História Netuno - Capítulo 4


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Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Chenle, Jisung
Tags Chenle, Chensung, Jisung, Nct, Park Jisung, Zhong Chenle
Visualizações 18
Palavras 1.631
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - Home not so sweet home


Quando o dia já estava escurecendo e a temperatura tinha se amenizado, Chenle e Jisung precisaram se apoiar um no outro para levantar da grama e deixar seu recanto de paz.

Eles caminharam lado a lado pelas trilhas naturais e pelas calçadas da cidade, conversando sobre coisas aleatórias para compensar os instantes de silêncio que tinham experimentado nas horas anteriores.

Cada momento que haviam passado juntos tinha sido especial. Ambos sentiam-se mais leves, como se a magia daquele lugar tivesse acalmado seus corações.

Se fosse possível, eles teriam ficado lá por muito mais tempo. Voltar para a realidade nunca era uma boa opção.

Jisung não gostava de sequer pensar sobre tal coisa. Estar em casa no fim da tarde era angustiante por inúmeras razões.

Por isso, sempre que os assuntos entre ele e Chenle pareciam acabar, ele logo encontrava um novo tópico sobre o qual divagar.

O garoto só queria aproveitar cada instante que ainda tinha ao lado do amigo, porque assim como a realidade não era agradável, se despedir de Chenle também não era.

Mas, de qualquer forma, em poucos minutos de caminhada, o percurso dos dois chegaria ao fim. Quando a casa de Jisung estivesse à vista, eles teriam de se separar.

Então o moreninho se esforçava para arrancar de Chenle o máximo de risadas que suas piadas bobas lhe permitiam. A imagem daqueles olhinhos puxados e de seus lábios moldados num sorriso seria uma das últimas coisas em que pensaria antes de dormir.

E no momento em que a construção de paredes desgastadas passou a se tornar mais nítida, ambos os garotos abrandaram os passos e retorceram os lábios em conformação.

Jisung foi o primeiro a parar de andar, virando-se para o lado até que estivesse de frente para Chenle e de costas para a porta de sua casa.

— Então... A gente se vê amanhã na escola? — perguntou num tom pesaroso, triste por se despedir — Espero que sua mãe continue bem.

— É... Também espero. — Chenle perdeu-se em pensamentos por alguns instantes, tão cabisbaixo quanto Jisung.

Ficaram parados por um tempo, fitando os próprios pés. A tarde tinha sido tão boa e alheia ao mundo... Eles realmente não queriam que ela acabasse.

— Eu preciso entrar. — Jisung quebrou o silêncio, coçando a nuca — Meu tio vai me dar um sermão por ter voltado a essa hora...

Chenle assentiu depois de comprimir a boca em uma linha reta, e então levantou o olhar para encarar o melhor amigo.

— Tudo bem... — seus olhos expressavam uma tristeza muda — Até amanhã, Jisung!

Ele ergueu os cantos dos lábios num sorriso contrariado, e antes de voltar a andar, esperou por uma resposta.

— Até...

Viu o amigo levantar uma das mãos para lhe acenar em despedida, também sorrindo com uma clara tristeza sob a curvatura de seus lábios.

Chenle copiou seu ato e, de costas para o caminho, acenou para o amigo até que estivesse na esquina do quarteirão, pronto para sumir de vista.

Jisung o observou se afastar, sentindo o coração apertar a cada passo à distância que o amigo conferia. Quando o garoto lhe deu um último aceno e virou na outra rua, ele deixou que um suspiro desconsolado fugisse para o ar.

Sozinho em meio à quietude de seu bairro, Jisung mirou sua simples casa. Observou a madeira velha da porta, a pintura amarelada que o tempo havia desgastado e, depois de alguns segundos, aproximou-se do cenário.

Com cuidado para não fazer barulho, girou a maçaneta e empurrou a superfície vertical que demarcava a entrada. Se tivesse sorte e conseguisse ser sorrateiro, poderia atravessar os cômodos e correr para seu quarto sem que fosse visto.

Esgueirou-se para dentro e cautelosamente retirou os tênis que calçava. Na ponta dos pés, seguiu pelo curto espaço que separava aquela área do restante da casa.

Ao passo que se aproximava da sala de estar, no entanto, pôde ouvir o som da televisão se tornar mais alto. Um odor conhecido lhe inundou os sentidos e uma bolha amarga formou-se em sua garganta.

Inclinou a cabeça para espiar o espaço e encontrar o que menos queria ver naquele início de noite.

Sobre o velho sofá remendado, com uma lata de cerveja e um cigarro aceso em mãos, estava seu tio, Park Jihwan.

Ele assistia uma partida reprisada de basquete e tudo ao seu redor parecia tão desordenado quanto seu próprio corpo ébrio. Mais latas vazias se espalhavam pela mesinha de centro e a fumaça do cigarro impregnava o ar.

O ambiente estava abafado e Jisung sentiu-se sufocado, tanto em corpo quanto em alma. Ele só queria poder se trancar em seu quarto sem ter que lidar com seu tio embriagado.

E ele achou que ainda tivesse chances de concluir seu único objetivo sem que fosse pego. Com o mesmo cuidado, passou os pés para dentro da sala e tentou atravessá-la em meio às sombras.

Mas é claro que seu tio não seria cego à ponto de não enxergá-lo. Por mais bêbado que estivesse, ele ainda tinha consciência o bastante para notar a movimentação ao seu lado.

— Já passou das seis... — a voz rude e enrolada lhe alcançou os ouvidos. — Onde você estava?

Jisung imediatamente parou de andar, fechou os olhos por alguns momentos, e depois de abri-los, virou-se, olhando o tio nos olhos.

O homem o fitava quase sem expressão. Sob a pouca claridade do televisor, sua barba por fazer parecia mais escura e seus pequenos olhos comprimiam-se, tontos pelo álcool.

Jisung nem tinha chegado tão tarde e muito menos feito algo de errado, mas aquela situação era típica de Jihwan. Quanto mais bebia, mais infundados seus questionamentos se tornavam.

— Com o Chenle. — o garoto respondeu, querendo acabar de uma vez por todas com aquele diálogo — Fomos jogar videogame depois da aula.

Por mais que detestasse mentir, Jisung sabia que era o melhor a se fazer naquela ocasião. Se seu tio já tivesse respostas para as suas prováveis dúvidas, ele o deixaria em paz.

— Você anda demais com esse moleque. — o homem se interrompeu para acabar com o resto da cerveja, pousar o cigarro em seu cinzeiro e pegar uma nova lata — Daqui a pouco vão dizer que meu sobrinho é viado.

Jisung o observou abrir a bebida para tomar mais um longo gole do álcool. Apertou os punhos e os lábios, sentindo uma sensação ruim na boca do estômago.

Jihwan era um completo babaca e vivia soltando comentários como aquele. Sua mente fechada e seu coração apático o impediam de ter mínimo de respeito ou bom senso com relação a certos tópicos.

A parte boa nisso – ou menos pior – era que suas provocações nunca iam além de implicações verbais. Independentemente do quão estúpido fosse, Jihwan jamais ousava colocar as mãos em Jisung.

— Chegou outra carta do seu pai. — ele disse então, alterando a expressão infeliz do garoto — Tá no balcão da cozinha. Pega e vai pro seu quarto.

Depois de tal constatação, Jisung desconsiderou toda a ignorância ébria de seu tio. Ele foi até a cozinha, encontrando um envelope branco endereçado a si.

Apanhou a correspondência e, como queria ter feito desde que chegara em casa, correu para seu quarto.

Deixou a mochila no chão, ao lado da sacola de almoço que ainda carregava suas frutas sujas. Fechou a porta do cômodo e, sem mais demoras, sentou-se em sua cama com o papel em mãos.

Fazia duas semanas desde a última carta recebida. O coração de Jisung pulsava com a ansiedade de ler as palavras escritas por seu amado pai.

No início do ano anterior ele tinha se mudado para Busan em busca de um trabalho melhor. A vida em Dalseo-gu não estava sendo fácil há um bom tempo, e nada além do próprio filho o motivava a permanecer ali.

Jisung costumava viver com o pai na mesma casa desde que nascera, mas depois da morte de sua mãe, muita coisa mudou. Foi como se uma onda de negatividade atingisse aquela família em cheio, e quando o pagamento das contas passou a ficar complicado, não lhes restaram escolhas.

Seu pai vendeu a casa e o deixou com o tio com a promessa de que voltaria quando tudo se estabilizasse. Eles não tinham condições para se mudarem juntos e, de qualquer forma, Jisung não queria deixar Chenle para trás.

Seu melhor amigo era definitivamente a âncora que ainda o mantinha preso ali. Todo o resto daquele distrito o chateava e o deixava com vontade de fugir para longe.

E ele não demorou para abrir o envelope e de lá retirar as duas coisas que o preenchiam: uma folha dobrada, a carta em si, e 15.000 wones.

Junto com as cartas, que narravam notícias da metade de cada mês, o pai sempre o enviava uma parcela de dinheiro. Jisung nunca gastava um centavo sequer da quantidade que recebia, até porque não sabia bem o que fazer com ela.

Aquele dinheiro parecia precioso demais para ser gasto com futilidades. A única ideia que o garoto tinha em mente era a de juntar o bastante para comprar uma passagem de trem para visitar o pai no fim do ano – e levar Chenle junto, se possível.

As notas eram guardadas numa caixa de sapatos debaixo da cama. Jihwan não sabia que o irmão enviava dinheiro para o filho, e Jisung tinha medo do que ele poderia fazer caso descobrisse.

Ele se inclinou para pegar o compartimento escondido e guardar a nova quantia ali. Empurrou-o outra vez para baixo da cama, bem a fundo, e por fim voltou a sentar-se no colchão.

Com um brilho em expectativa nos olhos, desdobrou a carta. Sentiu um aconchego quentinho envolver seu coração ao analisar a caligrafia bonita de seu pai.

Passou a ler linha por linha, a espera de boas notícias. A esperança por dias melhores era uma das únicas coisas que Jisung ainda conseguia preservar.



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