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História Neon Blue: Xiao x Venti - Capítulo 2


Escrita por: xiaosdaydream

Capítulo 2 - I: Message Man


Fanfic / Fanfiction Neon Blue: Xiao x Venti - Capítulo 2 - I: Message Man

The loser hides behind
A mask of my disguise
And who I am today
Is worse than other times
You don't know what I've done
I'm wanted and on the run
I'm wanted and on the run
So I'm taking this moment to live in the future.

💙

— Hm, licenca, mas... acho que te conheço... — disse a voz desconhecida. 


O timbre era quase melódico: era uma voz jovem, provavelmente a voz de uma criança ou pré-adolescente, então Venti apenas sorriu. Virando-se lentamente para dar atenção a pessoa que lhe fez a pergunta ele colocou sua melhor e mais falsa expressão de satisfação, que grande mentira! 


— Oi, qual é seu nome? — ele se abaixou para ficar da altura da garotinha. 


Ela era linda, tinha o cabelo curto e escuro e seus olhos eram enormes. Venti teve um suave devaneio de quando seu sonho era ter uma filha igual aquela garotinha, ele era só um menino e não imaginava que aos poucos a fama superaria o seu talento e coisas como casar e ter filhos não poderiam ser mais sua prioridade. Seu sorriso, agora mais sincero, escondia seu cansaço. Aquela menininha provavelmente conhecia ele, assim como a mãe que sequer havia reparado que a filha começava um diálogo com um estranho, o celular mal deixava ela olhar para frente. 


— Meu nome é Sayu! Eu vi você na televisão, mamãe, olha! É o moço famoso... — a garotinha falou puxando a manga da roupa da mãe freneticamente. 


O sorriso sincero morreu. Venti abaixou o óculos espelhado, mesmo sendo noite. 


— Meu deus, eu sou sua fã! — a mãe nervosa tentava abrir a câmera do celular. — por favor, deixa eu tirar uma foto com você! 


— Claro... — ele havia deixado, mas realmente não queria. 


Foi questão de minutos até outros pedestres notarem sua presença e se enfileirarem atrás de um pouco de atenção da estrela da música pop, ele não pode sequer se despedir de Sayu. Mais uma noite normal na vida de Venti, ele já deveria estar acostumado mas a cada dia parecia que seu desejo se transformava em um castigo. 


Os paparazzis surgiram como abutres tentando captar a melhor foto do cantor enquanto ele simplesmente tentava evitar os flashes e atenção sobre sua existência: as câmeras queriam sugar tudo, seu caminhar, sua expressão, seu corpo, sua juventude. Apenas mais duas ruas e ele já estaria em... não, não em casa, estaria em mais um dos vários hotéis em que ele ficava, todos os dias, apenas esperando o dia em que voltaria para casa. Pelo menos das portas giratórias do hotel eles não poderiam passar. 


Venti abriu a porta de seu quarto, a melhor suíte do hotel, grande o suficiente para abrigar confortavelmente uma família de três pessoas mas só havia ele. O artista odiava bagunça, sua mãe sempre o perturbava quando era mais novo, desorganizado suas coisas apenas para vê-lo arrumar de novo compulsivamente, mas se ela ainda estivesse viva para ver o estado do quarto do garoto sequer acreditaria que era seu filho vivendo ali. 


Ele desviou da mesa de centro lotada de garrafas vazias e medicamentos alucinógenos apenas para chegar até a grande janela que tomava toda a parede. Tóquio era linda durante a noite, ele havia escolhido viajar para a cidade exatamente porque sabia que cantores ocidentais não tinham muito destaque na Ásia, mas Venti se provou errado. A fama o seguiria como um grilhão apertado em seu tornozelo, e a sensação era de que um dia esse grilhão o impediria de ir para frente. Talvez estivesse ansioso por isso. 


O cantor não ligou as luzes mas se deparou com uma revista que mesmo sob a iluminação precária do quarto apagado ele conseguiu ler o título "Venti: o que sabemos e esperamos sobre o astro do pop alemão". Ele riu amargamente, já havia perdido as contas de quantas vezes teve que ler e ouvir sobre as expectativas dos outros, mas a voz no fundo de sua cabeça repetia que afinal, esse era o preço que o mundo pagava para sugar o seu talento até não sobrar mais nada. Ele não podia fazer nada sobre isso. 


Engoliu em seco e caminhou em direção a um dos diversos espelhos naquele maldito quarto de hotel, sua risada amarga era um som mórbido no cômodo escuro, até ele puxar o lençol da moldura dourada revelando seu reflexo. O cabelo escuro que descia em um degradê azul esverdeado, o rosto delicado e os olhos verdes. As lágrimas escorreram diante da visão de seu próprio rosto, Venti fechou a mão pronto para acertar o vidro e ver seu reflexo se estilhaçar, igual a ele, mas o som do toque do celular o obrigou a sair daquele transe cobrindo o espelho novamente. 


— Jean? — ele perguntou disfarçando a voz embargada pelas lágrimas. — aconteceu alguma coisa? 


— Não comigo, mas eu conheço essa voz. O que houve? Venti? — disse a voz preocupada. 


Ele quis voltar pro espelho, ele odiava deixar Jean preocupada, mas era impossível depois das coisas que já aconteceram. Venti pigarreou secando os olhos rapidamente e forçando um sorriso, ele sentia falta de Jean e principalmente de trabalhar com ela, era mais... leve, real. O garoto riu tentando disfarçar que estava, mais uma vez, no seu limite. 


— Você nunca vai deixar esse impulso de irmã mais velha de lado? — ele riu. — guarda essa preocupação toda pra Lisa e pra filha de vocês, quando ela nascer você nem vai ter tempo de pensar em outra coisa. 


— Venti... — ele ouviu o suspiro cansado do outro lado da ligação. — tudo bem, eu confio em você. Mas não aconteceu nada, eu só recebi um e-mail... hm, de um cantor, acho? Ele se chama Alatus e acho que ele não sabe que eu não sou mais sua manager, mas ele me mandou uma demo de uma música. Eu gostei bastante e acho que você deveria dar uma olhada. 


— Ah, Jean, eu não tô com muita vontade de fazer colaborações agora... — o cantor disse de forma desanimada. 


— Olha, ouve. Confia em mim, e ele também passou um endereço e telefone de contato, mas pediu sigilo porque aparentemente "Alatus" é só um pseudônimo, coincidentemente ele trabalha em Tóquio, então vai que você curte o som dele. — a ex-empresária falou logo encaminhando os e-mails. 


— Não sei, não, Jean... parece coisa de stalker... não tô podendo me envolver em escândalos e muito menos acabar na mira de um psicopata. — o mais novo falou. — se eu for assassinado quem é que vai mimar a minha afilhada? 


— Venti, confia em mim, agora eu tenho que ir... Lisa tá me chamando e sabe como é, não posso negligenciar desejo de grávida. — Jean disse. — ah, ela tá mandando um beijo pra você e pediu pra você trazer presentinhos do Japão pra ela e nossa filha... nossa, eu realmente vou ter uma filha. Enfim, beijo, Ven! Faz o que eu te disse! 


— Jean... — ele tentou argumentar, mas ela já tinha desligado. 


Venti suspirou fundo, ele sabia onde ir. Vestiu um sobretudo caramelo e calçou rapidamente seu par de Converse branco apenas para voltar para as ruas. Estavam mais frias, sempre ficava mais frio quando ele estava longe de aglomerações. O garoto caminhou fazendo o caminho até a única boate em que ia quando estava no Japão, até porque era o único nightclub que ele tinha certeza que lhe proporcionaria o sigilo necessário: na Angel's Share qualquer pessoa que não fosse VIP com credencial era revistada para não entrar com celulares, escutas ou qualquer coisa que eventualmente poderia ser usada pra chantagear celebridades ou empresários com a inconveniente mídia e os tablóides. 


Com apenas um olhar pro staff ele foi logo posto pra dentro, respirando o aroma de vinho, madeira de lei e velas. O ambiente era escuro e ao mesmo tempo aconchegante com suas luzes baixas e pessoas dividindo taças e conversas, hoje especificamente não era uma das noites que contava com show ou música alta para que dançassem na pista, e internamente o cantor agradeceu. Ele havia saído para relaxar, talvez pensar em outras coisas, não para ouvir o estalar de música alta e comercial em seus ouvidos, principalmente se a música em questão fosse a sua. 


Deu alguns passos mas logo avistou aquele inconfundível cabelo vermelho, ele não esperava encontrar Diluc ali, mas talvez ver o empresário fosse algo bom. Caminhou tirando o sobretudo se sentindo mais aquecido, ainda meio em dúvida criou coragem para cutucar o ombro do mais alto apenas para descobrir que ele não estava sozinho, na sua frente estava uma mulher linda que ele imediatamente reconheceu como Eula Lawrence, era impossível não reconhecer Eula já que seu rosto estava em diversos outdoors de grifes famosas. Fazendo jus ao seu trabalho de modelo, Eula vestia um justo vestido azul de seda que delineava seu corpo e combinava com o cabelo de mesma cor. 


— Venti! Não sabia que estava aqui em Tóquio... — Diluc falou. — como vai você? 


— Ah, bem... é bom ver um rosto familiar. Ah, você é a Eula, modelo da Dior, certo? — se apresentou Venti. 


— Sim, não sabia que vocês eram amigos... prazer em conhecê-lo pessoalmente. — o mais novo beijou o dorso da mão da modelo educadamente. — quer se juntar à nós? Pra ser sincera, chegamos praticamente agora... 


— Ah, hm... por que não? — o cantor deu de ombros. 


Horas depois ele desejaria ter dito não. Diluc havia tentado, mas o amigo insistiu e entre drinks e carreiras de cocaína Venti já estava praticamente derrubado, mesmo com o coração acelerado e a sensação de estar alheio ao mundo ao seu redor, ele estava com a cabeça apoiada sobre a mesa de madeira tentando chamar por Eula ou o dono do Angel's Share. O garoto levantou a cabeça sentindo que ela poderia flutuar, sua visão parecia captar tudo ao seu redor em luzes neon de dimensões alternativas, ele não reconhecia as pessoas ao seu redor e mesmo em meio a euforia dos entorpecentes ele queria chorar, e choraria se não fosse o ruivo o puxando daquela mesa cheia de pessoas desconhecidas. 


— Vamos embora. Você prometeu que tinha parado com isso, e eu acreditei. — a decepção na voz de Diluc era óbvia. — me desculpe, Eula, mas você se importa se eu levar ele para minha casa... ele não pode ficar sozinho nesse estado. 


— Ei, não se preocupe, eu ajudo vocês... sinto muito, Venti. — a voz da Lawrence era quase condescendente. 


— Ha! Não, não... haha, não sinta muito por mim. — ele riu amargo no pico de sua inconsciência. — eu sou uma decepção, Eula. Eu só não vou lembrar disso amanhã de manhã. 


Durante todo o caminho um silêncio se instaurou, desde de dentro do carro do empresário até sua cobertura no caro bairro de Ginza. Enquanto o ruivo dirigia, Eula tentava oferecer água pro jovem que negava mal conseguindo levantar o próprio braço, a cena era de partir o coração de qualquer um que conhecesse o cantor e principalmente aqueles que o conheciam pessoalmente. De tempos em tempos Diluc olhava para trás apenas para ver as pupilas negras dilatadas e o nariz esbranquiçado pela droga, alimentando cada vez mais a vontade de acabar com sua rede de bares e boates. 


A Angel's Share era a herança de seu pai, mas o preço que ele pagava para manter a rede de boates, a linha de vinhos e toda a sua riqueza o empurrava cada vez mais para um limbo em sua própria consciência: se ao menos ele conseguisse evitar que seu próprio amigo se destruísse, mas era certo que o problema de Venti não começava em seu bar. Foram várias as vezes que o cantor, no auge da sua fama, tentou buscar conforto se drogando, mas o que lhe machucava era que ele tinha prometido que estava bem. 


Ali vendo aquele garoto ele concluiu que bem era a última palavra que poderia ser usada para descrevê-lo. Com dificuldade e paciência Eula Lawrence conseguiu fazê-lo adormecer em seu colo, Diluc a ajudou a subir com o compositor e mesmo com ele apagado lhe deram banho e o colocaram na cama sobre vigia constante, no mínimo sinal de mal estar eles levariam Venti para o hospital mais próximo. 


O ruivo sentiu o coração pesar enquanto via o mais novo dormir, repetindo que ele era apenas um menino. Venti mal tinha seus vinte e um anos, ele não deveria estar passando por esse tipo de coisa, não quando havia um mundo inteiro de possibilidades para ele alimentar. Se a Angel's Share era o preço que Diluc pagava pela riqueza, a fama era o preço que Venti pagava pelo seu talento, fazendo o ruivo amaldiçoar o dia em que o amigo decidiu virar cantor. 


Quando Venti acordou ele se sentia pesado. A melhor descrição que se passava em sua cabeça era "uma passagem de ida e volta para as sete camadas do inferno", mas não foi isso que o feriu, e sim aquele olhar: aquele olhar profundo de dor, e como na noite anterior ele desejou não ter acordado de novo.



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