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História Nem sempre a melhor escolha - Capítulo 23


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Notas do Autor


Eu chorei um pouco enquanto escrevia. :'v

Capítulo 23 - Capítulo 23


O Natal chegou mais rápido do que Harry podia notar. O frio se alastrou por todo o castelo, e conseguiu atravessar as grossas paredes de pedra e atingir até mesmo aquela sala secreta onde lia, produzia suas poções e estudava. Frequentava o lugar assiduamente, mesmo que o frio o castigasse. Ele não se incomodava.

O armário sob a escada sempre foi um local frio; viveu nele por muitos anos, e a cada inverno e a cada verão ele foi aprendendo a suportar mais as temperaturas. Frio não lhe fazia tremer, e calor não o fazia suar. Os Dursley serviram pelo menos para fortificar seu corpo para isso (ou talvez sua magia tenha se adaptado o bastante).

O Lago Negro havia congelado, e uma longa pista de gelo bem grossa estava ao redor da ilha do castelo. A Floresta Proibida estava bem esbranquiçada, mas ainda mantinha, de forma muito estranha, toda a sua pressão obscura, de forma literal e metafórica.

Morgana, que estranhamente estava vestida com um suéter vermelho e touca verde, ordenou para ele sair daquele local e ir brincar na neve. Harry, não tendo boas lembranças sobre isso (Duda uma vez lhe prendera dentro de um boneco de neve), tentou convencer a mulher para ficar, mas ela ainda assim o enxotou.

Ele mal havia saído do local escondido quando Hermione apareceu atrás dele, o arrastando junto a Daphne e Theodore para o lago, onde quase todos os alunos que haviam ficado em Hogwarts estavam (Harry e seus amigos resolveram ficar, juntos a uma boa parte dos sonserinos do segundo ano, os Potter, alguns professores e pouquíssimos grifinórios, lufanos e corvinais). Ela dissera que não iria brincar sozinha.

Minerva transfigurava pedras em patins de gelo, e os distribuía entre os alunos. Harry pegou os dele, e Hermione o jogou no gelo. A garota queria vê-lo caindo, o que se comprovou com a cara surpresa dela por ele simplesmente deslizar tranquilamente pela superfície congelada do lago.

Harry riu divertido quando viu Theo cair várias vezes enquanto tentava ter equilíbrio. O amigo o encarava irritado, resmungando sobre a perfeição dele em tudo ser injusta. Harry apenas sorriu e começou a deslizar tranquilamente pelo lago.

Escorregou de costas e fez várias curvas, enquanto desenhava algo no gelo enquanto o riscava com as lâminas dos patins. Desenhara um tipo de rosácea.

Viu alguns sonserinos com dificuldades para patinar e deslizou até eles, os ajudando gentilmente. Os mais velhos logo pegaram jeito, mas os mais novos, em especial os primeiranistas, eram horríveis. Ele dedicou mais tempo com Astoria Greengrass. A garotinha era um tipo de mola, sempre se mexendo de um lado para o outro e acabando por perder o equilíbrio. Deslizou com a menina até Daphne, que patinava relativamente bem. Disse para a garotinha que a irmã iria patinar com ela, o que Daphne fez.

Harry também ajudou Theo, com pena do garoto que já estava com os cabelos cheios de neve devido a tentas quedas e escorregões em montes de neves próxima ao gelo (o garoto não se afastara nem um metro da borda).

Viu a situação das crianças das outras casas e suspirou. Com pena, deslizou até eles e os ajudou. Eles o encararam desconfiados, mas não negaram a ajuda. Harry também ajudou Hagrid; o gigante era bem estabanado, e caiu seis vezes (o que deixou as pessoas temerosas, já que poderia quebrar o gelo).

-Ah, isso é divertido, Harry! – o homem falou alegre, enquanto deslizavam devagar no gelo. Todos observaram o gigante deslizando.

Hermione, que estava deslizando com Theodore, observou todos; os professores também estavam ali. Lilian estava deslizando por aí com James; Sinistra patinava junto a Pomona e Sibila, que estava vacilante e era ajudada pelas amigas. Notou também que algumas pessoas de fora também estavam lá; provavelmente de Hogsmeade. Também haviam outros; via que lá estavam também a família de Catarina e aquela que acompanhava ela na Floreio e Borrões, daquele homem loiro, a mulher de cabelos roxos e uma criança. Eles estavam patinando suavemente.

Harry deslizou para um canto do lago e se sentou na neve, passando a observar as pessoas.

Viu Lilian e James praticamente dançarem no gelo; os Black e Lupin os acompanhavam. Viu Malfoy, Crabbe e Goyle patinarem, e sorriu ao ver Draco cair meio desajeitado e ser ajudado pelos amigos. Observou Hermione guiar Theo, que ameaçava cair a cada cinco segundos. Se divertiu vendo Gina puxar seu irmão Percy para o gelo, e conseguindo, mesmo com o irmão fazendo uma tremenda carranca. Observou com malícia Fred e George Weasley jogando bolas de neves nos desavisados que passavam por perto. Sorriu ao ver Daphne deslizando suavemente com a irmã, sempre cuidando para que ela não se machucasse. Riu ao ver Rony cara no chão, puxando Adrien com ele e Catarina rindo dos dois e logo sendo derrubada por Adrien, que puxou a amiga pelos patins. Observou sua família, vendo com graça um sexto ano patinando corado com uma corvinal, que estava corada como ele. Aleister estava com Flint conversando, ambos com suas namoradas, Lauren e Sandy. Se virou para ver os grifinórios e achou graça da guerra de bolas de neve. Viu os corvinais e notou que estavam em sua maioria deslizando com os lufanos. Viu Luna Lovegood puxar Gina e ambas dançarem juntas no gelo. Por fim, viu os professores. Sinistra, Pomona e Sibila seguiam juntas, com a prof.ª de adivinhação agora menos vacilante. Viu a prof.ª Minssy, de Aritmancia, patinar junta a madame Pince e madame Pomfrey; as três estavam conversando também. Por fim, viu Minerva patinando com Dumbledore. Riu com gosto ao ver o diretor cair de costas no gelo, e ser socorrido pela professora de transfiguração muito preocupada.

Começou a empalidecer rápido; sentia o frio lhe abraçando com força, e seu sangue retraindo em suas veias. Contudo, não se mexeu; tinha medo de que, no menor movimento, aquela cena fosse sumir de sua frente. Não queria perder aquilo; não queria perder aquele momento. Não queria piscar e ver que não era real.

Mordeu o lábio inferior; odiava essa emoção. Odiava ficar com essa maldita sensibilidade, com essa maldita carência. Ele é Harry Fodido Potter. Viveu com os Dursley, sobreviveu a fome e ao frio e cresceu com Palmieri da Zona Sul. Carência não é dele; ele não pode sentir carência.

Se levantou de onde estava e respirou fundo. Tirou um frasco de um dos bolsos do seu casaco e o abriu, bebendo de uma vez o líquido dentro dele. Fechou o frasco e guardou de novo no bolso. Respirou fundo e suspirou lentamente, enquanto seu corpo de aquecia. Era uma poção de aquecimento.

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-Se ousar fazer isso, Sr. Potter, você irá de um jeito bem literal limar as paredes das masmorras – Snape disse alto. Harry, que estava atrás do homem e prestes a empurrá-lo no gelo, desviou do professor, deslizando de costas para a frente dele.

-Do que está falando, professor? – Harry perguntou sorrindo inocentemente. – Aliás, finalmente resolveu se divertir um pouco? Cansou da batcaverna?

-Não verdade, a gritaria me fez vir aqui para reclamar do barulho. – Snape disse. – É difícil tentar apreciar um sanguinho enquanto há gente gritando.

Harry riu, e ficou parado do lado do homem, observando junto a ele as pessoas se divertindo. Notou também que o olhar do professor parou em Lilian, o que o fez suspirar.

-Ainda se sente mal? – o garoto perguntou para o homem.

-Não é fácil – Snape disse, com a voz pesada.

-Mas não é impossível – Harry murmurou. – Tente ignorar; vá atrás de alguém.

-E quem poderia querer um morcego como eu? – Snape perguntou, se auto depreciando. O homem não tinha confiança em sua aparência.

-Talvez uma coruja negra – Harry comentou para o homem, enquanto discretamente apontava para Sinistra, que observava o homem. Ela, ao notar ser encarada por Severus, desviou o olhar.

Severus observou surpreso a professora. Sinistra era uma mulher muito bonita; ela prestava atenção nele?

-Acorde, Severus – Harry disse, divertido. – Até uma porta percebe os olhares dela para você. Acho que os que não percebem são os mais tapados. Claro, sem ofensa aos presentes. – comentou acido, encarando o homem. Ele não falou nada; ainda estava pensando. Sinistra?

“É, acho que ele agora está inútil.”, Harry comentou enquanto estalava os dedos próximo ao rosto de Snape.

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Harry entrou no escritório de Dumbledore (estupefato pela senha realmente ser “Gota de Limão”) e prendeu a respiração. O local tinha uma aura estranha, muito densa. Parecia transbordar de magia. Também era muito luminosa; vários objetos e cacarecos brilhantes reluziam em vários cantos da sala.

Um pio alto foi ouvido, e Harry se virou para ver de onde veio. Viu um velho pássaro em um poleiro. Parecia bastante um peru depenado. Reconheceu então a criatura, uma fênix; não só isso, aparentemente era o último dia dela, o Dia da Queima.

Andou até a criatura e a observou; ela o encarava atenta. Logo, após piar mais uma vez, ela simplesmente pegou fogo. Harry se afastou um pouco para não sofrer com o mormaço, e após as chamas se extinguirem ele remexeu nas cinzas, ignorando o calor da poeira. Com muita delicadeza ele tirou o pequenino filhote de fênix das cinzas, e o tirou do prato sujo, ficando com ele em mãos. A criaturinha piou levemente, de olhos fechados. Estava completamente pelado, e Harry o cobriu com uma mão. Tinha um sorriso gentil destinado a criatura.

-Ah, Harry – Dumbledore falou gentil, saindo de algum canto da sala. – Vejo que conheceu Fawkes.

O velho seguiu para a cadeira atrás de uma mesa, que Harry presumiu ser a dele. Atrás dele vinham os Potter junto de seus filhos.

-O que eles fazem aqui, diretor? – Harry perguntou, encarando Dumbledore. A fênix em suas mãos estava bem acomodada, e piava baixinho.

-Ah, eles estão aqui para podermos discutir sobre a ferida em seu rosto – o homem disse, o encarando com um sorriso gentil. – Harry, a marca que você tem no rosto mostra que o local em que você está não é seguro.

-Não é seguro? – Harry perguntou, com uma sobrancelha erguida. – Diretor, eu não me machuquei nos Dursley.

-Ainda assim – o velho disse, com seus olhos brilhando. – Isso mostra que o local não é seguro. Da próxima vez pode não ser só uma marca superficial, não é mesmo?

Harry, então, começou a rir alto. Todos o encararam, até a pequena fênix.

-Dumbledore, por favor – Harry disse, com um sorriso zombeteiro. – Essa marca foi um acidente. Eu apenas acabei não prestando atenção direito enquanto andava e ela acabou ocorrendo.

-Não acho que uma batida deixe uma marca assim, Harry – o velho disse sério, o encarando.

-Ah, sim, realmente não foi uma batida – disse e bateu de ombros. – Eu apenas fui assaltado. É comum em Londres. Não quer dizer que eu estou em um local perigoso, apenas que não tive sorte.

-Se isso é comum é mais um motivo aí da para ir para os Potter. – O diretor falou.

-Besteira – o garoto falou, e colocou a fênix filhote no poleiro. O passarinho pareceu desgostoso por sair das mãos dele. – Foi um caso qualquer. Não tem porque fazer drama por ele. Além do mais, não quero ir para os Potter.

-Mas por que não quer? – Lilian perguntou, com uma expressão de sofreguidão.

-Porque não quero brincar de família feliz com vocês. – disse, com os olhos frios. Sua expressão mudou rapidamente.

-Harry, meu garoto...

-Eu não sou seu garoto – disse ríspido, encarando o diretor.

-Harry, entenda, pode ser um caso de azar, mas e se acabar se repetindo? – James perguntou. – Na mansão Potter você estará seguro...

-Não estarei não – Harry disse, com um pouco de irritação. – Eu não sou um cachorro e você não é meu dono para dizer onde estou seguro ou não.

-Harry, eu sou seu pai, e sei o que é melhor para você – James disse sério. – Qual o problema de vir morar conosco?

-Há alguns bons motivos – Harry disse, com os olhos estreitos. – Eu não vou morar com vocês.

-Sim, você vai – Dumbledore se intrometeu, sério. – Harry, isso é para sua segurança. Você pode acabar recebendo outra marca onde está.

-E se eu for com eles isso vai melhorar algo? – Harry perguntou, raivoso. Até agora esteve contendo bem a raiva, mas aquela situação já estava o fazendo explodir. – Eles deixaram muitas marcas em mim já, Dumbledore.

“Sabe o que é chorar querendo um abraço da sua mãe? O que é chorar enquanto se pergunta onde estão seus pais? Querendo saber por que eles o deixaram? Sabe o que é pensar que é tão pequeno e decepcionante que seus próprios pais o deixaram? Se iludir noite após noite com seus pais vindo lhe buscar de seu quarto pequeno, escuro e frio e o levar para um lar confortável e na manhã seguinte levar um choque de realidade horrível? Sabe qual é a sensação de ver os pais das outras crianças os buscando, os abraçando, dando-lhes beijos e abraços sendo você o esquecido, que não recebe amor de ninguém e que é sempre alvo de zombarias por não ter pais, e ter que ouvir que nem eles deveriam amá-lo

Em algum momento ele começara a gritar, e lágrimas a escorrer.

“Isso não é algo que nenhuma criança deveria vivenciar, Dumbledore, mas eles – apontou para Lilian e James, com nojo. Eles se encolheram. –, me fizeram experienciar isso. E o pior: ainda acham que eu devo entender, acham que devo concordar com uma maldita ideia filha da puta que fodeu com a minha vida só porque não querem se sentir ruins por terem abandonado o filho. Eles me ignoraram por onze anos, tiveram essa pirralha, Jasmine, e seguiram a vida, nem sequer indo uma vez me ver para ao menos saber se ainda estava vivo. Não vou aceitar ficar com pessoas assim, não vou me sujeitar a isso só porque merdinhas covardes como eles choramingam para idiotas como você, Alvo Dumbledore!” – Harry disse, batendo na mesa de Dumbledore com força em seguida. Ele assustou a todos, especialmente porque sua magia estava estourando, sua voz falhava em meio a lágrimas e muita tristeza estava em seu rosto, junto a muita mágoa e raiva.

Se virou e saiu andando do escritório, sob o olhar dos outros, quem nem sabiam como reagir.

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Quando Theo, Mione e Daph encontraram Harry o amigo estava sentado encostado em uma das paredes externas do castelo, abraçando as pernas e com a cabeça deitada sobre os joelhos. Na sua frente estava o Lago Negro congelado, com a neve o cobrindo agora. Ela estava ao redor de Harry também.

-Harry? – Daphne o chamou, preocupada. O garoto não reagiu.

-Harry, você está bem? – Theodore perguntou, preocupado com o amigo.

Harry ergueu a cabeça para encarar os amigos, e a visão do rosto dele partiu seus corações. O rosto muito bonito do garoto estava inchado; seus olhos sempre sóbrios estavam banhados em uma profunda tristeza, vermelhos e inchados. Seus cabelos, quase sempre bem arrumados, estavam bagunçados. A quase contínua expressão indiferente havia dado lugar a uma expressão chorosa, que quebrava o coração dos amigos. Harry abriu a boca, e com um voz rouca e arrastada disse:

-Na verdade não, Theo – disse, com muita tristeza. – Na verdade não.

Os amigos se entreolharam, e todos foram até Harry, o abraçando. O garoto se encolheu entre os braços deles, chorando em silêncio.

Eles choraram juntos naquela dia frio de inverno. E, em meio as lágrimas, todos puderam sentir a amizade crescendo mais, e mal sabiam que, para Harry, eles agora eram família. Afinal, apenas uma família chora e conforta os outros ao mesmo tempo.


Notas Finais


Pessoal, agora eu vou avisar aqui uma coisa... Quem ficou triste ou meio chocado, por favor, se prepare mentalmente; o próximo capítulo vai ter coisas muito pesadas, então é bom estar preparado.


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