1. Spirit Fanfics >
  2. Nensho Nights >
  3. Capítulo VII

História Nensho Nights - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


Seja bem vindo a minha fic!!

Estou melhorando, prometo. (◕ᴗ◕✿)

Boa leitura!

Capítulo 7 - Capítulo VII





Após a fuga desesperada da penitenciária de Osaka número 2, apenas Tsukasa chega às margens das praias do leste japonês. Havia sido vencido pelo mar revolto e se separado de seu amigo, agora desaparecido. O mesmo foi abrigado por um pescador qualquer. No mesmo dia, fugiu da vigia de seu salvador, lhe roubando uma quantia necessária de dinheiro.


Após isso, seguiu para Yokobori, na grande Osaka. O dinheiro que tinha era apenas suficiente para a viagem e uma refeição. Chegando lá, retornou ao mundo da yakuza como capanga da família Minamoto, adotando um nome falso para permanecer desaparecido. Com o objetivo de subir na hierarquia da yakuza para se reencontrar com seu irmão, ele continuou na família, no mesmo distrito.


Mesmo depois de muito tempo investigando, todos os rastros de Sakura Nanamine foram apagados, já não haviam mais pistas a se seguir. Sobrevivendo na selva de pedra, Tsukasa continua sua busca por seu irmão, sem se esquecer do último pedido de seu amigo.




Meses depois, em Yokobori.




Tsukasa andava pelas ruas de Yokobori, após assustar um bando de delinquentes que tentavam convencer uma garota a passar a madrugada com eles. 


Chegando na avenida principal do distrito, esperou no cruzamento. De repente um carro preto estacionou em sua frente, e o vidro fumê do banco de trás desceu lentamente, revelando um homem velho engravatado que o olhava com um sorriso maléfico.


— Yo. Como foi lá, hm? — Questionou o velho.


— Está feito. Peço desculpas pelo dinheiro cru, eu não trouxe um envelope. — Respondeu Tsukasa, entregando algumas notas de dinheiro ao homem no banco de trás. Mesmo dinheiro que havia arrancado daquele homem endividado no beco escuro, alguns minutos atrás.


— Nah, fique tranquilo. Dinheiro é dinheiro, dá pra gastar com ou sem envelope. — Disse o engravatado. Era um agiota. Havia enviado Tsukasa para cobrar uma dívida atrasada, do pior jeito possível. — Vocês garotos Minamoto trabalham rápido, deixam minha vida bem mais fácil. Enfim, aqui está sua parte, dez por cento como prometido. E além disso, tá aqui um pequeno bônus meu. — Então, ele o ofereceu o dobro da quantia além do que havia conseguido só naquele trabalho. Como se estivesse atraindo o garoto.


— Isso não é necessário… Apenas o pagamento normal já está bom.


— A maior parte dos peões ganham metade de todo trabalho que fazem. Sou só eu quem estou saindo no lucro aqui. Você está me fazendo um favor. Considere um presente pra comemorar nosso primeiro trabalho juntos, pode pegar.


Sem querer continuar aquela conversa, Tsukasa apenas aceitou o bônus que lhe fora oferecido, agradecendo sutilmente.


— Empreste dinheiro o suficiente nessa cidade e você aprende uma ou duas coisas… O mundo hoje em dia, ninguém sabe qual o peso do dinheiro. — Continuou o velho.


— Já acabamos? — Disse o menino em uma tentativa de finalizar a conversa. Logo se provando em vão devido a insistência do homem.


— Por que não vem trabalhar pra mim, garoto? — Sugeriu o velho, seguido de seu sorriso maléfico. — Um moleque com as suas habilidades poderia nadar no dinheiro, você subiria na vida muito mais fácil do que em qualquer família na yakuza. Toda comida, um banquete, toda noite uma garota diferente… E esse é só o começo, você pode até comprar felicidade se gastar direito.


O moreno apenas continua olhando para o homem, guardando o maço de dinheiro em seu terno em seguida. Sem uma resposta, o homem continua.


— Demora muito tempo pra dar certo na yakuza. Meu dinheiro é um ótimo atalho, venha trabalhar pra mim e você vai chegar no topo muito mais rápido.


— … 1 ano atrás, eu talvez tivesse aceitado essa sua oferta. Mas assim que você é um yakuza… Não há como voltar atrás.


— Essa é sua resposta, então?


— Me pergunto se ser um yakuza pode me levar a uma vida completa também… 


— Tanto faz, não posso te dizer nada, afinal nunca fui yakuza. Enfim, me chame se mudar de idéia. Até mais. — O sorriso maléfico do homem se desfaz e o vidro corta seus olhares ao subir novamente. O carro preto dirige pela avenida, desaparecendo entre o trânsito. O garoto preso em seus pensamentos, concluiu consigo mesmo.


"Tsc… Que idiota…







Perda de tempo…".







Yokobori, o distrito das oportunidades. Placas neon e clubes se amontoavam por toda a avenida principal. Baristas esperam nas portas dos clubes atraindo clientes para dentro. Yakuzas andam pelo meio da rua, abrindo caminho por onde quer que passem. Becos isolados abrigavam roubos e dividas recorrentes como se fossem pontos no mapa. A família Minamoto e a Aliança Yato controlavam grande parte daquele distrito, ninguém era estúpido o suficiente para causar alguma confusão ou interferir em qualquer negócio protegido pelo nome das familias yakuza.


Tsukasa não parecia muito com os yakuza comuns do Japão. Não usava uma roupa que custasse mais de 500 mil ienes, apenas seu terno preto confiável e uma camisa vermelha por baixo. Poderia ser considerado até antiquado ou sem estilo. Queria se parecer o máximo possível com seu antigo chefe, o grande Minamoto, pai dos irmãos Minamoto. Se chegasse naquele nível, poderia se vestir como bem quisesse. Ser chamativo talvez fosse parte dos negócios.


Um bom lugar na avenida principal, Kannagi. No 3° andar de um prédio, um bar que Tsukasa começou a frequentar depois que chegou no distrito. Até conseguiu fazer amizade com o barista de lá, dono do lugar e único funcionário.


Chegando no lugar, ele sobe de elevador até o terceiro andar do prédio. Ao abrir a porta do bar confortável, o garoto é recebido pela barista, que o diz.


— Oh, chegou meio cedo hoje, Tsukasa-san!


— Ah, bom dia, Mitsuba-san. Tive que terminar uns servicinhos e aproveitei pra passar aqui.


Mitsuba, o dono daquele bar. Um rapaz sempre sorridente e de personalidade peculiar, adorava conversar com os clientes e atender bem os que sempre frequentavam. Suas roupas eram estranhamente diferentes para um barista, mas o diferenciavam dos demais.


— Não tem problema! Pode se sentar, vou te servir agora mesmo. Acabei de abrir o bar, vai ficar parado por um bom tempo...


A casa estava vazia naquele horário. De madrugada, o sol estava nascendo. Na verdade, Tsukasa era um dos poucos frequentadores daquele bar quase escondido. Era bom para abrir a mente e espairecer.


Então, Mitsuba decide ligar a televisão. Uma manchete no jornal de notícias pode ser ouvida, e vista pelo garoto e pelo barista, que dizia.


Às 11 horas da última noite, o corpo de um homem jovem foi encontrado severamente espancado em um beco quieto de Yokobori. A polícia investiga o caso como homicídio. — O jornal começou a prender mais ainda a atenção de Tsukasa, assim que ele viu o mesmo beco em que tinha feito o trabalho mais cedo aparecer no jornal. A âncora de notícias continua, atualizando as informações.


Temos mais informações--. As autoridades revelaram a identidade da vítima. Um morador de Osaka, Koji Hideo, de 32 anos. — Seguido de uma imagem do rosto da vítima. Sem dúvidas, aquele era o mesmo homem que Tsukasa havia cobrado a dívida anteriormente. — A polícia diz que Hideo-san carregava diversas dívidas de diversas companhias de empréstimo. O interrogatório vai começar com essas pistas.


Sem dúvidas, Tsukasa tinha espancado bastante o homem que devia dinheiro. Porém, não a ponto de o matar. Não tiraria a vida de alguém tão simplesmente assim. Ao olhar para a tv, o garoto continuou em choque, enquanto o barista preparava sua bebida alegremente.


"Aquele… É o mesmo lugar… Mas eu não espanquei o cara até a morte." Pensou o menino, enquanto ouvia o jornal detalhando ainda mais o acontecimento.


O lote vazio em que o corpo da vítima foi encontrado está apenas a alguns metros de distância de uma rua, afastado em meio aos prédios. Este estranho e quieto lote não é nada a não ser pacífico. A polícia acredita que foi neste raro pedaço de terra não utilizado que Hideo-san foi assassinado.


"Algo me parece fora do…--" Sem conseguir concluir seus pensamentos, uma mensagem não endereçada da administração da família chega em seu celular. Ao ler, ele descobre que já está sendo chamado para uma reunião pessoal com o tenente da família Minamoto em Yokobori.


Rapidamente, ele correu até a porta do bar e saiu do lugar sem fechar a porta direito, exclamando a seu amigo barista. — Eu tenho que ir!!! — Nem mesmo ouvindo a despedida confusa do mesmo, que guarda a bebida e volta a mexer em seu celular entediado.




Alguns minutos depois.




Na entrada do escritório de Yokobori da família Minamoto, um dos capangas aguardava Tsukasa para o acompanhar até a sala de reuniões. O prédio com um grande portão em uma esquina isolada era muito bem guardado e vigiado por câmeras. Se aproximando do portão, o capanga acompanha Tsukasa para dentro do escritório, o levando a seu destino. Os corredores sombrios e escuros do lugar eram como um caminho para a pena de morte. Era hora de Tsukasa se explicar.


O capanga abre a porta da sala de reuniões e deixa o menino entrar primeiro. Uma sala com quatro poltronas e uma mesa de centro, várias decorações clássicas japonesas e uma televisão. Típica sala de negócios da yakuza. Quem o esperava sentado em uma das poltronas era ninguém menos que o tenente da família Minamoto, o terceiro na hierarquia, abaixo apenas da posição de patriarca e capitão. O nome daquele que ocupava o cargo de tenente da família, Kou Minamoto, o irmão do próprio patriarca.


O rapaz alto, de cabelo amarelado e claro, de olhos azuis e aparência comum, parecia mais um delinquente do que o tenente de uma família renomada da yakuza. Porém, com certeza, merece aquele cargo mais que ninguém. Vestindo uma camisa preta desabotoada em cima, mostrando a região superior de seu peito de jeito despreocupado, não era bem como um capitão se vestiria normalmente para uma reunião. Entretanto, a insígnia reluzente da família Minamoto estava presa em sua camisa, como deveria estar.


— Finalmente. Me deixou esperando por muito tempo. — Disse Kou, tenente da família. — O tenente da família Minamoto está aqui pra falar com você pessoalmente… Acho que você sabe o motivo, não é?


— Isso tem a ver com o corpo encontrado em Yokobori, né?


— Então foi você mesmo. Aquele agiota que você estava trabalhando ligou aqui. — Continuou o tenente, enquanto mexia em suas unhas se distraindo. — Presidente da Yoko Finance. Você acabou com o cara que ele pediu pra você só cobrar. Ele tava tão surpreso quanto a gente que uma família tão profissional quanto a nossa vacilaria tão feio, por uma mera quantia de cobrança.


— … — Apenas ouvindo o que o tenente o dizia. Aquilo iria complicar ainda mais seus planos de encontrar seu irmão, e a tal Sakura.


— Bom, nada disso importa… Não importa a razão, o problema agora é como você vai compensar por assassinar um civil.


— Ah, espera um pouco, eu nem--. —


— Cale a boca! Relaxa, garoto, ele era um civil, mas estava ferrado de dívidas. Sete, oito anos comendo a comida do governo e você vai estar de volta.


— Você me mandaria para a prisão? — Ele não podia voltar. Era sua sentença de morte. Algo com certeza não estava certo, era como se tivessem armado aquilo para ele. Como se soubessem quem ele realmente é. Se tinha algo que o menino não tolerava, era ser enganado.


— Claro, deve deixar a polícia tranquila com esse assunto. Mas, tem um problema bem maior que isso… Você realmente pisou no meu sapato com isso, garoto. — Complementou o de olhos azuis. — De todos os lugares pra matar alguém no distrito inteiro, tinha que ser justamente lá? Você não tá fazendo isso pra ferrar com a família, certo?


— Tá achando que eu sempre escolho onde vou apagar alguém? Não que eu tenha mesmo matado o cara!!! É só que… Você sabe né.


— Responda logo a pergunta!!! Por que diabos você escolheu aquele lugar? Tá me dizendo que foi totalmente por acaso??? E onde foi que você arrumou uma arma?


— Uma arma? Do que você está falando??? Eu sou da porrada!


— E você continua se fazendo de idiota… E o corpo hein?!. O cara que eles encontraram tinha apanhado pra caramba, mas foi uma bala na testa que acabou com ele. A polícia ainda não levou isso ao público, mas já estamos sabendo.


— Então não fui eu que matei ele. Eu dei uma surra nele com minhas próprias mãos e só. Juro de dedinho.


— Se isso for verdade, significa que alguém armou pra você. É isso?


— Sim, eu tenho certeza absoluta! Eu uso minhas próprias mãos, armas são para covardes!


— E eu tenho certeza de que você só está tentando se livrar. Quem diabos se importaria o suficiente para armar pra cima de um capanga qualquer que nem você, garoto? — Kou finalmente o encarou parado do outro lado da mesa. — Escuta, só vou te perguntar mais uma vez. Por que você fez aquilo justamente naquele lugar?


— Foram as ordens do meu contratante, o velhote de 500 anos. Ele disse que mandou o cara pra lá pra que eu pudesse coletar o dinheiro cheio de lágrimas dele.


— Então vou ter que falar mais com esse tal velhote. Ainda assim, não muda o fato que um dos meus rapazes está envolvido no assassinato. E justamente naquele lote, isso vai repercutir bastante no projeto da família.


Em seguida, Kou toma um gole do saquê em sua mesa e continua a explicar para Tsukasa o que havia acabado de acontecer. — Pelo jeito você tá totalmente perdido. Aquele lugar que encontraram seu cara morto… É um lugar complicado. Eles chamam de "Lote Vazio". Vocês baixinhos na hierarquia e novos no distrito provavelmente não sabem… Mas o chefe deu uma ordem direta sobre isso. Ele quer o Lote Vazio, não importa o que custar.


— Tô sabendo, tudo isso aí por um pedaço de terra fedido?


— Yokobori tá tão cheia que você não conseguiria encaixar uma agulha em lugar nenhum. A não ser em um lugar. Aquele lote. O chefe quer aquela terra, e quando o chefe diz que quer algo, é meu trabalho garantir que ele consiga o que quer.


— Ceeeeerto… — Murmurou o moreno, que olhava para as decorações da sala.


— Mas, agora aquele lugar virou uma cena de crime. O tipo de atenção que isso atraiu faz com que fique ainda mais difícil da gente pegar o lugar. Você vê o problema agora? — Aquela história se mostrava cada vez mais confusa. — E o melhor… Quem conseguir entregar aquele lote pro chefe ganha um ótimo prêmio… O cargo de capitão da família, agora que o velhote Minamoto já se foi a 1 ano e meio.


"O chefe… !! É o cargo dele… Eles realmente sumiram com o chefe… Agora estão se matando pra preencher o vazio que a saída dele deixou…" Pensou Tsukasa, após finalmente se interessar sobre o assunto. Ainda guardava rancor por terem se livrado de seu chefe, o velho Minamoto, a quem ele havia devotado sua vida. Protegia sua memória a qualquer custo, por ele e por seu irmão. Interrompendo seus pensamentos, Kou chama sua atenção novamente.


— Aquele pedacinho de terra é muito mais que só um "Lote Vazio" pra mim. 


— Espeeeera… Você está lutando pelo lugar do velho Minamoto. Onde ele vai ficar depois disso tudo???


— Sei lá. Ele não é muito poderoso agora que tá sumido. Sem mencionar que… Um dos garotinhos que ele cuidou fugiu da prisão por assassinato, e acabou de matar um civil. Certo, Yugi Tsukasa?


— … Oy! Como foi que… ? — Ele sabia. Sabia quem Tsukasa era, e iria usar aquilo para conseguir o que queria. Mesmo que isso levasse a volta do garoto a prisão, a sua eventual execução.


— Se resolva com a polícia, garoto. Não que eles vão tomar tempo para ouvir um yakuza. — Kou se levanta de sua poltrona e anda lentamente passando pelo menino, indo até a porta. 


— Se entregue a polícia até o fim do dia, e… Não se esqueça do Yubitsume. Você é yakuza. Quando diz adeus ao chefe, tem que fazer direito. — Em seguida saindo da sala, deixando o garoto ali sozinho, que é retirado de lá logo depois, de cara fechada.


Yubitsume, um ritual da yakuza. Uma forma de se desculpar com a família e com o chefe, decepando seu dedo mindinho da mão esquerda com uma faca, em uma demonstração de respeito. O ritual data da época samurai do Japão, por isso a remoção do dedo mindinho. Faz com que o indivíduo tenha mais dificuldade em segurar uma espada, o tornando mais dependente de seus irmãos.







"Pelo jeito… Aquele agiota armou pra mim… Não sei o que ele quer com aquilo, mas eu tenho que descobrir… Heh… "







Mais tarde naquele dia.


No escritório da Yoko Finance.







— N-não é possível… Como você chegou até aqui?!!! — Exclamou o agiota de antes, agora em seu escritório. Ele apontava uma arma para o garoto parado na porta enquanto tremia de medo.


— Somos só eu e você agora, Sr. Presidente! Pode relaxar, você vai apanhar só se não falar. — Explicou Tsukasa, com um sorriso engraçado em seu rosto. Foi atrás do agiota, ele sabia alguma coisa sobre tudo isso. Facilmente, ele passou por todos os delinquentes que o homem havia contratado para proteger a entrada do prédio do escritório. Agora estava diante dele, com uma arma apontada bem em sua direção, sem nem perder sua postura alegre.


— Falar?! Falar sobre o que? — Mesmo apontando a arma na direção do yakuza, o velho continuou sendo interrogado e intimidado.


— Não perca meu tempo não, titio. Por que você armou pra mim? — O garoto começou a andar em direção ao homem atrás da mesa no fim da sala, saindo de perto da porta. Tremendo, o homem o ameaça.


— O-OY!! Fique onde está!!! — Tsukasa não para de ir em direção ao homem, agora a poucos metros dele, em frente a sua mesa. Quando então. — T-tá legal!! Eu te conto tudo! Só se acalme um pouco, beleza?! — Ele abaixou a arma, a jogando em cima da mesa, com medo do que o garoto fosse fazer.


— Desembucha logo, tiozinho. Já tá ficando chato.


— Eu… Não sei de armação nenhuma. Eu só fiz o que me foi dito. Ele disse que eu teria que fazer você ir cobrar a dívida lá naquele lote!


— E quem foi que te disse isso?


— Foi… Foi o-- Ah!! — De repente, um homem entra na sala em passos lentos, ficando parado na porta. Tsukasa vira para trás para ver quem havia entrado na sala. Era o homem por trás da armação. Ao ver seu rosto, o mesmo diz.




— Kou… Eu sabia!!! Heh.


— Como é? Sobre o que estamos falando, Sr. Presidente? — Questionou Kou ao homem atrás da mesa, sem nenhuma resposta do homem amedrontado. — Tsukasa… Tá fazendo o que aqui? Eu tenho certeza que falei pra você se entregar. E ao invés disso, você tá aqui fazendo burrice!!! — Acompanhando sua fala ao andar até ele, o tenente acertou uma pancada em cheio no estômago do garoto, que se ajoelha após o impacto do golpe repentino.


O de olhos azuis encara o garoto de cima, que continuava ajoelhado. — Droga. Não sabia que eu era tão suave assim. Antigamente, um soco só era o suficiente pra endireitar uns imbecis que nem você. Sr. Presidente, poderia nos dar um pouquinho de privacidade? Tenho que ter uma conversa com meu garoto aqui.


Sem que fosse preciso pedir duas vezes, o velho sai de trás da mesa e corre até a porta, saindo da sala. Enquanto o loiro anda para trás da mesa e se senta na cadeira atrás, o menino que havia recebido o soco se levanta novamente e o encara, sem nem mais sentir a dor da pancada. 


— Estou feliz que temos essa oportunidade. Eu queria conversar com você. De verdade. — Disse o mais velho. — Você e Amane… São órfãos, não? Cresceram no antigo orfanato do meu pai.


— Acertou!


— Huh, não existe vergonha em ser um órfão. É raro quando um yakuza vem de uma família normal. Ainda assim… Meu pai é um desgraçado cruel.


— Ih, como assim?


— Ele leva as duas crianças pro orfanato, então elas o devem sua vida. Você e seu irmão agiam como escudo humano pra ele. Você daria sua vida por ele, não é? Pelo seu irmão também. Que lavagem cerebral.


— E o ponto disso tudo aí? Eu não vejo onde você quer chegar, loirinho.


— Tsukasa… Eu quero que você espione seu irmão pra mim.


— Como é que é? Meu irmão?


— Te contei sobre o lote vazio, certo? Se eu conseguir aquele lugar, eu serei o próximo capitão da família. Mas, tem uma coisa que eu preciso pra conseguir isso, e seu irmão tá indo atrás dessa coisa agora.


— Meu irmão tá por aí… ? Você tá falando sério?! — Exclamou Tsukasa, crescendo um grande sorriso novamente em seu rosto, ao ouvir de seu irmão.


— Tudo o que você tem que saber é que eu quero que você encontre o que ele está indo atrás. Eu duvido que ele vá suspeitar de você. Se conseguir, eu pessoalmente vou te garantir um futuro na família.


O garoto de pé aperta seus punhos, ao ouvir cada palavra que aquele rapaz o diz, o pedindo para trair seu irmão, misturando a felicidade de ter notícias sobre ele, e a raiva do pedido do mais velho. Ele não sabia onde Amane estava, e essa era uma oportunidade de descobrir sua localização. Mesmo assim, não queria aceitar a oferta traiçoeira de Kou.


— Como um bônus… Eu te entrego o cara que matou seu alvo de verdade. — Complementou o loiro.


— Então realmente foi você que armou pra mim. Minha intuição nunca falha mesmo… 


— Talvez sim, talvez não. Mas você pode ter certeza que você vai voltar pra prisão se negar essa oferta. Junte-se a mim, ou afunde junto com o navio do seu antigo chefe e do seu irmão. A escolha é sua, e eu quero uma resposta agora.


— Tenente Kou. — Exclamou o jovem. — Você se acha inteligente o suficiente pra controlar o tabuleiro… Mas é desastrado demais pra segurar as peças. 


— Como é?


— Você não sabe nada sobre mim, nem sobre meu irmão, e muito menos sobre seu próprio pai. Não me surpreende você ser só um tenente qualquer. — Finalizou o garoto, colocando as mãos no bolso e dando as costas para o homem, andando em direção a porta de saída da sala tranquilamente.


— … Oy!!! Você vai virar meu inimigo? Acha que tá pronto pra qualquer consequência?! — Gritou o maior, que se levantou da cadeira enfurecido, olhando o garoto que o dava as costas. — Você acha que tá pronto?!!!







— É claro que eu tô pronto. Se eu não estivesse, eu não teria me tornado um yakuza. Até mais! — Respondeu Tsukasa, logo depois se retirando da sala.







“A calmaria antes da tempestade… É isso aí!!! Podem vir, cambada Minamoto…”.



Notas Finais


Obrigado por ler! Espero que tenham gostado, o próximo capítulo sai já já.

(。・ω・。)ノ♡


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...