História Neos END - Capítulo 55


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 2.370
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Luta, Romance e Novela, Sci-Fi, Survival, Terror e Horror, Violência
Avisos: Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá pessoal! tudo bem? Outro capítulo adiantado aqui porque o final ta fluindo muito bem. Os próximos já devem ser os últimos, graças a Deus! :D
Espero que gostem e boa leitura!
Ps: imagem representativa. ;-;

Capítulo 55 - Lápides de um mundo perdido


Fanfic / Fanfiction Neos END - Capítulo 55 - Lápides de um mundo perdido

–––– CIARA ––––

 

        

       Uma radiação latente e de indescritível potencia surgiu a nossa frente, acometendo toda avenida onde acontecia a batalha – a sensação era a de um mar recuando antes de seu grande maremoto. A energia de minha irmã se reduziu antes e agora alcançava níveis que ultrapassavam até os meus. A força era tamanha que sugou todo o ar em volta, liberando-o em forma de vapor quente em nossas faces.

       – Essa radiação! – gritou Karma, protegendo o rosto.

       – Vamos tirar o militar daqui antes que ele morra! – instrui Karma para que ele levasse o oficial e quaisquer sobreviventes para bem longe, de preferência para dentro do Evengard novamente.

       Karma o fez, deixando nós duas no meio do fogo cruzado. A temperatura do ambiente subiu drasticamente, derretendo várias pedras em volta e ferros menos tolerantes ao calor.

       – Amala...

       – Ciara! Ela já ultrapassou os 100.000 de radiação! – gritou Alicia, boquiaberta.

       – Pare com isso, Amala! Se continuar aumentando o nível de radiação, seu corpo vai ionizar e explodir! – berrei, mas ela não me ouvia.

       Sua energia alcançou seu pico de 105.000 de radiação, o que ainda não alcançava o nível de Maxwell. Ele se surpreende ao ver a quantidade de energia que o corpo da Julgadora liberava, mesmo estando à beira da exaustão.

       – Uau! Você me surpreendeu, Amala! Quanta energia você tinha guardada! – disse ele rindo, enquanto batia palmas.

       A pele de Amala estava vermelha e com alguns ferimentos incandescentes por todo o seu corpo. Ela despareceu completamente da nossa vista, para a surpresa de Maxwell, desfechando um poderoso golpe em seu peito e que foi o suficiente para feri-lo, arremessando-o a uma distância de 4km em linha reta, destruindo toda a avenida e construções próximas e terminando em uma cratera no cruzamento de outras duas paralelas. A pressão do golpe nos jogou para trás junto com a laje e várias pedras, em uma explosão de vento avassaladora. Eu me segurei no solo, pegando Amala com um dos tentáculos.

       – Ela conseguiu! Conseguiu ferir o papai! – exclamei, incrédula com o que via.

       Uma bolha de vapor saiu do braço de Amala e a mesma solta um grito agonizante e que podia ser ouvido de muito longe. Me apertava o coração ver o quanto ela sofria daquela forma, mas nada eu podia fazer. Depois de alguns minutos, Maxwell vem planando da direção onde foi jogado, com sangue escorrendo de sua boca e de seu peito. Sua expressão estava insana e irada, indo em direção à Amala em um mergulho.

       – Não brinque comigo, Amala! – gritou ele, atingindo a Julgadora com um mergulho que explodiu o centro da avenida. Após a nuvem de fumaça e poeira se dissiparem, era possível ver um a extensa cratera aberta com os dois disputando força em seu interior. Maxwell levava a vantagem até que Amala usa de suas pernas para atingi-lo. Eles se afastam e Amala aproveita o solo acidentado para pegar impulso para um salto magistral até ele, descendo um chute com a ponta dos seus pés, que agora mais se pareciam lâminas incandescentes. Papai se defende com dificuldades, ferindo seu braço ao bloquear o golpe e já revida com outro ataque de energia que passa de raspão no braço direito de Amala, queimando seu membro. Ainda assim, ela não diminui o ritmo e continua e mandar uma barragem de pontapés contra Maxwell, que se defende com igual perícia.

       O vento se revolvia ao redor deles, provocando rajadas de ar que já ultrapassavam os 100km por hora, carregando carros pequenos e algumas pedras para longe. Era difícil se manter próximo ao local do embate sem ser jogado longe pelas rajadas de vento. Amala e Maxwell trocavam golpes poderosos, com potência similar ao de um reator nuclear. Minha irmã ainda levava vantagem por conta de sua velocidade absurda, muitas vezes acertando pequenos pontos no corpo do monstro e minando sua resistência – como estava em uma forma despertada, a regeneração não acompanhava os danos que a Julgadora causava, o que o deixava cada vez mais ferido.

       Apesar disso, que estava levando a pior com tudo aquilo era a própria Amala, que tinha seus ossos se quebrando a cada golpe e sua carne e células fritando a cada movimento. Mais algum tempo naquela forma e não havia dúvidas de que ela morreria.

       Já havia assistido tempo demais. Era hora de agir.

       – Eu vou ajuda-la! – disse, liberando as garras.

       Alicia segurou o meu braço.

       – Você já recuperou sua energia? Se não, espere um pouco mais...

       – Não posso ficar aqui parada vendo-a se sacrificar. Eu preciso ajuda-la! – gritei, soltando o meu braço.

       – Você vai se ferir se for interceder! – advertiu Alicia.

       – Com a energia que reuni, ficarei bem. Eu preciso fazer isso! – Nós nos entreolhamos e Alicia soltou um sorriso, como se estivesse lendo meus pensamentos.

       – Entendo. Tome cuidado, Ciara!

       – Certo!

       Eu saí da cratera onde estávamos e corri em direção ao confronto. A pressão em volta deles não me permite chegar muito perto, então cravei as quatro garras no solo e evitei de ser arremessada pelo ar revolto novamente. Eles continuavam a trocarem golpes ininterruptos, com os braços de Amala se desintegrando aos poucos. Eu fiz uma pressão no solo e produzi um pequeno abalo no chão, o que desequilibra os dois, produzindo uma rachadura imensa no solo abaixo deles.

       – Ciara! O que pensa que está fazendo, sua... – Ele é surpreendido por Amala novamente, desferindo uma sequência de chutes precisos no seu rosto, finalizando com um pontapé em seu abdome e o derrubando.

       – Amala! Controle-se! Reduza sua energia, agora! – gritei, mas ela ainda parecia estar fora de si.

       – Irmã... é você? – perguntou a Julgadora, mal conseguindo se virar para trás.

       – Sou eu, sim. Reduza sua energia agora!

       – Já chega! Me cansei dessa palhaçada! – Maxwell se levanta e cruza os braços, lançando outra rajada de ar em nossa direção e nos jogando para longe dele com várias pedras, carros e postes junto.

       Eu me segurei com a ajuda dos tentáculos e a agarrei em meus braços. Para a minha surpresa, seu corpo estava como uma brasa viva e ardente queimando. Tive que soltá-la imediatamente no chão antes que fundisse meus braços e tive queimaduras terríveis apenas de segurá-la por alguns segundos. A respiração dela estava pesada e pausada, e já temia pelo pior.

       Maxwell avançou e me afastou de minha irmã com um chute em meu rosto, me fazendo capotar até perto da cratera onde Alicia jazia. A Julgadora permaneceu deitada enquanto Maxwell a pisoteava com o pé descalço. Mesmo com as queimaduras, ele não parava de pisá-la e chutá-la. Logo, Amala segurou seu pé e o converteu instantaneamente em carvão. Papai recua, mas Amala se levanta rapidamente, quebrando sua perna direita e aplicando um chute direto na região do seu dorso que havia sido atingido anteriormente, danificando ainda mais aquela região e quebrando sua outra perna. Ela solta um grito de agonia e cai junto com Maxwell, que se levanta furioso segundos depois.

       – Você vai pagar por isso, Amala! – Ele ergue a mão, como se fosse receber algo. – Randall! O controlador!

       – Randall?! – Eu e Alicia gritamos em uníssono.

       O homem parrudo de colete surgiu das chamas carregando o controlador que iria ativar as bombas dentro de nós. Ele havia nos traído, de novo!

       – Randall! Eu vou te matar se você fizer isso! – Ameacei, extremamente furiosa.

       Ele me encarou com asco no olhar.

       – Sinto muito, Ciara. O que estou fazendo é pelo bem do novo mundo! – respondeu ele, caminhando até meu pai.

       – Seu desgraçado! Eu vou te matar um milhão de vezes! Vou te matar! – praguejei, me levantando e correndo na direção deles, mas meu pai me afastou de novo com mais um daqueles estalos de dedos.

       Ele tomou o controle em suas mãos, com uma expressão de satisfação no rosto, porém seu semblante de prazer durou pouco. Assim que pegou o controle de Randall, uma lâmina negra transpassou seu peito, vindo pelas costas. Era uma lâmina feita de sílica com chumbo, o que impediria de Maxwell regenerar aquele ferimento por um bom tempo.

       Assim que sentiu a dor no peito, meu pai cospe um filete de sangue e cai de joelhos, mas sem largar o controle.

       – O que significa isso, Randall? – perguntou meu pai, tão surpreso quanto eu.

       – Eu já disse. Estou fazendo isso pelo bem do novo mundo, e você com certeza, não estará nele! – respondeu o homenzarrão, afundando ainda mais a lâmina nas costas do monstro.

       A radiação que me pai liberou, mesmo que Randall estivesse usando uma roupa de proteção, foi demais para que ele suportasse. Após alguns poucos minutos cravando o fio nas costas de meu pai, ele começou a sofrer de tonturas e sua força começara a desfalecer – era o efeito da exposição prolongada à radiação extrema dele.

       – O que foi, Randall? Você parece meio sonolento. – disse Maxwell, rindo.

       – Randall! O que você fez, seu idiota! Saia daí antes que... – Quando eu o avisei, já era tarde demais. Ele morreria em poucos minutos após se expor daquela forma. A carga de radiação ionizante que provinha de Maxwell o atingiu em cheio, destruindo todo o seu sistema nervoso e imunológico. Sua pele se desintegrou e sua carne queimou em questão de segundos e seus restos caíram no chão, se desfazendo em uma espécie de sopa radioativa.

       Ainda com algumas dores e um buraco aberto em seu peito, Maxwell retira a lâmina de dentro do seu corpo pelo peito e a ferida começa a se cicatrizar lentamente – ele ainda estava com o controle em mãos, para o meu desespero.

       – Hoje é o dia da traição, pelo visto. – disse Maxwell, apertando alguns botões no controle e o corpo de Amala começa a se debater violentamente. Ela começa a espirrar sangue dos olhos, do nariz e da boca, e seus membros quebrados se contorcem em uma cena vil. Alicia não conseguiu continuar assistindo aquela atrocidade.

       – Para! Eu falei para parar! – gritei, rasgando a voz.

       Ele pega Amala pelo pescoço, em um estado semiconsciência. Ele a ergueu com um braço e a jogou para o alto, sem resistência da mesma.

–  Isso é o que acontece com quem me desafia! – Maxwell espalmou a mão e enrijeceu a ponta dos dedos, cravando-a no peito da Julgadora.

Sua caixa torácica explodiu e seu coração foi completamente destruído, ficando com seu corpo empalado no braço de seu próprio pai. Antes de desfalecer, ela ergue com extrema dificuldade sua cabeça e me encara com seus olhos fundos, tentando me falar algo com sua voz muda.

“Me perdoe”, foi o que entendi saindo de seus lábios.

Depois disso sua força se extinguiu e a vida abandonou seu corpo queimado e ferido, desabando em cima dele.

Amala estava morta!

 

 

 

– Eu não preciso mais disso. Pode ficar para você! – Ele joga o cadáver de Amala na minha direção e eu a apanho no ar, tomando-a nos meus braços queimados e feridos. Seu corpo ainda estava bem quente, apesar de ter se esfriado muito. Seu rosto, apesar de queimado e cheio de sangue, estava em paz – a paz de alguém que partiu cumprindo seu propósito. Ao ocupa-lo o máximo de tempo possível, permitiu que eu recuperasse minha energia completamente, me deixando apta para lutar com nosso pai mais uma vez.

Sua missão estava cumprida.

Eu a encarei com meu coração apertando a cada minuto que eu prolongava a visão aterradora de seu corpo destroçado. Meus braços fraquejaram e as próprias garras não conseguiram se manter manifestadas por mais tempo. Meu pulso estava trêmulo e meu coração acelerou subitamente.

– Não! Não! Não! – gritei, a agarrando forte contra o meu corpo. Meu grito ecoou por toda a cidade arruinada, se assemelhando ao lamento e pranto dos condenados ao martírio.

– Ciara – murmurou Alicia, sensivelmente abalada. – A energia dela se apagou.

Uma forte dor acometeu minha cabeça, me fazendo gritar ainda mais forte. Maxwell cruzou os braços, indiferente ao meu sofrimento.

– Você lutou bravamente, minha querida Amala, mas não foi o bastante! – comentou. – Agora a próxima será você, Ciara!

Eu sequer ouvia o barulho ao meu redor; minha cabeça estava perdida em um mar tempestuoso, reproduzindo aquela mesma cena terrível na minha cabeça sem cessar. A dor se intensificou ainda mais quando ele ativa a bomba dentro do meu corpo também, me fazendo contorcer com a mesma dor que minha irmã em seus momentos finais. Enquanto eu me debatia no chão, ao lado do cadáver de Amala, Maxwell se aproxima de mim para desferir o golpe de misericórdia assim como o fez com a Julgadora.

– Foi divertido enquanto durou, minha querida. – Ele espalmou a mão ensanguentada que usou para matar minha irmã e a apontou para a minha cabeça. – Mas está na hora de dizer adeus!

No momento em que iria me finalizar, a foice de Karma passa girando na direção de Maxwell, acertando justamente o controlador da bomba. A ponta da arma atingiu o pequeno dispositivo, espatifando-o na mão dele e que desativou a bomba no mesmo instante. O Andarilho veio logo depois de sua arma, descendo um chute com a ponta do calcanhar e que acerta bem na testa de Maxwell, mas ele sequer sente o golpe de Karma – ainda encarando meu pai, ele manifesta seu Gear e converte seu braço em uma lâmina deformada, que é facilmente contida pelo monstro.

– Karma! – exclamou Alicia, aliviada.

– Inseto imundo! Ainda ousa me desafiar? – rugiu Maxwell, atingindo Karma com uma braçada violenta que quebra metade do corpo do Andarilho apenas com o impacto. Antes de ser jogado longe com o golpe de meu pai, ele consegue me agarrar e me levar junto com ele, me salvando das mãos impiedosas do executivo. Nós dois capotamos juntos até pararmos na frente do antigo prédio da NEOS, na encosta do paredão do Colosso Evengard.

Com a bomba desativada, eu já conseguia me mover e a dor tinha cessado, menos a dor da minha cabeça. Karma jazia agonizando do meu lado, tendo suas costelas e clavícula esquerdas quebradas ao mesmo tempo pela agressão do meu pai. Mal conseguia se mexer, tentando rastejar até onde eu estava.

– Ciara... – Ele me chamava com palavras entrecortadas.

Eu conseguia ouvir sua voz me chamando, mas minha consciência estava longe. Meus sentidos estavam desativados e a única coisa que eu conseguia sentir naquele momento era uma dor horrível tomar meu corpo.

Eu estava despencando em um abismo sem fundo.  


Notas Finais


Espero que tenham gostado e obrigado para quem leu!
Até o próximo capítulo! ^^


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