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História Nem todo herói usa capa - Hitoshi Shinsou - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Heróis!?


Sentada em frente a maquina a vejo terminar de centrifugar minhas roupas enquanto aguardo a chuva parar. Depois do susto as dores em meu tórax sugiram, as ferroadas na garganta aparecerem e a enxaqueca incomparável me incomodava junto ao ardor nas narinas. O cansaço tomou conta de cada canto do meu corpo. As pálpebras pareciam sustentar os meus sessenta e três quilos, uma luta para mante-las abertas, mesmo querendo dormir, insisto em ficar acordada, farei isso somente quando estiver em meu conforto. 

Me recordo do molho de chaves perdido no rio, ainda tenho que ligar para a pessoa que tem a cópia delas, porém, meu celular ficou em casa. Vou ter que recorrer ao zelador, o mesmo se encaixa perfeitamente na expressão “pau para toda obra”, se não fosse por ele não teria aprendido a fazer gambiarras que deixam meu apartamento em perfeitas funcionalidades.

Kuro lutava contra o rato de borracha que estava jogado no canto da lavanderia. Estou pronta para o receber, mas minha casa não, pois, terei de adaptar minha residência para o novo morador, redes de proteção, caixa de areia, brinquedo, etc. Ouvi Shinsou dizer a ele que tem uma gata, poderia me dar outra ajuda, não seria pedir demais? Por falar nela, não vi sinal, apenas seus brinquedos jogados pela casa. Me limito a perguntar coisas pessoais ao arroxeado, no entanto, não deixo de ficar curiosa.

O gato preto se apossava do brinquedo de plástico. Quem o vê agora, nem imagina que passou por apuros. Onde a crueldade humana chegou? Aonde vai chegar? Um filhote não teria a capacidade e muito menos a vontade de navegar em um rio violento. A pessoa poderia ter o doado, mas a ignorância e a prepotência do individuo falou mais alto. Quanto mais me aprofundo em emoções humanas mais eu amo os animais. O ser que cometeu tal atrocidade deve estar por aí com a sensação de leveza. Nojo! Queria o encontrar para dar uns bons tapas e joga-lo na água da tempestade, faze-lo passar pelo mesmo desespero que o felino passou. Queria mostrar que a vida dele será cuidada, que darei amor e tudo que precisar. Farei de tudo para nada o faltar, assim como a senhora que cuidou de mim fez e ainda faz. Me aborreço em pensar na sociedade que vivemos, pessoas acreditando que animais são descartáveis e dão pouca consideração a eles.

Sou desvencilhada das emoções ruins que estava mergulhando quando ouço os espirros dentro do apartamento. Shinsou, adentrou o seu quarto depois que terminou sua xícara, ouvi o som do chuveiro ser ligado, recorrendo ao banho e se desfazendo da friagem, mas pelo visto o resfriado chegou antes de qualquer coisa. Nem mesmo a bebida quente foi capaz de assombrar a coriza. Talvez tenha ficado tempo de mais sem camisa e com o restante das vestes molhadas. 

Deslizo a porta de vidro a abrindo para ouvir a seção de espirros. Sua imunidade já deve ser baixa. Não possui um físico atlético, mesmo sendo alto, deve possuir setenta quilos para menos. A pele alva pálida me fez questionar a frequência que esse garoto se expõem ao sol. Garoto? Suas olheiras nitidamente escuras, timbre de voz seriamente rouca e o semblante que não denota emoções me fez o idealizar como alguém mais velho, maduro e cheio de afazeres, porém, esse pré-conceito caiu por terra com o uniforme azul-marinho escolar que usava, deve estar na casa dos quinze anos. Os cabelos arroxeados revoltos amardos para cima intencionalmente dava a imagem desleixada, quem o vê na rua não imagina como sua casa é extremamente organizada. 

Olhei alguns pontos de seu apartamento e deduzi que mora só, deve ser um estudante que veio para a cidade em busca de maiores experiências, ou talvez esteja só pelo mesmo motivo que eu. Não tiro minhas dúvidas, pois, acatei o pedido de não lhe perguntar mais nada, não é sociável e muito menos carismático, sem contar o olhar frio que as vezes é intimidador, apesar de tudo tem um bom coração. Sua áurea emana gentileza e preocupação, senti isso em todo momento que estivemos ao lado dele, esses sentimentos ajudaram na minha recuperação, por mais que não tenha noção disso. Acredito que sua preocupação maior seja direcionada ao Kuro, receio do felino pegar alguma doença.

Não deixo de partilhar do mesmo incomodo, não sei se o pequenino se afogou depois de mim e não sei quanto tempo ficamos dentro d'água. Felizmente não tive sequelas e pela animação do animal, suponho que o mesmo não terá. Shinsou estava no lugar certo e na hora certa. Deve ter agido antes mesmo de pensar quando viu nosso desespero. A necessidade de salvar as nossas vidas gritou, assim como berrou em meus movimentos para socorrer Kuro. Desisti de imaginar qual é sua quirk, pode até não ter uma, mas ainda tem o essencial para ser um herói. Um herói de verdade é alguém que supera as adversidades da vida.

A máquina desligou e ouço mais uma vez o espirro de Shinsou, poderia o ajudar, mas creio que minha vitalidade esteja escassa, pois, me lembro da exaustão na margem do rio, desde aquele momento minha energia se colocou no modo egoísta, fazendo o possível para manter minha imunidade estável. 

A maquina apitou, então retiro minhas roupas do compartimento, o toque morno me agradou, aproveito para ir vesti-las de imediato. As dobrei e as segurei contra meu peito. A passos sorrateiros volto para dentro do apartamento para ir ao banheiro. Meço o peso que deposito nas pontas dos pés para não fazer barulho. Minha concepção sobre o dono da casa talvez fosse um pouco exagerada, mas como não fiz nada para o ajudar queria ao menos não o incomodar mais do que foi permitido.

Ouço a porta ser aberta e consigo ver sua figura em minha visão periférica. O que se passa na cabeça de um indivíduo que vê um desconhecido adentrar sua casa no silêncio?

— Eu não ia roubar nada! — Tampo minha boca. Eu realmente tenho que aprender a pensar antes de agir. O meu olhar amedrontado foi até o dele, percebo sua sobrancelha levemente unida em confusão, vestindo uma blusa de frio e calças de moletom preta, na porta de seu quarto me analisava. Sinto calafrios, mas me recomponho para explicar-me e ir me vestir. — As roupas secaram eu só vou me trocar. — Digo indo rápida ao banheiro. Me troco e percebo que minhas bochechas estão coradas levemente, indicando sinal de saúde, não estou mais pálida o que prova que estou melhor. Claro que as dores não desapareceram, me recuperarei conforme o tempo. Noto que o som da chuva sessou e fico contente por isso. Dobro a blusa preta emprestada e deixo-a encima do mármore, talvez ele a lave depois. Saio do comodo aceitando que voltarei descalça para a casa.

— Sua criatividade é tosca! — Me surpreendo com o comentário. Imaginei que não desferiria nenhuma palavra a mim. De fato não sou boa em tirar primeiras impressões ou conclusões antecipadas. Entretanto, julgo que seu fraco é o Kuro, já que se dirigiu a mim somente para falar do pequeno. O segurava no colo com uma mão enquanto a outra sustentava uma sacola branca. — Você estava o chamando pela cor do pelo dele. É a mesma coisa de te chamar de morena. Isso é cafona! — Não consigo segurar uma risada tímida, poderia ter dado outro nome, mas preferi manter esse. Shinsou espirrou mais uma vez, talvez o resfriado se estenda para uma gripe. Se me desse liberdade tiraria o vírus de si, mas por ser reservado talvez se eu pedisse para lhe tocar soaria invasivo e o desagradaria.

— Você vai ficar bem? — Indago tentando estabelecer uma aproximação entre duas pessoas comuns, porém, o garoto insiste em fingir que Kuro é único que merece sua atenção, parece até que o gato é meu dono.

— Preste atenção no horário que dará comida a ele e fique atenta a qualquer sinal diferente. — Ignorou por completo minha pergunta, pelo visto sabe se virar sozinho e não está acostumado com pessoas cuidando de si. De toda forma minha preocupação não se desfaz.

Estendeu a sacola a mim, me encarando, vejo como uma oportunidade de o tocar. Pego as alças sem desviar meu contato visual de seus olhos, consigo tocar a pele macia do dorso da mão transferindo um pouco de energia vital canalizada, o brilho dourado brando invadindo sua pele se ramificando em suas veias e entrando em sua corrente sanguínea. Redirecionou as orbes purpuras para a sacola, mas quebrei o processo antes que percebesse o uso da minha quirk em si, não é certo, pois, não teve seu consentimento, porém, foi por um bem maior.

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Himura Emi, 15 anos.                                            Individualidade: Cura luminescente

Cura ferimentos a partir do toque usando sua enérgica vital, assim como drena vitalidade de inimigos para se regenera e até os nocautear. Lentamente também pode se revitalizar a partir da captação de emoções genuínas do ambiente em que está presente.

Limitações

Energia vital é gerada pelos pensamentos e emoções. Himura não só drena energia como também ganha os resquícios da personalidade do indivíduo dependendo do tempo de captação. O mesmo acontece quando tira de pessoas ruins, o problema está na índole do ser, pode afeta-la e intoxica-la com seus pensamentos. Seu físico se cura, porém sua mente entra em confusão até o tempo que suas próprias emoções se estabilizam. Entretanto, a usuária precisa de sentimentos bons para restaurar seu sistema límbico.

Ao usar a sua própria até o esgotamento, pode chegar a exaustão. Dormindo por horas até se recarregar por completo.

Aspecto

A cura pode ser sentida através de um toque de ternura aquecido como um carinho. A forma visual se assemelha a barbantes desfiados de luz adentrando a pele e se ramificando por todo o ferimento o fechando ou curando enfermidades.

Quando drena de alguém as veias do indivíduo se sobre saltam e o mesmo fica catatônico até o fim do processo, seja até o atordoamento ou até o desmaio.

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Logo pego a sacola, para o esbarrão não ser levado para um patamar de estranheza. Sei que foi por pouco tempo, não foi o bastante para tirar o resfriado por completo, mas também sei que não avançará para uma gripe. Shinsou percebeu algo, a transferência é agradavelmente notável ao tato, mas por não ter visto nada, talvez pense que seja apenas energia estática provocada pelos dois corpos em contato.

— Certo! — Pego Kuro de seu colo e percebo o leve afastamento corporal para não o tocar novamente. — Já vamos! — Digo seguindo para a porta e reparo no par de chinelos no descanso da porta.

— Não deve te servir, mas é o único que tenho sobrando! — Sorrio inconsciente com a gentileza, mais uma para somar.

— Obrigada! Pela hospitalidade e por cuidar de nós. — Agradeço-lhe e sigo para o elevador. Entre as paredes de aço me questiono sobre as vontades do garoto, espero vê-lo, como aspirante a herói, quem sabe?

Os meus pés trinta e seis sambavam nos chinelos quarenta e dois, acho engraçado, mas não me incomodo. O arroxeado tem um jeito próprio de mostrar preocupação e cuidado para com as pessoas. A palavra “estanho” o definia pra mim no começo, mas aos poucos “único” se encaixou melhor em sua personalidade. Chega ser até uma incógnita, não faço ideia sobre o que pensa, creio que amizade não nascerá desse contato, pois, podemos não nos ver mais. Uma lástima, contudo, não deixo de ficar extremamente feliz de ter conhecido alguém com essa índole e caráter. Penso que Shinsou não foi o único a nos ver em perigo, entretanto, foi o único a fazer algo, sair do conforto do guarda-chuva, adentrar o rio sem medo de nadar, colocando a vontade de salvar alguém acima de tudo. Quando eu crescer quero ser igual a ele, não consigo evitar a risada, afinal de contas podemos ter a mesma facha etária. Precisamos de mais heróis assim, que fazem algo mesmo sabendo que não serão condecorados pelo ato, a sensação de dever cumprido e o prazer de ver a pessoa que salvou fora de perigo lhe serve como bonificação.

Saio do prédio caminhando na calçada repleta de poças, não deixo de perceber o frio me tocando, mas ando ágil para me aquecer. Passo pela ponte com os olhos semi fechados pelo trauma. Olhando, por outro lado, me identifico com o Kuro, pequeno e sozinho, precisando de lar e amor. Já estive nessa situação e uma pessoa bondosa me estendeu a mão. Mais uma heroína em minha vida, essa sim eu me inspiro.

Abomino o ranking de heróis que criaram, acredito que isso gera competitividade desnecessária, afinal de contas o que querem? Fama? Ou a sociedade fora de qualquer perigo? Aceito apenas All Might como número um e rejeito Endeavor como segundo melhor herói. O olho e vejo apenas poder, mas o que me faz admirar um herói lhe falta. Há um abismo que separa os dois. Encontro confiabilidade em Best Jeanist, merecia o segundo e não o quarto lugar. De toda forma as colocações não fazem sentido. Espero de heróis mais empatia e verdade do que carisma forçado e discursos cheios de palavras vazias.

Ando próxima da cafeteria a agradecendo por estar sempre cheia, se tivesse ficado aqui mais cedo, não retornaria com Kuro nos braços. Adentro meu prédio e o zelador me olhou surpreso, talvez porque não estou no mesmo estado que sai. O rapaz não deve ter trinta anos, cabelos negros alinhados e estatura alta, pele clara que destaca a tatuagem no ante braço esquerdo, as aparências enganam, pois é um homem muito gentil.

— O que houve? Quer que ligue para a senhora Ch-

— Não tem necessidade de preocupa-la. — O interrompo sorridente, sei que esse não é um bom horário para perturba-la. Então, logo peço ajuda a ele. — Só preciso que abra a porta do meu apartamento. Perdi minha chaves. — Com desaprovação subiu com algumas ferramentas em minha frente, estava preocupado, pois, não o respondi com a verdade, “Nada de mais” foi o que dei a ele. Não acreditou, quem acreditaria? Contudo, abriu a porta para mim, lhe agradeço e seguiu de volta ao seu serviço.

Enfim em casa, deixei todas as janelas fechadas para a segurança do meu pequeno. Separei um pijama confortável e tomei outro banho, dessa vez para lavar meus cabelos com shampoo. Limpa e relaxada vou apresentar o apartamento para o menor. O seguro nos braços e passeio pelos cômodos, as paredes brancas e a decoração de uma casa simples, não se comparam a de Shinsou, porém, espero que ele goste de viver aqui da mesma forma. Após apresentar a nova moradia ao morador de quatro patas vou para a cozinha, tirando um pote do armário suspenso branco. Abro a sacola que o arroxeado me entregou e tiro um sachê de comida para Kuro. Quando retirei a embalagem um pedaço de papel caiu no chão. Coloco o alimento do gatinho faminto e me atentei ao pedaço de papel.

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081 8824-7096

(Não ligue sem motivos)

Shinsou Hitoshi

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Esse bilhete é tão abrangente!



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