História Neos END - Capítulo 36


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 2.572
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Luta, Romance e Novela, Sci-Fi, Survival, Terror e Horror, Violência
Avisos: Canibalismo, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá pessoas queridas, tudo bem? Estamos chegando ao final dessa história e eu só tenho a agradecer quem me acompanhou até aqui e foram dois longos anos de história. Mas muito obrigado a vocês e só por causa de vocês que ela continua firme e forte.
Espero que gostem e boa leitura! ^^
Ps: só não desenhei pq o tempo não deixou. sorry :/

Capítulo 36 - Ciara da rebelião parte 1


Fanfic / Fanfiction Neos END - Capítulo 36 - Ciara da rebelião parte 1

–––– CIARA ––––

 

        

         Após algum tempo parada como um poste na cobertura do Colosso Evengard, Amala vem ao meu encontro, com um ar desconfiado. Eu me sentia estranhamente vívida, como se uma labareda houvesse se acendido no meu interior. Eu sabia que Karma e os outros estavam lá embaixo e lutavam por mim; alguma coisa havia mudado – eu sabia que aquela cidade morta e vazia tinha algum futuro agora... alguma esperança.

       – Já está na hora de entrarmos, irmãzinha!

       Eu a ignorei por algum momento, após minha conversa mental com Karma. Meu peito apertava e eu me sentia estranha por dentro.

       – Ciara! Está me ouvindo? – grasnou ela.

       – Amala... se lembra quando eu disse que só viria com você para ver meu pai?

       A Julgadora parece não entender o sentido da minha pergunta tão repentina.

       – O que quer dizer com isso?

       – Eu já fiz o que vim fazer aqui – eu me virei, abrindo um sorriso largo no rosto. – Agora eu quero ver Karma!

       Naquele instante, Moeb surgiu das escadarias que levavam à cobertura. Ele acabara de acordar de seu sono.

       – Você está de sacanagem comigo, não está?

       – Evidente que não. – respondi, sucinta.

       – Acha que veio até aqui e pode ir embora assim, desse jeito? O papai deu ordens para te manter aqui dentro.

       – Ele já decidiu coisas demais por mim. – Rebati, passando por ela. – Está na hora de eu decidir algo por mim mesma.

       Antes que eu continuasse, Amala me agarra pelo pulso e me segura com violência. Moeb assistia tudo de perto da sala dos geradores, sem entender nada.

       – O que está fazendo, Amala?! – pergunto com a voz perigosamente baixa.

       – Infelizmente não posso te deixar ir... – retruca ela.

       – Por que o papai quer? Quanta mediocridade! – alfineto.

       – Não posso desobedecer às ordens do papai. – Justifica Amala. – Não posso te deixar ir!

       – Ninguém pode decidir as coisas por você. Você tem que tomar suas próprias decisões...

       – Eu estou cansada desse discursinho! – grasnou ela, me arremessando para o ar.

       Aproveitei que estava no ar e aterrisso perto da escada. Amala se vira para mim, com o olhar assassino e uma fúria inexplicável. A torre estremeceu com a energia que emanava dela, o que chamou atenção de alguns mutantes alados que voavam pelas redondezas.  Os monstros atacam o local, mas eles são obliterados antes que pudessem chegar perto. Moeb havia despedaçado todos em um piscar de olhos.

       – Não vou deixar que ninguém atrapalhe a brincadeira das minhas irmãs! – diz o rapazinho, com uma lâmina gigante e ensanguentada no lugar da mão.

       “Esse moleque... ele também é um mutante!”, raciocinei.

       – Ciara... Você sempre... foi uma pedra no meu sapato! Sempre me dando trabalho! – Enquanto murmura palavras tortas, os membros da Julgadora se transmutam, adquirindo um aspecto horrendo e desfigurado. – Não vou deixar que você se intrometa de novo... entre mim e o papai!

       – Você está fora de si.

       – A mana Amala não fica muito maneira quando está com raiva? –

       – Não vou deixar que você vá... – Ela avançou em uma velocidade surpreendente, desfechando um golpe o qual aparei com certa facilidade. O chão abaixo ruiu com a pressão do impacto.

       – Amala... não tenho nada a ver com a relação entre você e o papai, mas se vai se colocar no meu caminho, você não me deixa escolha! – As garras surgem das minhas costas e golpeiam a Julgadora repetidas vezes, a ferindo mortalmente. Ela desaba para trás com seu corpo esguichando sangue em abundância.

       – Oh? Já acabou? – Moeb parecia chateado, não mostrando um sinal de preocupação com a “irmã”.

       – E você moleque? Vai querer me impedir também? Terá o mesmo destino se tentar! – ameacei.

       Moeb solta um risinho cínico, apoiando o queixo nos braços.

       – Não, mana. Sou apenas um espectador. Ela vai fazer isso por mim!

       – Mas o que... – antes que eu completasse o raciocínio, Amala me soca bruscamente no rosto, me lançando até o outro lado da torre. Os ferimentos estavam se fechando rapidamente e o semblante dela estava irreconhecível, sendo tomado por marcas negras estranhas. Seus olhos estavam gradualmente se perdendo e seus membros ficavam cada vez mais deformados, refletindo em sua velocidade e força.

       Eu cuspi um pouco de sangue e me levanto para continuar a lutar, mas Amala reaparece perto de mim, me agarrando pelos cabelos e me esmurrando no tórax, até me fazer voar. Sem pausa, ela avança para me golpear ainda no ar e eu retalio com uma rajada de ar poderosa criado pelo movimento das minhas garras. Ela foi repelida até voltar para a torre.

       – Você com certeza está fora de si. – comentei.

       Sem me responder, ela avança em um ímpeto furioso e desfere uma rajada de socos e chutes quase invisíveis de tão rápidos que eram, porém eu esquivo e aparo os ataques usando os tentáculos. A energia liberada destruía todo o local onde estávamos, fazendo várias crateras na cobertura da torre. Amala não cessava seus ataques e eu já estava ficando farta daquilo. No meio de uma abertura deixada pelos ataques, eu revidei a empalando com um dos tentáculos e a lançando para o alto. Automaticamente ela desceu com um chute, destruindo todo o piso e fazendo-nos cair no andar abaixo.

       O garotinho se aproximando das beiradas da cratera, tentando ver algo abaixo da nuvem de poeira que restou. Algumas pedras ainda desabavam no meio da confusão, mas eu podia vê-la claramente como o dia – cada movimento, cada ataque. Meus sentidos se aguçaram ao extremo e era quase como seu eu pudesse adivinhar seus próximos passos. Amala ataca várias vezes, mas nenhum dos seus ataques podia me tocar; eu estava praticamente intangível para ela.

       – Você só está brincando, não é mana? – perguntou Moeb agachado no alto do buraco.

       Eu afastei a Julgadora com um soco potente, recuperando a postura.

       – O que quer dizer com isso?

       – A mana Amala está agora com 42.500 de energia radioativa, mas você sequer saiu da sua zona de energia original. Está apenas brincando com ela?

       Eu não entendia nada do que ele me dizia, apenas que se tratava de uma medida, talvez errônea, de nossas forças.

       – Por que eu lutaria a sério contra ela? – rebato com outra pergunta.

       “55.000 de radiação... só posso estar vendo coisas!”, refletiu Moeb, incomodado.

       Amala se levanta furiosa e seu frenesi parecia não ter fim. Realmente eu não queria matá-la, mas eu apenas estava desperdiçando meu tempo ali.

       – Sinto muito Amala, mas a brincadeira acabou!

       Eu saltei em direção a ela, reaparecendo a sua frente e a derrubando com um soco preciso no queixo. Quando ela cai, eu monto em cima dela e finco meus quatro tentáculos em seus membros, a imobilizando. Eu a encarei profundamente, tocando sua testa de forma agressiva.

       – Ciara... – murmura ela lentamente.

       – Ainda está consciente? Que surpresa.

       – Ciara... papai... mamãe... mamãe... – ela começou a chorar enquanto dizia palavras soltas no ar.

       Subitamente ela começa a gritar e a espernear freneticamente, como se sentisse dores terríveis. Logo algo em seu peito começa a cintilar e a faiscar. Eu rasguei sua camisa para mirar melhor o que estava ali; era uma espécie de controlador pertencente a NEOS, tanto pelo modelo como a tecnologia que era a mesma usada nas máquinas que Maxwell usou para me prender. Eu tento tocar na máquina e ela solta algumas descargas elétricas que queimam minha mão.

       – Acho que você não vai poder retirar isso. – Comenta Moeb, sentado na beira do buraco.

       – Vocês estão controlando ela com isso, não é?

       – Você é tão inteligente irmãzona! Menos pela parte de achar que vai poder fugir dessa torre! – sua voz ficara mais sombria de repente.

       Eu começo a rir, aumentando a pressão em cima dos membros de Amala a ponto de esmaga-los. Ela solta um berro de dor e agonia.

       – Vocês são a pior escória que existe na face da Terra! – ataquei-o com palavras ásperas.

       O garoto contorce a boca em um sorriso indiferente.

       – Não se preocupe, mana. Lá dentro tem um guardado só para você!

       – Vocês nunca saberão o que é a verdadeira liberdade!

       – Papai vai nos libertar – rebateu, certeiro. – O mundo está tão malvado que o papai vai libertar

       – Karma está aqui para me buscar. Não posso deixa-lo esperando. Nenhum de vocês vai me impedir!

       – Será mesmo? – após a indagação do menino, Amala começa a gritar mais e mais alto e uma pressão esmagadora tomou conta do ambiente. Eu soltei um dos tentáculos para dar o golpe de misericórdia quando ela me agarra pelo pescoço usando o braço que estava livre.

       Os olhos de Amala estavam mais vermelhos do que nunca e seus caninos cresceram a ponto de pularem para fora da boca. As marcas agora tomaram todo o seu rosto e suas mãos agora eram como garras pesadas de titânio e que eu sentia que iria quebrar meu pescoço a qualquer momento.

       – Finalmente a mana vai usar tudo que tem! – Ela me lançou novamente, destruindo mais outra parte do solo. Eu sai voando até os céus com a força descomunal da mutante e ainda no ar, ela veio voando até me pegar de surpresa, com uma força que nos empurrou até uma região mais acima, onde o ar era rarefeito. Eu e ela trocamos golpes no ar e consigo afastá-la.

       Nós caímos de volta à torre, levantando várias pedras e poeira para o alto com o pouso. Moeb batia palmas e estava se divertindo com todo o embate.

       – 62.000! Agora sim! – bradou o moleque.

       – O que... – Antes que pudesse ao menos pensar, Amala me surpreende penetrando sua mão através do meu corpo. Eu tento me desvencilhar dela, mas sou duramente rechaçada por seus movimentos, o qual já não conseguia mais lê-los. Ela me desfere vários socos consecutivos, me lançando contra a sala dos geradores, destruindo metade do pequeno espaço, juntamente com algumas máquinas. Moeb parecia irritado com aquilo.

       – Não! Agora não tem mais televisão!

       Eu levantei das máquinas e ela já estava lá, pisoteando minha cabeça contra os restos dos geradores no chão. Eu tento usar as garras para afastá-la, mas ela segura os tentáculos e as arranca do meu corpo, me proporcionando uma dor terrível.

       – Aaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhh!

       Eu estava completamente rendida no chão e ela continuava a esmagar minha cabeça contra o solo. O corpo transformado de Amala agora era superior a mim em quesito de força e velocidade. Lentamente fechei meus olhos e alguns lapsos de memória começam a perpassar minha cabeça.

       “Ciara!”

       “Eu vim te buscar, Ciara!”

       “Quem está aí?”

       “Você é importante para mim!”

       “A Ciara que você conhecia está morta!”

       “Prefiro me agarrar com todas as minhas forças à essa ilusão do que aceitar que você é apenas uma arma...”

        “Karma...”

       Quando dei por mim, estava suspensa pelo pescoço, olhando para o céu negro de Nova York. A visão estava meio borrada, mas era claramente visível que Amala me segurava na beira da torre, prestes a me soltar de lá de cima. Seu aspecto ainda era humano, mas não era mais a mesma de antes; sua pele estava em um tom azul-marinho, com os olhos rubro negros e caninos afiadíssimos. Sua voz reproduzia um eco grave e da sua boca sai um vapor quente e causticante. Sua pele agora era como uma ríspida lixa que lembrava escamas de lagarto – do seus braços e pernas, ossos saltitavam para fora, deformando a camada externa e seu cabelo era branco como a neve do Alasca.

       Ela jazia agora em sua forma abissal.

       – Ciara... – murmura com a voz endiabrada.

       Pelo canto do olho eu podia ver que o controlador estava pulsando e piscando como uma sirene de uma ambulância. Algumas descargas elétricas saiam de seu peito, mas não que a incomodasse.

       – Amala... recobre... a consciência! Isso vai... te consumir!

       Ela apertou meu pescoço ainda mais forte, me fazendo tossir convulsivamente.

       – Amala...

       “Amala!”

       Subitamente a mutante começa a gritar e balançar a cabeça loucamente, como se sofresse de ataques psíquicos. Algo me dizia que era ela mesma lutando contra si para se controlar e quanto mais ela se debatia, mais forte o controlador brilhava e mais descargas elétricas o mesmo emitia. Em um desses espasmos, ela acaba me soltando do alto da torre a uma queda livre de quase 50 metros de altura até a rua.

       – Não! Por que a soltou?! – Berrou Moeb, surpreso.

       A Julgadora continuava esperneando freneticamente, se debatendo e rolando no chão enquanto agarrava a própria cabeça.

       Enquanto cai, minha mente divagava – pensava em várias coisas ao mesmo tempo, e parecia que a ideia de morrer não importava para mim. Só queria sentir aquele vento meio quente, meio gelado em meu corpo e depois se enterrada na terra quente e árida daquele mundo perdido.

       “Ciara!”

       “Karma?!”

       “Prefiro me agarrar com todas as minhas forças à essa ilusão do que aceitar que você é apenas uma arma!”

       “Karma... eu queria ter dito isso naquele dia para você, mas não consegui. Queria ter dito que essas palavras me salvaram! Queria ter dito que você foi o meu salvador!”

       “Você é muito mais do que isso para mim! Você é melhor do que isso! Você é alguém muito importante para mim! Importante demais para ser apenas uma arma!”

       “Essas palavras... a partir daquele momento... eu comecei a ver o mundo com outros olhos. Eu me senti mais... humana! Eu me senti parte dele e eu sentia que ele havia se tornado uma parte minha. Enquanto estive em Evengard, pensei muito a respeito. Dias e noites refletindo e meditando sobre aquelas palavras e sobre aquelas sensações estranhas. Eu pensava que somente meus avatares haviam herdado essa dádiva e esse direito... o direito de sentir!

       Mas... eu estava enganada!”

       Eu abro os olhos lentamente, vendo o mundo cair rapidamente ante meus olhos. Eu me dava conta de que estava chorando. Meu coração estava acelerado e minhas mãos e pernas, tremulas. Eu sentia! Eu também podia sentir tudo! Agora eu também era humana! Os quatro tentáculos escarlates surgiram em uma explosão radiante de sangue misturado com pedras e areia e cravaram na parede da torre, diminuindo gradualmente a velocidade da queda até o momento e que fiquei pendurada à uns 10 metros de distância de chegar ao chão.

       – Eu sou uma humana! E viverei como uma ao lado dele!

       Ao proferir essas palavras em um ímpeto caloroso, as garras me impulsionam para o alto e começo a correr na parede da torre colossal, pegando cada vez mais velocidade para galgar os vários e infinitos andares que aquela construção parecia ter. Pulando, correndo e escalando quase na velocidade do som, eu rapidamente chego ao topo da torre, onde Amala ainda estava se contorcendo no chão com Moeb ao lado. O garoto se assombra com a minha imagem de membros e garras abertos, planando como uma sombra por cima de suas cabeças e aterrissando atrás deles.

       Ao pousar, já não sentia nenhum ferimento ou qualquer tipo de dor.

       – Como... como você?! – Moeb gagueja com os olhos esbugalhados de um misto de medo e surpresa.

         – Eu não queria ter que lutar a sério – eu semicerrei meus olhos e meus cabelos lentamente foram perdendo sua coloração até ficarem totalmente alvos. As veias de meus olhos estufaram e agora eles estavam rubro-negros iguais aos de minha irmã. As garras se afiaram como nunca, podem cortar até mesmo um prédio ao meio apenas com o seu balançar. –, mas para você, “irmãzona”, eu posso abrir uma exceção!

       A Julgadora se levanta novamente e começar a rugir em minha direção. Moeb fica sentado no chão, totalmente paralisado. A energia que emanou no ambiente limpou os céus acima de nós.

       – Ciaraaaaaaaaaaaaaaaaaa! – grita Amala.

       Eu sorri.

       – Vamos brincar, irmãzona!


Notas Finais


Espero que tenham gostado e obrigado para quem leu! Até o próximo capítulo, my friends! ^^


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