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História Nesse Apartamento - Taeyoonkook - Capítulo 11


Escrita por: #


Notas do Autor


Esse capítulo contem:
1) Jeongguk roubando camas
2) Yoongi e seus pensamentos impuros
3) Hoseok e Jimin casal da nação
4) Taehyung com ciume
5) Alguém abraça nosso taezinho

Capítulo 11 - O efeito Jeon Jeongguk


— Eu vou me mudar — murmurou Yoongi, arfando alto.

Ele se arrastou pelos últimos degraus, os pés se movendo lentamente pelo chão conforme ele retirava do bolso do moletom suas chaves.

— Minha coluna, minha coluna… — disse, enquanto entrava no apartamento e deixava as costas se apoiarem na madeira. Era tudo culpa daquelas malditas malas cheias de equipamentos que pesavam muito e faziam suas costas parecerem a de uma pessoa com mais de noventa anos.

Ele trancou a porta, retirando seu tênis e colocando-o na estante. Mesmo com meia, sentiu a gelidez do chão, xingando o inverno mentalmente, conforme andava em passos rápidos até seu quarto.

O sol já estava nascendo. Ele havia chegado mais tarde naquele dia, culpa de um ônibus quebrado, o que o fez demorar mais quarenta minutos para chegar em casa. Ele ainda teria mais três horas de sono, de qualquer forma, antes de acordar e terminar o projeto que havia prometido a Jimin, já que a competição de dança do garoto estava próxima.

Entrando em seu quarto após destrancar a porta, Yoongi deixou as coisas no ladrilho, sem se preocupar se estava colocando no meio do caminho ou não. A luz estava acesa, o que ele estranhou por um momento, até ver Jeongguk encolhido no chão.

Yoongi havia se esquecido que havia falado no que o garoto podia ficar ali caso quisesse.

A cabeça de Jeongguk estava apoiada no final do colchão, enquanto os joelhos eram abraçados por suas mãos. Ele havia adormecido no chão de seu quarto, com diversos papéis em sua volta indicando que ele devia estar fazendo algum projeto da faculdade antes de dormir. Ele é louco, Yoongi pensou. Esfriava ainda mais à noite, o aquecedor do quarto de Yoongi não funcionava direito, e Jeongguk não havia pegado um cobertor. 

Yoongi tinha algumas opções naquele momento. A que parecia a melhor escolha para ele, seria deitar em seu colchão calmamente, fingindo que não havia reparado na figura adormecida de Jeongguk.

Hah, ele riu internamente, balançando a cabeça de um lado para o outro.

Como se ele conseguisse ignorar a presença do garoto com tanta facilidade, assim.

— Você é tão irritante — murmurou Yoongi enquanto se ajoelhava ao lado de Jeongguk e observava sua expressão adormecida e tranquila.

Yoongi suspirou alto, irritado consigo mesmo por nem ao menos pensar duas vezes antes de tentar levantá-lo.

Jeongguk só parecia ser leve. A cintura fina enganava bastante, mas a massa magra de Jeongguk pesava. Yoongi achou que ele perderia suas costas de vez, depois que conseguiu levantá-lo e praticamente jogá-lo sem delicadeza alguma em sua cama, quase como em um daqueles filmes pornôs que uma vez Seokjin o passou de brincadeira, fazendo Yoongi abrir o arquivo no meio da sala de aula e se deparar com uma das cenas de sexo mais nojentas do mundo — ele não queria relembrar os detalhes, mas a parte do queijo derretido era difícil de se esquecer.

Certo, por que ele estava pensando em pornô mesmo? Ele tinha que colocar Jeongguk para dormir. E falando em Jeongguk, ele dormia feito uma pedra, porque o máximo que fez quando Yoongi lançou-o no colchão foi murmurar algo não compreensível, mas que Yoongi jurava ter entendido algo como “minhas alfaces”.

Antes que se arrependesse, Yoongi pegou um dos cobertores do armário e colocou-o em cima de Jeongguk, saindo com pressa de seu quarto e indo em direção à sala de estar. Ele se jogou no sofá, nem se preocupando com o fato do objeto ser desconfortável. Ele precisava dormir, pois seu corpo estava reclamando desde cedo quando ele sentiu certas tonturas ao levantar rápido da cadeira.

O sono veio de forma lenta, mesmo com o cansaço. A claridade que vinha da janela da cozinha e da sacada incomodaram-no por um momento, até que seus olhos finalmente se fecharam e ele se viu em uma pequena soneca sem sonhos. Ele acordou algumas vezes, olhando desesperado para o relógio da cozinha e vendo que ainda não era a hora de levantar, mas se desesperou quando acordou mais uma vez e deu de cara com Jeongguk, em pé, em sua frente.

Os cabelos de Jeongguk estavam molhados, indicando que ele havia acabado de tomar banho. A toalha estava em volta do pescoço, e algumas gotas d'água caíam de forma desconcertante em seu peitoral coberto por uma camisa branca. Yoongi tentou não encarar. 

— Que horas são? — foi a primeira coisa que ele perguntou, com os olhos arregalados, sentindo o coração bater forte. O susto por ter visto Jeongguk em sua cara logo após acordar era a causa da sua alteração fisiológica, e nada além disso.

Jeongguk inclinou a cabeça levemente, confuso. 

— Por que você está dormindo no sofá? — questionou ele, ignorando totalmente a pergunta de Yoongi.

— Você está indo trabalhar? — Yoongi acabou fazendo o mesmo, questionando-o mais uma vez, e começando a se levantar a procura de seu celular, lembrando-se que havia deixado o aparelho no quarto.

Ele grunhiu, bagunçando os cabelos em irritação. Para piorar, os olhos redondos e brilhosos de Jeongguk permaneciam em si, fazendo-o se sentir ainda mais irritado.

— Eu acabei de voltar do trabalho — respondeu ele, olhando de forma preocupada para o mais velho. — Você ainda não respondeu minha pergunta.

— Você só volta do trabalho meio-dia. Já é meio-dia? — Yoongi bagunçou ainda mais os fios. — Meu deus, eu…

Antes que pudesse começar um discurso sobre o quanto tinha coisas para fazer, Yoongi sentiu a mão delicada de Jeongguk segurando seu pulso. Ele parou no mesmo momento com os movimentos, sentindo a forma calma que Jeongguk puxava seu braço para baixo. Seu cabelo devia estar uma bagunça, porque sempre que estava nervoso, Yoongi tinha a mania de passar os dedos nos fios. Mas Jeongguk não parecia ligar, nem reparar. Ele apenas segurava seus pulsos com proteção, o que chegava a ser estranho, já que Jeongguk era mais novo e na cabeça de Yoongi deveria ser ao contrário. 

O garoto acabou puxando-o para volta do sofá, e Yoongi, surpreso consigo mesmo, voltou a se sentar sem protestos, observando o rosto sereno de Jeongguk.

— Eu tive esse sonho estranho hoje — falou Jeongguk, de repente.

E Yoongi tinha muitas coisas para dizer. Que ele precisava fazer outras coisas. Que já estava tarde. Eles tinham aula. Ele tinha trabalho. Ele precisava fazer os favores que havia prometido. Mas ele queria saber o que Jeongguk havia sonhado também. Yoongi tinha coisas para fazer, mas elas poderiam esperar alguns segundos, certo? Ele poderia dar alguns minutos do seu dia para ouvir Jeongguk falar, sim?

— O que você sonhou? — perguntou ele, derrotado, sentindo o calor do corpo de Jeongguk emanando para o seu próprio quando este sentou-se ao seu lado.

Jeongguk enrugou o nariz, adoravelmente.

— Que eu fui jogado do terceiro andar do prédio e caí em cima de um colchão.

Jeongguk realmente não havia percebido que Yoongi havia o arremessado em cima de sua cama.

— Acho que você anda assistindo televisão demais — disse Yoongi, segurando o riso. Jeongguk jamais descobriria sobre.

— Oh meu deus — quase gritou Jeongguk, arregalando os olhos, como se houvesse resolvido um enigma. — Você dormiu no sofá porque eu estava no seu quarto! Me desculpe por ter roubado sua cama, hyung. Não era minha intenção. Eu estava esperando Jimin-hyung ir dormir e…

— Está tudo bem — disse Yoongi. Havia sido ele que havia colocado Jeongguk ali. Ele quem não teve coragem de acordar o outro. Mas não que Jeongguk precisasse saber. — Não precisa se desculpar.

As palavras não acalmaram muito o mais novo, que continuava olhando-o como se fosse a pior pessoa do mundo.

— Está tudo bem, Jeongguk-ah. De verdade — repetiu Yoongi, porque parecia necessário.

O resultado foi imediato. Os ombros de Jeongguk relaxaram, mesmo que levemente, e seu rosto pareceu menos tenso.

— Você já almoçou? — perguntou ele, olhando com expectativa para Yoongi.

— Eu…

— Eu vou fazer almoço agora — continuou, começando a se levantar. A mão no pulso de Yoongi sumiu, e por um momento aquilo lhe deixou com uma sensação de vazio, que ele deixou se dissipar balançando a cabeça com força. — Você me acompanha? É meu pedido de desculpas por ter roubado sua cama.

Certo. Jeongguk estava chamando-o para almoçar. Mas ele tinha coisa para fazer. Ele tinha horários para cumprir. Ele não tinha tempo para comer.

— Eu não…

— Por favor? — pediu Jeongguk, com aqueles olhos adoráveis.

E era engraçado como toda aquela história de namorados — que nem tinha um dia de duração ainda — havia mudado, de certa forma, o garoto. Jeongguk provavelmente não chamaria Yoongi tão diretamente assim antes. Mas devia ser por causa do fingimento, por conta da necessidade de enganar Taehyung.

Porque se Jimin entrasse no apartamento e os dois estivessem juntos, almoçando, ele provavelmente contaria para Taehyung e a história pareceria mais real. Sim, era tudo parte do plano. Tudo para manter Taehyung afastado de Jeongguk.

Yoongi olhou mais uma vez para o garoto, que tinha suas orbes arregaladas e as sobrancelhas levemente arqueadas, implorando por uma resposta positiva.

Lá estava Min Yoongi, derrotado mais uma vez pelos olhos de Jeongguk.

— Claro. Por que não?

 

Yoongi não se surpreendeu ao ver as habilidades na cozinha de Jeongguk. Não era a primeira vez que o garoto cozinhava para si, mas era a primeira vez que Yoongi via de perto. Havia algo gracioso na forma como ele cortava os legumes e mexia as coisas na panela, talvez porque a delicadeza entrasse em contraste com os músculos definidos — da maneira mais bonita e graciosa possível.

Yoongi deveria estar louco de estar pensando nisso. Mas era a realidade, ele não poderia negar. Mas havia algo diferente em Jeongguk, também, como sempre, ainda mais quando ele puxou as mangas da camisa, deixando o bíceps exposto, e Yoongi pôde observar melhor a forma como os músculos se contraíam conforme ele se mexia. Yoongi passou a se perguntar em como deveriam ser as costas de Jeongguk, como que seria a visão de sua musculatura tensa, se ela seria marcada e forte assim como seu braço.

Era a primeira vez que reparava, de fato, nos traços e linhas do corpo do outro.

A cintura fina marcada pela camiseta preta que se ajustava em seu corpo musculoso. Os ombros não eram largos, porém podia-se perceber o deltóide bem definido. Os cabelos estavam ficando compridos, levemente ondulados em suas pontas, e bagunçados na região da nuca. O tríceps se contraía toda vez que ele mexia na panela, e sempre que ele precisava se abaixar para pegar algo, Yoongi conseguia ver a musculatura de suas coxas, a parte posterior evidenciada pela calça colada.

Yoongi estava mesmo sexualizando a forma como Jeongguk cozinhava o almoço?

Talvez Yoongi estivesse realmente com fome, ou tivesse dormido realmente mal para estar tendo o tipo de pensamento erótico com alguém como Jeongguk.

Devia ter algo muito errado com ele. Ele deveria dormir mais. Definitivamente.

Quando o almoço finalmente havia ficado pronto, Yoongi conseguiu ignorar o aperto entre as pernas, irritado consigo mesmo por se excitar por algo sem sentido. Jeongguk serviu a comida em um prato redondo e pequeno, alcançando os chopsticks para Yoongi. Mas ali, por mais que estivesse realmente com fome, havia um embrulho em seu estômago. Uma mistura de ansiedade e de irritação, por conta de tudo que Jeongguk havia feito-o passar nos últimos minutos.

Por quê? Por que Jeongguk tinha que ser irritante de tal forma sem ao menos tentar?

Ele nem havia reparado que estava encarando o mais novo, só percebendo quando Jeongguk ergueu a cabeça e fitou-o, o cenho franzido em confusão.

— O que foi? — perguntou ele, levemente assustado.

— Não é nada — murmurou, abaixando o rosto e sentindo seu corpo esquentar.

— Você está comendo pouco — constatou Jeongguk, com a boca cheia de comida.

De fato, Yoongi nem havia tocado em seu prato.

— Eu estou com pressa. Só isso — murmurou, escondendo o rosto com as mãos. Ele não conseguia manter contato visual com Jeongguk por mais de cinco segundos naquele momento. Era demais. 

— Mas a aula é só daqui algumas horas.

— Eu sei, mas…

— Se você está com tanta pressa assim — disse Jeongguk —, eu posso arrumar para você levar e a gente vai juntos para a faculdade. Aí você come lá quando tiver tempo. Pode ser? Porque você não pode ficar sem comer e…

— Jeongguk. — Yoongi interrompeu-o, levantando-se da mesa de supetão.

Seu rosto devia estar muito vermelho no momento. Qual era o problema de Jeongguk? Por que ele tinha que se preocupar tanto com si?

Yoongi se sentia a um ponto de surtar como daquela outra vez.

— O quê? — O garoto arregalou os olhos, ainda mais assustado.

Yoongi então suspirou fundo, contando até dez em pensamentos, e fechando os olhos.

— Irritante! — disse ele, saindo da cozinha. 

— Heh?

— Eu vou escovar os dentes e a gente sai juntos.

— Tá. Certo. Eu…

Mas Yoongi já havia saído do cômodo e se trancado dentro do banheiro, jogando um grande punhado de água em seu rosto. Ele precisava acordar daquele transe que só Jeongguk conseguia fazê-lo entrar.

Quase vinte minutos depois, os dois saíram de dentro do apartamento. Mesmo com Yoongi recusando, Jeongguk insistiu em dá-lo um pote com o almoço daquele dia, alegando que ele deveria comer assim que sentisse fome. Yoongi colocou-o em sua mochila, com preguiça demais para protestar.

Trancando a porta, Yoongi ouviu algumas vozes vindas da escada.

Eu disse para você não fazer isso, cara! — disse a primeira voz.

Você devia ter se esforçado mais para me convencer! — disse a segunda.

Cara — riu uma terceira —, eu falei para você não mandar aquela foto.

Não falou!

Falei!

Devia ter falado mais vezes, então!

Oh, Yoongi pensou, franzindo o cenho. Ele conhecia aquelas vozes.

— Você já é um homem crescido, deve aprender sozinho — disse Jimin, e Yoongi viu o topo de sua cabeça, agora finalmente no fim da escada. Hoseok e Taehyung estavam com ele. Instintivamente, sem ao menos pensar, Yoongi segurou a mão de Jeongguk de forma protetora. Ele nem havia pensado no fato do falso namoro. Foi simplesmente um ato involuntário ao ver Taehyung e saber que Jeongguk ficaria desconfortável. — Oh, Jeonggukie. Está saindo pra aula?

Yoongi sentiu Jeongguk apertando sua mão de volta.

— S-sim.

— Sozinho? — perguntou Taehyung, levantando uma sobrancelha.

Jeongguk pareceu confuso quando respondeu:

— Yoongi-hyung está comigo.

Taehyung franziu o cenho, olhando ao redor. 

— Onde? Eu não consigo ver.

Yoongi demorou dois segundos completos para entender que Taehyung estava se referindo à sua altura. Ele grunhiu, puxando Jeongguk pela mão, descendo as escadas sem olhar para trás, mas ele ainda podia ouvir a risada escandalosa e irritante de Taehyung ecoando pelo prédio.

— Inferno — murmurou ele, depois de abrir a porta de saída e trancá-la.  — Eu odeio esse cara. Como você conseguiu gostar dele antes?

— Eu… Ele não era assim — respondeu Jeongguk, a voz fraca. — Ou era, mas mais legal?

O tom de dúvida na voz do mais novo fez Yoongi rir, fazendo-o relaxar pela primeira vez no dia.

— Isso foi uma pergunta?

— Eu… — Jeongguk fez uma careta. — Taehyung é uma boa pessoa, embora não pareça.

— Você literalmente me fez fingir namorar com você para ele não falar contigo.

— Eu sei — respondeu Jeongguk, parecendo contrariado.

Não fazia sentido para Yoongi, mas não que importasse. Era até engraçado ver as reações do mais novo e como ele ficava sem graça cada vez que Yoongi o contrariava ou pontuava algo onde ele estava errado. Mas Yoongi não deveria estar prestando atenção nisso. Não deveria estar prestando atenção na forma como Jeongguk parecia totalmente desconcentrado, nervoso, como se estivesse com medo de que Yoongi ficasse bravo com ele por tê-lo enfiado naquela história toda. E, talvez, realmente, Yoongi devesse ficar puto. Se fosse Seokjin, ele já teria raspado seu cabelo, ou jogado aqueles produtos naturais do mais velho fora, apenas porque havia sido caro e porque ele sabia que Seokjin ficaria arrasado. Mas ele não conseguiria fazer isso com Jeongguk, e pensar sobre isso deixava-o assustado.

— Mas é porque eu não consigo lidar com ele no momento. Eu não quero lidar com ele. O fato é que ele faz algumas coisas bobas, as vezes, mas ele é uma boa pessoa.

Yoongi revirou os olhos.

— Se você diz… — disse ele, dando de ombros. Taehyung, uma boa pessoa? Yoongi achava que nem comparado com a pior das piores das pessoas Taehyung poderia ser classificado como bom. Mas não discutiria sobre. — Acho que seria bom a gente sempre sair juntos do apartamento. O que você acha?

Jeongguk não disse nada, mas respondeu com um aceno de cabeça, afirmando, que Yoongi quase perdeu por estar olhando para o sinal de pedestre da rua principal, esperando-o abrir.

Assim que chegaram no ponto de ônibus, alguns minutos mais cedo do que o normal, um silêncio ponderou entre os dois. Yoongi se sentiu um pouco desconfortável, deslocado, então resolveu pegar o próprio celular, tentar se distrair, já que ainda não estava acostumado com essa proximidade súbita.

Ao desbloquear a tela, porém, viu que tinha uma mensagem de seu irmão, obrigando-o a fazer uma careta, automaticamente. Ele nem teve coragem de abrir a mensagem, mas olhando pela notificação, viu as palavras “jantar” e “namorado”, e já sabia do que se tratava.

Quando olhou para o lado, subitamente, encontrou o rosto sereno de  Jeongguk, que fitava algum lugar qualquer. Havia uma certa melancolia presente dentro de si, uma tristeza, que Yoongi não conseguiu entender muito bem.

E talvez Yoongi tivesse ficado tempo demais olhando para Jeongguk, porque de repente o garoto encarou-o confuso, os olhos grandes e curiosos, e Yoongi teve sorte quando o ônibus chegou e ele pôde se esconder com o capuz ao se sentar, não deixando que Jeongguk visse seu rosto vermelho.

 

{...}

 

Taehyung queria estar dormindo. Não era sempre que ele tinha essa vontade, porém. Seu sono demorava para vir na maior partes dos dias, em que ele ficava deitado de barriga para cima encarando os adesivos que brilhavam  no escuro no teto de seu quarto. Aquele não era um desses dias, porém, já que ele sentia seus olhos insistirem em se fechar, e um bocejo constante se formar dentro de si.

Uma dúvida até apareceu em seu subconsciente — sobre como os bocejos eram feitos e o porquê de eles existirem —, mas ele estava cansado demais para pegar seu celular e pesquisar. Apesar de todo seu cansaço, ele não conseguia dormir. Ali, logo ao seu lado, sentado em sua cama, com energia demais para aquela hora da noite, estava Jimin.

Não que fosse um problema. Taehyung sempre fazia isso, também, ficando no quarto do garoto loiro até o dia amanhecer. Porém, naquele dia em específico, Taehyung não queria ouvir as reclamações.

Não que ele pudesse dizer isso, já que Jimin o mataria caso ele negasse ser seu ouvido. Mas não estava só Jimin ali, e sim um combo dele e de Hoseok — e Taehyung sabia o quanto o casal poderia ser extremamente barulhento junto.

— Que droga! — gritou Jimin, se jogando para trás, a cabeça caindo em cima da coxa de Taehyung, que estava deitado em cima da cama. Taehyung apenas murmurou, ou ao menos tentou, um “sai daí, eu quero dormir”, que foi totalmente ignorado pelo loiro. — Como vamos fazer agora?

Hoseok suspirou alto.

— Eu não sei, Jimin. Também queria saber.

— Você deveria saber!

— Vocês vão realmente discutir no meu quarto? — perguntou Taehyung, dessa vez mais alto, chamando a atenção do casal.

— É um assunto de urgência! — protestou Jimin.

— Certo, certo… — respondeu Taehyung, derrotado. Ele não teria como discutir mais aquilo. Só poderia dormir depois que todo aquele assunto acabasse. — Mas o que aconteceu mesmo? Acho que dormi no meio da explicação.

Mesmo sem olhar, ele sabia que Jimin estava revirando os olhos. Taehyung quase riu por um instante, porque se havia algo que ele adorava fazer, esse algo era irritar Jimin — um dos prazeres de ser seu melhor amigo.

— Jaebum se machucou e eu não sei como vamos arranjar alguém para as regionais. — Jimin suspirou alto, mostrando o quanto estava estressado. As regionais eram importantes, e Taehyung sabia disso. Era um azar algo do tipo acontecer quando a competição estava tão próxima, ainda mais pensando no quanto seus amigos estavam empolgados com aquilo. — Estava tudo tão certo! Yoongi já me mostrou a música, falta só alguns detalhes, e ela está ótima. Era só se apresentar… Uma semana! Uma semana, cara!

— Bem, para tudo se tem um jeito, eu acho — disse Hoseok, mas não havia muita confiança em seu tom. — Vamos conseguir de alguma forma.

— Por que você está tão positivo? — questionou Jimin.

— Porque sim. Vai dar certo. — Hoseok segurou na mão de Jimin, forte, o que finalmente fez o loiro se acalmar. Era um dos grandes talentos de Hoseok, já que ninguém além dele conseguia fazer Jimin relaxar. — E você, Taehyung? Por que o mau humor ultimamente?

A pergunta o deixou surpreso por um instante. Ele estava de mau humor? Pois se sim, nem havia reparado. Parecia que ele sempre foi assim — meio triste, meio irritado, meio de mal com o mundo.

— Ele está nervoso porque achou que o namoro do Jeongguk e do Yoongi era de mentira — respondeu Jimin, como se falasse sobre o clima.

Ah, sim, Taehyung pensou. Era exatamente isso.

Toda aquela história de Jeongguk estava deixando-o louco. Somente de pensar que o mesmo garoto da sua infância estava vivendo, comendo e dormindo logo no andar de baixo a si fazia-o querer gritar. Era como um sonho, daqueles que você quer que aconteça mas sabe que nunca vai realmente acontecer, porque era meio impossível.

Mas Jeongguk estava realmente ali e parecia surreal.

Porém, ele não somente estava ali, como também estava namorando.

E era normal. Jeongguk procurou seguir sua vida, assim como Taehyung também seguiu a dele. Mas mesmo assim, Taehyung não pôde evitar de sentir o aperto no estômago, a tristeza, um sentimento de traição, mesmo que não fizesse sentido algum.

— E não é? — perguntou Hoseok, confuso.

— Eu pensei que era no começo, também. — Jimin se mexeu, sentando-se no colchão. Taehyung fez o mesmo, de repente interessado no assunto. — Digo, eu não imagino o Yoongi namorando de novo. Mas… Eu acho que é real.

— Como ele consegue namorar aquele cara? — murmurou Taehyung, aproveitando sua deixa para preencher sua cota de falar-mal-do-Yoongi do dia. 

— Deve ser uma merda ter seu ex morando no mesmo prédio que você — disse Hoseok.

Taehyung deu de ombros.

— Está tudo bem. Eu não ligo mais. Mas vocês já pensaram em perguntar pro Jeongguk para dançar com vocês? Ele não dança hip-hop, mas ele fazia as danças do templo em Hahoe… Ele aprende coreografias rápido e...

— Oh. — O rosto de Jimin se iluminou. — Oh!

— O quê? — perguntou Hoseok, confuso.

— Jeongguk! Jeonggukie!

— O que tem ele?

— Ele vai salvar nossa apresentação!

— Como…

— Você não ouviu o que o Taehyung acabou de dizer? — questionou Jimin, com uma sobrancelha levantada. — E você não lembra das aulas que ele fez com a gente? Ele consegue pegar as coreografias rápido e dança bem.

— A gente vai mesmo chamar um completo inexperiente para participar da seleção mais importante das nossas vidas? — perguntou Hoseok, olhando fundo nos olhos de Jimin. Ele já sabia a resposta. E era um sim.

— Bem, é o Jeongguk — disse Taehyung, respondendo por Jimin. — Ele tem experiência dançando na frente de outras pessoas e ele faz de tudo.

Porque era verdade. Jeongguk tinha um talento estranho de ser bom em tudo o que fazia, com exceção de ser organizado. De resto, Jeongguk era perfeito. Taehyung se lembra um dia que conseguiu ficar doente, mesmo sendo verão, e ele teve que ficar na casa de sua avó, e Jeongguk cozinhou para si. E era engraçado, porque Jeongguk era mais novo e, mesmo assim, parecia tão mais velho.

Tais pensamentos deixaram-no com uma sensação esquisita dentro de si. Um embrulho, uma vontade de vomitar. Taehyung suspirou fundo, sentindo-se sufocado dentro daquele quarto de repente.

Devia ser essa a famosa sensação de coração partido.

Ele desbloqueou o celular, mandando mensagem para a primeira pessoa que passou em sua cabeça. A resposta veio rápida até demais, então ele não tardou em se levantar, trocando apenas de camisa.

— Onde você está indo? — perguntou Jimin, olhando-o com curiosidade, conforme Taehyung arrumava o cabelo em frente ao espelho.

— Saindo — respondeu, sem muita cerimônia. Pegou o celular em cima da cama, colocou-o no bolso, fazendo a mesma coisa com a carteira. 

— Com quem? — questionou Jimin mais uma vez, confuso, mas Taehyung não olhou para trás para ver a preocupação em seu rosto.

— Bogum.

Jimin se levantou, mas Taehyung já estava na porta do quarto, pronto para sair.

— Onde vocês vão? Está tarde, Tae — disse, mas Taehyung saiu sem dar explicação. — Tae!

Jimin sentiu-se mal. Taehyung andava cada vez mais estranho. Ele sempre foi uma pessoa que adorava ir em festas, desde que Jimin havia o conhecido. Então, ele não estranhava o fato de Taehyung sair toda semana, mas sim de ele sair quase todo dia. Isso havia se tornado quase um padrão nos últimos meses, algo que surgiu de alguma coisa que Jimin não sabia ou não tinha controle.

Jimin se preocupava, principalmente porque sabia com quem Taehyung estava andando. Sabia o tipo de pessoa, já havia saído com eles. E sabia que não gostava nem um pouco dos amigos de Taehyung. Ele sabia que muita gente acharia que isso era ciúme, ou algo do tipo, e Jimin já pensou ser isso, também, até perceber que havia algo a mais do que o sentimento de que seria abandonado: havia um medo de Taehyung, um medo de ele não voltar para casa.

Isso porque, da última vez que saiu com Bogum e seus amigos, Jimin ficou sabendo o tipo de coisas que eles faziam. “Nós não saímos se não achamos que vamos morrer”, disse Bogum uma vez, quando dirigia bêbado. Depois disso, Jimin parou de sair com eles. Tentou convencer Taehyung de parar, também, mas Taehyung nunca quis ouvi-lo.

Jimin suspirou alto, sentindo-se como uma mãe preocupada.

Ou ainda pior.

— Quem é Bogum? — perguntou Hoseok, virando-se para trás. Ele havia percebido que Jimin havia ficado alterado, nervoso.

Jimin grunhiu, respondendo antes de sair do quarto:

— Um dos amigos da faculdade dele. Argh.

 

— Você anda vindo muito pra cá, não? — perguntou o bartender, encostando-se no balcão.

Taehyung demorou um pouco para olhar para cima. Os olhos estavam cansados, levemente molhados por estar bocejando toda hora e seus olhos insistirem em lacrimejar. Também tinha o fato de que ele estava se sentindo zonzo. Devia ser a bebida.

Ele até demorou para raciocinar que estavam falando consigo. Só percebeu quando fitou o bartender e viu que ele encarava-o esperando uma resposta. Taehyung estreitou os olhos em uma tentativa de ver melhor, inclinando seu corpo um pouco para frente.

— Eu te conheço?

O bartender riu, chacoalhando a cabeça em negação.

— Sou eu que estou servindo sua bebida na última semana — falou ele. — Deveria lembrar de mim. Eu me chamo Hyuk.

— Hmm… Eu me chamo Tae. Taehyung — respondeu Taehyung. Havia um gosto ruim em sua boca, provavelmente da bebida que ele havia virado minutos atrás, e ao mesmo tempo ele não sentia seus pés. Era uma sensação engraçada porém, quase o fazendo rir. Mas ele queria mais, então, usando toda a concentração que existia dentro de si, ele pediu, da maneira mais coerente que conseguiu: — Mais uma dose, por favor.

— Você já está bêbado demais — respondeu o bartender. — Não é uma boa ideia.

— Você não manda em mim, nem no meu dinheiro.

— Onde estão seus amigos? — perguntou Hyuk, olhando ao redor. — Eu não vou mais vender nada para você.

Na mesma hora, Bogum chegou. Ele tinha um sorriso estranho no rosto, e se escorou no balcão, olhando para Taehyung.

— Aconteceu alguma coisa?

— Boooogum… — choramingou Taehyung. — Ele não quer me vender mais nada.

— Por quê?

— Seu amigo já está muito bêbado — respondeu Hyuk, como se fosse óbvio. — Eu acho que você deveria levar ele embora daqui e…

— Bem, você não tem nada a ver com isso, certo? — Bogum o interrompeu, encarando-o com o rosto fechado. — Você deveria somente trabalhar.

— Claro que eu tenho a ver. Eu…

— Apenas nos dê a maldita dose. Duas, na verdade. Você paga, né, Tae?

— Sim, sim… — Taehyung sorriu fraco, encarando o bartender.

Hyuk apenas suspirou alto, não podendo fazer nada além de obedecer.

— Aqui está sua dose, cara — falou o bartender, colocando dois pequenos copos em frente a Taehyung. Bogum havia pego um deles, virando e deixando de volta no balcão, e logo indo para a pista de dança. Mas Taehyung apenas ficou parado, olhando para frente sem muita expressão. — Ei, você está bem?

Mas Taehyung já não ouvia. Havia três Hyuks deles ali, e de repente eles estavam todos embaçados, e Taehyung já não via nada. Havia um enjôo crescente dentro de si, uma vontade de vomitar, mas Taehyung nem ao menos conseguiu pedir ajuda antes de cair para o lado. A última coisa que ele ouviu foi os gritos do bartender, o tom preocupado, enquanto seu corpo encontrava o chão:

— Ei, você está me ouvindo? Ei!


Notas Finais


Antes de tudo! Eu e a @azul46 estamos planejando uns plots de taegikook para postar... Então, já imagine. Ajude a gente a decidir com qual vamos começar: https://twitter.com/miyushu_/status/1241046328412639238

Bem, aqui estou eu... depois de quase um ano...
Passei por muitas coisas ano passado: meu tcc, um bloqueio ENORME, e enfim... Acho que se vocês lerem Sueco vocês entenderão um pouco...
Peço desculpas pela demora. O capítulo estava sendo escrito desde maio de 2019 mas eu nunca terminei ele :(
Enfim, eu cortei várias partes. A boa notícia é que eu tenho muuuita coisa já escrita. Não vou prometer atualizações, porém, mas minha ideia é fazer elas mensalmente.

E, mais uma notícia: todos os capítulos de napto foram atualizados!!!
Simmm. Então, aproveitem a quarentena para reler eles todinhos!
Muuuito obrigada e até a próxima!


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