1. Spirit Fanfics >
  2. Nem sempre a melhor escolha (Repostada) >
  3. Capítulo 8

História Nem sempre a melhor escolha (Repostada) - Capítulo 8


Escrita por:


Capítulo 8 - Capítulo 8


Quando entrou novembro o tempo esfriou muito. As serras em torno da escola viraram cinza-gelo e o lago parecia metal congelado. Toda manhã o chão se cobria de geada. Hagrid era visto das janelas dos andares superiores do castelo degelando vassouras no campo de quadribol, enrolado num casacão de pele de toupeira, com luvas de coelho e enormes botas de castor.

A temporada de Quadribol começaria no sábado, um dia em que todos poderiam comparecer para assistirem o jogo. E, de praxe, os lufanos estavam organizando uma festa em seu salão comunal para ocorrer sexta-feira, igual todos os anos. Isso deixou as outras casas eufóricas.

Harry lera Hogwarts, uma história e viu lá toda a energia que circunda as festas lufanas. Leu que elas são tão agradáveis, o clima nelas é tão pacífico que até mesmo os mais fervorosos grifinórios e sonserinos poderiam festejar pacificamente uns com os outros.

Quase todo mundo ia. Sempre haviam aqueles pontos que ficavam de fora do “quadro”. Draco Malfoy, que não entendia a regra implícita de “não machuque os lufanos” existente na Sonserina (já que os texugos e as cobras mantém boas relações há séculos), ficou de fora. Não só ele, mas Adrien Potter também. O garoto vivia fazendo “brincadeiras” com os lufanos, machucando muitos deles. Neville era a principal vítima.

-Denuncie! – Ernie Macmillan falou um dia para o amigo, que se encolheu.

-Não vai dar em nada – o garoto de rosto redondo falou tristonho, bebendo em seguida a poção que levaram para ele. Havia ficado preso na torre das corujas, com o frio de novembro o afetando por horas até ser achado.

Eles estavam revoltados; não importa o que Adrien aprontasse, ele sempre se safava. Foi-se fofocado outro dia que ele havia sido pego tentando invadir a porta existente no lado esquerdo do corredor proibido do terceiro andar, e que não sofrera nada, a não ser uma detenção de dois dias. Minerva havia dito que fez isso porque eles alegaram ter apenas se perdido.

Os lufanos estavam começando a ficar ressentidos com os grifinórios, e isso abalou, por exemplo, o número de leões convidados para a festa. Normalmente chamavam pelo menos setenta porcento da casa, mas agora não chamaram nem metade da metade. Eles viram que quase todos eram coniventes com Adrien, então resolveram ignorar todos. Isso gerou desespero na casa vermelho-dourado; todos perguntaram em diferentes momentos aos lufanos porque não foram convidados, e receberam o silêncio como resposta.

Os sonserinos, em contramão, foram quase que todos chamados, excluindo apenas Draco e um grupo semelhante a ele. Harry achou graça da expressão que o loiro fizera quando não recebeu um convite de Aleister Crawford, o líder da Sonserina, que havia recebido cartas com convites dos lufanos e que era responsável por distribui-los. Harry foi o primeiro a receber; seu nome estava no topo da pilha de cartas. Muitos o encararam com inveja; ter preferência dos lufanos era como ganhar um caldeirão de ouro.

Harry leu a carta que acompanhava o convite e sorriu ao reconhecer a letra. Neville que a escrevera. Estava tremida, então supôs que o garoto deve tê-la escrita em algum lugar que fazia frio.

Daphne e Theodore também foram convidados, e resolveram ir juntos. Mais tarde souberam que Hermione também havia sido convidada (ela e Neville ficaram bastante amigos durante as aulas de herbologia, e ela ajudava ele e seus amigos nos deveres), e decidiram os quatro ir juntos. Daphne também decretou que ajudaria Hermione a escolher um boa roupa. A garota de cabelos espessos tentou negar, mas a amiga não dera espaço para ser contestada.

Eles andaram até a mesa da Sonserina e sentaram-se, começando a tomar café. Conversaram sobre algumas coisas, até que Harry reparou algo; ele não havia visto às horas que deveriam ir para o salão Comunal da Lufa-Lufa. Tirou a carta do bolso interno de seu blazer e antes que pudesse lê-la ela foi puxada de sua mão. Se virou e viu que Adrien tinha a puxado, e estava vermelho de irritação.

-Como você conseguiu isso? – o garoto perguntou com irritação, enquanto balançava a carta. Os alunos próximos o observavam.

-Neville me deu. Agora, devolva-me. – Harry falou calmo, esticando a mão.

-Agora entendi, você fez ele convencer os outros a não nos convidarem! – Rony falou atrás de Adrien, irritado.

Adrien, achando que a acusação do amigo fazia sentido, se virou para Harry.

-Se é assim então você também não vai!

Então ele se preparou para rasgar a carta (que tinha um convite anexado nela, que Harry prendeu com um grampo), mas antes que o fizesse Harry estava parado na frente dele, segurando suas mãos com força.

-Ouça, Adrien Potter – Harry começou, encarando o irmão com seus olhos verdes brilhando intensamente. O grifinório se assustou e tentou recuar, mas Harry impediu. – Eu não tenho culpa por você não ter sido chamado, ou o seu amiguinho pobretão ali. Vocês foram babacas com o Neville e outros lufanos, então é justo não serem convidados. Ou esperavam outra coisa? Eles não são McGonagall e outros grifinórios idiotas, que passam a mão na sua cabeça.

E, já irritado, arrancou a carta das mãos de Adrien, e se sentou de novo. O grifinório saiu de perto apressado, nervoso. Os olhos verdes o assustaram. Rony o seguiu rápido.

Os sonserinos olharam satisfeitos para ele, que respirou fundo para se acalmar. Pegou uma torrada e passou manteiga em uma das partes dela, comendo-a em seguida. O clima foi se acalmando próximo a ele, e voltou a conversar com Theodore e Daphne.

Após meia hora eles saíram da mesa, e desceram para as masmorras. Teriam nesse dia apenas a aula de Snape, então teriam a tarde livre para se prepararem para a festa. Foram até a Masmorra da Sonserina e pegaram seus materiais em seus quartos, seguindo para a aula de Snape.

Assim como da outra vez eles foram os primeiros a chegarem, e se sentaram no mesmo lugar de antes. A sala foi se enchendo aos poucos; Adrien e Rony se sentaram no fundo, bem afastados de Harry.

Snape entrou novamente de forma dramática na sala, e ordenou que todos se sentassem (o que fizeram sem pestanejar). Realizou a chamada e lançou um feitiço no giz branco próximo ao quadro, que levitou e passou a escrever neste. Lá estavam as instruções para a realização de uma poção revigorante. Hermione pareceu confusa, já que pelo seguimento eles deveriam preparar poção do sono, mas ainda assim não questionou.

Snape separou em duplas, mas dessa vez misturou as casas. Harry ficou com Simas Finnigan, Theodore ficou com Lilá Brown e Daphne ficou com uma das garotas Patil. O mais engraçado foi Adrien ter ficado com Draco. Os dois se encaravam com ódio.

Começaram, então, a preparar as poções. Harry leu em seu livro os materiais necessários: botão de prata, descurainia, losna, pele de arpéu e arruda. Separou o material de forma fracionada e os colocou na bancada. Simas observava enquanto acendia o fogo debaixo do caldeirão dele.

-Finnigan, corte a arruda em tiras e as enrole na descurainia. - Harry ordenou.

-Mas no livro diz que devemos cortá-la em cubos – Simas falou confuso.

-Apenas faça o que eu disser, não precisa se preocupar com o livro – Harry falou e mediu na balança a proporção entre pele de arpéu e losna.

Simas cortou a arruda em tira e enrolou na descurainia, e Harry colocou água no caldeirão. O som da calefação soou, e assustou alguns. Harry gostou do som.

Cortou a pele de arpéu e misturou-a a losna. Jogou de forma fracionada os enrolados de arruda e descurainia no caldeirão, e pediu para Simas girar a concha no sentido horário, o que o garoto fez de forma obediente. Após contar três minutos no relógio que trouxera ele jogou, pedaço por pedaço, a pele coberta com losna. Ordenou então que Simas começasse a girar no sentido anti-horário.

Harry acendeu o fogo debaixo de seu próprio caldeirão e observou ele por um tempo, e então jogou o botão de prata dentro. O objeto começou a se liquefazer, e Harry ordenou que Simas apagasse o fogo debaixo do caldeirão e parasse de girar a concha. Cada um ficou de um lado do caldeirão e, com cuidado extremo para não se queimarem, viraram o conteúdo dele no outro. A poção, que estava verde-gosmento, ficou azul-bebê. Harry sentiu o cheiro nela, e leu de novo seu livro.

“Obs.: Para acentuar a potência da poção revigorante pode-se por duas gramas de chifre de unicórnio.

Obs.2: Essa porção deve ser igual a duas gramas por três litros de poção.”

Harry fechou o livro e se afastou da mesa, mas antes ordenou que Simas girasse a concha novamente em sentido horário.

Andou até Snape, que estava parado na frente da classe observando todos. Quando notou Harry ele ficou curioso.

-Sim, Sr. Potter? – Snape perguntou.

-Professor, gostaria que o senhor me permitisse ter acesso a duas gramas de chifre de unicórnio. – Harry disse educado. Snape ergueu uma sobrancelha.

-Para?

-Eu descobri que o chifre do unicórnio pode aumentar a eficiência da poção revigorante, então desejo ter acesso a uma pouco dele para aumentar o da minha e de Finnigan.

Snape demonstrou um pouco de surpresa; não esperava que o garoto soubesse desse efeito do chifre de unicórnio.

-Há um pouco de chifre de unicórnio em pó no segundo armário a direita. Está na terceira prateleira, pode pegá-lo. – Snape disse sem emoções. Harry agradeceu e foi até o armário, sob os olhares dos outros alunos. – O Sr. Potter somente está tendo acesso ao chifre de unicórnio em pó por ter se prontificado para melhorar a poção. Nenhum de vocês poderá ter acesso a ele.

Snape falou tão friamente que alguns alunos engoliram em seco. Simas quase parou de girar a concha por um momento, mas ele tinha mais medo do que Harry faria com ele se o fizesse do que o medo de Snape.

Harry voltou para sua mesa com um botão liso nos dedos, com um pouco do pó de chifre de unicórnio nele. Limpou sua balança e pôs o pó nela, e ficou vendo o peso. Tirou três vezes um pouco, até atingir a marca de duas gramas. Pegou-a com a mão e pediu para Simas, já cansado de mexer e agoniado com o calor, se afastar, o que o fez. Harry então pegou a concha e começou a girar, dessa vez em sentido anti-horário, e jogou o pó no caldeirão. O azul-bebê ficou mais brilhante, e Harry apagou o fogo, continuando a mexer.

Após cinco minutos mexendo ele parou, e pediu para Simas pegar os tubos de ensaio para porem a poção neles, e o garoto o fez. Com delicadeza para não derramar fora, Harry encheu os tubos e os tampou com rolhas, etiquetando-os. Colocou-os em uma estante de tubos de ensaio e ele e Simas andaram até a mesa de Snape, colocando a estante lá. Voltaram em silêncio para seus lugares, com Snape encarando atento a Harry.

∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆

-Harry, anda logo, vamos chegar atrasados – Theodore falou impaciente enquanto batia na porta do quarto de Harry.

Eles haviam se separado as dezesseis para poderem se arrumar para a festa, que começaria as dezoito horas. Theodore foi o primeiro a sair. Usava um terno negro com gravata verde-esmeralda e um sobretudo cinzento. Saiu do quarto vinte pras dezessete horas, e esperou no salão comunal junto dos outros sonserinos, todos com roupas festivas. Daphne chegou no salão comunal quinze minutos após ele, e arrancou suspiros de vários primeiranistas. Ela estava usando um vestido longo e preto. Usava luvas que chegavam até os cotovelos, com elas sendo verdes. Saltos negros pequenos estavam em seus pés. Seus cabelos estavam presos em um arranjo em forma de flores, que Theodore se perguntou como ser possível de realizá-lo. Ela apenas avisou que iria ajudar Hermione a terminar de se arrumar e então rumou para fora da masmorra.

Faltavam quinze minutos para as dezoito horas e ele foi muito impaciente chamar Harry. Todos os sonserinos convidados já haviam saído da casa para poderem ir para a festa. Bateu três vezes na porta até Harry abri-la, e Theodore ficou surpreso com o amigo.

Harry usava uma camisa social branca, com um colete azul-bebê sobre ela, abotoado. Usava uma gravata borboleta negra, com uma gema lápis-lazúli incrustada em uma base oval e florida de prata presa no meio da gravata. Usava calças pretas justas, e sapatos preto-perolado. Suas meias eram pretas, pelo que Theodore viu no espaço entre o sapato e a calça. Usava também um sobretudo negro, com o interior azul-bebê e cheio de pontos brancos. Seu cabelo estava partido, com um franja cobrindo a parte direita de sua testa. Em sua cabeça jazia uma cartola negra, com um laço azul ao redor dela pouco acima da base. As mangas do sobretudo estavam abotoadas, e Theodore percebeu que as mangas da camisa que saiam, ao invés de brancas, eram azul-bebê. Estava lindo.

-Vamos? – Harry perguntou, vendo Theodore avaliá-lo.

-Vamos – o amigo disse, e ambos andaram para fora da masmorra. Harry adorou ver o olhar meio chocado de Draco ao vê-lo.

Subiram o subsolo e saíram no térreo do castelo, e andaram em direção ao corredor da cozinha. Entraram nele e viram Hermione e Daphne mais a frente, conversando. Elas os viram e acenaram levemente.

Hermione usava um vestido vinho, e seus cabelos, espessos e soltos, estavam trançados em um rabo de cavalo. Ela usava luvas brancas normais, e um pequeno tamanco cor de palha.

Eles se aproximaram das garotas, e puderam notar impaciência no olhar delas.

-Por que demoraram tanto?

Theodore apontou imediatamente para Harry. As garotas bufaram.

-Pelo menos valeu a pena – Daphne comentou maliciosa, enquanto andava ao redor de Harry, avaliando-o.

-Deixe de ser pervertida e vamos logo – Harry falou levemente corado, seguindo pelo corredor. Seus amigos riram dele, o seguindo.

Cruzaram o lado direito do corredor e viraram vários barris amontoados. Andaram até eles e tiraram seus convites (pequenos tíquetes laminados de cor ouro) e os colocaram em cima do segundo barril na parte inferior no meio da segunda fileira, e eles brilharam intensamente e sumiram. O barril se abriu (a tampa se abriu e as varas que o forma se afastaram) e foi-se mostrado um buraco no chão que tinha uma escada nele. Desceram, e o barril se refez ao Theodore, o último da fila, descer a escada. Estavam em um local escuro, iluminado com archotes em chamas. Andaram pelo lugar íngreme e logo chegaram em frente a uma entrada redonda de madeira. Empurraram ela e encararam estupefatos o local após ela.

Uma sala de teto baixo e bem amarela estava lá. Várias plantas, umas cantando e outras dançando, estavam espalhadas. Janelinhas redondas jaziam alto nas paredes do lado direito, e por elas entrava luz prateada que perceberam ser da lua. Cadeiras cor de bronze jaziam, junto a sofás pretos. No chão estava um grande tapete amarelo. Uma lareira estava localizada no lado direito, entre janelas. Nos tijolos que a compõem estava pendurado um quadro de uma mulher gordinha, que segurava com as duas mãos um cálice dourado e parecia oferecer a eles que entravam, como se os saudasse. Era Helga Hufflepuff.

--Ah, pessoal!

Eles viraram as cabeças para verem quem havia falado aquilo, e viram um Neville Longbottom usando terno preto com camisa social vermelha andando até eles sorrindo. Ele estava bem arrumado, diferente do seu habitual desleixado. Atrás dele vinham Susan Bones, Ana Abbot e Ernie Macmillan.

-Sejam bem-vindos ao seiscentésimo quadragésimo quinto baile pré-temporada de Quadribol da Lufa-Lufa – o garoto fala animado.

Seus amigos lufanos estavam sorrindo para ele, assim como Harry e os outros dois sonserinos e a grifinória. Eles acham graça do jeito de Neville.

-B-Boa noite, Daphne – Ernie cumprimenta a sonserina meio acanhado. As orelhas dele estavam vermelhas.

-Boa noite, Ernie – a garota falou sorrindo. O garoto corou na frente dela, o que a fez achar bonitinho.

-Agora que o pequeno Ernie está devidamente corado, que tal nos mostrarem a área da festa? – Harry pergunta sorrindo divertido do garoto Macmillan, que corou ainda mais. Os outros riram, mas ele se concentrou em Daphne, que também havia rido. A encarava com cara de bobo.

-Claro, venham – Ana chamou, enquanto andava para o lado esquerdo do salão. Lá tinha um arco, que dava linha para um corredor escuro e pouco iluminado com archotes.

Seguiram andando até desembocarem em um tipo de antessala grande. Nela haviam vários alunos de diferentes casas, quase todos misturados. O lugar era iluminado com lâmpadas brancas que estavam espalhadas, e haviam várias mesas , com um grande círculo vazio no meio do lugar, onde algumas pessoas dançavam. Harry ficou besta quando viu Flint dançando com uma grifinória do quinto ano.

Neville e seus amigos os levaram até uma mesa vazia, que estava localizada próxima a parede esquerda do local. Todos se sentaram juntos, e começaram a conversar. Hermione conversava com Susan sobre algo relacionado a políticas de sigilo bruxas (a tia de Susan era chefe do departamento ministerial responsável por isso, e como vivia com ela, sabia de algumas coisas sobre o assunto); Theodore conversava com Neville e Ana sobre herbologia. Os três eram bem apaixonados pelo assunto. Daphne, por fim, conversava com Ernie. A garota estava curiosa sobre o garoto que corara por ela. Mais um na lista de abate desse ano, Harry pensou. Todos ficaram ali, e Harry estava bastante quieto, falando com eles poucas vezes. Ele estava apreciando a festa meio que de fora; ver seus amigos ali, conversando e rindo, e vendo as casas se confraternizando era divertido.

Quando deu dezenove e quarenta as refeições passaram a ser servidas. Todos os presentes, alunos e professores (que Harry notara a pouco tempo a presença, mas viu que até Snape estava ali), se sentaram para desfrutar das deliciosas comidas servidas que foram preparadas com receitas guardadas seguramente dentro da Lufa-Lufa, e que só estavam em conhecimento dos elfos domésticos e dos lufanos, sendo que eles não contavam para ninguém. Harry comeu um pouco de tudo que ofereceram; tinha peixe cozido com batatas e creme vermelho, codorna recheada com molho marrom, cassoulet e carne defumada com pimenta. Os acompanhamentos iam de arroz a várias saladas com verduras frescas e cozidas. As sobremesas eram bolos bem decorados, sorvete caseiro, cocadas de coco e de chocolate, frutas cristalizadas e carameladas, salada de fruta natural e com leite condensado e outras coisas. Delas, Harry comeu apenas a salada de fruta natural e o sorvete. Nunca comera nada tão gostoso na vida.

Depois que o jantar acabou e as pessoas ficaram conversando por um tempo a maioria se levantou e foram para o círculo, dançar com seus companheiros festivos. Daphne foi com Ernie, Theodore com Susan, Neville foi com Ana e Hermione foi com um outro amigo lufano deles, que havia chegado na mesa e conversado por um bom tempo com todos, Justino Finch-Fletchley.

Harry, que estava sozinho na mesa, se levantou e foi até o mini bar localizado no fundo da sala. Lá haviam prateleiras com inúmeras bebidas, e um lufano do sétimo ano atendia as pessoas. Harry se sentou em um dos banquinhos em frente ao balcão.

-Boa noite, amigo – Harry falou para o garoto, que sorriu.

-Boa noite. O que vai querer?

-Se tiver, um pouco de água com gás – Harry disse e o garoto saiu do perto, dando a volta no espaço quadrado para pegar o pedido de Harry.

Harry então se virou para observar o salão. Viu seus amigos dançando e sorriu levemente. Neville dançava desengonçado, mas não era nada ao ponto de ser ridículo. Ernie era guiado por Daphne, já que ele estava tão nervoso perto da garota que seus pés não se mexiam de forma consciente. Hermione e Finch-Fletchley já haviam voltado para a mesa. Usando leitura labial (que aprendeu enquanto via as mímicas e caretas que os Dursley faziam quando não queriam falar perto dele) ele percebeu que conversavam sobre surpresas no mundo bruxo. Voltou seu olhar para a pista e viu Theodore guiando Susan, e ambos tinham bastante atenção em si. Eles dançavam de forma elegante, e ambos tinham incrível graça em seus movimentos.

-Gostando da festa, Sr. Potter?

Harry virou a cabeça e viu Snape no banquinho do seu lado, o encarando. O homem tinha uma expressão amena. Os bailes da Lufa-Lufa realmente conseguiam fazer coisas surreais ocorrerem.

-Sim, professor – Harry falou e se virou. O sétimo ano voltou e colocou um copo na frente de Harry, e o encheu com água com pequenas bolhas borbulhando nela que derramou de uma garrafa. – Obrigado.

-De nada – o garoto falou sorrindo. – O que vai querer, professor Snape?

-Um pouco de Firewhisky, Sr. Campbell. – Snape falou para o sétimo ano, que assentiu e deu a volta de novo, mas pelo outro lado.

-Vai mesmo querer beber algo tão forte com um jogo de Quadribol ocorrendo no dia seguinte? – Harry perguntou ao professor, que se virou para o salão.

-Há certas coisas que valem a pena se tiverem boas justificativas – falou com a voz meio sofrida. Harry ficou curioso, e seguiu o olhar do homem. Viu que ele encarava Lilian Potter, que estava conversando com Minerva e Dumbledore e que foi puxada por James Potter para a pista de dança. Harry compreendeu.

-Não deveria se sentir assim – Harry disse e bebeu um pouco da água.

-Como? – Snape perguntou após virar a cabeça para encará-lo, parecendo confuso.

-Eu sei do que houve entre vocês, Hagrid me contou após eu perguntar porque o senhor parece ter tanta repulsa por Adrien e me evitar – Harry falou e Snape ficou paralisado. – Não deveria ficar assim.

-Você não entende – Snape falou. Sua máscara fria caiu, e tinha tristeza em seu olhar. – Eu falei algo muito errado para ela...

-Mas pediu desculpas, não é? – Harry perguntou de forma retórica. – Você pediu desculpas quantas vezes? Segundo Hagrid, mais de trinta antes de se formarem, e provavelmente foram mais ainda após. Você se arrependeu de verdade, mas ela ainda assim não o perdoou, e ainda ficou com o garoto que fazia brincadeiras pesadas com você. Não é você que precisa ser perdoado – Harry disse e desceu do banquinho, com o copo em uma mão e com a garrafa em outra. – Quem deveria pedir era ela, que praticamente traiu um amigo após um erro dele com a pessoa que mais implicava com ele. Boa noite, professor, e espero que entenda isso.

Harry saiu andando de volta para sua mesa, com um Snape devidamente surpreso sentado em um banco em frente ao bar lhe observando. Ele não estava surpreso pelo garoto saber sobre a história dele com Lilian e James; ele estava surpreso por como o garoto falou, como se estivesse sofrendo o que ele sofreu.

-Acho que vai precisar ainda mais disso – Campbell fala para Snape, enquanto enche um copo com firewhisky e põe em frente ao professor, deixando a garrafa ao lado dele. Snape agradece e pega o copo, engolindo todo o líquido de uma vez. Sua mente parecia leve, e sentia as palavras de Harry reverberando nela. Não conseguia sentir a culpa se esvaindo, mas achou que já era hora de esquecê-la.

-Obrigado, Sr. Campbell – Snape fala e o garoto apenas balança a cabeça, saindo de perto para atender outra pessoa. Ele não se preocupou que o garoto fosse dizer algo a alguém; os lufanos não são fofoqueiros.

Harry ficou conversando com Finch-Fletchley e com Hermione por um longo tempo, até o casal sair para Justino apresentá-la a uns amigos dele, outros nascidos-trouxas. Harry estava bebendo calmamente sua água com gás (que estava gelada até agora devido a um feitiço refrigerante que só se dissipava do líquido no estômago de alguém) quando duas pessoas se aproximaram dele.

-Olá – Lilian Potter o cumprimentou, um pouco receosa.

-Boa noite, professora – Harry falou neutro. Não seria ríspido com eles agora; o baile não era ambiente para isso.

-Acho que devemos nos apresentar – James falou sorrindo meio sem jeito.

-Não precisam, sei quem são – Harry disse. – Lilian e James Potter, professora de Estudo dos Trouxas e chefe do primeiro regimento de aurores do ministério, respectivamente. Pais de Adrien Potter e Jasmine Potter. E, se o que Rúbeo me contou estiver certo, são meus pais biológicos também.

Os adultos se sentaram, e ficaram em silêncio por um tempo.

-Acho que devemos nos explicar... – James começou, envergonhado e nervoso.

-Não acho que precisem explicar; afinal, fui eu que vivi com os Dursley, não vocês.

-Tínhamos um bom motivo... – Lilian falou baixo.

-O motivo, Lilian – Harry não tinha emoções na voz. –, era que eu não sou o Menino-Que-Sobreviveu.

-Nós pensamos que você fosse estar mais seguro – James falou, tentando defender a si e sua esposa.

-Que bela proteção – tinha desdém em sua voz. – Levei surras por demonstrar magia, passei fome por anos, vivi isolado por quase toda minha vida. Realmente, estava bem protegido, nenhum mal me afetou.

-Era um boa ideia na época – James retrucou.

-E se arrependem? – perguntou os encarando.

-Claro que nos arrependemos Harry...

-Então como ainda foi uma boa ideia?

-Estávamos sendo atacados por todos os lados por Comensais da Morte – James falou com a voz pesada, com remorso. – Na época parecia uma boa ideia fazermos isso. Você vai entender quando ficar mais velho e tiver filhos.

Harry fechou os olhos e inspirou o ar com força, e em seguida espirou devagar. James e Lilian o encaravam tensos. Abriu os olhos e pegou a garrafa de novo, destampando-a. Sentiu o gás frio sair e tocar em seu rosto, que estava próximo da boca da garrafa. Virou ela e encheu o copo, despejando o restante que ainda tinha na garrafa. Pegou o copo e bebeu lentamente a água, sentindo o líquido descer cortando sua garganta. Se levantou de supetão, que assustou os outros dois.

-Desejo-lhes boa noite, prof.ª Potter e líder de divisão de aurores Potter. – Harry disse friamente, que fez o casal estremecer.

Ele saiu andando de perto da mesa. Voltou até o bar e colocou o copo e a garrafa vazia em cima do balcão, agradecendo Campbell, que sorriu para ele desejando boa noite. Andou até seus amigos e avisou, grupo por grupo (já que estavam todos separados em dupla, apenas Hermione estava cercada de outros alunos), que estaria indo se deitar pois não estava se sentindo bem. Neville pareceu querer insistir que ele ficasse, mas disse “Boa noite e melhoras”, como outros lufanos, que o encaravam solidários. Harry sorriu para eles. Hermione perguntou se ele queria que o acompanhasse, mas ele negou, e piscou para Finch-Fletchley enquanto entregava discretamente um bilhete para ele cuidar de Hermione. O garoto corou intensamente, e os mais próximos que leram a carta riram baixinho, começando a murmurar entre si. Daphne e Theodore o olharam preocupados; eles sabiam que ele estava mentindo sobre passar mal, mas com um sinal para eles ignorarem eles não falaram nada, embora o olhassem atentos.

Andou para o salão Comunal lufano de novo e saiu pela entrada circular de madeira, e continuou seu curso, logo saindo pela entrada do barril e seguindo de volta para a sonserina. Deviam ser vinte horas e cinquenta e sete minutos quando ele se deitou em sua cama para dormir, após tirar sua roupa e tomar um banho e vestir seu pijama de seda preto.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...