História Neos END - Capítulo 54


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Categorias Histórias Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Luta, Romance e Novela, Sci-Fi, Survival, Terror e Horror, Violência
Avisos: Canibalismo, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Bom fim de semana, meus queridos! Mais um capítulo para vocês e espero que gostem! Boa leitura! ^^
Ps: Estamos quase lá! :D

Capítulo 54 - A escolha de Amala


Fanfic / Fanfiction Neos END - Capítulo 54 - A escolha de Amala

–––– CIARA ––––

 

        

       Amala havia retornado dos mortos e estava bem na minha frente.

         Minha cabeça ainda estava a mil e eu divagava em teorias mirabolantes e hipóteses sobre o que ela estaria fazendo aqui e o por que ela estava nos ajudando. Porém, antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, ela libera toda a sua energia radioativa, ficando com os cabelos, que agora estava como o meu, brancos e suas pernas ainda mais desfiguradas.

       – Ciara... eu sei o que deve estar pensando e, sinceramente, eu não sei como explicar tudo o que eu estou sentindo agora ou mesmo as razões pela qual estou fazendo isso. – Amala dizia, sem virar seu rosto. – Durante toda a minha vida, desde que nasci dentro de um laboratório escuro e fechado, eu não nunca soube ao certo o que eu deveria seguir ou acreditar. Desde cedo, eu fui presa pelo sistema e servi somente aos propósitos dos outros, apenas para encontrar uma razão para existir.

       – Amala. Por que está me dizendo isso agora? – perguntei, confusa e com minhas pontadas na cabeça começando a me incomodar.

       – Outra que se rendeu às imperfeições e tolices humanas! – desdenha Maxwell, cruzando os braços. – Quer dizer que você também está me traindo, Amala?

       – Eu sei muito bem que eu não posso e não devo lhe chamar de “irmã” Ciara..., mas se houve algum momento em minha vida sem sentido em que fui feliz, com certeza foi ao lado da mamãe, de você e de Moeb. – diz a Julgadora, com a voz ríspida. – Acho que eu estava cega demais para entender que o verdadeiro significado da minha vida, mesmo que fosse efêmero, estava bem ao meu lado e eu não queria enxergar! Preferi ser guiada por cegos e sem ideais. Eu escolhi seguir um caminho sombrio, cheio de pecados e sem volta.

       – Amala... – Eu estava rendida por suas palavras, algo que eu jamais esperaria ouvir dela.

       Karma permaneceu em silêncio, tão intrigado quanto eu.

       – Se eu pudesse retornar até aquele dia. Aquele dia em que vivíamos felizes na África do Sul, eu mesma teria parado aquela ogiva nuclear. Mesmo que eu tivesse que morrer para isso, o faria um milhão de vezes! Um bilhão de vezes! Eu teria preservado minha felicidade momentânea quantas vezes fossem necessárias! – A voz de Amala ficava cada vez mais retraída e arranhada, como se estivesse segurando um choro. – Depois daquele dia, eu fiquei me perguntando o por que eu não fiz nada. Por que eu deixei a mamãe morrer e o por que tive que abandonar você. Esse sentimento... essa culpa me consumiu ao ponto de eu enlouquecer, mas o papai me dizia que eu tinha feito certo e que tudo fazia parte de um “plano” dele. Sem questionar, eu apenas o seguia. Para mim, aquele era o objetivo da minha vida. Minha razão de existir. O meu propósito e assim eu cumpria o meu papel fielmente, por todo esse tempo guardando o peso da minha própria fraqueza e ignorância!

       – Que lindo discurso, mas isso não muda nada, Amala! – retruca Maxwell rindo. – Você serviu bem o seu papel para a criação do novo mundo e é tudo o que precisa ter...

       – Está errado! – cortou Amala. – O tempo que passei com Ciara... os meus desentendimentos com ela e todos os nossos encontros me fizeram lembrar de que, no fim das contas, quem sempre esteve errado fui eu. Eu sacrifiquei a única coisa boa que eu tinha em pro das ambições alheias, sem nunca questionar ou sequer pensar em mim mesma.

       – Você é mais uma que foi criada da mutante definitiva! Você nasceu de Ciara apenas para servir à causa e a ela! Nada mais, nada menos! – gritou Maxwell.

       – Cala essa boca, pai! – cortei, furiosa com aquelas palavras distorcidas e doentias.

       – Está tudo bem, Ciara! Deixe-o falar. No fim das contas, ele está certo. – Diz Amala, melancólica. – Eu nasci de você e fui criada apenas para servir à causa que nosso pai concebeu. Quando tudo fosse concluído, eu seria designada para ser mais um de seus fiéis serventes.

       – É mentira! Você pode ser muito mais que isso!

       Naquele momento, ela se virou para mim com um sorriso triste em sua face. Ao mesmo tempo, era como se grilhões invisíveis estivessem sendo rompidos e seu corpo e alma agora eram livres para ascender e alcançar a imensidão dos céus.

       – Eu sei! E você me fez entender isso! Já que eu não fui capaz de preservar minha boa vida, agora eu entendo o que realmente tenho que fazer: preservar essas memórias com todas as minhas forças! Cuidar de você como não fiz há muito tempo! Esse sempre foi a minha missão e agora eu vejo! Agora tudo está claro para mim!

       – Amala! Eu sei o que está pensando. Você não pode com o papai! Ele está absurdamente poderoso agora que absorveu Yomungarde!

       – Não se preocupe, irmã – Ela se vira para Maxwell novamente, ficando em guarda. – Agora tenho certeza do que eu tenho que fazer e tenho certeza que você é minha amada irmã!

       – Vai mesmo me enfrentar por causa dela? Sabe que esse é o pior erro que você vai cometer na sua vida, não é? – Alfinetou o monstro, erguendo os punhos.

       – Papai, você me enganou e me cegou por muito tempo..., mas agora eu sou, o meu próprio mestre! – Amala fica em posição de guarda, se preparando para atacar. – E eu vou protege-la com todas as minhas forças!

       Maxwell riu.

       – Muito bem, então! Seu destino será igual ao de Ciara!

 

 

 

      

       O aspecto de Amala era como o de um lobo, com suas pernas curvadas na mesma anatomia e uma pelagem branca única. Suas mãos também se convertem em garras afiadas e com os mesmos pelos brancos. Seus cabelos longos também embranquecem e seu corpo fica maior e mais definido. Aquilo me surpreendeu tanto quanto Maxwell, visto que nem em nossa luta ela manifestou essa forma.

       – Lobo Estoque! – exclamou a julgadora, com a voz feral.

       – Estava guardando isso para mim? Quanto amor... – Repentinamente, em um estrondo de pedras e poeira, Amala some e reaparece na frente de Maxwell desferindo uma estocada com suas garras. Naquela forma, Amala estava muito mais rápida do que antes e nem mesmo meus olhos conseguiam acompanhar sua velocidade absurda.

       Entretanto, Maxwell segurou-a pelo pulso, contendo o ímpeto da Julgadora. Amala se enrosca no braço dele, soltando um chute giratório veloz que acertou de raspão na cabeça do monstro, mas foi o suficiente para fazê-lo soltar. Ainda no ar, Amala deu uma cambalhota até parar atrás de Maxwell, atacando rapidamente com uma barragem de golpes com suas garras – nosso pai parecia intangível para Amala. Mesmo com sua velocidade e precisão surpreendentes, a diferença de força entre eles era brutal. Enquanto a Julgadora havia aumentado sua radiação para seus incríveis 80.000, Maxwell detinha um poder que chegava aos 150.000! Nem mesmo eu era párea para ele agora.

       – Amala! Desista! Você não pode vencê-lo! – gritei de longe, mas ela ainda jazia concentrada na luta.

       – Devia ouvir sua irmã, Julgadora! Ela e todos estão cientes de que ninguém no mundo pode me parar agora!

       Amala não respondeu e continuou a atacar rapidamente, desviando dos contragolpes dele com alguma dificuldade. Enquanto a luta se desenlaçava, uma estranha sensação me acometeu enquanto eu e Karma assistíamos o confronto. Podia ser apenas uma impressão minha, tanto que ignorei por alguns momentos, mas depois de Karma me confirmar minha impressão ficou claro o que realmente acontecia – Amala estava se adaptando a velocidade de Maxwell aos poucos.

       – Você percebeu também, não é? – inquiriu o Andarilho, intrigado.

       – Então eu não estou vendo coisas. Amala realmente está aumentando sua velocidade.

       – Errado. Sua velocidade ainda permanece a mesma – corrigiu ele. – O que ficou mais veloz foi seu tempo de reação aos movimentos de Maxwell.

       – Quer dizer então que ela está se adaptando a velocidade do papai? – perguntei, surpresa.

       – Podemos dizer que sim. Ela está conseguindo acompanhar sua velocidade aos poucos. – comentou Karma, admirado. – Porém, Maxwell ainda leva uma larga vantagem em todos os quesitos.

       Eu suspirei, voltando a assistir a luta. Mesmo que eu não possuísse os laços de irmãos que ela tinha com meu clone, as memórias que voltavam gradativamente para a minha cabeça se encarregavam de passar toda a carga emocional que me faltaria naquela hora tão crítica. Meus sentidos estavam perturbados e eu ainda ficaria assim por um bom tempo, até que eu pudesse recuperar minha energia novamente.

       Até lá, Amala tinha que sobreviver!

 

 

 

       Enquanto isso, pude sentir uma energia fraca e sofrida vibrar ao longe, vinda de dentro da torre. A frequência da radiação era extremamente baixa, mas ainda assim eu pude notar que era bem familiar. Karma também sentiu a mesma energia, claramente em uma intensidade bem menor.

       “De onde será que está vindo essa radiação?”, refleti, mirando em direção ao Evengard.

       Os soldados de Castos e o próprio General ainda estavam agonizando no chão, alguns mortos e outros à beira da morte. A hemorragia iria tratar de findar a vida de todos os desafortunados que perderam um membro ou dois com os ataques do papai. O caucasiano urrava de dor, até que uma sombra em forma humana pairou em cima dele. Ela estava parada, olhando os soldados agonizarem até o ultimo suspiro, mas nada fazia. Estava recurvada, se esgueirando nas paredes e destroços para poder se mexer e seu estado estava tão deplorável quanto o deles.

       – Alguém nos ajude! – suplicou o General com uma dor indizível.

       A silhueta tinha forma feminina e cambaleou até perto do corpo caído do General, revelando sua identidade: era Alicia!

       – Você é um dos Generais, não é? – inquiriu Alicia, ofegante.

       – Me... ajude...

       – Eu... queria poder – A abissal pesou sua própria impotência, caindo recostada a um carro virado perto dele. – Sinto muito...

       – Essa energia...

       Karma notou minha distração momentânea, curioso.

       – O que foi, Ciara? – pergunta ele.

       – Tem alguém quase morrendo para lá. – Eu apontei na direção da torre. Karma esbugalhou os olhos.

       – Os homens feridos! É verdade! – Ele realmente já havia esquecido. Antes que conseguíssemos sair de onde estávamos, alguém vem mancando em nossa direção, se apoiando em outra. A segunda vinha saltando lentamente, de forma a não romper o equilíbrio que as duas mantinham.

       – É inimigo? – perguntou Karma, preparando sua foice.

       – Não – eu apertei os olhos, conseguindo reconhecer os traços dos dois indivíduos no meio das cortinas de poeira. – É Alicia!

       – Alicia?! – Karma rapidamente foi de encontro a eles. Ela se apoiava em Castos, que estava saltitando sem sua perna esquerda. – Alicia! Castos!

       Os olhos cansados e desfalecidos da menina se acenderam de novo ao nos ver, principalmente eu.

       – Karma! Ciara! – O Andarilho a ajudou a percorrer o resto do caminho até onde nós estávamos. Colocamos o General recostado na laje caída, e Alicia pode finalmente descansar. Seus cabelos estavam brancos, sinal de que estava fazendo uso da seu Gear até para poder andar. Ao se assentar, seus cabelos se normalizam e ela começa a ofegar intensamente, não conseguindo sequer falar.

       – Você está bem, Alicia? Estávamos preocupados. – disse Karma, se acomodando ao meu lado.

       Ela demora algum tempo para responder, reunindo fôlego para conseguir falar.

       – Sim... eu estou viva. – responde, arfando.

       – Onde está Koulla? Você não a encontrou ao sair da torre?

       Alicia cobriu o rosto com a mão.

       – Koulla está morta. – afirmou, categoricamente.

       O silêncio invadiu o ambiente, sendo possível apenas escutar o vento e as explosões ao longe.

       – Não pode ser...

       – Por isso não consegui sentir sua energia também. – revelei, indiferente.

       – Também não encontrei o seu rastro quando saí da torre. É a única conclusão possível. – ponderou Alicia.

       – Droga... – Karma baixou a cabeça e socou o solo, parecendo frustrado com aquele fato infeliz. Era como se culpasse por tudo que acontecera.

       – Sinto muito... Karma.

       – O que importa é que estamos vivos agora, e temos a Ciara. – analisou Castos, friamente. – Precisamos que ela recupere sua energia para derrotar Maxwell e...

       – Creio que isso é impossível. – cortei. Todos me encaram, com horror estampado na face.

       – Ciara? Por que...

       – O papai está em um nível completamente diferente agora. Sua radiação supera em muito o da Serpente Divina. Mesmo que eu lute com tudo o que tenho, não vencerei. – admiti, cética e direta.

       – Então acabou? Estamos todos condenados, é isso? – inquiriu Castos, apreensivo.

       – Tem certeza disso, Ciara? – perguntou Karma.

       Eu permaneci em silêncio, imersa nos meus próprios pensamentos.

       “Se eu fizer aquilo de novo, pode ser que eu não consiga me controlar. É muito arriscado, mas... é meu último recurso!”

      

 

       A batalha seguia complicada para Amala, que conseguia responder a duas penas as investidas brutais de Maxwell. Eles continuavam a trocar golpes ferozes e relampejantes, com a Julgadora ficando cada vez mais machucada e cansada. O monstro do papai parecia não se cansar, mesmo com as barragens de chutes e golpes lacerantes de Amala.

       A pressão do choque de golpes joga os dois monstros em direções opostas, com a Julgadora cambaleando em sua aterrissagem. Seus braços estavam feridos e roxos, seu corpo estava bastante ferido e suas pernas brancas de lobo tremiam. Ela ofegava, mal conseguindo se manter de pé, enquanto que o papai sequer começou a suar.

       – Droga... por que eu não, consigo... golpeá-lo?!

       Ele solta um suspiro de impaciência.

       – Isso está começando a me aborrecer. Sua irmã me oferecia mais desafio! – desdenha ele, estalando os dedos. – Hora de você sumir, minha querida.

       Amala cai de joelhos, vomitando sangue. Os braços começavam a sangrar e seu corpo reagia de forma violenta à sua transformação.

       “Essa não! Meu tempo já está acabando?”

       – Uma clara reação de rejeição – comenta Maxwell. – Você não controla essa forma direito Amala e agora será destruída por ela. Ainda dá tempo de desistir e parar com essa loucura.

       Ela começa a rir, erguendo sua cabeça.

       – Não!

       – Quer prolongar seu sofrimento ainda mais? Seu corpo mal está se aguentando. Se continuar assim, você vai se autodestruir!

       – Eu... nunca me senti tão viva, antes! – Ela se ergue novamente, ficando em guarda. – Se eu não puder derrotar você, pelo menos vou comprar tempo suficiente para minha irmã!

       – Está depositando tudo em Ciara? Nem ela pode comigo agora.

       – Não é... verdade. Eu acredito nela... eu sei que ela... eles vão reconstruir todo esse mundo de novo! – disse Amala entre soluços e espasmos. Sua voz já começava a definhar e seu corpo mostrava sinais claros das consequências de sua transformação. Um vapor quente se formou ao redor do corpo de Amala, nas extremidades dos seus membros – além disso, sua energia começara a diminuir gradualmente, estando atualmente em 78.500. A Julgadora já estava nas últimas centelhas de sua força.

       Agora ela faria sua aposta final.           


Notas Finais


Obrigado para quem leu e espero que tenham gostado. ^^
Até o próximo capítulo!


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