelo. Por reflexo ele girou rápido, mas não viu nada. Se assustou quando, dessa vez, ouviu alguma coisa tentar morder sua orelha. Com o coração martelando contra o peito, o garoto começou a girar em todas as direções procurando quem quer que fosse, sem sucesso. A criatura estava usando as algas para se esconder.

Diffindo — falou apontando a varinha, e viu algo como lâminas de água cortarem as plantas ao seu redor.

Estreitando os olhos finalmente ficou ciente dos dois grindylows — pequenos demônios aquáticos com chifres, garras e presas — que o atacaram. Os seres pareciam estar seriamente considerando-o como almoço, mas Neji não queria matá-los, logo, repensou os feitiços que conhecia. Notando a guarda-baixa dele, um dos demônios disparou em velocidade com a boca aberta e Neji conseguiu desviar. Quando o outro chegou por trás o Hyuuga proferiu “Quenterralopus” e uma corrente de água quente queimou a coisa. O primeiro voltou a atacar, mas não antes de ser detido pelo feitiço Estupefaça, que o deixou inconsciente.

Voltou a nadar por mais algum tempo, tentando acalmar a mente depois do evento, e questionando se já estava estourando seu limite de uma hora. Foi quando ele viu.

O cachecol amarelo e os cabelos lisos azulados. A pele branca como uma boneca de porcelana. O tornozelo amarrado a uma estátua de sereia no meio do nada. Achara o que estava procurando.

Hinata!

Quando soube que teria que encontrar algo que lhe faria falta achou que estivessem falando de um objeto, e não de uma pessoa. Mas só podia ser ela. Neji ainda se lembrava das palavras do tio no primeiro ano dela em Hogwarts, pedindo para o sobrinho proteger e tomar conta da mais nova. Não que ele realmente tivesse que pedir; os dois eram amigos e Neji faria isso por vontade própria.

Findando a distância entre si e a prima, o aluno viu pelo canto do olho a aproximação de um Naruto que mais parecia uma criatura subaquática com suas guelras e nadadeiras, cortesia do guelricho que tinha ingerido. Os dois agarraram a corda que prendia a garota ao mesmo tempo e, enquanto Neji apenas o olhou feio, Naruto puxou a mão do Hyuuga fazendo-o soltar. O sonserino segurou o fio novamente, dessa vez o grifinório deu um tranco nas costas dele o empurrando para longe, e tentou desamarrar Hinata. “O que esse idiota está fazendo?!”

Neji voltou e empurrou o Uzumaki, mas este respondeu com um soco na mandíbula do outro. Ele arregalou os olhos, sentindo a raiva borbulhar dentro de si e quando percebeu, já tinha chutado a perna de Naruto. Aí foi caos total. Os dois trocaram diversos socos, chutes e empurrões, até o mais novo se afastar um pouco. Neji teve vontade de gritar para que ele fosse procurar Sakura ou Sasuke ou quem quer que fosse seu refém e o deixar em paz, mas não teve tempo porque, meio segundo depois, o outro competidor estava com a varinha em mãos lançando um Vermillious na direção dele. Por sorte os feitiços se propagavam mais devagar na água e ele teve tempo de desviar do raio de luz avermelhada.

Impedimenta — o Hyuuga articulou, e uma força imaterial impediu Naruto quando ele tentou se aproximar. “Por que ele não pode simplesmente entender que eu tenho que salvar ela?”

Cheio de ira, o grifinório perdeu a cabeça e gritou:

BOMBARDA!

Tinha mirado em Neji, contudo ele conseguiu desviar mais uma vez do ataque. Mesmo assim uma pequena explosão aconteceu no local onde o bruxo antes estava. Naruto sentiu um nó se formar em sua garganta quando percebeu que o barulho acordara a herdeira Hyuuga que, assustada, inalou uma enorme quantidade de água.

Neji se lançou na direção dela desesperado, vendo a prima sufocar e desmaiar. Tudo culpa daquele maldito Uzumaki! Para evitar que ele chegasse perto e piorasse a situação, o sonserino apontou a varinha para um cardume que passava e disse “Oppugno”, fazendo todos os peixes atacarem o outro e mantê-lo ocupado.

Relaxo.

Os nós das cordas que prendiam Hinata se soltaram e o corpo dela começou a subir lentamente. Antes que Neji pudesse alcançá-la, seu corpo foi puxado para trás e ele viu a varinha de Naruto tocar a bolha em sua cabeça.

Finite Incantatem.

A bolha automaticamente estourou e a raiva de Neji duplicou. Ia ficar sem ar logo logo. Era hora de tomar medidas drásticas. 

Puxou o outro campeão pela camisa e encostou a ponta da varinha na barriga dele usando o Glacio, mas com cautela para não congelar nada mais que a camada superficial da pele da região apenas para causar dor. Naruto se contorceu em agonia e Neji agarrou a cintura da prima e os lançou para cima muito rápido utilizando-se do Ascendio. Os dois corpos foram arremessados para fora do lago e aterrissaram na grama. As arquibancadas explodiram em excitação.

Mas Neji não prestava atenção em mais nada. Se arrastou, ainda ofegante, e parou ao lado de Hinata, virando-a para cima. Seus lábios estavam muito arroxeados e suas bochechas, sem o rubor natural que aparecia no inverno. Colou o ouvido no nariz dela e percebeu que a lufana não respirava.

Anapneo — sussurrou com a varinha (e a mão) trêmula apoiada na garganta dela. 

Instantaneamente, a bruxa começou a tossir e cuspir toda a água acumulada nos pulmões e traqueia. O Hyuuga suspirou aliviado e ouviu ela respirar pesadamente algumas vezes.

— SONSERINO! — girou a cabeça e viu Naruto, que não estava mais com a barriga congelada e tinha saído da água, pisando forte em sua direção provavelmente querendo quebrar sua cara. Atrás dele vinham os diretores. Neji não estava com tempo e nem cabeça pra isso no momento.

Então ele aproveitou a situação atual da escola de magia e fez o que mais queria fazer.

Desaparatou.

— Ele acabou de desaparatar??? Em Hogwarts???


Notas Finais


E ai, gostaram?
Só por curiosidade vou deixar aqui as casas de cada um dos Konoha 12 (na minha visão depois de tanta pesquisa kkkk):
Grifinória: Tenten, Naruto, Kiba.
Lufa-Lufa: Hinata, Lee, Chouji.
Corvinal: Sakura, Shikamaru, Shino.
Sonserina: Neji, Sasuke, Ino.
Se alguém ai for muito fã de hp e tiver notado algum erro nas descrições da escola, nas aulas ou nos feitiços, por favor me avise. Essa fic vai ter mais dois capítuloS e ai vai dar pra entender tudo direitinho.
Obrigado por lerem! Espero que tenham gostado <3


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