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História (Nem um pouco) Belas Maldições - Capítulo 1



Notas do Autor


Oioi gente, mais uma seungjin pra vocês, só porque a Deise adora eles rs. Obrigada a @seungwoah por essa capa maravilhosa, eu realmente amei cada detalhezinho dela e a @morphoria pela betagem maravilhosa, sei que deu trabalho, mas graças a você acho que não irei cometer (tanto) os mesmos erros. É isto. Boa leitura!

Capítulo 1 - Como o mundo (não) acabou


Seungmin e Hyunjin se conheciam há tanto tempo que poderiam até mesmo dizerem que não se lembravam de como aconteceu, porém eles se recordavam de cada detalhe daquele dia. De forma silenciosa, ambos observavam sobre o jardim do Éden a nova criação, aos olhos de Seungmin eles eram adoráveis, já Hyunjin se perguntava como Deus havia criado criaturas tão frágeis e inúteis, ele poderia destruí-los com uma única mão. 

O anjo e o demônio sabiam da existência um do outro, e para serem sinceros, aquilo pouco importava no momento, não poderiam interferir, apenas observar. No entanto, quando Eva comeu aquela maldita maçã, as coisas começaram a tomar um rumo diferente:  Hyunjin, que carregava um sorriso nos lábios, aproximou-se de Seungmin pela primeira vez. 

― Eles são incrivelmente burros, como podem ter caído na ladainha daquela serpente? ― Ele falou, os olhos presos no anjo, que estava visivelmente preocupado com os novos brinquedinhos de deus.

― Não fale comigo. ― O anjo o olhou com certo desprezo, fazendo o demônio sorrir mais ainda.

Depois daquele dia, pode-se dizer que as coisas nunca foram as mesmas, pouquíssimo tempo depois ambos tinham milhares, milhões e depois bilhões de humanos para observarem. E, apesar disso, seus caminhos continuavam se cruzando através dos séculos, com o tempo Seungmin poderia até dizer que Hyunjin não era tão ruim assim, se ajudavam de forma mútua (sem o conhecimento de seus superiores, é claro), e as coisas andavam ótimas. 

Tudo bem que os seres humanos pareciam mostrar-se cada vez mais podres, mesquinhos e destrutivos, mas eles até que gostavam da Terra. Seungmin possuía uma loja de discos no centro de Seoul, Hyunjin, por outro lado, administrava uma editora de livros, ambos adoravam os frutos do capitalismo. 

Uma vez por mês, eles se encontravam, diziam que era apenas para se manterem atualizados do que estava acontecendo no mundo para ambas as partes, no entanto, lá no fundo, era porque adoravam a companhia um do outro. Aquela noite não estava diferente, não até Hyunjin, já meio bêbado, receber um telefonema de alguém do submundo, serviço de última hora. E, de forma totalmente inesperada, na manhã seguinte, Seungmin tinha literalmente o demônio batendo à sua porta. 

― Minnie, aproveite seus últimos anos na Terra porque o fim acabou de começar ― Hyunjin disse de forma despreocupada enquanto invadia o apartamento do outro, sentando-se no sofá. 

― Mas já? Quanto tempo nos sobra? ― Suspirou o Kim, era um tanto apegado aos humanos, sabia que o fim não seria uma coisa bonita de se ver. 

― Dezenove anos. O fim do mundo está marcado para 2020. 

― Whiskey? ― Ofereceu para o demônio e Hyunjin aceitou sem nem pensar duas vezes. 

(...)

Todo ano, no dia 12 de fevereiro, Seungmin e Hyunjin se reuniam, não exatamente para comemorar, apenas para beber e observar enquanto o mundo ficava um ano mais perto de seu fim. E, em toda sua existência, os anos nunca pareciam haver passado tão rápido, mas ali estavam eles, dia 31 de dezembro de 2019, reunidos desta vez no grande e caro apartamento onde o Hwang morava com seu cachorrinho. Os eventos deveriam iniciar em breve, tinha pouco mais de um mês até o fim de tudo. 

No entanto, nos últimos anos Seungmin sentia-se extremamente triste ao pensar naquilo, como viveria sem seu vinho? E as histórias fascinantes que os humanos  escreviam, quem as contariam? E mais ainda, como viveria sem música? Iria surtar se tivesse que passar o resto da eternidade ouvindo somente os outros anjos e suas harpas insuportáveis. O mundo não poderia acabar, ainda mais agora que o Day6 havia anunciado comeback, Seungmin precisava dar um jeito naquilo. 

― Hyunjin, temos que parar o fim do mundo ― disse, e o demônio riu, pensando que fosse o efeito do álcool sobre seu anjinho.

― É? E qual sua grande ideia, querido? ― Deu mais um longo gole em seu copo e recostou-se melhor no sofá. 

― Não tenho a menor ideia, mas a gente tem que parar esse pirralho. Você vai me ajudar, certo? ― Seungmin perguntou olhando daquele jeito para Hyunjin, o demônio apenas suspirou, pensou em tudo o que tinha a perder, mas ele sabia que lá no fundo apenas esteve esperando por essa pergunta para agir. 

― E o que eu não faria por você, idiota? ― Foi tudo o que respondeu, revirando os olhos. 

Quando os fogos explodiram no céu naquela noite, anunciando o começo do fim, Hyunjin se derramava dentro de Seungmin, os corpos suados um sobre o outro, encaixados como faziam há centenas de anos. Eles poderiam inventar todas as desculpas do mundo, para quererem evitar o apocalipse, mas a verdade é que, se a ¨Terra acabasse, aquilo ali acabaria também. 

(...)

Não foi tão difícil assim encontrar o tal garoto responsável pelo fim do mundo, ele vivia numa pequena cidadezinha mais ao sul do país. E, desde a virada do ano, todos os desastres que vinham acontecendo no mundo não haviam chegado até lá. Assim que adentraram na cidade, Hyunjin conseguiu sentir a mudança nos ares, como se o ar fosse mais limpo e o clima estivesse perfeito, nem quente ou frio demais, apenas perfeito. 

O demônio havia conseguido o nome e endereço do garoto, o anticristo atendia pelo nome de Yang Jeongin e seu aniversário seria dali a uma semana. Seungmin e Hyunjin ficaram por alguns dias apenas fazendo o que sabiam de melhor, observando. Jeongin tinha uma vida bastante comum, estava com seus dezoito quase dezenove anos, prestes a terminar o ensino médio e, como a maioria dos jovens, estava completamente apaixonado. E aquela normalidade quebrou Seungmin, como ele poderia fazer algo contra um garotinho? O plano A foi completamente por água abaixo, Hyunjin então surgiu com um plano B mixuruquinha — que tinha 0,01% chances de sucesso —, mas não é como se eles tivessem muitas opções.

E três dias antes do fim do mundo, enquanto Jeongin saía da aula, os dois decidiram abordar o garoto e jogar a bomba. Jeongin não fazia ideia do que eles estavam falando, tipo, como assim ele seria a causa do fim do mundo? As pessoas estavam destruindo o planeta sozinhas e ele era apenas mais uma entre bilhões, sua conclusão era de que aqueles dois eram completamente insanos. No entanto, coisas estranhas começaram a acontecer naquele dia, tipo, o que poderia anunciar o apocalipse além de Lee Felix, o protagonista de todos os sonhos de Jeongin, chamando-lhe para um encontro dali a quatro dias?! Isso mesmo, NADA!

Jeongin precisava de um jeito para falar com os dois caras esquisitos que foram até ele, infelizmente foi mais difícil do que o Yang esperava, só os encontrando no dia que o mundo deveria acabar. Seungmin e Hyunjin haviam passado os dois últimos dias em um chalé que haviam alugado ali perto, trancados, revezando entre achar um jeito de evitar o fim iminente e se despedir caso tudo realmente terminasse dali a algumas horas. 

Quando encontraram Jeongin naquela adorável tarde, ficaram mais do que esperançosos, o garoto acreditava neles e também não estava nenhum pouco a fim de destruir todo o mundo, quais as chances de dar errado? Bom, todas. Eles não possuíam a menor ideia de como as coisas iriam acontecer quando fosse a hora, no entanto, os demônios adoravam uma fofoca, não foi difícil para Hyunjin descobrir o local do gran finale, ou seja lá como queiram chamar o apocalipse.

Se eles iriam até lá sem um único plano? Óbvio que iriam, estavam desesperados, mas tinham o anticristo ao seu lado, talvez as coisas terminassem bem. Seungmin não sabia o que estava esperando do local do fim do mundo, mas um restaurante mexicano com toda certeza era algo que não veio à sua mente. No entanto, ali estavam eles, o restaurante lotado de demônios, e o próprio Lúcifer cantando Gasolina no pequeno palco que havia dentro do estabelecimento. 

Quando o trio adentrou o local, toda a atenção foi direcionada a eles. Os demônios observavam Hyunjin com ódio nos olhos, óbvio que o ser mais problemático do submundo tinha que chegar com um anjo ali. Seungmin sentia todos os olhares queimando sobre sua pele, sua vontade era perguntar se haviam perdido algo nele, mas estava um tanto intimidado. Lúcifer se aproximou deles com um sorriso amplo em seu rosto, ele ignorou os outros dois recém chegados e voltou toda sua atenção para o jovem Jeongin. O Yang não fazia ideia de como, mas sabia que aquele ali era o seu “pai”, talvez fosse pela tatuagem escrita “rei do inferno” em seu bíceps, mas não havia como ter certeza.

― É bom finalmente te conhecer, querido ― falou, mais amigável do que Jeongin jamais achou que o diabo poderia ser. ― Pode me chamar de Jaebeom. 

― Hm, olá Jaebeom ― Jeongin estava acuado, mas seu objetivo ali era evitar o fim do mundo, não poderia ser um garotinho medroso, o que ele realmente era, naquele momento. ― Eu fiquei sabendo dessa coisa de fim de mundo e tal, podemos conversar? ― O outro apenas acenou que sim com a cabeça e eles foram mais até o fundo do restaurante ter essa conversa. 

Aproveitando que o chefe estava ocupado, os demônios aproveitaram para encher o saco do anjo, mas Seungmin estava pouco se fodendo, ele apenas agarrou a mão de Hyunjin e o tirou do centro daquele mar de urubus, encostando-se em uma das paredes ali perto a fim de esperar Jeongin voltar. 

― Você acha que vai dar certo? ― perguntou o demônio, suas mãos buscando a de Seungmin de forma discreta. O anjo a agarrou como se o mundo dependesse daquilo. 

― Tem que dar, Hyunjinnie.  

A conversa entre Jeongin e o coisa ruim durou apenas quinze minutos, mas, para os dois que esperavam ansiosos, pareceu uma eternidade. Quando eles finalmente voltaram para o centro do restaurante, Jaebeom não tinha uma expressão muito boa no rosto e agarrou a primeira cerveja que apareceu na sua frente. 

― Ei garotos, vamos para casa, a festa foi cancelada ― anunciou um tanto frustrado enquanto Jeongin tinha um sorriso enorme em seus lábios. Em comemoração, Hyunjin não se segurou e deixou um beijo rápido sobre os lábios do anjo, o que não escapou dos olhos de seu chefe. Jaebeom se aproximou dos dois, os olhos felinos indo até as mãos que ainda estavam coladas. Hyunjin estava ferrado. 

Os outros demônios sorriam todos em antecipação, nunca gostaram de Hyunjin, na verdade, nem sabiam como ele havia parado ali no inferno, alguns diziam que ele apenas andava com as pessoas erradas, porque ele não era realmente perverso como os outros ali. 

― Sabe, vocês são muito corajosos de virem até aqui essa noite sem o menor plano e confiando nesse garoto ― o Diabo disse, seus olhos em Hyunjin, ele podia ver a tensão pairando sobre os ombros dos dois amantes. ― E eu ainda não acredito que deu certo, mas a escolha não é minha e ele tem um bom ponto. ― Deu de ombros. 

― Senhor, e a punição dele? ― alguém gritou ao fundo e Jaebeom apenas sorriu, aproximando uma das mãos até o rosto de Seungmin, agarrando seu maxilar e analisando de perto os traços do anjo. 

― Punição? Quem nunca se apaixonou por um anjo, não é mesmo? ― Ele sorriu, lembrando que Youngjae, seu anjinho, esperava-o em seu apartamento em Paris. Em um piscar de olhos, o restaurante estava quase vazio, restando apenas Jeongin, Seungmin e Hyunjin ali. Eles ainda estavam atônitos com tudo o que havia acontecido nos últimos minutos, mas quando Jeongin se jogou nos dois para uma abraço, caiu a ficha de que realmente haviam conseguido. 

― Ei moleque, o que você disse para ele? ― Hyunjin perguntou curioso e Jeongin sorriu. 

― Eu apenas disse que os humanos estão se destruindo sozinhos, não precisam de um apocalipse, o que seria mais frustrante para Deus do que ver sua criação favorita se autodestruindo? ― falou calmo e os outros dois apenas afirmaram com a cabeça, fazia sentido. ― Ah, eu também disse que tinha um encontro com Lee Felix amanhã e por isso o mundo não poderia acabar hoje, tenho quase certeza de que foi isso que o convenceu. ―  Os dois apenas riram das palavras do mais novo. Aproveitaram que estavam em um restaurante mexicano e comeram alguns tacos antes de deixar Jeongin em casa e partir de volta para o apartamento de Hyunjin, eles tinham muita coisa para comemorar e agora o resto da eternidade para isso. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Até o próximo ciclo.


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