História Nenhuma esperança - Capítulo 5


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Categorias Jogos Vorazes (The Hunger Games)
Personagens Katniss Everdeen, Peeta Mellark
Tags Katniss, Peeta
Visualizações 101
Palavras 3.571
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


The Hunger Games não me pertence.

No capítulo anterior:

"Sentado numa poltrona perto da mesa que Peeta ocupava, estava um rosto muito familiar e que vez meu coração acelerar dentro do peito.
- Haymitch? "

Capítulo 5 - Na vida nós somos reis ou peões. O que você escolhe ser?


“Diga-me quando o beijo de amor se tornou uma mentira.

Suporto a cicatriz profunda do pecado,

Para esconder este medo de correr até você.

Por favor, deixe que haja luz em um quarto escuro.”

In a Darkened Room, Skid Row

 

Eu quase o abracei quando o vi.

- Você está vivo? – perguntei encarando-o, tomada por uma forte emoção. – Como pode estar? O Treze... o bombardeio! Você estava lá...

- Isso não é assunto para ser conversado agora. – uma voz fria me interrompeu. O choque de ver Haymitch não me permitiu prestar atenção em Peeta que estava em sua mesa, e eu estremeci ao olhá-lo. De novo estava o olhar cruel que eu não reconhecia. – Haymitch foi resgatado assim como você. E eu e ele agora temos um acordo. Ele agora está do nosso lado, do lado da Capital.

Olhei para Haymitch, mas ele estava inexpressivo. Parecia tão estranho... Um silêncio pairou no ambiente.

- Ora! Vejam nós quatro. – Effie falou com alegria cortando o momento. – Estamos juntos! Como um time novamente! Que maravilha! Um time como sempre fomos!

- Você continua a mesma sem noção de sempre... – Haymitch resmungou amargo.

- Effie está certa. – Peeta concordou. - Se você foi poupado, Haymitch, é para ajudar a fortalecer nossa imagem junto a Panem, a imagem que somos praticamente uma família, e que você me apoia incondicionalmente.

- Como quiser, garoto - Haymitch disse sem emoção. – desde que você cumpra sua parte.

- Óbvio que cumprirei. Você não queria Katniss? Aqui está ela. A sua preferida...

- Até onde me lembro, garoto, ela era sua preferida também... – Haymitch abriu um sorriso maldoso.

- As coisas mudam. – Peeta disse sério, me olhando pela primeira vez. - Mas, o importante é que ela está aqui como eu prometi, sã e salva.

- Espero que te todas as maneiras... – Haymitch disse dando um olhar a Peeta que eu não compreendi o significado.

- Não se preocupe, Haymitch. Katniss nunca foi fácil de quebrar.

- Peeta, querido. – Effie interrompeu. – É melhor que começarmos aqui, o aerodeslizador sairá em minutos. Temos um cronograma a seguir...

- Não se preocupe, Effie, o aerodeslizador não saíra sem mim. – Peeta disse se levantando e se aproximando de nós. – Vocês devem estar se perguntando por que os reuni aqui... bem, como Effie falou, seremos um time novamente. Quero retomar os prontopops para a TV, e preciso de vocês. Toda a Panem precisa saber que agora estamos todos do mesmo lado, precisamos ganhar o apoio de todos e essa sempre foi uma ótima ferramenta para manipular as pessoas.

- Você quer manipular as pessoas? – indaguei. – Eu não vou participar disso. Você não vai me colocar novamente em frente as câmeras, Peeta! Eu não vou fazer isso!

- Ah, você vai. E você vai fazer esses prontopops comigo. Nós vamos retornar ao nosso papel dos “amantes desafortunados”... – disse irônico. – E mais... nós vamos até melhorar essa estória: vamos trazer algo novo. Algo que represente a renovação que Panem viverá, que represente uma nova era, uma nova esperança.

- O que quer dizer com isso, Peeta? – Haymitch perguntou apreensivo.

- Eu e Katniss daremos um filho a Panem.

Senti Effie engasgar-se perto de mim. Eu mesmo senti minha garganta apertar e algo afundar no meu estômago.

- Você está louco! – avancei para cima dele, mas Peeta segurou meus braços que estavam levantados para atacá-lo. – Eu não vou fazer isso! Nós não vamos!

- Você não tem escolha, Katniss. – ele disse entredentes enquanto segurava meus braços com uma força exagerada. – Você vai fazer o que eu mandar. Para o seu próprio bem e pro bem de quem você ama! Reflita.

Peeta me soltou bruscamente e andou rápido em direção a saída sem dizer mais nada. Effie saiu atrás dele e fechou a porta, deixando-me a sós com Haymitch.

- Nem pense nisso. – Haymitch disse calmo quando me viu caminhando até a porta. – Tem pacificadores do outro lado da porta. Só Effie tem permissão pra andar livremente por aí, o garoto sempre gostou mais dela do que de mim...

Eu me virei e andei até próximo a poltrona onde Haymitch estava. Eu sentei na poltrona ao lado e comecei a chorar em silêncio.

Depois de um instante, Haymitch se levantou e veio até perto de mim, para minha surpresa ele pegou minha mão.

- Eu nunca vi você tão quebrada, benzinho.

- E como você queria que eu estivesse, Haymitch? Você o viu! Viu o que Snow fez com ele! O que Snow fez ao Treze e a todos nós... Nós perdermos! Eu perdi... tudo.

- Nós ainda estamos vivos. – Haymitch sussurrou.

- Eu preferia não viver para ver tudo isso...

- Você fala isso pra mim? Eu estou há muito mais tempo nesse trem do que você, docinho. Eu sei o que é perder toda a esperança, mas você ainda tem pelo que lutar...

- Como assim? – perguntei levantando meu rosto para olhá-lo.

- Sua irmã, ela está viva. E Snow a mantém em algum lugar, Peeta sabe onde.

- Então ele não estava blefando...

- O garoto parece estar falando muito sério. Por isso não devemos contrariá-lo.

- Haymitch, você viu o que ele quer! Desde que cheguei aqui ele tem tentado me atingir de todas as maneiras! Ele quer se vingar de mim! E agora ainda quer que a gente coloque uma criança inocente no meio de todo esse circo? Peeta enlouqueceu, essa é a verdade. E a culpa é toda minha.

- Se culpar não vai resolver nada! Você tem que fazer o que tem que ser feito. Peeta tem um ponto fraco que nós dois sabemos que é você. Use isso a seu favor!

 - Eu não vou me sujeitar a isso novamente, Haymitch.

Haymitch me encarou e seu semblante se transformou. Ele parecia transtornado, não... furioso.

- Isso não é apenas sobre você, queridinha! - falou com raiva, segurando meu rosto com uma mão. - É sobre muitas vidas! Inclusive as vidas das pessoas que você ama! Não existe essa opção de pular fora, você me compreende?

Ele se levantou e se afastou de mim, andou pelo cômodo, como se refletisse.

- Você já se perguntou por que ainda está viva? - ele falou voltando-se para mim. - Você acha... Você acha mesmo que Snow lhe pouparia de uma execução? – ele fez um pausa e falou incisivo: - Snow não faz prisioneiros! A não ser que ele tenha um objetivo específico para eles, é claro... E você acha que o objetivo de Snow era te deixar livre pra viver feliz com seu amorzinho? Não! Ele não faria isso! Ele também não me deixaria vivo, nem deixaria Effie, nem qualquer um de nós! Tem algo seriamente errada nessa coisa toda… E onde está Snow que ninguém mais viu, não se tem notícia dele além de sua voz em alguns comunicados... Aposto que, chafurdando nesse seu sofrimento egoísta, isso não passou pela sua cabeça.

Ele estava certo. Nada disso tinha passado pela minha cabeça. Eu estava tão impressionada com a mudança que se operou em Peeta, que eu não havia me atentado para esses pontos.

- Ah, então agora você, finalmente, compreendeu… - Haymitch falou ao ver meus olhos arregalados e minha face de terror. - Então, sabemos que algo estranho está acontecendo e que tudo envolve Peeta. Ele é o segundo no comando de Panem agora, mas é insondável. A única pessoa capaz de se aproximar dele em algum momento é você.

- Ele não vai deixar eu me aproximar, é impossível… ele me odeia, já disse.

- Ele quer fazer um filho em você, eu diria que isso é uma aproximação e tanto… - Eu o olhei com ódio e ele sorriu com deboche. - Então, aproveite essa oportunidade, esse novo Peeta tem algum tipo obsessão por você…

 - Ele apenas me odeia. - repito enfática.

- Eu tenho quase certeza que fizeram algo com ele. – Haymitch concluiu sem das atenção ao meu comentário. - Ele foi torturado... Podem ter mexido no cérebro dele…

- Eu não acredito em nada disso, Haymitch. Acredito apenas que ele viu quem eu sou de verdade....

- Bom, isso não importa. - Haymitch disse em um tom cansado. - Ele volta em dois dias do centro de comando no Distrito 2 e se você quer ver ainda alguém da sua família com vida, sugiro que você esteja pronta para recebê-lo.

Desabei em uma das luxuosas poltronas do escritório concluindo que, não importa o que acontecesse, eu sempre seria a peça no jogo de alguém. E dessa vez, eu seria a peça do jogo de Peeta.

 

***

Passei os dois dias seguintes na companhia de Haymitch e em minhas sessões com Dr. Aurelius. Eu não fora mais mandada para a cela da prisão subterrânea da mansão e estava constantemente sob o olhar de Haymitch, o que foi bom por que assim os pacificadores não se aproximavam de mim e meu último sonho com Cray, além de sua ameaça velada, ainda me davam calafrios. Por muitas vezes, Haymitch e eu discorremos sobre o que poderia estar acontecendo com Peeta, mas nada naquele intrincado quebra cabeças se ligava. Nós pensamos em explorar a mansão e tentar descobrir algo, mas os cômodos pelos quais podíamos circular eram restritos. Éramos como ratos na roda, ainda estávamos na prisão, presos em uma gaiola de ouro.

Soube que o quarto que me designaram era o quarto de Peeta. Voltei para o mesmo e o habitei como se fosse meu.

Então o segundo dia passou e Peeta e Effie não haviam retornado.

Naquela noite, eu já estava deitada e insone na grande cama do quarto de Peeta quando escutei a fechadura se abrir. O terror tomou conta de mim, imaginando quem estaria ali, por um instante de loucura imaginei que podia ser Cray para cumprir sua ameaça, mas logo um perfume muito conhecido tomou meu olfato, os passos lentos do quarto pertenciam a Peeta. Eu não queria encará-lo naquele momento e até temia as consequências disso, visto os planos que ele tinha para nós, então fingi dormir. Escutei seus passos dentro do quarto, depois o chuveiro ligando no banheiro e alguns minutos depois, seus passos novamente no quarto trazendo um cheiro de sabonete. Percebi quando ele deu a volta na cama e fingi dormir quando percebi que ele estava de pé ao meu lado. O terror tomou conta de mim quando ele pôs a mão em meu rosto, esperei que ele fosse me arrancar da cama, mas nada aconteceu. Ele apenas passou a mão no meu rosto mais uma vez e depois andou de volta para o outro lado da cama e eu senti o colchão ceder quando ele se deitou ao meu lado.  Senti suas mãos nos meus cabelos e estremeci, mas foi só isso. Ele parou de tocá-los e pouco tempo depois, escutei seu leve ressonar. Depois de alguns instantes ouvindo-o dormir, eu mesma mergulhei em um sono sem sonhos.

 

Quando acordei na manhã seguinte, Peeta já havia saído, Effie veio me buscar e passei a manhã inteira com dr. Aurelius, não foi exatamente uma sessão produtiva, pois ele apenas tirava uma soneca, após eu não responder suas perguntas.

Já era final da manhã quando Effie entrou na sala para informar que a sessão havia acabado, Dr. Aurelius acordou em sobressalto.

- Até a próxima sessão, Katniss. - ele falou ao se despedir, não sem antes completar baixinho: - Uma hora teremos de conversar, você não pode fingir pra sempre que está se tratando…

- Até amanhã, doutor! - Effie se despediu antes dele sair.

- Não, Effie. Até hoje à tarde. - o médico retrucou. - Minha sessão de hoje com o senhor Mellark às 15h está confirmada, não é mesmo?

- Ah, claro. - Effie falou sem jeito, o médico assentiu e saiu da sala nos deixando a sós.

- Por que Peeta está fazendo tratamento com o dr. Aurelius? - perguntei a Effie assim que a porta bateu.

- Não é nada, querida. - Effie desconversou, mas eu tive certeza que mentia, pois estava muito nervosa. - Ele apenas vai perguntar sobre você, só isso.

- Mas dr. Aureliu disse que era uma sessão…

- Foi modo de falar. – Effie disse em um tom brusco que dava o assunto por encerrado. - Venha, vamos almoçar, temos um grande, grande, grande dia pela frente!

Eu não acreditei em Effie, mas não insisti por que sabia que ela não iria me dizer nada, Haymitch com certeza não sabia também, pois do contrário, teria comentado comigo. Prometi investigar isso por minha conta quando tivesse oportunidade.

Effie me levou para o luxuoso salão de jantar da mansão presidencial. Meu almoço foi servido, e Effie sentou uma cadeira a minha frente e Haymitch estava ao lado dela, bêbado demais para levar em conta nossa presença, aparentemente, Peeta não havia confiscado suas bebidas. Notei que a cabeceira da grande mesa permaneceu vazia.

- Onde Peeta está? - indaguei para Effie - Sei que ele chegou do Distrito 2 ontem a noite….

Os talheres de Effie pairaram no ar.

- Bem, ele está em casa, querida, mas está ocupado… - ela falou de um modo contido.

- É, está. - Haymitch falou com uma risada de deboche. - Está lá em cima no seu quarto, fazendo com uma moça o que você deveria estar fazendo com ele...

- Ele está o quê? - indaguei surpresa, no momento seguinte veio a minha cabeça a lembrança a cerca da noite do baile, onde Peeta subiu para o quarto com uma moça e me mandou para minha cela subterrânea.

Fui tomada por uma ira insana, cada parte do meu corpo ardeu de ódio. Como ele podia? Enquanto estávamos todos ali embaixo? No quarto onde eu dormira?

 

Joguei meus talheres na mesa e levantei, e antes que Effie pudesse me impedir, eu estava subindo as escadas em direção ao quarto onde Peeta estava.

- PEETA! PEETA! ABRA ESSA PORTA! - eu gritava esmurrando a porta do quarto. - ABRA ESSA PORTA AGOR...

A porta foi aberta e uma bela mulher loira com pernas maiores que o meu corpo encostou-se no umbral, ela estava de lingerie preta e definitivamente não era a mesma garota do dia do baile.

- Peeta está ocupado - ela me falou com um sotaque afetado da Capital. Sua voz tinha uma mistura de divertimento e desdém.

Contudo, essa foi a única coisa que ela teve a oportunidade de me dizer, por que no instante seguinte eu estava puxando-a pelos braços e colocando-a pra fora do quarto.

Entrei batendo a porta e encontrei Peeta deitado de forma relaxada na cama enquanto mexia em um computador de mão. Ele vestia apenas boxes e tinha a perna mecânica fletida.

- Já almoçou? - ele me perguntou imperturbável como se não tivesse visto e eu jogar sua companhia para fora do quarto instantes antes e como se minha presença ali fosse totalmente esperada.

Meu ódio aumentou ainda mais , pois senti que ele zombava de mim. Sem pensar, peguei alguns enfeites que tinha sobre o console da lareira e joguei nele. Ele se desviou dos dois primeiros, mas o terceiro, um castiçal de prata especialmente pesado, bateu em seu rosto, abrindo um pequeno corte em sua bochecha. Eu sorri com satisfação.

Ele se levantou e veio na minha direção, contendo meus braços com força.

- Pare com isso, Katniss! - ele disse com raiva, me agarrando pelas costas, enquanto mantinha meus braços seguros.

- Quem tem que parar com isso é você! – Gritei enfurecida. - Se pretende continuar com essa farsa do nosso casamento, não fique desfilando com outras mulheres na minha frente!

Peeta abriu um sorriso.

- Então é isso, está com ciúmes? Nunca achei que...- ele pareceu refletir. - Pensei que tinha coisas mais importantes para se preocupar…

- E tenho, mas não vou aceitar que você e faça de idiota na frente de todo mundo!

- Você não tem o que aceitar ou não aceitar. – ele disse sério ao meu ouvido. - Aqui você só recebe ordens… Mas eu posso me afastar delas, se você quiser. É só você cumprir suas obrigações matrimoniais…

- Você vai me obrigar? – falei sentindo o hálito dele no meu pescoço.

- Já disse que não vou obrigar você a nada... – ele falou me soltando e caminhando até a cama novamente e voltando a deitar-se. – Então, você vem aqui, ou vou precisar continuar fodendo outras mulheres?

Peguei os demais enfeites que ainda haviam sobre o console da lareira e voltei a jogar nele.

- Cray, - Peeta falou calmamente de um comunipulso enquanto desviava das coisas que eu jogava nele. – A senhora Mellark está tendo um ataque, venha buscá     -la, por favor.

Cray apareceu instantes depois com mais dois pacificadores. Eles praticamente me arrastaram para fora do cômodo. Peeta me olhou enquanto eu gritava impropérios contra ele, mas não havia mais rastro do sorriso de deboche em seus lábios.

Fui arrastada novamente até a cela subterrânea e levei muito tempo para me acalmar quando cheguei lá. Quebrei as poucas coisas que haviam disponíveis e arranquei os colchões da cama, rasguei os lençóis e arranquei a pia da parede fazendo um cano jorrar água pelo cômodo, talvez o próprio Cray estivesse assustado com minha fúria animalesca que não ousou me dizer nada, me deixou sozinha e me debatendo na cela.

Horas mais tarde, já mais calma. Sentei em um canto imaginando quanto tempo Peeta me prenderia lá daquela vez, para minha surpresa, não muito mais tarde, Effie apareceu para me buscar.

Fui levada novamente ao meu quarto, que agora estava vazio, exceto pela equipe de preparação que estava lá para me arrumar.

Effie rodava pelo quarto dando pitacos aqui e ali na minha arrumação.

- O que haverá hoje, Effie? – indaguei impassível enquanto repuxavam meu cabelo e cutucavam minha pele.

- Teremos um jantar com as pessoas mais poderosas da Capital, minha querida. Desembargadores, Juízes, grandes empresários... as pessoas mais importantes de Panem. – ela explicou com os olhos brilhantes. – Peeta quer discutir os detalhes da nova política de Panem.

- A nova ditadura dele? – desdenhei. – Deixar os distritos continuarem a morrer de fome? O que eu tenho a ver com isso?

- Shii, Você não pode dizer essas coisas, Katniss! – Ela me censurou.- E você precisa estar presente, por que é a esposa do primeiro ministro. E haverá um prontopop do jantar para toda Panem.

- Snow estará aqui?

- Não, só você e Peeta que o representarão.

- Peeta poderia levar alguma das outras mulheres com quem ele convive agora. – disse com raiva. – Acredito que elas compactuem mais com essas atrocidades do que eu...

- Não vou nem levar em consideração isso que você disse, querida. – Effie falou enquanto retocava meu pó de arroz pela última vez. – Vamos, você está linda!

Olhei-me no espelho. A equipe de preparação havia me colocado em um espalhafatoso vestido vermelho tomara que caia, eu parecia bem mais velha por trás de toda aquela maquiagem e daquela roupa. Imagino o que o povo dos Distritos dirão ao me ver vestida perfeitamente como uma piranha da Capital.

Quando desci as escadas, Peeta me esperava. Ele beijou minha mão quando me encontrou, como se nada tivesse acontecido naquela tarde. Eu fechei a cara pra ele, mas ele pareceu não se importar, apenas pôs a mão em minha cintura e circulamos pelo grande salão de estar, cumprimentado as pessoas que chegavam.

- Quando será o prontopop? – indaguei a ele em um momento em que não havia ninguém por perto, minha intenção era cumprir aquela tarefa e dar o fora dali. Aquela gente me deixava enjoada.

- Você vai saber quando for a hora. – ele disse baixinho enquanto sorria para um casal que chegara e nos cumprimentava.

Uma hora depois estávamos sentados a mesa do salão de jantar. Cerca de vinte pessoas entre homens e mulheres. Gente extremamente asquerosa e vestida de forma espalhafatosa e que não parava de conversar futilidades, todos alegres demais com o final da guerra, com o controle dos distrito e com a volta da abundância da Capital.

Havia muitos pacificadores na sala fazendo a segurança do evento e daquelas pessoas importantes.

Quando estavam todos acomodados, Peeta que estava na cabeceira da grande mesa, bateu com um talher em uma taça de cristal e todos fizeram silêncio. Eu estava de seu lado direito e Haymitch e Effie a sua esquerda. Eu não estava fazendo questão de ser simpática com ninguém.

- Boa noite a todos. – Peeta falou em um tom solene. – Nesse momento, nossa reunião está sendo transmitida a toda Panem. Como todos sabem, na última semana fizemos os julgamentos e condenação de todos os criminosos responsáveis pela guerra que assolou Panem. E hoje, estamos aqui reunidos para brindar junto com toda Panem o cumprimento de todas as sentenças e a execução dos criminosos. Assim, nesse momento simbólico,  quero propor um brinde: - ele ergueu sua taça no ar. - À execução dos criminosos!

- À execução dos criminosos! – Todos, a exceção de mim e Haymitch, repetiram com as taças levantadas.

Contudo, antes que as taças pudessem tocar nos lábios dos presentes, aconteceu. Um barulho ensurdecedor de tiros. Levei às mãos a boca e a sensação de vômito iminente subiu pelo meu esôfago quando observei a cena:

Á exceção de Peeta, Haymitch, Effie e eu, todos na sala caíram sobre a mesa. Sangue tingindo de vermelho a toalha branca.

Todos executados com um tiro na cabeça.


Notas Finais


Não deixem de comentar! Postarei em breve! ^^


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