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História Nem Todo Mundo Odeia O Chris - 3 Temporada - Capítulo 24


Escrita por:


Notas do Autor


Mais um cap. fresquinho pra vocês!
Como será que o casal ficou depois do beijo hein?
Enjoy ♥

Leitura Anterior: O Coração de um Nerd - Capítulo 8
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Capítulo 24 - Todo Mundo Odeia o Dia das Mães


POV. LIZZY (Brooklyn - 1986)

Eram 14h de uma quarta-feira, meu dia de folga. Eu estava simplesmente jogada no sofá, tentando a todo custo ler um livro bem interessante, mas que não me chamava a mínima atenção no momento. Meus pensamentos estavam longe. Onde? Não, mais precisamente em quem… Chris… Sim, cada vez que eu pensava nele sorria idiotamente desde a noite do baile. Tudo foi incrível. Eu achei que fosse desmaiar a qualquer momento quando ele me beijou. Só de lembrar eu ficava sem ar, minhas mãos tremiam, meu corpo esquentava… Eu tinha sonhado tanto com aquele momento, e no fim das contas foi melhor do que qualquer coisa que eu tivesse imaginado. Muito melhor. Seu toque, seu calor, seu cheiro, seu gosto, seus suspiros…

Sentei no sofá com certa falta de ar, colocando o livro de lado. Meu Deus, só a lembrança dele já me deixa assim… Mas sorri, caindo deitada para o outro lado do sofá, ao lembrar do final da noite do baile.

 

flash back on

 

Chegamos e subimos as escadas até a porta da minha casa em silêncio. Entrei e ele entrou logo depois de mim, fechando a porta da rua. Eu estava de costas para ele, encarando o primeiro degrau da escada cegamente com o coração a mil. Ofeguei de surpresa quando senti seus braços envolverem minha cintura, me virando para ele. Suas mãos repetiram o gesto de mais cedo, erguendo meu rosto para encará-lo e eu me perdi em seus olhos. Sua respiração parecia tão alterada quanto a minha enquanto ele aproximava o rosto do meu, como antes, de forma lenta e agonizante. Em um impulso de impaciência, inclinei meu rosto em sua direção e o beijei.

Seu suspiro de surpresa foi audível, mas logo ele me beijou com vontade, fazendo minhas pernas virarem gelatina, ao mesmo tempo em que um calor bom se espalhava pelo meu corpo. Senti suas mãos subirem ao meu pescoço, fazendo uma carícia suave em meu rosto. Sua língua acariciou meu lábio inferior, e eu retribui o toque, arrepiando nós dois. Suas mãos desceram pelas minhas costas, me guiando até que eu estivesse encostada à parede da escada. Minhas mãos puxaram seu corpo para mim e ele atendeu meu pedido, se aproximando mais até que não sobrasse nenhum espaço entre nós. Pouco depois, sua boca largou a minha, mas antes que eu pudesse reclamar, recebi uma mordida suave no ombro esquerdo e não pude conter o gemido:

“Chris…”

Sua garganta vibrou em um gemido baixo quando ele voltou a me beijar. Minha cabeça girava e eu podia ouvir meu coração martelar loucamente no meu peito. Rasa e fraca saía minha respiração, mas isso não importava. Nada mais importava além dele, e o meu desejo era um só: eu queria mais. E ele parecia querer o mesmo, mas…

De repente ele parou o beijo e me afastou. Abri os olhos tentando entender o motivo. Ele me segurava levemente pelos ombros, tinha os olhos fechados, a mandíbula cerrada com força e respirava com dificuldade. Apesar de tonta e desorientada, compreendi sua atitude e respirei fundo, tentando me acalmar também. Essa parecia não ser uma tarefa fácil para nenhum de nós.

Alguns instantes depois, notei sua respiração voltar ao normal aos poucos, e ele abriu os olhos para me encarar com um pequeno sorriso. Retribui e ele me abraçou. Seu calor me envolveu e eu me aconcheguei em seu peito, suspirando satisfeita.

“Obrigada por hoje. Foi incrível,” acabei dizendo por impulso e ergui o rosto para encará-lo; meu sorriso preferido ainda estava lá.

“Foi, mas não precisa agradecer. Não teria ido com ninguém além de você.”

Senti meu rosto esquentar com a sinceridade dele.

“Também não teria ido sem você…” confessei, ainda vermelha, e ouvi uma leve risada sua.

Seus braços me apertaram ainda mais e ele escondeu o rosto nos meus cabelos, como sempre fazia quando estava feliz.

“Não quero ir embora,” falou depois de alguns segundos. Abracei-o mais forte por puro reflexo.

“Também não quero que vá," falei contra seu pescoço. “Tenho medo de acordar amanhã e descobrir que nada disso aconteceu.”

Seus olhos buscaram os meus e logo seus lábios estavam nos meus outra vez; foi breve, mas ainda me tirou o fôlego.

“Boba. É real.” Assenti, sorrindo. “Mas agora eu tenho que ir. Mais uma prova que é real: se fosse um sonho eu poderia ficar.”

Sorri, concordando com seu comentário.

“Verdade.”

Acariciei seu rosto ele fechou os olhos, suspirando suavemente.

“Boa noite”, sussurrei em seu ouvido, tocando seus lábios com os meus suavemente. Ele retribuiu a carícia e um suspiro saiu da minha boca.

Então abriu os olhos e sorriu.

“Boa noite”, e com um sorriso foi embora.

 

flash back off

 

Suspirei com a lembrança.

Os quatro dias seguintes tinham sido um sonho. Continuávamos com a mesma amizade de antes, mas com algo a mais. Fiquei feliz ao perceber que nada tinha mudado nesse sentido: ainda brincávamos e zoávamos um com o outro, mas eu via que seu olhar para mim tinha mudado. Algo que eu ainda não conseguia identificar, mas sabia que era para mim e só para mim.

Durante as aulas, eu me peguei inúmeras vezes ignorando a Srta. Morello (não que isso fosse raro ou difícil) para observá-lo. Como ele sentava na minha frente, eu ficava em posição privilegiada: podia ficar horas olhando-o e ninguém notaria. Percebi que seus ombros tinham ficado mais retos e as costas mais largas. Ao olhá-lo de perfil vi que a linha do seu maxilar tinha ficado mais visível, lhe dando um ar mais adulto. Meu rosto ainda ficava vermelho com a lembrança dele sem camisa no Doc’s. Eu via tudo claramente, como se cada detalhe tivesse ficado gravado em minha retina.

Ao mesmo tempo meu coração batia mais forte, e eu sentia um frio no estômago ao perceber que ele era finalmente meu. Meu… Mas meu o quê? Não tínhamos falado nada sobre namoro ou algo do gênero, só estávamos juntos, e eu sentia algo de confortável nisso. A palavra “namoro” parecia um passo grande, uma mudança que não teria volta. E se a gente estragar tudo? Talvez seja por sentir a mesma coisa que ele também não falou nada. E foi por pensar assim que eu também não falei. Quando sentirmos que podemos dar esse passo, daremos. Até lá, já estou muito feliz por estar com ele.

Também não tínhamos contado a ninguém o que estava acontecendo entre nós, nem na vizinhança nem na escola nem às nossas famílias. Greg e Meggie sabiam, e a maioria da Corleone sabia por causa do baile, mas em poucas semanas iríamos sair de lá, então não fazia muita diferença. Não que quiséssemos ficar escondendo, só não queríamos que todos soubessem. Talvez assim fosse melhor.

Ainda sorrindo, levantei do sofá, finalmente desistindo do livro, e fui até a cozinha, resolvida a fazer algo de útil. Ainda não precisava fazer o jantar, mas fui à geladeira mesmo assim para ver se algo faltava, e realmente faltava. Alguns enlatados e ovos. Melhor ir comprar logo. E assim eu posso vê-lo também, já que, inconscientemente, ele não me deixa fazer nada.

Sorrindo, peguei minha carteira no aparador da cozinha, calcei uma sapatilha que agora eu sempre deixava no topo da escada e desci em direção à rua. Em menos de três minutos eu abria a porta do Doc’s fazendo o sino tocar.

“Oi, Doc.” Ele levantou a cara do jornal e sorriu.

“Olá, Lizzy. O Chris está nos fundos. Deve vir logo.” Sorri, mas resmunguei.

“Falando assim até parece que só venho aqui para vê-lo e nunca compro nada.”

“A maioria das vezes é.” Ri, reconhecendo que ele falava a verdade.

“Tá, mas hoje eu vim comprar também.”

Indo até a prateleira dos enlatados, peguei os que precisava e voltei ao balcão para o Doc separar uma caixa de ovos para mim. Nesse meio tempo, Chris veio dos fundos da loja.

“Liz?” Virei ao ouvi-lo me chamar e sorri.

“Oi. Vim comprar umas coisas.”

“Ah”, ele me olhou daquela forma que eu já adorava. “Quer ajuda com as sacolas?”

Olhei rapidamente para a única sacola que não estava nem cheia e assenti sem olhar para ele, reprimindo o sorriso. Também não olhei para o Doc; ele tinha mania de pegar as coisas no ar. Chris veio na minha direção e, pegando a sacola, foi em direção à porta. Eu o segui, mas antes de sairmos ouvimos a voz do Doc.

“Ei, vocês…” Viramos para encará-lo, esperando o resto da frase. Ele estreitou os olhos para nós e, com um sorriso cínico, perguntou: “Vocês estão juntos?”

Senti meu rosto ficar gradativamente vermelho e procurei os olhos do Chris, entendendo imediatamente o que ele queria dizer: ele confirmaria o que eu dissesse. Troquei um olhar com o Doc; ele esperava uma resposta. Então desviei os olhos e assenti rapidamente com a cabeça. A risada do Doc nos assustou um pouco, mas logo Chris revirou os olhos rindo e saiu pela porta.

“Volto daqui a pouco, Doc.” E eu o segui.

Alguns passos fora da loja ele começou a rir.

“Agora ele não vai me deixar em paz mesmo. Tem três dias que ele me perturba querendo saber a origem do sorriso,” ele disse, fazendo aspas na última parte.

“Desculpa ter confirmado. Eu não queria mentir,” disse em tom de arrependimento.

“Tudo bem,” ele respondeu, ainda sorrindo. “Só espero que ele não espalhe. Não que seja segredo, mas acho que a gente merece um pouco de privacidade.”

Assenti, entendendo perfeitamente o motivo dele e concordando.

Pouco depois chegamos à minha casa e ele subiu comigo até a cozinha para deixar a sacola.

“Obrigada.”

Ele colocou a sacola no balcão e sorriu.

“Não é como se estivesse pesada. Foi só uma desculpa para passar um tempo com você.”

Corei ao ouvi-lo confessar tão abertamente o que estava implícito desde que ele havia se oferecido para trazer a sacola. Não consegui olhá-lo nos olhos; ainda ia demorar um pouco para me acostumar com esse novo tipo de intimidade.

Senti ele se aproximar e, sem aviso, erguer meu rosto e me beijar. Soltei um suspiro de surpresa e prazer, sentindo sua língua acariciar a minha lentamente. Levei minhas mãos aos seus ombros para me apoiar pois já não sentia direito minhas pernas. Então ele se recostou no balcão e me puxou pela cintura para mais perto. O calor do seu corpo era confortável e excitante, me incentivando a aprofundar mais o beijo.

Suas mãos subiram suavemente pelas minhas costas, acariciando meu cabelo, e eu me arrepiei com tanto carinho. Ouvi-o suspirar de satisfação contra a minha boca e me desliguei do mundo. Tudo o que eu queria era ficar lá com ele, mas infelizmente oxigênio era necessário.

Nos separamos ainda ofegantes e sorrimos sem graça um pro outro. Ele acariciou meu rosto, beijando minha testa e me abraçando logo depois.

“Tenho que ir. Quanto mais tempo eu demorar, mais o Doc vai especular.” Ri do comentário, sabendo que seria exatamente assim.

“Eu sei. Até mais tarde?”, perguntei, soltando o abraço para poder olhá-lo. Ele sorriu e assentiu.

“Até.” Me deu um leve beijo e foi embora.

 

POV. CHRIS

Desci as escadas da casa dela com o sorriso mais idiota do mundo no rosto. Os últimos dias tinham sido perfeitos em todos os sentidos. Eu fazia a maior parte das minhas coisas no piloto automático porque não conseguia pensar em outra coisa. Sinceramente não me lembrava a última vez que tinha estado tão feliz. Eu queria gritar para todo mundo que ela era minha (e principalmente esfregar na cara do miserável que ela tinha escolhido a mim), mas também queria privacidade para nós dois, então achei melhor ficar quieto. Mas como o Doc mesmo dizia: “Qualquer um que te conhece sabe, pela sua cara de idiota, que aconteceu alguma coisa”. Ele podia falar o que quisesse; eu estava feliz demais para reclamar.

Voltei à loja e, assim que entrei, Doc já me olhou com uma cara suspeita.

“Demorou. Pegou um desvio até a casa dela?”, ele provocou, sorrindo, e eu dei de ombros.

“Pode ser. Às vezes é bom pegar um desvio.” Ele riu e fechou o jornal.

“Então finalmente se resolveu. Admito que foi mais rápido do que eu esperava.” Rolei os olhos, mas sorri.

“Eu já acho que demorou demais.”

“Sei. Apaixonados têm pressa.” Eu vou ter que aguentar ele me zoando por muito tempo… mas é por uma boa causa…

Antes que eu pudesse retrucar, a campainha tocou e a Tasha entrou na loja. Troquei um olhar surpreso com o Doc e voltei a empilhar os enlatados. Ela cumprimentou o Doc e andou pelas prateleiras, fingindo procurar algo, até chegar onde eu estava.

“Oi, Chris,” me cumprimentou como se nada tivesse acontecido entre nós.

“Oi, Tasha”, respondi, entrando na onda de fingir que nada aconteceu.

“Fazia tempo que não te via. Tá sumido.” É sério isso? Ela some e eu que sou o sumido?

“Pois é. Engraçado que eu ainda moro e trabalho nos mesmos lugares.” Escutei o Doc reprimir o riso e fiz o mesmo. A cara de chocada dela era impagável.

Ela preferiu fingir que não entendeu meu tom e continuou.

“Vai ter uma festa na casa da Debby sexta à noite. Vim te convidar.” Juro que fiz o meu melhor para não revirar os olhos.

“Que pena. Vou estar ocupado a semana toda: aqui no Doc e na Lizzy, com os últimos trabalhos na escola.” Vi uma sugestão de raiva passar pelo seu rosto, mas logo desapareceu.

“Ah, a Lizzy. É, soube que ela está bem ocupada na lanchonete.” Seu tom foi sugestivo, mas ignorei. Não daria esse gosto a ela.

“Pois é. Ainda são poucas garçonetes. A Donna ficou de contratar mais.”

Vendo que nada do que ela dizia me afetava, ela sorriu sem graça e foi procurar o que tinha vindo comprar; eu preferi ignorar que ela estava ali. Em cinco minutos, ouvi sua voz de novo:

“Me ajuda com as sacolas, Chris?”

Ergui os olhos da prateleira e vi as duas sacolas que ela tinha que levar. Em seu rosto estava o olhar que antes me fazia não conseguir negar nada a ela. Hoje não significava mais nada para mim.

Então, fingindo decepção, disse:

“Desculpa, Tasha, mas tenho um monte de caixas para subir e tenho que terminar hoje.”

Novamente vi o flash de raiva nos seus olhos, mas logo desapareceu. Ela sorriu sem graça.

“Tudo bem então. Até mais.”

Doc e eu observamos ela sair da loja e começar a subir a rua. Quando ela já estava longe, Doc começou a rir.

“Não acredito no que você fez. Realmente esqueceu ela.”

“E nem se não tivesse esquecido. Ela some e aparece quando bem quer. Não tenho saco para isso. Ela reclama do Robert, mas age igual a ele.” Doc concordou, ainda rindo, mas depois ficou sério.

“Mas por que não contou a ela sobre você e a Lizzy? Ela não vai parar até saber que você está fora de alcance.”

“Quanto a isso eu dou meu jeito. Se eu contasse, Nova York inteira saberia pela hora do almoço. Não posso fazer isso com a Lizzy, principalmente sem falar com ela antes.” Doc me olhou de modo avaliador. “O que foi?” Então deu de ombros.

“Nada. Você amadureceu.”

Considerei por alguns segundos se aquilo era realmente verdade.

“Não sei, mas quando a gente apanha, a gente aprende.”

Ele concordou com a cabeça e a conversa se encerrou.

 

Depois do trabalho, passei na Lizzy outra vez, como tinha prometido. Considerei contar a ela sobre a visita da Tasha, mas hesitei. Nós estávamos bem e eu não queria acabar com o clima. Eu achava que só colocaria coisas desnecessárias na cabeça dela, mas considerei o que ela poderia pensar se soubesse por outra pessoa. Eu tinha certeza que não sentia mais nada pela Tasha - principalmente depois de hoje -, mas não sabia se ela tinha essa certeza. Então, arrisquei contar.

“Chris?” Ergui os olhos para o seu rosto; ela me olhava preocupada.

“O quê?”

“Você ficou aéreo de repente. Aconteceu alguma coisa?”

Estávamos sentados no sofá - ela com as pernas sobre as minhas - enquanto conversávamos. Pensei em como abordaria o assunto, mas resolvi ser direto.

“Tenho uma coisa não agradável pra te contar.”

O olhar de preocupação cresceu e ela segurou minha mão.

“O que foi?”

“A Tasha apareceu lá na loja hoje. Me convidou para ir na festa da Debby na sexta.”

Como eu sabia que aconteceria, vi seu olhar de surpresa, mas seus olhos desviaram dos meus para o chão. Observei seu lábio inferior tremer levemente e senti sua mão afrouxar na minha. Eu quase podia ver seu cérebro trabalhando em inúmeras possibilidades.

Antes que ela pudesse imaginar algo muito horrível, ergui minha mão para o seu rosto, fazendo-a olhar para mim.

“Ei, para. É claro que eu recusei.” O receio em seus olhos diminuiu e senti seu corpo relaxar. “Não quero nada com ela, Liz. Eu só quero você.”

Seus olhos brilharam para mim e seu rosto ficou gradativamente vermelho, mas ela sustentou meu olhar. Me permiti ser hipnotizado por tudo nela mais uma vez e a beijei. De imediato suas mãos vieram para a minha nuca, me arranhando, e um arrepio desceu minha espinha. Mesmo com os olhos fechados senti minha cabeça girar de prazer, tomada pelo gosto e o cheiro dela.

Instintivamente deitei-a no sofá, ficando sobre ela. Seu corpo me puxava como um ímã; eu não conseguia me afastar um centímetro que fosse. Ela me puxou mais para si, e minhas mãos encontraram a pele sob sua blusa. Me senti realizado quando ouvi um gemido deixar sua boca; era música. Ela arqueou as costas, buscando mais contato e me enlouquecendo no processo.

O toque do telefone nos assustou, fazendo os dois sentarem rápido, ofegando por ar. O toque se repetiu e, com um sorriso sem graça, ela levantou e foi até a cozinha atender. Me recostei no sofá e respirei fundo, tentando acalmar meu coração acelerado e regular minha respiração; a temperatura do meu corpo tinha subido consideravelmente.

Meu Deus, o que eu tô fazendo? Eu mal consigo me controlar perto dela… Mas eu tinha que admitir que era um descontrole muito bom.

Respirei fundo mais algumas vezes até clarear a cabeça, e ouvi-a voltar logo em seguida.

“Era o meu pai. Queria saber como eu estou e quando podemos planejar a surpresa da minha mãe para o Dia das Mães no domingo.”

“Ele liga mais que a sua mãe”, disse, rindo, e ela me acompanhou.

“Sim. Ele pode ser bem superprotetor quando quer.”

“E é isso que me preocupa”, disse, meu sorriso morrendo. Meus pensamentos indo para algo que me incomodava há alguns dias.

“Por quê?” Ela sentou ao meu lado e me encarou.

“Me preocupo com a reação dele quando souber de nós.”

Ela sorriu e afagou meu rosto.

“Ele vai ficar feliz.” Fiz uma careta.

“Não tenho tanta certeza. Você mesma disse que ele é superprotetor. Ele pode achar que eu estou cruzando o limite, sei lá.”

“Por que acha isso?” Mordi o interior da bochecha, sem saber como dizer o que tinha em mente.

“Lembra quando fomos àquela festa do Jerome que eu fui DJ?” Ela assentiu e eu continuei. “Quando vim te buscar, ele me pediu para ficar de olho em você. Ver se tinha algum namorado.”

Não fosse pela ameaça em seus olhos eu teria rido da cara de espanto que ela fez.

“Não acredito que você estava me espionando a serviço do meu pai! Seu sacana!” Enquanto brigava comigo, ela aproveitou para me dar socos no braço. Não resisti ao riso, mas me defendi.

“Eu não falei nada para ele, mas também achava que você estava vendo alguém. Pensei que estivesse saindo com o miserável.” Confessei, ainda sentindo uma fisgada de ciúme no peito.

Ela parou de me bater e me encarou surpresa.

“Achou que eu gostasse do Daniel?” Rolei os olhos contrariado.

“O que você queria que eu pensasse? O cara ficava te rodeando sempre e você toda sorrisos para ele.” Não consegui evitar fazer cara feia com meu comentário.

Para minha surpresa, ela não retrucou. Apenas ficou me encarando.

“Eu não acredito”, ela disse, finalmente, em um tom baixo.

“O quê?” perguntei, suspeito.

“Suas brigas com o Daniel e com o Yao eram por ciúme?”

Pego no flagra, pensei em negar, mas não mentiria para ela. Após alguns segundos de silêncio, confirmei, sentindo meu rosto queimar de vergonha.

“Sim, era ciúme. Claro que não ficaria feliz de te ver com outro.”

Ela ficou em silêncio e eu não consegui olhar para ela, até que senti sua mão em meu rosto.

“Chris…” O tom de sua voz fez meu coração acelerar.

No segundo que encontrei seus olhos, ela me beijou. Era doce e suave, de alguma forma diferente dos beijos que tínhamos trocado até agora. Foi breve, mas ainda me deixou sem ar e meio desorientado. Quando ela se afastou, suas bochechas estavam vermelhas e ela tinha um sorriso inconfundível no rosto.

“Fico feliz em saber disso.” Retribui o sorriso, feliz que ela estivesse feliz.

 

Pouco depois fui forçado a ir para casa antes que minha mãe começasse a gritar meu nome. Depois do jantar, eu fiquei com a louça, óbvio, mas como disse antes, eu estava feliz demais para reclamar. Da cozinha dava para ouvir o que os outros estavam conversando na sala e, devido à época do ano, logo começaram a perguntar para a mãe o que ela ia querer de presente do Dia das Mães. Admito que em meio à minha névoa de felicidade não tinha parado para pensar no que daria de presente para a mãe, mas sabia que queria que fosse algo especial.

Ela acabou comentando que tinha visto um anúncio de um perfume na TV e que ficaria feliz se ganhasse, mas sabia que era muito caro. Drew aproveitou e fez a pergunta que eu queria saber - qual era o perfume - e ela respondeu.

“Puro Voodoo.”

Imaginei que por ela dizer que era caro, o perfume devia custar no mínimo uns 200$, e eu não estava errado. No dia seguinte, depois que voltei da aula com a Lizzy, ela foi trabalhar e, antes de ir pro Doc, passei na Goldstein para ver o preço: 180$. Saí de lá sentindo uma leve dor no bolso, mas comecei a considerar o perfume. Eu nunca tinha dado um presente sério para a mãe. Nem Drew ou Tonya. Dos três eu era o único que ganhava dinheiro regularmente, e tinha certeza que o pai não compraria um perfume desse preço. Nunca. Então se fosse para a mãe ganhar isso, teria que ser eu.

Não era como se eu não tivesse o dinheiro. Afinal, sendo filho de Jullius Rock você aprende a economizar até oxigênio. O problema era que eu já tinha planos para aquele dinheiro, algo especial que eu não queria adiar. E se eu não acertasse com antecedência, ficaria muito difícil conseguir de novo. Suspirei, sem achar solução para o meu dilema monetário, e decidi que pensaria nisso depois.

Pela hora que saí do Doc, eu já sabia como resolveria meu problema. Eu usaria o dinheiro que eu tinha guardado para adiantar meus planos e, como o Doc me pagaria no sábado, eu compraria o perfume a tempo. Voltei para casa sorrindo, jurando que tudo daria certo. Eu só devia ter lembrado que estava falando da minha vida, e claro que nada seria fácil nem de acordo com o planejado.

 

Na quarta-feira, mesmo sabendo que Lizzy ia ficar desconfiada, pedi para ela me deixar no meio do caminho para casa. E a cara de curiosidade estava lá.

“O que vai fazer?” Dei de ombros, tentando parecer despreocupado.

“Só uma coisa que tenho que resolver. Nada importante. Pode ir. Eu dou um jeito de voltar.”

Rezei com todas as forças que ela não insistisse. Eu não queria mentir. Milagrosamente, ela concordou sem mais perguntas e me deixou ao lado do Prospect Park antes de ir na direção de casa.

O lugar que eu pretendia ir não ficava longe; só precisei andar 3 quadras. Quem eu queria ver me esperava na porta do lugar e, assim que me viu, acenou para mim.

“Cara, não sabia se você viria mesmo.”

Josh era 3 anos mais velho que eu e trabalhava como garçom para ajudar a pagar a faculdade (Jornalismo na Columbia). Tínhamos nos conhecido em um dos vários jogos de beisebol que eu ia com meu pai e Drew. Assim como o Greg, ele era branco, mas tínhamos muita coisa em comum.

“Eu disse que vinha”, respondi sorrindo. “Você conseguiu?” Ele assentiu.

“Não foi tão difícil como eu imaginei. Ela resistiu um pouco, mas quando eu falei que não era exatamente um favor…”

“Sei. Para quando?”

“Sexta dia 30.” Fiz uma leve careta.

“Em três semanas?” Ele encolheu os ombros à guisa de desculpas.

“Foi o melhor que ela conseguiu. Considerando que a lista de espera é de 2 meses…” Sorri, concordando.

“É, eu sei que dei sorte.”

“Muita. A garota vale a pena?”

“Você não faz ideia.”

Ele riu da minha cara de idiota e continuamos conversando por mais alguns minutos. Por fim, dei o dinheiro a ele e ele me deu um cartão prateado com o número 23 e meu nome no verso.

“Guarde com a sua vida. Se você perder, não tem reembolso.” Assenti, já planejando um lugar seguro para escondê-lo por 3 semanas.

“Isso eu sei. Valeu pela ajuda.” Ele dispensou meu agradecimento com um gesto.

“Não foi nada. A gente se vê?”

Assenti e, com um aceno, comecei a descer a rua na direção da parada de ônibus mais próxima.

 

Eu só percebi que o plano tinha dado errado três dias depois, no sábado, quando cheguei ao Docs e ele estava com a maior cara de tacho.

“O que foi, Doc?”

“Bem…”

“Quando você começa com ‘bem…’”, comentei, desconfiado.

“É. Aconteceu algo desagradável. Parece que alguém tentou se passar por mim e sacar meu dinheiro no banco.”

“O QUÊ?” Ele gesticulou para que eu falasse baixo. “Desculpa. Mas pegaram quem foi?”

“Sim. Estava só esperando você chegar para poder sair. Tenho que ir à delegacia registrar queixa e saber quem é.”

“Tudo bem. Pode ir lá resolver, eu cuido da loja.”

“Eu sei, mas o problema não é só esse.”

“O quê?”

“Por causa disso, o banco bloqueou minha conta. Então não posso fazer nada até ir ao banco e fazer todos os procedimentos de segurança para confirmar que eu sou eu.” Fiz uma careta.

“É realmente um pé no saco.”

“É. Como eu disse, não posso sacar nada, e isso inclui o seu salário.” Eu sabia que minha cara não devia estar das melhores. “Eu posso até tentar ir no banco hoje, mas já são 13h e ainda tenho que passar na delegacia.” Olhei instintivamente para o relógio que marcava exatamente 13h. E o banco fecha às 15h. “Eu até tinha pensado em ir ontem, mas confiei que daria certo hoje… Desculpe, rapaz.”

Respirei fundo, vendo todo o planejamento de uma semana ir para o ralo. Por que essas coisas acontecem comigo? Por quê? Passei as mãos pelo rosto, tentando pensar claramente, já que lamentar não ajudaria a resolver nada. Doc ainda me olhava com cara de tacho.

“Ok. Vai lá na delegacia resolver que eu cuido da loja e penso o que vou fazer com a minha vida.”

“Você já tinha algo planejado para o dinheiro, não é?”

Pensei em contar a ele o acordo pessoal que eu tinha feito - eu sabia que ele se sentiria mal por me atrapalhar -, mas só confirmei.

“Tinha. Mas eu dou um jeito. Eu sempre dou.”

Ele assentiu, com os olhos no chão.

Eu não queria realmente fazer ele se sentir mal. Não era culpa dele no fim das contas. Em três anos de serviço, ele nunca tinha atrasado um único pagamento meu, nem mesmo quando a loja foi roubada pelo Malvo. Então eu não tinha direito de descontar minha frustração nele.

Por isso me aproximei dele com um sorriso.

“Vai lá, Doc. Tá perdendo tempo.”

Ele retribuiu o sorriso, entendendo que eu não estava chateado com ele e, em pouco tempo, saiu. Suspirei, caindo sentado no banco do caixa que ele tinha acabado de desocupar.

“Como é que eu vou comprar o perfume da mãe agora?”

Entregar o presente depois da data estava fora de cogitação. Não por ser fora da data, mas porque eu queria que fosse surpresa e no dia não teria nada para dar a ela. Se até Drew e Tonya apareceriam com presentes feitos de macarrão, eu não apareceria de mãos vazias.

Minha segunda opção era pedir emprestado à Lizzy, mas logo descartei. Como eu tinha invertido a ordem dos presentes e resolvido o dela primeiro, sentiria como se estivesse pedindo a ela para pagar o presente dela. E isso seria muito estranho.

A terceira opção, que eu preferia evitar o máximo possível em todas as ocasiões, era o Perigo. Se algo fazia sucesso em vendas, com certeza ele tinha uma versão “Perigo” do produto.

Então, prometendo a mim mesmo que no dia que recebesse meu salário iria na Goldstein comprar o verdadeiro Puro Voodoo, assim que fechei a loja (o Doc não tinha voltado), fui procurar o Perigo. Normalmente ele ficava em uma rua há 6 quadras da minha, e foi lá que eu o encontrei.

“Chris! Quanto tempo? Vai levar alguma coisa? Tenho de tudo, você sabe.”

“Sei, Perigo. Você tem aquele perfume famoso, Puro Voodoo?” Ele sorriu, se iluminando igual a uma árvore de Natal. Era assustador.

“Claro! Saiu muito essa semana. Dia das Mães, sabe como é.”

“Quanto?”, perguntei, indo direto ao ponto.

“Só 50 pratas.” Ah, esse Dia das Mães vai sair mais caro do que pensei.

“Tá. Me dá um.”

Com um sorriso de orelha a orelha, ele me entregou a caixinha com o perfume e recebeu o dinheiro. Acenei um tchau e fui para casa.

Mal entrei na sala e meu pai, sentado na poltrona da sala com o jornal, me chamou.

“Chris?”

“Sim?”

“O Doc veio há pouco tempo deixar esse envelope para você.” Ele apontou para um envelope pardo que estava em cima da televisão. “Disse que sentia muito por algo, mas que conseguiu resolver. Disse que você sabia o que era.”

Fui na direção do envelope, sem acreditar que aquilo tinha realmente acontecido comigo. Desde quando eu tenho sorte? E como ele conseguiu resolver com o tempo tão apertado?

Senti uma onda de gratidão pelo Doc. Não exatamente pelo dinheiro - claro que ajudaria -, mas por ele ter consideração por mim a ponto de fazer esse sacrifício. Com um sorriso, guardei o envelope no bolso.


 

Na manhã de domingo, eu, Tonya, Drew e o pai - que milagrosamente estava em casa - acordamos cedo e fizemos um café da manhã para a mãe. Combinamos de levar o café na cama e entregar os presentes.

Drew deu um buquê de flores; Tonya, um LP da Patti LaBelle; e o pai deu um vaso para as flores, que incrivelmente custava 50$. Fiquei até surpreso por ele gastar tanto. Mas às vezes ele surpreendia a gente. Quando entreguei meu presente, a expressão da mãe mudou. Acho que poucas vezes eu havia visto ela sorrir assim. Isso me fez sentir um pouco mal por estar dando algo falso, mesmo que temporariamente, mas eu sabia que logo resolveria isso. Ela me deu um abraço de urso que quase quebrou minha espinha, mas eu sorri, feliz com a alegria dela.

Depois disso, arranjei um tempo de ir à Goldstein comprar o perfume. Como imaginei, estava um inferno de pessoas que esperaram até a última hora para comprar. E eu era uma delas. Pensei seriamente em adiar a compra para a segunda, mas desisti por dois motivos: um, o estoque poderia não durar até lá; e dois, tive um pressentimento ruim e queria resolver aquilo logo. Então acabei enfrentando a fila quilométrica - fui o último, claro - e comprei o bendito perfume.

Em casa, esperei todo mundo estar reunido na sala assistindo para trocar os frascos. Depois, voltei pela cozinha como se nada tivesse acontecido. Me livraria do frasco falso quando fosse à casa da Lizzy.

 

Lizzy tinha ido para a casa dos pais dela no Queens e ficou o dia todo lá, então eu só a veria à noite. Mas como sabia a hora que ela ia chegar, fui esperá-la sentado na calçada. Pouco antes das 18h ela chegou. Desceu do carro e sorriu quando me viu.

“Ficou me esperando?”, perguntou, subindo as escadas e parando na minha frente.

“Claro. Tem coisa melhor para fazer?” Ela riu, chutando meu pé levemente.

“Cínico. Quer entrar?” Assenti e entrei com ela.

“Como foi com a sua mãe?”

“Ah, ela adorou. Fizemos café da manhã e depois levamos ela para um dia em um dos spas lá perto. Tudo incluso.”

“Nossa. Queria ter pensado nisso.”

Colocando a bolsa e a chave do carro no aparador da sala, ela virou para me encarar com curiosidade.

“O que deu para a sua mãe?”

Hesitei por um instante, pensando se confessaria o que tinha feito, mas decidi que ela não precisava carregar aquilo. Além disso, ela iria querer saber o que eu fiz com o dinheiro e eu não poderia falar ou estragaria a surpresa.

“Puro Voodoo.” Sua boca se abriu em um ‘O’ perfeito.

“Sério? Ela deve ter amado! Toda mulher que eu conheço quer esse perfume. Mas não foi caro?”

“Menos do que eu esperava, mas vale a pena.” Eu não estou mentindo. Não estou!

Ela sorriu e se aproximou de mim. Seus braços vieram para o meu pescoço e sua boca estava bem próxima da minha quando sussurrou:

“Senti saudade…”

Minha mente, já desnorteada pela proximidade dela, me deixou agir por instinto e eu a beijei, apertando sua cintura e puxando seu corpo para o meu. Ela estremeceu e suspirou, respondendo o beijo com intensidade. Guiando-a para trás, eu a prendi entre mim e a porta do corredor. O sabor de sua boca era viciante; eu nunca provaria o suficiente.

Com certa relutância, soltei sua boca e beijei seu pescoço, sentindo o cheiro incrível que sua pele tinha. Ela arqueou as costas e inclinou a cabeça para trás, me dando mais espaço. Sem resistir, mordi levemente em vários pontos, sentindo-a tremer e um arrepio percorrer seu corpo. Suas mãos puxaram os cabelos da minha nuca e eu ergui os olhos para vê-la: os olhos fechados e a boca entreaberta, ofegando alto. Grunhi e voltei a beijá-la, murmurando contra seus lábios.

“Por que seu gosto é tão bom?”

Ela gemeu outra vez, acariciando minha língua com a sua. Senti meu peito apertar de felicidade e meu corpo todo esquentar de desejo.

Uma minúscula parte do meu cérebro me alertou do perigo de continuarmos aquilo, por mais incrível que fosse. Eu a ignorei por mais alguns instantes, mas por fim cedi, me afastando da Liz com um beijo suave e tentando recuperar o ar. Ela sorriu para mim com as bochechas vermelhas, também respirando com dificuldade. Acariciei seu rosto, sabendo que nunca me acostumaria com o quanto ela era linda e o quanto eu a queria.

 

Depois de mais algum tempo com a Lizzy, voltei para casa a tempo do jantar. A mãe ainda estava sorrindo para o vento por causa dos presentes, e eu esperava que o bom humor continuasse por tempo indeterminado, embora soubesse que era impossível com Drew e Tonya no mesmo ambiente.

Mas na manhã seguinte, acordei com uma notícia bem desagradável: a mãe tinha tido reação alérgica ao perfume. Na verdade, eu já tinha acordado antes de todo mundo e estava na cozinha quando escutei os gritos. Jurei que a Tonya tinha finalmente colocado fogo na casa. Subi correndo as escadas, seguindo os sons dos gritos e encontrei Drew e Tonya ao redor da mãe, que se olhava no espelho. O pescoço dela estava cheio de manchas vermelhas e só de olhar parecia que doía muito. Tonya me olhou com a maior cara de acusação.

“Olha o que o seu perfume fez!”

Mesmo sabendo que eu era culpado no assunto, eu não daria essa satisfação a ela.

“Claro, porque fui eu que fabriquei!”

“Parem vocês dois!” A mãe mandou. “A culpa não é sua, meu filho.” Eu sei que é, mas vou levar isso pro túmulo. “Vou dar um jeito nisso e, depois do café, nós dois vamos à Goldstein para resolver essa situação.”

Apenas assenti e desci de novo para a cozinha para terminar o café.

 

Em menos de uma hora estávamos na Goldstein. Não querendo participar da confusão e me sentindo culpado com tudo aquilo, me afastei e só observei minha mãe discutir com a vendedora, quase esfregando o recibo de compra e o frasco do perfume na cara dela. A mulher relutava em acreditar que um Puro Voodoo tivesse feito aquilo com o pescoço da minha mãe, mas ainda assim chamou o gerente. Eles discutiram por mais alguns segundos até que o gerente pareceu ceder e, com um sorriso amarelo, levou a mãe mais para dentro da loja. Respirei de alívio, imaginando que isso significasse que algo seria resolvido.

Sozinho, aproveitei para me afastar mais um pouco e me encostei na parede mais distante da loja que ainda me permitia uma visão do corredor por onde minha mãe tinha ido. Estava ocupado devaneando o quanto eu era azarado quando…

“Chris?” Baixei os olhos do teto, já sorrindo ao reconhecer a voz da Lizzy. “Tá fazendo o que aqui?”

“Vim com a mãe fazer uma troca.” Sua expressão ficou triste.

“Ela não quis o perfume?”

“Ela quis, só que…” Mordi o interior da bochecha imaginando como poderia fugir de uma pergunta tão direta sem mentir. Sem encontrar alternativa, suspirei e desisti. “É uma longa história, mas o perfume que dei à mãe no domingo era do Perigo.”

“O quê? Por quê?”

Rapidamente contei tudo a ela, omitindo obviamente a parte da surpresa dela. Mas claro que ela percebeu um furo na minha história.

“Mas mesmo que o Doc tenha atrasado seu pagamento você tinha o dinheiro. O que fez com ele?” Encarei-a sem saber o que responder e seus olhos estreitaram de suspeita. “Chris…” Eu nunca vou conseguir mentir para ela…

“Eu… não posso contar. Por favor, confia em mim. Eu usei para algo importante e achei que o arranjo daria certo. Não posso te falar agora, mas na hora você vai saber.”

Ela me encarou por alguns segundos, com aqueles olhos que viam minha alma, e depois assentiu.

“Tudo bem. Confio em você.”

Sorri e afaguei seu rosto. Ela olhou ao redor e segurou discretamente minha outra mão. Copiei seu gesto de olhar ao redor e nos vi sozinhos. Sem aviso e sentindo um frio na barriga, eu a beijei. Ela suspirou de surpresa, mas logo seu corpo relaxou nos meus braços. Me deixei levar pela sua resposta e acariciei seu lábio inferior com a língua, pedindo passagem, até que…

“Ham-ham”

Nos separamos assustados e ergui os olhos para ver minha mãe parada a alguns passos de nós, nos olhando sem palavras. Esperamos em silêncio qual seria a reação dela, mas a cada segundo de silêncio ficávamos mais tensos. Alguns instantes depois ela piscou algumas vezes e perguntou:

“Vocês… estão juntos?”

Troquei um olhar rápido com a Lizzy e sabíamos a resposta; não tínhamos como esconder mais. Assentimos, ainda apreensivos com a reação dela. A mãe pareceu absorver a informação lentamente, depois andou até nós e nos abraçou.

“Estou tão feliz por vocês.”

Eu tinha certeza que Lizzy e eu tínhamos as mesmas caras de choque. O que é que está acontecendo aqui? Alguém trocou minha mãe? Ela nos soltou e nos olhou sorrindo.

“Mas como…?” perguntei, sem entender. Minha mãe revirou os olhos com impaciência.

“Pelo amor de Deus, qualquer um com olhos via que vocês sempre foram loucos um pelo outro.” Senti meu rosto esquentar e desviei os olhos, sabendo que Lizzy havia feito o mesmo. “Era só uma questão de tempo.” Por que todo mundo via isso menos eu? “Eu só quero entender por que eu sou a última a saber?!”

Essa foi a minha vez de revirar os olhos. Essa é a minha mãe…

“Acredite, a senhora é a primeira a saber.” E ela ficou feliz com a informação.

“Não se preocupem. Arthur e Hellen vão aceitar bem”, ela disse, como se lesse minhas preocupações. Depois desconversou: “Mas mudando de assunto, o gerente me restituiu o dinheiro.” Ela disse, me estendendo o dinheiro, mas recusei.

“Pode ficar. Era o seu presente.” Ela sorriu ainda mais e me abraçou, quase quebrando minhas costelas.

“Ah, obrigada, meu filho.” Respirei fundo e ri quando ela me soltou.

Ela saiu na frente, feliz, na direção do carro, e eu fiquei para trás com a Lizzy.

“Desculpa. Eu fui impulsivo.” Ela me sorriu, o rosto ainda um pouco vermelho.

“Tudo bem. Acho que uma hora não poderemos mais esconder.” Concordei.

“Está indo para casa?” Ela negou.

“Comprei um Puro Voodoo com o meu pai e vamos enviar para a Cibele, afinal ela logo será mãe.”

“Verdade. É para nascer quando?”

“Em julho. Ela e David já estão bastante ansiosos.”

“Imagino.” Ela sorriu de um jeito diferente e eu fiquei curioso. “O que foi?” Ela deu de ombros, fingindo normalidade.

“Nada. Só estou feliz que sua mãe tenha aceitado bem.”

“Eu sabia que ela ia aceitar bem, só não sabia o nível do escândalo quando soubesse. Fiquei bem surpreso com a reação calma”, comentei, olhando a mãe no carro.

“Também fiquei, por isso estou feliz. Agora estou mais confiante que meu pai vai aceitar bem.” Sorri com a felicidade evidente nos olhos dela.

“Espero que sim.”

***


Notas Finais


E a reação da Rochelle? Foi o que esperavam?
Eles estão muito fofos, né?

Próxima Leitura: O Coração de um Nerd - Capítulo 9


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