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História Nem todo herói usa capa - Hitoshi Shinsou - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Valência


bip repetitivo ecoava pelas paredes do quarto, estava tão inerte no sono que de início não consegui distinguir sonho de realidade, inserindo o som do alarme na ilusão do sossego, permaneço dormindo como se não houvesse aula, mas o miado de alguém com fome não me permito ficar no mais profundo repouso.

— Já-vo! — Murmuro abobada, me mexo na cama, virando para o canto da parede, agarrando a mais alguns minutos de sono. O alarme esgoelava e novamente o miado me chamava. Sem mais enrolação me ergo na cama. — Bom dia! — Rouca, a voz saiu, para cumprimentar meu companheiro. Sentado no chão me julgava com seu olhar irrefutável. Deveria me dar um desconto, é o primeiro dia que acordo com ele. — Tudo bem! — Me levanto me dirigindo até a cozinha, espreguiço-me tirando os resquícios do sono. Ao me alongar noto que as dores intensas deram lugar a brandos incômodos.

Uso a mesma tigela de ontem para despejar o conteúdo do sachê. Com mais sutilidade Kuro se alimentou devagar, apreciando cada pedaço da ração. Tenho mais uma para hoje, isso me lembra os afazeres a serem realizados em questão de sua vivência por aqui. Redes nas janelas, comida, caixa de areia... meus óculos. Suspiro frustrada, o cansaço nos olhos já estava me incomodando. Gostaria de ver o felino com mais nitidez e me atentar melhor e suas afeições. O aroma agradavelmente cítrico de felicidade exalava de Kuro. Fico mais tranquila que se sente assim em minha casa e em minha presença.

Para o deixar mais confortável não tenho muitas opções, faltarei hoje para resolver essas pendências. Tomo meu café da manhã, livrando da sensação de inanição. Faço minhas higiene e troco o pijama lilas por roupas mais sociáveis. Uma salopete jeans clara e uma blusa branca de magas curtas, não está frio igual ontem, aquela chuva só foi mais uma que o verão gosta de distribuir no meio da estação. Junto o cabelo negro em um rabo de cavalo, deixando a franja livre. Não sou a pessoa mais vaidosa do mundo, mas gosto de me sentir bem. Por isso traço o delineado nas pálpebras destacando meus olhos azuis-escuros. Apos conferir os documentos na carteira ponho a mochila delicada preta nas costas. Pego um par de tênis branco e ando com eles nas mãos até a porta.

— Kuro, vou dar uma saída, é coisa rápida! — Me justifico, espero que ele não fique irritado com todas as janelas fechadas, é questão de tempo para resolver tudo.

Com os calçados nos pés sigo para fora do prédio deixando o melhor “bom dia” para o zelador. Sigo a pé para o banco, discando números no celular que o google me recomendou. Faço orçamentos de tudo que o Kuro precisa de imediato, opto pelo mais barato, já que o dinheiro na conta não é abundante.

Não sou rica e nem trabalho para o meu sustento, moro sozinha desde os dez anos, deduzi que daria conta de tudo com o dinheiro que recebo do seguro da I-Island*. A quantia é o suficiente para viver de forma simples, às vezes até sobra para alguma regalia fútil. Os números caem na conta todos os meses desde quando tinha meus quatro anos. Antes era administrado pela minha tutora, até porque uma criança não entende muito de economia. Entretanto, cresci e vi a necessidade de achar um canto para mim e me virar só. Amo a pessoa que se responsabilizou por mim, mas creio que tomei muito o seu tempo, já que ela tem outros afazeres, profissão e sua própria família para zelar. Mexendo meus pauzinhos assegurei a área administrativa e comprovei que sou plenamente capaz de seguir em frente sozinha. Não tentaram me convencer do contrário, apenas me apoiaram, já que não poderiam me alojar na ilha novamente. Acho que me apoiar é uma forma de se desculparem, de mostrarem seus remorso e arrependimentos. Claro que seguem a risca a clausura contratual referente ao seguro de vida de seus cientistas.

Todas as empresas do mundo envolvidas com o negócio Pro Hero investem dinheiro para criar tal paraíso tecnológico para a pesquisa e desenvolvimento de Quirks e itens de suporte. I-Island é uma ilha artificial em movimento criada para os cientistas pesquisarem pacificamente juntos. Os cientistas não podem deixar a ilha para garantir a confidencialidade. Entretanto, a alta cúpula da I-Island ignorou por completo essa medida protetiva, já que a saída dos meus pais da ilha flutuante foi para beneficiar os patrocinadores do lugar. Ainda tenho minhas dúvidas, a algo por baixo dos tapetes, mas por ter ocorrido a tempos não tocariam nesse assunto de novo.

São como um pai ausente me dando pensão, sabem apenas que estou viva. Creio que minha tutora repassa algumas informações para eles, para terem o controle da situação. No entanto, apenas ela que cuidou de mim, curou meus ferimentos quando aprendi a andar de bicicleta, me deu espaço para lhe contar os relatos do meu primeiro beijo, acompanha meu desempenho no colégio e monta meus treinos. Minha melhor amiga que se esforçou ao máximo para fazer o papel de pai e mãe.

Adentro o banco indo direto para o caixa fazendo a retirada do dinheiro. Já imaginava que não seria todos a aceitar cartão. Passo primeiramente na casa de ração. Entro no estabelecimento indo em direção ao setor para gatos. Me deparo com vários tipos para diversas raças, fico perdida em qual escolher, mas tenho o cuidado para ler o que preenchia a necessidade do filhote. Peço a atendente o restante das coisas na lista que rascunhei antes de sair de casa.

Apressada, volto para meu apartamento, marquei com o moço das redes às onze e faltam cinco minutos pro horário marcado. Me distrai tanto com alguns brinquedos, sei que calculei tudo, mas sobraram uns trocados para agradar o felino com alguns mimos.

Entro o prédio e o zelador me estendeu a mão em pausa. Me avisou que o rapaz havia subido para meu apartamento junto a minha “tia”. Me surpreendo com sua informação, pois, minha tutora sempre aparece com dia e hora marcada, ocupada com sua profissão é complicado vir me visitar com frequência. Não deixo de me alegrar ao mesmo tempo que estou encrencada por faltar a aula. A mulher nunca se quer levantou a mão contra mim, mas os castigos compensavam a coça de qualquer arte que eu elaborava quando menor. Talvez ainda me coloque, mas foi por um bom motivo acredito eu. Não tive tempo de lhe informar sobre meu gatinho, espero que o porteiro não tenha aberto o bico para ela em relação ao meu estado de ontem.

Subo as escadas, como de praxe, abandonando o elevador. Piso as pressas e em poucos minutos chego ao quinto andar. Me dirijo para o meu apartamento reparando o indicador do elevador descer. Adentro a residência e me deparo com boa parte das redes fixadas nas janelas. O homem com uniforme de serviço continuou o trabalho. Noto o perfume de canela no ar, equivalente a superproteção, ela realmente esteve aqui, mas não a encontrei, suponho que desceu junto do elevador, enquanto eu corria os lances de escadas.

Não demorou para que o rapaz terminasse, logo o agradeço e o bonifico. Kuro ficou livre para sentir a brisa das janelas arreganhadas sem perigo. Preparo a caixa de areia e arrumo um lugar para guardar sua comida. Aos poucos tudo se ajeitara e vamos nos acostumar com a rotina doida de uma estudante em treinamento.

Tudo pronto, porém, sou incomodada com o ronco da fome, me dirijo a geladeira para preparar algo e dou de cara com um papel preso embaixo do número de Shinsou. Sempre escreve algo para mim quando entra e saí despercebida do meu apartamento.

Garota,

Não pense que perdoei sua falta hoje, mas vi que tem um novo amigo. Outra hora nos apresente direito.

P.S.: Me refiro tanto ao gato quanto ao número na geladeira.

“Ele disse que não somos amigos”. Respondo mentalmente a caligrafia tremula de uma pessoa idosa, me recordando da ligação com o garoto. Ela precisa retornar aqui, precisamos discutir sobre meu preparo para a admissão na escola. Sinto uma pontinha de insegurança, mas creio que é comum em todos os candidatos.

Mal posso esperar para estudar na escola mais renomada do país. Sinto em decepcionar as pessoas que imaginaram que seguiria o mesmo caminho dos meus pais, acontece que não tenho a menor vocação como cientista, me desencantei, pra que me tornaria cientista sendo que não sou bem-vinda no paraíso tecnológico? São nossos apoios e boa parte dos heróis tem seus equipamentos compostos por profissionais daquela ilha, isso os torna heróis indiretamente, mas ser heroína formada na U.A é um futuro mais possível de ser alcançado.



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