História Nem Sempre a Culpa é das Estrelas - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Park Jimin (Jimin)
Tags Doençaterminal, Estelas, Jimin!centric, Minjoon, Mjpjct, Sooji¡amigos
Visualizações 46
Palavras 5.756
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Estrelas


— Vocês falaram para eu não me preocupar!

Que a mentira é uma coisa feia e que ela machuca nós já sabemos. Mas, para falar a verdade o que machuca não é a mentira, é quem fala a mentira para você.

Meu nome é Park Jimin, tenho 18 anos e eu tenho câncer de tireoide metastase nos meus pulmões, uma doença que tem 95% de chance de cura e que afeta mais as mulheres. Eu nasci para desafiar o destino não é mesmo?!

A maioria das pessoas quando sabem da minha doença me olham com pena, falam que eu tinha tanta coisa pra viver, como se eu não tivesse mais opção de viver, como se o câncer me fizesse ter automaticamente uma lápide pronta, e eu não acredito nisso! Torço para que algum dia o meu médico nos conte que meu pulmão voltou a funcionar, que eu posso respirar sozinho, que eu posso voltar a ser como eu era antes. Eu tento não ligar muito para essa doença, tento ignorar o fato que a maioria das pessoas que contém essa doença se curam e vivem a vida deles felizes e por alguma razão isso não acontece comigo, essa doença tirou de mim a metade da minha adolescência. Descobri que tinha câncer com 15 anos e desde então venho lutando para que eu possa me recuperar, foram longos 3 anos e eu não me importo se esteja traçado que não vou viver mais um ano, eu vou superar essa doença e pelo menos em algum momento da minha vida eu vou estar completamente feliz, não importa se vai ser apenas em um dia ou em mais.

Meus pais e eu combinamos de fazer uma viagem para fora da Coréia, férias de verão e eu estava completamente feliz. Seria a primeira fez que eu sairia da Coréia depois que descobri essa doença, no começo eu fiquei apreensivo e se eu não pudesse viajar por causa do oxigênio? Mas meus pais deixaram bem claro para eu não me preocupar, que eles dariam um jeito. Eu percebia que eles estavam me escondendo algo, mas resolvi não ligar e fazer mais planos para essa viagem, talvez a pior coisa que eu tenha feito.

Seria a viagem da minha vida, talvez a última ou a segunda de muitas. Iria significar um recomeço para mim, esse seria o momento em que eu ficaria totalmente feliz, eu e meus pais pelo mundo afora, algo melhor que isso? Mas esse sonho foi impedido por essa maldita doença, meus pais falaram que os médicos não permitiram que eu viaje e que eles já sabiam disso há alguns dias.

Eu estava arrasado!

Eu gostaria de fazer algo além de chorar e me lamentar por não ter o meu tão esperado recomeço, mas eu não tinha nada mais para fazer, amanhã eu acordaria e com um sorriso no rosto falaria que estava tudo bem para os meus pais. Eu já sabia essa rotina de cor, sempre parecer estar bem e ajudar os outros sem fazer com que eles se preocupem com vocês, sempre estar bem para os outros mesmo estando péssimo, essa era a minha vida.

Não é como se eu fosse totalmente infeliz, uma parte de mim era triste e isso eu sabia. Ela era triste por não ter aproveitado a minha adolescência totalmente, por ter ficado várias noites e vários dias encarando uma parede branca e sentindo um cheiro horrível no hospital, por ter passado as noites com medo de não conseguir acordar e por passar todos os dias com medo de não conseguir respirar nunca mais. Mas eu não era completamente infeliz, outra parte de mim sorria quando os meus amigos sorriam, se alegrava quando eu começava a escrever ou quando eu iniciava um novo livro, ela pulava de alegria quando o meu pai me contava mais uma de suas histórias e ela se emocionava quando via o quão eu era amado. Eu era feliz, mas não tanto.

O medo dominava uma parte de mim, e esse é um dos motivos por eu ser triste.

— Nós queríamos ter falado para você antes, mas você estava tão animado meu filho, não queria te ver triste. — Minha mãe fala acariciando minha bochecha esquerda, ela estava triste por mim, só que hoje é o dia de eu mostrar estar magoado, amanhã eu digo que estou bem. 

— Acho que seria melhor eu ter descoberto antes, seria melhor do que saber agora. Eu estava esperando tanto por isso, vocês tinham que ter consideração e falar na minha cara isso, mentir que eu ainda poderia ir e alimentar minhas ilusões foram as piores coisas que vocês já fizeram na vida. — Retiro a mão da minha mãe da minha bochecha e sinto uma única lágrima cair, saio de perto dos meus pais e subo para meu quarto.

Eu posso liberar tudo o que eu estou sentindo no meu quarto, qualquer dor se esvazia. Eu posso chorar, posso gritar, posso respirar, posso me sentir do jeito que eu quiser lá. É como se fosse o meu refúgio, o meu lugar seguro. Me deito na cama, sentindo meu rosto estar cada vez mais molhado, meu momento de extrema solidão e tristeza é interrompido por um som de notificação.

Eu poderia muito bem ignorar a mensagem, mas eu sei muito bem quem enviou a mensagem e ela vai ficar muito irritada se eu ignorá-la.

“Sabe… eu estava de boa aqui deitada na minha cama e bateu uma vontade de ir ao cinema. Ninguém melhor para me acompanhar além de você mochi, esteja lá às 19:00 em ponto.”

Sorri enquanto mais lágrimas desciam, preciso me arrumar logo, eu não quero me atrasar.

[...]

— Você foi pontual. — Sorri ao ver Jisoo caminhando até mim, ela é minha melhor amiga desde que acordei para a vida.

Conheci ela quando tinha 13 anos e desde então me sinto cada dia mais apegada a menina linda de cabelos roxos, ela provavelmente se espantou quando disse que eu era gay mas não tanto porque alguns dias depois chegou na minha casa com uma menina que ela dizia que era sua namorada, e isso não aconteceu apenas uma vez. Com toda a certeza do mundo, minha amiga era mais ativa que eu.

— Eu sempre sou pontual Jisoo, você tem que aprender a aceitar isso. — Puxo a mais velha para um abraço apertado, rindo após ouvir um “Nunca” dela. — Que filme iremos ver?

— Talvez você fique com raiva, mas… — Ela caminha até um pôster e eu faço uma careta pra ela. — Isso mesmo, vamos assistir A Culpa é das Estrelas.

Que ironia não é mesmo?

O filme fala sobre uma garota que tem câncer de tireoide metastase, ela conhece o amor da vida dela e infelizmente, ele morre.

Talvez seja o meu destino? Sofrer por alguém que eu amo, perder alguém que eu amo.

— Não vou falar nada porque preciso assistir algum filme e sei que você não vai escolher outro, vamos logo. — Puxo ela para dentro do cinema, vendo as cores dos cartazes e várias crianças correndo para lá e pra cá. — Guarda o nosso lugar na cabine, vou comprar pipoca e refrigerante.

— Eu quero um bem grandão. — Ela disse fazendo um formato nas mãos, me fazendo rir.

Vou até onde estavam vendendo pipoca, que por sorte a fila estava apenas com uma pessoa. Enquanto colocavam manteiga nas pipocas eu olhei ao meu redor, perto da cabine do filme que eu iria assistir estavam três homens, eles estavam usando uma máscara como se estivessem gripados, mas tentavam esconder o rosto.

O olhar de um deles se cruzou com o meu e eu pude ver atentamente os olhos dele, eu conhecia-o de algum lugar. 

— Deu 27,50 wons. — Um garoto me disse enquanto mastigava um chiclete, virei rapidamente o meu rosto e paguei pelas pipocas e pelos refrigerantes.

Entrei na cabine e demorou um pouco para eu conseguir enxergar onde Jisoo estava. O filme já estava começando.

Era engraçado saber como eram as dores que ela representava sentir, a vontade de conhecer o seu escritor favorito e de como ela apresentava ser inexperiente no amor.

Eu poderia me renomear agora, eu não me chamo mais Park Jimin me chamo Hazel Grace Lancaster.

[...]

O filme já havia acabado e eu e Jisoo estávamos saindo abraçados da cabine, se eu falasse que não chorei quando Gus morreu eu estaria mentindo, e eu odeio mentiras.

— Eu preciso ir no banheiro, aquele refrigerante já está começando a dar sinal de vida. — Falo rindo enquanto saia dos braços de Jisoo.

Entro em uma cabine do banheiro saindo de lá um tempo depois, se eu demorasse Jisoo me abandonaria aqui.

Quando vou lavar minhas mãos, percebi outra pessoa ali. Ela também estava lavando as mãos, mas foi só ela olhar para o espelho na nossa frente que eu pude reconhecer que era.

O garoto dos olhos que me encantavam.

Mas agora ele estava sem aquela máscara e não tinha nada cobrindo o seu cabelo, e ele é Kim Namjoon.

Um dos melhores atores, meu crush e de mais 7,52 bilhões de pessoas. Ele já fez inúmeros sucessos e agora estava no mesmo lugar que eu, claro que eu não imaginaria conhecê-lo em um banheiro.

— Meu Deus. — Sussurrei mais para mim mesmo do que para ele, mas tenho certeza que ele ouviu pois ele olhou pra mim pelo espelho e me lançou uma piscadela.

Ele queria que eu morresse não é mesmo?!

Quando eu ia sair, ouvi a voz que tanto me arranca suspiros quando vejo algum filme.

— Você quer tirar uma foto? — Ele soltou uma risada e eu virei meus calcanhares para ele, surpreso. — Creio que seja meu fã, pelo o que você falou quando me viu.

Eu sorri.

Eu não falei nada! Como assim eu não falei nada? Fala alguma coisa Jimin!

— Ah… Claro. — Peguei meu celular e caminhei até ele, quando coloquei na câmera, eu estava tremendo demais. — Pode tirar para mim por favor?

As minhas mãos estavam suando e eu estava ficando sem ar, eu realmente desmaiaria na frente do Namjoon?

Ele riu e tirou a foto. Ele estava com uma mão apoiada na minha cintura e eu estava morrendo de amores.

— Jimin venha logo, já estou ficando cansada de esperar. — Ouvimos batidas na porta.

— Aqui está, Jimin. — Ele sorriu quando eu agradeci e finalmente, eu consegui sair daquele banheiro.

Ao sair do banheiro, consegui finalmente respirar novamente mas eu me sentia sem forças. Como se o ar que eu prendi tivesse levado todas as minhas forças, eu estava sinceramente com medo de estar parecendo um fantasma de tanta palidez.

— Tu tava era cagando? — Ela indagou sussurrando enquanto nós passávamos pela saída do cinema.

— Você acreditaria se eu falasse que conheci Kim Namjoon no banheiro? — Ela parou de andar e eu fiquei olhando para a cara dela. — Foda-se se você acredita ou não, eu tenho uma foto com ele!

Entramos em um táxi rapidamente e fomos para a minha casa, decidimos que ela dormiria lá em casa. Jisoo queria saber todos os detalhes possíveis de uma foto no banheiro do cinema.

— Eu estava lavando minhas mãos quando vi ele. — Sentamos na minha cama, ela apoiou a cabeça nos braços. — Aí eu me espantei e quando fui sair, ele ofereceu uma foto.

— ELE OFERECEU A FOTO? — Jisoo gritou. — Pelo o que eu conheço de homens, ele gostou de você.

— Ata, claro! Um ator gostoso e hetero gosta de mim, é óbvio. — Revirei os olhos pra Jisoo e recebi um tapa na nuca, foi como dizer para eu não duvidar dela. —E vem cá, você não é lésbica? 

— Sim, graças a Deus eu sou lésbica, mas isso não significa que eu não conheça os homens seu animal! — Ela respirou fundo e voltou a falar com um sorriso de deboche no rosto. — E Kim Namjoon está mais pra lá do que pra cá. Ele é gay sim, e você vai ver.

Jisoo falou convencida e eu apenas ri, fui pegar o meu celular que estava na escrivaninha carregando.

Passei alguns minutos vendo meu instagram e quando eu atualizei quase tombei para trás.

— Você vai pra festa do ano? — Indaguei para Jisoo que apenas jogou o cabelo dela na minha cara. Ela foi convidada.

— Você quer dizer a festa na casa do sr.Wang? Que vai ter os maiores cantores, maiores youtubers, as pessoas mais famosas? é claro que eu vou. Minha mãe foi convidada. — Dei língua pra ela e voltei a prestar atenção no instagram, mas ela me puxou. — Não termina por aí. Minha mãe recebeu três convites, um para ela, um para mim e um para meu pai. Mas meu pai vai estar viajando! Então minha adorável mãe, deixou eu chamar meu único amigo para a festa.

A mãe da Jisoo é uma empresária super famosa, ela participa de tudo. E Jisoo claro, participava com ela.

Olho para Jisoo com meus olhos arregalados enquanto abraço a mesma.

— Eu não acredito nisso! — Nos entreolhamos e soltamos um grito. — Será se… ele vai estar lá?

— Claro que ele vai estar lá. Me certifiquei disso. — Jisoo lançou uma piscadela para mim.

— Você é a melhor, sabe disso não sabe? — Ela confirmou e eu me levantei. — Hora de maratonar Riverdale, vou pegar o sorvete.

Depois de 4 potes de sorvetes, 18 episódios seguidos da terceira temporada de Riverdale e muitas risadas, nós dois dormimos. Eu não acredito que vou para a melhor festa do ano.

[...]

— Festa na casa do sr.Wang? — Meu pai olhou para a minha mãe, que olhou pra mim. — Acho que tem como você ir.

— Ai que bom, amo vocês. — Dei um abraço nos dois, engolindo minha panqueca e bebendo rapidamente meu suco. — Eu e a Jisoo vamos no shopping, vamos Jisoo.

Ela se levantou e se despediu dos meus pais enquanto eu puxava ela para fora da minha casa.

Chegamos rapidamente no shopping, e fomos para a sessão de roupas mais caras, tudo ia ser por conta de Jisoo e eu estava muito animado.

— Avisando logo, eu não vou de terno. — Falo pra ela que apenas assentiu enquanto calçava alguns sapatos.

Fui atrás de calças e achei uma perfeita. Preta, colada e elegante. Tudo o que eu precisava.

Peguei ela rapidamente e corri para encontrar Jisoo, que me esperava com uma camisa branca de botões pretos e um blazer preto.

— Isso vai ficar perfeito. — Falo enquanto pego as peças de roupa na mão dela e mais um tênis branco.

— Vai lá se vestir gostosão.

Tudo ficou ótimo em mim, depois que compramos fomos para a praça de alimentação que estava mais para um restaurante chique.

Na nossa cidade existem inúmeros shoppings e essa era a minha primeira vez nesse, pois era apenas de pessoas que realmente tinham dinheiro.

 — Que tal pintarmos o cabelo depois de comermos? — Jisoo indicou quando eu mordi um pedaço do meu hambúrguer. Olhei para ela atentamente enquanto Jisoo dava de ombros. — O que foi? Vai ser bom!

Acabei me deixando levar e fomos para o salão de beleza, Jisoo disse para a cabeleireira deixar nossos cabelos do jeito que ela achar melhor.

Eu estava com medo de sair dali careca, mas eu fiquei lindo. Meus cabelos agora estavam na cor rosa, r-o-s-a. Ele estava lindo!

O problema foi que pintar o cabelo e fazer compras não diminuiu a minha ansiedade, a festa iria ser hoje e u ficaria no mesmo lugar que muitas pessoas famosas e tiraria foto com Jisoo e com a mãe dela, pra sair em alguns sites.

Seria a melhor festa da minha vida.

— A gente passa pra te buscar 19:30. — Jisoo informou me deixando na porta da minha casa.

Me despedi dela e entrei em casa, vendo minha mãe ler um livro no sofá.

— Jimin pode vir aqui? Quero falar sobre uma coisa com você. — Minha mãe me chamou sem mesmo conseguir me ver, essa mulher é um ícone. — é sobre a festa do, pera, seu cabelo tá rosa ou eu tô ficando louca?

Eu não consigo segurar uma gargalhada da minha mãe, que passava as mãos que já estavam enrugadas pelo meu cabelo.

 — Sim mãe, meu cabelo está rosa. — Tirei a mão dela do meu cabelo e me sentei do seu lado. — Quer falar sobre a festa do sr.Wang?

— Lá vai ter muitas pessoas famosas, pessoas importantes e também os seus ídolos. Eu acho que você deve usar o cilindro, para caso você ficar nervoso. — Minha mãe falou, me fazendo levantar do sofá incrédulo. — Não me entenda mal Jimin, eu me preocupo com você.

— Mãe a senhora sabe que eu odeio usar aquele cilindro! As pessoas têm pena de mim, quando eu uso. Eu só quero viver uma vida normal como se esse maldito câncer não existisse. — Lágrimas já se faziam presentes nos meus olhos.

— Meu amor, você não pode esconder o que é verdade. — Minha mãe se aproximou de mim colocando suas mãos nas minhas bochechas. — Viver também é mudar e crescer, é saber aceitar as mudanças aprendendo a lidar com elas de forma responsável. Você não pode esconder o que tem não pode esconder o que você é. Não ligue para o que os outros estão falando de você, ligue para o que você está sentindo sem eles. A vida é sua, não deles.

Dito isso minha mãe sentou novamente no sofá, retomando a leitura. Eu não sabia o que falar então apenas subi para o meu quarto, o que ela falou me fez ficar pensativo.

Ela estava certa, mas era tão difícil fazer isso.

Eu poderia dizer para todo mundo que iria fazer isso, mas se eu não estivesse pronto, se e não falasse pra mim mesmo o que eu quero, não irei conseguir.

Eu vou fazer isso, não vou me importar tanto para o que os outros estão pensando sobre mim, e que a vontade de crescer seja maior do que o medo de cair.

Resolvi deixar a minha roupa pronta em cima da cama, eu ainda estava pensando sobre o que minha mãe falou.

Resolvi parar de pensar tanto e fui até o porão pegando a minha bolsa amarela, era tão irônico. Eu iria estar quase idêntico com a Hazel Grace.

Aproveito pra ir no banheiro, pegando minha cânula.

Já fazia um tempo que eu não usava isso, meus médicos falaram que meus pulmões estavam tendo uma melhora notável e que eu não precisaria mais usar um cilindro de oxigênio para respirar. Eu saí daquele consultório com um sorriso largo no rosto e sem o cilindro, mas resolvemos trazer para casa, apenas por precaução.

E se eu cruzar novamente com Kim Namjoon e não estiver com esse cilindro, eu vou desmaiar. Tenho certeza.

Coloco a bolsa com a cânula do lado da minha roupa, observando isso por um momento.

Quando eu descobri que estava com câncer e me levaram para fazer uma cirurgia de risco, eu virei para os meus pais e disse:

“— Eu já devia ter falado isso há um tempo, mas melhor falar agora do que não falar. — Eu disse chamando meu pai com o dedo, ele se aproximou hesitante. Eu podia ver o medo nos olhos dele, ele não queria que eu fizesse a tal cirurgia. — Quando vocês me chamavam e perguntavam se eu estava bem ou se eu queria contar alguma coisa para vocês, eu sentia medo porque eu tinha sim algo para contar. Eu sou gay, por favor não deixem de me amar.

— Meu filho, é claro que não vamos deixar de amar você por causa da sua orientação sexual. Ninguém escolhe quem ama não é?! — Minha mãe fez um carinho no meu rosto e percebi que ela segurava o choro.

— E nós estamos no século XXI, que tipo de pais seríamos se não aceitássemos? Os das cavernas? — Meu pai indagou divertido, fazendo eu e minha mãe rir. Até que a enfermeira disse que eu precisava ir.”

Quando eu estava indo para a sala de cirurgia e consegui ouvir meu pai falar para minha mãe “Ele vai ficar bem, tudo vai ficar bem Jennie” . Eu sorri quando ouvi isso, meus pais se amavam e iriam cuidar um do outro se o pior acontecesse comigo.

Acabou que a cirurgia acabou saindo ótima, mas meu estado não melhorou na época, preocupando meus pais.

— Jimin, pode vir aqui? — Meu pai bateu na porta esperando por uma resposta, olhei o horário e ainda era 15:00, não tomaria banho uma hora dessas.

— Senhor?

— Nós vamos passear com a Akemi e com a Yuki, quer vir? — Ele indagou apreensivo, normalmente eu não costumo sair de casa. Não quando tem um sol muito forte e muita poeira no lugar, mas talvez hoje seja um dia para sair da rotina.

— Claro. — Fechei a minha porta e saí com o meu pai, encontrando minha mãe, minha sobrinha e minha cadela no andar de baixo. — E o meu abraço?

Depois que recebi um abraço de Akemi, fomos passear pelo parque e no final da tarde eu e minha cachorrinha observamos eles jogando futebol.

Eu estava feliz naquele momento, o mundo se resumia em apenas nós. Sem guerras, sem tristeza, sem rancor e sem pena.

Era apenas uma família qualquer que soltava risada por tudo, uma família ingênua.

[...]

— Jimin, a Jisoo chegou. — Minha mãe me gritou do andar de baixo.

— Eu já desço. — Gritei volta.

Arrumei novamente o meu cabelo, deixando que caísse um pouco na minha testa. Terminei de abotoar minha camisa e olhando para o espelho, coloquei minha cânula.

Sem pensamentos negativos hoje a noite, eu repetia mentalmente enquanto descia as escadas e quando via a reação da mãe de Jisoo e de Jisoo.

— Jimin você está tão lindo. — A mãe de Jisoo me elogiou, fazendo eu corar enquanto agradecia-a.

— Se eu fosse hetero e tu também, eu te pegava. — Jisoo falou com um sorriso ladino enquanto recebia um tapa no ombro de sua mãe.

— E quem disse que eu pegava você? —  Eu indaguei com um toque de ironia, fazendo a mãe dela rir e Jisoo me encarou incrédula. Peguei a chave reserva da minha casa e caminhei para fora da minha casa. — Eu amo vocês e não esperem por mim, vou chegar tarde hoje.

Quando entrei no carro com elas, percebi o olhar de Jisoo preocupado sob a minha bolsa e minha cânula. 

— Minha mãe pediu para mim usar, caso eu ficasse muito nervoso. — Esclareci tentando acalmá-la, mas ela apenas assentiu. Então resolvi deixar pra lá até chegarmos no lugar da festa.

Eu olhava para a janela observando o caminho o tempo todo, quando eu era criança eu pensava que estava em algum filme ou em uma clipe de música quando eu viajava porque a paisagem era linda e tudo passava tão rápido. Era lindo, mas não tinha como a gente admirar o mesmo ponto por muito tempo.

Chegamos rapidamente mas antes de sairmos do carro eu segurei Jisoo e falei para ela não se separar de mim em momento algum. Ela riu do meu nervosismo e concordou, prometendo que só iria se afastar de mim se ela estivesse com vontade de mijar. 

Saímos do carro rindo e ficamos quase cegos quando os flashes das câmeras se encontraram com os meus olhos, um homem estava se aproximando de nós três, de longe eu não consegui enxergar muito bem mas quando chegou na nossa frente eu quase tive um infarto, era o sr.Wang.

— Sunmi, é um prazer tê-la em minha casa. — Eles se abraçaram e olhar dele logo caiu em mim e na Jisoo, nervoso eu puxei Jisoo para mais perto de mim, claro que discretamente. — Também fico feliz em recebê-los aqui, adoráveis Jisoo e Jimin.

Quando ele saiu eu faltei morrer de felicidade, fala sério um dos melhores escritores sabe o meu nome! O meu nome, vocês estão entendendo?

Só podia ser um sonho!

— E então, qual a crush da vez? — Indaguei quando nos afastamos de Sunmi, sentando nos bancos do bar.

— Você vai me achar louca quando eu falar. Dois Sex on the beach por favor. — Jisoo falou enquanto pedia nossas bebidas ao barman. — Lisa.

— A cantora?! Lalisa Manoban? — Indaguei enquanto pegava a minha bebida.

— Minha mãe me apresentou ela semana passada, e cara, rolou alguma coisa com aqueles olhares. — Ela contou bebericando o líquido e olhando ao redor, prendendo a sua atenção em um ponto específico. — Em falar nela, adivinha. Ela está bem ali conversando com o Namjoon, vamos lá dar um oi? Eles estão olhando para cá.

Tomei um gole um pouco grande da bebida e arregalei meus olhos para Jisoo.

— Não, nós não vamos dar um oi para eles, nem começa! Se ela quiser falar contigo, ela vai vir aqui. Não quero ter que encarar o Namjoon novamente. — Avisei, tomando outro gole da bebida enquanto ela ria de mim.

— Acho que você tá certo. Ela está vindo, mas não sozinha. — Me virei ficando pálido no mesmo momento, Lisa estava vindo na nossa direção com o Namjoon do lado dela. 

— Oi. — Lisa e Namjoon falaram em uníssono, arrancando um sorriso meu mesmo sem eu querer.

— Oi Lisa, olá Namjoon. — Jisoo falou meigamente e então olhou para mim, que no caso estava tentando esconder meu nervosismo ficando sem olhar para Namjoon. — Esse é o Jimin, meu melhor amigo.

Comprimentei os dois me predendo no olhar que Namjoon me lançou, eu acho que eu já estava ficando paranóico. 

Nós quatro começamos uma conversa divertida sobre a turnê de Lisa, ela estava com os olhos brilhando enquanto falava sobre a turnê e Jisoo ficava admirada com isso e eu não fui o único que percebeu.

— Eu vou ao banheiro, com licença. — Jisoo disse se levantando e trocando um olhar profundo com Lisa, me fazendo rir baixinho, acabando por chamar a atenção de Namjoon.

— Eu vou com você. — Lisa falou, se levantando rapidamente e saindo com Jisoo.

— Elas não vão voltar tão cedo. — Disse para Namjoon, observando o quanto ele ficava lindo quando ria.

— Verdade, quer andar lá fora? Aqui tem muitas pessoas. — Ele ofereceu se levantando, eu me levantei rapidamente. Pra quem estava nervoso, eu estava me saindo bem.

Peguei minha bolsa e saímos do lugar conversando.

— O que você tem? — Ele indagou se referindo a minha cânula e minha bolsa.

— Câncer de tireoide metastase nos pulmões, exatamente como Hazel Grace Lancaster. — Sorri me sentando em um banco de madeira do lado de Namjoon e por um momento me hipnotizei pelas estrelas que brilhavam. — Como conheceu a Lisa?

— Meu empresário me apresentou ela com segundas intenções, acabamos ficando muito amigos. Aí ela contou pra mim e pro mundo que era lésbica e eu fiquei chocado, ela não tinha medo de receber hater e eu tenho medo de falar que sou bissexual.

Eu fiquei chocado.

Meu crush/ídolo é bissexual, mesmo que isso seja uma coisa normal, aumenta pra 0,001% de chances pra mim ficar com ele.

— E-eu acho que se as pessoas realmente gostam do seu trabalho e de você, sua orientação sexual não mudará isso. Mas é a sua vida, quem sou eu pra falar. — Uma risada sem graça acabou escapando e ele olhou para mim com os olhos brilhando.

— Talvez um novo amigo? — Ele disse com um sorriso largo no rosto e eu não estava acreditando no que ouvi, é um grande passo! — Você quer me passar o seu-

Ele foi interrompido pela Jisoo que aparentemente estava me procurando.

— Achei você! Vamos, minha mãe precisa ir embora agora.

— Estava bom demais pra ser verdade. — Murmurei baixinho e me levantei. — Tchau Lisa, tchau Namjoon. Foi bom conhecer vocês.

Dei um abraço na Lisa e um em Namjoon, que apertou minha cintura um pouco fazendo meu coração palpitar rapidamente.

Quando a Jisoo e a mãe dela me deixaram em casa, eu subi sem fazer barulho algum trocando de roupa, vestindo um moletom e uma calça mais confortável, saindo de lá logo depois.

Eu não caminhei muito, mas fui um pouco rápido porque eu estava me sentindo seguido. Entrei no lugar, admirando o céu. Me deitei na grama observando as estrelas, elas são minha paixão.

Desde criança eu sou apaixonado por estrelas e nunca consegui explicar essa fascinação toda, meu quarto é decorado por estrelas e Jisoo até se espantou quando viu pela primeira vez.

Elas são lindas e me dão calma.

— Você não vai se jogar daí, não é? — Ouvi uma voz que eu conhecia bastante e tomei um susto, quase caindo.

— Claro que não! O que você está fazendo aqui Namjoon? — Eu indago olhando para ele com os olhos arregalados, ele se deita do meu lado.

— Esse é o único momento que eu tenho livre do meu empresário e dos meus seguranças, então costumo sair por aí. Então eu vi você vindo pra esse lugar, eu resolvi te seguir. — Ele deu de ombros, coisa que me fez rir.

— Costuma seguir as pessoas sr.Kim? — Indago com um tom de sarcasmo vendo ele sorrir ladino.

— Só quem me deixa curioso. — Sinto ele se virar para o meu lado enquanto eu ainda estava virado de barriga para cima. — O que faz aqui?

— Olho as estrelas. — Falo simplista me virando para ver ele. — Elas me encantam.

— Você é um anjo Jimin. — Namjoon disse com um brilho nos olhos enquanto passava o seu polegar pelas minhas bochechas.

O mundo parou quando os seus lábios encontraram os meus.

Era um simples selinho, mas deixou de ser um selinho quando Namjoon pediu passagem de língua que foi cedida rapidamente por mim, ele apertou minha cintura e eu impulsionei meu corpo fazendo eu parar no seu colo, enquanto o beijo se aprofundava cada vez mais.

Infelizmente o ar estava acabando então tivemos que nos afastar.

— Quer me passar o seu número de celular? — Ele indagou ofegante arrancando um sorriso largo meu.

Eu beijei o homem mais lindo do mundo!

[...]

Já fazia três meses que eu e o Namjoon estávamos namorando oficialmente, ele resolveu falar para todos de uma vez que era bissexual e que estava namorando um homem. 

Eu senti borboletas no meu estômago e naquele dia eu falei para os meus pais que estava namorando Kim Namjoon.

“O repórter encara Namjoon que falou que iria dar um aviso muito importante para todos.

— Bom, não sei como contar isso para vocês, bem que ele me avisou que iria ser difícil! — Namjoon falou rindo sem jeito me fazendo rir junto com os meus pais. Parecia que nós quatro estávamos juntos e não separados por ruas e por uma tela. — Vou ser bem direto, eu sou bissexual e estou em um relacionamento sério com um homem chamado Park Jimin.

Me engasguei com o cereal que eu estava comendo, senti os olhares dos meus pais em mim e eu corei, tentando me esconder em algum lugar. Maldito Namjoon!

— Com ele eu aprendi que não tem motivo para eu me esconder, e como ele me disse uma vez, quem realmente gosta de mim e do meu trabalho não vai parar de gostar por causa da minha orientação sexual. — Namjoon respirou fundo. —  Ele pode não ficar comigo para sempre, mas eu vou lutar para estar com ele sempre que eu puder.”

Graças a Deus ninguém veio atrás de mim, mas meu número de seguidores aumentou bastante. Eu fiquei feliz por ele finalmente ter se aceitado e mostrado para os outros o que ele era, mesmo que eu tenha ficado com muita vergonha por meus pais estarem do meu lado e eu ter que explicar tudo para eles depois.

Esses momentos me fazem sorrir bobo mesmo estando no hospital, que é onde eu estou agora. Meu médico tem uma notícia muito importante para falar para mim e para os meus pais.

— O que houve? — Minha mãe indagou segurando a mão do meu pai, entrelaçando os seus dedos.

— O resultado dos exames saiu, e bom… — O médico escolhia as palavras com cuidado, mas eu já havia entendido o que estava acontecendo.

— Quanto tempo eu tenho? — Indaguei com lágrimas nos olhos, me preparando para ligar para Jisoo e depois para Namjoon. Minha mãe olhou para mim sem acreditar e meu pai apenas abaixou a cabeça.

— 24 horas, me desculpem.

Vocês lembram quando Hazel Grace guardou o 10 dela para um momento pior? Eu acho que essa notícia foi o meu 10. Não por perder apenas minha vida, mas por perder momentos com os meus pais, perder momentos com a Jisoo e perder momentos com o Namjoon, que seria eternamente meu namorado. Não importa onde eu esteja.

Consegui ouvir o choro da minha mãe e eu vi meu pai chorando, silenciosamente.

Sorri fraco e liguei para Jisoo, avisando que eu precisava ver ela e o Namjoon urgentemente.

O caminho para casa foi silencioso, o choro foi silencioso. Quando chegamos em casa Jisoo e Namjoon já esperavam nós três na nossa calçada, dessa vez eu chorei alto sendo abraçado por todos que estavam ali.

— Vamos para lá mais tarde okay? — Namjoon avisou enquanto me abraçava mais uma vez.

Depois de todos nós chorarmos o máximo possível, eu, Jisoo e Namjoon fomos para o meu quarto, falando do que eu sentiria falta.

Quando Jisoo foi embora, às 22:30 da noite, eu e Namjoon fomos para o nosso cantinho, só que dessa vez não foi com planos de olhar as estrelas.

As estrelas nos juntaram e agora as estrelas iriam nos separar, naquela noite eu fui apenas de Namjoon e Namjoon foi apenas meu.

Não tinha nada além de amor ali, não tinha nem um câncer, não tinha nenhuma lágrima, apenas o amor de namorados.


Notas Finais


"Gostaram?
Deixe o seu comentário e favorite, me dá um força aí mô.
Aconteceu muito rápido, mas foi isso.
Gostei bastante de escrever, equero agradecer a @biazoides pelo design MARAVILHOSO e a @heydarlingx pela betagem xuxu.
Recomendoo.
Beijinhos, espero que tenham gostado ♡"


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