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História Nem sempre a melhor escolha (Repostada) - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Capítulo 7


Harry não sabia quem ele odiava mais: Duda, Draco ou Adrien.

Todos os três faziam coisas semelhantes: o perseguiam (de algum jeito) e sempre tentavam fazer com que eles entrasse em encrenca.

Duda batia nele e caso Harry reagisse o mínimo que fosse ele levava uma surra para “aprender a não machucar o pobre e inocente Duda”; Malfoy o antagonizava, sempre dizendo que ele tinha apenas sorte e nada além, que era sim fracassado. Seus amiguinhos zombavam de Harry também. E Adrien, por fim, tentava pegá-lo em “brincadeiras” para, segundo os murmúrios dele, “fazê-lo pagar por me humilhar”.

Harry ignora os três; são apenas pequenas pestes, que ele, com pena de matar (ou sabendo que é melhor não o fazer), apenas passa por cima. Contudo, logo ocorreu algo que o deixou bufando.

Ao sair do dormitório e andar até o quadro de avisos para ver se tinha algo importante ele viu que as aulas de voo começariam na quinta-feira. Ele se lembrou que nunca havia voado em uma e, embora pudesse aprender quase tudo rápido, não estava seguro quanto a voar. E para piorar: terá como plateia Draco e Adrien, que zombarão dele caso faça algo errado.

O que lhe conforta é que até agora Lilian e James não tentaram se aproximar dele.

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Madame Hooch era uma mulher intrigante. Diferente de McGonagall, que só parecia severa, e de Snape, que só parecia malicioso, madame Hooch parecia uma águia cruel que pisaria já cabeça de quem fizesse algo errado.

Ela separou os alunos, pondo-os ao lado de vassouras velhas e de aparência frágil. Os lufanos também estavam lá; parece que a prof.ª Sprout teve um problema em uma estufa, e os liberou da aula, e mandou que eles adiantassem o horário. Madame Hooch compreendeu e permitiu que eles participassem da aula.

-Ergam o braço esquerdo sobre a vassoura e falem “suba”.

Todos assim o fizeram; a de Harry voará imediatamente para sua mão, como a de alguns poucos. Daphne, Theodore e Draco tiveram a vassoura em mão no primeiro “suba”, assim como Adrien, Ernie Macmillan e alguns outros. A vassoura de Hermione se debateu no chão. A de Neville nem sequer mexeu.

-Falem “suba” com vontade! – Hooch ordenou, encarando todos com seus olhos amarelos que lembravam os de um pássaro.

Então, após um minuto de repetidos “suba”, madame Hooch começou a instrui-los. Os grifinórios e alguns lufanos riram quando Hooch falou para Draco que ele montara errado em uma vassoura por anos.

– Agora, quando eu apitar, deem um impulso forte com os pés – disse a professora. – Mantenham as vassouras firmes, saiam alguns centímetros do chão e voltem a descer curvando o corpo um pouco para a frente. Quando eu apitar... três... dois...

Mas Neville, nervoso, assustado, e com medo que a vassoura o largasse no chão, deu um impulso forte antes mesmo de o apito tocar os lábios de Madame Hooch.

– Volte, menino! – gritou ela, mas Neville subiu como uma rolha que sai sob pressão da garrafa, quatro metros, seis metros. Harry viu a cara de Neville branca de medo espiando para o chão enquanto ganhava altura, viu-o exclamar, escorregar de lado para fora da vassoura e...

Harry o agarrou no ar. Não soube como ocorreu, ele apenas montou na vassoura e em um segundo estava no ar, segurando Neville, que se encolheu com força em seu peito enquanto apertava sua capa tremendo.

Harry está muito rápido, então demorou um pouco para ele conseguir fazer uma volta. Ele a fez de formar suave, em pleno ar. Se curvou levemente (ainda apertando Neville contra si para ele não guinchar achando que caia) e partiu veloz de volta para onde as turmas e madame Hooch estavam.

Desceu e planou sobre o chão, até chegar em madame Hooch, lhe entregando com cuidado Neville. Ainda estava flutuando na vassoura. Madame Hooch não falou nada, apenas saiu apressada para a enfermaria com Neville e com os amigos do garoto indo atrás.

Harry estava para descer, quando sentiu alguém puxando a vassoura de baixo de si. Ia cair de cara, mas conseguiu equilíbrio e caiu agachado. Se virou para ver quem foi e viu que foi Adrien, que segurava a vassoura o encarado com raiva.

-Quem você pensa que é para ficar se exibindo assim? Podia ter matado Neville caso não o pegasse, dando só uma ilusão de salvação!

Harry ficou impassível. Sua expressão virou neutra, e ele deu as costas para o irmão.

-Sr. Harry Potter!

Alguém gritou seu nome, que fez Harry se virar para ver Minerva McGonagall andar apressada em direção a ele. Pôde ouvir Adrien rindo baixinho, dizendo “agora vai ter o que merece”.

--Sr. Harry Potter, me acompanhe. – a mulher falou com um rosto severo.

Harry, temeroso, a seguiu. Ficou meio surpreso por não terem ido para a sala dela, e a surpresa virou medo enquanto seguiam para as masmorras, mas precisamente para a masmorra de Snape, onde fica seu escritório. Minerva bateu na porta do escritório e a abriu após ouvir um “entre”.

Snape, que estava sentada atrás de sua mesa lendo um pergaminho, olhou para Minerva e para Harry que vinha atrás dela, e se levantou subitamente.

-O que houve, Minerva? – o homem perguntou encarando a professora.

-Severus, eu encontrei o apanhador que você procurava – a mulher falou sorrindo. Harry deixou o queixo cair, e alívio o invadiu.

Snape virou a cabeça para encará-lo e ele se recompôs em menos de um segundo.

-Poderia me explicar, Minerva? – Snape perguntou enquanto pedia.

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-Por quê? – perguntou Daphne. Harry havia acabado de contar a ela e Theodore sobre o ocorrido. Estavam na mesa da Sonserina, comendo um lanche. – Por que não quis virar o apanhador da Sonserina?

Harry deu de ombros. Ele não se importava em fazer parte do time; não se interessava pelo esporte.

--Como disse, tenho mais o que fazer do que ficar voando por aí atrás de uma bola dourada.

Theodore parecia estar com uma fúria contida. Ele queria fazer parte do time, mas não podia, já que não era apto o bastante. Mas Harry, entretanto, fora chamado e não quis. O garoto de cabelos castanhos estava resmungando sobre “injustiça”. Contudo, diferente dele, haviam aqueles que não escondiam sua raiva e inveja por Harry. Draco era um. Ele havia ficado furioso quando soube que Harry foi convidado para fazer parte do time.

Adrien também ficou irritado; tão irritado que choramingou para McGonagall uma chance para tentar entrar no time, e a mulher permitiu, e após uma seleção (muito simbólica, na mente de Harry) ele entrou no time da Grifinória. Ele andava por aí pomposo. Harry, contudo, tinha certeza que Minerva só deixou ele participar por ser irritantemente insistente e porque era praticamente da família do garoto.

Harry sentia nojo dessas regalias que o garoto recebia. Por isso ele era daquele jeito, igualzinho Duda e Malfoy.

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Aquela manhã começou levemente agradável para Harry; soubera, à mesa, que Draco havia tapeado Adrien. Quem contou foi Theodore, que parecia bem divertido. Ele ouviu Draco murmurando para Crabbe e Goyle, se vangloriando por tapear o “Menino-Que-Sobreviveu”. Harry soltou um baixo riso ao ver Draco ficar desconcertado ao ver Adrien na mesa da Grifinória (ele jurava que o garoto tinha sido expulso), e achou cômico o olhar odioso que Adrien lançou a Draco. Daphne o encarou enquanto ele ria.

-Ela seria mais bonita se não fosse maldosa – a garota comentou, bebendo em seguida um pouco de suco de laranja. Harry sorriu para ela.

Theodore balançou a cabeça como se negasse algo, e voltou a ler o jornal em suas mãos. Harry, então, viu algo curioso nele, estampado na primeira capa.

                 O CASO GRINGOTES

Prosseguem as investigações sobre o arrombamento de Gringotes, ocorrido em 31 de julho, que se acredita ter sido trabalho de bruxos e bruxas das Trevas desconhecidos. Os duendes de Gringotes insistiam hoje que nada foi roubado. O cofre aberto na realidade fora esvaziado mais cedo naquele dia.

“Mas não vamos dizer o que havia dentro, para que ninguém se meta, se tiver juízo”, disse um porta-voz esta tarde.

Harry ficou pensativo; havia ido em Gringotes naquele dia, e Hagrid havia pego um item único num cofre. Será que estavam atrás daquele pacotinho caroçudo? Tinham boas chances. Afinal, era um item em um cofre de segurança quase máxima, e era o único, indicando que o cofre havia sido esvaziado. Harry pode não ter certeza, mas duvidava que dois cofres fossem esvaziados no mesmo dia.

Resolveu falar com Hagrid depois; mas não é superava realmente tirar algo do homem. Hagrid é bem resiliente, e ele percebeu isso na viagem debaixo de uma tempestade, como no caso de quando ele buscou ele nos Dursley para fazer as compras escolares.

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Na manhã do Dia das Bruxas eles acordaram com um delicioso cheiro de abóbora assada que se espalhava pelos corredores. E, o que era ainda melhor, o Prof. Flitwick anunciou na aula de Feitiços que, em sua opinião, os alunos estavam prontos para começar a fazer objetos voarem. O Prof. Flitwick dividiu a turma em pares para praticar. O parceiro de Harry foi Theodore (que quase sempre era seu parceiro nas aulas, as vezes trocando com Daphne). Draco ficou com Crabbe, Adrien ficou com Simas Finnigan e Rony Weasley ficou com Hermione Granger. Não dava para saber qual dos dois estava mais incomodado.

– Agora, não se esqueçam daquele movimento com o pulso que praticamos! – falou esganiçado o Prof. Flitwick, como sempre empoleirado no alto da pilha de livros. – Gira e sacode, lembrem-se, gira e sacode. E digam as palavras mágicas corretamente, é muito importante, também, lembrem-se do bruxo Barrufo, que disse “s” em vez de “f” e quando viu estava no chão com um búfalo em cima do peito.

Harry foi o primeiro a conseguir levitar a pena; nem girou realmente a varinha, apenas mexeu a ponta um pouquinho e sussurrou o feitiço. Deseja que a pena voasse, e assim ocorreu. Ela subiu um metra no ar, e ficou lá.

-Bravo, Sr. Harry Potter – Flitwick falou animado. – Dez pontos para a Sonserina.

Harry desfez o feitiço, e a pena caiu suavemente na sua mesa. Começou a ver os outros alunos; ninguém conseguia, e pareciam se esforçar demais.

-Acho que vamos precisar de outra pena – Adrien falou divertido, e Harry virou a cabeça para encarar o porquê dele ter falado aquilo.

Simas Finnigan estava todo sujo de fuligem, com seus cabelos meio chamuscados. Harry encarou a mesa na frente dele e viu um círculo negro, indicando que ela queimara. Como o garoto explodiu uma pena com um feitiço de levitação?

Se virou para Theodore e viu o que o amigo fazia de errado; ele estava girando a varinha de forma errada, e não pronunciava direito as palavras. Instruiu ao garoto o que ele deveria fazer e, então, o amigo obteve sucesso: a pena voou meio metro.

-Parabéns Sr. Nott – Flitwick falou enérgico. – Cinco pontos para a Sonserina, e mais dois pela ajuda de Harry para com seu colega.

Os grifinórios começaram a reclamar, murmurando algo sobre cobras escorregadias. Adrien o encarava com raiva.

Rony, na mesa ao lado, não estava tendo muita sorte.

– Wingardium leviosa! – ordenou, sacudindo os braços compridos como pás de moinho.

– Você está dizendo o feitiço errado – Harry ouviu Hermione corrigir aborrecida. – É Wing-gar-dium levi-o-sa, o “gar” é bem pronunciado e longo.

– Diz você então, que é tão sabichona – retrucou Rony.

Hermione enrolou as mangas das vestes, bateu a varinha e disse:

– Wingardium leviosa!

A pena se ergueu da mesa e pairou a mais de um metro acima da cabeça deles.

– Ah, muito bem! – exclamou o professor Flitwick, batendo palmas animado. Ele nunca tivera tantos sucessos na realização do feitiço de uma vez.

Rony estava de muito mau humor na altura em que a aula terminou.

– Não admira que ninguém suporte ela – disse a Adrien quando procuravam chegar ao corredor. – Francamente, ela é um pesadelo.

Alguém deu um esbarrão em Harry ao passar. Era Hermione. Harry viu seu rosto de relance – e viu que ela estava chorando.

– Acho que ela ouviu o que você disse. – Lavander, se Harry não estiver enganado, disse a seu irmão e ao ruivo.

– E daí? – Rony perguntou irritado. – Ela já deve ter reparado que não tem amigos.

Hermione não apareceu na aula seguinte e ninguém a viu a tarde inteira.

Ao descerem ao Salão Principal para a festa das bruxas, Harry ouviu Parvati contar à amiga Lilá no corredor que Hermione estava chorando no banheiro das meninas e queria que a deixassem em paz.

Harry ficou com tanta pena que resolveu que iria conversar com a garota depois. Duda fazia isso com ele sempre; não se importava, mas sabia como era incomodo, e resolveu ajudar quem passasse por isso.

Não ficou muito tempo no banquete; ele se levantou depois de cinco minutos, com um prato preparado com lombo defumado, arroz com ervilhas e molho. Ele saiu discretamente do salão, com poucos vendo que ele saia (alguns desses poucos foram os Potter na mesa dos professores, Snape e Dumbledore). 

Seguiu andando pelo corredor, em direção ao banheiro feminino.

-Espere!

Harry parou e se virou. Daphne e Theodore andavam em direção a ele, o que o fez erguer uma sobrancelha.

-Pensei que não gostassem dela. – Harry comentou.

-E não gostamos – Theodore falou rápido, sem perceber. Recebeu uma cotovelada de Daphne.

-Realmente, não gostamos, mas não achamos certo o que ela está passando. Vamos ajudar ela também. – Daphne falou. Harry sorriu para ele.

-Ora, ora. A Princesa de Gelo e a Rosália tem emoções tão nobres. – Harry falou divertido, vendo os amigos corarem.

Daphne era chamada de Princesa de Gelo pelos garotos, devido a sua beleza e a sua expressão quase sempre fria (que sumia perto de Harry e Theodore, apenas). Theodore era chamado de Rosália pelas garotas. Se deve ao fato dele ser atrativo e, ao mesmo tempo, repelidor.

Eles ameaçaram bater nele, mas ele seguiu andando, com eles andando rápidos e ficando do seu lado. Ficaram próximos da entrada do banheiro e viram uma garota sair, com um semblante constrangido.

-Tem mais alguém lá? – Harry perguntou suave. A garota negou, e Harry agradeceu.

Voltaram a andar em direção ao banheiro, entrando nele. Harry mexeu as orelhas e captou um som contudo. Andou até um dos reservados, entregando o prato com a comida para Theodore. Bateu suavemente na porta.

-Hermione?

-Quem é? – a garota perguntou. Sua voz estava fraca e embargada.

-Sou eu, Harry Potter – Harry disse. – Estou com Theodore e Daphne. Sai para podermos conversar. Trouxe comida para você.

-Vão embora... – Hermione falou não mais alto que um sussurro, mas todos os três do lado de fora ouviram. Eles se entreolharam.

-Hermione, soubemos o que o Weasley falou para você – Daphne falou, se aproximando da porta. Harry deu espaço para ela. – Podemos te ajudar...

Então, a porta se abriu, e uma Hermione com olhos inchados e vermelhos os encara, com tristeza e um pouco de irritação.

-Como podem me ajudar? Como entenderiam, ao menos? – ela perguntou. Tinha um tom muito tristonho. – Eu cresci sem amigos, e nem mesmo no mundo mágico eu os tenho... – ela falou e começou a chorar.

Daphne, não aguentando, abraçou a garota, que estancou.

-Sim, nós sabemos – Theodore falou. Harry notou, surpreso, tristeza na voz do garoto.

Hermione e Daphne se separaram, e eles se afastaram do reservado. Eles se sentaram próximos as pias, localizadas no meio do banheiro.

Eles se encaravam, cada um pensando “comece logo”.

-Eu cresci no mundo trouxa – Harry começou. – Vivi com meus tios trouxas. Eles, bem, não eram muito receptivos a magia – falou amargo, e ganhou olhares surpresos de Hermione e Daphne. Theodore conseguiu ocultar um pouco melhor essa reação. – Eu vivi isolado, sempre sofrendo “o que merecia” por usar magia. Eles me proibiam de sair até que completei cinco anos e passei a frequentar o maternal.

“Contudo, a situação não melhorou. Eu estudei no mesmo maternal que meu primo, Duda Dursley. Ah, o doce e inocente Duda, sempre fugindo das anormalidades de seu primo – disse debochado. – Ele me atormentou constantemente, e formou uma ganguezinha, chamada ‘Gangue do Duda'. Eles me perseguia, implicando sempre comigo. Nenhuma das outras crianças ficava perto de mim.

“Quando comecei a frequentar a escola a situação não melhorou; continuamos estudando na mesma escola e, para minha infelicidade, os amiguinhos de gangue dele também. Quando eu tinha oito anos eles criaram algo, uma brincadeira estúpida chamada ‘Caça ao Harry' – Harry disse com um sorriso amargo. – Eu, abençoado por Merlin com uma grande velocidade, fugia deles. Contudo, me pegavam algumas vezes – falou e esticou o braço esquerdo, puxando a manga. Lá havia uma marca meio amarronzada em forma de lua. – Ele fizeram isso com uma panela quente. Foi a única vez em que entraram em encrenca, e ainda assim foi pouco, já que meus tios, Válter e Petúnia, acharam que foi um acidente e só brigaram com o filhinho perfeito deles por brincar com coisas perigosas.

Os olhos de Harry, então, brilharam um pouco.

“A única coisa que ainda me confortava era uma vizinha – sua voz tinha saudade. – o nome dela era Camille. Ela se mudou com a família em uma tarde de abril para uma das casas em frente aos Dursley, e acabamos ficando amigos. Tio Válter tentou nos separar, mas eles desistiu após ver que os pais da garota estavam começando a reparar a rispidez com que ele me tratava. Contudo, nem precisou muito de esforço mesmo para nos separarmos; ela e a família mudaram-se de novo depois de seis meses, e voltei a ficar sozinho.”

Enquanto contava Harry abaixava cada vez mais a cabeça, com vários pensamentos circulando sua mente.

-Eu sinto saudade dela – falou com um meio sorriso. Segurava as lágrimas; ela foi sua primeira amiga.

Um silêncio, então, se instaurou. Em seguida, o som de algo duro sendo depositado no chão soou. Harry reconheceu como sendo o prato. Em seguida, foi abraçado por Daphne e Theodore. Hermione o encarava atônita. Não esperava essa história dele.

-Nós – Daphne apontou para si e para Theodore. – Somos membros de famílias puro-sangue antigas e sonserinas. Isso, embora pareça não ser nada, ainda é muito. Desde pequenos fomos isolados de escolas, isolados de outras crianças que não fossem vistas como “agradáveis” – tinha certo rancor nas palavras de Daphne. – Passamos a conviver com pessoas selecionadas, e horríveis. Eu tive sorte de encontrar o Theodore, caso contrário nós não seríamos muito diferentes de Draco ou de Pansy.

Theodore assentiu, e se virou para Hermione. Sua máscara de frieza não estava presente; ele, na realidade, tinha um semblante meio triste.

-Nós sabemos como é isso – ele disse, encarando Hermione. – Estar deslocado de todos a sua volta, não ser ouvido, não ter ninguém com quem conversar realmente sobre coisas normais, com todos apenas falando coisas tentando, de alguma forma, tirar proveito da gente.

Hermione os encarou; todas pareciam se compreender. Ela, então, começou a chorar de novo. Chorou alto, e ao erguer a cabeça viu um sorriso quente vindo dos sonserinos.

-Agora – Harry começou enquanto se espreguiça –, que tal jantar? Se comer rápido ainda podemos voltar para o salão e comer algumas sobremesas.

Theodore, então, entregou o prato com a comida para Hermione. Ela pegou a colher de prata e pegou um pouco da comida, levando-a a boca. Então, começou a chorar de novo. Colocou o prato junto da colher de lado e pulou em cima dos outros três, os abraçando. Desconcertados, eles retribuíram.

-Ei, ei, pare com isso e volte logo a comer. Não pode desperdiçar comida. – Daphne fala sorrindo, e Hermione a encara, esfregando os olhos.

A garota sorria feliz para eles, e com os olhos bem inchados. Eles sorriam de mesma forma. Pareciam aliviados por falarem para mais alguém sobre suas vidas, que pareciam sufocá-los.

Hermione pegou novamente o prato e, quando levou uma colherada a boca, cuspiu tudo devido ao susto que um alto rugido na porta causou nela e nos outros.

Se viraram rápidos para ver o que foi e ficaram branquíssimos. Lá, parado em frente a porta, estava um trasgo montanhês, e aparentemente era um adulto. A criatura correu até eles e ergueu o bastão (do tamanho da sala de estar dos Dursley), e Harry gritou:

-Corram!

Todos foram para um canto, e o bastão bateu nas pias. O encantamento se quebrou, e água passou a jorrar. Hermione estava tremendo, e escorregou na água que rapidamente se formou sob os pés dele.

-Theodore, Lumos Máxima! – Harry falou rápido, e o outro Sonserino se levantou, com a varinha no alto. – Fechem os olhos!

As crianças fecharam com força seus olhos, mas ainda assim foram incomodados com uma forte luz branca que surgiu e durou por três segundos. Um grito alto foi ouvido, e após a luz sumir eles abriram os olhos, vendo o trasgo com as mãos na cabeça, esfregando os olhos.

-Fujam! Eu vou distrair ele! – Harry falou para Daphne e Hermione. – Theodore, me ajude!

O garoto foi para o lado dele. O trasgo parecendo ter recuperado um pouco da visão, piscou várias vezes na direção deles, parecendo querer focar sua visão neles. Ergueu novamente seu porrete e lançou neles, que pularam para os lados.

-Incarcero! – Harry fala e cordas aparecem ao redor do pescoço do trasgo, apertando com força. Ele começou a guinchar, agoniado e tentando tirar ela. Harry ofegava. Realizou um feitiço de alto nível, e isso o cansou.

O trasgo, então, conseguiu arrancar as cordas de seu pescoço e parecia ainda mais furioso, e correu louco na direção de Harry, que rolou para o lado, deixando o trasgo seguir seu curso destrambelhado e batendo na parede, ficando meio desorientado.

-Theo, Bombarda, comigo! – Harry falou e os garotos ficaram lado a lado.

A criatura, ainda confusa, se virou para eles, e deu um passo para avançar neles de novo.

-Bombarda! – os garotos falaram juntos, e de suas varinhas saíram dois feixes vermelhos, que atingiram a criatura na cabeça e explodiram.

A fumaça se dissipou e viram que a criatura estava com a cabeça bem machucada, com várias feridas e com sangue escorrendo da testa e do nariz. Ela, então, caiu no chão, sacudindo todo o banheiro e fazendo Harry e Theodore darem um salto. O som do baque poderia ser ouvido até nas masmorras, eles pensaram.

Caíram no chão, cansados mas com as varinhas ainda em mãos. Haviam praticado um pouco do Bombarda, mas era uma magia bem desgastante, especialmente para primeiranistas. Viram Hermione e Daphne entrarem correndo de novo no banheiro, com Dumbledore, Flitwick, Snape, Quirrell, McGonagall e Lilian atrás deles.

Quirrell pareceu ter um mini infarto ao ver a criatura, e se sentou em um dos vasos enquanto respirava fundo e com a mão direito sobre o peito esquerdo. Minerva pareceu chocada ao ver a criatura, e encarou os meninos de formas que prometia punições. Alvo estava impassível, mas encarava as crianças com seus olhos azuis brilhantes. Snape estava como de costume, morto. Flitwick soltou um grito fino assustado, e Lilian ficou com um semblante preocupado, e encarou Harry temerosa.

-Vocês estão bem? – Hermione perguntou preocupada, ficando do lado dos garotos. Eles assentiram levemente.

– O que é que vocês estavam pensando? – perguntou a Prof.ª Minerva, com uma fúria reprimida na voz. As crianças se entreolharam, confusos. – Vocês tiveram sorte de não serem mortos. Por que é que não estão no dormitório?

-A pergunta correta – Harry começou, irritado. – Por que a porra de um trasgo montanhês está na escola?

Harry estava bem irritado; eles quase morreram e Minerva ainda acha que pode brigar com eles?

-Sr. Potter! – Minerva falou. – Olhe o respeito!

-E você, Minerva, perceba a situação! Nós quase morremos e você vem querer brigar com a gente?! – Harry pergunta furioso. – Nem sabíamos que essa criatura nojenta estava aqui! Como queria que corrêssemos para nossos dormitórios sem saber do perigo? Nós viemos atrás de Hermione, e quando reparamos esse criatura estava pulando em cima da gente! Olhe para a pia! Veja o que ia ocorrer com a gente!

Harry estava explodindo, e Minerva recuou. Ela pareceu entender que não fez a abordagem correta.

-E podemos saber o que a Srta. Granger fazia no banheiro em vez de estar no jantar? – Snape perguntou, e Hermione se encolheu.

Daphne a abraçou (algo que surpreendeu os professores, e por algum motivo ainda mais Quirrell).

--Ela estava aqui – começou Theodore, com irritação. – Porque estava fugindo de Ronald Weasley, que a ridicularizou por não ter amigos.

Minerva, então, ficou pálida. Ela não parecia crer que um de seus leões teria feito isso.

-Acho – Alvo finalmente se pronunciou. – Que já está bom por hoje. Os quatro estão dispensados, vão para seus dormitórios, mas primeiro passem em madame Pomfrey para ela avaliá-los.

Harry e Theodore se levantaram com a ajuda das meninas, e saíram andando com a ajuda delas do banheiro.

-Cem pontos para a Sonserina – eles ouviram Dumbledore antes de saírem.

O homem estava pensativo, e encarava o trasgo. Sorria no interior de sua mente. Harry enfrentar aquela criatura por alguém que nem sequer era de sua mesma casa comprovava o que ele pensou quando ele era um bebê, e que teve medo de não ser mais verdade: Harry é um bom garoto.



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