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História Nem sempre a melhor escolha (Repostada) - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Capítulo 12


-Harry – Dumbledore aparece na frente do garoto, o encarando sorrindo.

-Sim, diretor? – Harry pergunta. Ele estava se dirigindo para o salão Principal para poder almoçar. Havia acabado de sair da aula de Poções em conjunto com a Grifinória, e Hermione, Theodore e Daphne o seguiam. Os outros três pareciam muito cansados; Snape os fez, no sentido quase literal, chorar de tanta pressão que fazia neles.

-Existem algumas questões a serem discutidas, e é preciso que me acompanhe até os aposentos dos Potter – o velho falou sorrindo gentil, com seus olhos azuis brilhando intensamente.

-Lamento, diretor, mas creio que não irei – Harry disse, contendo a frieza que queria sair com sua voz. – Eu tenho aula em uma hora, então devo aproveitar o pequeno espaço de tempo que possuo para comer.

-O senhor não tem aulas mais tarde, meu garoto – Dumbledore falou sorrindo. – Nenhum primeiranista tem aula com algum professor de Hogwarts nas sextas a partir de meia dia.

-Nenhum professor de Hogwarts – Harry começou. –, mas não terei aulas com nenhum professor daqui, mas sim com eles. – falou enquanto apontava para Daphne e Theodore.

-Aulas de que, se me permite saber? – Dumbledore perguntou com um sobrancelha arqueada. 

-Etiqueta – falou rápido. Estava mentindo, era óbvio. Apenas não queria estar próximo dos Potter.

-Bem... Tudo bem então. Iríamos discutir sobre sua volta ao lar, mas parece que vamos acabar tendo que deixar nas mãos dos aurores. – Dumbledore falou com um fingido tom de “pena ser assim”. Harry o encarou.

-Não acho que devamos incomodar aurores sobre algo tão besta – Harry falou contendo seu nervosismo. Ele não quer ninguém xeretando as coisas deles, ainda mais por causa dos Potter. – Vamos ter que adiar nossa aula.

Daphne apenas assentiu, junto de Theodore. Hermione estava quieta, apenas observando.

-Ah, Srta. Granger, a professora McGonagall está procurando você – Dumbledore falou, encarando Hermione. – É algo sobre seu trabalho de transfiguração da semana passada.

Hermione ficou incrivelmente pálida, e começou a andar rápido para a sala de McGonagall. Estava assustada com a ideia de poder ter feito besteira na atividade.

-Podem ir comer, logo me encontro com vocês – Harry falou para os outros dois sonserinos, que mesmo a contragosto foram para o salão principal.

-Vamos? – Dumbledore perguntou sorrindo.

Harry não respondeu, apenas seguiu atrás do homem. Subiram as escadas de Hogwarts e logo chegaram em um largo corredor, e andaram até uma porta de madeira pesada localizada na parede do lado direito. Dumbledore abriu a porta e atravessou o arco, e Harry fez o mesmo logo em seguida, mas tampando os olhos com força pela luz que vi já de dentro do lugar.

Tudo era repugnantemente dourado e vermelho. O papel de parede era um vermelho vivo, e dezenas de objetos espalhados pelo lugar eram dourados. No chão haviam um grande tapete vermelho e dourado, e os sofás eram cor de vinho. Haviam alguns quadros espalhados, e em todos eles figuras se mexiam para lá e para cá. Harry ergueu os óculos (que ficaram na altura de sua testa) e coçou os olhos. A luminosidade fez eles arderem.

--Olá, Harry – Lilian fala sorrindo ao ver o filho entrar no lugar com Dumbledore.

-Prazer vê-lo, Harry – James fala sorrindo gentil. Harry apenas balançou a mão direita para eles, coçando os olhos com a esquerda. Piscou várias vezes e se acostumou com a luz.

Voltou a observar; em um dos sofás repugnantes estava Adrien, que o encarava. Uma garotinha saiu de algum canto atrás do sofá e o encarou. Ela marchou até ele, com um olhar esnobe no rosto.

-Olá – ela o cumprimenta com um ar metido.

-Olá – Harry fala inexpressivo.

-Eu sou Jasmine, irmã de Adrien Potter – falou como se exibisse um prêmio.

-Me chamo Harry, e que bom pra você. – falou e se virou. A garotinha pareceu ficar chocada.

-Você tem que me respeitar! – ela falou meio exasperada. – Eu sou importante; mamãe, fala para ele o quão importante eu sou!

-Que pequena Kardashian – Harry falou debochado. – Entenda: se você não fez nada demais você não fez nada, logo, não merece nem sequer um segundo de um olhar meu. Isso é para você e para Adrien.

-Mas se não fosse por ele você estaria morto! – Jasmine falou. Harry apenas deu de ombros.

-Viver ou morrer é completamente insignificante e natural – Harry disse, dando as costas para a garota. – Corpos vivos e mortos possuem a mesma quantidade de átomos em sua composição, logo, não tem porque me preocupar com isso. Lembre-se: “a morte é apenas o começo de uma aventura”.

-Mas apenas para os que estão prontos – Dumbledore disse, com um sorriso e com seus olhos brilhando.

-E qual seria a graça de uma aventura sem o despreparo? – Harry perguntou enquanto encarava Dumbledore, com seus olhos também brilhando. – Não há graça em ir sabendo o que vai ocorrer.

-Mas você irá tranquilo – Dumbledore argumentou.

-Prefiro apreciar as emoções corretas; tranquilidade em vida, e diversão em morte. – Harry disse. Dumbledore sorriu e fez um movimento, como se tirasse o chapéu para Harry.

-Que tal nos sentarmos? – James pergunta. Lilian pegou Jasmine no colo e repreendeu a garota, mas Harry viu que não adiantaria, já que a garotinha fez um olhar suplicante para a mulher e a fez parar de repreende-la. Ainda ganhou um doce.

Harry andou até um poltrona e a encarou intensamente, como se quisesse chutá-la. Torceu o nariz e tirou sua varinha do coldre. Balançou-a no ar e a cor da poltrona virou preto, bem intenso e perolado.

-O que você pensa que está fazendo? – Adrien pergunta ouriçado.

--Não sou grifinório; e mesmo se fosse eu devo dizer que essa obsessão por vermelho e dourado é doentia. Não vou me sentar em algo que reflita isso. – Harry falou e se sentou na poltrona.

Dumbledore o encarava embasbacado; nunca vira nenhum primeiro ano, nem mesmo Tom, realizar um feitiço complexo de transfiguração como esse.

--Mas nós somos! Não queremos algo diferente aqui! – Adrien falou raivoso. – Mude!

-Como queira – Harry falou sorrindo e balançou a varinha de novo. A poltrona ficou verde, e o tapete prateado. – Que tal? Bem agradável, na minha opinião.

Adrien parecia a beira de um ataque cardíaco; Dumbledore estava com uma reação similar a de um, vendo tamanha destreza.

-Mude agora essas cores! Ninguém aqui gosta dessas cores viscosas e arrogantes de cobra!

-Cobras não são viscosas; o muco não é natural delas, logo, não são viscosas. – Harry fala meio entediado. – E não acho que os grifinórios possam reclamar de arrogância; afinal, vocês estão em último, na corrida da taça das casas e no torneio de Quadribol. – Harry falou agora sorrindo de forma maliciosa.

Adrien ficou muito vermelho.

-Que tal deixarmos as questões das casas de lado? – Dumbledore perguntou sugerindo. – Não vamos deixar que elas interfiram em um caso de família.

--De acordo, diretor – Harry falou, enquanto bocejava.

-Não sou o diretor agora, Harry, mas obrigado – o velho falou sorrindo. – Que tal mudarmos as coisas para o que eram antes? – perguntou. Na verdade, ordenava de forma implícita.

-Com todo respeito, Dumbys, estou confortável assim. – Harry disse e balançou a varinha de novo, e o tapete deixou de ser prateado e ficou branco, e a poltrona foi de verde para preto de novo. – Não sabia que ficariam assim – comentou.

Dumbledore se sentou, devidamente chocado. Ele não havia recebido um não há muito tempo, e Adrien nunca recebeu, então estava tão chocado quanto o diretor por não conseguir o que queria.

-Bem – Dumbledore falou após um silêncio constrangedor. – Estamos aqui para falar sobre onde ficará durante os verões.

-Ficarei onde sempre estive – Harry disse, impassível.

-Você vai para a mansão Potter, Harry – Dumbledore falou sério. Seus olhos ainda brilhavam.

-Acho que não, diretor – Harry disse. – Voltarei para os Dursley.

-Mas você disse que sua vida lá é horrível – James falou, confuso.

-E é, contudo, há uma razão para lá ser o melhor lugar para mim ficar. – Harry disse.

-Que seria? – Dumbledore perguntou, com uma sobrancelha erguida. Harry virou a cabeça para Lilian e James e sorriu de forma bem maliciosa, dizendo:

-Lá é seguro para mim.

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Harry deslizou silenciosamente pelo corredor proibido do terceiro andar. Estava se preparando há uma semana para poder colecionar a Pedra Filosofal. Leu vários livros sobre criaturas mágicas, herbologia, transfiguração e defesa para poder atravessar as defesas (já que era meio óbvio que haviam muitas) até a pedra.

Murmurou Alohomora enquanto apontava para a porta com sua varinha e a segurou, antes que se abrisse rangendo. Empurrou-a bem lentamente, para não fazer barulho. Encostou de novo, fechando-a. O Cérbero estava dormindo, mas quando o clique do trinco se fechando cada uma das cabeças ergueu suas orelhas, todas se erguendo de uma vez para ver a fonte do barulho. Viram Harry e começaram a rosnar, mas antes que pudessem atacar Harry ele se enrolou em sua capa e se escondeu em algum canto. O cachorro começou a farejar, mas Harry jogou um frasco de vidro no chão, que se quebrou e um forte odor preencheu a sala, ofuscando o olfato do cão, que espirrava.

Pegou a flauta que Hagrid havia lhe dado no Natal e passou a usá-la, assoprando no bico fino dela e mexendo os dedos sobre os buracos ritmicamente. O cachorro, que ainda o procurava, tentou usar o som de referência, mas não conseguiu; ele ecoava pelo lugar, dificultando o rastreamento. Contudo, ainda tentou faze-lo, mas em dois minutos caiu no chão dormindo. A música o adormecera.

Harry, ainda tocando a flauta com uma mão, fez um carinho leve em uma das cabeças do cachorro com a outra. Se virou para o alçapão (o cachorro havia se afastado enquanto o procurava) e abriu a tampa com um feitiço de levitação. Pulou no alçapão, puxando consigo a tampa dele.

Deslizou por um tipo de túnel úmido, até que caiu, com um baque engraçado, em cima de algo. Harry tateou, sentindo ser uma superfície áspera, úmida e meio granulada, como se vários pequenos cristaizinhos estivessem sobre ela.

Harry sentiu seus pés serem enrolados, juntos a seus braços. Algo também se enrolou ao redor do seu pescoço, e quanto mais tentava se soltar mais forte ficava o aperto. Estava preocupado com isso, até que sua mente estalou. Local escuro, umidade, planta que se enrosca e fica mais firme com a movimentação; era Visto do Diabo, Harry tinha certeza.

Parou de se mexer, e em cerca de quinze segundos caiu em um chão pedregoso. Soltou um gemido baixo e se levantou, limpando suas roupas no processo com leves batidas. Pegou sua varinha (que caíra pouco a frente dele) e lançou um Lumus. Ouviu um som estridente vindo de cima de si, e quando ergueu a cabeça para ver o que era notou que o Visgo estava se encolhendo para longe da luz. Sorriu.

Virou a cabeça a procura de um caminho e viu uma luz vindo de longe atrás dele. Se virou e passou a andar em direção a ela, e logo viu um arco. Atravessou-o e entrou em uma câmara bem clara, totalmente o oposto da que estava a pouco. No alto vários passarinhos reluzentes voavam, e do outro lado do local havia uma enorme porta de madeira maciça, com uma fechadura enferrujada e grande no meio dela. Harry andou até ela e usou Alohomora, mas nada ocorreu. Tentou usar outros três feitiços de abrir (só conhecia quatro) e nenhum surtiu efeito. Suspirou e então notou vassouras paradas em um canto do lugar, na parte esquerda superior. Ergueu uma sobrancelha. Teria que voar e pegar um dos passarinhos? Um deles está com a chave?

Harry, então, pareceu se lembrar de algo; passarinhos não brilham.

(N/A: sim, isso foi MUITO idiota, mas não resisti em colocar. Ocorreu o mesmo no livro, e não queria deixar esse ridículo passar.)

Ergueu a cabeça e encarou com atenção as coisas que voavam sobre sua cabeça; percebeu que eram chaves. Grandes e pequenas, e todas aladas. Reluziam e se chocavam, produzindo um som metálico.

-Qual será? – Harry se perguntou e se virou para a porta, atrás de alguma pista. Viu que a fechadura estava enferrujada, então podia dizer que a chave deveria estar em estado similar. Notou que a cor ainda existente era prata, então a chave deveria ter a mesma coloração.

Ergueu a cabeça novamente e procurou com os olhos olha chave velha e de prata. Notou uma chave gorda e que voava com dificuldades; suas asas pareciam prestes e quebras.

Andou até o lugar onde estavam as vassouras e as analisou; não subiria em nenhuma. Todas estavam horríveis, com cabos bem brancos e de aparência quebradiça. Lascar estavam levantadas contra o sentido do cabo. A palha estava toda desfiada. Todas pareciam antiguíssimas.

Voltou até a porta e ergueu a cabeça, novamente procurando a chave. Encontrou-a e ergueu a varinha em seguida, apontando para ela.

-Accio – falou e a chave cortou o ar, parando na mão dele em dois segundos. Ela se debateu, querendo fugir, mas Harry a segurou e enfiou na fechadura, rodando-a. Quando clique indicando a abertura soou todas as chaves pararam no ar, e em seguida voaram na direção de Harry. Ele abriu a porta rápido e atravessou-a, fechando-a em seguida rápido. Ouviu o som das incontáveis chaves batendo na porta.

A câmara seguinte era tão escura que não dava para ver absolutamente nada. Mas, ao entrar nela, a luz inesperadamente inundou o aposento, revelando uma cena surpreendente.

Estava parado na borda de um enorme tabuleiro de xadrez atrás das peças pretas, que eram todas mais altas do que ele e talhadas em um material que parecia pedra. De frente para ele, do outro lado da câmara, estavam dispostas as peças brancas.

--Acho que terei que jogar – comentou. O rei, que estava próximo a ele, assentiu, e logo em seguida voltou a ficar imóvel como uma estátua.

O bispo em F8 se levanta de seu trono negro de pedra com seu cajado e sua Bíblia em mãos e sai do tabuleiro. Harry ocupou o lugar dele.

As brancas começaram a partida, com peão em D4. Harry mandou um cavalo para F6. AS brancas mandaram um peão para C4. Harry mandou um peão para D6. As brancas moveram um cavalo para C3 e Harry um peão para E5. Foi, assim, seguindo: E4 - D4 - D4 - C6 - D2 - G3 - B3 - G7 - B2 – Roque - D3 - G4 - E2 - H4 - F2 - G3 - E5 – Roque - F5 - F3 - H6 - F4 - E2 - G5...

Se ambos os lados apenas os um peão de cada foi perdido, todo o resto estava intacto. Harry estava no canto esquerdo do tabuleiro, na frente do rei.

D5 - G4 - G3 - G3 - G3 - H3 - F4 - E6 - C2 - F7 - F2 - H2 - E3 - D5 - D5 - B4 - H1 - F4 - H2 - F3 - D4 - G7 - A4 - C5 - C6 - C6...

Harry perdeu três peões, um bispo e a rainha, e as brancas haviam perdido três peões e um cavalo. Contudo, mesmo com essa desvantagem de peças (e sem a grande rainha) Harry estava na vantagem; o rei das peças brancas estava no meio do tabuleiro, preso entre dois peões (que protegiam a si mesmos e um dos cavalos próximos) e entre dois cavalos (que bloqueavam o caminho para a tomada dos peões e de si próprios).

D3 - D3 - C4 - D5 - D5 - D5 - B5 - B8 - A5 - C6 - A6 e B4.

-Xeque-mate – Harry fala de seu lugar na frente do seu rei.

O rei branco tirou a coroa e jogou-a nas patas do cavalo que o prendeu. As peças brancas se afastaram e se curvaram em seguida, abrindo um caminho para Harry. Ele sorriu e passou alto na frente deles, em direção a próxima câmara.

Ele havia percebido que as defesas tinham algo haver com as matérias; a primeira era genérica, mas podia se enquadrar em Trato das Criaturas Mágicas; a segunda, Herbologia; a terceira, Transfiguração; a quarta, Feitiços; faltavam apenas Defesa Contra as Artes das Trevas e Poções.

Harry entrou na outra câmara e um odor horrível invadiu as suas narinas. Semicerrou (o odor também os irritava) e, com lágrimas lubrificando-os e embaçando a vista um pouco, ele viu um grande trasgo montanhês deitado em um canto, dormindo. Harry, que se assustou, moveu-se o mais lenta e silenciosamente possível para o outro lado, entrando na câmara seguinte. Xingou mentalmente quando a porta estalou ao fechar.

Observou a câmara em que se encontrava e viu que ela era iluminada por archotes nas paredes. Viu uma mesinha parada no meio dela e começou a andar até ela, e se assustou quando uma parede de chamas roxas subiu atrás de si e uma de chamas pretas subiu na porta adiante. Andou até a mesa e pegou um bilhete que tinha em cima dela.

O perigo o aguarda à frente, a segurança ficou atrás,

Duas de nós o ajudaremos no que quer encontrar,

Uma das sete o deixará prosseguir,

A outra levará de volta quem a beber,

Duas de nós conterão vinho de urtigas,

Três de nós aguardam em fila para o matar,

Escolha, ou ficará aqui para sempre,

E para ajudá-lo, lhe damos quatro pistas:

Primeira, por mais dissimulado que esteja o veneno,

Você sempre encontrará um à esquerda do vinho de urtigas;

Segunda, são diferentes as garrafas de cada lado,

Mas se você quiser avançar nenhuma é sua amiga; 

Terceira, é visível que temos tamanhos diferentes,

Nem anã nem giganta leva a morte no bojo;

Quarta, a segunda à esquerda e a segunda à direita

São gêmeas ao paladar, embora diferentes à vista.

Observou os fracos de vidro, que estavam em uma estante de tubos de ensaio. Analisou os vidros e em seguida voltou a ler o bilhete.

Ele sempre fora bom em resolver enigmas e anagramas; uma de suas brincadeiras favoritas era realizar um jogo de palavras que acabava por confundir Duda, e quando ele o perseguia o garoto gordo acabava perdido em algum canto por receber a informação errada de alguém ou seguir de forma errada os rastros de Harry ou seguindo os que ele falsificou. Harry sorriu ao se lembrar de uma vez em que Duda acabou na diretoria por invadir o banheiro feminino pensando que Harry estava escondido lá.

Harry, sem a menor dúvida, apanhou bastante nesse dia por ter feito o “doce e gentil” Duda entrar em encrenca na escola, mas quando foi se deitar ele estava sorrindo.

Releu o papel diversas vezes, e analisou os frascos. Então, bateu palmas.

-O menor me permite ir para frente – Harry falou, vendo as chamas pretas estalarem. – O da ponta direita me permitiram retornar – falou e vou as chamas roxas, que queimavam silenciosamente.

Pegou os frascos (tampando o da ponta direita com uma rolha que invocou) e bebeu o conteúdo do menor, andando em direção as chamas negras. Sua capa arrastava no chão; estava muito esticada devido ao visgo, que lhe puxou enquanto apertava.

Atravessou as chamas e abriu a porta, passando por ela. Notou que era o último desafio, já que não haviam mais portas do outro lado da câmara. Na verdade, não havia nada na câmara, a não ser a porta pela qual passou e um enorme espelho que chegava até metade da altura da sala, muito maior que qualquer outra de Hogwarts. Harry reconheceu o espelho; era o Espelho de Ojesed.

Engolindo em seco ele caminhou em direção ao objeto. Não havia mais nada no lugar, então ele deveria ser a chave para a pedra.

Se posicionou em frente a ele e viu seu reflexo; lá estavam de novo seus amigos, Christina e Camille. Mas não estavam iguais antes; haviam mais pessoas. Ele viu que ao lado de Neville, que estava sentado sobre um pano conversando com Daphne, Theodore e Hermione, estavam mais algumas pessoas; viu Justino, Ana, Susan e Ernie com ele. Havia mais uma pessoa, uma garotinha loira e de olhos azuis sentada no colo de Hermione e conversando com todos. Harry a reconheceu; era Vitoria, irmã mais nova de Camille. Ela deveria ter uns cinco anos agora, e parecia bastante com Camille. Harry não tinha certeza real da aparência da garota; ele a conheceu quando ela tinha apenas um ano, e já era bastante parecida com Camille e com a mãe delas.

Christina estava na beira de um lago, sentada em uma cadeira de balanço feita de madeira e com uma mesinha ao seu lado, com uma jarra cheia de um líquido embaçado e um copo de vidro com frutas pintadas nele por fora e cheio com o mesmo líquido embaçado. Ela lia um livro calmamente enquanto se balançava suavemente na cadeira. Seus óculos de meia lua (muito semelhantes aos de Dumbledore) estavam pendurados na ponta de seu nariz.

Procurou Camille e a viu sentada na beira do pequeno lago que estava na beirada do espelho. Ela estava de costas para si, junto ao seu reflexo, que estava do lado dela. Viu sua imagem pegar e dar uma flor para ela, e notou que as orelhas da garota ficaram vermelhas. Harry do mundo real ficou corado também, e seu rosto queimou de vergonha ao ver seu reflexo beijar Camille na bochecha. A garota ficou de lado, e Harry notou o rosto dela estando em um vermelho tomate. Ela virou a cabeça de sua imagem e puxou duas bochechas com força, e viu sua imagem rir enquanto tinha as bochechas apertadas.

Então, o reflexo pareceu percebe-lo. Camille também pareceu percebe-lo, e corou ainda mais, escondendo o rosto no pescoço de sua imagem. Sua projeção sorria malicioso, e Harry sorriu cúmplice agora, após a vergonha ter sumido.

O reflexo enfiou a mão direita em um dos bolsos e tirou uma pedra vermelha e meio grande. Ele piscou para Harry e enfiou a mão com a pedra de novo no bolso, e Harry sentiu algo pesar nas suas calças. Enfiou a mão em seu bolso e a tirou segurando a pedra vermelha que o reflexo lhe mostrara. Ficou bastante admirado.

Se afastou do espelho e ficou do lado dele. Tirou uma pequena bolsinha de pano de um dos bolsos de seu casaco (usava uma calça moletom preta, tênis pretos, uma camiseta preta e um casaco preto. Sua capa estava preso nele) e abriu, alargando bem a boca, abrindo até atingir um diâmetro de meio metro (era magicamente expansível).

Enfiou a mão no saco e começou a puxar dezenas de itens: uma balança, frascos de decantação, tubos de ensaio, um kit de química, uma maleta com vários compartimentos com diferentes materiais de trabalho, um livro de feitiços avançados, uma régua, um compasso, dois lápis, duas canetas tinteiro pretas, lápis de cor, um caderno de desenhos, um pequeno recipiente de metal cilíndrico, um tipo de haste de metal para segurar o recipiente cilíndrico, folhas secas, palha de aço e, por fim, uma mesa grande de madeira, que tirou parte por parte (pernas e tábua).

Montou a mesa rapidamente e colocou tudo que pegou em cima dela, começando com a haste de metal, colocando nela o cilindro. Pouco acima do cilindro havia um bocal, onde Harry colocou um dos frascos pra decantação e o ligou a outro, que ficou em outro bocal, longe do cilindro. Colocou a balança na frente da haste, e o kit de química e a maleta ao lado. Abriu o caderno e pegou um dos lápis, um de pinta bem fina e com ponta negra mas meio fosca. Segurou a pedra com a mão livre e a ergueu a altura dos olhos, observando-a atento. Usou a mão com o lápis e desenhou em uma das folhas a pedra, nos mínimos detalhes. Pegou a régua e passou a medir a pedra.

--Quatro centímetros de altura por sete de largura – falou e escreveu os dados do lado do desenho da pedra, dessa vez usando uma das canetas. – Peso... – colocou a pedra na balança e viu o número. – Cento e quarenta e quatro gramas. – anotou o dado na folha.

Tirou um monóculo de dentro do saco e o colocou em frente ao olho direito, pondo seu pé no meio de seu nariz e prendendo a cordinha em sua orelha com uma presilha de metal. Aproximou a pedra do rosto, levantando a varinha e lançando um Lumus atrás da pedra. Observou atento o interior dela, notando toda a estrutura.

-Plano similar ao de um cristal, de forma angular – Harry falou e anotou na folha. – Coloração vermelha. Parece ser similar ao corindo mineral. – anotou na folha.

Colocou a pedra em cima da mesa e enfiou as mãos na sacola de novo, tirando de dentro um pequeno martelo e um tipo de pequena estava de metal. Colocou a ponta fina da estaca sobre a pedra, mais ou menos após dois terços, e martelou. Não de forma forte, mas firma e direta. A pedra se quebrou, e um pequeno pedaço caiu de cerca de um terço do corpo inteiro caiu na mesa, fora do restante da pedra.

-Não há similaridade com o corindo mineral, com exceção da coloração e da formação. A pedra é definitivamente sintética, devido a fragilidade. – Harry falou e anotou os novos dados no papel.

Abriu seu livro de feitiços avançados em uma página marcada. No tipo dela estava escrito Reconstrução de objetos.

Harry apontou para os dois terços de pedra com a varinha e leu o encantamento no livro. Um som estalante se fez presente, e o pequeno corpo avermelhado começou a se completar; na área que estava faltando uma nova surgiu.

Harry pegou um pano em um dos bolsos e secou a testa, ofegando levemente. O feitiço exigia uma precisão mágica considerável. Virou a varinha para o um terço solto e refez o feitiço. O som estalante se fez novamente presente, e a pequena parte começou a recriar o resto do corpo. Harry ficou se concentrando por cinco minutos, até o corpo ficar completo de novo. Caiu no chão, ofegando. Suor escorria pelo seu rosto até o queixo.

-Porra... – reclamou, ofegando rápido.

Se levantou com dificuldade e se apoiou na mesa. Pegou um dos frascos vazios e o encheu com água usando o feitiço Aguamenti. Bebeu o líquido e respirou fundo.

Se ajeitou e usou novamente o feitiço Aguamenti e encheu a vasilha de decantação que estava presa no bocal acima do cilindro de metal. Jogou a primeira pedra que reconstruiu e fechou o bocal do frasco, vedando-o com uma tampa de vidro que conectava-se com uma mangueira ao outro frasco.

Abriu o cilindro de metal (era fechado por uma pequena placa circular de metal que se afastava para o lado) e colocou as folhas secas e a palha de aço dentro dele. Lançou uma fagulha da ponta da varinha e as folhas começaram a queimar, junto a palha. O calor subiu e atingiu o frasco em que a pedra estava com água. Depois de alguns minutos o líquido começou a borbulhar, e vapor começou a sair e cruzar a mangueira, se liquefazendo nela e pingando em forma de água no outro frasco.

Demorou algum tempo até a água chegar no fim, e Harry fechou o cilindro, matando a chama pela falta de oxigênio para a combustão.

Esperou o pinga-pinga acabar e pegou, usando uma luva de couro, o frasco que recebeu o líquido com cuidado, e o colocou em cima de um pano na mesa. O tampou com uma rolha e invocou. Tirou o frasco que estava acima do cilindro e tirou a tampa com a mangueira. Usou uma pinça e tirou a pedra de dentro dele. Ela estava quentíssima, e a colocou em cima de um pano. Pegou o frasco em que ela estava junto da mangueira e jogou dentro do saco, que ainda estava aberto. Colocou um frasco vazio no lugar dele e do outro no outro lado.

Encheu de novo com água e jogou dessa vez a segurança pedra. Vedou com uma nova tampa de vidro com uma mangueira e conectou ao outro frasco.

Abriu novamente o cilindro e colocou rápido mais folhas secas e palha de aço. Estava quente ainda, então não podia perder tempo. Lançou novamente fagulhas e o calor novamente subiu, e novamente esperou até toda água sair para fechar de novo o cilindro e tirar com cuidado os frascos e a pedra. Lançou o frasco em que a pedra estava junto a mangueira dentro do saco, como fizera antes.

Tirou a rolha que fechava um dos frascos e pegou duas taças dentro do saco, colocando-as lado a lado na mesa. Derramou um pouco das águas destiladas em uma e na outra. Pegou duas moedas de bronze e jogou uma dentro de cada taça.

Harry era muito interessado em descobrir coisas; química era de longe a sua matéria favorita na escola trouxa em que estudava, e poções virou a sua no mundo bruxo. Havia pesquisado bastante sobre o assunto, e então encontrou a alquimia: a química bruxa. Ficou em êxtase ao ler os livros do assunto. Aprendeu várias técnicas alquímicas, e uma delas foi a análise da destilação.

Certos objetos mágicos possuem propriedades passivas que podem ser obtidas através de estímulos físicos. A forma mais comum de se obter frutos dessas propriedades passivas é uma a destilação com o objeto submerso no líquido usado. A água que invocou agora estava cheia de essência da Pedra Filosofal.

Pegou duas pinças e enfiou cada uma na água. Da primeira, que tinha a água dos dois terços de pedra, ele tirou uma moeda de ouro. Da segunda, que tinha a água do um terço de pedra, tirou uma moeda dourada, nas que não era de ouro. Dava para se perceber isso pela cor mais fraca que tinha, como se fosse uma mistura de ouro com outros metais.

Colocou as moedas em cima do pano e secou as mãos, pegando novamente a caneta e se voltando para o caderno.

-A diferença de resultados é exatamente como a planejada. Experiência concluída com sucesso. – Harry fala. Tinha orgulho em sua voz.

Recolheu o material que pegou e os guardou no saco, deixando apenas o caderno de desenho fora. Derramou as águas no chão; elas não tinham serventia para ele. Colocou as pedras nos bolsos, uma no esquerdo e outra no direito. Desmontou a mesa e a guardou.

Puxou a boca do saco em direção a um ponto e a enrolou usando uma pequena fita marrom. Guardou de novo no bolso do casaco.

Se voltou para o espelho e viu novamente aquela cena pacífica na beira de um lago. Vitoria corria junto a Neville, Justino e Ana, todos os quatro caçando borboletas no gramado. Christina havia dormido na cadeira de balanço. Hermione estava deitada na toalha, com seu corpo dividindo os colos de Daphne e Theodore, que conversavam. Ernie estava pescando no pequeno lago.

Procurou por si e por Camille e viu ambos colhendo flores. Seu reflexo notou que o encarava e sorriu. Era um sorriso leve, totalmente diferente dos que Harry dá, que são sarcásticos, azedos ou divertidos (mas definitivamente nunca leves). Tirou as pedras do bolso, e balançou a que tinha um terço de originalidade. Colocou ela no bolso, e logo o peso sumiu. Viu seu reflexo tirar ela do próprio bolso e jogar com bastante força o objeto vermelho no lago. Ernie ficou possesso com isso, já que afastou o peixe que estava prestes a fisgar.

Camille se virou para o Harry fora do espelho e sorriu de um jeito amável, acenando para ele. O garoto respirou fundo e se virou. Se ficasse mais alguns segundos ali era capaz de nunca mais querer sair da frente do espelho.

Voltou até a porta pela qual veio e cruzou as chamas negras, bebendo em seguida o líquido do outro frasco e colocando ele na estante de tubos de ensaio da mesinha. Cruzou as chamas roxas e seguiu seu caminho, para fora dali e de volta para a Sonserina com a maior parte da Pedra Filosofal no bolso e com apenas mais três horas de sono antes de ter que se levantar para as aulas.



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